Nossa, olha que projeto mais genial: a Joanninha, uma loja criada pelas sócias Alessandra Piu e Anna Fauaz, aluga livros, brinquedos e fantasias para crianças de até 7 anos, em vez de vendê-los. Os alugueis são por mês, trimestre ou ano e a criança pode trocar o brinquedo alugado nesse período. Se ela quiser muito, mas muito mesmo, a loja até pode vendê-lo, mas a ideia não é essa.
Todas as peças são feitas com materiais certificados e a criança deve devolvê-lo na mesma sacola em que ele veio (nossa, é assim que se educa crianças de verdade; sendo coerente nos mínimos detalhes). Outra coisa bacana é que lá não tem essa bobagem de brinquedos de ação para meninos e tudo rosinha para meninas; todo mundo pode brincar com o que quiser.
Cada objeto tem um caderninho que conta sua história, de onde esteve e como participou da vida da criança (elas próprias escrevem no caderninho, que vai circulando conforme o brinquedo vai sendo alugado). Assim o joguinho ou boneco não é descartável, pois tem sua história registrada. Ao mesmo tempo em que brinca, a criança aprende a dar valor às experiências, exercita a escrita (mesmo que com a ajuda dos pais) e aumenta sua rede de relacionamentos.
O serviço é oferecido em São Paulo e Belo Horizonte e, olha, fico orgulhosa de habitar um mundo onde uma ideia dessas vai pra frente. Assim dá até para ter alguma fé no futuro; o que tenho visto no dia-a-dia são serezinhos cada vez mais egoístas, mal-educados e consumistas.
Mas olha que máximo, nem tudo está perdido!
Achei a dica preciosíssima no sempre ótimo Mosca Branca.
A estação de metrô que a gente vai conhecer hoje é a Franz-Neumann-Platz (Am Schäfersee) que pertence à linha U8.
Ela foi inaugurada em 1987 foi construída pelo arquiteto queridinho das estações de metrô em Berlin, R.G.Rümmler (ele também fez a Lindauer Allee, a Rohrdamm e a Jungfernheide que já mostrei aqui, entre outras belezuras).
O nome original era Schäfersee (nome de um lago que fica bem pertinho e é o principal ponto de referência), mas aqui também rolam interesses políticos; alguns anos depois o nome foi mudado para Franz Neumann, o então presidente de um dos principais partidos daqui, o SPD.
Lá pelos idos de 1350, o rei Carlos IV, chefão do sacro império romano-germânico, estava dando umas bandas pela região da antiga boemia quando se deparou com um lugar cheio de fontes termais. Sabe-se lá de onde ele tirou a ideia de que aquelas águas eram curativas e resolveu fundar uma cidade para poder melhor desfrutar dos vários benefícios líquidos.
Humilde como sói aos imperadores serem, o tiozinho se auto-homenageou chamando a cidade de Karlsbad (Termas ou banhos termais de Carlos, em alemão), ou Karlovy-Vary, na versão tcheca.
Se o rei falou está falado, de maneira que todos os nobres da Europa passaram a ter residências lá, cada uma mais linda que a outra. Com os séculos, a cidade sofreu incêndios que destruíram bastante coisa, mas por conta de sua condição de cidade-hospital (as pessoas iam lá para se tratar e curar de doenças diversas), até que foi relativamente poupada durante os bombardeios nas guerras.
Hoje, é a cidade da República Tcheca com o maior número de Spas (são muitos mesmo, praticamente um em cada esquina). Pensei que o negócio funcionasse mais ou menos como em Budapeste, onde você pagava um valor e podia passar algumas horas murchando em águas abençoadas nos muitos banhos públicos, mas em Karlovy-Vary o esquema é outro. As várias fontes espalhadas pela cidade servem para que as pessoas encham suas canequinhas (vendidas em lojinhas para turistas) e saiam caminhando e bebendo água quente enquanto enchem os olhos de beleza. Os Spas oferecem basicamente massagens e banheiras com águas de fontes diferentes, então não rola ir só tomar um banho.
Aliás, olha uma curiosidade: a palavra Spa significa tratamento à base de águas termais, também conhecida como balneoterapia. O nome vem da cidade belga Spa (na época dos romanos, era chamada Aquae Spadanae), onde esse tipo de tratamento começou.
Bom, a questão é que fomos até lá por sugestão da Rosana Conte e do Rogério Abreu. Fiz a lição de casa e dei uma estudada antes, mas nada me preparou para a beleza que é esse lugar, minha gente; de maneira alguma as coisas que a gente encontra na internet fazem jus a essa joia de cidade. Montanhosa e cortada por bosques e rios, a arquitetura parece uma volta ao tempo.
Pena que durante o período em que a República Tcheca ficou atrás da cortina de ferro sob o domínio da ex-URSS, os arquitetos caolhos do regime socialista andaram construindo uns monstrengos no lugar, daqueles que chega a doer os olhos de tão feios e destoantes do cenário. E dá-lhe caixotes de concreto com vidro fumê amarelo (arghhhh!!!). Por causa desse período histórico, além do tcheco e do inglês, muitas pessoas falam bem alemão e russo (aliás, é impressionante a quantidade de turistas russos endinheirados).
Minha próxima tarefa é reassistir Casino Royale (James Bond), que foi filmado lá.
Mas agora vamos ao que interessa: a festa para os olhos!!!
A maioria das construções, como essa, é dos séculos XVI a XVIII
Pena que os períodos com luz boa para fotos foram poucos (choveu demais)
A cidade é uma teteia
Povo coloridíssimo!
Construções maravilhosas.
Jantar mais que especial...
As cerejeiras bombando de tão lindas
Esse é o hotel mais caro e suntuoso, onde foi filmado o Casino Royale
Eu não sabia para onde olhar...
Olha isso, minha gente!
As igrejas ortodoxas russas são sempre maravilhosas...
Show de telhados...
Como não se encantar?
Olha as cores dessas árvores!
Lindeza, né? Quer ver mais? Clique aqui e vá direto no Flickr.
A estação Zoologischer Garten não tem esse nome à toa; ela fica bem ao lado do zoológico de Berlin (mas do lado oriental tem outro; nessa cidade é tudo duplicado…rsrsrs), bem onde morava aquele ursinho polar fofo e rejeitado, o Knut. O zoológico é bacana, vale a pena visitar (fiz até um vídeo sobre ele; para ver é só clicar aqui), mas hoje vamos falar da estação de trem.
Construída em 1882, ela hoje conta com 2 linhas de metrô (U-Bahn), 3 linhas de trens urbanos (S-Bahn) e várias linhas regionais. O lugar é famoso por vários motivos: inspirou uma música da banda irlandesa U2 chamada Zoo Station que deu origem o álbum Zooropa; foi lá que a Cristhiane F., 13 anos, drogada e prostituída passou a maior parte do tempo que descreve no livro que virou a bíblia dos jovens dos anos 80; foi tema de músicas para Nina Hagen, Scorpions, Alphaville, The sisters of mercy, entre outras bandas.
Ela fica bem ao ladinho do Museu de Fotografia Helmut Newton, que fica num prédio maravilhoso. Enfim, um lugar histórico que a pessoa tem que ir quando visita Berlin. A linha de metrô U-2 não chama atenção por nada, é bem convencional mesmo, mas o túnel da U-9 é uma graça, cheia de bichinhos gordinhos (parecem aqueles desenhos que os homens pré-históricos desenhavam nas paredes das cavernas).
Olha só as duas obras que vi hoje; não são sensacionais?
Não tem como a pessoa passar e não notar, o trabalho é muito bem feito. Fotografia impressa em grande formato e colada em paredes externas causam um impacto profundo na paisagem da cidade; o efeito é incrível!
Quando estive em Belo Horizonte lançando o livro “Design desmodrômico para curiosos” e ministrando um workshop com o mesmo nome, tive a oportunidade de dar uma entrevista para a BHNews, emissora de notícias de BH (graças ao excelente trabalho do meu parceiro Diego Trávez e de sua assessora Laryssa Mariano). A entrevistadora era ótima, fez perguntas muito pertinentes e me deixou falar bastante (ôba!).
Assim deu para explicar direitinho que história é essa de desmodrômico de de onde surgiu o termo, além de esclarecer a questão do design thinking.
Lembro até hoje da primeira vez que, de dentro de um trem, avistei um Kleingartenverein (também conhecido como Schrebergarten). Era final de outono e o lugar parecida uma favela; um terrenão cheio de tralhas e construções estranhas. Aliás, eram vários lotezinhos com barracos de madeira, sempre separados por cercas e com muito mato em volta.
Ué, mas na Alemanha tem favela?
Não se preocupe, não tem não.
Aquelas “comunidades” não eram de fato favelas. Mas olha só que curioso (sei lá porque ninguém fala a esse respeito, já que a ideia é tão sensacional): os alemães são tão apaixonados por jardinagem que eles arrendam lotes na perferia das cidades só para poder cultivar suas próprias flores, já que a maioria mora em apartamentos pequenos. Não é lindo?
A ideia surgiu na época da revolução industrial, quando a vida dos operários era realmente miserável. Além de morarem em pulgueiros e trabalharem demais, os pobres comiam muita porcaria. Foi aí que um médico da cidade de Leipzig, o Dr. Daniel Schreber teve a ideia de pegar um terreno grande e separar em lotes (numerados, claro, estamos falando da Alemanha..rsrsr). Ele organizou uma espécie de comunidade e incentivou cada operário a plantar sua própria comida e flores (que, na cultura alemã, são quase tão importantes quanto).
Além de relaxar trabalhando com a terra e plantando suas próprias sementes, a alimentação também ficou mais saudável. Os terrenos são bem pequenininhos (é para não caber uma casa mesmo, pois a ideia não é essa); então eles têm no máximo uma cabana ou rancho para guardar ferramentas, insumos e cadeiras de sol. Os ranchos também são necessários para instalar pias ou tanques para as tarefas de plantar e regar. O capricho é tamanho que alguns terrenos têm chalezinhos que parecem de brinquedo, de tão bonitinhos.
No inverno o lugar é feio, claro, cheio de barraquinhas e apetrechos diversos de jardinagem (por isso achei que fosse um tipo de favela). Mas na primavera, tudo se transforma. As lojas ficam cheias de ofertas de ferramentas, sementes e vasos; parece que fazem concurso para ver quem faz o jardim mais lindo.
Aliás, lindo não, idílico. Suspeito que, no fundo, os alemães são muito românticos no sentido de ter uma vida de contos de fadas. Observando esses jardins, dá para ver duendes, princesas, bichinhos diversos, flores para todos os lados e arranjos caprichados. A impressão é que cada um constroi seu próprio mundo de fantasia particular e se entrega aos detalhes do fundo do coração, como se estivesse brincando de casinha. Deve funcionar como uma espécie de refúgio perfeito para escapar dos problemas.
As famílias vão todo final de semana e as crianças adoram. Olha só; não é uma ótima ideia para desestressar esse povo das grandes cidades brasileiras?
Pena que se os governos já são pão-duros para construir praças e áreas verdes, imagina ter um terreno enorme só para as pessoas plantarem suas flores…
Mas não custa sonhar, né? Tirando os duendes, os bichos de cimento e os anões de jardim, o resto é muito lindo; dá só uma reparada…
Quer ver mais fotos? O álbum completo está aqui, no Flickr.
Uma das coisas que me fizeram escolher o curso de engenharia foi que sempre gostei de entender como as coisas funcionavam (ainda adoro!). E, como dizia Einstein, uma explicação não está clara o suficiente enquanto uma garçonete não puder entendê-la (sem preconceito, mas é que garçonetes não costumam ter formação em ciências; algumas até tem).
Então resolvi tirar da gaveta um projeto de mais de 20 anos: um livro que explica de um jeito bem fácil e divertido como funciona o sistema de posicionamento por satélites, o GPS. São coisas tão fantásticas que não entendo como não ensinam isso na escola, é muito bacana.
Ficaram curiosos? O livro só existe em versão eBook e as 20 primeiras páginas em PDF podem ser baixadas de graça clicando aqui.
Vai lá, tenho certeza que você vai curtir, mesmo que não seja muito fã de tecnologia.
O nome da estação de metrô da vez é Lindauer Allee e esse nome não é à toa não; é a estação mais linda que já vi em Berlin.
O lugar foi projetado por R.G.Rümmler em 1994 (até que nem é muito antiguinha, tem pouco mais de 20 anos). Repare bem nessas flores, portas, luminárias e escadas maravilhosas.
Agora olha bem as fotos e fala a verdade; essa belezura não merecia fama mundial?
Uma coisa muito pouco explorada no Brasil é a propaganda que usa a bicicleta como veículo (literalmente). Talvez porque andar de bicicleta no nosso país ainda seja uma temeridade; com o desrespeito geral que impera no trânsito e os pouquíssimos quilômetros de ciclovias, pedalar não é para os fracos.
Mas as empresas bem que podiam ajudar os cidadãos a ficar mais saudáveis, as cidades menos poluídas e ainda ganhar moral com isso. E não é apenas para grandes corporações não; dá para patrocinar alguém que usa bastante a bicicleta no dia-a-dia ou até frotas inteiras para aluguel. Dá até para usar sua própria bike para fazer propaganda de sua start-up, já pensou?
Bom, aqui também tem uns comerciantes espertinhos que estacionam estrategicamente a magrela devidamente paramentada num lugar bem movimentado e a deixam lá, para exposição. De qualquer maneira, a cidade só ganha com essa invasão do bem.
Olha aqui alguns exemplos para o pessoal se inspirar!
Feita à mão... propaganda de uma escola de dança especializada em tango
Auto-referência: propaganda de aluguel e venda de bicicletas
O café fica num pátio interno, meio escondido. Então é só deixar a magrela na porta, que o povo entra!
Veículo da empresa de massagens em domicílio
Mesmo velhinha, a bike serve de suporte hype para placas de sinalização
Uma escultura montada na bike, olha só que original!
Como não notar tanta discrição?
Estúdio fotográfico que curte enigmas visuais...
A loja fica numa ruazinha paralela, então tem que aparecer na avenida de algum jeito (só achei que, pela marca que divulga, a bike devia ser toda estampadinha e colorida. Ruído na identidade.).
A GE, que faz carros elétricos, não podia ficar de fora!
Essa aí não tem placa, mas compõe a fachada de uma floricultura.
Hoteis, aprendam: aluguem bicicletas e façam propaganda ao mesmo tempo!
Olha só como as ideias viajam pelo mundo e vão parar em lugares insuspeitados!
Em 2009, a Unisul promoveu um workshop de design em parceria com a Universidade de Firenze (Itália) e a Universidade de Tecnologia de Eindhoven (Holanda). Os professores dessas universidades vieram orientar um workshop de design que durou quase um mês e tive a oportunidade de participar como professora convidada. Trabalhei com 3 alunas: as ótimas Maíra Scirea, Isabelle Kowalski e Claudia Peterle.
O curso de moda também estava participando, então a ideia era criar roupas inovadoras para a empresa Mormaii, parceira do projeto.
Bom, o conceito do nosso trabalho final foi o seguinte: desenvolver uma roupa que não fosse descartável e pudesse ser customizada e personalizada como algo único para o indivíduo. A roupa deveria participar da trajetória da pessoa ao longo de toda a sua vida. O primeiro paralelo que fizemos foi com a pele, nossa roupa mais básica, que registra nossas interações com o mundo sem perder nenhum detalhe.
E se a roupa também pudesse mostrar as marcas das nossas emoções, como a pele já faz? Na verdade, bom seria poder trocar uma pela outra, como uma espécie de versão fashion de “O retrato de Doryan Gray” (mas isso já é elucubração minha). Se a roupa pudesse deixar registrados todos os nossos movimentos rotineiros, como a pele faz, formando marcas e rugas, ela seria única no mundo e parte da história de quem a usaria. Ela só seria emprestada para alguém que pudesse contribuir com nossa história, como um filho, por exemplo.
Bom, definida a ideia central, partimos para a prototipação, que era experimentar materiais que pudessem deixar registrados os movimentos; o primeiro teste foi cobrir uma camiseta com massa corrida, como dá para ver na foto abaixo.
Eu experimentando a camiseta de massa corrida e as meninas não gostando muito do resultado...rsrsr
Depois a gente acabou aplicando cola sobre lycra preta e colocando no freezer para craquelar (esses experimentos científicos fazem a gente testar cada coisa…). O resultado ficou mais discreto e aplicável; a gente pensou que ele poderia ser usado comercialmente se fosse desenvolvido algum tipo de produto que pudesse ser aplicado sobre o tecido e registrasse as marcas, mas sem estragá-lo. Pois bem, isso foi há 4 anos.
Semana passada, uma das orientadoras do programa nos mandou um e-mail de uma foto do Pinterest com a coleção 2013/2014 do celebrado estilista espanhol Balenciaga. Dá só uma reparada no modelito…
Balenciaga para a coleção 2013/2014
Aahahahah… não é bacana? Não, nenhuma de nós está achando que isso é plágio ou algo do tipo. A gente nem conhece bem o conceito da coleção do estilista e acho pouco provável que ele tenha tido acesso ao nosso projeto (eu mesma penei para achar um vídeo perdido no Youtube). Para quem trabalha com roupas e tecidos, era só uma questão de tempo para chegar a esse resultado, que, afinal, nem era nada de tão espetacular assim.
A questão é que as ideias voam, viajam, pululam, vivem, multiplicam-se e isso é lindo!
De qualquer maneira, para nós era só uma ideia que nunca iríamos colocar em prática, pois foi apenas um exercício de aprendizado. A empresa parceira também nunca manifestou a vontade de desenvolvê-la, de maneira que a pobre da ideia ia passar o resto da vida no limbo, não fosse essa iniciativa (que nem sabemos se vai dar certo, pois ainda é bem conceitual).
Mas achei essa coincidência divertida e uma amostra prática de como com tanta gente tentando ter ideias originais ao redor do mundo, elas acabam se esbarrando um dia.
Segue uma foto da equipe (foi uma delícia trabalhar com as meninas; sinto muitas saudades desse trabalho tão divertido e proveitoso!) e um vídeo que fizemos para apresentar o conceito do projeto, onde dá para ver melhor o teste com a massa corrida.
Equipe visionária criando tendências para o futuro da moda...rsrsrsr: Eu, a Isabelle Kowalski, a Maíra Scirea e a Claudia Peterle.
Nossa, como é que pode? Entre a primeira e a segunda foto, a diferença é de apenas quatro semanas! Quando eu digo que na primavera parece que a cidade desabrocha, não é figura de linguagem. Veja com seus próprios olhos!
Antes: última semana de março.
Depois: penúltima semana de abril.
Pois é, não resisti e desci para tirar umas fotos, até porque tinha que cobrir a moto do Conrado; aparentemente algum vento tirou a capa. Na foto de inverno as motos não aparecem porque estavam hibernando num lugar quentinho.
Hoje fui até a minha nova escola (sim, mudei de novo para encaixar datas e mesmo assim já perdi duas semanas de aula porque estava no Brasil) e me deparei com essa fachada incrível!
Essa é nova, pois já tinha passado pela August Straße (adoro!) várias vezes e não tinha visto a obra. O artista criou um emaranhado de rabos de macacos com vários deles subindo pela fachada. Pena que é muito difícil de fotografar alguma coisa assim sem uma objetiva de respeito. O ideal seria arrumar uma janela no prédio em frente, para melhorar o ângulo.
Mesmo da calçada, já dá para ter uma ideia do impacto visual. Só em Berlin mesmo…
Flanando pelas ladeiras de Ouro Preto, percebi que as portas revelavam muitos segredos. Cheias de cores e de histórias, pensei que seria mais interessante registrá-las em partes para que os detalhes esculpidos pelo tempo fiquem mais visíveis.
Primeiro, a parte onde ninguém nunca olha e sempre pisa. Olha que delícia de comidinha para os olhos…
Meu parceiro em Belo Horizonte, o querido Diego Trávez, me deu um presentão no domingo passado: levou-me para almoçar na belíssima Ouro Preto.
O dia estava nublado dentro e fora de mim (meu irmão continua em coma, não tem como não ficar triste), mas o lugar é lindo demais (sem falar na comida deliciosa). As fotos que consegui tirar com o telefone não fizeram jus à toda a delicadeza dessa cidade tão rica de cores e história, de maneira que terei que voltar lá com uma máquina fotográfica de verdade e, de preferência, num dia bem ensolarado.
Por ora, só uma amostra para dar vontade de voltar…
Estava aqui pensando quanta ideia errada eu tinha sobre a Alemanha antes de me mudar. As pessoas falavam coisas e eu acreditava na boa, já que não tinha como conferir; mas agora tenho. Aproveite para não ser iludida como eu fui…rsrsrs
MITO 1: Dá para sair na neve com roupa normal e só um bom casaco por cima.
Gente, isso é só em filme. Ou então a pessoa veste um casaco com super-poderes (que ainda não encontrei). Aquela história da moça sair de vestidinho leve e scarpin (alô Carrie Bradshaw) é só no cinema mesmo. Você fica pelo menos três meses vendo suas pernas e braços só na hora de tomar banho; é sempre duas calças, três meias, 5 camisetas e o tal do casaco. E, olha, mesmo que o casaco fosse de pele de urso polar, como é que ficam os pés, que chegam a endurecer os dedos se você estiver só com uma meia? Não caia nessa, é pura enganação.
MITO 2: Dá para ficar de camiseta e chinelo em casa no inverno.
Sim, se a camiseta for de lã e o chinelo for de pelúcia (não esquecer das meias). Mesmo colocando o aquecedor no máximo, não dá para ficar sem um casaquinho. A não ser que os aquecedores dos filmes americanos sejam mais fortes que esse aqui de casa.
MITO 3:Europeus amam artesanato porque aqui quase não existe trabalho manual.
A mais pura mentira; qualquer feirinha de natal por aqui bate as feirinhas hippies brasileiras em termos de quantidade de artesanato à venda. Algumas coisas são diferentes, claro, mas outras são exatamente iguais. Sem dizer que lojinhas de material para artesanato e revistas especializadas existem aos montes.
MITO 4: Saudade só existe em português.
Não consegui descobrir quem inventou isso, mas foi tão fácil de acreditar… Como se só os brasileiros (e portugueses) sentissem saudades e o resto do mundo fosse habitado por gente insensível. Em alemão existe Sehnsucht que é a tradução literal da palavra. Sem mais.
MITO 5:Alemão é uma língua estruturada.
Essa, para mim, foi a pior, pois caí do cavalo em grande estilo. Vim preparada para aprender um conjunto de regras e aplicá-las. Tolinha…. essa língua tem tantas exceções que para algumas coisas eles nem se deram ao trabalho de criar a regra; tem que aprender que é assim e aceitar. Ponto.
MITO 6: Alemão é o povo mais pontual do mundo.
Olha, no resto da Alemanha pode ser, mas em Berlin, em todos os encontros de Tandem que agendei em cafés, sempre fui a primeira a chegar. Tem um parceiro com quem já tive uns 10 encontros que sempre chega pelo menos uns 15 minutos atrasado (vai ver por isso é que ele quer aprender português….rsrsrsrs). Também já fui convidada para uma festa na casa de uma alemã da gema e cheguei pontualmente para não fazer feio. Pois é, ela ainda não estava pronta e os outros convidados só começaram a chegar 20 minutos depois…
MITO 7:Alemães não são muito amigáveis.
De fato, alguns realmente são mais difíceis, é verdade. Mas também conheci pessoas queridíssimas e muito delicadas. Como em qualquer lugar…
Animaris ou bestas da praia são os nomes que o engenheiro mecânico e artista holandês Theo Jansen usa para se referir às suas incríveis criaturas. Já queria explorar a Holanda faz tempo, mas agora não vai ter jeito mesmo. Além da espetacular Amsterdam e da famosa cidade de Erasmo (Rotterdam), vamos ter que reservar um tempo para passear um pouco em uma praia próxima a Scheveningen só para ver essas criaturas milagrosas.
Os animaris são construídos a partir de tubos de plástico e possuem um engenhoso sistema de armazenamento de ar construído a partir de garrafas PET que propele o sistema todo com a ajuda do vento. Depois das “bestas” soltas, os movimentos dependem apenas do vento; não se tem nenhum controle sobre elas; por isso parecem tão vivas.
Na verdade, Jansen brinca com isso desde os anos 90 do século passado e já tinha visto outro vídeo sensacional faz alguns anos. Agora estava pesquisando sobre inovação e achei impressionante como o trabalho dele continua cada vez mais surpreendente.
Coloquei isso na minha lista de coisas imperdíveis para se ver nesse mundão de meodeos. Dá uma olhada no vídeo abaixo e dê uma revisada na sua…
Li “Beat the reaper” (Josh Bazell) por indicação do Conrado, que tinha gostado muito. Traduzir o título é bem difícil; coloquei “correndo da morte” para capturar o sentido de desafiá-la e tentar ganhar dela, mas não cabe como tradução literal. Agora, dando uma pesquisada, vi que eles traduziram para o português como “Sinuca de bico”. Apesar de não ter nada a ver com o título original, até que consegue traduzir bem o espírito da história.
O protagonista vive uma história complicada e muito bem urdida; filho de pai americano de ascendência germânica e mãe hippie (ele nasceu em um ashram na Índia), foi criado pelos avós judeus, assassinados quando ele tinha apenas 14 anos.
Por conta de vingar a morte deles, Peter Brown (um dos seus vários nomes), torna-se um especialista em artes marciais, envolve-se com a máfia, apaixona-se por uma música romena, acaba tornando-se médico e vive uma vida agitadíssima e perigosa. A história principal se passa num hospital onde ele faz sua residência médica e onde a morte corre atrás dele para pegá-lo na forma de mafiosos mal-intencionados. O mocinho precisa salvar um dos pacientes, a própria pele e ainda lutar contra o cansaço extenuante de quem está há tantas horas de plantão que só consegue manter os olhos abertos por conta de drogas. Adrenalina pura.
Para mim, a parte mais emocionante nem é de ação; é quando ele vai visitar o campo de concentração em Auschwitz, na Polônia, para descobrir a verdadeira história dos seus avós (um dia ainda hei de reunir forças para ir até lá).
Pelo que pesquisei, a bem urdida trama já virou um filme protagonizado por Leonardo Di Capprio, mas ainda não assisti.
Este livro está dividido em três partes: O designer, que fala da profissão; O design, que fala da presença deste conceito no nosso dia-a-dia; e Etc, que trata de assuntos variados. Com uma linguagem coloquial, porém, sem “achismos”, a idéia é transformar a percepção das pessoas aguçando-as e tornando-as mais críticas. Indicado não só para quem é da área, mas também para interessados em geral e curiosos em particular.
Escrevi o livro que gostaria de ter lido logo que entrei na escola, ou pelo menos que alguém tivesse me dito algumas dessas coisas quando entrei na adolescência. Espero que faça alguma diferença na vida de quem vai lê-lo também.
O livro esclarece um problema frequente nas empresas: a contradição entre a identidade, ou seja, o que a empresa é na realidade e a imagem, o que a empresa parece ser e ainda, as dúvidas entre uma coisa e outra. Além disso, apresenta um método para definir a identidade corporativa de maneira clara e detalhada.
GPS é a sigla de Global Positioning System, usada no dia-a-dia para designar os aparelhos que as pessoas usam no carro para encontrar endereços ou o sistema dos smartphones que localizam a posição atual num mapa. Mas aqui, você vai ver que não é só isso.