Arquivo de ‘comunicação’

13 mai

Quando o pessoal da República Tcheca precisa trocar o óleo, usa essa marca aqui (achei num posto de gasolina da estrada)…rsrsrs

4 mai

Olha só as duas obras que vi hoje; não são sensacionais?

Não tem como a pessoa passar e não notar, o trabalho é muito bem feito. Fotografia impressa em grande formato e colada em paredes externas causam um impacto profundo na paisagem da cidade; o efeito é incrível!

E você, gostou?

29 abr

Uma coisa muito pouco explorada no Brasil é a propaganda que usa a bicicleta como veículo (literalmente). Talvez porque andar de bicicleta no nosso país ainda seja uma temeridade; com o desrespeito geral que impera no trânsito e os pouquíssimos quilômetros de ciclovias, pedalar não é para os fracos.

Mas as empresas bem que podiam ajudar os cidadãos a ficar mais saudáveis, as cidades menos poluídas e ainda ganhar moral com isso. E não é apenas para grandes corporações não; dá para patrocinar alguém que usa bastante a bicicleta no dia-a-dia ou até frotas inteiras para aluguel. Dá até para usar sua própria bike para fazer propaganda de sua start-up, já pensou?

Bom, aqui também tem uns comerciantes espertinhos que estacionam estrategicamente a magrela devidamente paramentada num lugar bem movimentado e a deixam lá, para exposição. De qualquer maneira, a cidade só ganha com essa invasão do bem.

Olha aqui alguns exemplos para o pessoal se inspirar!

Feita à mão... propaganda de uma escola de dança especializada em tango

Auto-referência: propaganda de aluguel e venda de bicicletas

O café fica num pátio interno, meio escondido. Então é só deixar a magrela na porta, que o povo entra!

Veículo da empresa de massagens em domicílio

Mesmo velhinha, a bike serve de suporte hype para placas de sinalização

Uma escultura montada na bike, olha só que original!

Como não notar tanta discrição?

Estúdio fotográfico que curte enigmas visuais...

A loja fica numa ruazinha paralela, então tem que aparecer na avenida de algum jeito (só achei que, pela marca que divulga, a bike devia ser toda estampadinha e colorida. Ruído na identidade.).

A GE, que faz carros elétricos, não podia ficar de fora!

Essa aí não tem placa, mas compõe a fachada de uma floricultura.

Hoteis, aprendam: aluguem bicicletas e façam propaganda ao mesmo tempo!

Minha favorita!

19 abr

Estava aqui pensando quanta ideia errada eu tinha sobre a Alemanha antes de me mudar. As pessoas falavam coisas e eu acreditava na boa, já que não tinha como conferir; mas agora tenho. Aproveite para não ser iludida como eu fui…rsrsrs

MITO 1: Dá para sair na neve com roupa normal e só um bom casaco por cima.

Gente, isso é só em filme. Ou então a pessoa veste um casaco com super-poderes (que ainda não encontrei). Aquela história da moça sair de vestidinho leve e scarpin (alô Carrie Bradshaw) é só no cinema mesmo. Você fica pelo menos três meses vendo suas pernas e braços só na hora de tomar banho; é sempre duas calças, três meias, 5 camisetas e o tal do casaco. E, olha, mesmo que o casaco fosse de pele de urso polar, como é que ficam os pés, que chegam a endurecer os dedos se você estiver só com uma meia? Não caia nessa, é pura enganação.

MITO 2: Dá para ficar de camiseta e chinelo em casa no inverno.

Sim, se a camiseta for de lã e o chinelo for de pelúcia (não esquecer das meias). Mesmo colocando o aquecedor no máximo, não dá para ficar sem um casaquinho. A não ser que os aquecedores dos filmes americanos sejam mais fortes que esse aqui de casa.

MITO 3: Europeus amam artesanato porque aqui quase não existe trabalho manual.

A mais pura mentira; qualquer feirinha de natal por aqui bate as feirinhas hippies brasileiras em termos de quantidade de artesanato à venda. Algumas coisas são diferentes, claro, mas outras são exatamente iguais. Sem dizer que lojinhas de material para artesanato e revistas especializadas existem aos montes.

MITO 4: Saudade só existe em português.

Não consegui descobrir quem inventou isso, mas foi tão fácil de acreditar… Como se só os brasileiros (e portugueses) sentissem saudades e o resto do mundo fosse habitado por gente insensível. Em alemão existe Sehnsucht que é a tradução literal da palavra. Sem mais.

MITO 5: Alemão é uma língua estruturada.

Essa, para mim, foi a pior, pois caí do cavalo em grande estilo. Vim preparada para aprender um conjunto de regras e aplicá-las. Tolinha…. essa língua tem tantas exceções que para algumas coisas eles nem se deram ao trabalho de criar a regra; tem que aprender que é assim e aceitar. Ponto.

MITO 6: Alemão é o povo mais pontual do mundo.

Olha, no resto da Alemanha pode ser, mas em Berlin, em todos os encontros de Tandem que agendei em cafés, sempre fui a primeira a chegar. Tem um parceiro com quem já tive uns 10 encontros que sempre chega pelo menos uns 15 minutos atrasado (vai ver por isso é que ele quer aprender português….rsrsrsrs). Também já fui convidada para uma festa na casa de uma alemã da gema e cheguei pontualmente para não fazer feio. Pois é, ela ainda não estava pronta e os outros convidados só começaram a chegar 20 minutos depois…

MITO 7: Alemães não são muito amigáveis.

De fato, alguns realmente são mais difíceis, é verdade. Mas também conheci pessoas queridíssimas e muito delicadas. Como em qualquer lugar…

15 abr

Esse ditado latino pode ser traduzido livremente como “a verdade no vinho” e quer dizer, mais ou menos, que depois de uma ou mais taças de vinho é que a pessoa se revela e a verdade vem à tona. Sendo uma das bebidas preferidas lá em casa, sempre temos pelo menos uma garrafa para acompanhar as refeições.

E, vamos combinar, rótulos de vinho são uma diversão à parte, seja nas prateleiras de uma enoteca, seja em um supermercado. Os projetos gráficos me encantam, mas entretenimento mesmo são os nomes de vinhos portugueses e espanhois (que fazem mais sentido na nossa língua e ficam bem engraçados).

Vejam algumas pérolas da minha coleção…

Esse vinho devia custar mais barato por causa do nome, né? Produto com subsídio....

Cuidado com o dedo...rsrsrsr

Aahahahaha... se não gostar, não reclame. Apenas fique p...

O nome nem é tão exótico, mas olha que ilustração mais linda!

Os modelos estão mais para gatinhos, mas va lá... são muito fofos...

9 abr

Nessa correria de hospital nem tenho tido tempo de lamber a cria direito. A editora 2AB fez uma edição caprichadíssima do “Design desmodrômico [para curiosos]“: meu querido tem formato quadrado, interior em papel polen, textos em azul marinho, ilustrações lindas e uma sobrecapa de acetato que cria um efeito tridimensional bem bacana no título. Como não amar?

Pois é, se você quiser um para chamar de seu, vou sortear 2 exemplares autografados no sábado, dia 13 de abril de 2013. Para participar, é só comentar esse post com nome e e-mail até a meia noite do dia 12 (sexta). Vou numerar por ordem de chegada e inserir os dados em algum aplicativo de sorteio (aceito sugestões).

É só um comentário por pessoa, ok? Boa sorte!

Se você é de Belo Horizonte, nem precisa participar do sorteio! É só se inscrever no workshop “Design desmodrômico” que vai rolar lá na semana que vem que o livro é de presente! Quer saber mais? Clique aqui.

***

GANHADORES: comentários número 16 e 95 (clique aqui para ver no www.sorteador.com.br), respectivamente: Nayara Gonçalves e Fernando Ximenes! Obrigada a todos os demais pela participação e boa sorte na próxima vez!

4 abr

Confesse aí, vai… você sempre quis ser uma máquina. Sim, um conjunto de mecanismos combinados para exercer uma única e específica tarefa. Como assim? Não? Tem certeza?

Pois é, mas os gênios da propaganda que criaram essa campanha aí embaixo partiram da premissa que esse sempre foi o maior desejo de todas as pessoas; pelo menos foi o que consegui deduzir; dá só uma reparada na obra:

Não sei vocês, mas penso que essa turma deveria se transformar, sei lá, em uma máquina de costura, de fazer café, de cortar grama, de fazer pirulito… qualquer coisa que os impedisse de exercer a profissão de publicitários. E, de preferência, antes de afundar o cliente com essa pérola…

4 abr

Olha, vou ser sincera. Sempre achei o uó essa história de pedir voto pra qualquer coisa só por amizade. Se o pedido for de um político, então, quero morrer (ou melhor, matar). Então, por favor, não vote porque me acha gente boa. No meu mundo ideal, voto não é sinônimo de amizade. Voto é sinônimo de reconhecimento de mérito.

Esse papo todo é porque esse blog aqui é finalista do Prêmio The Bobs da Deutsche Welle como melhor blog em língua portuguesa. A eleição acontece de 3 de abril a 7 de maio de 2013. A cada 24 horas é possível votar uma vez por categoria e por língua e o candidato com o maior número de votos é o vencedor do Prêmio do Público.

O que eu vou pedir é que você tire um tempinho e faça uma visita caprichada; leia alguns posts, xerete bastante, escolha um assunto na lista de categorias, viaje, irrite-se, ria, clique, reclame, conheça. O que estou pedindo é apenas seu olhar crítico (sou gente boa, vai?).

Aí, se você achar que o prêmio é realmente merecido, clique aqui e vote.

Se você estiver decididamente convencido, por favor, divulgue para seus amigos e conhecidos, para que eles também possam avaliar meu trabalho.

Mesmo que eu não ganhe nada, já estou muito feliz em ficar ao lado dos melhores blogs que eu conheço (são apenas 10 e só tem fera; certamente, sou a única desconhecida do grupo).

Não vou enganar ninguém: vou ficar imensamente feliz com tantas visitas!

Vamos?

25 mar

Se tem uma coisa que eu amo fazer é me perder pela cidade. Desço numa estação de metrô aleatória (ou ponto de ônibus) e fico explorando os arredores. Pois hoje desci na estação Hallesches Tor, onde tinha que fazer uma conexão e comecei a flanar para aproveitar o solzinho (apesar do frio de -6 °C).

Fui me metendo pelas ruas e acabei entrando num condomínio simples que tinha tudo para ser um tédio. Mas acontece que o pessoal que participa da reunião de condomínio parece ser mais arejado das ideias e resolveu apostar num grafiteiro (quem sabe ele até mora lá).

Prepare seus olhinhos para a festa. Lá vai!!!

Quer ver mais? Eu surtei e fiz um álbum inteiro só para esse lugar. Clique aqui e vá no Flickr!

22 mar

Bom, vamos combinar que loja de perucas não é a coisa mais comum de se encontrar numa cidade, se comparada com salão de beleza, farmácia, supermercado e outros tipos de comércio mais comuns.

Confesso que não vi tantas assim na vida; em comum, reparei que a vitrine é sempre cheia de cabeças neutras de manequim com perucas de cores e cortes diversos.

Pois bem; essa loja em Nuremberg resolveu inovar para valer: eles criaram uma personalidade para cada uma das cabeças neutras e sem graça adicionando acessórios: óculos, lenços, gravatas, laços, etc. Cada cabeça parece guardar uma história e um estilo diferente; e ainda tem homens, por sinal super descolados, coisa que nunca tinha visto em loja de peruca. A impressão que se tem é que eles estão numa festa e dá para ficar horas imaginando que se cada cabeça tivesse miolos, no que estaria pensando (escolha aí uma para experimentar!).

Achei muito legal e, de quebra, eles ainda diversificam o negócios vendendo os acessórios também. Muito bacana mesmo; se você tem uma loja de perucas, olhaí a ideia!

Tem para todos os gostos mesmo, até cabeça careca (acho que as perucas foram vendidas e não tinha mais para repor....rsrsrsrs).

14 mar

Fotografia: Dean Freeman

Tem pessoas que são assim: você pode xingar a mãe, chamar o filho de coisas inomináveis, discutir polêmicas políticas, falar mal do time do coração e até questionar sua sanidade mental; em quase todas as situações elas conseguem manter uma relativa civilidade. Mas experimente corrigir seu português.

Nunca entendi por que tem gente que fica tão mortalmente mordida com isso.

Geralmente o ofendido ou a ofendida reclama que estava tratando de um assunto importante e quem corrigiu só olhou para o erro; mas é por isso mesmo, minha gente! Se o assunto é importante, não merece ser perturbado por um ruído bobo como um erro de português. Para mim, é como avisar que o zíper está aberto ou tem feijão no dente. Melhor corrigir rápido e não se fala mais nisso. Tão simples!

Mas não. As redes sociais estão cheias de amizades desfeitas por conta de alguém que, incomodado com a vergonha alheia, quis acabar com o espetáculo e se deu mal. Os corrigidos ficam furiosos, a reações são desproporcionais. Alguém devia fazer um estudo psicológico a respeito.

Há quem considere uma questão de honra e questione a validade da regra (?), dizendo que se a gente procurar no Google, vai achar a palavra escrita dessa maneira também (como se o buscador fosse uma gramática; por falar nisso, procure “voçê” e assuste-se com as ocorrências). Há quem declare solenemente que não liga para as regras e adora quebrá-las, com um ar blasé que mal consegue dissimular o ódio profundo pela intromissão.

Já vi pessoas martelando o bordão de que o conteúdo é mais importante que a forma; sou da opinião que a forma inadequada pode prejudicar a compreensão (e até a credibilidade) do conteúdo.

Sinceramente, não consigo entender qual é o problema numa questão, para mim, tão simples. O que há de tão sensacional num erro de português? Nossa língua é sabidamente difícil, cheia de regras e exceções. Quando eu era pequena, era comum a gente discutir sobre palavras exóticas, suas origens e significados na hora do almoço; por isso, na cozinha sempre tinha um dicionário.

O que me deixa encafifada é que as pessoas não têm vergonha de errar; elas têm vergonha é de ser corrigidas! Como lidar?

Adoro quando corrigem meu português (mentira, preferia não ter errado, mas acho pior manter o engano), pois quando alguém me dá um toque significa que vou parar de pagar mico em público porque sim, todo mundo percebe, mas finge que não viu nada com medo de apanhar. Acho melhor ainda quando, em vez de um simples erro de digitação, o caso é daqueles que você tem que ir até uma gramática para ter certeza. Já participei de debates bem interessantes sobre algumas situações onde aprendi muito mais do que apenas a correção do erro em questão.

Já fui corrigida (mais de uma vez) publicamente no meio de uma palestra, então posso dizer de cadeira: não dói nada admitir a incorreção e agradecer o auxílio luxuoso. Dá até para fazer graça com o ocorrido, sem dramas. Na verdade, até incentivo esse tipo de interação; muito melhor do que ninguém prestar atenção no que você fala porque está fofocando com o colega ao lado sobre a mancada que o palestrante fez.

Se o texto é só uma bobagem, não dá para ficar corrigindo tudo (senão sua rede social vai virar uma rede solitária). Mas quando o ruído perturba muito, tento fazer o que gostaria que fizessem comigo: aviso o redator. Na verdade, fazia. Depois de levar muita pedrada, fiquei mais comedida. Se o negócio me incomodar demais, simplesmente ignoro, paro de ler e sigo a vida.

Hoje em dia só corrijo quem eu sei que não vai levar a mal; na verdade, só ouso corrigir pessoas de quem gosto muito e cujo trabalho respeito profundamente. Algumas discussões alongam-se e o desafio vira um ótimo entretenimento. Em algumas empresas onde trabalhei, apostávamos caixas de Bis para ver quem estava certo e todo mundo adorava.

Por isso não consigo entender: para que tanto drama?

Coincidência ou não, esse povo que gosta de ser corrigido é quem menos erra, quase não dá para se divertir…

9 mar

Ontem passei pela frente da vitrine da C&A (curiosidade: o site em alemão é www.CUNDA.de) e achei muito louca essa cabeça de cavalo deprimida vestindo um tutu de bailarina e rodeado por garfinhos e colheres de plástico (quem não acharia?).

Eis que fui saber mais a respeito desse negócio e olha só quanta coisa legal acabei descobrindo.

A vitrine faz parte do projeto Reimagine Design Challenge promovido pela seção européia da empresa. É o seguinte: eles convidaram 8 designers de vários países para criar roupas conceituais usando utensílios plásticos (garfos, colheres, copos, pratos).

O desafio começou em 24 de janeiro e termina dia 13 de abril, com a premiação do vencedor. Você pode votar na Fan Page do projeto na criação que mais gostou; o designer vencedor ganhará € 10 mil para aprimorar seu atelier.

O bacana é que eles fizeram vídeos lindos, fotos e blogs para acompanhar o processo criativo de cada um; o pessoal da moda vai amar!

Olha aqui as criações e seus autores (se quiser votar ou saber mais a respeito do projeto, é só clicar aqui).

Acima: a capa (?) vermelha com saia branca é da Halina Mrozek, de Varsóvia (Polônia) e o vestido branco é da Pauline Van Dongen, de Arnhem (Holanda).

Acima: O moço com o cabelo da orelha espetado é obra do Tom van der Borght, de Gent (Bélgica); o vestido branco é da parisiense Axelle Migé.

Acima: a aplicação de ramos e flores feita com garfinhos verdes derretidos é da alemã de Schondorf Miriam Lehle. Já esse detalhe nas costas do casaco branco é da Georgina Santiago, de Barcelona.

Esses dois aí de cima são, para mim, os mais bonitos. As criações são, respectivamente, do Andreas Eberharter, de Viena, e Günselí Turkay, de Istambul.

***

Olha, gostei muito e tals. Mas continuei sem entender qual é a do cavalo….

9 mar

A praga dos sobrinhos que sabem “mexer” nos programas e por isso podem sair por aí fazendo cartazes parece ser onipresente. Mas os daqui conseguem se superar (eu acho). Analisem comigo esse cartaz de propaganda dentro de um vagão de metrô.

Bom, tem que explicar primeiro o contexto da “obra”. É comum músicos entrarem no metrô com alguns instrumentos e um amplificador e fazerem um pocket show entre duas estações para recolher contribuições dos passageiros no final. As músicas são quase sempre as mesmas (ainda bem que agora deram um tempo do “Ai se eu tchi pego“), mas algumas bandas são mais empolgadas que outras.

Voltando à propaganda; o cartaz mostra um casal de modelos que parece não entender nada de música (queria ver alguém tocar violão com aquela quantidade de pulseiras que a moça usa) e traz os seguintes dizeres:

Nós desejamos a você músicos de metrô com talento“.

Até aí tudo bem, se logo em seguida não aparecesse uma lista com os seguintes itens:

- lentes de contato

- acessórios

- serviços top

A propaganda é de um SITE QUE VENDE LENTES DE CONTATO!!! Isso mesmo, minha gente!

Acho que esse sobrinho, além de mexer nos programas, deve estar consumindo alguma substância alucinógena. Só pode…

E quero crer que o tio dono do negócio esteja viajando e a mãe do rapaz é que aprovou a peça; é a única explicação.

6 mar

Imagem: LEGO Shenanigans

Uma das muitas falácias nas quais acreditava antes de começar a aprender alemão é que você pode construir palavras novas a partir das que já existem e expressar o que quiser. Ok, isso até é verdade, mas falando assim parece que a língua é um tipo de Lego; você só precisa conhecer as peças básicas e depois ir encaixando uma na outra.

Pois é, que ilusão… olha só uns exemplos de Legos do mal que fazem a pessoa se desesperar quando está tentando decifrar os hieróglifos germânicos: juntando duas palavras que têm sentidos próprios, elas viram outra NADA A VER.

Parece deboche, mas é verdade, olha só.

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EINSATZ = EIN (um) + SATZ (frase)

Como uma pessoa normal interpretaria = uma frase

O que significa realmente = esforço, emprego, uso (!)

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SCHICKSAL = SCHICK (chique) + SAL (não tem tradução)

Como uma pessoa normal interpretaria = sei lá, alguma coisa a ver com moda ou estilo

O que significa realmente = destino (!)

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ERREGENER (ele) + REGEN (chuva)

Como uma pessoa normal interpretaria = um cara fazendo xixi (chovendo?)

O que significa realmente = excitar, estimular

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AUFHÖRENAUF (sobre, em cima) + HÖREN (ouvir)

Como uma pessoa normal interpretaria = ouvir sobre algum assunto

O que significa realmente = acabar, terminar (!)

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GESCHLECHTGE (partícula que indica o particípio de um verbo) + SCHLECHT (ruim, estragado)

Como uma pessoa normal interpretaria = alguma coisa estragada já há algum tempo

O que significa realmente = gênero sexual (!)

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SCHLÜSSELBEINSCHLÜSSEL (chave) + BEIN (perna)

Como uma pessoa normal interpretaria = uma chave de perna, tipo um golpe de luta?

O que significa realmente = clavícula (!)

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STEGREIFSTEG (ponte de embarque) + REIF (maduro)

Como uma pessoa normal interpretaria = uma ponte velha ou antiga

O que significa realmente = improviso (!)

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ABBILDUNGAB (a partir de) + BILDUNG (formação)

Como uma pessoa normal interpretaria = a partir da escola, um curso superior

O que significa realmente = ilustração (!)

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GEHÖRENGE (indica o particípio de um verbo) + HÖREN (ouvir)

Como uma pessoa normal interpretaria = ter ouvido há algum tempo

O que significa realmente = pertencer (!)

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LEERGUTLEER (vazio) + GUT (bom)

Como uma pessoa normal interpretaria = vazio bom, lazer, ócio?

O que significa realmente = vasilhame (!)

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GEDANKENSTRICHGEDANKEN (pensamento) + STRICH (risco)

Como uma pessoa normal interpretaria = risco de pensar, traço de ideia?

O que significa realmente = travessão (essa eu achei muito boa; se em português fosse assim, ninguém confundiria travessão com hífen).

***

Quem tiver mais, aceitamos colaborações :)

3 mar

Tá bom, fantasias sexuais não se discute; cada um tem a sua e não se fala mais nisso. Mas gente, o que é essa vitrine de uma sex shop em Nuremberg?

Tive que me segurar para não ficar gargalhando sozinha na frente da loja; cada personagem mais bizarro que o outro. E esse ET? Alguém é capaz de achar esse boneco mal-humorado minimamente excitante?

Tem uma cena que parece que ele está desenrolando papel higiênico. Queria saber o que se passou na cabeça do vitrinista que montou esse cenário….ahahahahahah

O ET pesca os moços com uma rede cheia de luzinhas, é isso?

Tem para todos os gostos, tudo junto e misturado: pirâmide, ET, pistolas futuristas, robô, baratas gigantes metalizadas....rsrsrsr

É muita sensualidade, minha gente!

Esse moço aí parece ter vindo diretamente de um desfile da Sapucaí....rsrsrs

E você, o que achou?

1 mar

Quando fui visitar o Memorial do Tribunal de Nuremberg, é claro que deu aquela vontade de fazer um xixizinho (típico). Pois lá fui eu para o banheiro do prédio e me deparo com isso:

Ziehen = Pull = Puxe

Eu pensei: “caracas, como é que conseguiram quebrar o puxador da porta?”. Vou ter que ir em outra.

Aí olhei para o lado e vi isso aqui:

Ué, mas estão todas as portas quebradas?

Gente, mas como pode ser isso? Um banheiro com 4 cabines, todas elas com as maçanetas quebradas? Bom, tentei abrir por cima (não dava; a porta ia até o batente), por baixo (também não dava, pois encostava no chão). Tentei empurrar e nada. Mas não era possível; quando o banheiro não está funcionando eles colocam uma placa de interditado. Com esse aqui parecia tudo certo.

Olha, gastei uns bons “par de minutos” pensando no enigma. Aí comecei a apalpar a porta e vi que toda a lateral dela era contornada por um perfil de alumínio, de cima a baixo (esse aí pintado de rosa clarinho). Se colocar os dedos por dentro, dá para puxar. Então era para puxar ISSO?

Não sei vocês, mas achei deboche do designer. Não duvidaria que tivesse uma câmera escondida filmando as pessoas como pegadinha.

Quem for professor de usabilidade ou design, fique à vontade para usar o mau exemplo. Para mim, esse foi o top-master-blaster prêmio internacional de mau design. Nem loiras merecem um banheiro desses….rsrsrsr

24 fev

Ilustração: Ingela Och Vi

Ontem recebi um e-mail de uma moça desesperada, pois tinham roubado um projeto que ela estava desenvolvendo sozinha havia anos. Pior, a ladra foi a própria chefe.

O mau caratismo e incompetência da chefe, que apresentou o projeto aos superiores como se fosse seu, é fato, nem vamos discutir isso (boa oportunidade para pedir as contas e sair desse antro, menina). Mas, no geral, penso que a culpa é da moça mesmo.

Pois é, a Sonia (vamos chamá-la por esse nome) é que se colocou na posição ideal para que isso acontecesse. Não conheço a profissional, mas já dá para deduzir que ela foi egoísta, centralizadora, desatualizada e arrogante; não é que merecesse o castigo, mas espero que ela possa aprender com a experiência. Escrevo isso para alertar as outras muitas sonias que ainda existem no mercado.

Bom, então vamos explicar os xingamentos que fiz, um a um, para você ver que não estou cometendo injustiças; apenas querendo ajudar.

Egoísta: qual era sua intenção com esse projeto, Sonia? Contribuir para o crescimento da empresa, melhorar a vida das pessoas ou apenas ter uma arma à mão para sacar quando fosse preciso? Esconder coisas não se encaixa nem no primeiro e nem no segundo objetivos. O que justifica tanto segredo?

A Marina Lima, uma das minhas (ainda) compositoras prediletas, usa muito bem o trocadilho com a palavra guardar na música “Deve ser assim”:

Guardar, guardar, guardar…

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la,

Em cofre não se guarda nada,

Em cofre, perde-se a coisa à vista,

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la.

Isto é: iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Estar acordado por ela,

Estar por ela,

Ou ser por ela…

É isso, Sonia. Se o projeto era tão bacana, não devia ficar trancado, escondido, mofando na sua gaveta por tantos anos. Se desde o começo você tivesse compartilhado a ideia, escrito, sei lá, um artigo e submetido a um congresso, apresentado como proposta numa reunião ou mesmo postado num blog, ninguém iria duvidar da autoria. Mas você foi egoísta, não quis ser iluminada pela boa ideia, não quis deixá-la brilhar. Preferiu colocá-la numa prisão, confinando-a no  HD do seu computador. O único objetivo de ideias presas, sequestradas e encarceradas é buscar a liberdade. Elas sempre vão encontrar um jeito de se livrar do algoz, é só uma questão de tempo.

Centralizadora: a Sonia não quis que ninguém contribuísse para o seu projeto, que é o que fatalmente iria acontecer se ela o colocasse na roda. Seu plano iria receber críticas, sugestões de modificações, contribuições de outros pontos de vista, enfim, a Sonia iria perder o controle absoluto. Mesmo que o resultado final fosse ficar mais maduro e refinado, ela não quis largar o osso (no caso, desenterrar o osso…rsrsrs). Pois é.

Desatualizada: Alguém precisa dizer para essa moça que já estamos bem entrados no século XXI. Não existem mais segredos que possam ser guardados por muito tempo. Autoria é um conceito em plena mutação e colaboração é a palavra de ordem no desenvolvimento de novas ideias. Se ela tivesse aberto espaço para a co-criação ainda levaria os créditos por ter iniciado o projeto e pela sua liderança, além de poder contar com outras competências para fazer a coisa andar. Ninguém sabe tudo o que é necessário para fazer o que quer que seja; todo mundo precisa de conhecimentos que não possui. Espero que finalmente a Sonia se dê conta disso agora.

Arrogante: Pessoas que desenvolvem um projeto de maneira isolada, sem mostrá-lo para ninguém, geralmente superdimensionam seu valor. Já tive oportunidade de ser contactada por vários profissionais que diziam ter tido uma ideia genial e não queriam mostrar para ninguém para não serem roubados. Quando eu ia ver, não era nada de tão espetacular. Apenas alguém admirando seu próprio umbigo e receoso que outros pudessem criticar ou contribuir de alguma maneira para uma ideia bem mais-ou-menos.

Olha, não sei o que é que  a Sonia estava esperando para trazer seu projeto à vida e fazê-lo existir de fato; mas os acontecimentos acabaram traindo seus planos, sejam lá quais fossem.

Se você tem alguma coisa escondidinha aí na sua gaveta, abra-a e pense um pouquinho: se o negócio é tão bacana, seja generoso e compartilhe com o mundo. Convide seus colegas para fazer parte, pesquise as competências necessárias para fazê-lo melhor. Você sairá ganhando bastante, eu garanto. Mas olhe com uma visão crítica, por favor. A coisa pode ter embolorado e agora talvez esteja inutilizada pelos anos de confinamento.

E faça um favor para você mesmo, capriche na faxina e livre-se do lixo acumulado.

Ah, e aproveite para jogar junto a chave da gaveta.

18 fev

Sempre que passava pela frente dessa vitrine, na Friedrischstraße, ficava intrigada com a quantidade de máquinas antigas usadas na decoração permanente. A loja é enorme e é máquina que não acaba mais.

Pois esses dias resolvi entrar e perguntar para o vendedor. Sim, são exatas 1900 dessas engenhocas. Acho que conseguiram em alguma confecção desativada lá das antigas. O efeito é impactante, não tem como não se impressionar.

Eu adorei! E você?

15 fev

Imagem: Alexandra Valenti

Aconteceu de novo. É só pegar um táxi com o Conrado que, ao final da corrida, o motorista, intrigadíssimo, pergunta em que língua nós estávamos conversando.

Português brasileiro é uma língua linda e exótica. E, como toda língua exótica, pouca gente conhece.

E antes que se levantem os defensores do idioma (como se ele estivesse sofrendo algum tipo de ataque) bradando que a nossa é a sétima língua mais falada do mundo, quero lembrar que a primeira é o mandarim (alguém aí é fluente?) e que a segunda é o hindi (desafio alguém no Brasil achar uma escola que ensine isso).

Essas línguas são muito faladas só porque a população nativa dos seus países é grande, como no Brasil. Se a gente considerar as línguas mais faladas sem que o sejam necessariamente por nativos, o inglês ocupa o segundo lugar, e antes do português ainda temos o hindi, o espanhol, o russo e o bengali.

Além do Brasil e Portugal, o português é falado apenas em alguns países africanos. E deu. Mas é que realmente aprender português como segunda, terceira ou quarta língua é só para quem pode mesmo, pois o idioma é bem difícil (descobri, para minha surpresa, que a pronúncia é ainda pior que a gramática).

Meu professor de fonética, que fala 6 idiomas, só sabe do português brasileiro que é uma língua muito musical. Faz sentido. Um dos meus parceiros de Tandem (que também já fala 3 línguas) está estudando porque adora música brasileira.

Outra moça está namorando um brasileiro e minha terceira parceira quer aprender porque está inscrita num programa de ajuda humanitária na África. Ao contrário das outras línguas, as pessoas aprendem português por amor… ou então por amor. Não tem outro motivo (achei lindo isso).

Se o Brasil fosse do tamanho da Ucrânia, por exemplo, falar português não seria um problema, pois todos nós falaríamos com fluência pelo menos uma segunda língua (tenho uma amiga libanesa que foi alfabetizada em francês e árabe, normal nas escolas de lá; e eles ainda precisam aprender inglês, claro). Mas porque nosso país tem dimensões continentais e uma economia forte, não é uma necessidade tão premente assim aprender outro idioma. É possível viver tranquilamente uma vida inteira como monoglota, inclusive sendo um excelente profissional, coisa impensável em alguns países. Se por um lado é bem confortável, por outro nos isola muito do resto do mundo…

Enfim, uma pena. A língua portuguesa é linda, musical, poética, mas infelizmente não tem muita utilidade prática no resto do mundo. Como dizia Olavo Bilac, “Última flor do Lácio, inculta e bela/ És a um tempo, esplendor e sepultura”.

Pena mesmo, pois é a única em que que consigo escrever com real fluência, do fundo do coração (claro, é minha língua mãe) e isso reduz em muito meu número de leitores.

É que falar português, amigos, temos que reconhecer, é um luxo…

***

Referências: Revista Galileu, BritannicaBBC.

6 fev

Fotografia: Ligia Fascioni

A empresa Gradiente fez parte da minha infância. Por isso, fico triste com esse ato desesperado e sem noção de utilizar a marca iPhone no Brasil.

A princípio, não parece que a empresa tenha realmente tido má-fé. De fato, ela entrou com o registro da marca em 2000 (a Apple já tinha o iMac e o iBook, mas não era ainda tão popular assim no Brasil). O INPI, com toda a agilidade que lhe é peculiar, só concedeu o registro em 2008 (o iPhone da Apple foi lançado em 2007). Agora, cinco anos depois, a Gradiente resolveu botar as manguinhas de fora e fazer valer seus direitos (a Apple não vai mais poder usar a marca aqui no Brasil por causa disso).

A Gradiente tem direito e é apoiada pela lei, isso é fato. Mas e a questão ética? Quando falo de ética aqui, ressalto, principalmente, a intenção. Com que intenção uma empresa brasileira teima em usar um nome comercial consagrado por outra, ícone no mundo todo?

Não estou aqui questionando a lei. Ela tem direito e pronto, isso não está em pauta. Mas por lei, o Renan Calheiros também tem o direito de estar onde está e não precisamos discutir o que a ética tem a ver com isso. Com base na lei, barbaridades de todo o tipo acontecem diariamente no nosso país. Temos que cumprir a lei sim, é claro, mas uma empresa que quer consolidar sua marca precisa ir além disso. Precisa se preocupar em entregar valor para seus clientes, precisa respeitar sua própria identidade. Precisa ter dignidade.

A identidade da empresa é seu bem mais precioso, é o que a distingue no mundo. A Apple já tem uma identidade conhecida e consagrada. A Gradiente passou por trancos e barrancos e está tentando se reeger. Mas sob que bases essa  ressurreição está sendo construída? Sob a infelizmente famosa e corriqueira “Lei de Gérson”, aquela que glamouriza a esperteza de levar vantagem em tudo?

Penso que não usar a marca iPhone, no caso da Gradiente, não é uma questão de direito. É uma questão de visão estratégica. E ouso dizer mais: é até uma questão de senso de ridículo.

A empresa lançou seu aparelho celular com o nome homônimo da marca Apple integrando o sistema operacional concorrente, o Android. O vídeo promocional reconhece que o aparelho da Apple é melhor (como diferencial, a Gradiente diz que o seu é o único que aceita 2 chips). Há quem tenha elogiado a “honestidade” da empresa em reconhecer que seu telefone não é tão bom quanto o aparelho que usa o nome iPhone no mundo todo há muito mais tempo (mas tinha como ser diferente?). Mas só o que consigo ver é um amontoado de incoerências e uma estratégia confusa.

Qual o posicionamento ela vai usar? O aparelho é xing-ling, mas somos protegidos aqui por lei porque por sorte tivemos a ideia do nome primeiro? Finalmente o iPhone brasileiro pelo preço que você queria? “Chupa” Apple?

Como estudiosa da área de identidade corporativa, vejo um claro problema de identidade: a empresa quer parecer moderna, honesta, esperta, descolada, popular, ou o quê?  O propósito não é claro.

Certamente ela não pode enfatizar a ética como diferencial; já vimos aqui que a questão não está apenas em cumprir a lei.  E não há dúvida, ela está se aproveitando sim da marca que outra empresa consagrou. É o equivalente a pendurar uma melancia no pescoço para ganhar espaço na mídia (inclusive internacional). A empresa, da qual nunca mais ninguém tinha ouvido falar, voltou às manchetes dos principais jornais com essa polêmica. Mas nesse contexto, é tão bom assim aparecer? Tendo suas intenções questionadas publicamente?

Do ponto de vista da inovação, fica bem constrangedor enfatizar esse aspecto. Certamente a Gradiente não pode usar isso como diferencial; é evidente que ela não conseguiria sustentá-lo.

A ênfase podia ser no heroísmo barato, no patriotismo malandro: “somos pequenos e brasileiros, mas botamos uma das maiores empresas do mundo para comer na nossa mão” (por pura sorte, mas isso não vem ao caso). É sabido que a Apple desperta paixão e ódio na mesma medida; então a Gradiente poderia explorar melhor a antipatia que alguns potenciais consumidores nutrem pela marca da maçã.

Mas fundamentar seu diferencial no ódio que alguns consumidores têm por outra empresa (o que poderia facilmente ser interpretado como inveja ou recalque) pode mesmo sequer ser aventado como estratégia?

Penso que uma empresa séria e que buscasse um relacionamento com seus clientes a longo prazo sob bases sólidas, poderia sim, abrir mão do uso da marca, por uma questão de coerência. E ainda se diferenciar e ganhar a simpatia do mercado com isso. Minha sugestão, caso alguém tivesse me perguntado:

Sim, nós da Gradiente poderíamos usar a marca iPhone, temos esse direito. Mas não o faremos, pois sabemos que não é o certo. Se você quer um iPhone, compre um da Apple. Nós temos um produto genuinamente nacional que pode ajudar o país a crescer e gerar empregos aqui. Nosso aparelho, inclusive, atende melhor aos consumidores brasileiros, pois tem capacidade para dois chips, coisa que o concorrente não tem. Nós não usamos a marca iPhone, mas não por causa da Apple. Optamos por não usá-la porque respeitamos você, consumidor, que é inteligente o suficiente para fazer suas escolhas sem o uso desse tipo de malandragem.”

Não sei vocês, mas eu acharia mais digno. E do ponto de vista estratégico, muito mais inteligente.

O fato é que não sei o que será da Gradiente depois desse iPhone xing-ling.

Aguardemos.