10 dicas para contratar um designer sem medo de errar

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Acompanho alguns fóruns de empreendedorismo nas redes sociais, tenho vários amigos empreendedores e posso dizer; contratar um designer é um desafio. E não é nem a questão de que os clientes não têm noção nenhuma do trabalho do designer e de sua importância.  Muitos sabem exatamente o peso que uma boa representação gráfica tem para seu negócio e mesmo com limitações orçamentárias, priorizam a contratação escritórios ou profissionais com diploma em vez de arriscar por si ou pedir favores a sobrinhos. Ainda que tomando todos os cuidados e levando o assunto muito a sério, tenho sabido de histórias escabrosas.

Há pouco tempo, uma grande amiga, consultora e palestrante, contratou um estúdio para definir sua identidade visual. Ela me mandou as três opções que lhes foram sugeridas: uma era tão, mas tão absurdamente diferente da outra, que só me restou perguntar como eles defenderam o conceito, ou seja, que identidade profissional era essa que estavam querendo traduzir. Sem resposta. Apresentaram então outra alternativa (depois de semanas), julgando ser a definitiva e explicando que o motivo do atraso era que o trabalho era muito complexo e precisava de muito estudo. Em menos de um minuto pesquisando no Google imagens encontrei a alternativa deles em um site de logos grátis (aqueles que os designers demonizam). Não mudaram nem a cor. Pois é.

Um casal de amigos aqui de Berlim contratou um designer local com a recomendação de que ele já tinha passado até pela BMW. O sujeito nascido e criado na terra da Bauhaus levou quatro semanas para entregar um folder tão tosco, errado em tantos aspectos, que, para coroar a obra, esqueceu de colocar o endereço do site (o negócio era um e-commerce). Quando questionado, justificou que isso atiçaria a curiosidade das pessoas, que procurariam o endereço no Google (reconhecer o erro, nem pensar, né?).

Outro caso é o da Bendita Pele, que relatei inteiro aqui (esse, pelo menos, com final feliz). E tenho certeza que todo mundo tem histórias igualmente infelizes para contar.

Então. Justamente para evitar que mais profissionais e empresas passem por esses perrengues desnecessários e a categoria dos designers fique ainda mais desgastada, vou dar aqui algumas dicas para facilitar a escolha do profissional responsável pela forma como as pessoas verão (literalmente) sua empresa no mercado.

Vamos lá:

1. Há médicos, dentistas, arquitetos, professores, cabeleireiros, advogados e pedreiros péssimos, ruins, médios, bons e sensacionais. Por que com designers seria diferente? Na verdade, você já sabe como escolher os melhores: da mesma maneira que você escolhe os outros profissionais. O negócio é sair pedindo dicas para amigos, conhecidos e clientes.

2. É importante entender que o trabalho que o profissional vai fazer é tentar representar graficamente a identidade de sua empresa, a essência, o caráter, a personalidade dela. Então ele precisa de algum método investigativo para determinar isso (um dos que estão disponíveis e de graça é o GIIC®, que eu mesma desenvolvi). Só então poderá começar desenvolver os desenhos e alternativas.

3. Sempre peça para ver o portfólio (isso é mais importante que o currículo). Lá vai ter os trabalhos que o profissional/empresa já fez. Escolha um item que você gostou muito (ou detestou) e peça para ele explicar como chegou no resultado. Isso vai dizer muita coisa sobre o método de trabalho. NOTA: Se a explicação for confusa ou não convencer, mau sinal. Procure outra alternativa.

4. Pergunte tudo, mas absolutamente tudo; não deixe nenhuma dúvida em aberto: como funciona, quais são as etapas, o que acontece se você não gostar, o que está incluso/excluso, se terá que pagar a mais cada vez que tiver que trocar o endereço no cartão de visitas, se você receberá um arquivo (ou vários) que poderão ser usados por outros fornecedores, enfim. Tudo o que se lembrar. Se o profissional/empresa for bom, terá um contrato escrito com todos esses detalhes. Isso se chama gestão de expectativas e os excelentes praticam sempre.

5. Avalie a apresentação visual do designer/empresa. Você consegue perceber as qualidades que está buscando? Se não consegue, uma boa dica é procurar outro. Se o profissional/empresa não faz a lição de casa, como vai atender seu projeto?

6. O manual de aplicação, documento que explica como a marca gráfica deve e como não deve ser utilizada (proporções, fundos, fontes tipográficas, cores, etc) é um item muito importante. Evita que o trabalho desenvolvido com tanto cuidado possa ser estragado porque você não sabia que não devia colocar a marca sobre um fundo estampado, por exemplo. Assegure-se que esse item esteja incluso no contrato.

7. Você não é obrigado a gostar do resultado apresentado. Se está desconfortável, explique ao profissional o motivo; o que exatamente não está bom do seu ponto de vista. Quanto mais específico for com relação aos pontos que estão lhe perturbando, mais fácil será para solucionar o problema. Se o profissional realmente estiver seguro do que fez, explicará o porquê da escolha de cada item (cores, formas, tipografia, etc) e o motivo pelo qual um ponto ou outro não deve ser alterado, mas pensará numa alternativa para adequar suas necessidades. Como você vai fazer seus clientes se apaixonarem pela empresa se você mesmo não é capaz?

8. Mesmo que goste do resultado, não deixe de comparar a solução gráfica apresentada com outros resultados no Google Images. Isso acontece até com empresas grandes; não é justo cobrar por um trabalho que não foi feito.

9. O trabalho que descrevi acima é o desenvolvimento de uma marca gráfica ou de uma peça gráfica. Isso não é Branding. Pode ser uma parte de um projeto de Branding, que é essencialmente estratégico e anterior ao projeto gráfico, mas são coisas diferentes. Se o profissional chamar apenas essa etapa de Branding, fuja. Ele não sabe o que está fazendo.

10. Se ficou feliz com o trabalho, não deixe de recomendar para os amigos. Só assim o mercado se livrará dos maus profissionais e valorizará de verdade os que merecem.

Uma das coisas mais lindas e bem-sucedidas do mundo é quando o cliente encontra seu designer e vice-versa. Palmas, abraços e muito sucesso para todos os envolvidos.

Não é isso que todo mundo quer?

3 Respostas

  1. 25 abril 2016 at 5:03 pm

    Excelente artigo. De fato, existem picaretas em todos os lugares do mundo. Mas há um detalhe preocupante e que atinge muitos designers que atendem micro e pequenas empresas em todo o mundo, que são os sites estilo Design Crowd, esse especialmente tem milhares de profissionais de todo o mundo que se matam para criar o logo “bacaninha” por 160 dólares em média, ou seja, tem muita gente trabalhando por troco. No Brasil também tem um site nesse estilo.
    É por isso que me sinto feliz porque meus filhos fizeram Direito e Engenharia de Automação, atividades muito bem regulamentadas por lei.
    Acho que design gráfico, com esses sites que citei, já era!
    A menos que o profissional trabalhe num escritório tipo “butique de criação” como era a DPZ de uns 30 anos atrás, que cobra muitíssimo bem e trabalhe só para clientes de alto padrão ou então vai ralar muito com pequenas empresas que já sabem da existência desses crowdsourcing da vida, ou melhor, da Internet.

  2. Ligia Fascioni
    26 abril 2016 at 7:18 am

    Caro Julio,
    Penso que sites design crowd só assustam designers picaretas como os que eu descrevi. Quem faz um trabalho realmente sério, consegue mostrar ao cliente a diferença entre um e outro. Na minha opinião, esses sites fazem sucesso por culpa dos próprios designers, que não conseguem comunicar a diferença entre os dois trabalhos (inclusive porque, como vimos, às vezes não há mesmo; a diferença é só o preço). Eu, pelo menos, estou tentando fazer a minha parte para ajudar os clientes a diferenciar o joio do trigo. Abraços e obrigada pela contribuição 🙂

  3. 26 abril 2016 at 2:28 pm

    Ligia….desenhasses minhas palavras, …e acrescento que “goodesign”, está no bom designer que atua com um bom cliente. A vida,.. eu traço!

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