Arquivo de ‘arquitetura’

14 mai

A estação de metrô que a gente vai conhecer hoje é a Franz-Neumann-Platz (Am Schäfersee) que pertence à linha U8.

Ela foi inaugurada em 1987 foi construída pelo arquiteto queridinho das estações de metrô em Berlin, R.G.Rümmler (ele também fez a Lindauer Allee, a Rohrdamm e a Jungfernheide que já mostrei aqui, entre outras belezuras).

O nome original era Schäfersee (nome de um lago que fica bem pertinho e é o principal ponto de referência), mas aqui também rolam interesses políticos; alguns anos depois o nome foi mudado para Franz Neumann, o então presidente de um dos principais partidos daqui, o SPD.

Agora desfrutem dessa estação charmosa e vintage

12 mai

Lá pelos idos de 1350, o rei Carlos IV, chefão do sacro império romano-germânico, estava dando umas bandas pela região da antiga boemia quando se deparou com um lugar cheio de fontes termais. Sabe-se lá de onde ele tirou a ideia de que aquelas águas eram curativas e resolveu fundar uma cidade para poder melhor desfrutar dos vários benefícios líquidos.

Humilde como sói aos imperadores serem, o tiozinho se auto-homenageou chamando a cidade de Karlsbad (Termas ou banhos termais de Carlos, em alemão), ou Karlovy-Vary, na versão tcheca.

Se o rei falou está falado, de maneira que todos os nobres da Europa passaram a ter residências lá, cada uma mais linda que a outra. Com os séculos, a cidade sofreu incêndios que destruíram bastante coisa, mas por conta de sua condição de cidade-hospital (as pessoas iam lá para se tratar e curar de doenças diversas), até que foi relativamente poupada durante os bombardeios nas guerras.

Hoje, é a cidade da República Tcheca com o  maior número de Spas (são muitos mesmo, praticamente um em cada esquina). Pensei que o negócio funcionasse mais ou menos como em Budapeste, onde você pagava um valor e podia passar algumas horas murchando em águas abençoadas nos muitos banhos públicos, mas em Karlovy-Vary o esquema é outro. As várias fontes espalhadas pela cidade servem para que as pessoas encham suas canequinhas (vendidas em lojinhas para turistas) e saiam caminhando e bebendo água quente enquanto enchem os olhos de beleza. Os Spas oferecem basicamente massagens e banheiras com águas de fontes diferentes, então não rola ir só tomar um banho.

Aliás, olha uma curiosidade: a palavra Spa significa tratamento à base de águas termais, também conhecida como balneoterapia. O nome vem da cidade belga Spa (na época dos romanos, era chamada Aquae Spadanae), onde esse tipo de tratamento começou.

Bom, a questão é que fomos até lá por sugestão da Rosana Conte e do Rogério Abreu. Fiz a lição de casa e dei uma estudada antes, mas nada me preparou para a beleza que é esse lugar, minha gente; de maneira alguma as coisas que a gente encontra na internet fazem jus a essa joia de cidade. Montanhosa e cortada por bosques e rios, a arquitetura parece uma volta ao tempo.

Pena que durante o período em que a República Tcheca ficou atrás da cortina de ferro sob o domínio da ex-URSS, os arquitetos caolhos do regime socialista andaram construindo uns monstrengos no lugar, daqueles que chega a doer os olhos de tão feios e destoantes do cenário. E dá-lhe caixotes de concreto com vidro fumê amarelo (arghhhh!!!). Por causa desse período histórico, além do tcheco e do inglês, muitas pessoas falam bem alemão e russo (aliás, é impressionante a quantidade de turistas russos endinheirados).

Minha próxima tarefa é reassistir Casino Royale (James Bond), que foi filmado lá.

Mas agora vamos ao que interessa: a festa para os olhos!!!

A maioria das construções, como essa, é dos séculos XVI a XVIII

Pena que os períodos com luz boa para fotos foram poucos (choveu demais)

A cidade é uma teteia :)

Povo coloridíssimo!

Construções maravilhosas.

Jantar mais que especial...

As cerejeiras bombando de tão lindas

Esse é o hotel mais caro e suntuoso, onde foi filmado o Casino Royale

Eu não sabia para onde olhar...

Olha isso, minha gente!

As igrejas ortodoxas russas são sempre maravilhosas...

Show de telhados...

Como não se encantar?

Olha as cores dessas árvores!

Lindeza, né? Quer ver mais? Clique aqui e vá direto no Flickr.

6 mai

A estação Zoologischer Garten não tem esse nome à toa; ela fica bem ao lado do zoológico de Berlin (mas do lado oriental tem outro; nessa cidade é tudo duplicado…rsrsrs), bem onde morava aquele ursinho polar fofo e rejeitado, o Knut. O zoológico é bacana, vale a pena visitar (fiz até um vídeo sobre ele; para ver é só clicar aqui), mas hoje vamos falar da estação de trem.

Construída em 1882, ela hoje conta com 2 linhas de metrô (U-Bahn), 3 linhas de trens urbanos (S-Bahn) e várias linhas regionais. O lugar é famoso por vários motivos: inspirou uma música da banda irlandesa U2 chamada Zoo Station que deu origem o álbum Zooropa; foi lá que a Cristhiane F., 13 anos, drogada e prostituída passou a maior parte do tempo que descreve no livro que virou a bíblia dos jovens dos anos 80; foi tema de músicas para Nina Hagen, Scorpions, Alphaville, The sisters of mercy, entre outras bandas.

Ela fica bem ao ladinho do Museu de Fotografia Helmut Newton, que fica num prédio maravilhoso. Enfim, um lugar histórico que a pessoa tem que ir quando visita Berlin. A linha de metrô U-2 não chama atenção por nada, é bem convencional mesmo, mas o túnel da U-9 é uma graça, cheia de bichinhos gordinhos (parecem aqueles desenhos que os homens pré-históricos desenhavam nas paredes das cavernas).

Dá só uma olhada na fofura!

4 mai

Olha só as duas obras que vi hoje; não são sensacionais?

Não tem como a pessoa passar e não notar, o trabalho é muito bem feito. Fotografia impressa em grande formato e colada em paredes externas causam um impacto profundo na paisagem da cidade; o efeito é incrível!

E você, gostou?

1 mai

Lembro até hoje da primeira vez que, de dentro de um trem, avistei um Kleingartenverein (também conhecido como Schrebergarten). Era final de outono e o lugar parecida uma favela; um terrenão cheio de tralhas e construções estranhas. Aliás, eram vários lotezinhos com barracos de madeira, sempre separados por cercas e com muito mato em volta.

Ué, mas na Alemanha tem favela?

Não se preocupe, não tem não.

Aquelas “comunidades” não eram de fato favelas. Mas olha só que curioso (sei lá porque ninguém fala a esse respeito, já que a ideia é tão sensacional): os alemães são tão apaixonados por jardinagem que eles arrendam lotes na perferia das cidades só para poder cultivar suas próprias flores, já que a maioria mora em apartamentos pequenos. Não é lindo?

A ideia surgiu na época da revolução industrial, quando a vida dos operários era realmente miserável. Além de morarem em pulgueiros e trabalharem demais, os pobres comiam muita porcaria. Foi aí que um médico da cidade de Leipzig, o Dr. Daniel Schreber teve a ideia de pegar um terreno grande e separar em lotes (numerados, claro, estamos falando da Alemanha..rsrsr). Ele organizou uma espécie de comunidade e incentivou cada operário a plantar sua própria comida e flores (que, na cultura alemã, são quase tão importantes quanto).

Além de relaxar trabalhando com a terra e plantando suas próprias sementes, a alimentação também ficou mais saudável. Os terrenos são bem pequenininhos (é para não caber uma casa mesmo, pois a ideia não é essa); então eles têm no máximo uma cabana ou rancho para guardar ferramentas, insumos e cadeiras de sol. Os ranchos também são necessários para instalar pias ou tanques para as tarefas de plantar e regar. O capricho é tamanho que alguns terrenos têm chalezinhos que parecem de brinquedo, de tão bonitinhos.

No inverno o lugar é feio, claro, cheio de barraquinhas e apetrechos diversos de jardinagem (por isso achei que fosse um tipo de favela). Mas na primavera, tudo se transforma. As lojas ficam cheias de ofertas de ferramentas, sementes e vasos; parece que fazem concurso para ver quem faz o jardim mais lindo.

Aliás, lindo não, idílico. Suspeito que, no fundo, os alemães são muito românticos no sentido de ter uma vida de contos de fadas. Observando esses jardins, dá para ver duendes, princesas, bichinhos diversos, flores para todos os lados e arranjos caprichados. A impressão é que cada um constroi seu próprio mundo de fantasia particular e se entrega aos detalhes do fundo do coração, como se estivesse brincando de casinha. Deve funcionar como uma espécie de refúgio perfeito para escapar dos problemas.

As famílias vão todo final de semana e as crianças adoram. Olha só; não é uma ótima ideia para desestressar esse povo das grandes cidades brasileiras?

Pena que se os governos já são pão-duros para construir praças e áreas verdes, imagina ter um terreno enorme só para as pessoas plantarem suas flores…

Mas não custa sonhar, né? Tirando os duendes, os bichos de cimento e os anões de jardim, o resto é muito lindo; dá só uma reparada…

Quer ver mais fotos? O álbum completo está aqui, no Flickr.

30 abr

O nome da estação de metrô da vez é Lindauer Allee e esse nome não é à toa não; é a estação mais linda que já vi em Berlin.

O lugar foi projetado por R.G.Rümmler em 1994 (até que nem é muito antiguinha, tem pouco mais de 20 anos). Repare bem nessas flores, portas, luminárias e escadas maravilhosas.

Agora olha bem as fotos e fala a verdade; essa belezura não merecia fama mundial?

25 abr

Hoje fui até a minha nova escola (sim, mudei de novo para encaixar datas e mesmo assim já perdi duas semanas de aula porque estava no Brasil) e me deparei com essa fachada incrível!

Essa é nova, pois já tinha passado pela August Straße (adoro!) várias vezes e não tinha visto a obra. O artista criou um emaranhado de rabos de macacos com vários deles subindo pela fachada. Pena que é muito difícil de fotografar alguma coisa assim sem uma objetiva de respeito. O ideal seria arrumar uma janela no prédio em frente, para melhorar o ângulo.

Mesmo da calçada, já dá para ter uma ideia do impacto visual. Só em Berlin mesmo… :)

Se a pessoa passar distraída, nem repara...

Mas chegando mais pertinho... surpresa!

A macacada parece estar se divertindo!

Adorei o resultado!

Uma macarronada de rabos muito original...

24 abr

Continuando meu delírio visual por Ouro Preto (veja mais aqui e aqui), segue agora a sessão de fechaduras e maçanetas nas portas coloridas da cidade.

24 abr

Flanando pelas ladeiras de Ouro Preto, percebi que as portas revelavam muitos segredos. Cheias de cores e de histórias, pensei que seria mais interessante registrá-las em partes para que os detalhes esculpidos pelo tempo fiquem mais visíveis.

Primeiro, a parte onde ninguém nunca olha e sempre pisa. Olha que delícia de comidinha para os olhos…

A segunda parte está aqui.

24 abr

Meu parceiro em Belo Horizonte, o querido Diego Trávez, me deu um presentão no domingo passado: levou-me para almoçar na belíssima Ouro Preto.

O dia estava nublado dentro e fora de mim (meu irmão continua em coma, não tem como não ficar triste), mas o lugar é lindo demais (sem falar na comida deliciosa). As fotos que consegui tirar com o telefone não fizeram jus à toda a delicadeza dessa cidade tão rica de cores e história, de maneira que terei que voltar lá com uma máquina fotográfica de verdade e, de preferência, num dia bem ensolarado.

Por ora, só uma amostra para dar vontade de voltar…

Adorei a menininha dançando lá embaixo...

Tem mais Ouro Preto aqui e aqui.

11 abr

Estou cheia de ideias para escrever, mas por conta da doença do meu irmão e meus dias serem quase todos no hospital, acabo não conseguindo. Então achei essas imagens aqui e resolvi compartilhar.

Essa casa linda que aparece na foto é a Literaturhaus de Berlin, onde escritores de vários gêneros se reúnem para falar, é claro, sobre literatura. Ainda não sei bem como funciona, mas penso que é tipo uma Academia de Letras. Quase todo dia tem programação e há um auditório onde escritores falam de suas obras por um ingresso quase simbólico. A construção é de 1889 e foi residência de um capitão de corveta que depois virou deputado (foi um dos primeiros alemães a chegar no polo norte, Herr Richard Hildebrandt).

Na mesma casa, funciona uma pequena livraria especializada em literatura e o Wintergarten Café; tem uma sala de vidro, logo na entrada, e depois salas com pés direito bem altos (adoro). É lá que faço tandem uma vez por semana com a Renate; conversamos uma hora em português e depois uma hora em alemão. Tem lugar mais inspirador?

Agora é só curtir as fotos e se imaginar tomando um chocolate quente enquanto curte esse ambiente lindo…

Ainda vou descobrir o artista que pintou esses quadros. São lindos!!

7 abr

A estação de metrô em Berlin que vamos visitar hoje é a Turmstrasse, no bairro de Moabit. Construída em 1961, foi toda decorada pelo artista B.Grimmek, com árvores e animais silvestres. Olha só que linda…

25 mar

Se tem uma coisa que eu amo fazer é me perder pela cidade. Desço numa estação de metrô aleatória (ou ponto de ônibus) e fico explorando os arredores. Pois hoje desci na estação Hallesches Tor, onde tinha que fazer uma conexão e comecei a flanar para aproveitar o solzinho (apesar do frio de -6 °C).

Fui me metendo pelas ruas e acabei entrando num condomínio simples que tinha tudo para ser um tédio. Mas acontece que o pessoal que participa da reunião de condomínio parece ser mais arejado das ideias e resolveu apostar num grafiteiro (quem sabe ele até mora lá).

Prepare seus olhinhos para a festa. Lá vai!!!

Quer ver mais? Eu surtei e fiz um álbum inteiro só para esse lugar. Clique aqui e vá no Flickr!

18 mar

Uma coisa que tenho reparado é que as grandes marcas criam vitrines em escala industrial; o artista cria o projeto e ele é replicado em todas as lojas da rede. Digo isso porque aqui em Berlin tem pelo menos duas lojas grandes da Louis Vuitton com vitrines iguais e vi mais uma parecida quando estive em Nuremberg.

Para essa coleção, eles cromaram máquinas de escrever antigas, daquelas portáteis (ficaram lindas) e usaram um material mais duro (acho que são folhas de metal cromadas e adesivadas) para fazer as folhas de papel. Achei que o resultado ficou sensacional. E você?

13 mar

Olha, toda cidade que tem água (mar, rio ou lago) sempre sai bem na foto quando rola um pôr-do-sol espetacular como o de hoje. Mas quando além de água a cidade em questão ainda tem bosque, castelo e neve… bom, aí fica muito difícil manter os olhos secos.

O azul de hoje me inspirou a ir ver o crepúsculo lá do bosque do Castelo de Charlotenburg; estava tão, mas tão lindo, que deu até vontade de chorar. Como pode ter tanta beleza assim no mundo?

Está certo que minha mão endureceu e quase congelou de tirar fotos, mas, né? Valeu demais.

Como não sou gulosa, vou compartilhar aqui um pouquinho com vocês.

Quer ver as fotos numa definição melhor? Clique aqui e vá direto para o Flickr.

7 mar

Quando andei de metrô por Nuremberg, o trem passou por uma estação que me deixou tão impressionada que tive que descer para fotografar. À primeira vista, parecia uma caverna; depois olhei melhor e vi uma mandala gigante, parecida com aqueles sóis astecas. Mas o mais curioso é que a estação leva o nome da igreja que está em cima dela, a Lorenzkirche.

Coisa mais eclética, né não?

Sinistra, misteriosa, mas encantadora, no final das contas. E você, o que achou?

3 mar

É triste, é revoltante, é de se indignar.

A East Side Gallery, à beira do rio Spree, um pedaço original de 1,3 km do muro de Berlin, sobrevivente do desmonte e plataforma para 106 artistas do mundo inteiro celebrarem a liberdade, está com sua integridade física ameaçada. O projeto, de 1990, é considerado a maior galeria de arte a céu aberto do mundo.

Na verdade, era.

Uma incorporadora resolveu construir um condomínio de luxo bem atrás do muro (com vista para o rio) e simplesmente vai derrubar 23 metros dele. As autoridades fingiram-se de mortas, os artistas sequer foram avisados e as máquinas invadiram o local dia primeiro de março, sexta-feira. Uma grande manifestação aconteceu no local e os moradores não se conformam (não é para menos).

Chega a ser surreal de tão absurdo; um patrimônio da humanidade, um museu tão importante ser desrespeitado dessa maneira. Estamos, infelizmente, meio que acostumados com comportamentos assim no Brasil, mas, pelo jeito, “a força da grana que ergue e destrói coisas belas” é inexorável em qualquer lugar do mundo. Daqui a pouco alguém vai dizer que o Portão de Brandemburgo está ocupando uma área nobre e pedir para derrubá-lo também. Só falta.

Hoje foram 6 mil pessoas protestar contra tal barbaridade; estive lá e constatei: os policiais, que deviam estar a postos para proteger essa herança cultural, estão servindo de leões de chácara para a tal empreiteira para garantir a destruição sem a interferência de manifestantes. Olha, é de dar vergonha mesmo.

Bem escreveu um jornalista do Der Tagesspiegel: isso é o resultado da atuação de empreiteiros grandes e políticos pequenos.

Políticos minúsculos, eu diria.

Bom, passei a tarde de sábado documentando todas as obras, uma a uma, pois não sei por quanto tempo ainda continuarão lá. É um prato cheio para criativos, mas é também minha contribuição para as pessoas se darem conta do que estão jogando fora…

Para visitar a galeria pelos meus olhos, vá ao álbum no Flickr clicando aqui.

E chore.

Policial do lado errado da força

Sexta-feira só conseguiram derrubar esse pedaço

Dias contados...

Está faltando amor no mundo

Se prestassem atenção nas mensagem dos artistas, não cometeriam essa atrocidade

Veja todas as obras da galeria clicando aqui.

1 mar

Das Ehekarussel” (carrossel do casal) é um chafariz que foi encomendado em 1977 pela prefeitura de Nuremberg ao artista Jürgen Weber. A ideia era decorar o centro histórico com uma obra exclusiva do reconhecido escultor, que trabalhou por anos e inaugurou a alegoria em 1984.

Olha. Foi um choque para os cidadãos nurembergenses.

O chafariz ilustra as fases do casamento e acho que o tal Weber não teve uma experiência muito feliz não. Todo mundo achou, não fui só eu. A reclamação foi geral, mas agora, fazer o quê? Virou ponto turístico, claro.

Acompanhem essa linda história de amor, passo a passo…

(Taí a obra bem no meio da praça)

(Um pouco mais de perto; não é propriamente uma beleza, né?)

***

1) Primeira fase: a moça mostra o cofrinho para ver se pega alguém.

(Um cofrinho tão caprichado que chega a empoçar água)

***

2) Segunda fase: Ôpa, tem um rapaz interessado.

(O moço parece ter dotes musicais, mas o bode não aprecia)

***

3) Terceira fase: ah, como o amor é lindo…

(Beijinhos e carinhos, mas tem fim)

***

4) Quarta fase: eles se casam e ela vira prisioneira do vilão malvado.

(A "louca" com esse cabelinho cheio de bobs...hummm...sei não....)

***

5) Quinta fase: a mulher fica deprimida, come como uma porca e engorda muito. O marido se desespera.

(Que esganada!)

(Repara na falta de modos da ogra...)

***

6) Fase seis: eles só não se separam por causa das crianças, que deixam os dois desnorteados (devem ser uns anjinhos).

(O pai parece que está estudando uma maneira de aprender a voar)

***

7) Fase sete: a mulher não aguenta mais e a relação se desgasta. Final trágico.

(Sujeito romântico e de bem com a vida esse artista, heim?)

E aí, curtiu?

***

NOTA: Para monumentos assim, a prefeitura devia impedir placas de propaganda em volta. Elas arruinam qualquer tentativa decente de enquadramento, que coisa!

1 mar

Como contei no post anterior, Nuremberg foi reduzida a 10 milhões de toneladas de escombros depois da segunda guerra mundial. Os aliados não perdoaram mesmo, pois a cidade era a queridinha do maluco do bigode.

Na verdade, em 1945, quando terminou a guerra, o país inteiro era só caco de telha, tijolo quebrado e um monte de gente morta ou traumatizada, mas a vida precisava continuar. Aí, estudando o que sobrou, os aliados repararam que em Nuremberg havia uma área, fora do centro histórico, que tinha sobrevivido; era o prédio do palácio da justiça, anexo a um complexo penitenciário.

Os crimes e atrocidades cometidos pelos nazistas precisavam ser julgados e os culpados, punidos; para isso, era necessário um grandioso julgamento militar internacional.

O lugar caiu como uma luva, pois além de ter a estrutura necessária para comportar um evento desse porte, também simbolizava a remissão da cidade, antes tão importante para o Nacional Socialismo (nazismo é a redução do termo Nationalsozialismus, nome do partido que originou todo o horror).

Palácio da Justiça

Essa porta tem história para contar

Para chegar lá, foi preciso pegar o metrô para o tal bairro (com o crescimento da cidade, hoje ele nem parece tão afastado). O palácio da justiça ainda funciona como fórum, com advogados, juízes e promotores entrando e saindo com pilhas de papel o tempo todo. Mas o prédio ao lado, cenário do famoso Tribunal de Nuremberg, virou um memorial aberto ao público.

Só tive azar porque a sala do tribunal, normalmente aberta à visitação, estava fechada por conta de uma manutenção no sistema elétrico. Mas a exposição no andar superior é uma verdadeira aula de história. Para quem estuda direito ou gosta de filmes de julgamento, é a glória. Eles explicam como tudo aconteceu, as posições de cada função dentro da sala, as fotos, os vídeos, os réus e as acusações, as penas, as provas, as testemunhas. Enfim, não tem como não se impressionar.

Só a questão logística foi uma coisa impressionante: porque os trabalhos tinham que ser realizados em 4 línguas diferentes (era um tribunal internacional e as partes interessadas falavam inglês, francês, alemão e russo) foram necessários nada menos que 350 intérpretes, que se revezavam no exaustivo trabalho. Foi a primeira vez na história que se usou tradução simultânea nessa escala (antes, a pessoa falava uma frase inteira, dava uma pausa e só então o tradutor falava).

Exposição do memorial

Os advogados de defesa eram tantos que tiveram que construir bancos adicionais (nada confortáveis) para acomodar todo mundo. Na sala ainda havia os juízes, os promotores, os réus, as testemunhas, os fotógrafos, as estenógrafas, os jornalistas e ainda os observadores (além dos intérpretes). Olha, não sei como coube tudo, pois o prédio nem era tão grande.

Bancos construídos em cima da hora para acomodar os advogados de defesa

Prédio onde aconteceu o julgamento

Os trabalhos duraram um ano (novembro de 1945 a outubro de 1946) e o tribunal militar internacional julgou 22 réus, dos quais apenas 12 foram condenados à morte (3 foram absolvidos e os outros tiveram penas de prisão variadas). Os 3 cabeças do negócio, Hitler, Goebbels (Ministro da Propaganda) e Himmler (Chefe da Polícia SS), covardões que eram, suicidaram-se antes.

No final da exposição, tem uma parte bem triste. Eles mostram em cada país do mundo, quantas pessoas morreram em conflitos militares depois de 1945 (e ainda continuam morrendo até hoje). No Brasil foram contabilizados 2.000 durante a ditadura militar e as guerras na África, Bálcãs e Oriente Médio trazem números mais assustadores. Olha, dá vontade de pedir para o mundo parar e descer correndo.

Será que as pessoas não aprendem?

1 mar

Aproveitei que o Conrado tinha uma feira em Nuremberg e fui conhecer a cidade. É engraçado como agora me sinto em casa em qualquer lugar da Alemanha (mesmo a quase 500 km de Berlin). Consigo pedir informações (e até dá-las!) e me localizo com facilidade (turista ninja, yeahhhh!).

A feira ficava num local afastado da cidade, perto de onde era a central de comícios do Hitler (o megalomaníaco construiu um complexo que hoje virou um centro de documentação histórica).

Antigo centro de comícios nazista, hoje centro de documentação

Dali foi só descobrir o metrô para ir até a cidade e começar a diversão. Está certo que, como o tempo era curto (24 horas), tive que me preparar mais. Pesquisei um pouco da história e selecionei os principais locais que queria visitar; sem isso, perderia um monte de coisas interessantes e não ia entender direito o que estava vendo.

São Pedro não colaborou muito e o tempo estava bem feinho (luz péssima para fotos), mas a beleza da cidade compensou tudo. Só deu para visitar um museu (o Memorial do Tribunal de Nuremberg), mas isso vai ganhar um post separado. Tem uma fonte bizarra que também vai merecer notícias à parte, além das várias curiosidades com as quais esbarrei no caminho, enquanto me perdia pelas ruelas medievais.

Mas vamos lá: Nuremberg tem mais de 1000 anos e a cidade antiga ainda é toda fortificada, isto é, ainda tem os muros, as torres e os fossos que a protegem. Hitler escolheu o lugar como a sede dos seus comícios onde insuflava a juventude nazista no ódio contra judeus, negros e homossexuais. A estação de trem (que hoje tem conexão com o metrô) carrega um fardo triste: foi onde mais judeus foram embarcados para campos de concentração ou deportados. Teve um dia que foram mais de 1000 num embarque só (nossa, só de imaginar a cena já me dá arrepios).

Durante a guerra, Nuremberg foi praticamente toda destruída (é assustador ver as fotos). O estrago foi tão grande que chegou-se a aventar a possibilidade de abandonar o local e reconstruir a cidade em outro lugar. Mas o povo daqui não é fraco não; por fim, decidiram dar um fim nas 10 milhões de toneladas de escombros e reconstruir o centro histórico exatamente como era, em cada mínimo detalhe.

Na cidade antiga, além das várias igrejas (menção especial para a Frauenkirche, ou a Igreja de Nossa Senhora, construída entre 1352 e 1358) e prédios históricos, ainda tem um castelo que fica bem no alto (a vista é linda). O Kaisenburg, como é chamado, foi construído sobre um bloco de arenito maciço (Nürnberg, em alemão antigo, significa monte rochoso). E ainda tem a Schöner Brunnen, que é um obelisco de 19 m com figuras religiosas (o que tem lá é uma réplica, pois  o original, de 1385, virou pó de ki-suco durante os ataques).

Outra curiosidade sobre a cidade é que ela abriga a maior proporção de imigrantes na Alemanha: são cerca de 18% de estrangeiros morando lá (a média alemã é 8%; Berlin tem 10%). Além dos turcos, a maioria vem da União Europeia mesmo, ou então da Rússia e países eslavos.

Mas vamos ver um pouquinho desse lugar lindo e tão cheio de lembranças tristes.

Essa feira fica na praça central do antigo mercado (mercado, na idade média, era o lugar onde se fazia feira). Em dezembro a praça é conhecida por abrigar a mais bela e tradicional feira de natal da Alemanha.

Esse mendigo mantinha o peito aquecido com seu companheiro peludo e fofo.

Barraca de flores na praça do mercado; ao fundo dá para ver a Schöner Brunnen, toda dourada.

Aqui dá para ver a Frauenkirche, belíssima e assutadora (as igrejas góticas são sempre muito misteriosas).

Detalhes da Schöner Brunnen (que significa fonte bonita).

Mais uma vista da praça do mercado e da Frauenkirche

Esquina linda na entrada do castelo

Vista de cima do castelo

Telhadinhos mais lindos (tem até fumacinha saindo das chaminés)

A arquitetura bávara aqui é bem típica (em Berlin não tem casas assim; no norte é diferente)

Essa amarelinha é a minha preferida

Tinha bastante desses santos nas esquinas das casas (gostei mais desse por causa do cachorro fofo)

O rio Pegnitz, que corta o centro histórico, é um afluente do Reno

Mais uma vista do rio Pegnitz

Esse aqui é o Trödel markt, que fica numa ilha bem pequena no meio do rio.

Pelas ruas da cidade

Criançada jogando bola no pátio do Neue Museum

Quer ver mais fotos? Então clique aqui e vá no álbum do Flickr!