Category Archives: comportamento

Supermercado só no nome

Olha, não sei porque esse lugar se chama Supermarket, pois não se parece nada com um. Talvez a ideia tenha sido reunir ofertas variadas e acessíveis, só que num segmento mais cultural; sei lá.

Esse espaço conceitual (como eles mesmos se descrevem) reúne artistas, designers, arquitetos, fotógrafos, empreendedores e o povo da mídia em exposições muito bacanas. A instalação fica naquele shopping bacana que falei há um tempo (o Bikini Berlin) e é um misto de loja, galeria, lounge, restaurante e café. Aos domingos tem sempre uma banda de jazz tocando enquanto o povo relaxa e se joga num brunch.

Com vista para o zoológico e uma decoração aconchegante, dá vontade de morar nesse pedaço. Dá não?

Vem ver!

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Comece olhando para o teto e repare o capricho <3

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Comidinhas simples e frescas, todas feitas aqui mesmo.

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Jazz in Brunch, todo domingo a partir das 11 h.

Inferno

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Já faz um tempo que terminei de ler “Inferno”, do Dan Brown, mas agora me dei conta de que não compartilhei a dica de leitura.

Não é uma obra que eu leria em português, mas, para quem está aprendendo uma língua estrangeira, recomendo bastante (li em alemão e achei bem acessível). Os livros do Dan Brown são ótimos porque descrevem apenas cenas de ação; o personagem principal, o professor de simbologia Robert Langdon, não pensa, não come, não bebe, não dorme, não transa, não faz xixi, enfim, não faz nada a não ser correr e tentar decifrar enigmas. Isso reduz bastante o vocabulário e, porque os capítulos são bem curtos e sempre terminam com um gancho para o próximo, facilita demais.

Bom, a maior parte do enredo se passa em Firenze e só a descrição dos monumentos e museus já vale a leitura. Ainda não visitei essa belíssima jóia italiana, mas a vontade só aumenta. Ele passa um dia em Veneza e outro em Istambul também.

A história, apesar de muitíssimo criativa e bem descrita, tem vários furos (personagens que somem, partes mal explicadas), mas o que me impressionu mesmo foi justamente o argumento central da trama.

Eis que um cientista genial, polêmico e controverso, incomoda-se muito com o fato da população do planeta estar aumentando exponencialmente de maneira insustentável (apesar de ser o vilão, o moço tem toda razão e argumentos muito válidos). Por causa do aumento da expectativa de vida e redução da mortalidade infantil (devido a vacinas, curas de doenças, hábitos de higiene, tecnologias de reprodução, melhoria na alimentação, etc.) conquistadas no século XX, nunca houve tantos habitantes no planeta explorando tanto. Dá uma olhada no gráfico do crescimento populacional que ele apresenta no livro e assuste-se comigo. É apavorante:

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Fonte da imagem aqui.

Essa curva tende a subir infinitamente e o problema é que os recursos do planeta são limitados. Só para se ter uma ideia: se toda a população de hoje tivesse o mesmo nível de consumo de água, energia e produzisse a mesma quantidade de lixo que você e eu (estou considerando que somos ambos classe média), precisaríamos de quatro planetas Terra. Como não temos tantos planetas, a única maneira de manter nosso padrão de vida é que a maior parte da população da Terra seja absolutamente miserável no último grau de degradação. Você já pensou no absurdo que é isso? Sem falar que o número de seres humanos continua aumentando, sem nenhuma perspectiva de diminuir. Mesmo que se reduza o consumo de recursos e a produção de lixo, não há como sustentar essa situação.

Pois é, na história, o vilão ataca as organizações internacionais de ajuda humanitária e os acusa de ajudar a aumentar a população salvando pessoas e não dando a devida atenção a programas de planejamento familiar. Por todas as pistas que ele dá (usando o capítulo que trata do inferno na Divina Comedia de Dante Alighieri e episódios da peste negra) e que o protagonista interpreta, o que está em jogo é um super vírus que irá reduzir a população da Terra e resolver o problema, pelo menos, por ora. O tal cientista maluco se suicida durante a busca para impedir a tragédia que seria disseminar o tal vírus e a corrida do herói para “salvar” a humanidade é frenética.

Olha, não vou contar o final, mas achei surpreendente e muito criativo. Vai lá…

A reinvenção do shopping center

Os berlinenses (e ouso dizer, os europeus, de maneira geral) não curtem muito passar horas em shopping centers. Diria até que detestam. O comércio de rua aqui é rei e, além disso, o consumismo não é tão desenfreado. Passear num shopping num dia de folga é considerada uma ideia bem bizarra por aqui, aliás. Qualquer berlinense preferirá ir a um museu, exposição,  ficar à toa na vida num parque ou ocupando a mesa de um café qualquer.

Por isso, os shopping aqui são pequenos (se comparados com os brasileiros), nada espetaculosos e prioritariamente frequentados por turistas.

Digo isso porque há alguns meses foi inaugurado o maior shopping de Berlim, que, para um brasileiro, é apenas mais do mesmo que a gente já está acostumado a ver: muito mármore, muito vidro, muito dourado, muito luxo, muitas lojas de marca…zzzzzz  O empreiteiro pediu falência ao término da obra, que teve vários atrasos, e o povo até fica fazendo piada com isso (o tal schadenfreude, palavra alemã que significa se alegrar com a desgraça alheia).

Mas no começo do ano passado teve um projeto bem ousado com o objetivo de mudar o conceito de shopping center: o Bikini Berlin, bem onde era o antigo centro do lado ocidental da cidade. Aí sim, conseguiram fazer um empreendimento com a cara e o conceito da cidade.

O Bikini Berlin, olhando de fora, parece mais um centro comercial (de fato, a construção não é muito grande, e a ideia não é essa mesmo). Todo o estilo da decoração é baseado em pallets e é bem minimalista: não tem dourado, não tem mármore, não tem gesso, não tem luxo (ufa!).

Na verdade, esse prédio é uma releitura do antigo Bikinihaus, que ficava no mesmo lugar, construído no auge da invenção do biquíni, nos anos 50. A edificação ganhou esse nome porque era arquitetonicamente dividida em duas partes, como a famosa roupa de banho tão em voga na época, veja que interessante.

O shopping fica coladinho ao Zoologische Garten (visitei o zoo durante a construção e foi bem difícil para os bichos, coitados, que sofreram demais com o barulho e a sujeira da obra) e tem vista para a ilha dos macacos balbuínos (aqueles com a bunda vermelha).

A maior parte das lojas do vão central é do tipo pop-up (ou seja, são temporárias) e montadas sobre estruturas de madeira e arame. Mesmo as lojas fixas são bem despojadas, com piso de cimento queimado e com o máximo de coisas feitas à mão (incluindo cartazes com o nome dos estilistas das lojas de fashion design).

A parte que mais gosto é um pano de vidro que dá diretamente para o zoológico; a moldura da janela tem almofadas espalhadas para a pessoa passar o dia inteiro lá meditando, se quiser. A parte externa tem um pátio também com vista para o zoo onde os cafés colocam mesinhas e sofás com design bem original. Além de cafés e lojas, o complexo de 7000 m² tem um cinema de rua, restaurantes, escritórios, uma escola de design, ateliers e um hotel (um dos mais bacanas que já vi, por sinal, totalmente dentro do conceito). Aliás, sobre os cafés vou falar depois; eles merecem um post só para eles…

Enfim, é tudo muito diferente do que a gente está acostumado a ver num shopping. Pelo que li, o lugar ganhou o coração dos berlinenses, mas não o bolso (parece que o retorno financeiro ficou um pouco aquém do esperado).

Para quem precisa alimentar os olhos todo dia com coisas bacanas e os neurônios com ideias novas, recomendo demais!

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Até a fachada é diferente dos outros shoppings, já que a construção não é um bloco, mas vários prédios interligados.

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Pano de vidro com vista para o zoológico; sim é possível ter paz dentro de um shopping.

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Os cartazes na frente dos cabides indicam os nomes dos estilistas.

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Em busca do cool

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Com certeza você já ouviu esse termo por aí: coolhunter. Mas você sabe o que significa, de onde veio essa palavra, para que ela serve?

Pois a queridíssima e muito competente Fah Maioli, expert no assunto, teve a delicadeza de escrever um livro explicando todos os pormenores, o Manual do Coolhunting: métodos e práticas.

Essa gaúcha que trabalha como trend analyst há 16 anos em Milão, conta que  o primeiro a usar a palavra foi Malcom Gladwell, num artigo escrito em 1997 para o periódico New Yorker. Revela ainda que antes do coolhunter, a palavra que mais se aproximava dessa prática era o flaneur, aquela pessoa que adora passar o tempo caminhando pelas ruas para contemplar cada detalhe da cidade: as coisas, as pessoas, os cenários, os personagens, a música, os cheiros (ah, como me identifico!).

Mas a partir daí, quando o coolhunter foi integrado ao sistema da moda, a coisa ficou muito mais complicada e sofisticada, pois há toda uma estrutura complexa por trás das coisas que consumimos, desde a forma como são identificadas e/ou definidas tendências, a observação do estilo de vida das pessoas até a valorização dos formadores de opinião; enfim. A Fah tem toda a paciência de destrinchar cada termo e cada papel, de explicar a influência de cada comportamento, além de contar um pouco da história da moda do ponto de vista antropológico e de cultura do consumo.

Então, para resumir bem, o coolhunter é a pessoa que caça hábitos, estilos de vida e tendências de consumo cool (bacanas, legais, com potencial para ser desejados e copiados, que possam impactar o mercado), incluindo aí moda, gastronomia, arte, música, design, arquitetura, literatura, cinema, etc. Ele é um intermediário de cultura que faz a ponte entre aos centros de produção cultural e as empresas de produção de bens de consumo.

E a Fah lembra que coolhunter não é uma profissão, mas um conjunto de atividades profissionais. Fiz um desenho para compreender melhor, mas não sei se está certinho (posso ter entendido errado, corrija aí alguma falha, amiga!) que mostra os diferentes papeis que o coolhunter pode assumir e as conexões entre eles.

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Se você é interessado em entender o espírito do tempo (Zeitgeist), não pode perder de jeito nenhum. Recomendo fortemente!

Aqui tem para vender.

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Se quiser saber mais sobre o tema, resenhei outros dois livros também interessantes: “Observatório de sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências”, de Dario Caldas e “Cool Hunter“, de Scott Westerfeld

 

Redesenhando a liderança com simplicidade

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Desde “As leis da simplicidade” virei fã do John Maeda. E, pelo jeito, não fui só eu; depois de publicar o livro e fazer uma palestra no TED, ele foi convidado para ser o diretor da maior e mais tradicional escola de design dos EUA, a Rhode Island School of Design.

Apesar de ser um sujeito de múltiplos talentos, esse engenheiro japonês que depois virou designer respeitado e artista plástico premiado no mundo todo, era um pacato professor do MIT (Massachussets Institute of Technology) e nunca tinha assumido um cargo de tanta responsabilidade, ainda mais porque o convite foi feito quando a escola enfrentava o auge de sua pior crise financeira.

Mas Maeda já tinha passado por muita coisa para saber que o que ele mais gosta de fazer na vida é aprender. Então, saiu de sua zona de conforto para descobrir, on the fly, o que é ser um bom líder. Diz ele que está aprendendo até hoje (para a sorte de todos) e, generoso como os líderes devem ser, compartilha as coisas que vem testando, praticando e avaliando no livro “Redesigning Leadership”, escrito com a colega Becky Bermont.

A primeira coisa a se observar é que o moço não perde a coerência: adepto da simplicidade, o livro só tem 80 páginas e, à parte da introdução e agradecimentos, é dividido em quatro capítulos: o criativo como líder, o tecnologista como líder, o professor como líder e o humano como líder. A maior parte da organização do conteúdo foi estruturada nos 1.200 posts que John publicou no Twitter nos primeiros anos da experiência, veja só.

Na introdução ele já compartilha um certo desconforto, pois além de até então ter trabalhado prioritariamente sozinho, reconhece que líderes não são muito respeitados no meio criativo porque evocam uma ideia de autoridade. Então se viu repentinamente no lugar da pessoa que, tradicionalmente, designers e artistas costumam criticar. Mas ele aprendeu com seus pais e alguns mestres japoneses que o trabalho fica mais bem-feito quanto mais a gente se empenha apaixonadamente em fazê-lo. Eis que Maeda mergulhou de cabeça no aprendizado.

Ele começou tentando entender na prática como a instituição funcionava. Para isso, imiscuiu-se nas entranhas da universidade: serviu lanches na cafeteria, ajudou a carregar a bagagem dos novos estudantes que chegavam ao campus, levou comida encomendada pelo pessoal da segurança, almoçou na cantina ouvindo as conversas. Ele foi entender a engrenagem do negócio por dentro e estava se achando muito inovador (designers e artistas são assim mesmo, não temem colocar a mão na massa) quando descobriu que muitos anos antes um outro diretor já tinha feito o mesmo (e era um ex-administrador de hospital).

Nessa fase, começou a questionar o delicado equilíbrio entre ser um líder participativo e microgerenciar, que é um desrespeito às funções de outras pessoas. Entendeu também a importância de não apenas reunir as informações mais relevantes para compartilhar com sua equipe mas explicar porque é tão vital que todo mundo as conheça. Mais do que apresentar dados, é importante que as pessoas entendam porque eles estão lá e o que de fato significam. Nesse momento, percebeu também o fundamental papel do feedback e da ciência que é saber ouvir.

Como tecnologista, Maeda compreendeu que mais importante que ser transparente, é ser claro e assertivo. De quebra, compartilha uma dica preciosa que ganhou de um antigo mestre: sempre que explanar um conceito, continue a explicação com a frase “por exemplo…”. Ele também descobriu que numa reunião sempre tem as pessoas que vão de boa vontade, as que vão porque são obrigadas (e ficam o tempo todo futucando seus smartphones) e aquelas que só estão atrás da comida (e que bom humor é fundamental sempre!).

Como professor, ele entendeu que precisava formar um time e que a visão precisaria ser clara e atrativa o suficiente para as pessoas realmente quisessem, de coração, fazer parte. E que ele não seria um bom líder se também não aprendesse a ser um bom seguidor.

Finalmente, como humano, compreendeu que liderar implica tomar decisões que podem ferir (ele foi obrigado a demitir pessoas) e intuiu que havia informações que ele podia compartilhar com o grupo abertamente e outras que não. E que a melhor maneira de decidir sobre isso era ouvir, ouvir, ouvir, ouvir sempre.

Por último, John aprendeu que o líder conquista o respeito das pessoas por seu próprio mérito; ele não vem automaticamente por causa da posição hierárquica na empresa.

Se Maeda está sendo um bom líder para a organização que agora preside eu não sei; mas, nós, comuns mortais, agradecemos imensamente pela oportunidade de aprender com essa jornada.

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Dei uma pesquisada e vi que o título não foi lançado em português, mas a versão original, em inglês, está disponível na Livraria Cultura.

Um povo e suas contradições

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Todo país tem suas contradições e a Alemanha não seria exceção. O povo que fundou o partido verde, que é super consciente nas questões de consumo, que se preocupa com o ambiente e com a procedência da comida que come, que é maluco por plantas, parques e tudo o que é verde, que habita o lugar onde as crianças comem cenouras cruas, pepinos e pimentões como se fossem frutas na merenda, onde imperam as redes de supermercados bio, onde tudo é eco-friendly, enfim.

Pois é, esse mesmo povo vai lá na floresta, corta pinheirinhos, enfeita-os por um mês e depois simplesmente os joga fora, na rua mesmo. Essa semana as calçadas vão ficar cheias deles, tadinhos.

A estimativa é que, só em Berlim, sejam 400.000 dessas pobres árvores descartadas (é mais de uma árvore para cada 10 habitantes; imagina isso na Alemanha inteira?). Tem um serviço especial que as recolhe para que sirvam de combustível nas usinas de aquecimento de água, mas mesmo assim, né?

Eu acho um absurdo. Absurdo. Absurdo. Não sei que lorota contam para as crianças, tão preocupadas com o meio ambiente, mas pelo jeito, deve colar, pois ninguém acha nada demais aqui…

Horas de foguetório

O reveillon aqui em Berlim tem umas coisas que nunca tinha visto em outros lugares: eita povo mais fanático por fogos! É claro que há algumas queimas de fogos oficiais, como a tradicional festa no Portão de Brandemburgo (mas tem que chegar lá no máximo umas 5 da tarde se quiser ver alguma coisa; nesse frio não anima) e no Gendarmenmarkt, mas o grosso do foguetório é disparado pelos moradores mesmo.

Olha, acho que tem gente que passa o ano todo comprando fogos para soltar, não é possível.

Para vocês verem como não estou mentindo, um sujeito se deu ao trabalho de colocar uma câmera no carro e passear pela cidade; são 13 minutos ininterruptos, dá quase para sentir o cheiro de pólvora.

Olha:

Gente feia

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Como tinha gostado muito de Coolhunter, do Scott Westerfeld, resolvi conhecer outros livros dele. O autor é especializado em literatura para jovens, mas estou preferindo leitura mais fácil agora porque alemão já é complicado que chega (um dia lerei Thomas Mann no original, mas ainda vai demorar um pouco..rsrs).

Ugly: verlier nicht dein Gesicht* é uma obra de ficção científica onde, num futuro indefinido, a terra foi destruída pelos chamados “brutos” (nós) e alguns sobreviventes reconstruíram a civilização usando a tecnologia para usar menos recursos naturais e não poluir. A questão é que o conceito de limpeza foi extrapolado também na questão estética.

Nesse futuro, todas as pessoas crescem e estudam normalmente (a maioria em internato, pelo menos até a adolescência). Aos 16 anos, quando considera-se que o corpo já está formado, são todos submetidos a uma cirurgia plástica radical para aperfeiçoar não apenas a aparência, mas também o funcionamento do corpo (ossos são alongados com ligas sintéticas ultra resistentes, a pele toda é substituída, entre outras coisas). Os cientistas definem o que é considerado tecnicamente belo em termos de simetria e proporções e vai todo mundo para a forma.

A maioria esmagadora dos adolescentes adora, inclusive porque são condicionados a acreditar que são todos feios (uglies), a ponto de morarem numa parte separada da cidade. Eles têm softwares que simulam sua nova aparência (apesar das variações, são obviamente, todos muito parecidos). A protagonista sonha com esse dia, já que os “recém-bonitos” têm todos 16 anos e vivem em festas e reuniões sociais aparentemente pagos pelo governo (a população parece realmente ter diminuído muito). Além do que, seu namoradinho, algumas semanas mais velho, já sofreu a cirurgia e mora do outro lado da cidade.

A aventura acontece quando a mocinha conhece uma amiga que se acha bonita mesmo quando todos insistem que ela é feia. Ela gosta de ser como é e descobre um grupo de rebeldes que fugiu para viver em um lugar secreto sem ter que submeter à tal cirurgia transformadora.

Uma parte interessante é quando a moça encontra uma revista antiga (sobrevivente dos destroços do fim do mundo) e descobre que aquelas mulheres bizarramente magras e estranhas que estampam as páginas eram o padrão de beleza dos “rudes”. Ela se surpreende com a variedade de formas que o rosto e o corpo humano podem ter, vejam só.

Ler ficção científica em outra língua é meio complicado porque são descritas coisas que ainda não existem, mas pelo que pude deduzir, o povo todo se locomove por meio de skates voadores eletromagnéticos (amei essa parte).

Bem, a heroína passa por toda uma situação complicadíssima e arriscada, inclusive com teorias conspiratórias que não vou contar para não estragar. Ainda mais porque pensava que era uma trilogia e agora, pesquisando na Amazon, descobri que na verdade é uma quadrilogia. Só li o primeiro, então aguardem os desdobramentos.

Dei uma pesquisada e vi que a coleção foi lançada em português. Para saber mais, é só clicar aqui.

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*tradução livre: “Feio: não perca seu rosto”

Era uma casa nada engraçada…

Hausvogteiplatz, Berlin.

Bethlehemkirchplatz, Berlin.

Nos últimos tempos tenho conhecido e tido notícias de muita gente que está participando do programa Ciências sem Fronteiras, que leva universitários brasileiros a estudar no exterior. Como todo projeto grande, há de tudo: estudantes que aproveitam cada segundo e outros que só vêm fazer turismo e nunca aparecem na aula (o triste é que, pelo que soube de alguns professores, não é permitido mandar o sujeito de volta como punição, pois nada pode estragar as estatísticas…). Vantagens e desvantagens à parte, estou com uma sensação estranha e espero muito que esteja enganada.

O Brasil nunca teve um projeto sério de educação. Tive a sorte de sempre ter estudado em escolas públicas, do primário ao doutorado. Havia escolas ótimas, o problema é que eram poucas; nem todo mundo tinha acesso. Não venho de família rica e sempre ralei bastante; mesmo durante o doutorado trabalhei 40 horas/semana numa empresa privada. Mas não posso negar que tive muita sorte: consegui acesso a esse quartinho bom, mas pequeno, com um monte de gente querendo entrar. Se tivesse nascido e crescido num canavial em algum lugar no interior do Brasil, dificilmente teria essa chance. Repito, foi pura sorte.

Nossa situação na educação agora é sair desses quartinhos e construir uma casa. Justiça seja feita, até hoje governo nenhum se dignou a pensar nisso. Pela primeira vez na história, há alguma movimentação nesse sentido, de construir a tal casa. Só que temos aí vários problemas.

O primeiro é que não há um projeto para a casa. Nem um orçamento planejado. Nem uma equipe qualificada com a responsabilidade de construi-la.

E, para piorar, começa-se a obra pelo telhado. Não são medidos esforços para comprar telhas de vários tipos, de maneira completamente aleatória (pelo menos é a minha percepção). Há gente boa estudando maneiras eficientes de se fazer a melhor cobertura, há gente comprando telha de papel e vendendo como se fosse de ouro (que, de qualquer maneira, não seria adequado), tem gente construindo telhados com células solares pensando na sustentabilidade, tem quem use materiais tóxicos e ainda tem telhas baratas importadas da China; enfim, um pouco de tudo.

Para qualquer um que critique a maneira como a casa está sendo feita, seguem-se as maravilhosas cifras de tudo o que já foi investido até agora em telhas, algo que nunca foi feito antes (o que é verdade, não nego).

Mas, gente? Não temos projeto, não temos alicerces, não temos fundamentos! Onde vamos colocar essas telhas? Aliás, nem os tais quartinhos bons nos quais estudei estão recebendo manutenção adequada. Nossos estudantes estão entre os piores do mundo em todas as métricas internacionais para o ensino básico. As escolas não têm merenda, não têm livros, alguém superfaturou computadores velhos e nem a internet funciona. Dei aula para analfabetos funcionais no ensino superior (que está mais para ensino inferior) e fiquei impressionada. As pessoas não conseguem entender conceitos básicos como o de porcentagem, não conseguem estruturar uma frase completa.

Sei que a escola básica não é responsabilidade do governo federal, e sim dos estados e municípios. Mas a casa é uma só; tem que federalizar a coisa mais estratégica que esse país tem, que é a formação de gente! É nossa única salvação, a meu ver.

Há que se fazer um projeto sério, pensando no longo prazo, que seja justo, inclusivo e priorize o acesso à educação em todos os níveis. Que as pessoas aprendam a pensar por si próprias, não a reproduzir ideologias, seja lá quais forem. Que aprendam a ler, escrever, fazer contas, entender seu papel no mundo. Que possam sonhar, mas aprendam a fazer.

Por sorte, não entendo nada de construção de casas e nem de educação. É minha esperança.

Essa ignorância é o que me dá forças para acreditar que estou enxergando tudo errado e distorcido, e que a coisa não é tão ruim assim.

Tomara.

5 dicas para não ser espontâneo nas redes sociais

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Qualquer pessoa, por mais distraída e sem noção que seja, tem uma ideia de como seria seu mundo ideal, confere? O que ela às vezes não se dá conta é que deveria agir e se comunicar de maneira que as coisas convergissem para esse mundo se materializar. Assim não precisaria reclamar da vida e se lamentar continuamente, pois estaria ocupada realizando a transformação.

Pois é, e pessoas que agem e se comunicam de maneira intencional, com um objetivo claro, não podem ser espontâneas, sabe por quê? Olha a definição de espontâneo no dicionário: instintivo, não premeditado, ou seja, aquilo que a pessoa faz sem pensar antes. Se eu ajo e me comunico sem pensar antes, sem ser intencional, o que acontece? Hummm…. qualquer coisa. Inclusive com resultados indesejados…

Nas redes sociais, pessoas espontâneas estão sempre à mercê da emoção do momento e postam fotos e textos sem refletir se aquilo contribui para o mundo que deseja realizar e como isso tudo será interpretado do outro lado da tela. E isso pode trazer consequências bem sérias, veja por que.

1. O que for publicado ficará para a eternidade. Tudo o que você posta nas redes sociais não dá mais para apagar. Mesmo que você delete o post, alguém pode ter salvado a imagem. De qualquer maneira, vale saber que empresas como o Facebook mantêm backups que podem ser requisitados pela justiça. Depois não adianta se lamentar; melhor não ser espontâneo e pensar antes de usar um meio público para fazer um desabafo íntimo que só interessa a você e a talvez mais uma ou duas pessoas.

2. Tudo o que você postar pode ser usado contra você num tribunal. É isso mesmo; cuidado com mensagens ou comentários racistas, homofóbicos, preconceituosos ou ofensivos a alguém ou a algum grupo em particular. Uma rede social não é uma mesa de bar, onde você fala bobagens sem pensar. E compartilhar mensagens criminosas faz de você cúmplice aos olhos da justiça; era essa mesma a sua intenção?

3. Publicou, não pertence mais a você. É do mundo. Isso mesmo, depois que apertou o botãozinho “publicar” não tem mais volta, o controle é totalmente perdido. Você não sabe quem vai ler, quem vai opinar, quem vai compartilhar, onde isso vai parar. Mesmo que a mensagem ou foto tenha ido apenas para um grupo de amigos, há muitos meios dela ganhar o mundo sem o seu conhecimento. Pense carinhosamente nisso antes de apertar o botão, por favor.

4. Verifique se o que você está compartilhando é verdade mesmo. Muita gente sai reproduzindo bobagens e divulgando mentiras sem ao menos se dar ao trabalho de conferir as fontes. Repare: como se chama a pessoa que espalha boatos maldosamente e de maneira inconsequente? Fofoqueiro, não é? Depois não adianta chorar, lamentar-se, dizer que não sabia, que não tinha a intenção. Quem tem acesso às redes sociais, também tem acesso ao Google e pode muito bem pesquisar as fontes para saber se aquilo que está compartilhando é verdade ou não. A não ser que sua intenção seja construir um mundo melhor baseado na fofoca.

5. Reflita sobre qual é sua intenção ao postar uma foto ou mensagem. Ela é útil para alguém? Ajuda, de alguma maneira, a construir o mundo que você quer? Por favor, não confunda chatice e mau-humor com utilidade; piadas e frases espirituosas podem fazer o mundo ficar mais divertido e leve, mas há que se ter um filtro. Por exemplo: se a informação que estou postando só tem utilidade para a minha mãe, por que não envio uma mensagem particular para ela, em vez de ficar poluindo a página de meus amigos que nada têm a ver com isso? Qual a minha intenção a cada foto ou foto que publico? O que quero que as pessoas pensem ou sintam, qual é a mensagem por trás da imagem?

Ok, já estou ouvindo vozes berrando “a página é minha e posto o que eu quiser”. Está claro, não discordo disso em nenhum ponto. Só quero chamar atenção para cada um pensar sobre a real intenção ao compartilhar cada informação e as consequências que o ato pode provocar.

Redes sociais são o pior lugar do universo para alguém ser espontâneo. Acredite, é sério.

Reserva de tranquilidade

Quando estiver chateado, estressado, de mal com o mundo, põe uma música que você gosta e fica assistindo esse vídeo em loop infinito. É o outono em Berlin, na esquina da minha casa.

Garanto tranquilidade, paz e inspiração instantâneas.

Vai por mim.

Suculenta

Quase nunca falo sobre padrões de beleza injustos ligados ao peso porque sou suspeita: nasci magra e sempre vivi sem olhar para a balança. Sim, é uma sorte nascer no século certo, mas não dá para simplesmente ficar quieta e aproveitar. Tivesse eu sido contemporânea de pintores renascentistas, ficaria sem marido, o que, numa época em que as mulheres dependidam deles para comer, seria uma verdadeira tragédia.

Ser magra é confortável e um “problema” a menos para resolver na vida, mas não consigo deixar de me preocupar com as pessoas que tiveram um pequeno atraso no timing e nasceram numa época em que as dobrinhas já haviam caído de moda. É muito sofrimento e cobrança por uma bobagem fabricada.

Padrão de beleza é uma convenção, sempre foi. E muda com o tempo, com o contexto, com a história. Aí, quem não está sintonizado, acaba se sentindo deslocado, inadequado, errado. Não está não.

É só pensar em como o padrão muda ao longo dos anos, dos séculos, de lugar para lugar. É só uma convenção besta. E convenções a gente muda.

Não estou aqui propondo que o novo padrão seja a abundância (também não quero ficar mal na foto), mas num momento tão rico de possibilidades como o nosso, é de uma pobreza inimaginável definir “peso ideal” de um jeito tão quadradinho e limitado.

A ideia é ver beleza onde tem e chutar esses padrões chatos e desnecessários. Dá para agradar aos sentidos sendo magra, gorda, alta, baixa, musculosa ou molinha, enfim, dá para gostar de feijão e de arroz ao mesmo tempo. Ou preferir um dos dois. Ou farofa. O que não dá é para estabelecer que todo mundo tenha que caber na mesma forma feito clones, pois aí perde a graça.

Esse texto todo é só para apresentar uma escultura linda que vi esses dias. Fiquei um tempão parada olhando essa beleza. Não descobri quem é o(a) artista, mas faz tempo que não vejo uma mulher tão bem representada. Mesmo sendo fisicamente tão diferente, consegui me ver nela inteirinha.

Olha só que coisa mais linda, cheia de graça… e poderosa!

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Ajudando a formar cidadãos, não consumidores

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Olha que interessante; há algumas semanas postei aqui uma notícia de que a polícia de Berlin tinha sido destacada para dar suporte às crianças que estavam indo pela primeira vez à escola, ensinando-as a atravessar a rua, respeitar o semáforo, etc.

Pois ontem saiu outra notícia dizendo que a Alemanha está começando a enfrentar um problema que já acontece no mundo todo: pais que levam as crianças à escola de carro e param em fila dupla, atrapalhando todo o tráfego na região.

Pois a solução que eles pensaram em Frankfurt foi fazer os policiais explicarem para os pais que, fazendo isso, eles estão não apenas prejudicando os outros cidadãos, como também colocando em risco a vida das outras crianças que vão para a escola a pé e de bicicleta. Além disso, é bom para o desenvolvimento da criança fazer pelo menos o último trecho sozinha (elas se tornam mais responsáveis, independentes e aprendem a reconhecer sozinhas os perigos da rua). Assim, para os pais que insistem em levar o filho de carro, há a opção de estacionar a uma ou duas quadras de distância para o filho fazer o último trecho de maneira civilizada, como as outras crianças.

Adoro a maneira como esse polvo resolve os problemas!

PS: Eles têm duas expressões engraçadas para descrever esse tipo de pai/mãe: os pais-táxi e os pais-helicóptero (que se pudessem entregariam o filho de helicóptero no pátio da escola; fizeram até um filminho para ironizar a situação).

Aqui o link da notícia (em alemão) com o vídeo: http://blog.zeit.de/fahrrad/2014/09/19/elterntaxis-schulweg/

Selinhos solidários

É de pessoas generosas como o Gustavo Couto que o mundo precisa: além de excelente profissional e referência em design thinking aplicado à educação, o moço fica compartilhando comigo inbox as coisas bacanas que descobre.

Graças a ele, fiquei sabendo do projeto Pumpipumpe que quer diminuir o consumo desnecessário no mundo. Para isso, olha só a ideia simples e genial que eles tiveram: criaram selinhos que você pode colar na sua caixa de correio com os itens que você poderia emprestar para os seus vizinhos. Quando eles estiverem precisando, já sabem para quem pedir.

Além de tornar o mundo melhor, a gente ainda faz uma social com os moradores do prédio. O primeiro contato já é solidário, quer coisa melhor?

O projeto foi criado na Suíça (o site tem versões em alemão, francês e italiano) e você escreve e pede os selos correspondentes às coisas que tem para emprestar; eles também pedem sugestões de coisas que ninguém se lembrou ainda, mas que também podem ser úteis para alguém. A ideia é sempre produzir novos selos (ainda não tem xícara de açúcar…rsrsr).

Como tem um monte de gente trabalhando voluntariamente e há custos, você pode contribuir se e com quanto quiser. Eles também fornecem cartões postais lindos com os mesmos desenhos dos selos.

Eu já colei meus selos na caixa de correio e agora é só esperar algum vizinho tocar a campainha… :)

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No meu caso, posso emprestar ferramentas, livros, uma panela wok e uma balança de cozinha (ainda não desapeguei da bicicleta…rsrsr). No último selo aparece a mensagem “Alls das kannst du bei mir ausleihen” que, em uma tradução pra lá de livre quer dizer “todas essas coisas você pode me pedir emprestado“. Embaixo tem o site do projeto, caso o vizinho também queira participar.

Penso que eles ficariam contentes se alguém no Brasil quisesse expandir o projeto para baixo do Equador; é só entrar em contato pelo site.

PS: Já sei que vai ter gente curiosa perguntando o que está escrito no adesivo de cima. É um pedido para não colocarem folhetos, revistas e periódicos de propaganda, ou seja, spam de papel. Se não colocar isso, a caixa fica abarrotada. Outra curiosidade é que os apartamentos não têm números, então o correio distribui a correspondência pelo sobrenome que está marcado na caixa.

Chefe ou líder?

 

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De vez em quando vejo pessoas falando sobre liderança e tratam o termo chefe como sinônimo de líder. Pois é, então fica a pergunta: um líder é um chefe? Precisa ser chefe para ser líder?

Outra questão que aparece bastante nos treinamentos para empresas: para que vou dar um curso de desenvolvimento de liderança para pessoas que não têm subordinados?

Bem, vamos analisar primeiro o conceito de chefe. O dicionário Aulete diz que é a pessoa que exerce a autoridade principal, de comando, que tem poder de decisão, que dirige.

Já sobre líder, gosto da definição de Peter Drucker: “Líder é alguém que possui seguidores”. A de Wishard também é clara: “A essência da liderança é a visão”. Só para acabar, o resumão de Lin Bothwell consegue sintetizar de maneira brilhante: “A moral da história é clara: para ser líder é necessário saber para onde se vai”.

Não sei se vocês repararam, mas as definições de chefe e líder não têm nada a ver uma com a outra. Uma define posição, autoridade. Outra trata principalmente de inspiração.

Mas vamos desdobrar essas ideias direitinho para ver por que a confusão acontece.

Durcker diz que líder é aquele que tem seguidores (observe: seguidores, não fãs!).

O líder é um sujeito que consegue enxergar para o futuro e ver um cenário que deseja que se torne real. Como o líder quer muito que essa visão se materialize, pensa num jeito de fazê-la acontecer; estuda caminhos e descobre um jeito. Quanto mais ambicioso é o cenário, mais o líder entende que não consegue construi-lo sozinho — precisa de ajuda de outras pessoas, outros profissionais, outras competências. Precisa de mais gente que também tenha a mesma visão e que queira ir junto com ele no caminho para chegar lá.

Então, o que o líder faz? Apresenta esse cenário de maneira que consiga inspirar outras pessoas a segui-lo. Ele consegue comunicar a ideia de maneira que os seguidores consigam ver e entender o papel e a importância de cada um na construção do caminho.

E tem mais: dependendo da complexidade do cenário, o líder entende que o caminho é longo, penoso e que não consegue dar conta sozinho. Aí, não tem outro jeito: ele tem que preparar alguns seguidores para assumir a liderança em determinados trechos. Os envolvidos sabem que o foco é a visão, o cenário futuro, que não inclui o umbigo de ninguém; quem é o líder em qual parte do caminho é apenas um detalhe técnico.

Vamos a exemplos práticos: Martin Luther King inspirou milhões de pessoas na construção de um cenário que apresentava um mundo sem racismo. A visão era grande, complexa e de difícil realização, mas importantíssima. Ele conseguiu apresentar a ideia de maneira muito clara, e mais; conseguiu mostrar aos seguidores a importância de cada um nessa luta. O cenário em questão ainda está em obras, Martin já morreu, mas deixou muitos seguidores-líderes que se revezam na batalha. São pessoas de países, línguas e culturas diferentes, com atuações em diversos campos, com abordagens diferentes, mas que têm em comum a mesma visão.

Um exemplo mais do dia-a-dia, vejo defensores de animais abandonados. Tem muita gente trabalhando para construir um mundo sem bichos sofrendo maus tratos, atuando em diversas frentes. Há muitos seguidores e muitos líderes. Não há estrelas ou egos; há o futuro desejado, a visão.

O importante é que se saiba que o papel do líder é temporário e limitado, mas fundamental. E que a pessoa que está líder no momento é apenas um instrumento para fazer a visão se realizar.

E onde é que entra o chefe nessa história?

Bem, o chefe deveria ser a pessoa que foi escolhida pela empresa para tomar decisões justamente porque ele conhece e entende bem o cenário futuro, a visão da organização. Ele deveria ser uma pessoa que consegue traduzir bem esse quadro para sua equipe e inspirá-la a trabalhar juntos para construi-lo.

Nem sempre o chefe e a empresa possuem essa clareza de definições e acontece muito de pessoas assumirem o cargo sem estar preparadas, achando que precisam de fãs (ou então tementes). E, como disse antes, líder não precisa ter subordinados, mas seguidores. Pessoas que acreditam na ideia e sentem-se motivadas a participar.

A senhora que serve o café pode ser uma líder muito mais influente que o diretor da divisão, pois pode conseguir mudar o comportamento das pessoas se tiver grande poder de comunicação, mesmo não tendo nenhuma autoridade. Então, a questão de ter ou não subordinados, não é relevante nesse caso. O pessoal que faz trabalhos voluntários, às vezes sequer pode contar com uma pessoa ajudando no início do projeto — começa sozinho mesmo e vai arregimentado seguidores enquanto caminha.

Todos somos líderes e liderados em muitas e diversas causas, só depende da situação e do contexto. Mudamos de papel o tempo todo e, o mais importante para empresas, chefes, subordinados, líderes e seguidores entenderem é que as pessoas são movidas pela visão.

E é somente ela que importa, no final das contas.

Os primeiros passos

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Olha que fofura: o Conrado ouviu no rádio (por isso não tem o link da matéria) que hoje 3.000 crianças em Berlim estão indo à escola pela primeira vez (o ano letivo no hemisfério norte começa em setembro, depois das férias de verão).

Pois a polícia se mobilizou numa operação especial em todos os cantos da cidade para ensinar os pequenos a atravessar a rua e como se comportar no trânsito.

Muito amor, né? <3 <3 <3   

Você não é tão generoso quanto pensa…

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De vez em quando faço um favor ou outro para alguém e invariavelmente acabo ouvindo um “fico te devendo essa” no final. É claro que é só uma forma de falar, mas tem quem leve isso a sério.

Desconfio que há pessoas que mantêm tabelas com registros dos favores que fizeram, dos que receberam, e ficam conferindo para ver se os valores batem. Ajudas maiores contam mais pontos? Como medir o tamanho da contribuição de cada parte? Esses cálculos complicados geram não apenas sentimentos de injustiça (ah, como esse povo é ingrato!) como posts constrangedores em redes sociais.

E mais; tenho certeza que há viventes nesse planeta que acreditam que o Criador do Universo gasta seu tempo atualizando e analisando planilhas de boas ações e cruzando dados sobre a quantidade/qualidade de favores que cada pessoa presta. Depois, baseado em pontos alcançados numa estranha competição religiosa, Ele calcula classificação de cada mortal quando o jogo termina. Aparentemente, a pontuação define quem vai para onde depois que morre (bônus: se rezar muito ou fizer promessa pode ganhar pontos suficientes para receber algum favor divino enquanto está vivo).

O duro é que quem faz mais favores (segundo seus próprios critérios, claro), fica se achando muito generoso e superior aos demais mortais, portanto merecedor indiscutível de benesses e privilégios.

Será?

Vamos ser sinceros. Mesmo que o objetivo não seja ganhar pontos na divina gincana ou sair bem na foto, fazemos favores aos outros segundo nossos próprios interesses. Sempre.

Se ajudo um amigo ou pessoa querida numa situação qualquer, é porque eu é que vou ganhar em vê-la bem e feliz. É do interesse do meu coração; serei diretamente beneficiada com um sorriso ou abraço se a coisa der certo.

Se estou ajudando um desconhecido, é porque de alguma maneira essa pessoa contribui para que o mundo se movimente do jeito que eu quero. Todos temos um ideal de como as coisas deveriam ser; quando a gente observa alguém fazendo um gesto na direção que desejamos (seja uma pesquisa, um trabalho, um projeto), nada mais óbvio do que dar um empurrãozinho, não é?

Então, se o sujeito me escreve para tirar uma dúvida pessoal ou profissional, e posso ajudá-lo, por que não? Essa ação contribui para que o mundo fique mais próximo do modelo que imagino, onde as pessoas são mais felizes e bem resolvidas. Se elogio alguém é porque é minha intenção que ela continue reproduzindo esse comportamento, que está alinhado com meu mundo ideal.

Então não é uma questão de generosidade; apenas uma ação natural e lógica. Se você quer mover uma coisa numa direção, não faz sentido ficar parado e não ajudar quando surge uma oportunidade.

É claro que nem sempre se consegue fazer todos as ações necessárias para que o mundo siga na direção que a gente quer, seja por falta de recursos, tempo ou desconhecimento mesmo. A gente elege prioridades, mas no final das contas, acaba fazendo tudo por interesse.

Sou grata às muitas pessoas que me ajudaram ao longo da vida, mas não me sinto em dívida. Penso que tudo faz parte de um enorme movimento para fazer a bola girar (para um lado ou para o outro; o lado que recebe mais impulso acaba ganhando).

Enfim, estou fazendo o favor de cutucar aí sua cabeça para você parar de pensar em dívidas, pontos e planilhas e começar a pensar e movimentos, intenções e resultados.

De nada :)

Shopping de ideias

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Uma das coisas que mais gostava quando fazia software para robôs era estudar os processos de fabricação. Em cada projeto tinha que aprender coisas diferentes, compreender como os objetos eram construídos. Ajudei a automatizar máquinas para produzir bandas de rodagem para pneus de avião, cortadores de vidros para automóveis, prensas, alimentadores de tornos de comando numérico, perfuradoras de perfis de alumínio, aplicadores de cola em tubos de imagem; enfim, um mundo inteiro de descobertas e surpresas. Achei que nunca mais iria ter um trabalho tão desafiador. Ledo engano.

Como palestrante, a história se repete de um jeito diferente, mas não menos interessante. Novamente preciso estudar cada cliente e entender de que maneira as coisas que aprendi podem contribuir para melhorar seus processos e a atitude dos seus colaboradores.

Uma das palestras que fiz essa semana foi para lojistas de um shopping; conversamos sobre como as empresas e as pessoas precisam se adaptar às mudanças que vêm acontecendo e sobre como é possível fazer da interação com os clientes uma experiência memorável.

Foi na fase de preparação que me dei conta das diferenças enormes que existem entre um shopping no Brasil e num shopping em Berlim (talvez a análise possa se estender pela Europa, mas não me atrevo a generalizar).

Os shoppings, na cidade onde moro, são apenas centros de compras. Não são tão luxuosos, nem tão grandes, nem tão atraentes. As pessoas claramente preferem adquirir coisas em lojas de rua, mesmo no inverno rigoroso. No verão, os parques e lagos são o principal local de lazer; também se vai a museus, shows ao ar livre e uma mesinha na calçada de um café é uma alternativa de valor. Não passa pela cabeça de ninguém entrar num shopping apenas para perambular pelos corredores (nem mesmo para ir ao cinema, já que boa parte deles sequer conta com esse item). A impressão que tenho é que a maioria dos frequentadores é turista.

No Brasil, ao contrário, os shoppings têm um papel importantíssimo nas cidades. Não raro é a principal fonte de lazer e um local seguro para encontrar amigos, mesmo numa ilha cheia de praias, como Florianópolis, num dia lindo de verão.

Antes da minha fala, a equipe de marketing fez uma apresentação para prestar contas e descobri que uma das métricas de sucesso do empreendimento é o número de vagas ocupadas no estacionamento, o que me deixou um pouco chocada (não tenho certeza se todos os shoppings em Berlin contam com essa conveniência).

Se por um lado essa análise é um pouco assustadora, por outro é uma oportunidade enorme para os empreendedores, uma vez que evidentemente é muito mais difícil e desafiador ser lojista em Berlim. Os shoppings brasileiros possuem uma influência enorme na vida das pessoas, são um espaço importantíssimo de relacionamento; então por que não fazer dessa situação privilegiada uma oportunidade de fazer a vida na cidade melhor?

Claro que não vou discutir aqui a necessidade do governo em criar e administrar adequadamente espaços públicos de lazer; esse é um tema para longas e calorosas discussões. A questão da inclusão social é igualmente complexa e não é meu objetivo discuti-la aqui. Fui contratada para compartilhar minhas experiências com lojistas; então vou focar nesse ponto onde tenho acesso.

Shopping Centers são um modelo comercial em decadência no país onde nasceram, os Estados Unidos. Desde 2006 não são construídos lá esses centros comerciais fechados tão em voga em terras tupiniquins; na terra do tio Sam, inclusive, o abandono e fechamento desses prédios tem sido rotina, tanto devido à crise, como por excesso de oferta e aumento do e-commerce.

No Brasil, há que se prestar atenção nessa tendência para não reproduzir o modelo (e o desastre) americano.

Penso que cada vez mais a solução se desenha na direção da transformação desses espaços em centros de lazer e entretenimento onde as pessoas possam trocar a interação das redes sociais por calor humano real. Mais do que isso, os administradores e lojistas ganham muito em conhecer e aplicar os conceitos do marketing 3.0 (saiba mais aqui).

Espaços tão importantes devem assumir seu protagonismo com projetos que façam a cidade, o bairro, a rua, lugares melhores para se viver. Grafite, arte de rua, exposições, palestras, shows, cursos, debates, programas de incentivo e formação profissional, eventos esportivos, culturais e literários, enfim, projetos que tragam valor real para a comunidade e desenvolvam um vínculo emocional com o empreendimento são algumas ideias a ser exploradas. Ousaria dizer que um trabalho focado em design de serviços pode trazer resultados bem surpreendentes também.

Iniciativas que contribuam para desenvolvimento das pessoas e não sejam unicamente focadas no consumo podem não apenas beneficiar a comunidade; podem ser o único caminho para a salvação desse modelo de negócio.

A mulher que sabia voar

Sempre que passava pela estação de trem Zoologischer Garten, ficava intrigada com as vitrines do Museu Erótico (que tem uma sex-shop bem grande anexa) uma quadra depois. É que numa delas tinha a foto de uma moça jovem, com capacete de piloto, muito sorridente. Linda, mas nada erótica, pelo menos no sentido mais tradicional da palavra. O que isso teria a ver com o museu?

Veja a foto:
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Pois é, até que um dia convidei o Conrado para conhecer (não se vai num museu desses sozinha, a pessoa pode ter ideias que não deveriam ser desperdiçadas…rs) e finalmente fomos no final de semana passado.

Já tinha estudado um pouco a respeito dessa jovem, mas fiquei ainda mais encantada. A moça se chamava Beate Uhse e nasceu em 1919 em Wargenau, uma cidadezinha minúscula da Prússia Oriental que depois da Segunda Guerra passou a pertencer à Rússia. Para se ter uma ideia, em 1910 o povoado contava com míseros 114 habitantes. O pai era agricultor e a mãe foi uma das primeiras médicas alemãs, que criou a caçula de três irmãos com liberdade e autosuficiência; até um estágio em Londres Beate fez.

Agora, a explicação para a foto: com 17 anos, Beate conseguiu seu brevê como piloto de avião e essa foi uma paixão para a vida toda. Lutando na segunda guerra, conheceu seu primeiro marido, o também piloto Hans-Jürgen Uhse (de onde vem o sobrenome que ela tornou famoso).

Depois de perder Hans numa batalha no último ano da guerra, Beate fugiu de Berlin Oriental para o ocidente levando no avião o filho de dois anos, a babá, o mecânico de bordo e dois soldados feridos. Resolveu viver no povoado de Braderup e lá fundou seu primeiro negócio, uma vez que os aliados proibiram os pilotos alemães de voar; ela ia de bicicleta de casa em casa vender botões e brinquedos.

Depois do final da Guerra, os soldados voltaram para casa e muitas mulheres queriam evitar a gravidez; Beate lembrou-se da mãe, médica, que ensinava vários métodos anticoncepcionais naturais na comunidade. A moça então começou a vender um jornalzinho em Flenzburg, a maior cidade próxima, com essas informações; também respondia às muitas perguntas das mulheres, sempre cheias de dúvidas. O próximo passo foi vender preservativos masculinos junto com um livrinho de explicações e instruções de uso.

Beate começou a ver que a maioria das mulheres não tinha a sorte dela, de ser estudada, esclarecida, bem-resolvida e autoconfiante. Foi aí que achou que elas também tinham o direito de viver plenamente sua sexualidade como uma coisa divertida que fazia parte da vida.  Beate Uhse começou a vender então apetrechos sexuais, sempre preocupada em fornecer explicações e esclarecimentos.

Em 1952 os produtos começaram a ser vendidos por catálogo e 1962 foi aberta em Flensburg a primeira sex-shop do mundo; a empresa que fabricava os produtos à venda já contava então com 200 funcionários.

É claro que alguém com tanta liberdade causou muito incômodo numa sociedade conservadora como a daquela época; sofreu processos, perseguições, enfim, pagou o preço que a vanguarda exige.

A moça curiosa, corajosa e empreendedora casou-se três vezes, teve dois filhos e era uma profunda admiradora da natureza; plantava legumes e verduras, era boa cozinheira e praticou tênis, mergulho e golfe, além de pilotar aviões até perto de morrer, aos 81 anos. Ou seja, nada a ver com o estereótipo que se poderia esperar da dona de um dos maiores império de sex-shops da Europa.

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Beate com sua biografia e com seu terceiro e último marido, um professor americano de inglês que conheceu quando passava férias nas Bahamas. Ele era 25 anos mais novo e ficaram 10 anos casados.

Bom, sobre o museu, além da história da empreendedora, tem também esculturas, aquarelas e pinturas belíssimas (todas com conteúdo erótico, claro), além de peças curiosas. Vale a pena visitar.

Não sei vocês, mas adorei conhecer essa alemã ousada e atrevida.

 

Você tem que me ajudar

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Vivo recebendo (e imagino que você também) mensagens que começam com “você tem que me ajudar”. As variações são pouco criativas: “estou fazendo uma pesquisa/trabalho e preciso que você…”, “estou precisando de um emprego e…”, “quebraí o meu galho, vai…”, “preciso urgente vender meu carro e…”. Em resumo, o umbigo da pessoa ocupa todo o espaço disponível no texto e, não raro, chega a transbordar horas depois quando chega outra mensagem cobrando uma resposta.

Às vezes dá vontade de ler o conteúdo só por curiosidade, mas depois de receber tanto pedido sem cabimento, dificilmente o sentimento despertado é de solidariedade ou comiseração (mesmo assim, que fique registrado, sempre leio tudo e tento ajudar na medida do possível).

Ah, se as pessoas tivessem noção de que liderança não tem a ver com chefia, cargos ou vida profissional, quão mais eficientes seriam as comunicações entre as pessoas…

Toda vez que a gente quer que alguém nos ajude com alguma coisa, é preciso pensar primeiro em como encorajar essa pessoa a fazê-lo. Ninguém tem obrigação de arrumar emprego para um colega ou ajudar a vender seu carro, colaborar numa campanha ou responder a uma pesquisa. A vida não está fácil para ninguém e cada um tem seus próprios problemas e prioridades para resolver, que não são poucos. Não me entendam mal: solidariedade é necessária no mundo. O que estou propondo aqui é um meio de aumentar a colaboração sem apelar para o coitadismo ou a falta de educação.

Aí é que entra a questão da liderança: chamamos líder alguém que enxerga um cenário futuro como resultado de seu trabalho (também conhecido por visão) e consegue despertar nas pessoas a vontade de segui-lo no caminho que vislumbra para chegar lá.

Quanto mais ousada e abrangente é a visão, mais o líder sabe que precisa de ajuda. Aí é que entram as atitudes que ele/ela precisa desenvolver, e a primeira delas é conseguir descrever claramente esse cenário de maneira a animar as pessoas que quer engajar.

Mas ninguém vai se sentir motivado a ir junto se o cenário só beneficiar o líder e mais ninguém (já falamos sobre isso em “visão não é selfie”). Então, se o líder quer que as pessoas ajudem, jamais deve começar a descrição do cenário como “Preciso cumprir a meta do mês e…”.

Sabe-se que não é possível motivar outra pessoa, pois a motivação é um sentimento interno. O que se pode fazer é construir as condições favoráveis para que a pessoa se sinta capaz, confiante, entusiasmada e estimulada a colaborar na construção de uma visão que a emocione de alguma maneira.

Beleza, mas como vou convencer alguém ajudar a me arrumar um emprego? Ou a responder minha pesquisa para o TCC? Ou a vender meu carro? Ou a ajudar as crianças do orfanato?

Vejamos.

Se em vez de ligar para todo o pessoal que participa da pelada de domingo pedindo desesperadamente um emprego, o Asdrúbal primeiro estudasse a empresa na qual gostaria de trabalhar e o cargo (ou seja, começasse a construir a visão), conseguiria apresentar a ideia de maneira que fosse atraente para a própria empresa e para o Mário que trabalha lá; acompanhe.

Asdrúbal poderia chamar o Mário para uma conversa e dizer: “olha, estou me desligando da firma em que trabalhei nos últimos três anos e vi que há uma oportunidade na empresa YY; penso que poderia contribuir muito nessa função, uma vez que aprendi bastante sobre atendimento ao cliente nos dois cursos de extensão que fiz e enquanto era gerente do departamento tal. Desenvolvi um sistema que pode ser útil para a empresa YY, principalmente no segmento X. Seria possível obter um contato para apresentar uma proposta de trabalho?”. O Mário vai vislumbrar o seguinte cenário: uma melhoria significativa no atendimento ao cliente da YY (o que é bom para todo mundo) e o melhor: foi ele quem descobriu o talento e o indicou. Como não ajudar?

A chave é descobrir qual é sua visão e encontrar pessoas que compartilhem dela; pessoas que consigam ver valor na proposição e estejam dispostas a se mexer para fazê-la acontecer.

Vejamos o exemplo da venda do seu carro; o que eu mais gosto é desse vídeo que um diretor de arte americano fez para vender seu velho e fiel companheiro de 18 anos, todo rasgado e detonado. Vê se não dá vontade de divulgar a venda dessa joia, mesmo sem ele ter pedido.

Claro, você pode não ter o talento todo desse sujeito, mas pode muito bem pensar num jeito de apresentar a ideia que não seja apenas vantajosa para você, mas também para as pessoas de quem você espera colaboração.

No caso da pesquisa para seu TCC, sempre imagino que o estudo trará mais informações e conhecimento a respeito de um determinado assunto (que, naturalmente, é de interesse do entrevistado). Aí é mais fácil; basta oferecer o arquivo com os resultados do trabalho e enfatizar que o levantamento está colaborando para que se compreenda melhor a questão X. Ainda se pode acrescentar que o desdobramento da pesquisa prevê a busca de uma solução para o problema Y.

Campanhas para ajudar qualquer causa sempre rendem mais colaboradores quando oferecem um cenário inspirador (uma festa, um prêmio, produtos para venda, fotografias bacanas, humor, etc) do que o eterno mimimi repetindo a ladainha que o mercado é cruel e injusto. Apelar para o sentimento de culpa das pessoas funciona às vezes, mas emocionar positivamente é muito mais sustentável e gratificante.

Feito isso, não pedirei para você compartilhar esse texto (detesto quando pedem isso…rs), vou fazer melhor: convidá-lo para juntos tentarmos ajudar a diminuir o tráfego de mensagens apelativas e mal educadas e a aumentar os pedidos colaborativos e inspiradores.

Já pensou se todo mundo pudesse ler esse texto, como ajudaria?