Arquivo de fevereiro, 2012

27 fev

O teto da Basílica de São Marcos deve ser lindo (o Conrado até fotografou), mas não consegui ver, pois meus olhos estavam completamente grudados no chão. E isso não é por modéstia, humildade ou fervor religioso não. É que os mosaicos são de outro mundo, minha gente.

Veneza já nos deu nada menos que 6 Papas; esse povo de bobo não tem nada. Desconfio que eles fizeram um chão assim tão bonito para que as pessoas parecessem mais comedidas e obedientes, além de ficarem completamente hipnotizadas. Olha, funciona, viu?

26 fev

Os últimos dois dias foram inesquecíveis; graças à insistência de amigos queridos, passamos um final de semana na belíssima Veneza. Aliás, belíssima não descreve de jeito nenhum aquela cidade. Aliás, cidade também não é um nome adequado para aquele lugar; na bem da verdade, não há nada igual no mundo inteiro. Veneza é inclassificável sob qualquer ponto de vista.

Bom, meu queixo ainda não voltou para o lugar e ainda estou inebriada com aquele lugar lindo. E preciso dizer: se você só puder fazer uma viagem na vida, vá à Veneza. Perca-se nos seus becos e vielas, encante-se com seus canais, embriague-se com seu por-do-sol, torça o pescoço olhando as janelas e gaste seus pés de tanto andar. Respire cultura, arte, música e beleza.

Veneza já foi a cidade mais importante do mundo e sua arquitetura não deixa dúvidas quanto a isso; construída sobre um pântano para fugir das frequentes invasões germânicas e dos hunos, é considerada o berço do capitalismo. A queda de Constantinopla e as descobertas de novas rotas marítimas por Colombo e Vasco da Gama no século XV foram o começo da perda do poder. Na terra de Vivaldi, Tintoretto e Marco Polo, só para citar alguns, floresceu o Renascimento; Leonardo Da Vinci e Galileu Galilei passaram por aqui também. Impossível não se emocionar pensando em tudo o que aconteceu sobre esses canais, os segredos guardados por gondoleiros e as almas iluminadas que passaram por aqui.

Não fosse por tudo isso, Veneza é a única cidade do mundo onde não circulam carros, motos e nem mesmo bicicletas. Aqui só se anda a pé ou de barco. Alguns becos são tão estreitos que a pessoa tem que passar de barriga encolhida…ehehehe

Bom, já deu para ver que seremos obrigados a voltar para ficar bem mais tempo (são 118 ilhas e 400 pontes; a amostra já serviu para encher a boca de água).

Mas vamos parar de blablabla e ir às fotos. Deleitem-se…

Uma cidade cheia de pontes e gôndolas não tem como não encantar

As casas são todas espremidinhas entre becos; então o povo pendura roupa onde dá

O carnaval acabou, mas as máscaras são vendidas o ano todo (para turistas)

A vida ferve nas margens do Grande Canal

Faz parte da decoração da cidade; nada mais típico e charmoso (só aqui, claro!)

Venda de frutas à noite: tem coisa mais linda nesse mundo?

Estacionamento de gôndolas

Gondoleiro esperando clientes

Pena que esse patrimônio da humanidade está afundando alguns milímetros por ano; há alguns projetos mirabolantes e caríssimos para salvá-la, mas ainda não se tem certeza do resultado. Tomara que dê certo, para o bem de todos nós.

Quer ver todas as 150 fotos? São as melhores de quase 700 (eu sabia que ia surtar; o Conrado também não resistiu…). Então clica aqui e vai direto no Flickr!

22 fev

Nossa, já fui tantas vezes ao Mauer Park que até perdi a conta. Cada vez que recebo visitas, faço questão de levá-las lá. Já fiz até um vídeo sobre o lugar (veja aqui), e não me canso de olhar a paisagem, que muda o tempo todo.

A parte obrigatória, além do mercado de pulgas, é o pedaço do Muro de Berlin que restou (por isso o parque tem esse nome: Mauer é muro em alemão). Os artistas locais vivem pintando e repintando o paredão; cada vez que vou lá está diferente.

Pois só agora, depois de tanto apreciar esse pedaço de história, olhei melhor e vi que as camadas de tinta descascadas e sobrepostas criam um efeito incrível. Há que se ter olhos para ver esses detalhes, mas não tem como não se encantar.

Vem comigo viajar na batatinha (no caso, klein Kartoffel…eheheheh)

Nossa, minha cabeça está borbulhando de ideias sobre o que fazer com essas imagens (sim, já pensei num painel, numa composição, em ilustrações, enfim, nem vou conseguir dormir — por favor, não me mandem mais nenhuma…eheheh).

Que ver todas? Clique aqui e vá no Flickr!

21 fev

Uma coisa que sempre me intriga: para uma cidade em que neva e tem um inverno pra lá de rigoroso, será mesmo uma boa ideia instalar bancos de metal nas estações de trem e de metrô? Olha, só posso dizer que sempre vejo pouca gente sentada nesses lugares.

Por que será?

Tratamento alternativo para a celulite?

21 fev

Alguém tem algum palpite sobre o que significa essa placa? Juro que não entendi. A propósito: havia várias mães com crianças atravessando o lugar (uma rua absolutamente comum).

Tenho pra mim que a street-art onipresente em toda Berlin já chegou nas placas de trânsito…. a-d-o-r-o!

20 fev

Se tem uma coisa que au adoro aqui são as embalagens de sopa (só não compro porque as de lavra própria são muito boas, modéstia à parte). Só que é difícil fotografar no supermercado (não entendo porque eles não deixam). Então, como essa semana estou com a Débora Moreira de cúmplice (uma fofa), aproveitei para bagunçar o frigorífico e fazer uma composição de sabores para dar uma ideia, enquanto a moça despistava os funcionários.

Não dá mesmo vontade de colecionar essas sopas todas?

16 fev

Gente, olha só que máximo essa escrivaninha que acabei de ver na newsletter do Design Addict. Agora não tem mais desculpa para a bagunça, cada coisa tem seu lugar elegantérrimo para ser guardada. NECESSITO de uma dessas urgente, senão vou surtar…eehehehe

Eu queeeeero!

Olha só que bacana, o sistema é modular e dá para aumentar. Show!

A coleção se chama Strates e o nome do designer genial (virei fã, descobri que até palestra no TED o moço já deu) é Mathieu Lehanneur. Aqui o link do Design Addict.

16 fev

Odaliscas alemãs

O carnaval é uma festa religiosa e, principalmente, católica. Como boa parte da Alemanha é protestante, aqui não rola muito essa celebração não (a não ser em Colônia; o carnaval lá é famoso). Mas isso não quer dizer que o pessoal não festeje.

No interior, em cidadezinhas pequenas onde há comunidades católicas, há comemoração sim; final de semana passada tivemos a honra de ser convidados para uma delas, já que essas festas não são abertas a turistas ou a pessoas de fora da região.

Bom, já começa que não tem um dia de carnaval, como a nossa terça-feira: é o mês de fevereiro inteirinho. Depois, os alemães têm o equivalente ao que seriam as nossas escolas de samba, só que, para eles, são clubes de carnaval. Isso significa que tem um povo que passa o ano inteiro preparando a festa para fazer bonito, exatamente como no Brasil. Mas as semelhanças param aí mesmo.

Por motivos óbvios, não dá para fazer um desfile de rua (acho que -22 °C caracteriza motivo óbvio, né?), então a apresentação acontece em clubes (nesse que a gente foi, na antiga Alemanha Oriental, eles usaram o lugar onde funcionava antes a sede local do partido).

Há equipes (que talvez pudessem equivaler às alas das escolas de samba) e uma banda (que poderia ser a nossa bateria). Os convidados ficam sentados assistindo ao espetáculo, que mais parece festa de fim de ano de escola. Teve homens dançando muito engraçadamente vestidos de odaliscas; mocinhas em coro cantando músicas românticas; senhores barrigudos contando piadas no melhor estilo do que em bom português chamaríamos de stand-up comedy; coreografias criativas e bem humoradas… enfim, diversão garantida. As almas mais simples serão tentadas a classificar o show como vergonha alheia, mas penso que vergonha mesmo é zoar com pessoas que estão genuinamente se divertindo; achei tudo muito divertido, de um jeito como há muito não via.

Pena que meu alemão nível indígena me impediu de entender as piadas (entendo palavras soltas e algumas frases; mesmo assim a capacidade de processamento ainda é muito lenta para a velocidade dos comediantes locais), mas as que meu personal intérprete conseguiu traduzir eram ótimas.

Todo mundo vai fantasiado e como o objetivo não é seduzir ninguém ou mostrar o silicone novo (os alemães parecem bem inocentes nesse quesito), fica tudo muito engraçado e desajeitado. Claro que tinha bispo, papa, presidiário, Darth Vader, enfermeiras, bruxas, sereias, cirurgiões, vikings e tudo mais. Como não sabia desse detalhe, fui no meu papel mais frequente aqui: alemã meio retardada (as pessoas acham que sou nativa e tentam conversar, mas o papo fica um pouco limitado…eheheh).

A festa dura o mês todo para que todas as cidadezinhas da região possam se apresentar e umas possam assistir às outras (que integração maravilhosa); deve haver um calendário cuidadosamente planejado para isso, claro.

O fato é que mais parece uma festa de família onde todo mundo se diverte de uma forma surpreendentemente pura; depois da apresentação toda, que dura umas duas horas regadas a chope e salsichão, nem eles aguentam mais a marchinha estilo Oktoberfest; aí entra em cena aquela banda que frequenta todos os nossos casamentos e formaturas e corre todo mundo pra pista (ôba!). Gente, o repertório é igualzinho.

Taí uma coisa mais universal que carnaval. Sucessos dos anos 60 a 80. Fato.

Seguem algumas fotos e o vídeo curtinho que fiz com um pot-pourri das apresentações.

Peguei emprestado do chefe do Conrado; mas calma que aqui os chifres não têm a mesma conotação...eheheheehh

Fim de baile carnavalesco ao som de Bee Gees :)

Clique no vídeo para ver algumas apresentações (a última é a melhor!). Se não começar automaticamente, clique aqui e vá direto no Youtube.


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Ah, esqueci de comentar um detalhe curiosíssimo; metade da festa para tudo por 15 minutos para que as pessoas possam ir lá fora fumar. O vício tem que ser muito forte mesmo para sair naquele frio….

14 fev

Ilustração: Lordof Design

Ia fazer um post sobre minha recente experiência no carnaval alemão (aqui não são só 4 dias; é o mês todo!), mas os vídeos ficaram no celular do Conrado e ele está viajando. Enquanto isso, vou compartilhar minha aventura como jurada do carnaval de Floripa em 2005 (sim, meu histórico é uma caixinha de supresas…rsrsrsr). Divirtam-se!

***

Entrei no feriado de carnaval decidida a dormir muito, namorar bastante, dar um jeito no caos que se instalou na minha área de serviço e trabalhar no meu livro, não necessariamente nessa ordem. Adoro um samba, mas por ser muito branca e muito magra, acabo me sentindo uma gringa desajeitada — além do mais, precisava muito descansar e colocar a vida em ordem.

Mas eis que em pleno domingo de carnaval recebo uma ligação de alguém da prefeitura de Florianópolis fazendo um tão irresistível quanto inusitado convite para fazer parte do corpo de jurados do desfile das escolas de samba que aconteceria naquele mesmo dia à noite. Ah, e me fez jurar confidencialidade para que a notícia não vazasse e eu não fosse assediada por nenhuma das escolas. Só não perguntei se era trote porque não tive oportunidade: o sujeito passou quase uma hora num discurso ininterrupto sobre a mecânica da coisa e sobre como a cidade agradecia e necessitava da minha importante participação (????).

Ora, sou adepta da linha de pensamento “colabore com o seu biógrafo”. Nem precisava ter se empenhado tanto no convite, já que era justamente isso que ainda faltava no meu currículo!

Para mim permanece sendo um mistério como é que meu nome foi parar lá na comissão organizadora do carnaval, logo eu, uma pessoa tão pouco carnavalesca. Só fiquei um pouco receosa de cometer injustiças por ignorância, pois sei que escola de samba é assunto muito sério para quem está lá desfilando. Mas me acalmei quando a organização me forneceu dois calhamaços que me fizeram companhia na tarde de domingo: o “Manual do jurado” e o “Book (?) das escolas de samba”.

No primeiro volume havia detalhes sobre quais critérios eu deveria me concentrar no julgamento (como o meu quesito era alegoria e adereços, tinha que abstrair todo o resto, ou seja, não deixar me influenciar pela fantasia ou a bateria, já que havia outras pessoas julgando isso). Era para julgar a originalidade, a adequação ao enredo, o acabamento e a concepção dos carros e adereços.

No segundo maço de papéis havia um histórico resumido de cada escola e um relatório orientativo nada resumido sobre o enredo. Finalmente entendi de onde é que os comentaristas da Globo tiram toda aquela erudição que vão desenrolando durante o desfile das escolas do Rio. Está tudo no tal “book”. Lá você fica sabendo que o casal de mestre-sala e porta-bandeira irá “demonstrar a força pujante da produção de energia através das águas”, que o destaque central do carro com o beija-flor gigante é chamado “Mística dos carijós” rodeado pelas “índias do primeiro encontro” e que a sexta ala se chama “Sete raios visíveis do sol” obviamente porque representa a luz divina do criador sob a forma de pedras preciosas.

Reunidos num hotel e secretamente transportados até a passarela do samba que tem o inacreditável nome “Nego Quirido”, lá fomos nós, os jurados. Aliás, vale ressaltar que eu não consegui me decidir sobre o que era mais exótico: se o desfile ou os meus companheiros de missão. Não se pode dizer que foi uma noite entediante.

O camarote era de uma simplicidade franciscana, com desconfortáveis cadeiras de plástico e salgadinhos requentados. Coca-cola e água também foram servidos. Bebida alcóolica não, pois estávamos a serviço do povo florianopolitano! Só podíamos ir ao banheiro químico acompanhados de uma fiscal. Telefone celular, nem pensar.

Depois de muitas delongas e homenagens dispensáveis, o espetáculo finalmente começou. Desnecessário detalhar a orgia estética que se desenhou, a festa das cores e dos sons, a empolgação, o gosto duvidoso convivendo em harmonia com soluções plásticas geniais, o coração batendo junto com a bateria. E eu tendo que fazer o supremo sacrifício de derramar o olhar, curtir cada detalhe dos carros alegóricos…

Valeu o frio (estive à beira de uma hipotermia), valeu o sono, o cansaço e o desconforto. Foi uma noite única, para guardar na memória. Só não gostei de uma coisa: jurado não pode se emocionar, não pode sorrir, não pode sambar, não pode acenar, não pode dar bandeira, não pode cair na folia, não pode fazer cara de feliz, não pode demonstrar que está gostando. É contra as regras.

Descobri que isso não é pra mim não. Não sei ser sem me deslumbrar.

13 fev

Esse final de semana fomos conhecer o Harz, uma cadeia de montanhas no norte da Alemanha famosa pela beleza dos seus bosques e pelas cidades medievais. Harz vem do alemão antigo Hardt ou Hart, que significa montanha florestada.

Ficamos hospedados em Walbeck, mas visitamos um montão de cidadezinhas que mais pareciam cenário de filme de época. As mais lindinhas são Quedlinburg e Stolberg (Harz), perfeitamente conservadas depois de mais de 1.000 anos de existência!

Estava muito frio (-22 ºC de manhã cedo) e nevou na noite anterior. Então, as árvores do bosque estavam todas branquinhas; cenário surreal mesmo. Tirei algumas fotos, mesmo sob o risco de perder os dedos das mãos, que congelavam depois de alguns segundos sem luvas. Para falar também é engraçado, a mandíbula fica anestesiada e a gente fala que nem bêbado…ehehe

Vamos ao que interessa, então.

A gente ficou hospedado aqui, na Planteurhaus, em Walbec

Macieira carregadinha à beira da estrada; parece sobrenatural...

Festival de cidadezinhas lindas

Brrrrrrr.....

Quedlinburg, tombada pela Unesco

Café em Quedlinburg

Harz, cenário de muitos contos dos Irmãos Grimm

O Harz também abriga o Teufelsmauer, ou “Muro do Diabo”; um paredão natural esculpido em granito no alto de um monte. Reza a lenda que, na idade média, o diabo viu que as igrejas estavam avançando pela região e resolveu construir o muro para impedir o avanço religioso. Lá de cima dá para ver Weddersleben, um charme no meio da neve.

O Harz é cheio de parques com referências às bruxas e ao diabo. Goethe também andou se inspirando por aqui com seu Mephisto.

A muralha do Diabo

Weddersleben vista por trás do Muro do Diabo

O paredão é bem impressionante, com a cidadezinha lá embaixo

O cenário gelado foi o que mais me encantou. Não cabe tanta beleza em simples fotos…

Vai um banho de piscina?

Quer ver mais fotos bem bacanas do passeio? Clica aqui e vai direto no Flickr.

9 fev

A queridíssima Renata Rubim está agora em Munique fazendo o quê? Adivinhem! Representando o Brasil no iF Product Design Awards, um dos prêmios mundiais mais importantes da área. O Brasil teve 18 premiados e a Renata, gulosa como só ela, ficou com 2!!

Mas olha se não é mesmo para ter orgulho; seguem os dois projetos vencendores.

Catavento é o nome que minha amiga deu para um revestimento ondulado feito de placas de cimento. Ele é fabricado em várias cores e já é campeão de vendas. Também, lindo desse jeito….

Mas o meu preferido é esse piso aqui, olha que luxo: ele tem o mesmo formato da praça central de Praga e por isso ele leva o nome da capital da República Tcheca. A Renata ainda descobriu que essa incrível geometria que permite várias possibilidades de encaixe vem da idade média. Não é sensacional? Ainda pode-se optar em usar ou não rejuntes, para que a água possa escoar; está disponível em 13 cores.

Pena que não deu para a Renata passar aqui em Berlin, a gente iria se divertir muito. Mas não faz mal, ano que vem ela vai ganhar de novo e aí a gente senta para tomar um café….rsrsrsrsr…

7 fev

O frio aqui continua siberiano, até o rio Spree congelou. Aí o povo faz de tudo para não passar frio; até as estátuas se “aprochegam” um pouco mais para esquentar. Quer ver?

Brrrr......

É muito gelo...

Não é lindo de morrer (congelado)?

Tem estátua que se aproveita da situação....rsrsrsrss

7 fev

Puxa, recebi vários e-mails (a maioria prefere não postar publicamente sua opinião no campo de comentários) de gente dizendo que é um absurdo o artigo anterior que postei, onde defendo que os designers devem refletir sobre a real necessidade de uma marca gráfica para identificar seu trabalho.

Foram várias reclamações, algumas até bem malcriadas, mas o argumento mais frequentemente usado é o de sempre: que eu falo isso só porque não sou designer.

Pois então. Em uma pesquisa rápida de apenas 15 minutos achei alguns cartões de visita bacanas que não usam uma marca gráfica, mas exploram muito bem as imagens de apoio (que não caracterizam marca gráfica, pois não são perenes e variam com o suporte), mas ajudam a fixar na lembrança do cliente a identidade do profissional.

Tem umas ótimas de vários tipos de profissionais liberais, mas aqui vão apenas as de designers. E sim, há alguns desses profissionais que, aparentemente, concordam com meu ponto de vista (vão brigar com eles agora….eheheh).

6 fev

Fotografia: Vincent Bousserez

Perguntinha capciosa, né? Há quem ache que designer que não tem um “desenhinho” para colocar ao lado do nome é tipo um ferreiro que usa espeto de pau. Será mesmo? Vamos analisar.

Primeiro, vamos pensar para que serve uma marca gráfica. Só para relembrar, tudo começou quando os donos de bois precisavam marcar (daí o nome marca) aqueles que lhes pertenciam com um ferro em brasa. Então, a marca servia para designar propriedade. Depois, o desenho passou a servir para designar procedência em pães, tijolos, porcelana, etc. A ideia era separar os bons dos maus profissionais sabendo quem fez o quê. Quem fazia as coisas bem feitas ficava conhecido; quando o cliente via a tal marca, sabia que podia confiar.

Até hoje a coisa funciona mais ou menos assim. As empresas precisam de um símbolo e um nome (em alguns casos, somente o logotipo) para se destacarem e terem seus produtos identificados no mercado. Fica fácil achar uma garrafa de Coca-Cola no meio das outras; é só observar as letras desenhadas. Já um carro, que a gente vê passando, um símbolo pode servir para identificar o fabricante com mais rapidez; a gente olha o “desenhinho” e já sabe se é Fiat, Renault, Mercedes, etc. Num equipamento eletrônico, dá tempo da gente ler Sony, Philips ou LG sem problemas, nem precisa de desenho. Agora, se é uma imobiliária que anuncia em outdoors, melhor que as pessoas identifiquem a empresa bem rapidinho (se bem que, até isso acontecer, tem muito chão para conectar o símbolo à empresa).

Enfim, organizações precisam de marcas gráficas porque geralmente se comunicam com públicos grandes e diversos; há uma distância grande entre o cliente e a firma, formada por um montão de gente, com cargos bem definidos e um organograma mais ou menos complexo. Empresa com uma marca bem projetada transmite profissionalismo e credibilidade e consegue traduzir a cara que tem o trabalho desse povo todo quando se junta.

E um profissional? Será que ele precisa mesmo de um “desenhinho” para chamar de seu?

Vamos lá. Um profissional liberal, a não ser que pretenda se tornar uma empresa e tenha outras pessoas trabalhando sob o seu nome, não tem assim um universo tão grande e variado de contatos que não possa administrá-los pessoalmente (e se não puder, como dará conta do trabalho?).  Se realmente ele quiser crescer e se tornar uma empresa, pode usar seu próprio nome ou criar outro (fantasia). Mas aí recaímos nos mesmos casos de organizações que citei acima.

Estou falando aqui é do profissional liberal, aquele que trabalha sozinho ou com parceiros, mas sempre usando seu próprio nome para se comunicar com os clientes (meu caso). Dificilmente ele utilizará mídia de massa (TV, rádio, jornal, revista, etc) e sua comunicação, se bem feita, será sempre segmentada. Sua marca será construída sobre seu currículo e portfólio, assim como sua credibilidade e a reputação. Provavelmente ele aparecerá mais dando entrevistas, recebendo prêmios ou escrevendo artigos do que em anúncios pagos. Nessas situações, nunca vai ter espaço para mostrar seu “desenhinho”.

Ué, então para que ter um? Só para dizer que tem? Só para o cartão de visitas ficar hype?

Penso que um profissional liberal, seja ele médico, dentista, ator, músico, advogado, consultor ou designer, precisa sim ter uma identidade visual organizada e coerente com seu profissionalismo. Mas isso não implica em ter uma marca gráfica.

O profissional pode usar cores, formas, imagens, texturas, estampas ou fontes tipográficas que o identifiquem, que personalizem sua comunicação sem que ele precise se amarrar na complexidade que é a estrutura de identidade visual de uma empresa. Essa prática, de certa maneira, também diferencia uma coisa da outra e aproxima o cliente do profissional: fica claro que estou contratando o Fulano de tal (uma pessoa) e não uma empresa (impessoal).

Um bom projeto poderá contemplar uma cartela de cores e formas que podem ser trabalhadas de maneira mais livre, sem perder a sintonia com a identidade do profissional.

Eu não tenho marca gráfica e é de caso pensado. Não acho necessário. Mas meu site e todo o meu material de trabalho são coerentes na tipografia e no uso das cores e imagens. Como não pretendo ter 200 pessoas trabalhando numa Ligia Fascioni Corporation da vida, acredito que é suficiente para consolidar minha marca.

Penso que tem muito designer bom por aí quebrando a cabeça porque não refletiu o suficiente a respeito das funções de uma marca gráfica; só porque aprendeu a fazer, acaba indo no automático. É claro que se o profissional pode sempre preferir ter um desenho para chamar de seu; meu alerta aqui é apenas para que a escolha seja consciente e intencional.

Adoro os artigos e videocasts do John McWade (Before & After Magazine) e tem um que trata especialmente desse assunto; vale a pena assistir (clique aqui).

E aí, pensou melhor? Será que você precisa mesmo de uma marca gráfica?

5 fev

Bom, com esse inverno literalmente siberiano, os canos da cozinha continuam congelados e sem perspectiva de ressuscitarem na próxima semana (previsão -20 ºC). A solução é lavar roupa na lavandeira.

Pois é, gente, por incrível que possa parecer, é possível se divertir lavando roupa; olha só que efeitos bacanas consegui só com o telefone…

Quer ver em resolução melhor? Clica aqui e vai lá no Flickr!

2 fev

Olha só que bacana: um grupo de profissionais de comunicação de Florianópolis resolveu se reunir para fazer uma campanha em prol da construção e manutenção de ciclovias na cidade (entre outras coisas; a ideia é tornar a cidade um lugar melhor para se viver e de forma sustentável).

Para isso, espalharam outdoors na cidade inteira e um deles tem um desenho MEU! Adorei, tomara que dê resultado. Mesmo longe, pelo menos estou participando de alguma forma, né?

A página do Floripa quer Mais no Facebook é essa aqui. Vai curtir!

1 fev

Fiquei um tempo sem postar vídeos sobre Berlin por dois motivos: até a semana passada só choveu nessa terra, sendo que os dias eram muito curtos; ficava difícil de filmar e fotografar. Agora, que os dias estão mais longos e ensolarados, estou sem meu cinegrafista amador durante a semana (vamos ver se agora a coisa volta a engrenar).

O fato é que achei esse material sobre o Reichstag que foi filmado ainda no ano passado, mas eu ainda não tinha tido editado (vajei para o Brasil logo depois e acabei me esquecendo).

Esse é um dos passeios mais imperdíveis para quem vem a Berlin; vem comigo!

Se o vídeo não abrir, clique aqui e vá direto no Youtube.

1 fev

Dois momentos bacanas: essa vitrine de rua maravilhosa e esse peludão no metrô. Pela comparação entre o tamanho da cabeça dele e a da dona dá para ter uma ideia do tamanho do bicho. Bem maior que eu, juro, e ainda por cima, simpaticíssimo.

Deu vontade de montar em cima e levar para casa…