Arquivo de ‘Comidas’

20 mar

Faz tempo que queria mostrar uma empresa que conseguiu reinventar o negócio do chocolate de uma maneira que considero realmente inovadora; então vamos aproveitar a proximidade da páscoa para falar um pouco sobre isso. A Ritter Sport é uma marca de chocolate alemã com 100 anos de idade, mas de gagá não tem nada, olha só.

Num mercado tão competitivo como o europeu, que conta com os famosos chocolates belgas, além dos suíços e franceses, os alemães da Ritter tiveram que realmente escolher um posicionamento único, e conseguiram. Eles escolheram ser reconhecidos pela variedade de sabores e apostaram forte nisso.

Tudo começou nos primeiros anos da fábrica, quando a filha do fundador descobriu que se a barra fosse quadrada, em vez de retangular, era mais fácil de carregar no bolso. A partir daí, a fórmula do quadradinho norteou todo o design da empresa, inclusive o da marca gráfica. Para traduzir a enorme variedade de sabores, eles contam com boa parte das cores da tabela Pantone; há tantas cores quanto sabores e receitas de chocolate. Com um símbolo gráfico tão simples e colorido, o grupo conseguiu desdobrar a marca em produtos diversos para o fã-clube (tem desde roupinha de bebê até cadernos e bolsas). Ok, até aqui nenhuma novidade; um monte de marcas faz isso e com excelentes resultados.

A novidade é a loja de chocolates personalizados chamada Bunte Chokowelt (algo como “mundo colorido do chocolate”) que eles abriram em Berlin há dois anos. Você chega lá e escolhe o tipo de chocolate para criar sua barra: branco ou preto. Depois, vai definindo o que quer, como se fosse um sanduíche: nozes, passas, avelã, crocante, mel, iogurte, marzipan, flocos, menta, rum, coco, marshmallow, chili, etc; olha, não descobri quantos sabores tem, mas são muuuuitos. Depois ainda tem a cobertura, com outras tantas opções; uma loucura! Você monta sua barra de chocolate (quadrada, naturalmente) e depois de 30 minutos pode vir buscá-la!

Se quiser esperar dentro da loja, tem uma infinidade de opções de chocolates prontos, mas tem também um café bem charmoso no mezzanino com docinhos de chocolate e muffins diversos. Pode ficar tranquilo sentado num sofá lendo seus e-mails ou apenas folheando uma revista; o ambiente é bem aconchegante.

Esse, para mim, é um claro exemplo de identidade bem definida e posicionamento assertivo.

Eles têm projetos ambientais porque, claro, chocolate não dá na Alemanha e o deles vem da Nicarágua — então é necessário ajudar a conservar a floresta porque o cacau precisa da cobertura verde para proteger a plantação. Eles também têm um trabalho de educação ambiental bem interessante (dentro da loja tem uma sala de exposições que mostra o processo de cultura do cacau e porque ele precisa de uma floresta saudável no entorno) e um forte investimento em energias limpas (em especial a energia solar). Os outros ingredientes também são certificados, ou seja, a lição de casa está sendo feita direitinho.

Mas o além do esperado é o que diferencia a empresa: a aposta nos quadradinhos coloridos é tão séria que a marca mantém o Museu Ritter com obras de arte moderna e contemporânea inspiradas na figura geométrica. Fica ao lado da fábrica, na cidade de Waldenbuch (que ainda não conheço).

Olha, não sou chocólatra nem nada (entrei e saí da loja sem comprar nem comer nada), mas virei fã da marca. Penso que a identidade visual ainda precisa de alguns ajustes na tipografia, mas a ideia dos quadradinhos coloridos é genial. E aí, ficou com água na boca?

Então vamos passear um pouquinho pela loja que faz um chocolate especial só para você (de verdade)!

Entrada bem colorida.

A entrada cheia de cores

Dessa vez não precisei tirar fotos escondida; o gerente deixou, numa boa.

Para um chocólatra deve ser o paraíso...

A loja fica logo atrás.

Vista do mezzanino.

É pra comer com os olhos!

O café, no mezzanino.

Hipnotizante...

21 fev

Desde que li o sensacional Food Rules, tomei vergonha na cara e comecei a cozinhar mais em casa. Prometi que ia compartilhar a parte bem-sucedida e acabei furando, mas ando frequentando tanto blog de receitas que resolvi me aventurar um pouco aqui.

Pois é, sabe à noite, quando você quer fazer uma boquinha e não tem muita coisa na geladeira? Então, a pedida é um creme de cebola com amêndoas em lascas (claro que tinha que ter uma parte de glamour, senão perde a graça!). Vamos lá, então.

Você vai precisar de:

- 2 cebolas grandes

- uma colher cheia de manteiga (desculpaí, mas só cozinho com manteiga; pode trocar por óleo, se quiser, por sua conta e risco)

- uma batata pequena

- cebolinha picada, lascas de amêndoas, queijo ralado e temperos diversos

Você corta mais ou menos uma das cebolas e cozinha na água com a batata (não muita água; o suficiente para dois pratos). Quando estiverem macias, bata tudo no liquidificador. Agora pegue a outra cebola, pique bem e refogue na manteiga. Jogue o creme em cima e cozinhe mais um pouco tudo junto. Tempere com tudo o que tiver de bom aí na sua despensa: pimenta do reino moída na hora, ervas finas, sal, etc (isso é importante, senão fica sem gosto).

Aí é só servir num prato com o fundo forrado com queijo ralado em tiras e colocar a cebolinha e as amêndoas por cima. Delícia!

NOTA: As amêndoas geralmente estão na área de confeitos e para que elas fiquem crocantes é só dar uma passada por uma frigideira quente de tefal (sem nada para untar).

16 fev

Para quem gosta de comer com os olhos, como eu, a ideia é daquelas geniais de tão simples e bem pensadas.

Fala sério, depois desse post, suas saladas de tomatinhos nunca mais serão as mesmas….

Achado no ótimo e recentemente descoberto Recipe by Photo.

30 out

Gente, olha que graça a embalagem que o estúdio Fresh Chicken para o macarrão Pietro Gala. Eles criaram um personagem, o Chef simpaticão e cheio de massa fresca na barriga. Fofo e irresistível!

Achei na The Dieline.

11 out

Fotografia: Natasja Fourie

Ontem aconteceu uma coisa que me fez lembrar o meu queridíssimo amigo e parceiro Tio Flávio, famoso pelas suas aulas e palestras brilhantes sobre marketing. É que o moço costuma andar com um saco de pirulitos dentro da mochila. Quando o povo está muito agitado, o Flávio distribui os confeitos e instantaneamente a paz e a atenção absoluta são restauradas no ambiente. Não é um gênio, esse rapaz?

É que vi uma mulher no metrô com uma cara tão indignada e mal-humorada que me fez pensar na teoria do pirulito. Se eu tivesse um na bolsa, juro que ofereceria para a moça na mesma hora. Se ela recusasse, a cara não ia ficar pior mesmo. Mas se aceitasse o mundo ganharia mais um sorriso, o que não é pouco se a gente for um pouquinho ambicioso e pensar na coisa em escala.

Repare bem, é impossível ficar irritado e chupar um pirulito ao mesmo tempo; são tarefas mutuamente exclusivas. Além de se dar conta do ridículo que é ficar com a cara amarrada, a pessoa percebe que é fisicamente muito complicado manter a carranca nessas condições.

Imagine uma reunião tensa entre líderes de países em crise, naquele momento em que todo mundo quer ter razão e ninguém quer ceder. Se o pessoal da diplomacia fosse mais esperto, sairia distribuindo pirulitos. Certeza de sucesso! Quem sabe guerras não seriam evitadas com esse artifício?

Chupando um pirulito todo mundo fica mais concentrado e instrospectivo. Passa a ver o mundo sob uma perspectiva mais doce. Cala a boca e ouve mais. Sente-se criança novamente e se dá conta de que nada é assim tão dramático que não possa ser calmamente resolvido enquanto se delicia uma guloseima bem doce e colorida.

Pense numa pessoa grossa e mal educada empurrando outros numa fila. Pense nesse mesmo ogro chupando um pirulito nessa hora. Tudo muda, incluindo o comportamento do próprio, não tem como ser diferente.

Enfim, é de se pensar porque as pessoas param de chupar pirulitos quando crescem. Não deveriam.

Não sei se poderia ser uma solução para o problema da violência no mundo, mas do mau-humor e da malcriação, com certeza seria.

Nesse dia das crianças, saboreie um pirulito bem devagar e pense a respeito.

7 out

Andei organizando umas fotos de viagem e achei esta aqui de quando estivemos em Veneza, em fevereiro. Adorei essa embalagem de manteiga.

Fala sério: dá para tomar o café da manhã sem sorrir com uma coisa dessas em cima da mesa?

Em tempo: Burro é manteiga em italiano.

9 set

Pelo jeito, o designer israelense Avichai Tadmor fica tendo ideias enquanto cozinha. Adorei essa: um apontador de cenouras chamado karoto (tudo a ver: cenoura é karotte em alemão e carrot em inglês; não sei em hebraico, mas deve ser coisa parecida).

Para quem gosta de comida com frescura, como eu, é, com perdão do mau trocadilho, um prato cheio. Achei bem criativo; e você?

Achei no sempre ótimo Marketing na Cozinha.

29 ago

Gente, está uma febre de bubble tea por aqui que só vendo. Todo dia abre uma loja nova de alguma das franquias já existentes. Pois é, uma das franquias se chama Boba (como já mostrei aqui). Pois agora chegaram duas concorrentes de peso: BoboQ (não consigo evitar de ler “boboca”) e Let’s Boba (Hã?).

Veja com seus próprios olhos:

Minha conclusão é a seguinte: eles estão usando esse nome como doidos porque é sonoro e se parece com a pronúncia de “bubble” que são as tais bolhas que vão no chá. Você já experimentou? É como um sagu gigante que eles colocam no kissuco que eles chamam de chá. É tamanha química que dá até medo de ver o tanto de máquinas que a moça usa para preparar o elixir, além de ser caro.

Posso dizer porque já experimentei: eita negócio mais bobo mesmo….ehehehe

21 jul

Não sei quando comecei a gostar de cozinhar, mas acho que foi quando me mudei para meu primeiro apartamento solo, em 1992. Foi uma delícia montar a cozinha e poder vetar a entrada de panelas de alumínio, pratos duralex e copos de requeijão, entre outras coisas feias…rsrsrs

Quando cozinho (claro, não é todo dia), sempre capricho bastante na decoração, pois, para mim, metade do gosto está na aparência. Comida feia comigo não tem vez, não senhor…

Depois que li Food Rules me empolguei mais ainda, já que toda a minha preocupação com comida bonita estava lá, cientificamente justificada. Agora que tenho televisão, não deixo de assistir aos programas do Jamie Oliver (dublado em alemão….ahahahaha) todo sábado. São vários menus de 30 minutos em sequência e fico encantada com a facilidade com que ele prepara coisas deliciosas rapidinho. E como ficam lindas!

Pois aqui na Alemanha também temos nossa chef ecológica e preocupada em usar ingredientes frescos: é a Sarah Wiener. A moça, além de linda e famosa, é uma grande empreendedora: escreveu muitos livros, tem vários cafés e restaurantes, ministra cursos, participa de filmes e programas de televisão e dá palestras em escolas sobre alimentação saudável. Ao todo, são 160 pessoas trabalhando com ela. A Jamie Oliver de saias alemã prefere que seus empreendimentos sejam em museus ou prédios históricos (conforme for visitando os lugares, vou postando aqui).

Ontem a gente foi no Das Speisezimmer, um dos restaurantes, com os queridíssimos Rosana e Ringo; além de muita risada, a comida e a bebida estavam ótimas. Sarah é como Jamie: nada de luxo, mas louças e talheres corretos, comida linda e mesas de madeira rústica; atendimento nota 10 e preços justos. Dá pra ver que cada detalhe foi pensado e que tudo é muito caprichado.

Acompanhem o cardápio e bom apetite!

O restaurante está instalado numa antiga fábrica e o estilo é mediterrâneo.

O restaurante está instalado numa antiga fábrica e o estilo é mediterrâneo; olha que linda a capa de tecido do cardápio.

O cardápio não é muito extenso e varia conforme os ingredientes disponíveis em cada estação; eles usam ao máximo produtos locais e agricultura orgânica. Até as carnes e peixes têm certificado BIO.

A gente pediu um menu de 4 pratos: duas entradas, prato principal (peixe) e sobremesa. Na verdade ainda teve um aperitivo extra e acabou que ficaram sendo 5 pratos. Delícia!

Esse creme bem temperado parecia um caldinho grosso de feijão. Faça em casa, sirva assim e veja como fica muito mais gostoso!

Essa entrada estava deliciosa: cebolas carameladas, uma terrine, uma tortinha e uma coisa que parecia um tartar de peixe.

Essa sopa fria de pepino é fresca e limpa o paladar antes do prato principal: já tinha tomado antes e é simples de fazer. Só bater pepino cru com iogurte natural e temperar bem. Recomendo!

Prato principal: um peixe que nem desconfio o nome (muito bom), purê de ervilhas, uma espuma deliciosa e bem temperada e legumes refogados na base. Hummm.....

Finalmente a sobremesa: terrine de mascarpone, sorbet de groselha (essas bolinhas que aparecem como enfeite) e uma calda de hortelã que vou tentar clonar. Show!

Pois é, mais um grande nome da gastronomia provando que fazer delícias não depende de ingredientes caros e sofisticados. Tem mais a ver com cuidado, carinho, paciência e muito amor…

Se quiser saber mais, o site da Sarah Wiener é bem feito (dá para ver que passou um designer por lá…) e e cheio de coisas interessantes, inclusive receitas (clique na imagem e acesse o link da versão em inglês).

7 jul

Se você é como eu, que come com os olhos, vai adorar esses pratos do designer Boguslaw Sliwinski. Olha só o bom-humor que o figura usa para tornar a mesa das pessoas mais divertida!

O bom é que não dá para fazer um prato de estivador daqueles que transborda pelas beiradas; tem que ir comendo aos poucos, bem bonitinho…

Achei essa joinha no sempre ótimo Marketing na Cozinha.

15 jun

Alguém já viu tanta macheza assim numa só embalagem? Eu não…rsrsrs

3 jun

Não vou enganar ninguém: compro livro pela capa. E já deixei de comprar livro pela capa também. Sinto muito, mas sou dessas.

E olha, dificilmente me dou mal nas minhas escolhas. Para mim, a capa, a diagramação, a qualidade do papel e a tipografia geralmente são compatíveis com a qualidade do conteúdo. Se a editora contratou um designer que se deu ao trabalho de ler o livro e entender o espírito da história para conseguir comunicar ao potencial leitor que vale a pena mergulhar naquelas páginas, provavelmente vale a pena mesmo. Quando a coisa é mal feita, o amadorismo mostra o nariz e é impossível não notar.

Às vezes tem coisas bacanas, mas mal impressas e com capas ruins; essas geralmente eu perco, infelizmente. E tem capas bacanas com conteúdos ruins, claro. Mas, olha, pela minha experiência (que não é tanta, mas também não é de se jogar fora), costuma funcionar.

Digo isso porque nunca tive problemas de peso (desculpaí) e sempre fui desencanada para comer; jamais comprei um livro de dieta ou equivalente na vida. Mas aí estava passeando pelo site da Amazon e vi essa belezinha de capa dura, chamada “Food rules: an eater’s manual“, de Michael Pollan com ilustrações da Maira Kalman. Sério, o livro é tão lindo que se fosse sobre a produção de tampas de lapiseiras descartáveis no Afeganistão, teria comprado do mesmo jeito.

Só para não contrariar a minha regra, o conteúdo é ótimo. O autor é um estudioso dos nossos hábitos alimentares e sabe que comer hoje em dia, não é tarefa para amadores. Ele é também autor do bem mais famoso “O dilema do onívoro” que ainda não li.

Apesar da fartura inédita no mundo, tem mais porcaria química do que aquilo que mereceria se chamar comida nas prateleiras dos supermercados. É tudo tão complicado que a pessoa quase precisa de uma pós-graduação em nutrição se quiser se alimentar sem riscos. Há várias pesquisas (cujas fontes ele cita) que associam diretamente à chamada dieta ocidental (a comida que os americanos comem e o mundo todo está indo atrás) o aumento de doenças fatais das mais diversas como diabetes, câncer de colo de útero e doenças do coração, sem contar o problema da obesidade.

Bom, pesquisas científicas existem aos montes, mas conhecimento não muda comportamentos, como já falamos aqui. Então, o Michael pensou que em vez de ficar contando calorias ou recombinando diferentes tipos de carboidratos, melhor seria criar frases simples, memoráveis e de fácil entendimento. No livro são 83 regras e a maioria é bem fácil de repetir como um mantra cada vez que for apresentado a uma tentação. Separei algumas mais interessantes (que estou tentando seguir) para você ter uma ideia:

1. Coma comida (coisas como margarina não são comida, são apenas substâncias comestíveis, o que é bem diferente).

2. Não coma nada que a sua avó não reconheceria como comida (coisas que vêm em caixinhas não existiam no tempo dela; a probabilidade de não serem comida é grande).

3. Evite alimentos que têm alguma forma de açúcar como um dos três principais ingredientes.

4. Evite alimentos que contêm ingredientes que um estudante da terceira série não consiga pronunciar (adorei essa!).

5. Evite alimentos que ficam exaltando o fato de fazerem bem para a saúde (as margarinas não param de fazer isso).

6. Evite alimentos que fingem ser o que não são (cremes que imitam queijos, margarinas que imitam manteiga, líquidos que parecem iogurte, coisas viscosas que imitam azeite, etc)

7. Evite alimentos que aparecem nas propagandas de TV; a produção tem que ser industrializada em grande escala para pagar os custos (aliás, evite comer vendo TV).

8. Coma comida que pode estragar e atrair insetos (uma coisa que não estraga e nem os bichos querem comer, com certeza não pode ser chamada de comida).

9. Coma somente alimentos que foram preparados por pessoas. Máquinas não fazem comida, fazem substâncias comestíveis.

10. As coisas que entram pela janela do seu carro não são comida.

11. Não é comida se tem o mesmo nome em todos os países (ex: Big Mac, Cheetos, Pringles, etc)

12. Coma mais plantas.

13. Carnes podem ser usadas como tempero ou em ocasiões especiais; mas não para todo dia.

14. Coma como um onívoro, ou seja, varie ao máximo a dieta e experimente novos tipos de plantas, animais e cogumelos. Um dos problemas dos produtos industrializados é que quase tudo é à base de soja e milho; aí tem que entrar a química para diferenciar os sabores.

15. Tente comer peixes pequenos (que não estão no topo da cadeia alimentar) e não criados em cativeiro, como sardinhas, trutas e anchovas.

16. Não coma coisas que já vêm com sal ou açúcar.

17. Leite é comida, não bebida; não serve para matar a sede. Assim como suco de frutas, deve ser consumido com moderação.

18. Você pode comer junk food (ex: batatas fritas), desde que você mesmo as prepare.

19. Tome uma taça de vinho no jantar.

20. Pague mais, coma menos (ou prefira um bistrô a um rodízio de comida à vontade; compre menos carne, mas escolha cortes mais nobres). Enfim, coma menos e com mais qualidade.

21. Coma quando estiver com fome, não quando estiver triste ou chateado.

22. A escrivaninha não é lugar para comer.

23. Não coloque na mesa nada que tenha rótulo (isso eu faço sempre; detesto rótulos).

24. Tenha sempre um buquê de flores sobre a mesa; as coisas ficarão duplamente saborosas (verdade!).

25. Quebre as regras de vez em quando, não seja obsessivo. Como dizia Oscar Wilde “Faça tudo com moderação. Inclusive ser moderado“.

Tem mais coisas muito interessantes (ele explica e dá exemplos para cada regra e a ilustradora também colabora bastante) que valem a pena pensar em comprar um volume para chamar de seu, viu?

O livro me impressionou tanto que estou começando a cozinhar mais em casa (depois posto umas receitas bem-sucedidas aqui). Além de mais gostoso, é muito mais barato, pode acreditar. E é bem como Pollan diz: na vida, você precisa reservar tempo para as prioridades, as coisas que são mais importantes. Comer é muito importante.

Agora olha uma amostra das ilustrações da Maira Kalman, para, sem trocadilhos, fazer você ficar com água na boca…

Ilustrações: Mira Kalman

20 abr

É banal, eu sei, mas ultimamente ando com os olhos tão ligados que nem supermercado escapa. Mas vê se não é mesmo para prestar atenção…

25 mar

Minha mãe não acredita, mas adoro comer (mãe sempre acha que a gente está magrinho demais). Gosto tanto que paro quando não sinto mais o sabor (lá pela décima garfada), o que me faz sempre preferir bistrôs com vários pratos enfeitadinhos e caprichados a churrascarias rodízio e buffets livres.

Os economistas sociais já descobriram que a primeira mordida é sempre mais deliciosa que a última, pois nosso corpo (incluindo a língua) se acostuma e se adapta com muita facilidade; o que era sensacional no começo fica chato num instante.

Pois o genial chef catalão Ferran Adriá sabe muito bem disso. O moço simplesmente reinventou a gastronomia como nós a conhecemos. A biografia do mais festejado, polêmico, inventivo e ousado chef de cozinha dos últimos trocentos anos é uma aula de inovação para qualquer um que se interesse tanto por gastronomia como por inovação.

O livro “Ferran: the inside story of El Bulli and the man who reinvented food“, de Colman Andrews (um respeitado crítico de cozinha americano) começa contando a história do lendário restaurante El Bulli, instalado num lugar ermo, de difícil acesso, nos confins da Catalunha, e que mesmo assim conseguiu 3 estrelas da bíblia da gastronomia mundial, o guia Michelin. O restaurante, construído pelas mãos dos proprietários (os Schillings, um alemão e uma tcheca), nasceu como um bar de praia em 1962, e foi aos poucos se transformando num lugar respeitado graças aos investimentos e espírito inovador de seus idealizadores.

Para quem estuda inovação, é interessante notar a influência da liderança do Dr. Schilling no processo de amadurecimento do lugar. A Catalunha também aparece como um ambiente propício para a inovação culinária, dada à sua proximidade com a fronteira francesa e toda a cultura gastronômica resultante daí bem como a abundância e variedade de ingredientes locais.

Os chefs que passaram pelo lugar eram todos estrelados, mas os negócios nunca foram um sucesso financeiro. Quando Ferran chegou lá, aos 22 anos, já tinha passado por muitas experiências em restaurantes consagrados e o paladar já estava apuradíssimo. Em 1994, com o restaurante quase falindo, Ferran e o gerente do El Bulli, Juli Soler, compraram o lugar. Eles já usavam o período de inverno, quando o estabelecimento fechava, para fazer experimentos e criar novos pratos; mas a partir daí a atividade ficou mais intensa.

Ferran tem uma visão muito particular sobre o trabalho de um chef: “quando você cozinha, você cria uma conversação com quem vai comer. Com a cozinha de vanguarda, você cria uma nova linguagem de conversação. Para fazer isso, seu primeiro trabalho é criar um novo alfabeto. Então você faz as palavras, depois você cria as sentenças. Como cliente, você tem que ter boa vontade para tentar entender essa nova linguagem“.  Ele sabe que nem todo mundo aprecia essas novidades, mas não se incomoda. “A cozinha de vanguarda é para uma minoria. Jazz também é para uma minoria e não há nada de errado com ele; é maravilhoso“.

Pois foi exatamente isso que o chef mais famoso do mundo fez: reinventou o alfabeto da comida. Ele começou inserindo ingredientes catalães, como frutos do mar e alguns temperos, na clássica cozinha francesa, que ele dominava como poucos. Depois, começou a pensar em como poderia isolar o sabor de um ingrediente até que ele ficasse completamente puro, num estado em que pudesse ser recombinado com outros sabores também puros. O moço, que na época ainda nem tinha 30 anos, usou técnicas menos usuais em cozinhas e mais frequentes em laboratórios, pois, além da caramelização, defumação e processos semelhantes, também começou a experimentar a liquefação, a emulsificação, o ultra-congelamento com nitrogênio líquido, a esferificação e a produção de espumas e aerados.

A exigência com ingredientes da melhor qualidade fez com que os sabores isolados pudessem ser experimentados em outras dimensões. Usando as palavras do chef: “não apenas um dos sentidos deve ser estimulado; o tato pode ser provocado (contrastes de temperaturas e texturas), o olfato e a visão (cores, formas, ilusões de ótica) e o sexto sentido (reações emocionais como memórias de sabores de infância)”.

O El Bulli costumava receber apenas clientes com reservas; na ocasião, havia uma breve entrevista para conhecer as preferências e restrições alimentares de cada um dos comensais. No dia do jantar, uma sequência de aproximadamente 30 pratos eram servidos; um menu especial era preparado para cada uma das pessoas presentes. Cada prato, inspirado nas tapas andaluzas, era uma experiência gastronômica única; porções pequenas, mas altamente elaboradas para surpreender e encantar. Também não havia hierarquia entre entrada, prato principal e sobremesa; depois de uma única framboesa grelhada flambada com gin e zimbro, podia vir um crepe de camarão cortado em folhas finíssimas e fritas com gergelim e pimenta fresca, seguido de um sorbet de saquê coberto com espuma de ostras e tônica. Enfim, não havia como ficar indiferente. Para o restaurante, era um trabalho hercúleo, pois, com lugar para cerca de 50 pessoas, eles precisavam preparar mais de 150 diferentes tipos de pratos a cada noite.

Claro que um jantar desses não é para matar a fome; é uma experiência gastronômica para estimular os sentidos e ajudar a refletir sobre os sabores e prazeres; Darwin já dizia que a gastronomia era a maior descoberta do homem depois da linguagem. O El Bulli está mais para uma mostra de arte conceitual do que para uma cantina italiana, mas tenho certeza de que eu sairia de lá feliz e satisfeita.

Adriá é um espírito inquieto; depois de tanto sucesso, fama, capas de revistas no mundo todo e ser referência para qualquer um que estude gastronomia (ou inovação), ele mantém até hoje uma oficina de experimentação com vários chefes explorando as diferentes possibilidades de se construir pratos que surpreendem o paladar, com texturas e formas impensadas (a esferificação é uma técnica que transforma o ingrediente em algo parecido com sagu; imagine um sagu de lagosta, com o sabor concentrado ao máximo).

Por causa dessas mirabolâncias e sem ter com quem comparar, um crítico chamou sua cozinha de molecular. Ora, todo o processo de preparação de comidas é molecular (ao assar, cozinhar, fritar, marinar, etc, as moléculas são realmente alteradas); Ferran, que não quer ser apenas uma moda, não gosta de rótulos e rejeita esse especialmente. Ele diz que sua cozinha é desconstrutivista, do tipo El Bulli e nada mais.

A capacidade de inovação do chef é algo a ser estudado com bastante afinco; há que se aprender muito tentando entender como a cabeça desse gênio funciona. Agitado, ele já passou meses no atelier do escultor catalão Xavier Medina-Campeny estudando arte e compartilhando processos criativos;  sempre se pergunta por que não e testa suas ideias sem nenhuma restrição (deve ter estragado muita comida no processo).

O El Bulli fechou em 2010 (pena!) e Ferran comprou uma grande área na Costa Brava para construir uma fundação totalmente integrada à natureza que vai funcionar como um grande centro de estudos gastronômicos. Lá haverá laboratórios e locais para palestras, cursos, workshops e, espero eu, um restaurante-escola.

Ferran já deixou sua marca no mundo e a gastronomia, gostem seus críticos ou não, nunca mais foi a mesma depois do El Bulli. Aliás, uma curiosidade: Bulli era o apelido do cão bulldogue dos Schillings, fundadores do restaurante.

Pois é, depois disso tudo me deu uma baita fome. Mas é de alguma coisinha que ainda não sei o que é, sabe como, Sr. Adriá?

20 fev

Se tem uma coisa que au adoro aqui são as embalagens de sopa (só não compro porque as de lavra própria são muito boas, modéstia à parte). Só que é difícil fotografar no supermercado (não entendo porque eles não deixam). Então, como essa semana estou com a Débora Moreira de cúmplice (uma fofa), aproveitei para bagunçar o frigorífico e fazer uma composição de sabores para dar uma ideia, enquanto a moça despistava os funcionários.

Não dá mesmo vontade de colecionar essas sopas todas?

23 set

Fui almoçar hoje com minhas amigas Chi (vietnamita) e Mayu (japonesa), pois, apesar de magrinhas, estão sempre atrás de comida boa. As dicas da Chi são infalíveis e lá fomos nós comer num pequeno restaurante orgânico vietnamita (na verdade, uma lanchonete com pratos leves e sanduíches caprichados).

O sanduíche que comi estava uma delícia (sem maionese, claro…ehehe), mas só notei o nome do lugar na saída. Quando revelei a tradução do nome em português, elas nem acreditaram…eheheh

Bom nome para restaurante orgânico

As queridas Chi e Mayu

6 set

Gente, olha só a quantidade de tipos de abóbora que encontrei no supermercado hoje. Antes não tinha, deve ser a época. Achei uma mais linda que a outra e numa quitanda tinha esses modelos em miniatura (pena que o dono não deixou fotografar). Não são mesmo inspiradoras?

1 set

Para você que pensava que já tinha visto e experimentado de tudo nessa vida, olha só a iguaria gastronômica que achei no supermercado: suco de… chucrute!

Olha, podem me chamar de conservadora, fresca e até de outras coisas menos elogiosas, mas não vou tomar esse negócio nem a pau. Sabe-se lá os efeitos colaterais que essa arma biológica pode causar no sistema digestivo da pessoa… O tal bio suquinho com um ovo cozido ou acompanhado de feijão deve ser uma beleza para a convivência em sociedade.

E olha que a embalagem é até bem atraente. Para vocês verem que design não é tudo nessa vida…

1 set

Olha só que máximo: aqui tem uma geléia para cavalheiros (Herren, em alemão), pois leva whisky escocês na receita. Mesmo sendo menina, experimentei e gostei, acho doce e álcool uma mistura irresistível. Recomendo…

10 mar

Olha só que jeito mais charmoso a artista plástica Katie Shelly usa para explicar como se faz seus pratos preferidos: desenhando! Devia haver livros de receitas assim, seria muito mais divertido, adorei. Quer tentar? Tem bastante inspiração aqui.

Adorei a cenoura sendo ralada...

Olha a panelinha com cara de feliz quando a comida fica pronta

Achei na Fastco Design.