17 abr 12

Nome bom para joalheria. Depois que comprou a aliança...

Continuando nosso curso de alemão para debochados, vai aqui uma lista de falsos cognatos que são pura luxúria e baixaria.

PUTE: perua
Comentário: Como se pode ver, os alemães são bem mais diretos que nós.

PUTZEN: esfregar
Comentário: Beeeem mais diretos.

FORDERN: exigir, requerer
Comentário: Diretíssimos.

FÖRDERER: patrocinadores, promotores
Comentário: Ah, vai. Alguns nem são tão ruins…

TREPPEN: escadas
Comentário: Haja equilíbrio.

BUND: união, coligação
Comentário: Faz sentido, né?

KUH: vaca
Comentário: Nossa, que gente grossa, heim?

KÜHL: fresco
Comentário: Sutileza zero…

KUSS: beijo
Comentário: Você é quem escolhe o lugar.

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17 abr 12

Estou escrevendo isso porque preciso compartilhar uma coisa com vocês (não posso ficar aqui sofrendo sozinha, né?). É que descobri que para pronunciar algumas palavras em alemão com perfeição, você precisa ser… fanho!

Sério, tente pronunciar essa simplória palavrinha que significa esquilo na belíssima língua de Goethe sem apelar para a fanhice.

Eichhörnchen

Aqui está o link do Forvo, um site que mostra a pronúncia correta para você ouvir e ter certeza que errou:

Olha, eu não sei vocês, mas o dia que eu conseguir falar isso, vou considerar meu alemão fluente. E, para comemorar, vou também me matricular logo em seguida num curso de húngaro avançado com tópicos especiais da botânica russa. Sim, porque depois disso, minha gente, o resto é pipoca…rsrsrsrs

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15 abr 12

Não faz muito tempo, escrevi aqui uma coluna desancando os CAPTCHAs. Para quem não leu (ou não se lembra), esse é o nome que se dá ao inconveniente sistema que mostra palavras ou números aleatórios e pede para você lê-los e digitá-los quando quer interagir com alguns sites ou blogs como esse aqui, ó.

Essas palavras ou números servem para o administrador do site saber que você é uma pessoa, não um robô virtual tentando fazer spam ou burlar o sistema. Aí, ele pede para você fazer uma coisa que um software ainda não consegue, mas um ser humano tira de letra: ler uma palavra mal impressa, distorcida ou meio apagada.

A questão é que saber se você é humano ou não é um problema do administrador do site, não seu. É injusto você perder seu tempo para fazer o trabalho dele. Você é o cliente; ele que se vire com um bom anti-spam para resolver o problema.

E tem mais: você sabia que uma pessoa gasta, em média, 10 segundos para responder um CAPTCHA e todo dia são mais de 200 milhões dessas coisas digitadas por esse mundão de meodeos? Pois é, faça as contas: 200.000.000 x 10 segundos de tempo perdido. São 64 anos de trabalho humano inteligente (que um computador não faz) jogados no lixo todo santo dia. Não é mesmo para se revoltar?

Pois é, Luis von Ahn, o pai (ou um dos pais) da criança, passado o orgulho inicial do sucesso, viu que tinha criado um monstro e ficou com a consciência pesada (com razão). Aí, sujeito inteligente que é, botou a massa furta-cor para trabalhar e teve uma ideia nada menos que genial.

Bom, todo mundo sabe que há um movimento mundial para a digitalização de livros. A Amazon, o Google e mais um monte de instituições grandes estão digitalizando todo o seu acervo para que mais gente possa ter acesso. Então eles colocam página por página de cada documento impresso em um scanner e um software transforma a imagem em texto, interpretando e convertendo palavra por palavra. A questão é que nos livros mais antigos e amarelados, a legibilidade está comprometida e o softwares não conseguem “ler” várias palavras.

Daí que o Luis pensou: os computadores não podem, mas as pessoas sim. Por que não colocar essas palavras que ficaram pendentes (são quase 30% do total, segundo o próprio) como CAPTCHAS? Aí o tempo que os viventes usam para digitar não seria jogado fora; eles estariam ajudando a traduzir um patrimônio da humanidade. Bingo!!

Ok, mas se o computador ainda não sabe o que significa aquela palavra, como é que ele vai conferir se a pessoa digitou certo e ela não é um robô chutando qualquer coisa?

Aha, mas esse caras são espertos e não se deixam abater por tão pouco. Pois eles fazem o seguinte: colocam duas palavras. Uma o software já conseguiu ler, a outra não. A pessoa precisa digitar as duas sem saber qual está traduzindo. Se 10 pessoas interpretarem aquela palavra da mesma maneira, significa que o problema foi resolvido. Está certo que nisso vão mais que os 10 segundos, mas pelo menos o tempo não está sendo jogado fora.

E olha agora o mais impressionante: o povo (incluindo você e eu) está traduzindo mais ou menos 100 milhões de palavras por dia, o que equivale a 2,5 milhões de livros por ano. Não é o máximo?

Luis von Ahn chama esse novo sistema de reCAPTCHA e agora, pelo menos na minha opinião, o cara se redimiu e com louvor.

Continuo achando que não se deve obrigar o cliente a fazer parte do seu trabalho, assim como não se deve dificultar que ele faça uma coisa que é de seu interesse, como comentar num blog ou preencher um cadastro, por exemplo.

Mesmo assim, se o administrador do lugar não está ligando muito para o conforto e o tempo alheios, pelo menos que use um reCAPTCHA. E que não se esqueça de explicar que seu cliente está trabalhando compulsoriamente, mas também contribuindo para um projeto maior.

É o mínimo.

***

PS: Os dados numéricos e as informações sobre o reCAPTCHA saíram de uma palestra que o próprio Luís von Ahn deu no TED (lá ele fala de um outro projeto muito bacana. Clique aqui para ver o vídeo). Dica luxuosa do queridíssimo Guto de Lima que me conhece bem e sabia que eu ia adorar saber disso (obrigadão, valeu mesmo!).

* CAPTCHA: Completely Automated Public Turing Test to tell Computers and Humans Apart ou Teste Público de Turing Completamente Automatizado para Diferenciação de Computadores e Humanos.

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14 abr 12

Olha só que ideia ótima para não perder chaves e coisinhas pela casa (além de ter sempre onde pendurar bolsas e casacos). Adorei! Você não?

Cria inspirada dos designer Bruce & Stephanie Tharp. Dica do sempre ótimo Hummmm… I see.

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14 abr 12

Hoje à tarde o dia estava tão lindo que fui explorar mais as redondezas (estou escaneando a cidade aos pouquinhos). A menos de 1 km de onde moro fica Charlottenburg, o bairro onde quero morar quando crescer.

Charlottenburg tem esse nome por causa do palácio da princesa Sophie Charlotte que fica lá (é lindo, qualquer dia vou postar fotos dele aqui). Mas hoje queria conhecer o Lietzenpark, um dos muitos parques lindos da cidade com direito a lago e tudo.

Ai, gente, por que Florianópolis também não tem parques assim? Lugar bonito é o que não falta…

Já pensou morar de frente para o lago, num desses apartamentos?

Fala sério, não é lindo demais para um parque de bairro?

E tem vários assim espalhados pela cidade

Vi um monte de árvores dessas. Seriam cerejeiras?

Mais de pertinho dá para ver melhor...

Cerejeira ou não, essa árvore é muito linda!

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13 abr 12

Estava passeando pela farmácia (no Brasil eu nem gosto, mas aqui é lição de casa) e me deparo com isso. Tem Venen em cápsulas, gel, drágeas, comprimidos… vai querer qual?

Venen é veia em alemão (ou relativos a veias; venoso) e indica suplementos e remédios para o sistema circulatório. Por isso é que aparecem tantas pernas (Beine) que não querem ter varizes (Krampfadern) nas embalagens.

Ainda vou fazer um post com falsos cognatos em alemão para o povo rir bastante. Ou não…ehehe

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13 abr 12

A primavera é a estação do ano que eu mais gosto, mas nunca tinha sentido a mudança com tanta intensidade como agora. Quando se tem neve no inverno, essa estação é uma baita mudança no cenário da cidade e no humor das pessoas. Deslumbrada de nascença que sou, não consigo deixar de emocionar com essas folhinhas serelepes que brotam das árvores, antes tão peladas.

Os alemães adoram verde e plantam em qualquer lugarzinho (as floriculturas, para minha surpresa, continuavam cheias de flores vindas de sei lá onde durante todo o rigoroso inverno). Esses bárbaros também são caprichosos com os jardins e já tem florzinha plantada em tudo quanto é lugar, o que enche o coração da gente  de cor.

Tirei umas fotos hoje para vocês curtirem junto comigo. Vem que tem!

Todas as árvores estão brotando ao mesmo tempo; pena que não dá para ter ideia, na foto, do milagre que é isso...

A prefeitura já fez a parte dela...

Tem flor para todos os gostos

As mesinhas já voltaram para a calçada (delícia)!

Pequenos solzinhos (ou soizinhos?) para iluminar o dia

É uma pena que a foto não mostra a loucura que é essa luz de fim de tarde (19 horas!)

* Frühling, como vocês já devem ter desconfiado, é primavera em alemão.

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11 abr 12

Olha só que bacana eu vi hoje numa farmácia daquelas que mais parecem um mercadinhos de-tudo-um-pouco (iguaizinhas às nossas no Brasil, só que um pouco maiores): o povo pensou que boa parte dos frequentadores poderia não enxergar as letrinhas dos rótulos. Então eles conectaram o tico e o teco para um bate-papo rápido e resolveram acoplar lentes de aumento nos carrinhos.

Nem custa tanto, mas melhora bastante para os meio ceguetas que precisam ir às compras, né? Taí, gostei!

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9 abr 12

Adoro fotos de antes e depois, vocês não? Então vejam só o contraste entre o inverno e a primavera visto da porta do meu prédio. Inspirador, para dizer o mínimo…

Manhã gelada do dia 21 de fevereiro de 2012

Manhã primaveril de 8 de abril de 2012

É, os carros são diferentes….

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8 abr 12

Fotografia: Gregory Colbert

Posso dar uma sugestão? Incluir o livro “Switch: how to change things when change is hard” em todos os cursos de graduação, treinamentos empresariais, classes de ensino médio, planos de carreira diversos e formação de administradores públicos. Boa parte dos problemas seria bem mais administrável se as pessoas aplicassem as ideias que os autores compartilham.

Chip Heath e Dan Heath estudaram a fundo o tema mudança e tiraram muitas e interessantes conclusões, olha só.

Primeiro, a dupla descobriu, como resultado de várias pesquisas, que nossa capacidade de auto-controle é limitada; uma hora a gente explode e acabou. Não há disciplina mental que sempre dure e fica muito mais fácil administrar as mudanças se a gente levar isso em consideração (quem está tentando emagrecer ou parar de fumar sabe exatamente do que estamos falando). Então, o que às vezes parece falta de força de vontade é só cansaço mesmo. O fim do mundo? Não, pelo contrário: é o começo!

Os irmãos Heath usam uma metáfora bem bacaninha  para a gente entender como é que o cérebro gerencia mudanças: tem uma parte, pequena, que eles chamam de Cavaleiro (Rider, em inglês) e outra, grandona, que eles chamam de Elefante. O Cavaleiro é o lado racional, que “pilota” o elefante, que escolhe a direção a seguir levando em conta cada alternativa, bem como os respectivos prós e contras. Já o Elefante não quer nem saber; é o nosso emocional, movido a paixões e desejos.

A questão é que se a gente quer que alguém mude (ou a gente mesmo precisa mudar algum comportamento), precisa trabalhar os dois atores: o Cavaleiro e o Elefante. Quando apenas o Cavaleiro está convencido da necessidade da mudança (sim, você sabe que precisa parar de fumar), ele até começa o movimento e esforça-se, mas não consegue arrastar o Elefante se este também não estiver sensibilizado (é quando a autodisciplina fica exaurida). Neste caso, temos direção sem motivação.

Já em outras situações, você está sensibilizado (sim, você precisa começar a se alimentar melhor), mas não sabe exatamente o caminho a seguir, pois a questão é ampla demais. E, no caso, quem determina o caminho é o Cavaleiro, que está “perdidinho da silva”, sem ideia de por onde começar. Assim, temos motivação sem direção.

Beleza, mas então como resolver o problema? Primeiro, pensar que o Cavaleiro fica maluco se houver muitas opções para escolher (esse fenômeno já foi exaustivamente estudado e tem até um nome: paralisia da decisão — veja o ótimo livro The Paradox of Choice, de Barry Schwartz). É assim: quanto mais informações e alternativas você der para uma pessoa, mais ela vai tentar medir, pesar, analisar e menos vai conseguir decidir. Nesse caso, o Elefante fica ansioso e o resultado é óbvio: ele opta pelo mais familiar, por aquilo que já conhece, mesmo que saia prejudicado na história. Resultado: o comportamento não muda.

Você quer que uma pessoa ou grupo mude de atitude? Então, sensibilize o Elefante, mas diga para o Cavaleiro o que fazer (e que a ação seja simples e factível).

Ok, mas ainda está muito trivial essa conversinha, até aí todo mundo já sabe. É que agora é que vem a chave do negócio, que faz tudo ficar diferente: a busca pelos bright spots (ou pontos brilhantes). É que a gente tende a olhar um cenário, observar alguma coisa que não está funcionando e logo pensar: o que posso fazer para consertar isso?

Bom, aí é que está o erro. Em vez de se concentrar no que está errado, a gente devia buscar as lições do que está certo.

Quer um exemplo prático disso? Em 1990, um sujeito chamado Jerry Sternin foi convidado pelo governo do Vietnam para combater a desnutrição infantil. Detalhe: seu orçamento era quase zero, ele só tinha 6 meses e não era especialista no assunto.  Muitos estudiosos já tinham estado antes no mesmo cargo e bolado planos infalíveis que não tinham funcionado por motivos diversos. Ele não podia construir sistemas de saneamento básico, não tinha verba para trazer água limpa para os locais mais pobres. Mesmo assim, o maluco topou a parada.

E aí, como começar? Ele sabia que as mães precisavam de direção, não de motivação, que elas tinham de sobra. Então Jerry visitou as mães das comunidades para conhecê-las e mediu e pesou suas crianças. Ele descobriu que um percentual ridiculamente pequeno enquadrava-se nas condições de crescimento e nutrição ideais; o restante estava muito abaixo do peso.

A grande sacada foi se concentrar no que estava dando certo (os tais brigh spots). O que essas mães faziam de diferente, já que estavam todas na mesma situação de pobreza? Aí Sternin descobriu que elas misturavam batatas, crustáceos e ervas ao arroz que normalmente era servido puro aos pequenos. E que o valor nutricional desses alimentos, que normalmente não eram oferecidos às crianças por uma questão cultural, era importantíssimo.

O próximo passo foi organizar encontros onde as mães bem-sucedidas compartilhavam suas experiências com as demais. Jerry sabia que não adiantava ficar dando palestras sobre desnutrição; em vez disso, ele criou 5 regras bem claras que todas deviam seguir — e eram as próprias mães que compartilhavam essas práticas umas com as outras. Isso dava aos Elefantes uma esperança (o emocional é fundamental nessas horas) de que poderia dar certo, pois as histórias de sucesso estavam aí para todo mundo ver e ouvir.

Nesse caso, o Cavaleiro também entrou em ação: as mães passaram a ter uma direção a seguir, uma forma simples de agir para ajudar seus filhos. E não era de um gringo qualquer que veio sei lá de onde impor valores de fora; a solução estava no próprio lugar, com ingredientes baratos e acessíveis para todo mundo (mais ou menos como a Dra. Zilda Arns fez com a Pastoral da Criança no Brasil). Resultado? Depois de 6 meses, 65% das crianças já estavam mais bem nutridas do que quando ele chegou e agora é um modelo nacional que abrange 2,2 milhões de vietnamitas.

A ideia é relativamente simples: quer mudar uma situação? Procure os bright spots e replique-os de maneira organizada (para o Cavaleiro) e motivadora (para o Elefante).

Outro exemplo: um menino-problema, que já estava na quarta família de adoção, quase sempre se comportava mal na escola e agredia os colegas e professores. A chave estava no “quase”. Pois o psicólogo John Murphy  teve apenas poucas horas para conversar com o menino e conseguiu uma melhora de comportamento de 80%. Como?

Ele tentou descobrir o que acontecia quando o menino comportava-se bem. Descobriu que isso acontecia quando uma determinada professora cumprimentava-o de manhã e explicava novamente o exercício para ele enquanto os colegas trabalhavam. Ou quando um outro professor olhava nos olhos dele quando sorria. Enfim, coisas simples que o faziam sentir mais calmo. Bastou instruir claramente os outros professores para fazerem o mesmo. Claro que não resolveu totalmente, mas foi muito mais eficaz do que os outros métodos punitivos que nunca deram resultado nenhum.

Seu marido deixa a toalha molhada em cima da cama e você quer que ele mude? Pense no que acontece quando ele não faz isso e tente replicar o comportamento.

Seus funcionários estão sempre chegando atrasados nas reuniões? Concentre-se em replicar as atitudes dos que chegam no horário. O que eles estão fazendo de diferente? Crie regras claras, para que as pessoas saibam exatamente o que fazer e o que você espera delas. Motive-as emocionalmente, mas também mostre o caminho para o Cavaleiro. Se quando as pessoas brigam pensassem nos momentos bons e o que elas fizeram para que eles acontecessem, quão mais fácil (e produtiva) seria nossa vida, heim?

É claro que o negócio não é receitinha de bolo e é mais complexo do que apresentei aqui (são 300 páginas, né, minha gente?), mas os princípios são esses.

Olha, acho que você deveria ler esse livro. Espero que seu Elefante já esteja aí bem empolgadinho, mas aí vai o link do livro em português para que seu Cavaleiro saiba exatamente por onde começar, ok? Vai lá: http://tinyurl.com/cnoz4oh

—-

* Nossa, agora é que vi o horror que ficou a tradução do título em português: “Guinada: maneiras simples de operar grandes transformações“. Difícil motivar alguém a comprar um livro com esse nome…

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7 abr 12

Descobrir lugares novos, para mim, é um momento de profunda introspecção. Gosto de me perder pelos becos, observar os passantes, prestar atenção na luz e no astral do lugar. Por isso, ao contrário da maioria das pessoas, gosto de explorar cidades desconhecidas sozinha ou com no máximo mais uma pessoa (de preferência, o Conrado). Vai daí que não sou muito boa em viagens de grupo, fico angustiada com o tempo que se perde tentando juntar o “rebanho” e negociando os interesses diversos.

Pois é, mas ontem teve uma viagem da escola para Dresden; como estou sozinha aqui e viajar é coisa que adoro, me joguei. Eram 22 pessoas e o negócio poderia ter sido mais bem planejado. Chegamos na cidade meio dia passado, almoçamos (com direito a atraso de brasileiros no encontro de retorno; por que não me surpreendo?) e uma visita que não entendi até agora em uma exposição de arte contemporânea interessantíssima, mas nada ver com a hora e nem com o lugar. O resultado é que a gente só conseguiu chegar no centro histórico depois das 4 da tarde (às 5h30 tivemos que sair correndo para não perder o transporte de volta).

Dresden não é pequena e tem muita história para contar; ela foi um dos centros culturais mais importantes da Europa por muito tempo. Foi totalmente destruída na guerra num bombardeio mal explicado até hoje (veja a foto abaixo, que impressionante) e reconstruída em cada pedra, num trabalho primoroso. O lugar é belíssimo na essência da palavra. Pena que só vi de passagem.

Mas o negócio teve dois lados bons:

1) Meu alemão melhorou bastante, pois todas as explicações foram nessa língua (perdi um monte de detalhes, mas quem nunca?) e conversei o dia todo com a Ana Bolaños, uma espanhola das Ilhas Canárias (preciso ir lá, fiquei curiosíssima com a descrição) que tinha uma gramática mais que perfeita e ficou pacientemente me corrigindo o dia inteiro; uma querida mesmo.

2) Preciso, necessito, sou obrigada a voltar a Dresden e só com o Conrado (ele já topou  \o/ ).

Então, fico devendo um relato mais detalhado desse lugar maravilhoso, mas pelas fotos que tirei na pressa, já dá para ter uma ideia…

Olha só como a cidade ficou depois da guerra; dá vontade de chorar só de ver a foto...

O dia estava feio, mesmo assim a primavera deu as caras

Essas árvores lindas estavam por toda a cidade

Pena que nem pude entrar aí...

Parece velho, mas é novo. Inacreditável...

Lugar bom para sentar e ficar observando

Esses alemães são caprichosos no último

Muvuca de gente no feriado; mesmo assim, tem magia no ar

Capricharam mesmo na reconstrução do cenário

Quer ver mais fotos em tamanho maior? Clique aqui e vá lá no Flickr!

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5 abr 12

Antes de ter praticamente meu dia todo tragado por essa língua de bárbaros, nunca tinha pensado muito a respeito dos nomes e sobrenomes e seus significados traduzidos. Em português tem vários engraçados e em inglês a gente entende a maioria, mas agora comecei a prestar atenção nos nomes e sobrenomes alemães. Dá para se divertir um bocado, quer ver?

STERN (ex: joalheria H. Stern): estrela

Comentário: achei o nome muito apropriado para o tipo de negócio, você não?

STEIN (ex: a grande escritora Gertrude Stein): pedra

Comentário: também poderia ser uma joalheria, mas para escritora está adequado, pois a mulher era forte e tinha fama de durona.

DONNER (ex: Hans Donner, o designer da Globo): trovão

Comentário: pois é, o sujeito até não é fraco mesmo, considerando o poder dele na TV brasileira.

LAUS (ex: o escritor catarinense Harry Laus): piolho

Comentário: essa foi mal, heim?

BAUER (ex: Jack Bauer, protagonista da série 24 horas): camponês

Comentário: ele nem tem cara de caipira…

KLEE (ex: Paul Klee, o pintor): trevo (acho que de 3 folhas mesmo…)

Comentário: para um pintor, é bem poético.

ERNST (ex: Max Ernst, o pintor): sério, grave

Comentário: o sujeito inventou o movimento dadaísta, acho que de sério ele não tinha nada.

BART (ex: Bart Simpson, do seriado Os Simpsons): barba

Comentário: mas o Bart tem a cara limpa!

ALT (ex: Luís Alt, meu amigo design thinker da LiveWork): velho

Comentário: o Luís é um rapaz de trinta e poucos, e tem esse nome desde bebê…

SCHWARZENEGER (ex: Arnold Schwarzeneger): schwarz é preto e neger é negro

Comentário: Mas ele é branco!

BLITZ (ex: a famosa banda dos anos 80): relâmpago

Comentário: eles eram isso mesmo naquela época; davam choque!

BRAND (ex: como a megaempresa Future Brand e mais um montão de outras com brand no nome): incêndio

Comentário: as primeiras marcas eram gravadas a fogo. Literalmente.

BRAUN (ex: Eva Braun, a esposa de Hitler): marrom

Comentário: marrom era tudo o que essa mulher não era — e nem podia ser, com esse marido…

DICK (ex: Dick Tracy; gíria americana para os “amigos lá de baixo” dos homens, se é que me entendem): grosso, gordo, forte

Comentário: se eles dizem…

EISENBAHN (ex: cervejaria de Blumenau): estrada de ferro

Comentário: agora vê se toma esse trem…

FEIND (ex: tem uma loja de decoração em Floripa com esse nome): inimigo

Comentário: ainda bem que nunca comprei nada lá…

HERING (ex: marca de camisetas): sardinha, arenque

Comentário: descobriu agora porque a marca tem dois peixinhos?

JUNG (ex: Karl Gustav Jung, o psicanalista): jovem, novo

Comentário: as ideias dele até que eram bem novas para a época.

LADEN (ex: Bin Laden): loja

Comentário: sempre achei que Bin não era um bom nome para uma loja…

SCHRECK (ex: nome do ogro mais famoso do cinema): susto, medo

Comentário: ah, ele nem é tão feio assim…

SOLANGE (ex: você deve conhecer alguma): tanto tempo

Comentário: faz um tempo mesmo que não ouço falar em uma.

SPRITE (ex: aquele refrigerante): plural de álcool, gasolina, combustível

Comentário: ué, não era um refrigerante?

STRAUSS (ex: lembra aquele da valsa?): ramo de flores, avestruz

Comentário: flores até combinam com valsa, já avestruz…

KLEBER (ex: você deve conhecer algum): cola

Comentário: ah vá, os que eu conheci nem eram grudentos.

KLEIN (ex: a famosa marca de roupas): pequeno, diminuto

Comentário: gente, como é que eles conseguem vender cuecas com esse nome assim, tão, digamos, depreciativo? A maioria dos homens não sabe alemão, é a única explicação…

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2 abr 12

Uma voltinha por aí já rendeu imagens interessantes. Adoro essas surpresinhas, você não?

Véi, quebra o meu galho aí, vai? Só hoje...

Sério, cara, você tem que me ajudar....

Cada coisa que a gente é obrigado a ouvir...

As crianças gostam de tudo bem colorido...

Depois crescem e continuam gostando. Como não amar?

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2 abr 12

Então, o que eu queria dizer é que é difícil não se encantar com um lugar que muda tanto e tão rápido. Em dezembro, já era noite às 4 da tarde. Agora, o sol só vai embora perto das 8 da noite — e só se passaram 3 meses!

Essas fotos eu tirei da janela da minha sala de aula. A primeira, branquinha, é de meados de fevereiro. A segunda é de hoje de manhã; pouco mais de um mês depois e vejam só quaaaaanta diferença.

Podem me julgar e me chamar de boboca, mas juro que me dá até vontade de chorar quando vejo isso, viu?

Janela da sala de aula: 21 de fevereiro de 2012

Mesma janela: 2 de abril de 2012

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31 mar 12

Banqueta Carambola, de Sérgio Matos, no cantinho direito

Yes, fui na exposição de mobiliário brasileiro e só fiz foi ficar mais orgulhosa ainda da terrinha. Gente, que coisa linda!! A exposição está primorosa; além do trabalho sensacional de curadoria, está tudo organizadíssimo. Parte da mostra acontece no vão central do piso térreo do shopping Stilwerk Mall e parte na galeria Zeitlos, no terceiro andar do prédio.

E pra quem acha que o design brasileiro não tem identidade, reproduzo aqui o texto introdutório do catálogo (tradução livre): “Através de sua diversidade, irreverência, criatividade e sustentabilidade, o design brasileiro atual tem atingido um inequívoco reconhecimento externo (..)

Primeiro fiquei namorando as peças no vão central; ali estão as principais obras do design contemporâneo brasileiro (muitas eu só tinha visto em sites e revistas) de Brunno Jahara, Carlos Motta, Zanini de Zanine, Gerson Oliveira e Luciana Martins (já era fã desses dois desde a cadeira cubo, que também estava lá), Sérgio Matos (sim, as banquetas Carambola não podiam faltar), entre outros.

Depois subi e fui na galeria Zeitlos, que já conhecia de outra visita (esse shopping é aquele do cavalo). Essa loja-galeria só trabalha com objetos vintage assinados, o verdadeiro paraíso na terra para quem curte decoração. Muita coisa dos anos 40 e 50 em perfeito estado de conservação; peças únicas assinadas e restaurações irretocáveis. Em duas salas grandes estavam os ícones do design moderno brasileiro (anos 40 e 50): Oscar Niemeyer, Sérgio Rodrigues, Joaquim Tenreiro, Paulo Mendes da Rocha, entre outros. Para fechar, num canto separado, os convidados especiais: Irmãos Campana.

Cadeira "Tiras" de Ruy Teixeira

Cadeira Africa, de Rodrigo Almeida (liiiinda!!)

Mesa Ciranda, da dupla Gerson Oliveira e Luciana Martins (Divertida e intrigante, como tudo que esses dois fazem).

Cadeira Balão, de Sérgio Matos

Vista geral da mostra (a cadeira cubo é aquela azul lindona, lá no meio)

Aqui dá pra ver mais

O rapaz da galeria me recebeu muito bem, mas fiquei sem graça de pedir para fotografar, ainda mais com o telefone. Ele me deu um catálogo maravilhoso com texto introdutório da nada fraca Maria Helena Estrada (aquela da revista ArcDesign) e mais um DVD com as entrevistas dos 8 designers contemporâneos convidados. Olha aqui os links que você não pode deixar de visitar (e babar):

www.brazilianfurnituredesign.com (site ofical da mostra)

www.zeitlos-berlin.de (galeria organizadora da mostra)

www.stilwerk.de/berlin-haus.php (site do shopping; dá uma olhada no naipe das lojas)

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31 mar 12

Coisas que adoro nessa cidade: mobilidade, cultura e segurança. Mas também tem o charme do dia-a-dia, os detalhes que às vezes passam despercebidos pela pressa e as pequenas surpresas. Olha o que encontrei pela rua hoje de manhã…

Esses totens para colar cartazes sempre trazem surpresas; qualquer dia vou postar as mais legais

No ponto de ônibus tem: totem com os horários de todas as linhas; máquina para comprar bilhete e luminoso com a indicação de quanto falta para o próximo ônibus passar. Por que não tem isso em Floripa? Sério, um GPS no ônibus e um letreiro no ponto não custam tão caro! Com o salário anual de dois vereadores deve dar para equipar a cidade toda!

Adoro esses caminhinhos. Vou colecionar e postar os mais lindinhos aqui...

Estava com saudades desses peludos que estão em todos os lugares; esse, numa agência dos correios era especialmente fofo..

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30 mar 12

Apesar de ter perdido 5 horas por causa do fuso horário, estou feliz da vida de ter voltado para minha cidade do coração; não tinha me dado conta de como estava saudosa desse lugar.

Já fui andar na rua para dar uma volta e com o que me deparo? Cartazes convidando para a exposição de design brasileiro, bem aqui perto de casa. Os cartazes são lindos e estão por toda a cidade. Nesse final de semana vou visitar e depois conto (e mostro) como foi, tá? Aguardem!

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30 mar 12

Tem uma loja de departamentos gigante aqui perto de casa chamada KaDeWe (Kaufhaus des Westens ou Loja de Departamentos do Oeste; ela tem esse nome porque fica no oeste de Berlin, antigo lado ocidental na época do muro). Reza a lenda que é a maior loja de departamentos da Europa, o que eu não duvido, pois o negócio é gigante mesmo. O térreo inteiro é só de cosméticos e grifes famosas de luxo (são 5 andares; mais ou menos o tamanho de um shopping); cada marca tem sua ilha.

Pois a Kiehl’s é uma marca americana com produtos muito bons (e caros) e tem uma ilha lá. Mas gente, alguém me explica o garoto propaganda? Será que eles quiseram dar um caráter científico ou medicinal aos produtos? Olha, sério, juro que não entendi. Dá medo de comprar um produto de uma marca assim. E se a gente usar e ficar igual ao rapaz da foto?

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27 mar 12

O Emmanuel Dias é um querido que mora em Belo Horizonte e estuda Design Gráfico na Uni-BH. Pois no último semestre, ele tinha um desafio: criar formas que se encaixassem em cubos e que ainda virassem um quebra-cabeças. Pois o rapaz conseguiu criar 6 formas diferentes para montar os cubos e ainda fez com que formassem um painel sem sobrar peça nenhuma!

Mas agora vem a melhor parte: esse fofinho resolveu me dar o projeto de presente e usou imagens minhas e dos meus gatinhos para fazer o trabalho. Ele imprimiu, colou e recortou tudo à mão, olha só o capricho! Foram 3 meses de trabalho duro, com um resultado mais que perfeito (é impressionante como esse menino é meticuloso).

Nossa, imaginem só a surpresa ao receber uma caixinha de Sedex hoje de manhã com esse presente mais lindo. Fiquei bem comovida (acho que qualquer um ficaria). Esse rapaz é de uma gentileza e uma doçura que só faz bem a gente conviver. Sorte do Tio Flávio, que pode contar com o auxílio luxuoso do Emmanuel no seu trabalho todo dia. Quando eu falo que morro de amores por esses mineiros queridos, não é exagero não. Tomara que em outubro, quando voltar, possa ir lá comer pão de queijo com essa galera querida e dar um abraço apertado neles todos.

Olha, se o Emmanuel não tirou 10 com estrelinhas, juro que vou tirar satisfações com a professora, viu?

Brinquedo utilitário: isso é bom design!

O projeto veio com manual de instruções explicando as maneiras de encaixar as peças

Tem várias maneiras de montar

Surpresa: do outro lado dos gatinhos dá para montar um quebra-cabeças!

Obrigada, viu, Emmanuel? Adorei!!

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26 mar 12

Para o povo que acha que reality show é sinônimo de Big Brother (já deu né Bial?), olha só que ideia ótima vinda diretamente do Oriente Médio. Engenheiros e engenheiras de países como Síria, Egito, Kuwait, Líbano, Iraque e Tunísia  ficam confinados numa casa para inventarem coisas. Eles criam, testam, orientam, avaliam e até discutem política, veja só.

O objetivo do programa, chamado “Stars of Science” é encontrar os melhores inventores da região; há eliminação toda semana e os 4 últimos sobreviventes dividem o prêmio em dinheiro para começar um negócio e explorar comercialmente as respectivas invenções. Eles têm o livro do Alex Osterwalder (Business Model Generation) como referência inicial e os árabes estão vibrando com o concurso, que já está na quarta edição e rendeu invenções revolucionárias.

Bom, caso alguém tenha se esquecido, os árabes lideraram a matemática, a física e a química por vários séculos; não é à toa que, em vez de algarismos romanos, nós ocidentais usamos algarismos arábicos; os caras não são fracos já faz muito tempo.

Eu se fosse a Globo começava a prestar mais atenção nesse negócio. Já pensou se em vez de sonhar em posar para a Playboy ou G Magazine nossos jovens aspirantes à fama começassem a querem ser engenheiros, designers, matemáticos ou físicos? Não apenas a educação do país e o desenvolvimento tecnológico do país sairiam ganhando, como a programação da TV ficaria mais divertida. Fica a dica.

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Fiquei sabendo pelo ótimo Mosca Branca, onde tem um link para uma reportagem na Wired e um vídeo no Youtube.

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