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Os 3 pontos que sustentam qualquer relacionamento

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#paracegover A imagem mostra duas esculturas representando humanos, uma de costas para a outra, mas em perfeita conexão. A obra é de de Gustav Vigeland e a foto foi tirada no Vigeland Park em Oslo, na Noruega.

Uma amiga uma vez comentou comigo que leu ou ouviu em algum lugar que um casamento duradouro se mantinha sob três pilares: simpatia, respeito e admiração. Fiquei pensando que faz todo sentido, e não só para casamentos. Vale para todos o tipo de convivência, incluindo amizades e também o relacionamento entre as empresas e seus clientes, os líderes e seus seguidores, os grupos de trabalho e as associações de pessoas.

Vamos ver cada tópico cuidadosamente para ver se não falta nada mesmo.

1. Simpatia

Os dicionários explicam que simpatia implica afeto, atração, tendência a solidarizar-se com os sentimentos do outro, reconhecimento, consentimento, afinidade, conexão, entendimento. No caso de uma empresa, um cliente só se relaciona com ela se sentir algum tipo de atração, algum tipo de conexão. Seria o equivalente àquela coisa um pouco inexplicável da química, dos “santos baterem”, do entendimento mútuo. Concordo que sem isso, não dá para manter nenhum tipo de contato duradouro.

2. Respeito

Esse tópico fala da atenção, da consideração pelos sentimentos e opiniões do outro, do apreço, da estima, da reverência. Se uma pessoa não tem respeito pela outra, não há possibilidade de relacionamento entre elas. Com uma empresa ocorre o mesmo. Se ela não me respeita, se não está interessada nas minhas opiniões e posições, se não me dá o mínimo de atenção, como continuar cliente?

3. Admiração

Penso que esse item é a cereja do cupcake. Você pode ter simpatia e respeito por alguém, mas isso ainda não ser suficiente para manter uma relação perene. É preciso admirar nessa pessoa pelo menos uma qualidade que ela tenha. Para mim, isso é fundamental num casamento. E, observando bem, reparei que nutro profunda admiração por todos os meus amigos mais próximos e queridos, cada um por uma característica diferente; mas todas me enchem de orgulho de alguma maneira. Por isso também penso ser muito improvável relacionar-se a longo prazo com empresas pelas quais não se tenha nenhum aspecto a admirar.

Parece pouco, simples, mas estou convencida de que essas três perspectivas resumem bem os principais pontos de apoio num relacionamento duradouro, qualquer que seja sua natureza.

Pense nas pessoas mais chegadas, que mais convivem com você, aquelas que você mais ama, e veja se os três tópicos estão presentes.

Acredito que todas as empresas que trabalham para manter uma base de clientes fiel deveria ter estratégias claras para tornar visíveis e presentes esses três pontos fundamentais.

E você, tanto no aspecto pessoal como no profissional? Está cuidando bem desse trio?

A viagem de Hector

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Achei esse livro num mercado de pulgas e acabei comprando porque o confundi com outro, com nome parecido, mas de outro autor. Fiquei um pouco desconfiada porque o título parecia de auto-ajuda: “Hector Reise oder die Suche nach dem Glück” (tradução livre: “A viagem de Hector ou a busca pela felicidade”).

O triste é que minha intuição estava certa; auto-ajuda fraquíssima, daquelas óbvias de doer mesmo (esse é um dos poucos estilos literários que realmente não gosto, mas às vezes tem alguma coisa aproveitável). Ainda assim, respirei fundo e fui até o final, pois o autor, François Lelord, estudou medicina, psicologia e atua como psiquiatra, tendo dezenas de livros publicados. Haveria de ter algo interessante na história.

Pois bem. Hector é um psiquiatra estabelecido em Paris. Tem muitos pacientes e uma namorada. Ele está insatisfeito porque não consegue que alguns de seus pacientes sejam felizes. Aí ele enfia na cabeça que a melhor coisa, nesse caso, é fazer uma viagem pelo mundo para descobrir o que faz as pessoas felizes (bibliografia e estudos já realizados, para quê, né? Poderia ter pelo menos se preparado para a pesquisa).

Uma das coisas irritantes é que a história é contada como se o narrador tivesse 8 anos de idade, no máximo; talvez o público de interesse seja infanto-juvenil, mas fica muito estranho um psicanalista falar como se tivesse limitações de entendimento e não conseguisse se aprofundar nas análises mais básicas.

Primeiro ele vai até a China e encontra um velho amigo que está morando lá, trabalha muito, tem muito dinheiro e não é feliz (ah, esses estereótipos óbvios…). Então Hector anota num caderninho coisas que ele conclui que sejam importantes para a felicidade, do tipo: “lição 1: comparar-se com os outros é um bom meio para perder a felicidade; lição 2: Felicidade vem frequentemente com surpresas” e por aí vai. Essa lição 2 ele concluiu após ganhar um upgrade no lugar no avião, veja que profundo.

Bom, continuando os estereótipos, é claro que ele vai até um mosteiro que fica no alto de uma montanha e encontra um monge que lhe dá lições de vida (mais ou menos um apanhado dessas que a gente encontra no Facebook).

Depois vai para um país africano (não cita o nome), é sequestrado, corre o risco de morrer, mas consegue se safar porque invoca um mafioso com quem fez amizade no hotel (e receitou um antidepressivo para a mulher do sujeito, que ele nem conhecia).

Segue para um país que parece ser os EUA (mas não cita o nome) e visita um grande professor que é reconhecidamente uma autoridade no assunto felicidade, pois pesquisa há anos o assunto. Ôba, parece que agora a conversa vai ficar séria. Ledo engano; ele e o professor parecem duas comadres conversando sobre novela.

No caminho, Hector se envolve com várias mulheres e trai descaradamente a namorada, mas não fica preocupado porque conclui que, no final, a culpa é dela, que não quis acompanhá-lo na viagem (ela estava muito focada no trabalho). Olha, nessa parte fiquei realmente muito irritada.

Provavelmente não sou o público de interesse desse livro, mas não consigo me imaginar gostando dele mesmo se tivesse 12 anos de idade.

Se você gostar do gênero e tiver paciência, vai fundo, mas por sua própria conta e risco. De minha parte, não recomendo não.

Uma história de Branca de Neve bem diferente

Desde pequeno, a mãe de Alexandre sempre o chamou pelo apelido: Branco. Não demorou para os amiguinhos logo adaptarem para Branca de Neve; e aí ele nunca mais conseguiu se livrar do codinome.

Com 12 anos, o menino arteiro foi matriculado num curso de barbeiro para ver se aprontava menos. Alexandre estudou o ofício por insistência da mãe, mas não deu muita importância ao assunto. Na adolescência, acabou se envolvendo com as companhias erradas e tornou-se uma grande dor de cabeça; até preso foi. Mas o nascimento do primeiro filho fez o moço pensar que era hora de mudar. Abriu sua primeira barbearia com a ajuda da esposa e da mãe (sim, sempre ela).

Hoje, é um sucesso na Batalha dos Barbeiros, representando o Brasil em torneios internacionais. Mas a grande sacada veio com a consciência de que é preciso recuperar gente que não teve o mesmo suporte que ele. Além de inspirar os jovens da comunidade com seu exemplo, ele usa moradores de rua, presidiários e pessoas em situação difícil como modelos para seus cursos. Uma ideia tão simples quanto genial, que ajuda todo mundo e recupera a autoestima de todos os envolvidos.

Além de uma pessoa generosa e competente, Alexandre é um verdadeiro artista, pois sua especialidade são cortes exóticos que fazem muito sucesso nas comunidades. Pode-se discutir gosto, mais jamais a incrível habilidade que esse moço tem com as tesouras.

Tive o privilégio de conhecer hoje a Barbearia Branca de Neve pelas mãos do querido Tio Flávio, que nunca se cansa de me apresentar gente interessante. Fico devendo mais essa.

Espero muito que essa história inspire outras pessoas; além de ser um exemplo de superação ao vencer as drogas, Alexandre está sempre envolvido em trabalhos sociais na comunidade (além do salão no centro de Belo Horizonte, ele tem outro no Morro do Papagaio, uma das maiores favelas da cidade). Dá uma olhada no que o moço consegue fazer; é impressionante!

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Esse aqui é o Alexandre, vulgo Branca de Neve, em plena ação.

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Dia do beijo

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Sexta-feira passada foi um daqueles dias históricos que a gente nem imagina que vai viver. Eu era adolescente quando vi uma reprodução de “O beijo”, de Gustav Klimt, num livro de história da arte da biblioteca pública. Fiquei fascinada e passei a estudar e ler tudo o que encontrava sobre o artista.

Em 1997, quase 20 anos atrás, na primeira viagem que fiz à Europa, para visitar a feira de tecnologia de Hannover, achei um livro lindíssimo da Taschen com os principais trabalhos dele. Naquele tempo os livros de arte não eram tão comuns no Brasil, nem tão acessíveis. Comprei aquela maravilhosidade e nem liguei para o fato do texto estar em alemão. Jamais imaginei que um dia poderia lê-lo. Outra daquelas surpresas sensacionais que a vida nos dá de presente; agora posso decifrá-lo sem dificuldade.

Pois agora pude contemplar a tela original de “O beijo”. Levei um tempo para apreciar os detalhes, pois meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas que teimavam em transbordar. Ainda bem que o Conrado estava ao meu lado para me abraçar e compartilhar um momento tão importante; afinal, foi ele quem me trouxe até aqui.
É tanta gratidão que não tenho nem palavras para expressar. É como se toda a beleza do mundo estivesse concentrada naquela sala, naquela hora.
***
O choro só acabou quando caímos na gargalhada ao ver que o museu teve que reservar uma sala ao lado com uma reprodução para as pessoas poderem tirar selfies. Se não tivesse visto, não acrediatria. O Belvedere ainda teve a presença de espírito de aproveitar esse surto coletivo de narcisismo para criar uma hashtag no Instagram. Assim as pessoas podem divulgar suas selfies e o museu ao mesmo tempo. Se não pode com o inimigo, una-se a eles!

5 coisas que aprendi em Viena

Não, eu não estava preparada para Viena. Estudei, li, pesquisei, mas quando olhei para aquilo tudo, meu queixo caiu. Não sei se porque os pouquíssimos dias que passei lá estavam lindos, era primavera e tudo cheirava a rosas, porque fui com meu amor, ou por tudo isso junto. Não importa.

Meus sentidos ficaram entorpecidos por causa de tanto estímulo, essa é que é a verdade. Mas não à toa; muita história, cultura e arte num lugar lindo só.

Em 1910, Viena era a quinta maior cidade do mundo, perdendo apenas para Londres, Paris, New York e Chicago, mas perdeu 25% de sua população depois da I Guerra Mundial (que, por sinal, começou lá, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do poderoso Império Austro-Húngaro). A dinastia Habsburg acabou, mas deixou um legado de palácios, castelos e jardins de cair o queixo.

Saí de lá feliz e inspirada pelos clássicos, modernos e contemporâneos austríacos. Resumindo bem, aprendi 5 coisas novas a respeito dessa cidade única.

  1. ARQUITETURA

Talvez porque tenha sido poupada de bombardeios nas guerras, há muitas, muitas mesmo, construções originais ainda em estilo barroco, da época áurea dos Habsburg. Sem contar as obras incríveis deixadas pelo movimento Secessão e do louquíssimo arquiteto Friedensreich Hundertwasser (vamos falar sobre ele depois). São castelos, museus, óperas, teatros, parques e edifícios “comuns” de cair o queixo. Só flanar pelas ruas por onde Freud caminhava já é um convite ao torcicolo.

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#mariatheresienplatz #paracegover A imagem, em formato panorama, mostra uma fonte com figuras de bronze ao centro. Do lado esquerdo, o prédio do museu de história natural, na sombra, meio azulado. Do lado direito, o museu de história da arte, iluminado pela luz do sol do final da tarde, num tom alaranjado. Duas mulheres e uma criança caminham do lado direito.

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#KarolinenGasse #paracegover A imagem mostra um prédio que mistura os estilo neoclássico e barroco (pelo menos acho que é isso, mas não sou especialista). As paredes são ornamentadas com pinturas e esculturas.

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#secession #Friedrichstraße #paracegover A imagem mostra o edifício sede do movimento Secessão, construído pelo arquiteto Joseph Maria Olbrich. O prédio é branco e todo ornamentado com motivos no estilo art-nouveau.

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#Majolikahaus #LinkeWienzeile #paracegover A imagem mostra como fazer alguém que gosta de arquitetura ter um ataque do coração: um prédio todo decorado com elementos art-nouveau, típico do movimento Secessão, nascido em Viena no final do século XIX. Essa edificação, construída pelo arquiteto Otto Wagner, é conhecida por Majolikahaus, ou casa de Majolika. O nome remete à Ilha de Mallorca, na Espanha, mas em italiano a palavra significa também faiança, a técnica de pintura em cerâmica esmaltada (a fachada é toda em cerâmica, por isso nunca perde a cor; basta lavá-la periodicamente) .

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#Secession #paracegover A imagem em preto e branco mostra um detalhe do piso do prédio do Movimento Secessão. Os arabescos, curvilíneos e simétricos, são no estilo art-nouveau. Do lado esquerdo aparecem meus sapatos.

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#Schikanedergasse #paracegover A imagem mostra um prédio barroco visto de baixo com o céu azul ao fundo. A fachada é amarela e os contornos das janelas altas, de um amarelo mais forte e dourado. O prédio abriga o Carlton Opera, o hotel em que nos hospedamos (***) e recomendamos.

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#Majolikahaus #LinkeWienzeile #paracegover A imagem mostra uma visão panorâmica dos prédios do arquiteto secessionista Otto Wagner: a Majovikahaus (esquerda, com a fachada florida). O prédio da direita não tem um nome específico, mas é do mesmo arquiteto e igualmente sensacional. É todo em branco com detalhes florais dourados.

2. ARTE

Bem, um lugar que deu origem a um movimento artístico tão importante quando o da Secessão, não pode ser qualquer coisa. Liderado por Gustav Klimt, tudo começou por causa do choque de gerações, em 1861. Havia um órgão oficial, a Cooperativa dos Artistas de Artes Decorativas da Áustria que era muito respeitado (com aquele tanto de castelo e palácio no currículo; como não?), mas a turma de Klimt queria fazer algo novo. Como não conseguiu quebrar os rígidos padrões estéticos da cooperativa, fundou uma nova associação. Como dá para ver em algumas fotos acima, o prédio é lindo (mas completamente diferente dos palácios). Também não dá para esquecer que por aqui andaram Egon Schiele, o discípulo mais próximo de Klimt, e os músicos Amadeus Mozart, Franz Schubert e Johann Strauss, só para citar os mais conhecidos.

A gente vê arte por todo lugar nessa cidade, é só ter os olhos atentos.

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#KartnerStrasse #paracegover A imagem mostra um prédio comercial com lojas no térreo, mas as paredes do primeiro e segundo andares são decoradas com uma pintura barroca mostrando anjos, nobres e cavaleiros de armadura sob um céu azul e em frente a uma parede dourada. Em frente ao prédio há um calçadão com bancos com pessoas sentadas, guarda-sóis e uma árvore (do lado esquerdo).

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#Löwengasse #paracegover A imagem mostra uma rua em primeiro plano, em que os trilhos do tram passam no plano horizontal. Do lado esquerdo há um edifício de esquina cuja parte de baixo é pintado de amarelo vivo com faixas sinuosas alaranjadas. Do lado direito vê-se uma árvore frondosa.

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#DerKuss #BelvedereMuseum #paracegover A imagem mostra o quadro “O beijo”, de Gustav Klimt, onde um homem beija uma mulher. Ambos estão envoltos por um manto dourado. A sala é escura e o fundo é preto. Em primeiro plano pode-se ver pessoas em volta da guia, que está explicando a obra.

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#belvedere #paracegover A imagem mostra uma estátua de uma criatura mitológica, com cabeça e seios de mulher, asas de pássaro e corpo de um leão. Está instalada nos jardins do museu Belvedere.

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#belvedere #paracegover A imagem mostra o teto do átrio da palácio/museu Belvedere. O contorno é dourdo e no centro há uma obra ricamente colorida que mostra anhos e demônios lutando sob o céu azul.

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#magdalenenstraße #paracegover A imagem mostra uma rua de prédios mais recentes (porém mal cuidados). Do lado direito pode-se ver uma parede com uma grade pintura realista mostrando um homem pensativo de barca e boina segurando um aquário. Aos pés dele, um cachorro atento.

3. COMIDA

O mercado público da cidade, o Naschmarkt, é um convite aos sentidos (sinto falta de um mercado grande e variado assim aqui em Berlim; conheço todos os Markthallen, mas nenhum é tão completo). Não curtimos muito comida típica alemã, mas descobrimos um restaurante português (Lisboa Lounge) ali perto que é uma delícia. Comi um dos melhores polvos da minha vida por um preço bem acessível.

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#Nashmarkt #paracegover A imagem mostra uma banca de verduras e legumes dentro do mercado público. Pessoas caminham do lado direito.

4. DIVERSÃO E OUSADIA

Minha percepção foi de que os austríacos são normalmente muito bem humorados. A comunicação facilitou bastante (Viena é a segunda maior cidade com falantes da língua alemã; só perde para Berlim), mas deu para ver que eles sabem se divertir pelos cartazes, avisos e sorrisos. No Museum Quartier, onde tem um espelho d’água no pátio interno, há um aviso fofo para não alimentar os jacarés; as lixeiras são todas mortas de fome pedindo para as pessoas alimentá-las; todas as propagandas são assim, cheias de gracinhas. Sem falar que o parque de diversões Prater completou 250 anos em março desse ano, é mole? E a roda gigante, que funciona até hoje, é de 1897.

No campo ousadia na terra da Conchita Wurst, ninguém melhor que o arquiteto Friedensreich Hundertwasser para representar todo o atrevido bom humor dos austríacos. O sujeito, que devia ser um louco maravilhoso, autointitulava-se o “doutor dos prédios feios”. Bastava que pessoa que morasse em uma horrorosidade chamá-lo e ele ia correndo com sua equipe dar um jeito de colocar cor e diversão no local (o cara trabalhava na obra junto com os pedreiros). Hundertwasser fez até uma “lei dos direitos das janelas” onde o morador teria o direito de fazer intervenções por fora de sua janela até onde seu braço alcançasse para provar que ali morava um ser humano. Preciso dizer que se ele fosse vivo faria qualquer coisa para ser sua estagiária? O livro dele contando os causos é sensacional. Aguardem que vai ter resenha.

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#hundertwasserhaus #paracegover A imagem da esquerda mostra suas mulheres estudando um mapa sentadas na borda de um chafariz. Elas estão sob uma das fachadas do prédio chamado Hundertwasser, que tem um portal curvo cheio de espelhos colados. A imagem da direita mostra os fundos do prédio, todo colorido e coberto de hera.

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#hundertwasserhaus #paracegover A imagem mostra a fachada do prédio projetado pelo arquiteto Hundertwasser. Cada janela é diferentes, assim como cada pedaço é de uma cor. A superfície é toda irregular.

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#hundertwasserhaus #paracegover Mais uma vista do exótico e colorido prédio na esquerda. Na direita, a imagem mostra um leão de cimento fazendo selfie com a casa ao fundo.

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#hundertwasserhaus #paracegover A imagem mostra detalhes da fachada, com duas formas orgânicas, coloridas e com aplicações de espelhos e ladrilhos.

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#hundertwassermuseum #paracegover A imagem da esquerda mostra o prédio interno do museu que homenageia o arquiteto Hunderwasser (ele também projetou esse prédio). A imagem da direita mostra o portal do museu que fica na calçada dos fundos. Um pomba passeia calmamente sob o portal, na calçada.

5. AMOR, MUITO AMOR

O movimento GLBT, como toda cidade com alto nível cultural e artístico, vai super bem por aqui, obrigada. Passamos por vários bares bacanas e lugares coloridíssimos. Na semana anterior à Parada do Arco-Íris, todos os trams (bondes) andaram com uma bandeirinha colorida; os semáforos tinham duas pessoinhas com um coração entre elas, no lugar do tradicional bonequinho. Um amor.

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#straßenbahn #paracegover A imagem da esquerda mostra o detalhe do semáforo, com os dois bonequinhos de mãos dadas e um coração no meio. A imagem da direita mostra um ponto de tram com a ponta de um veículo chegando. Ele carrega a bandeira do arco-íris na dianteira. Na calçada, um casal caminha de mãos dadas.

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#Mühlgasse #paracegover A imagem mostra uma janela com a esquadria branca e vermelha. A parede tem as cores do arco-íris em uma faixa do lado esquerdo. O fundo é amarelo.

Bom, com o tanto de museus que essa cidade tem (são 182 cadastrados) e coisas lindas para ver, com certeza terei que voltar (ainda queremos ir à ópera, pois dessa vez não deu).  Então, para quem vai visitar (ou voltar), fica a dica: reserve o máximo de dias que puder para essa verdadeira experiência sensorial.

Street art também é autoconhecimento

Há alguns dias soube, por um cartaz num ponto de ônibus, que o Groth Gruppe, uma grande construtora (por coincidência, a mesma que construiu o apartamento onde moro), estava promovendo gratuitamente, para quem quisesse participar, workshops de street art no canteiro de obras de um de seus empreendimentos.

A ideia é que os participantes construam coletivamente obras que depois serão expostas no local, com direito a festa e tudo. Achei essa ideia excelente, principalmente para aumentar o sentimento de pertencimento da comunidade a uma obra civil que impacta enormemente o entorno.

Foram três sessões, cada uma facilitada por artistas famosos na cidade (e olha que o que não falta em Berlim é artista). A primeira eu perdi porque não fiquei sabendo, mas aproveitei muito as outras duas. Até porque, analisando agora, quando recebi as fotos do evento, dei-me conta do quanto essas experiências contribuíram para meu autoconhecimento.

O primeiro workshop foi facilitado pelos artistas Various & Gould. O casal tem trabalhos maravilhosos de colagens pela cidade (já fotografei alguns) e a primeira tarefa consistia em escolher duas palavras quaisquer. Cada um escrevia (ou desenhava; eles enfatizaram que a tipografia era um elemento importantíssimo na escolha) a sua e seriam eleitas duas pelo grupo. Minha proposta, a palavra alles (tudo, em alemão) desenhada num formato de globo, foi uma das escolhidas na seleção final. A outra foi Kunst (arte, em alemão), desenhada bem ao estilo grafite por um rapaz.

Enquanto os outros participantes treinavam técnicas de pintura em telas usando moldes, sprays e outras ferramentas, os autores das duas palavras precisavam desenhá-las no painel de acrílico coberto com uma película. A ideia era a gente recortar a película e deixar apenas a palavra coberta. Assim, todos juntos iriam fazer intervenções em diversas camadas e no final a gente tiraria a película, deixando a palavra em branco. Também fiz algumas intervenções, diverti-me muito e foi sensacional. Voltei para casa como criança pequena cansada depois de brincar o dia todo.

O segundo workshop, com o artista Christian Awe, também super prestigiado e conhecido, foi um pouco diferente. Também tínhamos dois paineis grandes para trabalhar, mas ele escolheu uma paleta de cores para cada equipe: uma usaria cores quentes, a outra, cores frias.

Houve mistura de técnicas diversas: aquarela, tinta acrílica, moldes com spray, bolinhas de gude sujas de tinta escorrendo pela prancha, colagens e sobreposições usando fita crepe, enfim, aprendi um monte de coisas. Mas, para mim, o outro tinha sido tão mais legal…

Voltei para casa pensando por que seria. Os dois tinham sido conduzidos por artistas bacanas, os participantes eram praticamente os mesmos e os resultados nem tinham ficado tão diferentes assim.

Depois de muito pensar, descobri: é que não gosto de pintar, eu amo desenhar! No primeiro workshop passei mais da metade do tempo desenhando. No segundo, tentei improvisar um pincel de dedo e depois com um graveto, mas não ficou bom. Para mim, pintar é até divertido, desde que seja um meio para desenhar.

Já pintei muros, quase não tenho mais paredes livres em casa, amo tintas e canetas mais que tudo. Mas preciso desenhar. Sem isso, para mim, é como se a obra ficasse inacabada, como se eu não tivesse conseguido me comunicar. Fica faltando!

Talvez isso explique também meu encanto por obras hiperrealistas e predominantemente figurativas; as abstratas só me chamam atenção se tiverem algum desenho, algum traço deliberadamente desenhado, como Paul Klee.

Enfim, são décadas desenhando e pintando para só agora me dar conta do que realmente gosto de fazer.

Achei interessante compartilhar minha experiência e conclusões porque pode colocar uma pulguinha aí atrás da sua orelha. Ou, quem sabe, no seu caso, um pincel ou um lápis.

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe #paracegover Na imagem eu apareço observando os trabalhos do portfolio do artista Christian Awe. O portfólio está em forma de pranchetas com fotos organizadas dentro de uma caixa de papelão. Estou vestindo um macacão de TNT para proteger a roupa das tintas. Ao fundo um muro rabiscado, um painel rosa pink para ser trabalhado e uma mesa cheia de tintas.

 

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe  #paracegover Na foto eu apareço fazendo experimentos com moldes e tinta em spray. Uso um macacão branco de TNT, máscara descartável sobre o nariz e a boca e luvas azuis. Do lado direito da imagem aparece uma montanha de paralelepípedos, já que estamos trabalhando no canteiro de obras.

 

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe #paracegover Aqui aparecem a equipe que participou do primeiro workshop (19 pessoas) e mais um cachorro fofo que também é artista. Ao fundo, o painel com a palavra “alles” desenhada por mim. Do lado esquerdo, ao fundo, aparece uma parte do painel “Kunst”.

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe #paracegover Na imagem apareço mostrando os testes que fiz numa tela para o artista Christian Awe. É claro que ele incentivou, mas, pela minha cara, dá para ver que não gostei muito do resultado…rs

PS: Meu sonho continua sendo pintar (ou melhor, desenhar) um mural em Berlim. Bem grande. Quem sabe?

Será o ócio mesmo criativo?

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Há alguns anos, o pesquisador Carel van Schaik, especialista em primatas, fez uma escada de corda para pendurar seus instrumentos de medição numa das árvores em uma floresta na Sumatra. Os macacos que frequentavam o local simplesmente ignoraram. Na época, ele não pensou muito a respeito, mas depois, em outras pesquisas e vendo como os macacos costumavam ser inteligentes e curiosos, ficou intrigado com o caso. Como assim os orangotangos sequer prestaram atenção aqueles objetos totalmente inéditos para eles?

O jornal Die Zeit, que publicou Muße küsst Affe (Ócio beija macaco), conta que Schaik ficou surpreso com a resposta que encontrou para o enigma:  o ócio (sim, aquele mesmo de que falava o italiano Domenico de Masi). Quanto estão no habitat natural, os orangotangos estão preocupados em construir abrigos, escapar de predadores e conseguir comida. Eles não têm tempo para pensar, brincar ou ficar imaginando coisas. Toda energia é focada na sobrevivência. Novidades, inclusive, são vistas como ameaças (melhor não se aproximar de objetos estranhos).

Schaik repetiu a experiência, dessa vez com flores e frutas de plástico, além de bichos de pelúcia, nas florestas indonésias de Bornéu e Sumatra. Mesmo resultado; os macacos nem ao menos tomaram conhecimento. Mas quando colocou os mesmos objetos à disposição dos orangotangos em zoológicos de Zurique e Frankfurt, precisou de apenas alguns segundos para despertar a curiosidade dos bichos. Os brinquedos foram desmontados, separados em partes e cuidadosamente analisados.

A pergunta estava posta: será que os animais do zoológicos são mais curiosos e criativos, ou apenas mais entediados?

Para o pesquisador, as duas coisas são compatíveis. O tédio pode ser um forte fator para o desenvolvimento da criatividade. Para ele, pensar em arte, filosofia e até ciência, só é possível depois que as necessidades básicas já tiverem sido atendidas (faz sentido, se a gente se lembrar da pirâmide de Maslow). Os animais, num bom zoológico, se estão em um ambiente confortável e conhecido, podem gastar seu tempo brincando, aprendendo e pensando; o exato oposto de quem precisa lutar pela sobrevivência.

A ideia de zoológicos me incomoda bastante, principalmente quando os enjaulados são macacos. Mas a conclusão da pesquisa não deixa de ser interessante.

Não dá para pedir para uma pessoa que leva quatro horas indo e voltando do trabalho e mais oito cumprindo a jornada, além das tarefas domésticas e outras obrigações, que ainda por cima tenha grandes ideias. Ela realmente não tem cabeça para isso; está concentrada em sobreviver e encontrar um meio de pagar as contas. Quando uma população está exausta tentando obter o básico da sobrevivência, fica muito difícil se concentrar em ideias mais complexas, em ampliar o repertório, em aprender coisas diferentes.

Mas aí fiquei pensando que a falta e a necessidade de sobrevivência também provocam a busca de soluções criativas para problemas cotidianos; os livros, jornais e portais de internet estão cheios de casos assim, o que, de certa maneira, confronta os resultados da pesquisa com os orangotangos.

Não sei, mas talvez a curiosidade e a criatividade sofram mais influência da cultura do que o ambiente. Num zoológico, além do tédio e da segurança, o macaco que descobre alguma coisa interessante para brincar deve fazer sucesso no meio e, por isso, de alguma maneira é incentivado a procurar novidades. Na selva, o sucesso se chama comida; qualquer outra novidade é desaprovada pelo bando.

Numa sociedade de humanos, a situação é análoga, mas penso que há grupos que, mesmo com dificuldades de sobrevivência, de alguma maneira valorizam o curioso, o original, as soluções engenhosas. De certa forma, a criatividade acaba sendo estimulada porque a aceitação social passa por ela. Se a pessoa não consegue o sucesso pelo dinheiro (que seria a comida, para os macacos), consegue ser admirada pela criatividade.

De qualquer maneira, é só um achismo, pois não tenho nenhum estudo para fundamentar isso. Mas que fiquei com a pulga atrás da orelha, fiquei. E ela pulou de um orangotango…

Nota: tempo e ócio são fundamentais para a criatividade; sem tempo de relaxamento, não há como organizar as ideias, faz parte do processo (meu texto Tempo para criar fala mais sobre isso). O que estou discutindo aqui é a motivação; se é a falta do que fazer, como defende o artigo do jornal Die Zeit,  ou se é aceitação social (uma ideia que me ocorreu, mas totalmente sem fundamento).

10 dicas para contratar um designer sem medo de errar

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Acompanho alguns fóruns de empreendedorismo nas redes sociais, tenho vários amigos empreendedores e posso dizer; contratar um designer é um desafio. E não é nem a questão de que os clientes não têm noção nenhuma do trabalho do designer e de sua importância.  Muitos sabem exatamente o peso que uma boa representação gráfica tem para seu negócio e mesmo com limitações orçamentárias, priorizam a contratação escritórios ou profissionais com diploma em vez de arriscar por si ou pedir favores a sobrinhos. Ainda que tomando todos os cuidados e levando o assunto muito a sério, tenho sabido de histórias escabrosas.

Há pouco tempo, uma grande amiga, consultora e palestrante, contratou um estúdio para definir sua identidade visual. Ela me mandou as três opções que lhes foram sugeridas: uma era tão, mas tão absurdamente diferente da outra, que só me restou perguntar como eles defenderam o conceito, ou seja, que identidade profissional era essa que estavam querendo traduzir. Sem resposta. Apresentaram então outra alternativa (depois de semanas), julgando ser a definitiva e explicando que o motivo do atraso era que o trabalho era muito complexo e precisava de muito estudo. Em menos de um minuto pesquisando no Google imagens encontrei a alternativa deles em um site de logos grátis (aqueles que os designers demonizam). Não mudaram nem a cor. Pois é.

Um casal de amigos aqui de Berlim contratou um designer local com a recomendação de que ele já tinha passado até pela BMW. O sujeito nascido e criado na terra da Bauhaus levou quatro semanas para entregar um folder tão tosco, errado em tantos aspectos, que, para coroar a obra, esqueceu de colocar o endereço do site (o negócio era um e-commerce). Quando questionado, justificou que isso atiçaria a curiosidade das pessoas, que procurariam o endereço no Google (reconhecer o erro, nem pensar, né?).

Outro caso é o da Bendita Pele, que relatei inteiro aqui (esse, pelo menos, com final feliz). E tenho certeza que todo mundo tem histórias igualmente infelizes para contar.

Então. Justamente para evitar que mais profissionais e empresas passem por esses perrengues desnecessários e a categoria dos designers fique ainda mais desgastada, vou dar aqui algumas dicas para facilitar a escolha do profissional responsável pela forma como as pessoas verão (literalmente) sua empresa no mercado.

Vamos lá:

1. Há médicos, dentistas, arquitetos, professores, cabeleireiros, advogados e pedreiros péssimos, ruins, médios, bons e sensacionais. Por que com designers seria diferente? Na verdade, você já sabe como escolher os melhores: da mesma maneira que você escolhe os outros profissionais. O negócio é sair pedindo dicas para amigos, conhecidos e clientes.

2. É importante entender que o trabalho que o profissional vai fazer é tentar representar graficamente a identidade de sua empresa, a essência, o caráter, a personalidade dela. Então ele precisa de algum método investigativo para determinar isso (um dos que estão disponíveis e de graça é o GIIC®, que eu mesma desenvolvi). Só então poderá começar desenvolver os desenhos e alternativas.

3. Sempre peça para ver o portfólio (isso é mais importante que o currículo). Lá vai ter os trabalhos que o profissional/empresa já fez. Escolha um item que você gostou muito (ou detestou) e peça para ele explicar como chegou no resultado. Isso vai dizer muita coisa sobre o método de trabalho. NOTA: Se a explicação for confusa ou não convencer, mau sinal. Procure outra alternativa.

4. Pergunte tudo, mas absolutamente tudo; não deixe nenhuma dúvida em aberto: como funciona, quais são as etapas, o que acontece se você não gostar, o que está incluso/excluso, se terá que pagar a mais cada vez que tiver que trocar o endereço no cartão de visitas, se você receberá um arquivo (ou vários) que poderão ser usados por outros fornecedores, enfim. Tudo o que se lembrar. Se o profissional/empresa for bom, terá um contrato escrito com todos esses detalhes. Isso se chama gestão de expectativas e os excelentes praticam sempre.

5. Avalie a apresentação visual do designer/empresa. Você consegue perceber as qualidades que está buscando? Se não consegue, uma boa dica é procurar outro. Se o profissional/empresa não faz a lição de casa, como vai atender seu projeto?

6. O manual de aplicação, documento que explica como a marca gráfica deve e como não deve ser utilizada (proporções, fundos, fontes tipográficas, cores, etc) é um item muito importante. Evita que o trabalho desenvolvido com tanto cuidado possa ser estragado porque você não sabia que não devia colocar a marca sobre um fundo estampado, por exemplo. Assegure-se que esse item esteja incluso no contrato.

7. Você não é obrigado a gostar do resultado apresentado. Se está desconfortável, explique ao profissional o motivo; o que exatamente não está bom do seu ponto de vista. Quanto mais específico for com relação aos pontos que estão lhe perturbando, mais fácil será para solucionar o problema. Se o profissional realmente estiver seguro do que fez, explicará o porquê da escolha de cada item (cores, formas, tipografia, etc) e o motivo pelo qual um ponto ou outro não deve ser alterado, mas pensará numa alternativa para adequar suas necessidades. Como você vai fazer seus clientes se apaixonarem pela empresa se você mesmo não é capaz?

8. Mesmo que goste do resultado, não deixe de comparar a solução gráfica apresentada com outros resultados no Google Images. Isso acontece até com empresas grandes; não é justo cobrar por um trabalho que não foi feito.

9. O trabalho que descrevi acima é o desenvolvimento de uma marca gráfica ou de uma peça gráfica. Isso não é Branding. Pode ser uma parte de um projeto de Branding, que é essencialmente estratégico e anterior ao projeto gráfico, mas são coisas diferentes. Se o profissional chamar apenas essa etapa de Branding, fuja. Ele não sabe o que está fazendo.

10. Se ficou feliz com o trabalho, não deixe de recomendar para os amigos. Só assim o mercado se livrará dos maus profissionais e valorizará de verdade os que merecem.

Uma das coisas mais lindas e bem-sucedidas do mundo é quando o cliente encontra seu designer e vice-versa. Palmas, abraços e muito sucesso para todos os envolvidos.

Não é isso que todo mundo quer?

Para quebrar seus preconceitos…

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Ah, esses alemãos frios, distantes e nada sociáveis…rsrsr

Olha só que fofura a carta que estava na caixa do correio hoje:

Querido vizinho,

Há um mês estamos aqui em nosso apartamento no quarto andar com nossos móveis e incontáveis caixas de mudança. Nesse meio tempo, a maioria das caixas já foi desempacotada. A maioria das coisas já encontrou seu lugar. Quase tudo foi encontrado novamente. Algumas coisas estão ainda desaparecidas, como, por exemplo, nosso escorredor de macarrão. Mas ainda temos esperança de encontrá-lo nos próximos dias.

Então, nós estamos muito felizes porque o esforço da mudança já passou. Agora vem a melhor parte, que é conhecer nossos vizinhos. Por isso, ficaríamos muito felizes se vocês pudessem tomar uma bebidinha conosco na próxima quarta-feira, às 19h30.

Já estamos felizes em antecipação.

***
Como resistir a um convite desses, né?
Muito amor envolvido.

Se você vai se mudar em breve, fica aqui a inspiração <3

Fale como se estivesse no TED

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O Diego Marcello Trávez, que além de amigo e parceiro (a empresa dele é que cuida da minha agenda no Brasil), também é um descobridor de dicas interessantes para seus assessorados. Ele me mandou a foto de um livro que estava lendo e que recomendava muito; comprei e engoli o volume todo em menos de dois dias. Estava bom mesmo.

Talk like TED: tge 9 public-speaking secrets of the world’s top minds“, de Carmine Gallo (já resenhei o ótimo “Faça como Steve Jobs” dele também), pretende ser um guia definitivo de como fazer apresentações memoráveis. E acho que consegue.

Ele usa como base as apresentações do TED (Technology, Entertainment and Design), projeto criado em 1984 para divulgar ideias que merecem ser divulgadas. O modelo é centrado em apresentações de 18 minutos (no máximo) sobre os mais diversos temas como arte, design, negócios, educação, saúde, ciência, tecnologia e assuntos globais. Os vídeos das palestras são publicados na página do projeto (TEDTalks) e nada menos que um milhão de pessoas os assiste a cada dia.

Gallo mais de 500 das palestras entre as mais populares e, com a ajuda de neurocientistas, psicólogos e especialistas em comunicação, além de inúmeras entrevistas, análises estatísticas e sua própria experiência pessoal (que não é pequena), conseguiu identificar o que faz uma palestra ser assistida quase 38 milhões de vezes (como é o caso da apresentação de Ken Robinson, de 2012).

Ele começa apoiando o sucesso de uma apresentação em três pilares: emoção, novidade e memorabilidade.

A emoção é a parte que toca o coração das pessoas. E aí ele faz uma longa dissertação, cheia de exemplos práticos, sobre o poder do storytelling. É contando histórias que se chega ao coração das pessoas, que se realiza a conexão entre os seres humanos. Se as histórias forem pessoais, tanto melhor. Ele cita também a palestra de Brené Brown (vista 24 milhões de vezes) sobre o poder da vulnerabilidade e da empatia, além da clássica palestra de Amanda Palmer, sobre a arte de pedir. Nesse módulo, ele também fala sobre os gestos, as palavras, o tom de voz e até a velocidade com que a pessoa fala.

A novidade é o que nos move como seres humanos; somos curiosos por uma questão de sobrevivência. Sem isso, seria impossível evoluir. Uma pessoa precisa aprender algo novo em troca desses 18 minutos de atenção. E isso precisa ser mostrado de um jeito interessante; a melhor maneira é contextualizar os números que se pretende mostrar, comparando-os com outros do dia-a-dia ou mostrando-os em escala, usando metáforas, mostrando exemplos práticos com objetos reais.

Gallo revela ainda uma novidade (pelo menos para mim), veja só: aprender algo novo libera dopamina em altas doses; aprender é viciante como qualquer outra droga, tipo a cocaína, por exemplo. Só que é seguro e legal. Por que não levam isso realmente a sério nas escolas?

Por último, a capacidade de ser memorável. Reduzir a informação até que ela atinja sua essência, que pode ser na forma de uma história curta, uma frase, uma brincadeira, uma experiência multisensorial; algo que faça com que as pessoas se lembrem da mensagem. Que elas consigam resumir os 18 minutos em uma frase do tipo: é aquela palestra em que ele tira o computador de dentro de um envelope. Tenho certeza que você lembrou e sabe exatamente de qual palestra estou falando.

Na parte de memorabilidade, Gallo fala ainda sobre o senso de humor e seu papel na memória afetiva. Piadas devem ser usadas com muito comedimento ou evitadas por quem não é comediante profissional (o risco é enorme de alguém sair ofendido), mas rir de si mesmo e compartilhar histórias pessoais engraçadas pode ser um bom caminho.

O melhor é que o livro funciona como um curso, em que se pode lê-lo e acessar as palestras do TED para ver os exemplos que ele cita. Bom demais.

Mesmo que nunca pense em ser um palestrante ou professor, recomendo demais o livro, afinal, todo mundo precisa apresentar ideias.

Pois é, Diego querido, agora não vejo a hora de colocar tudo isso em prática…rsrs

***

PS: Em português, o livro saiu com o nome “TED: falar, convencer, emocionar”.

Fanáticos

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Imagine a seguinte cena (totalmente fictícia, claro): uma câmera filma o Lula negociando preços em um esquema de tráfico de criancinhas para transplante de órgãos. Depois ele aparece assinando um papel (com firma reconhecida depois em cartório) definindo a comissão para os receptadores. Logo em seguida, confirma tudo numa conversa gravada.

Sabe o que os fãs mais aguerridos diriam ao saber da notícia? “Não há provas suficientes”, “É tudo coisa da mídia golpista”, “A quem interessa a divulgação disso?”, “Com tanto bandido por aí, porque estão concentrados somente nele?”. Negariam a realidade até o limite do impossível e, confrontados com a inconsistência dos argumentos, atacariam finalmente com um “Mas o FHC também fazia”. E por aí vai.

E você pensa que isso só acontece com o Lula? Não se engane; troque o personagem principal do primeiro parágrafo pelo próprio FHC ou por Bolsonaro, Lady Gaga, Sérgio Moro, Chico Buarque, Ivete Sangalo, Claudia Leite, Sílvio Santos, Papa Francisco, Beyoncé, quem você quiser, e a reação de alguns fãs será muito parecida.

Isso acontece porque, apesar de muitos já terem se esquecido, fã é um aportuguesamento de fan, que por sua vez é uma redução de fanático. Fanáticos não primam pelo raciocínio lógico. Fanáticos apenas idolatram; escolhem alguém e santificam aquela pessoa como se ela não fosse humana. São devotos de gente comum. O que é muito triste, pois só mostra o quanto fanáticos precisam de amor e atenção.

Ainda bem que a maioria das pessoas, quando se diz fã de alguém, na verdade não está dizendo que é fanático; apenas que admira algum aspecto daquela pessoa. Penso que essa é a chave: a gente pode admirar apenas uma parte e continuar conservando o senso crítico, uma vez que somos todos falíveis. Sou fã (na verdade, admiradora) do trabalho do Chico Buarque. Também sou apreciadora do Philip Stark, adoro as peças que ele projeta. Gosto demais dos livros do Harumi Murakami. Mas se qualquer um desses que citei cometer um crime, não dá para passar a mão na cabeça; a lei tem que valer para todos. Absolutamente todos. Sem dizer que eles falam e fazem bobagem como todo mundo e a gente não precisa concordar. Normal.

Há extremistas demais no mundo: fanáticos religiosos, fanáticos políticos, fanáticos artísticos, fanáticos empresariais, fanáticos ideológicos. A idolatria desumaniza o outro, gera expectativas sobre-humanas.

Minha proposta: vamos ser menos fanáticos e mais apreciadores, admiradores, incentivadores? Vamos admitir que aquele guru iluminado que parece até ser de outro planeta é tão poeira de estrelas quanto qualquer um de nós? Que líderes também fazem besteira e têm que responder por seus atos? Que pessoas famosas, no final das contas, são apenas seres humanos?

Vamos?

 

Vidas extraordinárias

Desde a última vez que estive no Brasil, em dezembro do ano passado, estou para compartilhar uma experiência riquíssima que tive em Belo Horizonte; fui convidada a assistir uma palestra sobre inclusão de pessoas com deficiência promovida pelo Programa SENAC de Acessibilidade. As histórias que ouvi, na ocasião, fizeram-me ver as coisas de um modo totalmente novo.

Primeiro, aprendi que o termo “pessoas portadoras de deficiência” não é adequado, pois tudo que é portado por alguém, não faz parte da pessoa, e pode ser retirado quando não for mais necessário. Posso portar uma bolsa, um crachá, um telefone. Mas não uma deficiência.

A expressão “pessoas com necessidades especiais” também não cabe, pois necessidades especiais são 300 toalhas brancas no camarim de um astro pop, por exemplo. Quem apenas quer se locomover, trabalhar, viver, não tem está pedindo nada de especial; são necessidades básicas de qualquer ser humano.

Pessoa deficiente” enfatiza uma qualidade negativa que não é o principal fator identificador daquele ser humano. Então, o mais adequado é “pessoa com deficiência“.

No total, foram quatro palestras muito inspiradoras e transformadoras. Primeiro, fiquei conhecendo o projeto Mano Down, um trocadilho bem-humorado com o nome do famoso rapper brasileiro Mano Brown. Leonardo Gontijo tem um irmão caçula, o Dudu, com síndrome de Down. Desde a infância, os dois são muito ligados e Leonardo resolveu se dedicar a fazer de Dudu uma pessoa autônoma e realizada. Dudu do Cavaco, como é mais conhecido, é músico e faz shows e palestras por todo o Brasil. Uma linda história de amor entre dois irmãos.

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Leonardo Gontijo e Dudu do Cavaco, o Mano Down.

Depois da palestra esclarecedora da advogada Patrícia Siqueira, do Ministério do Trabalho, sobre as leis de cotas nas empresas, veio a incrível história do David. Um moço bonito e inteligente, de 27 anos, cheio de dúvidas, questionamentos e desejos; exatamente como você e eu. Só que o David nasceu sem as pernas e com apenas o toco do braço esquerdo. O mais incrível do caso dele, para mim, foi a atitude da mãe. Grávida aos 17 anos e sozinha (o pai do menino não quis nem saber e desapareceu assim que soube da gravidez), fez tudo que estava ao seu alcance para fazer do filho uma pessoa independente e com uma autoestima saudável. Lutou para que ele sempre estudasse em escolas públicas comuns, frequentasse todos os programas dos garotos da idade, andasse pela cidade sozinho e sem auxílio, enfim. Essa mulher é um ser humano realmente excepcional, conseguiu fazer com que a falta dos membros do filho fosse apenas um detalhe na vida dele (e dela). O resultado é o que David conseguiu estudar (faz Direito), viaja e se locomove sozinho com o auxílio de uma cadeira de rodas elétrica e trabalha como palestrante na mesma empresa que me representa no Brasil, a DMT Palestras. Não é para encher de orgulho todos os envolvidos?

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David Cesar, meu colega de trabalho.

Por último, impossível não se encantar com o bom-humor dos Irmãos FOT, os queridos Romário e Ricardo Fot. Eles são gêmeos e se descobriram completamente cegos aos nove anos de idade, vítimas da “Síndrome do olho de gato“. Mas isso não os intimidou: ambos têm curso superior e pós-graduação, sendo que o Ricardo é professor em uma faculdade de administração. Os dois também viajam pelo Brasil dando palestras, ajudando as empresas a entender e incluir a diversidade nos seus quadros.

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Romário e Ricardo, os queridos irmãos FOT.

O Brasil tem nada menos de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, que você não vê porque elas sequer conseguem andar na rua, quando mais estudar. Nem toda pessoa com deficiência tem uma família estruturada, bem resolvida e amorosa para ajudar a superar tantas dificuldades. Quanto mais gente conhecer a realidade, mais se perderá o medo do desconhecido e se aproveitará esses talentos desperdiçados.

Se você tem uma empresa, penso que seria de grande valia contratar qualquer um deles (ou todos); empatia, superação, proatividade e, principalmente, muito amor envolvido. Só pode fazer bem.

Muito obrigada, SENAC/MG, Tio Flávio Cultural e DMT Palestras; vocês, como sempre, me proporcionando essas experiências inesquecíveis.

Como ver o mundo

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Encontrei “How to see the world”, do professor de mídia, cultura e comunicação da New York University, Nicholas Mirzoeff, num cantinho da livraria do Kultur Forum, em Berlim. Estava saindo meio atordoada da belíssima exposição Boticelli, que reúne originais e releituras, quando dei de cara com essa brochura linda da coleção A Pelican Introduction (já vi que tem outros títulos ótimos).

Como resistir a alguém que se propõe a ensinar a gente a ver o mundo? Dica: não resista. Vale cada sílaba impressa. Os capítulos são divididos em: Como ver o mundo; Como ver você mesmo; Como pensamos sobre o ato de ver; O mundo da guerra; O mundo da tela; Cidades mundiais, mundos de cidades; O mundo em mudança; Mudando o mundo; Ativismo visual.

É muita coisa para resumir numa resenha de uma página, mas, na minha opinião, já na introdução ele mostra a que veio e apresenta números impressionantes (e atuais,  pois o livro é do final de 2015) como o fato de 52% da população da Nigéria ter menos de 15 anos (assim como 40% de toda a população da África Sub-Sahariana). Tanto na Índia como na China, mais da metade da população tem menos de 25 anos de idade. Que 6 bilhões de horas de vídeo são assistidos todos os meses no Youtube, uma hora para cada pessoa na Terra. Somente no ano de 2014, um trilhão de fotos foram tiradas; um belo número, se a gente considerar que até 2011, todas as fotos existentes somavam 3 a 5 trilhões. Até o final da década, segundo o Google, serão 5 bilhões de pessoas conectadas à internet (em 2012, mais de 33% da população já tinha acesso).

Ele conclui que, querendo ou não, somos uma sociedade cada vez mais visual e a tendência é aumentar a comunicação por esse meio, uma vez que o mundo é majoritariamente jovem e vive nas cidades. E a internet não é mais um meio de comunicação de massa. É o primeiro meio universal do Planeta Terra.

Ele mostra que isso também mudou a maneira como vemos as coisas e o mundo.

Nicholas usa como exemplo uma foto da Nasa, de 1972, tirada pelo astronauta Jack Schmitt, tripulante da Apollo 17. A imagem intitulada “Mármore Azul” é uma das mais reproduzidas até hoje, pois pela primeira vez o planeta aparece inteiro numa fotografia. Ele a compara com a mesma foto tirada em 2012, que utiliza uma montagem de várias imagens de satélite com as cores e distorções corrigidas. É mais exata que a foto original, mas é falsa. É uma montagem. Ninguém foi lá e fez o click. A imagem é uma combinação de informações mais precisas, porém, parciais. É assim que estamos vendo o mundo agora.

E mais; no mesmo ano de 2012, o astronauta japonês Aki Hoshide estava na mesma situação de Jack Schmitt, mas em vez de fotografar a Terra vista do espaço, ele virou a câmera e fez uma selfie. A Terra aparece em segundo plano, no reflexo do seu capacete. Mais emblemático, impossível.

Não à toa, o primeiro capítulo é todo sobre o fenômeno das selfies. O bacana é que o autor não gasta tempo fazendo críticas a “essa juventude que está aí”. Ele analisa fatos, tendências e nos ajuda a ver esse mundo tão surpreendente, conectado, imediatista e cada vez mais visual.

Mirzoeff afirma que cultura visual envolve as coisas que nós vemos, o modelo mental que define como e o que nós vemos, e o que podemos fazer com o resultado disso. Cultura visual é a relação entre o que percebemos visível e o nome que damos ao que está sendo visto. E isso implica em conhecer também o que é invisível, o que não percebemos.

Ele ainda diz que o conceito de cultura visual mudou de 1990 para cá; antes, tínhamos que ir ao cinema para ver filmes, ao museu para ver exposições, ou visitar alguém em casa para ver suas fotografias. E ele diz mais: “Ver não é acreditar. É algo que nós fazemos, uma espécie de performance”.

Olha, vale ler o livro inteiro. Ele fala sobre os grafites, os mapas, a diferença conceitual entre as atuais selfies e os antigos auto-retratos, as mudanças climáticas, a arte contemporânea, o fenômeno da urbanização, a comunicação e a conexão nas cidades, e, principalmente, sobre como é possível mudar o mundo por meio de mensagens visuais.

Vai lá. Garanto que você não vai se arrepender.

Para que serve uma palestra?

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Dia desses, ao saber que viajo frequentemente ao Brasil para ministrar cursos e palestras para empresas, uma pessoa me perguntou: ok, cursos eu entendo que as empresas contratem, elas precisam dar treinamento para seus colaboradores desenvolverem novas habilidades. Mas por que alguém pagaria por uma palestra?

Boa pergunta, viu? E muita gente tem a mesma dúvida; então vou tentar responder o melhor que puder.

Bem, em linhas gerais, existem três tipos de palestras corporativas: as motivacionais, as biográficas e as informativas*.

As motivacionais são aquelas onde o palestrante transforma o senso comum em show. Elas servem para inspirar os colaboradores, fazer com que eles repensem seu dia-a-dia, mas não trazem informações novas; a base é o entretenimento. Nesse caso, vale tudo: teatro, música, performances, dinâmicas, piadas, desafios, cenários, etc.

As biográficas são histórias de vida contadas por alguém que teve uma experiência especialmente interessante. Geralmente são apresentadas por pessoas famosas, empresários bem-sucedidos, sobreviventes de catástrofes, aventureiros, pessoas com talentos especiais, atletas, jornalistas, artistas, escritores, enfim, expoentes em alguma área.

As informativas (onde me encaixo, pois não tenho talentos especiais nem sou famosa…rs) são palestras que compartilham algum tipo de conteúdo técnico, mas apresentado de maneira acessível e atraente aos leigos. São específicas para determinadas áreas e geralmente ministradas por professores ou profissionais reconhecidos. A ideia é contextualizar o assunto e provocar na audiência curiosidade para saber mais e buscar aprofundamento. Por isso, nesse tipo de palestra, quase sempre são fornecidas referências adicionais (livros, vídeos, textos) que as pessoas podem procurar depois.

Essa classificação não é estanque e pode se misturar, mas penso que em linhas gerais, é isso. As palestras motivacionais e biográficas são as mais valorizadas em termos financeiros; talvez as pessoas gostem mais de shows e de saber detalhes da vida alheia… brincadeira! Penso que o verdadeiro motivo é porque o primeiro tipo exige um enorme talento artístico para transformar eventos banais do dia-a-dia em grandes espetáculos transformadores; tem que ser muito bom mesmo. E gente famosa ou com vida extraordinária, além de rara, sempre é fonte de curiosidade.

Mas vamos falar um pouco mais sobre o valor das palestras informativas. A pergunta era: para que elas servem mesmo?

Minha resposta taxativa: para economizar o tempo e o dinheiro das empresas e dos participantes.

Vamos pensar: para apresentar o assunto tratado, o palestrante terá que ter feito muitos cursos sobre o assunto, comprado/lido/estudado dezenas de livros e trabalhado bastante sobre as ideias de vários autores até concluir alguns pontos que tornem esse conhecimento útil para ser aplicado na vida real. O próximo passo é arquitetar uma maneira de apresentar os fundamentos e as conclusões de maneira clara, didática, rápida e, principalmente, atraente; tudo isso em algumas dezenas de minutos (palestras costumam ter, no máximo, 90 minutos). Quanto mais curta a palestra, mais difícil é estruturá-la, mais trabalho dá.

Imagine se cada participante tivesse que fazer todos os cursos, ler todos os livros e conhecer todos os autores só para ter uma ideia geral sobre determinado tema que ele ainda nem sabe se se é ou não relevante para a empresa, se a ferramenta ou método apresentados são ou não adequados aos problemas da gestão atual, se a abordagem é ou não interessante, pertinente ou oportuna para a realidade de seu mercado. Complicado, demorado e caro, né?

Então, para saber se valeu a pena a empresa pagar por uma palestra, ela deve pensar quanto dinheiro foi economizado e quanto valor foi produzido no evento.

Mas, para evitar desperdícios e insatisfações generalizadas, é necessário que os organizadores cuidem de alguns aspectos; a negligência de um deles pode colocar tudo a perder.

— Certificar-se que o assunto interessa à plateia, que deve conseguir ver utilidade ou valor no tema.

— Verificar o nível de conhecimento dos participantes sobre o assunto para evitar que saiam sem nenhuma informação ou referência nova além das que já tinham; que pelo menos consigam ver a questão sob um ângulo que amplie sua visão.

— Informar-se sobre o palestrante; se domina o tema e se costuma apresentá-lo de maneira organizada e atraente, respeitando o tempo disponível.

— Cuidar para que a apresentação ajuste-se ao perfil e à linguagem do público.

— Preparar o ambiente para que ele favoreça a comunicação.

— Observar se o momento é adequado.

Por motivos óbvios, acredito fortemente que palestras são fontes de valor e podem trazer muitos benefícios para as empresas de uma maneira rápida e relativamente barata. Basta que a contratação seja adequada e observe os fatores acima.

De minha parte, adoro assistir palestras tanto quanto compartilhar as coisas que aprendo.

Para mim, um excelente investimento, especialmente em tempos de crise. E para você?

——-

NOTA: * Essa classificação eu acabei de inventar, pois pesquisei e não encontrei nada que ajudasse a explicar melhor o que estou tentando dizer.

Sempre me perguntam

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Nessa temporada no Brasil, estou ministrando palestras e cursos em várias cidades. No final, sempre me fazem perguntas curiosas que nada têm a ver com os temas abordados, mas dessa vez, uma das questões mais frequentes passou a ser mais frequente ainda; virou frequentíssima. A ponto de me motivar a escrever a respeito.

É fato conhecido que tenho 49 anos de idade e não tenho filhos. Pois essa é a questão que mais intriga moças e rapazes que me assistem e vêm conversar. As frases que mais tenho ouvido ultimamente: “Você não se arrepende? Todo mundo diz que vou me arrepender…“;”Também não quero ter filhos, mas não tenho como explicar isso às pessoas; será que sou anormal?“; “Todo mundo diz que não serei uma mulher completa sem filhos…“; “As pessoas dizem que sou muito egoísta porque não quero ter filhos“; “Minha mãe diz que nunca conhecerei o amor incondicional“; “Meu marido não quer ter filhos também e todo mundo acha isso muito estranho“. Mulheres que não têm filhos conhecem essas frases muito bem e muitas outras mais (reuniões familiares em épocas natalinas são prolíficas nesse tipo de comentário).

Bom, vamos comer a alcachofra pelas pétalas.

Não, não me arrependo. Minha vida é exatamente da maneira como eu queria que fosse. Não consigo me imaginar sendo mãe. Meu marido também está muito feliz com essa situação. Fui fazer terapia há alguns anos por causa das cobranças e não, não há nada errado comigo e nem posso ser diagnosticada como sendo mais egoísta que a média. Sou uma mulher perfeitamente normal e completa (seja lá o que isso queira dizer).

Uma ideia simples que parece ser quase impossível para a sociedade entender é que os seres humanos são diferentes; essa é justamente a graça e a riqueza do mundo. Há pessoas com raças, credos, orientações sexuais, visões, cabelos, corpos, estilos de vida, gostos pessoais e opiniões muito diversas umas das outras. Ainda bem que é assim.

Há mulheres que sempre sonharam ser mães, como a minha irmã. Que ótimo! É uma das melhores mães que conheço. Mas também tem mulheres que nunca tiveram esse sonho. Ok, sem problemas. Acho maravilhoso as que decidem adotar; para mim isso sim é que é amor incondicional. Não é seu sangue, não tem seus genes, mas você ama aquele ser como uma parte sua.

Existem inúmeros motivos racionais para não se ter filhos nos dias de hoje. O mundo está superpopuloso e sabe-se que precisaríamos de quatro planetas Terra para que todos os atuais habitantes pudessem usar a mesma quantidade de comida, água, energia que eu e você, que está lendo esse texto, usamos. Não temos 4 planetas. E o número de viventes está aumentando exponencialmente de forma assustadora. Há também a violência, as drogas, etc. Mas não vale a pena se aprofundar no tema porque o motivo que faz com que uma pessoa escolha ou não ter filhos não é racional. É total e inteiramente emocional.

Essa é uma escolha que muda a vida. Não apenas da pessoa, mas da criança. Por isso, o desejo de procriar tem que ser muito forte.

Na minha opinião, se somente as pessoas que realmente quisessem ter filhos o fizessem, não estaríamos nessa situação enlouquecedora. Pessoas que de fato, do fundo do coração, querem se dedicar a formar e educar outros seres humanos, deviam fazer isso com gosto. As demais, principalmente os que não têm 100% de certeza, poderiam pensar mais um pouco, para o bem de todos. E o Estado, que também seria muito beneficiado, deveria apoiar, principalmente porque ainda há mulheres demais sem esse direito básico e fundamental de escolher, seja por questões práticas, seja por pressão cultural.

Tenho várias amigas da minha idade e até bem mais velhas sem filhos; não conheço nenhuma que tenha se arrependido da decisão. De qualquer maneira, se isso acontecer, sempre poderão adotar; o que não falta é criança jogada no mundo por quem nunca as desejou.

Mas também conheço muito mais mães do que gostaria que me confessaram que, se tivessem ideia de como seria ter um filho (que hoje amam mais que tudo), não o teriam tido. Sonham com uma máquina do tempo que faça tudo ser como antes. Esse arrependimento, do meu ponto de vista, é o pior, pois não tem conserto.

Meninas e rapazes que sonham em ter filhos: façam isso e caprichem. Meninas e rapazes que não querem ter filhos: não há nada errado com vocês, não há nada para explicar, apenas sejam felizes.

É isso.

Arquitetura do treinamento

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Sabe quando você ganha um presente que impacta a visão que você tem do seu trabalho e muda tudo daí pra frente? Melhor presente, não é? Pois ganhei um desses da empresa que me representa no Brasil, a DMT Consulting, por meio do seu braço especializado em cursos abertos, a DMT Inspira.

A mágica aconteceu num encontro presencial de dois dias inteiros sobre arquitetura do treinamento, facilitado pela querida e competentíssima Fernanda Godoy, cujo trabalho extraordinário ainda não conhecia. Tive que rever, criticar, desconstruir e reavaliar todos os cursos que ministrei até hoje (céus, como ainda tenho que comer feijão para fazer um trabalho memorável!).

Enquanto uma palestra serve para provocar reflexões, um treinamento existe para que um determinado grupo melhore sua performance por meio da repetição, fundamental para desenvolver uma habilidade específica. Por isso, é tão importante que um treinamento esteja fundamentado em apenas um conceito a ser trabalhado por vez. Eu disse UM.  E é necessário que essa performance possa ser medida e comparada depois. Ou seja, a avaliação de um curso não tem nada a ver com o fato dos participantes terem ou não ido com a cara do facilitador, se o coffee-break estava bom, se o ar-condicionado estava gelado ou se os conhecimentos de quem estava orientando os trabalhos estavam à altura do desafio. A questão a ser respondida é: funcionou? Será que objetivamente a performance das pessoas naquela medida que se propunha de fato aumentou? Quanto? Agora parece tão óbvio, mas em toda a minha vida de facilitadora, nunca recebi o resultado de uma avaliação que mensurasse isso.

É claro que já tinha lido algo a respeito da andragogia, da construção do conhecimento pelos participantes. Até já tinha trabalhado alguma ideias, mas ainda era cética de que seria possível aplicar em qualquer área do conhecimento (não esqueçamos que sou engenheira e, no meu entendimento, é preciso que o professor ensine de um jeito bem mastigado como resolver uma integral tripla; levaria 2368 encarnações para descobrir sozinha ou em um grupo na sala de aula). A questão é que, como ainda não tinha tido contato com métodos ou instrumentos específicos, queria fazer uma transição usando modelos mentais antigos. Ainda não sei se isso se aplica no ensino de cálculo avançado, mas pude rever muita coisa no meu próprio trabalho, agora que tenho mais ferramentas.

A premissa mais importante é que adultos têm experiências anteriores que devem ser valorizadas. Além disso, é necessário associar prazer no processo. Já li essas frases mil vezes, mas sem instrumentos, elas não servem para quase nada. Eram só frases bonitas que não se conectavam com minha experiência, exceto em casos muito específicos. Por isso o curso fez tanta diferença na minha vida.

Outra coisa importante que passa batida: para preparar um treinamento, é imprescindível que se saiba em que nível de consciência da incompetência o público está (não sabe que não sabe; sabe que não sabe; sabe que sabe; não sabe que sabe). Geralmente a gente não tem essa informação.

A Fernanda salientou para o fato de que o design instrucional (projetar instruções que cumpram seu objetivo de desenvolver determinada habilidade e que ao mesmo tempo sejam prazerosas) é muito trabalhado em cursos à distância, mas pouco explorados em atividades presenciais, pelo menos no Brasil.

Com os exercícios práticos, ficou bem claro sobre como costumamos pensar longe das necessidades reais. O RH da empresas define que os gerentes precisam desenvolver habilidades de liderança, por exemplo, mas de uma maneira muito vaga (as avaliações continuam focando no curso, não no resultado observado no dia-a-dia depois). Qual é o problema mais urgente agora? Cumprimento de prazos? Retenção de talentos? Aumento da visão estratégica? E para quê? Onde e como vai se medir se a performance melhorou nesses aspectos depois do curso realizado?

A definição de metas e objetivos claros são fundamentais para pensar toda a arquitetura do treinamento: desde o conceito central, desenvolvido como o núcleo de um mapa mental, até a definição da forma propriamente dita e seus respectivos instrumentos (pode ser que, no final, descubra-se que não é necessário um treinamento, mas uma campanha de comunicação ou um jogo, por exemplo, mais adequados ao desenvolvimento da habilidade em questão).

Espero que esse curso venha aumentar meu desempenho na criação e execução de treinamentos, principalmente agora que tenho mais ferramentas e que me dei conta de que estava no nível “eu sabia que não sabia, mas não tinha ideia que a ignorância era tão gigante!”…

Como diz a Fernanda, não é que o buraco seja mais embaixo; é que ele está em outro corpo…rs

Olha, foram dois dias inteiros de pancadas na cabeça (que, paradoxalmente, foram também deliciosas), de maneira que não dá para resumir todas as ideias num artigo escrito por uma leiga no assunto ainda em estado de choque.

O que posso dizer? Obrigada, DMT! Papai Noel não poderia ter me trazido um pacotinho mais bacana que esse!

Mas eu me mordo de ciúme…

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Gente ciumenta, todo mundo sabe, é um problema. Problema para quem tem ciúme, claro. Sofre, agoniza, perde a razão e não mede esforços para ser desagradável, hostilizar, chantagear e desrespeitar o outro em todas as oportunidades. Ciumentos são incansáveis e não desistem até atingir seu objetivo, que é perder o ente amado.

Exemplo: um ciumento doentio faz o quê? Persegue, espiona, desconfia, chateia, inferniza o infeliz alvo de seu afeto até que ele desista e vá viver sozinho ou procurar outra pessoa, pois não aguenta mais tanta aporrinhação. Tudo é motivo para briga, desentendimento, barraco, constrangimento.

O que a pessoa ciumenta não entende é que se seu objeto de apego não quiser mais ficar com ela, ele não vai ficar mesmo e não há nada nesse mundo que possa impedi-lo. Pode até amarrar o pobre no pé da mesa e colar um selo de propriedade, mas o pensamento é livre e não está no controle de ninguém. Além do quê, sonhar ainda é de graça. É impossível prender o coração se ele quiser voar (ou fugir, no caso).

O que fazer, então, para não perder o grande amor? Ora, o óbvio. Empenhar-se para que ele não QUEIRA ir embora. Ou seja, fazendo tudo ao contrário do que o ciumento faz: tornando a vida da pessoa mais agradável, entregando valor para ela, preocupando-se com seu bem-estar, respeitando a liberdade dela, valorizando-a, confiando nela, fazendo com que cada momento ao seu lado seja memorável e encantador. Quem ama de verdade mesmo, faz isso com prazer e naturalidade. E não perde noites torturando-se com a suspeita de bilhetinhos imaginários escondidos em algum lugar.

Mas ciúme é um sentimento e, por isso, totalmente emocional, ilógico, teimoso, instável e cego. Pessoas, quando têm algum problema de auto-estima (acham que não são boas o suficiente e sentem-se ameaçadas por alguém fictício que possa ser melhor) fazem coisas idiotas. Sabotam-se. Dão chiliques. E precisam buscar ajuda.

Mas empresas e organizações não podem ser emocionais, não podem ser desequilibradas. Elas têm que raciocinar, pensar, analisar. Elas têm que entregar valor. Não podem ter surtos de ciúme doentio e ataques nervosos. Não podem querer resolver a questão no braço, na força bruta ou na base do decreto. Não podem ir às vias de fato querendo dar porrada na rua. Não podem chantagear quem as sustenta e ainda querer ter razão.

Se elas infernizarem a vida do cliente, ele vai embora batendo a porta com toda a força. Vai correr desesperado para os braços de outrem (e se o concorrente capricha nos mimos, mais difícil ainda para essa alma tão maltratada resistir aos encantos do desconhecido sedutor). E a empresa ciumenta vai à falência, desempregando pessoas, desonrando contratos, esgotando-se na sede de vingar-se dos competidores.

É sério.

Pena que há algumas organizações que nem assim conseguem enxergar o óbvio pugilista, aquele que aparece e dá um soco na cara para ver se acorda os distraídos. Né, senhores taxistas? Operadoras de telefonia e Internet, restaurantes, lojas, bancos…

Mais alguém?…

Para quem está começando

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O Atitude Profissional: dicas para quem está começando foi escrito porque eu queria muito um livro assim quando estava começando minha vida profissional. Fiz um monte de bobagens e teria evitado muita queimação de filme se tivesse tido algo semelhante para me orientar.

Se você está começando sua vida profissional ou conhece alguém que esteja (pode ser um estudante de qualquer nível também) baixe o conteúdo grátis ofereça a essa pessoa.

A versão impressa foi publicada em 2009 e a edição está esgotada.  Assim, revisei e ampliei essa segunda edição e resolvi publicá-la para download gratuito em formato PDF. Meu desejo é que ela seja novamente impressa, mas dessa vez distribuída gratuitamente a estudantes brasileiros; se alguém quiser encabeçar o projeto, tentarei ajudar no que for possível.

É de graça, não custa nada. É só clicar aqui para baixar :)

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Se tiver interesse, tenho outros livros grátis para baixar. Veja aqui.

Empatia: nunca vi, nem comi, só ouço falar.

Ligia Fascioni

Se você sair por aí perguntando que características as pessoas gostariam de melhorar, as respostas mais frequentes seriam: paciência, força de vontade, disciplina, inteligência, etc. As variações seriam muitas, mas é quase certo que, além do bom senso (que todos acreditam ter o suficiente), o outro item que não apareceria na lista seria a empatia.

E olha que empatia está na moda, a julgar pela quantidade enorme de frases de efeito que vêm circulando nas redes sociais (até um museu da empatia abriu em Londres; muito bacana).

Mas aí a pessoa curte todas as matérias sobre o tema e logo depois publica 5 selfies feitas na academia seguidas da foto de seu prato de almoço e da preciosa informação: “partiu aeroporto!”.

Com Fan Pages não é diferente: em textão, textinho, animação ou meme; empatia é a palavra de ordem. Logo em seguida a empresa pede colaboração para conseguir mais likes para a página (estamos quase chegando nos xxx mil!!).

Analisemos o fenômeno.

Empatia, todos sabemos, é a capacidade de se colocar no lugar do outro, sentir o que ele sente, experimentar o que ele experimenta. Mas por que deveríamos desenvolver essa qualidade? Para entender o mundo com mais clareza, para amar melhor, para ampliar nossos horizontes, para sair do mundinho centralizado no nosso umbigo. Praticar empatia significa reconhecer que não sou o centro do universo, significa focar nossa atenção no outro.

Pelo menos para as empresas, essa habilidade deveria ser usada para conseguir compreender o que é valor para a pessoa que está do outro lado, o que é importante para ela. Se a empresa consegue entender isso, vai se comunicar melhor com seus clientes e colaboradores, vai se conectar com eles.

Em minhas consultorias para empresas, não raro alguém pergunta: olha que bacana, vamos publicar isso na Fan Page? Vamos dar isso como brinde? Minha pergunta (sempre!): isso é valor para seu cliente?

Uma pergunta tão simples e básica, minha gente. É valor para mim, como cliente, se a empresa tem 10, 100 ou 1 milhão de likes? Não sei vocês, mas para mim tanto faz. Diferença zero na minha vida.

É valor para alguém ganhar uma sacola maravilhosa cuidadosamente estragada pela estampa gigantesca de uma marca? Já falei e repito; presente com empatia tem a marca da empresa bem pequena e do lado de dentro, para a pessoa se lembrar da gentileza, não ficar com raiva e ter que doar o mimo por impossibilidade de uso sem parecer um outdoor.

É valor para mim, como colaborador da empresa, ter como prêmio de desempenho um final de semana em Miami, considerando que não tenho visto, minha mulher não pode ir junto por causa do trabalho e estou com um filho doente em casa?

É valor para mim, como cliente, saber se a empresa bateu a meta de vendas desse mês? Se o funcionário tal fez aniversário? Se o presidente apareceu na coluna social? Se recebeu a visita de fulano, que é famoso?

Algumas dessas informações têm valor sim, mas para segmentos específicos: seus colaboradores e acionistas, talvez. Em alguns casos, para fornecedores e parceiros também. Então, o lugar de publicá-las não é na página em que os clientes têm acesso, mas no espaço dos colaboradores e parceiros, por exemplo.

É claro que depende de cada empresa e do perfil de quem vai ler a notícia ou receber o presente; não há uma regra que valha para todo mundo. Valor é uma coisa subjetiva e muito difícil de mensurar; há que se estudar cada questão cuidadosamente da maneira mais empática possível.

Nos perfis pessoais e profissionais, se a pessoa valoriza a empatia, vale a mesma coisa: será que isso é valor para quem está lendo?

Pensemos: para quem é valor uma foto do meu guarda-roupa novo? Minha mãe, minha colega de quarto, minha prima que está pensando em comprar um também? Então, olha, são três pessoas. Para que compartilhar essa informação com mais 3 mil que não se interessam pelo assunto?

Para quem é valor saber quantos km você correu hoje? Seu grupo de amigos que pratica corrida? Beleza, por que então não mandar essa informação somente para eles, em vez de informar toda a sua timeline, que inclui colegas do curso de direito tributário, parentes distantes, sua contadora, seu grupo de literatura comparada e seu dentista?

Ressalto: não quero fazer o papel de polícia da internet, apenas convidar à reflexão. Obviamente cada um faz o que quer com o espaço que possui. Inclusive porque o conceito de valor é bem vago.

Não há certo ou errado, é pessoal mesmo, não dá para colocar regras. Mas dá para tentar se colocar no lugar do outro, imaginar qual o impacto daquilo que a gente está compartilhando vai ter lá na outra ponta. Não vamos acertar sempre, mas com certeza, seremos menos inconvenientes. Vamos tornar a vida de quem está do outro lado um pouco melhor (ou menos ruim, que seja). E não é essa a ideia da empatia?

Então, se a você concorda mesmo que falta empatia no mundo, fica a sugestão para começar agora mesmo. É só responder à pergunta básica e simples antes de publicar ou oferecer algo: “isso é valor para quem está do outro lado?”

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Espero sinceramente que esse texto tenha valor para alguém :)

Arte de rua em Bruxelas

Pelo pouco tempo que fiquei na cidade (apenas um dia e meio), não dá para tirar uma conclusão. Mas a impressão que fica é que a arte de rua em Bruxelas é bem mais comportada que em Berlin.

Boa parte das intervenções tem uma linguagem de cartum ou ilustrações de época.  É claro que há obras em estilo mais contemporâneo, como a coleção maravilhosa que vi num beco no bairro gay, mas o contraste com Berlim é bem grande.

De qualquer forma, do meu ponto de vista, arte de rua é sempre bem-vinda e contribui demais para tornar a cidade mais interessante, instigante e bem-humorada; não seria diferente com esse lugar lindo que é Bruxelas.

Vamos dar uma volta para ver minhas descobertas?

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Essas ilustrações de época são lindas e misteriosas…

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Fachada em 3D de um cinema de rua. Show!

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O contraste entre o contemporâneo e o clássico nessas ruazinhas que parecem de outros tempos.

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Aqui parece uma ilustração de quadrinhos com um Bansky wannabe ao lado. Adorei!

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Essa linguagem de quadrinhos realmente domina as ruas (não é à toa que a cidade onde nasceu Tintim e os Smurfs tem longa tradição na área).

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Moradores criativos: como não amar?

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Essa série colorida e maravilhosa achei num beco. É uma campanha contra a homofobia. Não é linda?

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Mais uma da série <3

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Essa é uma das mais bonitas <3

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O realismo das fotos, a escolha do texto, a estampa das roupas: tudo perfeito!

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Turma do rock.

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Porquinho entediado…

Se quiser ver mais sobre a cidade: Bruxelas, bela surpresa!De volta para o futuro e o Metrô das mil e uma noites.