A revolta de Atlas

A imagem mostra a escultura de um homem, toda vandalizada e pixada, como um Atlas que já está cansado de ser explorado e não reconhecido.

Se você acha que o Facebook só tem fotos de “família feliz e tretas, talvez não esteja seguindo as discussões certas. Estava acompanhando um post que falava de distopias quando alguém citou “A revolta de Atlas”, de Ayn Rand. Até então, só tinha lido as que conhecia como clássicas: “1984” (George Orwell), “Admirável mundo novo” (Aldoux Huxley) e “Fahrenheit 451(Ray Bradbury). Já tinha ouvido falar na filósofa Ayn Rand, mas não sabia que essa obra era uma distopia também. Bom, para minha sorte, minha amiga e sócia Nicole Plauto (não por acaso, economista) também estava na discussão e me emprestou o livro.

A revolta de Atlas” é considerado um dos livros mais influentes da história nos EUA; numa pesquisa feita pela Biblioteca do Congresso em 1991, foi escolhido entre os leitores como o segundo livro que mais fez diferença na sua visão de mundo, perdendo apenas para a Bíblia.

Aí você devora os três volumes e pensa: como é que essa leitura não é obrigatória em todas as escolas? A gente passa a entender melhor muita coisa que está acontecendo, principalmente o fenômeno Venezuela.

Já me encantei logo de início, pois a protagonista é uma engenheira linda, íntegra, inteligente, idealista, maravilhosa. Como a obra foi escrita na década de 1950, apesar da história se passar em um futuro indefinido, toda a estética e o pano de fundo vem desse período: músicas, roupas, cenários, hábitos, tecnologias. Viajei de verdade na trama junto com Dagny Taggart, a heroína tudo de bom.

Dagny é neta do fundador da maior rede ferroviária dos EUA, a Taggart Intercontinental. Ela só tem mais um irmão, que é um perfeito idiota. A moça estudou engenharia e é inteligentíssima; dá um show de criatividade para continuar operando as linhas de trem apesar das dificuldades que seu irmão (que não entende nada do assunto) cria, junto com seus amigos empresários e políticos.

O livro é extremamente maniqueísta e Ayn Rand, a autora, deixa bem claro quem são os mocinhos (empreendedores, ousados, criativos, disruptores, que fazem o mundo andar) e quem são os bandidos, os supostos “homem de bem (que só pensam no povo, nos direitos, no bem da humanidade, nos pensamentos mais elevados, porém não produzem nada). A maior preocupação dessas almas elevadas que desprezam o lucro (verdadeira maldição) é distribuir o resultado de quem de fato produz. Criam todo o tipo de problema possível para quem realmente quer trabalhar, com os argumentos mais descabidos, mas sempre em prol da igualdade de oportunidades.

Por exemplo: os trens da Taggart podem viajar a 160 km/h e as composições podem ter mais vagões por causa da tecnologia usada em seus trilhos; isso é injusto para os concorrentes, que não têm essa vantagem. A fim de promover a igualdade e impedir que apenas uma empresa lucre, a solução que os justos e coerentes “homens de bem, que, infelizmente, ignoram matemática básica, é limitar a velocidade e o número de vagões para todas as companhias. Se uma siderúrgica está produzindo muito e comprando outras unidades, então alguém tem que impedir o lucro enorme que seu proprietário vai ter. A solução é proibir que uma empresa tenha mais de uma fábrica e obrigá-la a vender as demais, a preços que o governo define, para, é claro, outros “homens de bem”. Como eles não sabem operá-las, a produção cai, e a concorrência “injusta fica muito evidente. Solução? Limitar por lei a produção, para que possa haver igualdade de oportunidades para todos. Se os donos das empresas reclamarem, é porque são egoístas. É claro que podem arcar com o prejuízo e lucrar um pouco menos, pois são empresários; então, por definição, nadam em dinheiro. Bom, você pegou a ideia, né?

Dagny tenta manter a ferrovia funcionando para transportar carvão, alimentos, máquinas, pessoas e tudo o que é necessário para as coisas andarem, mas os “homens de bem que estão no poder que só pensam no povo, resolvem desviar trens para transportar uma produção alternativa de toranjas de uma pessoa muito boa (coincidentemente amiga de alguns políticos) e que não visa o lucro; por isso, tem prioridade.

O que acontece é que as empresas começam a falir uma a uma. As pessoas competentes também não querem mais trabalhar, pois ninguém mais pode ser demitido e o salário é pago pela necessidade, não pela produção. Eis que os competentes viram escravos dos “necessitados, cujas necessidades crescem infinita e exponencialmente. As pessoas começam a se odiar mutuamente, o país entra em colapso. Falta aquecimento, falta comida, mas falta, mais que tudo, perspectivas. Os representantes do governo que assumem as empresas para promover a igualdade chegam a roubar material de estoque para vender no mercado negro (coitados, eles não têm competência técnica e nem inteligência acima da média, então são obrigados a se virar como podem). Trens deixam de circular por falta de pregos, o trigo apodrece nas ruas por falta de transporte, pessoas morrem de frio por falta de carvão para o aquecimento. Mas tanto a imprensa quanto a sociedade têm certeza que a culpa é dos industriais ganaciosos que só visam o lucro e não são capazes de pensar num mundo mais justo.

Ayn Rand escreveu a obra para mostrar sua linha filosófica voltada ao liberalismo econômico; há páginas inteiras com discussões bem profundas a respeito do valor do dinheiro e do trabalho, do conceito de igualdade, e do papel de cada pessoa na sociedade. Mas a trama de pano de fundo não fica devendo em nada a um romance convencional com aventuras, riscos, traições, paixões, festas, crimes e tudo que faz o leitor ficar grudado até a última página.

Sobre a teoria, ela é um pouco radical, claro, pois é uma teoria, mas em linhas gerais achei muito interessante esse ponto de vista. Os personagens principais são tão completamente racionais que fariam o Dr. Spock se achar um sentimental incorrigível, então é preciso dar um desconto. Mas acredito que com um pouco de equilíbrio, pode ser um caminho e reflete algumas das coisas nas quais acredito. Promover a igualdade de oportunidades é importante sim, mas, como dinheiro não cai do céu e governo nenhum produz riqueza, incentivar (e não atrapalhar) o empreendedorismo é fundamental.

Ayn é bastante assertiva com relação ao liberalismo porque nasceu no leste europeu e viu seu país e o pequeno negócio de seu pai (um armazém) ser totalmente arruinados pelo governo comunista. Quando emigrou para os EUA e viu outras possibilidades, desenvolveu uma linha de pensamento apoiada em seus estudos, claro, mas com forte influência de sua experiência pessoal.

Em tempos de Netflix sei que vai ser difícil convencer alguém a mergulhar nas 1.227 páginas; vi que já fizeram mais de um filme, mas duvido que tenham prestado, pois colocar a compexidade da trama e da história em, no máximo, 3 horas, é muito complicado.

Minha sugestão: faça um esforço para começar a ler. Você vai ver que, no máximo em duas semanas já terá devorado tudo e terá ficado com saudades dos personagens e da história, além de ter adquirido uma visão muito mais ampliada das teorias econômicas.

Vai por mim!

***

NOTA: Atlas é aquele titã da mitologia que carrega o mundo nas costas, como, na obra de Rand, os inovadores, produtores, empreendedore; por isso o nome do livro.

 

8 Respostas

  1. Nicole
    Responder
    12 março 2017 at 3:43 pm

    Que orgulho de ter contribuído de alguma forma pra essa resenha maravilhosa! <3
    Beijos, sócia!

    • ligiafascioni
      Responder
      13 março 2017 at 7:54 am

      <3 <3 <3

  2. Ruy Flávio de Oliveira
    Responder
    13 março 2017 at 12:24 pm

    Oi Ligia. Tentei colocar esse comentário no Facebook, mas acho que ficou grande demais, e não é possível colocá-lo lá. Vai aqui mesmo, com meu pedido de desculpas por “entupir” esse espaço.

    Li “A Revolta de Atlas” há mais ou menos 10 anos, e nunca mais parei de pensar a respeito desse livro. E um primeiro momento pensei como você, que a mensagem era positiva, e que poderíamos usar mais de livre iniciativa, e de um governo menos intrometido, menos chupim, menos “empata-fo*a”, nas palavras de um amigo (perdão pela expressão chula). Não sei se fica claro pelos meus posicionamentos no Facebook, mas não sou de esquerda: acredito piamente no valor da livre-iniciativa e do empreendedorismo. Um mundo em que o social se impõe ao indivíduo como vimos nas experiências da URSS, de Cuba, do leste europeu, da China e da Coreia do Norte , entraria em colapso em o resultado seria ou a nossa extinção, ou uma reedição da Idade Média que nos atrasaria outro milênio, a exemplo da primeira.

    (Agora que paro para pensar, li o livro mais ou menos na época que nos conhecemos, por meio de um projeto do CPqD do qual nem me lembro mais. Mas isso é uma digressão, de volta ao assunto).

    Infelizmente, quanto mais eu penso sobre esse livro, mais creio que seja brutalmente equivocado, pernicioso, tóxico. Um verdadeiro manual sobre como destruir o planeta. Radical minha posição? Pode ser, mas tenho todo um racional para pensar desse jeito, e gostaria de compartilhar esse racional com você, pois vejo muita gente se apaixonando por esse livro, sem atentar para suas gritantes falhas e para suas horrendas consequências. Um detalhe: já vi várias opiniões favoráveis do livro, de amigos e conhecidos, e nunca me animei de expressar minha opinião. O fato de eu o estar fazendo agora é um testemunho do respeito que tenho por você, por seu conhecimento e por suas opiniões, cara Ligia.

    Os pontos principais que tenho contra esse livro são (e para quem não leu: tem spoilers à frente):

    1. O livro cria uma imagem completamente distorcida de todos os que não são “empreendedores”, especialmente o governo. A imagem criada pode até ter sido verdadeira para o soviete supremo, na URSS e para o Partido Comunista durante a Revolução Cultural Chinesa, mas não reflete de forma nenhuma a vasta maioria dos governos atuais. A imagem de absoluta inapetência e perniciosidade do governo pintada por Ayn Rand me lembra muito a imagem pintada por Adolf Hitler sobre as comunidades judaicas em seu livro “Mein Kampf”, que li algumas décadas atrás. É uma imagem distorcida, criada para gerar repulsa, maniqueísta, que não admite que o lado oposto tenha qualquer mérito que seja. Na prática não é assim, muito menos nos EUA (país escolhido por Rand para morar, escrever e publicar seu livro): energia atômica, viagem espacial, sistemas de radar e GPS, computadores e mesmo a Internet só existem por conta de projetos criados e conduzidos pelo governo. Ah, e a indústria aeronáutica mundial só cresceu e se desenvolveu até o patamar onde se encontra hoje por conta de financiamentos (leia-se: projetos militares) dos governos de vários países, inclusive no Brasil. Sem o ITA (uma universidade governamental, não existiria a EMBRAER). Noves fora, o governo tem muito põe muito nisso!) a melhorar, mas está longe de ser o despautério pintado por Ayn Rand.

    2. O livro cria uma imagem completamente distorcida de todo os que são “empreendedores”. Todos são fundamentalmente bons, éticos, bem-intencionados, ainda que a definição de “boas intenções” seja bem distorcida. Nenhum deles — Taggart, D’Anconia, Rearden, Galt — seria capaz de perpetrar um ato vil de negócios, enquanto na prática o que vemos é um sem número de exemplos de ações predatórias por parte de empresas em todo mundo (e eu falei sobre isso no meu último artigo no Confrariando, “Selvageria”). Ah, e a “ética” dos homens de negócio inclui a possibilidade de assassinato — visto como quase que um dever patriótico —, como no caso do avô de Dagny, que não hesitou e matar um deputado que propunha uma legislação que lhe era desfavorável.

    3. O livro não só despreza o meio ambiente, como pinta a poluição e a destruição dos recursos naturais como uma virtude, uma situação desejável. Os tais “fogos sagrados” das chaminés de Nova York, o desprezo de Rearden pela passagem da estrada quando afirma “o que eu queria ver é um outdoor” e a predileção pelos combustíveis fósseis já não refletem a realidade que vivemos hoje. Uma sociedade industrial que hoje se comportasse como os “empreendedores” do livro, destruiria o planeta em poucas décadas.

    4. O livro desconsidera que a natureza humana, quando exercitada nos preceitos de John Galt, se encaixaria no modelo de infecções virais ou bacterianas, gerando a destruição do hospedeiro (a Terra) e das próprias bactérias (nós mesmos!). O ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, foi discípulo direto de Ayn Rand, conhecendo-a quando era um jovem economista, na década de 50, e ele próprio admite que suas ideias geram a ruína. Para entender precisamos voltar à crise de 1929, e aos mecanismos de controle financeiro colocados em prática por Franklin Delano Roosevelt para evitar que no futuro se reeditasse a Depressão. Esses mecanismos, iniciados pelo ato Glass-Steagall, de 1933 colocaram “travas” na ação das instituições financeiras que impediam a especulação predatória. Os bancos lucraram menos com esses mecanismos? Claro que sim, mas ficaram longe de passar fome, e muito pelo contrário, cresceram e geraram enormes ganhos para os acionistas durante as décadas que fizeram parte da legislação. Ocorre que a partir do governo de Ronald Reagan (1981-1988) e passando pelos governos de George Bush (1989-1992), Bill Clinton (1993-2000) e George W. Bush (2001-2008), os mecanismos de controle financeiro foram sendo paulatinamente repelidos e removidos da legislação — como queria Ayn Rand — e o resultado foi a crise econômica de 2008. Livres das “amarras”, os executivos financeiros criaram “produtos” tóxicos, venderam dívidas podres como se fossem “classe A”, cooptaram as agências de auditoria para chancelar as operações, e — pasme! — foram correndo para o governo para um “bail-out” básico que custou 1,5 trilhão de dólares ao contribuinte norte-americano. Quando, em 2013, em uma entrevista à Associate Press, Alan Greenspan — que fora o presidente do Fed que mais incentivou as desregulamentações do setor financeiro desde que assumiu o cargo, ainda no governo de Ronald Reagan — foi questionado sobre a crise, e ele disse as cabais e históricas palavras “we were wrong”. Regulamentação em excesso é prejudicial, claro, pois engessa o setor produtivo. Mas desregulamentação total como demanda Ayn Rand gera a crise de 2008 ou coisa pior, pois ;e da natureza humana abusar de sua liberdade.

    5. O livro prega que se deve desconsiderar (mais do que isso: deve-se desprezar) a solidariedade, o respeito ao semelhante, a caridade, o apoio ao próximo em necessidade. O direito do semelhante não interessa: só interessa o lucro. A segurança de todos não interessa (como Dagny demonstra exigindo que seu comboio viagem em velocidade máxima para ela não se atrasar): o que interessa é o lucro. É cada um por si e Deus não existe, na visão de Rand. Sem levar a discussão para o lado religioso (pelo que não tenho interesse), esse desprezo pelo semelhante gera o comportamento predatório que em último caso gera a destruição da crise de 2008 e o comportamento de “infecção virótica/bacteriana” a que aludi no início do ponto 4. Não sou a favor do assistencialismo e penso que iniciativas como o amaldiçoado “Bolsa Família” são completamente equivocadas. Dar bolsas ajuda a resolver paliativamente o problema da fome, mas nada além disso, e ainda por cima cria dependência e é abusado como “âncora eleitoral”. O Bolsa Família não auxilia o indivíduo a eliminar a necessidade de ser auxiliado. Vicia. Mas penso que a antiga “Bolsa Escola”, do governo do ex-presidente FHC era útil, pois além de resolver paliativamente o problema da fome, exigia que o indivíduo estivesse na escola, preparando-o para um dia não depender de auxílio. Outra: educação e saúde são funções do estado e direitos de qualquer cidadão. Educação básica e saúde básica não devem ser prestados ao cidadão de baixa renda com vistas ao lucro, mas sim como exercício de solidariedade do estado.

    6. O livro desconsidera que há vários exemplos em nosso planeta — nos dias de hoje! — de países com estado forte, regulador, que são muito bem-sucedidos no cenário internacional, enquanto atuam como economias de mercado: os países nórdicos, a Coreia do Sul, o Japão, o Chile, a Austrália e a Nova Zelândia são exemplos. São perfeitos? Claro que não, claro que têm muito a melhorar, mesmo estando bem acima da média. Mas não são nem de longe o “sonho de desregulamentação” idealizado por Ayn Rand.

    No fim das contas, Ayn Rand pinta um quadro falso para vender uma filosofia apresentada como a única solução para o mundo, mas que na prática é altamente destrutiva. O mundo pode se beneficiar de governos mais eficientes? Claro que sim, mas as regulamentações governamentais são fundamentais para que não nos destruamos, e os benefícios oferecidos pelos governos — quando feito direito — não são o “mal básico” das palavras de Ayn Rand. Ao contrário; são uma rede de proteção da qual todos precisamos, uma hora ou outra. Aliás, a própria Ayn Rand dependeu tanto do sistema de saúde norte-americano quanto do sistema de seguridade social daquele país, pois do contrário não teria tido os cuidados médicos de que necessitava (ela também achava que essa história de o cigarro causar câncer era “balela”, e teve que remover um dos pulmões para evitar morrer por conta do tumor que desenvolvera), e nem teria como se alimentar. Ou seja: incorreu na mais descarada e brutal hipocrisia para não passar necessidade.

    Em suma, cara Lígia, é isso que tenho pensado nessa última década sobre “A Revolta de Atlas”. Espero que esses pontos possam ser úteis para complementar sua análise do significado e do conteúdo do livro.

    • ligiafascioni
      Responder
      13 março 2017 at 2:22 pm

      Oi, Ruy!
      Primeiramente, obrigada pelo comentário e pela contribuição.
      Preciso falar que concordo com absolutamente todos os pontos que você levantou. Inclusive, na resenha, creio ter deixado claro que as ideias são apresentadas de maneira radical e sua construção foi fortemente influenciada pela vivência pessoal da autora/filósofa. Mas, a meu ver, não tira o mérito da obra, se tivermos em mente que ela é maniqueísta (toda obra maniqueísta, na minha opinião, é falha, e isso inclui a Bília, cujo valor ninguém questiona). Se a gente ler com espírito crítico, dá para tirar muita coisa boa de lá. Para mim é a explicação clara do que aconteceu na Venezuela recentemente.
      De minha parte, penso que o empreendedorismo deve ser incentivado, mas é claro que com sustentabilidade (ninguém pensava nisso na década de 50 do século passado; essa preocupação é mais recente, então a autora nem se dava conta disso). É claro que um romance que pretende demonstrar uma filosofia vai ter falhas (o nível de civilidade dos parceiros que perdem seu amor é quase inimaginável); assim como ela não considera a questão de alguém ficar doente ou ser impossibilitado de trabalhar.
      Enfim, por isso que disse no final que, na minha opinião, o caminho é pelo equilíbrio (penso que a Alemanha está seguindo por aí; tem suporte social forte, mas apoia o empreendedorismo).
      Muito obrigada por compartilhar seu ponto de vista 🙂

    • Ruy Flávio de Oliveira
      Responder
      13 março 2017 at 3:44 pm

      Muito bom ver que você tem uma visão moderada sobre o assunto, Ligia. Infelizmente, pelo que vejo nas pessoas que já leram esse livro — meus amigos norte-americanos em especial, mas não limitado a eles — é que tomam as ideias Ayn Rand como leis, ao pé da letra. Não questionam as consequências, e usam essas ideias para justificar um comportamento irresponsável e para meter o pau em um governo do qual dependem (ainda que um governo que é carente de muita mudança). Usam para justificar ganância desmedida, para justificar o egoísmo, dando ênfase ao “selvagem” no exercício de seu “capitalismo selvagem”. Uma pena. Mas infelizmente, esse era o objetivo de Ayn Rand: ela não pensava em moderação, e nem tratava as ideias desse livro como alegorias. Ela tratava esse assunto como um imperativo, como lei natural. E seu entusiasmo pelo objetivismo (o nome dessa “filosofia”) contaminou milhões nos EUA e no mundo, que hoje não estão nem aí para outras pessoas, para o clima, para nada que não seja lucro a qualquer custo. Eu não costumo recomendar esse livro, e as poucas vezes que o fiz foi como contraponto aos livros de Noam Chomsky, que pende para o outro lado do espectro. Agora que você conhece as ideias de “A Revolta de Atlas”, sugiro ler “A Fonte” 9que a Adriana recomenda também, aí embaixo), e depois contrabalançar as ideias com algumas obras de Chomsky. Nesse caso, recomendo “Understanding Power” e “Manufacturing Consent”, nessa ordem. Acho muito útil ter pontos de vista diferentes sobre esse assunto, e o Chomsky é brilhante, genial na exposição e defesa de seus pontos de vista, que sempre embasa tão bem documentalmente que chega a dar raiva. Recomendábilíssimo.

      • ligiafascioni
        14 março 2017 at 5:59 am

        Obrigada pela dica, Ruy, vou procurar. Sobre esse livro (e tods os outros), penso que qualquer livro ou ideia, QUALQUER, se levados ao pé da letra, só denota que a pessoa tem preguiça de pensar…

  3. Fabrício D. Ramos
    Responder
    13 março 2017 at 6:16 pm

    Aprendi demais com esse diálogo belíssimo de vocês.
    Muito obrigado.

    • ligiafascioni
      Responder
      14 março 2017 at 5:59 am

      🙂

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