Arquivo de ‘cinema’

16 abr

Li “Beat the reaper” (Josh Bazell) por indicação do Conrado, que tinha gostado muito. Traduzir o título é bem difícil; coloquei “correndo da morte” para capturar o sentido de desafiá-la e tentar ganhar dela, mas não cabe como tradução literal. Agora, dando uma pesquisada, vi que eles traduziram para o português como “Sinuca de bico”. Apesar de não ter nada a ver com o título original, até que consegue traduzir bem o espírito da história.

O protagonista vive uma história complicada e muito bem urdida; filho de pai americano de ascendência germânica e mãe hippie (ele nasceu em um ashram na Índia), foi criado pelos avós judeus, assassinados quando ele tinha apenas 14 anos.

Por conta de vingar a morte deles, Peter Brown (um dos seus vários nomes), torna-se um especialista em artes marciais, envolve-se com a máfia, apaixona-se por uma música romena, acaba tornando-se médico e vive uma vida agitadíssima e perigosa. A história principal se passa num hospital onde ele faz sua residência médica e onde a morte corre atrás dele para pegá-lo na forma de mafiosos mal-intencionados. O mocinho precisa salvar um dos pacientes, a própria pele e ainda lutar contra o cansaço extenuante de quem está há tantas horas de plantão que só consegue manter os olhos abertos por conta de drogas. Adrenalina pura.

Para mim, a parte mais emocionante nem é de ação; é quando ele vai visitar o campo de concentração em Auschwitz, na Polônia, para descobrir a verdadeira história dos seus avós (um dia ainda hei de reunir forças para ir até lá).

Pelo que pesquisei, a bem urdida trama já virou um filme protagonizado por Leonardo Di Capprio, mas ainda não assisti.

Fica a dica.

25 jan

Em Berlin, como não tem Igreja Universal, ainda há muitos cinemas de rua (ainda vou fazer um post aqui só sobre eles). Outra coisa interessante é que vários ainda utilizam o sistema de cartazes em forma de tela na fachada para fazer propaganda dos filmes. É justamente esse o caso do Cinema Paris, aqui perto de casa. Eles usam telas gigantes e estavam fazendo a troca bem na hora que eu passei.

Como resistir ao desejo de acompanhar atentamente o desenrolar da tarefa?

Não faço a menor ideia, por isso não tive outra escolha a não ser parar e ficar observando, fascinada. A coisa toda levou uns 20 minutos e quase perdi os dedos por congelamento enquanto observava e fotografava (-8 °C não é mole não), mas acho que algumas cenas ficaram bem interessantes.

Dá uma olhada.

Essa foto é do ano passado, mas acho que esse carro combina tão bem...

28 nov

No voo do Brasil para casa acabei assistindo “Brave” (não sei como ficou traduzido na versão em português) depois de desistir do chatíssimo TED. A história da princesa Merida, uma ruiva voluntariosa que preza sua liberdade acima de tudo, joga por terra todos os clichês em torno de histórias de princesas.

Olha, estou gostando mesmo do que estão fazendo com as histórias infantis; vejo uma luz no fim do túnel para mudar a visão que as meninas têm do mundo estereotipado dos contos de fadas.

Começou com Schrek, onde a princesa Fiona é uma ogra gordinha e charmosa. Depois teve a Herminone, do Harry Potter, a menina mais inteligente da escola. Agora vem a Merida e mostra que ninguém precisa de príncipe encantado para ser feliz (até porque, no caso da moça, a oferta não era das mais tentadoras…).

A história trata principalmente da relação entre a princesa, que não quer casar, e a rainha, que acha que princesas precisam cumprir alguns deveres. A mocinha é impetuosa e inconsequente, como convém à sua idade, e acaba cometendo um erro que transforma sua mãe numa ursa enorme (sendo que seu pai é conhecido como “Rei dos  Ursos” por caçá-los e matá-los todos).

O bom é que as duas conseguem ver que ambas têm razão em alguns pontos; se não soubesse bordar, Merida não teria como remendar o painel que rasgou num acesso de raiva e que é vital para salvar sua mãe. Por outro lado, a mãe aprende que nem todas as princesas são iguais e que ser livre também pode ser muito bom.

O final é feliz, apesar de não ser aquele esperado nas historinhas infantis, ou justamente por isso.

Se você tem uma filha, assista com ela. Ou então convide sua mãe para ver.

Eu não preciso porque minha mãe já tem um certo espírito de Merida…rsrsrsrs

29 out

Lembrei de mais uma dica de cinema; assisti “Medianeras” no voo para o Brasil. Gente, que coisa mais linda, poética e interessante!

Além de mostrar Buenos Aires sob um ponto de vista bem original (os projetos arquitetônicos menos glamourosos), fala da relação entre um casal que ainda não se conhece, mas que compartilha das mesmas inseguranças num país onde a economia está em frangalhos: um webdesigner e uma arquiteta que ganha a vida como vitrinista. A iluminação escura dá um tom intimista; a fotografia é linda e os atores são brilhantes. O filme explora também a solidão na era virtual num roteiro despretensioso, mas cheio de humor e sensibilidade.

Vai lá!

28 out

Ôba, cheguei nessa terra quentinha, já comi um monte de coisas deliciosas que só tem aqui (gente, como a nossa comida é farta, rica e maravilhosa), afofei os gatículos e fiz uma coisa que é um pouco complicado de fazer em Berlin: fui ao cinema.

O filme da vez foi “Os intocáveis” e recomendo demais. Uma história linda e divertida sobre uma amizade muito especial, entre um sujeito tetraplégico cultíssimo, sensível e muito rico e um negro lindíssimo, com um sorriso irresistível, mas meio perdido na vida.

O rapaz ganha o emprego de cuidador do milionário justamente porque não o trata como um pobre coitado infeliz e inválido. Ele debocha, faz piada e provoca o tempo todo, sempre armado de um sorrisão que não tem como não amar.

O resultado é uma amizade linda e uma história engraçada e doce ao mesmo tempo, sem pieguismos e chatices. O mais bacana é que a história é real.

Vai lá e assiste o filme; certeza que você vai gostar!

9 out

Faz algumas semanas visitei o Museum für Film und Fernsehen, que fica na Potsdamer Platz (qualquer dia falo sobre esse lugar bem especial na história da cidade). O museu ocupa o terceiro e o quarto andares de um prédio comercial e não é muito grande. Ele conta basicamente a história (com ênfase na fase áurea) do cinema alemão e alguma coisa sobre a televisão também.

Teve uma época, nos anos 20 e 30, que a coisa aqui floresceu bastante. Metrópolis, um dos filmes de ficção científica mais antológicos da história, é de 1927. Dirigido por Fritz Lang, o enredo baseia-se numa distopia (já falei sobre esse termo aqui). Nos anos 30 quem brilhou foi a berlinense Marlene Dietrich, que das telas do cinema mudo foi direto para Hollywood (se ficasse por aqui teria que aturar o Hitler, aí já viu, né?). Lá têm os figurinos, partes de cenários e fotografias do estúdio; cinéfilos vão amar.

Mas uma das coisas que mais gostei mesmo foi a primeira sala do museu: coberta de espelhos, dá a ilusão de infinito e reprodução perpétua da imagem.

Vem dar uma voltinha comigo (consegui tirar umas fotos escondida)!

Vídeos por todos os lados

A tal sala de espelhos

É pra pirar o cabeção...eheheh

Como não se sentir uma criança em um mundo mágico?

É nois (literalmente)!

Algumas divas

Melindrosa

O robô original usado em Metropolis

Dica de dois filmes alemães não tão recentes, mas excelentes (recomendo muito): Adeus Lênin e A vida dos outros. Os dois se passam em Berlin :)

21 dez

Esses cartazes estão por toda Berlin, não tem como passar despercebido. Fui no site da campanha e vi que está também nas maiores cidades da Alemanha. Fiquei curiosíssima para saber o que era (quem não quer um presidente gato assim?).

Descobri que faz parte da estratégia de lançamento para o novo filme do George Clooney, onde ele faz papel de candidato à presidência dos EUA. Taí uma campanha bem-feita para divulgação de um filme; fazia tempo que um cartaz na rua não me deixava tão curiosa.

O site é super bem-humorado e lista 10 razões pelas quais você deveria votar nele e vão desde o fato de que o moço salvou centenas de criancinhas quando era o Dr. Ross (do finado “Plantão Médico) até ele ter namorado algumas das mulheres mais desejadas do planeta, como Michelle Pfeiffer, Jennifer Lopez e Julia Roberts. Sem dizer que ele sabe como ninguém como assaltar um banco, coisa super-útil para um presidente.

O meu voto já é dele. E o seu?

15 nov

Mesmo com a correria toda, consegui ver dois filmes nessa semana (dificilmente eles vão passar em Berlin; e lá eu tenho que catar os que são exibidos com o som original, geralmente em inglês, pois a maioria é dublado em alemão). Então lá fui eu ver “A pele que habito“, do genial Almodovar e “O palhaço” do talentosíssimo Selton Melo.

Comecemos pela obra de Almodovar. Olha, sou suspeita, pois adoro esse cineasta. Além de ótimo diretor, a capacidade dele de inventar histórias inusitadas é fantástica. Eita homem criativo. Fico pensando de onde ele tira tanta coisa que ninguém tinha pensado antes.

A pele que habito” conta a história de um médico (Antonio Banderas, irrepreensível) obcecado pela esposa, que morre depois de ter sido totalmente queimada num acidente de carro.

Muitas coisas acontecem, e o sujeito cisma que vai desenvolver uma pele resistente ao fogo. Acontece muita coisa a partir dessa ideia aparentemente simples e a história é tão mirabolante, chocante e surpreendente que só posso classificá-la de genial.

Mas como ele vai até às últimas consequências nessa loucura criativa, preciso dizer também que o filme é bem pesado, desses que a gente fica dias depois pensando e relembrando trechos. Prepare-se psicologicamente e vá. Recomendo demais.

Já “O palhaço“, de Selton Melo, tem um elenco impecável, fotografia linda, direção indefectível e tudo funcionando direitinho. Selton desencantou Moacir Franco, numa das melhores cenas do filme, e até o Ferrugem, o menino sardento que estampava as capas dos livros de matemática da minha infância.

O ponto fraco (além do som bem ruim, mas isso, por algum motivo, é típico de filme nacional) é justamente o roteiro. A história é bonita, mas de tão simples chega a ser simplória. Não há trama, não há tensão, não há emoção. Apenas uma bela historinha bem contada.

Olha, o Selton é genial como ator e uma grande revelação como diretor, mas como roteirista ainda tem bastante chão. Mesmo assim, recomendo ver, desde que não se vá com grandes expectativas.

10 out

Como não trouxe quase nenhum livro por causa do peso e ainda não sei ler em alemão (como o analfabetismo dói…), tenho que apelar para os poucos best-sellers da seção de livros em inglês das livrarias daqui. Semana passada li “The imperfectionists“, de Tom Rachman e essa semana, o primeiro tijolo da trilogia Millennium, de Stieg Larsson.

Comecemos com “The imperfectionists“. Confesso que fiquei seduzida pelo ótimo título e, principalmente, pela capa (tem uma coleção de clássicos da editora Martin Claret que me recuso a comprar porque as capas são de doer os olhos). Bom, a capa em questão já começa com um monte de elogios e selos (The New York Times Book Review, New York Times Bestseller, Financial Times, etc) e é linda.

Olha, o livro está longe de ser ruim, mas não merece esses elogios todos não. É um romance que conta a história de um jornal desde que foi criado, em Milão, em 1953, até os dias atuais. Por meio de dúzias de personagens que aparecem para nunca mais voltar, a história vai se desenrolando de maneira mais ou menos previsível. Apesar de bem escrito, me irritou um pouco o abuso de estereótipos (o velho libertino, a executiva frustrada, a gorda infeliz, o aventureiro charmoso, o milionário cheio de segredos e por aí vai). O mérito, além da boa redação, penso que se dá mais pela atualidade do debate; o jornal fica meio perdido com a internet e não sabe bem como continuar (acho até que essa é a razão do inexplicável sucesso). Se você conseguir de graça, leia. Se não, não sei se vale o investimento.

Já o primeiro volume da trilogia Millennium, “The girl with the dragon tatoo“, é bem mais atraente. Você gruda no livro e não descansa enquanto não der conta. Como todo bom policial, não é nada muito profundo, mas tem uma história bem amarrada, bem escrita e com personagens um pouco mais complexos (claro, se a gente levar em conta que é um livro de ação).

Eu diria que é um Dan Brown mais caprichado e sem milagres ou furos no roteiro. Os personagens são cativantes e o enredo, apesar de um pouco previsível para quem está familiarizado com a fórmula, é muito criativo. Esse eu recomendo mesmo. A versão que eu li é uma tradução direta do sueco, língua de origem do Steve Larsson (que, curiosamente, morreu prematuramente aos 50 anos, logo depois de entregar a obra à editora). A versão brasileira é uma tradução do francês; acho que se perde um pouco nessa triangulação; tanto que o título em português acabou se tornando “Os homens que não amavam as mulheres“. Já vi que vou devorar o segundo volume na viagem de volta ao Brasil (semana que vem!).

Por último, o filme em questão é “Melancholia“, do dinamarquês Lars Von Trier. Lindo, lindo, lindo. A fotografia irretocável, a história bem contada, as atuações irrepreensíveis e a música perfeita. Mas também muito, mas muito triste. Mas não aquela tristeza de se debulhar em lágrimas; é uma outra, mais profunda, que nos faz refletir sobre a finitude da vida, a rapidez com que as coisas podem mudar e até acabar mesmo. Desde que você não esteja esperando um melodrama, um romance ou um filme de ação, também recomendo.

9 mai

Sensacional, incrível, lindíssimo, empolgante, encantador, poético e fantástico! Com certeza, a animação RIO mereceria todos esses adjetivos e muitos outros, mas vou resumir tudo num só: fofo!
Para quem gosta de bichos como eu, é como estar no paraíso. O brasileiro Carlos Saldanha conseguiu mostrar o Rio de Janeiro em toda a sua exuberância e beleza mesmo sem esconder as favelas. A história da arara azul Blu é contada de um jeito tão cativante que é impossível não se apaixonar.

Atenção especial aos macaquinhos da floresta da Tijuca; mesmo sendo uns baita sem-vergonhas (como de fato o são, na vida real), dá vontade de levar para casa. Para não dizer que o filme é absolutamente perfeito, penso que a trilha sonora não está à altura da animação; poderiam ter caprichado um pouquinho mais nessa parte, já que música boa é a especialidade dessas terras tupiniquins.

Faça um favor para si mesmo: vá a um cinema 3D e viaje para o Rio. Você volta para casa leve, solto, feliz, como se tivesse recém aprendido a voar…

28 fev

Ontem fui ver Bruna Sufirstinha, admito, por pura curiosidade, já que não li o livro (Doce veneno do escorpião) e nunca consegui entender o motivo de tanto sucesso (continuei não entendendo). A produção é bem feita e a história, bem contada. As cenas apelativas e até muito constrangedoras são bem colocadas para contextualizar a história. Deve ter sido bem difícil para a ariz.

Li que o roteiro tem partes fictícias e não segue totalmente o livro, mas pelo que entendi, os argumentos da Bruna para ter virado garota de programa são bem furados. Sinceramente, penso que cada um faz o que quer da própria vida sem dever explicações sobre suas escolhas — justificar o que não carece de justificativa raramente dá certo. Só que em vários momentos do filme, a protagonista deixa claro que escolheu essa vida porque queria liberdade. Mas liberdade submetendo seu corpo aos desejos e vontades de estranhos? Achei meio contraditório.

De qualquer forma, talvez porque ainda estivesse bem impactada pelo Cisne Negro, vislumbrei um paralelo entre as duas histórias, que no fundo, são a mesma. Mulheres que têm a auto-estima debaixo do pé e querem, mais que tudo, ser amadas e admiradas. Para isso, torturam seu próprio corpo, machucam-se e ferem-se para o deleite de outras pessoas, no mais das vezes, perfeitas estranhas, que nem se dão conta do quanto custa isso.

A Nina do Cisne Negro esgotou-se a ponto de enlouquecer. Será que quem assistiu ao espetáculo onde ela dá literalmente tudo de si, soube valorizá-lo à altura de tanta dedicação? Será que os primeiros clientes que infringiram sofrimento à adolescente tinham noção do que ela estava sentindo? E as atrizes, de ambos os papeis, que devem ter ficado exauridas e passando mal?

Bem, essas mulheres estavam em suas posições por livre e espontânea vontade e ninguém tem nada com isso. Mas penso que resolver essa questão da auto-estima faria bem para ambas as personagens (na verdade, para todas as mulheres), independente da profissão que escolheram para ganhar a vida.

Quem não se ama, acaba dando o que não tem e ficando com um vazio enorme no lugar. E, pelo que tenho visto, dói muito.

26 fev

Acabei de ver Black Swan e ainda estou impactada. Pensei que ia ver uma história sobre balé (que adoro), mas não. Esse é um filme sobre dor, beleza e solidão. É lindo, difícil, pesado, inebriante e muito, muito assustador.

Conta a história de Nina, uma bailarina que não é gente, mas uma máquina de dançar, movida pela busca à perfeição. Seu único relacionamento afetivo é com a perturbada da sua mãe, uma ex-bailarina frustrada; por causa dela, Nina não é uma mulher, apesar de adulta. Ela praticamente não tem vida, não tem privacidade, não tem amigos nem prazeres. Só tem o balé. O desafio acontece quando ela ganha o principal papel do espetáculo “O lago dos cisnes“, onde tem que viver, ao mesmo tempo, uma personagem boazinha e outra má. Só que a maldade, ou melhor, a humanidade, nela, é toda reprimida, nunca foi expressada. Nina surta e enlouquece, é perturbador assistir ao processo. Mas ela consegue seu objetivo: a perfeição.

Na minha opinião, devia levar a estatueta de melhor filme do ano. Não sei se está concorrendo à fotografia, mas também merecia. E se não derem o Oscar de melhor atriz para a Natalie Portman, vai ser a maior injustiça da história.

16 out

Hoje fui ver “Comer, rezar e amar” e nem posso dizer que fiquei decepcionada porque o trailer já dava dicas do que seria. Gostei do livro e, se fosse a autora, teria ficado bem zangada com as mudanças para a telona. Ficou parecendo que protagonista é fútil, rebelde sem causa e podre de rica, o contrário do que o livro conta.

A fotografia é bonita, mas, se considerar os cenários de tirar o fôlego, poderia ser melhor. Para ser bem sincera, a única cena que me emocionou mesmo (na verdade, eu praticamente chorei), foi quando um elefante todo estampadinho chega bem perto da Julia Roberts, na Índia. Acho que se um bicho lindo e meigo desses chegasse perto de mim, eu desfaleceria de tanta felicidade.

Agora vou ver se durmo cedo porque nessa noite, uma hora inteirinha vai-se embora com o horário de verão. O Conrado foi hoje de manhã para Recife (eu estaria lá com ele se não tivesse que ir a Jaraguá do Sul na terça e a Manaus na quarta) e já bateu a saudade.

Mas estou feliz porque o Breno, amigão de Manaus, prometeu que quando der uma folguinha me leva para ver um bicho-preguiça ao vivo e vou poder até pegá-lo no colo. Tomara que dê tempo dessa vez. Já pensou?

2 set

Se tem uma coisa que eu amo fazer nessa vida é dançar. Pena que não sou muito da noite e as baladas dançantes começam muito tarde. Por que essas coisas não começam às 9 da noite para a gente dançar até se acabar e ainda prestar para alguma coisa no dia seguinte?

Agora achei esse vídeo que faz uma montagem fantástica de filmes com cenas de dança. Dá uma olhada só para ver o que o artista conseguiu achar no baú de preciosidades: tem de Grease a Flashdance, passando por Pulp Fiction, True Lies, Embalos de sábado à noite, Dançando na chuva, Sete noivas para sete irmãos, O sol da meia noite e mais um montão de achados sensacionais. As cenas (mais de 40) foram encaixadas direitinho como se todos estivessem dançando Footlose. Dá para assistir várias vezes sem enjoar. Adorei!

Achei no Chongas.

8 ago

Acabei de chegar do cinema: fui ver “The inception“. Todas as críticas que tinha lido a respeito falavam que era o Matrix do século XXI. Olha, a história é bem bacana, bem montada, atores ótimos, tudo encaixadinho até o final espirituoso; mas ainda acho Matrix insuperável em termos de criar minhocas dentro da cabeça da gente.

De qualquer maneira, recomendo. É impressionante a capacidade que alguns seres humanos têm de serem tão criativos e bolarem histórias tão complexas e bem tramadas. Vai lá que é muito bom!

23 mai

water

Há algumas semanas achei “Water for elephants” em um sebo e lembrei de ter visto o título em português numa livraria. Levei-o e não me arrependi.

A autora, Sara Gruen, conta a história de Jacob Jankowski, estudante de veterinária. Na semana das provas finais para se formar, os pais dele sofrem um acidente e morrem, deixando-o todo endividado e sem ter onde morar (o cenário são os Estados Unidos pós-depressão).

Desesperado, ele sai caminhando pela noite e pula em um trem que vai passando. De manhã Jacob descobre que o trem pertence a um circo, daqueles antigos, cheios de animais e artistas. Jacob se integra à equipe e passa a cuidar dos animais; ele se encanta pela elefanta (elefoa? aliá?) Rosie (eu também me apaixonei pela fofa; não tem como não) e vive muitas peripécias; tem até romance no meio. A história é narrada por Jacob aos 93 anos de dentro de um asilo, nos dias que antecedem a visita dos velhinhos a um circo. Achei o final bem original, diferente do que eu esperava.

Agora fiquei sabendo que estão gravando um filme com esse roteiro, e que Jacob será vivido por Robert Pattinson (aquele rapaz que fazia o vampiro mocinho na saga “Crepúsculo“).

Não sei vocês, mas eu não vou perder!

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25 abr

Acabei de chegar do cinema. Fui ver Alice, e, realmente, é um encantamento. Não só pelos figurinos espetaculares, os cenários de sonho, os personagens fantásticos, os efeitos 3D e a perfeição e fofura dos bichos todos (fiquei apaixonada pelo sorridente e diáfano gatão de olhos azuis), mas também pela história em si.

Tim Burton escreveu uma espécie de continuação da história aproveitando os principais elementos de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho conseguindo um resultado criativo e consistente, adorei. É claro que se perdem algumas charadas interessantes do texto original, mas a história toda acaba fazendo mais sentido agora (pelo menos eu acho), além de ser mais contemporânea (e feminista!).

Lewis Carroll ficaria feliz com o resultado. Certeza!

5 fev

Essa semana fui ver “Abraços partidos“, do Almodóvar. Adoro o jeito bem-humorado como ele conta as histórias tristes; adoro as atrizes que ele escolhe (principalmente as coadjuvantes), adoro tudo. Sem falar que a Penélope Cruz está cada dia mais linda e charmosa.

Esse não é o melhor Almodóvar que eu vi, mas é muito bom. Mesmo.

5 fev

7vidas

O Thiago Suiten mandou o link para um curta metragem muito original e bem feito! Conta a história de um escritor que morreu e virou gato. Ele anda pela Freguesia do Ó e frequenta várias casas. O gato é a cara do Haroldo e tem a voz de ninguém menos que o Selton Melo. Não dá para perder de jeito nenhum, eu adorei! Obrigadão, viu, Thiago?

Quer assistir? Clique aqui!

27 jan

Acabei de chegar do cinema. Fui assistir Up in the air, bizarramente traduzido como “Amor sem escalas” (de onde eles tiram as ideias para esses títulos?). Pelo nome em português, parece uma comédia romântica de sessão da tarde, ainda mais porque é estrelado pelo bonitão George Clooney (adoro!).

Apesar do bom humor e das tiradas bem sacadas, o filme pode ser tudo, menos uma comédia, muito menos romântica. Gostei de tudo: o elenco é perfeito, o roteiro é muito bem escrito e direção irrepreensível; curti até a trilha sonora.

Fala de um sujeito que ganha a vida fazendo o trabalho sujo de demitir pessoas em escala industrial para empresas em crise. Para isso, tem que viajar o tempo todo, coisa que ele adora, mas que também o impede de ter qualquer ligação com a terra. Até que aparece uma nova funcionária que tem a brilhante ideia de usar a tecnologia para reduzir custos e melhorar a produtividade das demissões usando recursos de teleconferência. Ela viaja com ele para ver a coisa de perto e leva tempo para ver que, apesar de tecnicamente perfeita, a solução desconsidera completamente o impacto psicológico sobre as pessoas envolvidas (já é ruim ser demitido, mas por teleconferência ninguém merece).

Eu me identifiquei muito com a tal funcionária, a boa aluna empenhada em fazer o seu melhor, mas um pouco sem noção de que as pessoas são diferentes e podem ver a suas ideias aparentemente tão bacanas sob um ângulo que ela nem tinha sonhado.

O filme também fala de relacionamentos e faz a gente sair pensando do cinema. Tem o mérito de não repetir a fórmula do típico final “sessão da tarde” com mensagem edificante e “lição de vida“. Meus amigos não gostaram muito, mas eu adorei.

Recomendo.

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