Arquivo de junho, 2012

30 jun

Até Satanás tem medo dessa língua, pelo menos é o que dizem do húngaro (e eu acredito); na aula de alemão tinha uma menina húngara que nos falou que eles têm 15 casos de declinações! E eu reclamando dos 4 do alemão, que faz todo mundo (inclusive os nativos) arrancar os cabelos. Isso sem falar na complicação que devem ser as regras de acentuação (eles têm dois acentos agudos em cima de uma letra, parece um trema riscado, além do trema propriamente dito).

Sobre a pronúncia, a coisa que mais gostava ao pegar ônibus comuns em Budapeste era ler o nome do próximo ponto no letreiro interno e ouvir a respectiva pronúncia pelo alto-falante. A moça falava num tom de lamento, quase que recitando uma poesia. A maior viagem, pode acreditar….

Na cidade dá para se virar bem em inglês e fiquei surpresa com o número de pessoas que falavam alemão também. Claro que se pedir informação no ponto de ônibus o povo não vai entender lhufas, mas nos postos de informação turística e hotéis era bem tranquilo. Tanto que pedi para o garçom do restaurante me ensinar 3 palavras em húngaro e ele foi bem solícito, olha só:

Quando eu perguntei como era obrigado, entendi que ele estava perguntando meu nome, pois a pronúncia é parecida com "qual seu nome?" dito bem rápido...ehehehe

Olha aqui as fotos de algumas placas que achei curiosas.

Não pense bobagem com línguas; "fordítás" é "tradução" em húngaro; "tolmácsolás" é "interpretação" (a placa da esquerda oferece serviços de pintura de interiores e decoração)

Essa foi ótima: "nöi" é feminino e "férfi" é masculino ("mosdó" é, obviamente, "banheiro", apesar do que o Google dizer que é "afundar")

Aiaiaiai... um salão de cabeleireiro com esse nome? Calma, "Fodrászat" é...."cabeleireiro"!

E o nome desse pub, heim? Pois é, mas "Sörözö" é justamente "pub"...

Esse "atenção" aí ficou fácil; parece "vigiai!"

"Sörözö" a gente já aprendeu ali em cima; "borozó" e "vendéglö" são, respectivamente, "vinho" e "pousada" (segundo o Google, mas não confio muito não)

Esse aí é só para sentir o drama da sopa de letrinhas, mas também reparei que o "please" está diferente do que o rapaz me ensinou (o Google diz que ambos são "por favor").

E aí, gostaram da aulinha de húngaro? Eu adorei, principalmente porque só preciso aprender alemão mesmo…ehehehe

29 jun

Não consigo evitar de prestar atenção em tudo o que me rodeia. Às vezes chega ao exagero, eu sei (imaginem como era quando eu tinha 8 anos!), mas pode render boas gargalhadas. No hotel em que ficamos em Budapeste (o Conrado foi a um congresso e eu aproveitei a hospedagem para fazer turismo) tinha uma banheira com a seguinte vista, reparem.

Nada demais, né? Uma pessoa normal teria deixado passar batido, mas não sou uma pessoa normal. Prestando mais atenção, olha só a marca.

Se você procurar no dicionário, verá que LAUFEN, em alemão, significa andar, caminhar. E a fabricante é alemã.

Se você juntar A com B, verá que o slogan da empresa só pode ser um: “c…. e andando….” (ideal para uma marca de vasos sanitários, né?).

Aahahah… tá bom, a piada nem foi tão boa, mas eu ri muito.

29 jun

A Hungria, como todo o Leste Europeu, ficou sob o domínio da antiga União Soviética até 1989, quando caiu o muro de Berlin. Pois em 1990, quando o país finalmente passou a ser uma verdadeira democracia, todos os monumentos que homenageavam heróis do regime ditatorial foram retirados das praças públicas e levados para um parque fora da cidade, o tal Memento Park.

Tanto pelo valor histórico como pela curiosidade dos monumentos, queria muito visitar esse museu a céu aberto. Pesquisei, perguntei, e não foi muito fácil chegar lá não. Não há indicações e tive que fazer três conexões entre bondes e ônibus para chegar, pois é bem fora da cidade, do lado de Buda. O projeto foi interrompido em 1994 (o site não diz por que), mas a ideia original é bem mais ambiciosa do que está lá apresentado.

O parque é pequeno, mas as obras são bem bacanas; pena que algumas das estátuas que vi na internet não estavam lá. Há uma visita guiada, mas quando cheguei, tinha acabado de acontecer (aí eu teria que esperar uma hora inteira e resolvi ver tudo sem o guia mesmo).

Apreciem as estátuas, então!

Expedia Brasil tem preços acessíveis para vôos e acomodação para a Hungria e muitos outros destinos.

Homenagem ao

Homenagem aos operários (tocou o sinal de saída da fábrica, o moço saiu correndo).

Esses moços coxudos são uma homenagem aos soldados húngaros que participaram da guerra civil espanhola; só não entendi para que tanto culote...

Homenagem ao movimento dos trabalhadores (ou jogadores de bocha?)

Voluntários do movimento comunista (mas parece a turma do ôba ôba)

Monumento aos mártires da revolução comunista

Não consegui descobrir quem é simpátio senhor, mas com certeza foi um herói comunista (tem cara de bravo)

Esse tiozinho com cara de bonzinho é Béla Kun, o revolucionário que levou a Hungria ao comunismo em 1919

Para mim, essa foi a obra mais impressionante; toda feita de folhas de metal; mais uma homenagem a Béla Kun

Mais sobre a cidade de Budapeste e os seus banhos: clique aqui e aqui.

28 jun

Os turcos dominaram Budapeste por 150 anos e sacramentaram os banhos públicos na cidade. Mas os romanos já tinham começado com a coisa no começo da era Cristã quando perceberam que Budapeste era rica em águas termais.

Bom, fiz passeios guiados (um de ônibus e um de barco), além de ler alguns guias e pesquisar na Internet. As informações sobre o número de banhos na cidade varia tanto que não tenho nem ideia de quem está mais perto da verdade, mas é um monte. Os dois mais antigos ainda em operação são o Rudas, construído em 1550, e o Király (Rei, em húngaro), construído em 1565.

O mais famoso é o do Hotel Gellért, de 1835 (mas o hotel mesmo só foi inaugurado em 1918). Gellért é o nome do morro ao lado do hotel onde fica a cidadela e tem esse nome devido a um bispo que tentou catequisar o povo e foi jogado lá de cima por pagãos revoltados.

Aí tem um ranking a perder de vista com propagandas sobre o maior, o que tem mais piscinas, o que tem mais atrações, etc. Só consegui visitar dois banhos (além do SPA do hotel, mas aí não conta, pois é bem recente): o Király e o Gellért.

Bom, se as águas forem mesmo medicinais como dizem, estou garantida para o resto do ano, pois fiquei de molho bastante tempo, até os dedos murcharem.

O banho Király, por ser tão antigo e cheio de história, é o mais impressionante (o Rudas está em reforma). Ele é meio escondido e não tem sinalização para chegar lá; tive que pesquisar e andar muito. Na verdade, acho que desde o século XVI ele não sabe o que é uma reforminha básica, de maneira que se você é dessas pessoas que têm nojinho, esse não é o lugar para ir.

Mas a atmosfera é cinematográfica; a cúpula tem furos para que  a luz do dia entre e o lugar é todo enevoado por causa da água quente. Você paga (+/-  R$ 20,00 pela diária), recebe uma pulseirinha de plástico e vai para o vestiário. Suas coisas ficam trancadas na cabine onde você troca de roupa (me lembrei muito desse livro aqui).

Como esse banho é misto, as pessoas costumam usar roupa de banho (ou a que tiver na hora, no caso de algumas japonesas que lá estavam de shorts e camiseta). Então você toma uma chuveirada e passa por um tanque para limpar os pés antes de entrar no ambiente. Aí é só escolher: tem tanques de 23, 36 e 40 ºC, além da sauna e de uma jacuzzi (mais recente) para 5 pessoas.

Você sai de lá outra pessoa, muito mais preguiçosa, é só o que posso dizer….rsrsrs

Pela placa dá para ter uma ideia da idade do lugar...

Acesso ao salão principal

Cozinhando em fogo baixo...

No outro dia, já recuperada, fui ao Hotel Gellért (café da manhã com direito a espumante, a diária do banho e a sensação de ser ryka por apenas R$ 60,00; valeu cada centavo…rsrsrsrs).

Preciso dizer que o hotel já passou por seus momentos áureos e agora lembra muito Caldas da Imperatriz, mas está valendo. A arquitetura ainda impressiona e eles capricharam nas atrações: tem piscina com ondas, sauna, chuveiros diversos e os banhos (que aqui são separados por sexo). A maioria das mulheres, principalmente as mais novas, vão todas de biquíni ou maiô; já as senhoras mais velhas (em geral as em pior estado de conservação) gostam de desfilar peladonas mesmo, balançando bem as pelancas. Olha, vou dizer; não é uma visão das mais agradáveis não… ainda bem que tem os belíssimos mosaicos para distrair a vista…rsrsrsrs

Banho central do hotel Gellért (misto)

Sala dos banhos femininos

Chuveiros dos banhos femininos

E aí, ficou com vontade de air na água? Clique aqui e vá direto no Flickr ver mais fotos!

28 jun

Nossa, eu já tinha ouvido falar da beleza de Budapeste, mas não esperava ficar tão encantada. Por isso, vou levar todo mundo para conhecer esse lugar antigo e surpreendente. A língua é um capítulo (e um post) à parte…

Quando eu falo em antigo, não estou brincando. O lugar foi ocupado primeiro por tribos celtas, no ano 1 D.C. Depois vieram os romanos (tem um castelo lá construído nessa época; foi incendiado e destruído mais de uma vez, mas as fundações são as mesmas). Aí vieram os hunos (aqueles discípulos do rei Átila) no século V, depois os mongóis, no século XIII e ficaram por ali até a ocupação otomana, em 1541. Vem daí a herança dos banhos turcos, presentes em toda a cidade (os banhos são tão importantes para a cultura desse povo, que fiz um post só sobre eles; clique aqui para ler).

Os húngaros lutaram 150 anos para se libertarem do domínio turco, e só conseguiram com a ajuda da Áustria (aí formando o poderosíssimo Império Austro-Húngaro). Eles eram ricos e poderosos (os cafés de Budapeste têm Viena como modelo), mas com a Primeira Guerra Mundial, a Hungria perdeu quase 70% do seu território e ficou pequena (a Áustria também se deu mal). Aí vieram os soviéticos e ocuparam todo o leste europeu. Só com a queda do muro de Berlin, em 1989, é que o país passou, pela primeira vez na sua história, a ser realmente independente.

Budapeste é uma cidade dividida pelo rio Danúbio (que não é azul coisa nenhuma). O lado montanhoso, onde ficam os principais palácios e castelos chama-se Buda. O lugar deve ser bom para meditar, pois desse lado não acontece nada…

A margem completamente plana, mais agitada e cheia de cafés, teatros, óperas e comércio, é Peste. Do alto dos morros de Buda dá para ver toda Peste; é lindo! A cidade só se unificou em 1873 e para ligar as duas partes há 8 pontes antigas e duas novas (o comprimento é mais ou menos o mesmo da Hercílio Luz, em Floripa; menos de 1 km).

Aliás, olha só uma curiosidade sobre o nome: há duas teorias para a origem do nome. Uma diz que Buda vem de Bleda, o irmão de Átila, rei dos Hunos. A outra é que vem de uma palavra eslava que significa água (e seria a tradução de Aquincun, o nome que os romanos deram ao lugar por causa de suas fontes termais). Já Peste vem de uma palavra eslava que significa caverna ou fogo (provavelmente onde eram os acampamentos originais).

Bom, a arquitetura do lugar é de cair o queixo e os três dias que fiquei lá só deram para amostra. Dei uma geral nas duas partes, mas não consegui visitar nenhum museu com calma (exceto o Memento Park, que é pequeno e tem um post especial aqui), não fui à ópera e não assisti nenhum espetáculo. Mas acabei todos os dias com pés nas bolhas…rsrsrs

Vem dar uma olhada e veja que não estou exagerando…

Buda: morro do Castelo, cheio de igrejas e construções históricas (o telhado dessa aí é impressionante)

Essa fortaleza é chamada "Bastião dos Pescadores", pois numa das guerras, os pescadores é que ajudaram a defender a cidade

Buda é bem calminha, tudo na mais santa paz

Buda: do morro mais alto, chamado Cidadela, dá para ver Peste inteirinha

Um dos inúmeros cafés de Peste

Nossa, tem tanta vida cultural em Peste que não dá nem para escolher o que ver (e o que são esses arbustos-parafuso? Amei!)

Mercado público de Peste: além de zilhões de tipos de pimentões e todos os seus familiares, também tinha peles de Mink (!) e carne de pinguim (!!!!)

Praça dos heróis, em Peste, em homenagem aos que lutaram nas guerras todas em que a cidade se meteu

O Parlamento, em Peste, à beira do Danúbio, é hipnotizante...

Quer ver mais de Budapeste? Então clica aqui e vai direto no Flickr!

24 jun

Achei essa imagem tão bacana que se tivesse cactos em casa, faria igualzinho (estou até considerando a possibilidade). Vê se não é para qualquer um ficar de bom humor com uma cena dessas. Da minha personal campanha “arranque sorrisos dentro de casa“…

Pena que não achei a fonte da foto para saber o autor da ideia genial. Se alguém souber, por favor avise para que eu dê os créditos.

23 jun

Hoje aconteceu a Parada Gay aqui em Berlin, mais conhecida como Christopher-Street Day. O nome vem de uma rua de New York, onde, em 28 de junho de 1969, num bar chamado Stonewall, houve a primeira manifestação pública contra a homofobia. Com o tempo, vários países da Europa adotaram o final de junho para fazer a festa (o Brasil também).

Nesse ano, mais um motivo chama atenção para o fato: hoje é também o aniversário do nascimento de Alan Turing, precursor da informática e um dos maiores gênios matemáticos que a Inglaterra já produziu. Todo mundo que trabalha com informática já ouviu falar da Máquina de Turing, o protótipo do primeiro computador. Alan inventou o conceito de algoritmo e, além disso, era filósofo. Durante a Segunda Guerra Mundial ajudou os militares a vencer decifrando mensagens nazistas criptografadas.

Pois é, mas nem mesmo tudo de sensacional que ele fez pelo seu país o livrou de ser preso por um motivo idiota: era homossexual. Ficou doente na prisão, recebeu um “tratamento” com hormônios e acabou se suicidando. E o mundo perdeu um gênio aos 42 anos, no auge de sua produtividade, por pura burrice. O mesmo aconteceu com Oscar Wilde, outra mente brilhante vítima da ignorância.

Sério, por mais que eu me esforce, não consigo entender como é que a vida íntima de uma pessoa pode incomodar tanto outras que não são sequer minimamente impactadas por ela. Que diferença faz se o sujeito só pega no sono com a TV ligada, se adora cebolas cruas ou se prefere pessoas do mesmo sexo para se relacionar? Se você não pretende dormir com ele, nenhuma.

Ainda mais se a gente considerar que a neurociência já descobriu faz tempo que a prediposição para a homossexualidade é biológica e a pessoa já nasce com os genes predipostos a se sentir atraída por pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo, independente de fatores externos (ambiente, cultura, educação, etc). É como ter olhos azuis ou pernas compridas; a pessoa nasce assim e não tem nada de errado nisso.

Então, minha gente, ter preconceito contra homossexuais é igualzinho a ser racista; você está considerando apenas um detalhe genético irrelevante como argumento para prejudicar pessoas. Não é justo. O nazismo usava as mesmas bases, pense nisso.

Estatisticamente, cerca de 10% da população nasce homossexual, não escolhe; por isso, é complicado falar em opção. A única opção que a pessoa tem, no caso, é entre violentar ou não sua natureza; tentar ou não ser feliz.

As desculpas para se perseguir (mesmo que de maneira velada) os homossexuais são tão bizarras que chegam a ser motivo de vergonha alheia. Selecionei algumas colhidas entre conhecidos meus, com nível superior e teoricamente mais esclarecidos. Vai vendo só o naipe das desculpas; a frase invariavelmente começa assim: “Não tenho preconceito contra gays, mas…

“…não é uma coisa normal“. Gente, mas o que é ser normal? Ser a maioria? Então devemos sair dando pauladas para exterminar todos os ruivos, pois eles são apenas 4% da população mundial; muito menos normais que os gays, portanto.

…não permito que meus filhos convivam com gays, pois eles podem se influenciar“. Bom, como já se sabe que a predisposição para a homossexualidade é biológica, essa frase tem o mesmo não-sentido que “Não permito que meus filhos convivam com pessoas de canelas finas, pois eles podem se influenciar“. Ridículo, não? Pois homofobia é ridícula mesmo.

…tenho medo que um gay abuse do meu filho; eles são perigosos“. Bom, segundo uma pesquisa da Universidade de Medicina do Colorado, 82% dos abusadores são heterosexuais e parentes próximos das vítimas (não raro, os próprios pais). Tire suas próprias conclusões.

“…não ando com gays porque tenho medo de levar uma cantada“. Olha, para mim essa é a melhor. Primeiro, a pessoa se acha gostosa a ponto de achar que o(a) gay em questão vai ficar irresistivelmente atraído(a) por ela. Segundo, por que alguém teria medo de levar uma cantada? Será que nunca levou nenhuma? Funciona assim, ó: se estiver a fim encoraje, se não estiver, diga não e pronto. Não doi nada, vai por mim.

Infelizmente ainda tem muita luta pela frente para as pessoas pararem de se incomodar com bobagem e deixar cada um levar a vida como melhor lhe convém, desde que não prejudique os outros; a homossexualidade ainda é considerada crime em mais de 100 países, em pleno século XXI, acredita?

Mas já se esteve mais longe.

Pelo menos aqui em Berlin, os casais gays, homens e mulheres, andam de mãos dadas na rua e ninguém liga. O prefeito da cidade é gay assumido e os partidos não ficam de enrolação fazendo média sem se posicionar; cada um tinha o seu carro oficial na parada com pelo menos um representante.

Coisa linda ver uma festa colorida assim, famílias inteiras com crianças (que não têm preconceitos, isso é coisa de gente grande), shows, música, comida, bebida e, principalmente, muita paz. Talvez demore um pouco ainda, mas tenho fé que o mundo todo ainda vai chegar num nível de civilidade que respeite e valorize as diferenças.

E que não se percam mais Turings, Wildes e outras vidas preciosas em nome da intolerância, da burrice e do preconceito.

Tudo de importante nessa cidade acontece na frente do portão de Brandemburgo

Festa linda, com gente bonita, colorida e bem humorada; como não amar?

Casais hetero aproveitando a festa, que era para todos

Aqui os cadeirantes sempre têm vez

Adorei as perucas coloridas

Bom humor à toda prova

Ano que vem vou comprar uma peruca dessas; amei

Lindona!

Quer ver mais fotos dessa festa coloridíssima? Clique aqui e vá direto no Flickr.

22 jun

Hoje fui ver a mostra dos trabalhos selecionados no 5. Recycling Designpreis 2012, um evento que acontece todo ano e premia as melhores peças de design de vários países do mundo (inclusive do Brasil) concebidas a partir de materiais reciclados ou reutilizados.

O evento acontece no shopping de decoração Stilwerk Berlin;  todo mês tem uma exposição diferente no lugar (veja a Mostra de Design Brasileiro aqui), e achei essa uma das mais tímidas, pois não tem muitos projetos não.

Mesmo assim, vale uma olhada com atenção, pois o que tem foi muito bem escolhido pela curadoria. Vem ver…

Você já tinha reparado que a forma de um orelhão é perfeita para uma poltrona?

Esses óculos feitos de tocos de madeira ficaram super estilosos

Esses sacos são tecidos com fitas de vídeo cassete

Uma geringonça engraçada que faz café espresso (será que é bom?)

Achei essas cadeiras bem simpáticas...

Para ver mais imagens, clique aqui e vá direto no Flickr.

22 jun

Essa semana foi bem chuvosa por aqui. Mesmo assim, a cidade não ficou cinzenta e chata. Acompanhe e se delicie….

20 jun

Como quase todo mundo que gosta de viajar, adoro mapas. Acho muito divertido marcar os caminhos já percorridos, ter ideias das distâncias e do tamanho desse mundão em que a gente vive.

Pois a artista londrina Claire Brewster pegou os bichos que mais passeiam pelo lugares que os mapas representam, os pássaros, e fez mapas voarem como eles. O resultado é poesia pura, olha que lindo!

Artista: Claire Brewster

Achei no ótimo Design you Trust.

17 jun

Ilustração: Arturo Elena

Você sabia que o brasileiro é o povo que mais consome celulares no mundo? O governo vende isso como vantagem (pois se até o recorde na compra de carros eles consideram sucesso em vez de ver que isso só reflete a falência do sistema de transporte coletivo, falar o quê, né?), mas a questão não é tão simples não, olha só porquê.

Uma pesquisa feita em 2010 (fonte aqui), revela que, além de celulares, o Brasil também compra mais televisões e notebooks que o resto do mundo. Não me admira, conheço gente que tem 3 telefones e “atualiza” o notebook todo ano (talvez alguns estejam participando, emocionados, da Rio+20); isso sem falar que no Brasil, até a casinha de cachorro tem TV própria.

Pois olha só que interessante: nos países ricos, 40% do povo que respondeu a pesquisa disse não ter nenhuma intenção de comprar eletrônicos em 2011. Já nos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) a coisa é bem diferente: 91% da galera quer continuar na farra.

Reparando esse cenário de pessoas ensandecidas para se livrar de aparelhos em excelente estado de funcionamento, fico me lembrando de um conto de ficção científica que li há muitos anos e me impressionou muito.

O conto, de Frederik Pohl, chamado “O homem que comeu o mundo” conta a história de um menino que vive em algum lugar no futuro.

No mundo dele, onde a produção não pode parar de crescer, o consumo também não pode estabilizar. Sua família é muito pobre e, por isso, os pais são obrigados a passar os dias e as noites consumindo desenfreadamente em shoppings, bares e afins.

O menino mora numa casa imensa e se sente solitário com seus numerosos guardiães eletrônicos e montanhas de brinquedos inteligentes, trocados diariamente. E é profundamente infeliz.

Você pode pensar onde é que está o problema. Não é esse justamente o sonho de consumo de um monte de gente (talvez até, em certa medida, você eu?). Gastar insanamente, no melhor estilo Sex and City, como se não houvesse fatura de cartão de crédito amanhã?

Pois é, a questão é que o menino quer um quarto pequeno e aconchegante, e não um salão temático. Ele sonha em dormir abraçado todo dia com o mesmo ursinho de pelúcia, mas as versões mudam a cada dia e ele precisa acompanhar as tendências. Ele chora porque quer o colo da mãe, mas ela tem que consumir, e, além disso, os robôs-babás precisam ser testados. Ele quer brinquedos simples, mas tudo tem que interagir e desenvolver suas infantis capacidades cognitivas. Ele quer chorar, mas os mecanismos eletrônicos criados para acalmar crianças são insuportáveis e efadonhos.

Ele quer ser rico.

Rico é quem não precisa mais comprar. Rico é quem já tem o que precisa; rico não desperdiça, gosta das coisas que possui e não tem que servir de cobaia para novos lançamentos. Rico não sente a obrigação de ter, pode se preocupar apenas em ser. E o máximo dos máximos, os meninos ricos podem ficar com o mesmo ursinho de pelúcia até crescerem e eles mesmos decidirem quando não o querem mais.

Rico não precisa mostrar para todo mundo que tem o modelo mais caro da marca. Quem é rico mesmo, inclusive, encanta-se com o charme retrô das coisas usadas, aquelas gastas, que têm histórias para contar. Rico é aquele que tem muito mais que apenas dinheiro (e, às vezes, nem tem tanto assim).

Ok, nossa cultura não favorece, o mundo não facilita e os amigos não colaboram. Está cada vez mais difícil resistir aos lançamentos da Apple, mas acho que vale a pena pelo menos tentar.

Não sei vocês, mas eu já sei o quero ser quando crescer: milionária.

****

O conto citado, “The man who ate the world”, é parte do livro “The science fiction weight-loss book”, editado por Isaac Asimov em 1983.

16 jun

É isso mesmo, Arnaldo? Pelo menos foi a mensagem que captei a partir do nome dessa ótica. Ou será que foi só uma gracinha?

Em todo caso, sempre é bom levar em consideração os desdobramentos das percepções quando a gente escolhe um nome para o negócio. Nesse caso, parece que estão sendo coerentes, a julgar pelos preços anunciados.

Criativo e bem humorado; gostei. E você?

15 jun

Alguém já viu tanta macheza assim numa só embalagem? Eu não…rsrsrs

15 jun

Fico aqui nesse blog babando por Berlin e mostrando as coisas maravilhosas que essa cidade tem. Mas essa linda também abriga coisas bem feias; para vocês não dizerem que sou parcial e só fico postando o que é bonito, apresento-lhes o Troféu Internacional Nada a Ver de Monumento ao Mau Gosto e à Falta de Inspiração.

Ele fica numa praça ao lado da Igreja Kaiser Wilhelm (que está fechada para restauração; quando ficar pronta eu mostro aqui; é linda!) numa das ruas mais movimentadas da cidade (a Kurfürstendamstraβe).

Por sorte (ou intenção) tem sempre um evento, feira ou festa em volta do negócio para disfarçar a feiúra. Mas esses dias eu passei pela frente e a coisa estava lá, nua, se exibindo aos passantes para o sofrimento visual de todos.

Gente, fala sério. O que a pessoa que fez isso estava pensando?

Coisa mais feia

Cada ângulo pior que o outro

Com tanto artista genial na cidade...

14 jun

Olha só a pérola que o Matheus me mandou por e-mail: um negócio que vende água e gás chamado CUECA! Sei não, mas água ou gás de cueca é uma coisa que não parece muito tentadora, né?

Será que os entregadores vão na sua casa só de cueca?

Na dúvida, acho melhor não arriscar…rsrsrsrsrs

Obrigada, Matheus, valeu!

14 jun

Faz um tempo publiquei aqui um artigo falando sobre o cuidado que a empresa tem que ter na hora de apresentar a conta no final da prestação do serviço. Esse momento já é por natureza doloroso; se não for bem pensado, pode estragar toda a experiência anterior e fazer o cliente sair xingando muito no twitter depois (se você perdeu ou não se lembra, clique aqui).

Pois ontem fui tomar um café com a Raquel Chaves para fazermos planos de dominar o mundo (começando por Berlin) e o local do crime foi o Blumencafé, em Prenzlauerberg. Esse lugar é muito especial porque fica numa floricultura e tem um sofá feito de feno para o pessoal ficar meditando enquanto olha o movimento (ou fazendo planos malignos, no nosso caso). Lá moram um casal de araras e um gato gordo (que não estava de serviço naquele dia).

Claro que sempre falta um pão de queijo, uma empadinha ou pelo menos um bolinho de carne seca (não me conformo com isso); tudo bem, eles não sabem o que estão perdendo.

Mas o legal é que na hora que o garçon trouxe a conta, olha a surpresa! Uma flor linda de presente!! Como não amar, minha gente? É assim que se faz, olhaí.

Esse sofá é confortável, pena que a gente sai com a roupa cheia de feno...ehehehe

Mesmo assim faz o maior sucesso; está sempre cheio de gente disputando o lugar

E olha só que fofura no final!

14 jun

Olha, não sei qual é o objetivo de colocar figuras assustadoras na porta de uma loja, mas atrair clientes provavelmente não é. Então, como explicar esses personagens bizarros para representar o negócio?

Divirtam-se aí que eu já até cansei de rir…

Essa salsicha desbotada e claramente mal intencionada (reparem as botinhas) fica na porta de uma loja de cachorro quente. Isso é que é mascote, o resto não é nada...rsrsrs

Essa loja de roupas e acessórios pode dizer que tem um estilo bem definido. Só não sei dizer que estilo seria esse, mas deve existir um conceito por trás, com alguma mensagem sinistra para iniciados. Tem que existir alguma explicação para isso...

13 jun

Para mim, uma casa tem que tem humor; essa coisa certinha de Casa Cor ou ambientes criados por decoradores de grife acho muito chato; parece que não mora ninguém no lugar.

Pois é, nunca mais tinha postado estantes bacanas (tinha até criado uma categoria para isso, olha só aqui), mas essa eu não poderia deixar de compartilhar; pena que não tem uma imagem dela toda completinha, lotada de livros, como seria na minha casa (ou na sua). Vê se dá para ficar triste olhando para uma graça dessa todo dia…rsrsrs

A ideia é do designer Alexi McCarthy; dependendo dos livros que você colocar, dá para fazer uma cara diferente. Achado no sempre ótimo LikeCool.

12 jun

Fotografia: Mara B.

Pois é, não pensem que vou ficar aqui ralando sozinha não; azar o de vocês, agora todo mundo vai ter que aprender alemão junto comigo. Já tem uma série aqui para quem perdeu a matéria da Tia Lígia.

Na aula de hoje, veremos os falsos cognatos em português, ou seja, aquelas palavras que parecem, mas não são…

***

ALT: Não tem nada a ver com alto ou altura; Alte significa velho ou antigo. Para pessoa idosa, eles são muito mais elegantes que nós; usam Senior (homem) e Seniorin (mulher). Muito melhor, né?

NENNEN: Essa palavra é um verbo, que significa nomear. Bem diferente do que você pensou, né?

RAT: Não, não é aquele bichinho não. Rat é conselho. Eu como consultora, sou uma Beraterin.

FOLGEN: É o que segue, o que se sucede. Aliás, sucesso é Erfolg. Deve ser quando você já pode tirar folga, né?

VORMITTAG: Não precisa sair correndo para o banheiro; vormittag significa antes do almoço, só isso…

ZEH: Olha só, esse é o nome que eles dão para o dedão do pé! Pena que a pronúncia é diferente: tzêêê.

ABSOLVENT: É o nome que se dá à pessoa que está terminando um curso; os Absolventen são os formandos, aqueles que depois vão ficar Sempre Livre…ehehehe

AFFE: Affe é macaco, aquele bicho que deixa a gente cansado, affe… e tem mais: AFFIN é a macaca!

BODEN: Não é aquele animal chifrudo não; Boden é chão, piso.

BRILLE: Nome glamouroso que eles dão para…óculos!

BROT: Não é broto não, é pão.

ALM: Não adianta rezar, Alm não tem nada a ver com alma. A palavra significa pastagem.

ARZT: É médico, não artista (artista é Kunster). Se bem que alguns são as duas coisas…

AUGE: Não, não é quando a pessoa chega no topo. Auge é olho.

BALD: Logo, em breve (o balde vai encher…será?).

BAU: Nada a ver com o nosso baú. Bau é construção, edifício.

DOM: Não é aquilo que Deus te deu. Dom é catedral.

HAI: Hai, Hai, Hai, lá vem o tubarão!

MÜDE: Quando a pessoa fica cansada, fatigada, acaba ficando calada mesmo…

SOLL: É débito, aquilo que você está devendo.

TRAUM: Nada a ver com trauma; é sonho!

Tem mais um monte; inclusive falsos cognatos em inglês. E estudem que semana que vem tem prova, heim?

10 jun

Nossa, acontece tanta coisa nessa cidade que a pessoa não dá conta nem de saber, quanto mais de ir nos eventos. Para se ter uma ideia, fiquei sabendo que a Madonna vai cantar aqui dia 30 e nem vi propaganda nenhuma (os ingressos já estão esgotados).

Mas eu não podia perder o International Design Festival Berlin 2012, né? Acabei indo só na exposição, mas já valeu demais; festa para os olhos é pouco.

O evento aconteceu em um dos hangares do Tempelhof, um aeroporto construído em 1927 e desativado em 2008 porque estava muito dentro da cidade (a arquitetura é linda e esse lugar histórico merece um post específico, aguardem).

Mas você está pensando naquelas mostras sofisticadas e arrumadinhas, tipo Casa Cor? Nada mais diferente! Aqui a coisa é bem despojada (a cara de Berlin) e tinha desde um carro do patrocinador até coletivas de estudantes e pesquisas com objetos do cotidiano bem conhecidos. Todo mundo bem à vontade, como se estivesse em casa…

Além da exposição, nos 4 dias do evento aconteceram também um simpósio, premiações, workshops, visitas a estúdos e palestras diversas. Os experimentos e materiais dos workshops estavam bem no meio da exposição, com o povo trabalhando ao vivo e a cores. Aliás, tinha muita gente produzindo objetos em tempo real, sujando a mão mesmo.

Só senti falta do design brasileiro, que não estava representado na mostra, sabe-se lá por quê…

Mas chega de blablabla e vamos ao que interessa: as fotos!

Quase morri de rir com isso. É que tinha uma parte da exposição mostrando objetos cotidianos da China; olha que prática uma cueca para políticos...eheheh (mudando de assunto, a China já parou de copiar faz tempo; o design deles já está chamando atenção do mundo).

Fiquei muito impressionada com esse guarda-chuva holandês; tinha um vídeo mostrando várias situações de ventania, até um cara pulando em queda livre antes de abrir o pára-quedas e ele não vira de jeito nenhum, é quase milagroso!!!

Que tal estampar um tapete com a imagem de satélite de sua cidade ou bairro? Adorei!

Esse designer explorou as várias possibilidades de sentar; ele usava discos de borracha para tornar as cadeiras alternativas mais confortáveis (os discos eram produzidos ao vivo!)

Tinha muito trabalho manual e esse sujeito fazendo um tricô gigante fez sucesso. As texturas e o design de superfície estavam causando (a Renata Rubim iria surtar)

O painel feito de caixas de papelão amarradas com cintas ficou muito bacana; todos os armários e móveis desse estande usavam o mesmo princípio.

Esse banquinho foi o meu preferido de toda a exposição. Não é muito fofo?

Poltronas feitas de sucata de avião e pelego; aproxima bem as pessoas, perceba que um assento é virado de frente para o outro, numa peça só.

Baguncinha boa de workshop...

Esse chão é maravilhoso: dá para fazer qualquer coisa que fica show!

Lanchinho na pista; lembra que o evento era num aeroporto?

Legal, né? Mas tem muito, mas muito mais mesmo! Clica aqui e vai direto no Flickr visitar a exposição!