30 abr 10

andycrow

Foto: Andy Crow

Hoje fui fazer um lanche na UNISUL, onde ministro algumas disciplinas para o curso de design, e fiquei conversando com o prof. Claudio (ele também dá aulas no SENAC). Como é que pode existir tanta gente extraordinária no mundo bem do nosso lado e às vezes a gente nem percebe? Olha só: entre um pão de queijo e outro, descobri que ele se formou em Filosofia na Unicamp, depois em Ciências da Computação e agora vai se formar em Design na Udesc. Até aí, dá para ver que ele é estudioso, mas nada de anormal.

Mas meu queixo caiu quando ele me contou, de um jeito muito casual e nada pretensioso, que no curso de filosofia os professores exigiam que os alunos estudassem os filósofos na língua original. Isso quer dizer que o Claudio lê e escreve fluentemente em grego, latim, francês, inglês, italiano e, não perguntei, mas acho que alemão também. Como é que essa pessoa estava sentada do meu lado e não tinha uma estrela na testa? E põe fluente nisso, pois estudar filosofia em português já é difícil pra caramba, imagina só em grego!!! E o Claudio é um sujeito muito tranquilo, na dele, a definição perfeita do termo low-profile.

É claro que não vou deixar isso passar assim, né? Ele já prometeu que vai me mandar duas referências de livros de filosofia (Galileu e Diderot), que uma pessoa normal seja capaz de entender (ah, é claro que traduzidos). Muito gentilmente também se dispôs a tirar as minhas dúvidas e disse podemos conversar a respeito na hora do lanche. Uauaauu!!! Ganhei um professor de filosofia nas horas vagas!

Dá para imaginar a sorte que é cruzar com alguém assim numa lanchonete? Agora vou aprender um monte de coisas (ele é muito gente boa). O prof. César também ficou interessado e talvez a gente forme um grupo de estudos, sei lá.

O fato é que tenho observado que, aos poucos, tem surgido gente bacana assim na minha vida (sem falar que sou casada com um gênio). Com meu parceiro de projeto, o Alberto Costa, já tenho aprendido muito (ele manda muito bem no português e tem profundos conhecimentos de teologia, entre outras coisas). Fora as outras pessoas maravilhosas que sempre têm experiências diferentes para compartilhar (conheci uma aluna que tinha morado no Líbano e aprendido árabe sozinha!). Quando me deparo com pessoas assim, fico me sentindo a pessoa mais rica do universo só de poder conhecê-las, é a melhor sensação do mundo!

No mais, recomendo prestar muito atenção em quem se senta do seu lado na lanchonete, na fila, no ponto de ônibus…

Comentários

Uma resposta de “Pessoas que encontramos por aí”

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  1. Clô♥ disse:

    Não seria por conta daquela propaganda de bonde de antigamente (do tempo do bonde) repetida a milênios,
    “Preste atenção passageiro,
    no cavalheiro a seu lado,
    quase morreu de bronquite,
    salvou-o o Rhun Creosotado”,
    incutido profundamente no inconsciente coletivo do brasileiro,
    que as pessoas não se aproximam de quem não conhece? Vai que ele está doente? hahahahah…
    Brincadeiras a parte é uma benção conhecer pessoas assim que só nos acrescenta, dividindo conosco as suas experiências e o seu conhecimento singelamente.