Arquivo de ‘embalagem’

12 jun

Não, infelizmente ainda não inventaram o teletransporte, mas estão perto de colocar no mercado uma coisa há muito desejada por todo mundo: móveis que podem ser carregados numa bolsa.

Olha só que coisa mais incrível: o designer belga Carl de Smet, da cidade de Antuérpia, desenvolveu um tipo de poliuretano que encolhe até ficar bem pequenininho. Daí que você compra uma cadeira, por exemplo, e sai carregando um pacotinho que cabe na bolsa de mão. Quando chegar em casa, é só ligar na tomada e o pacotinho vira uma cadeira (tipo aquelas toalhinhas japonesas que parecem uma pastilha e que viram um pano depois que a gente molha). A IKEA, por exemplo, iria vender horrores, já que tudo que se compra lá (e dá para comprar a casa inteira) tem que ser transportado e montado pelo próprio comprador.

Sem falar que a cadeira que o moço está usando para fazer os experimentos é bacanérrima (eu compraria de certeza) e ele promete que a coisa já deve estar no mercado em 2015. Será? Olha, eu não duvido de mais nada dessa vida.

Graças à luxuosa dica da Angela Langer, não só conheci o projeto, mas também o interessantíssimo, caprichado e imperdível blog d.coração, de onde tirei a fonte do post. Vai que vale a pena, eu garanto!

Segue a reportagem que a BBC fez sobre essa maravilha e aqui o link para o site desse sujeito realmente inovador (adorei o visual dele).

29 mai

Esse blog andou meio abandonado porque passei as duas últimas semanas trabalhando full-time como guia-turística, fotógrafa e intérprete (brincadeira, estava apresentando Berlin para minha mãe…rsrsrs).

Numa de nossas andanças pela cidade, reparei essa campanha maravilhosa do refrigerante Fritz-Kola (sempre achei esse nome genial; é a “Coca-Cola alemã”), marca de uma empresa de Hamburgo que acaba de fazer 10 anos. O refri, como o nome diz, é à base de cola, ou seja, uma cafeína, portanto, estimulante.

A campanha, minimalista, criada pela Rocket & Wink, tem duas peças apenas. Na primeira, as tampinhas aparecem amassadas, como se fossem olhos entreabertos. Só aparece uma pergunta: “müde?” que, numa tradução livre, significa: “cansado?” e mais nada. Na segunda peça, as tampinhas aparecem normais, com a palavra “wach!” que significa “lúcido!” ou “esperto!” com uma garrafinha de Fritz-Kola no canto.

Outra coisa interessante sobre a Fritz-Kola é que, no início, os dois sócios não tinham dinheiro para pagar um designer (qual start-up tem?). Daí que usaram os próprios rostos para fazer a marca gráfica e deu certo (mais sorte que juízo…rsrsrsrs), já que assim não teriam que se preocupar com direitos autorais e processos no futuro. Não sei vocês, mas eu adorei o resultado. Foi a primeira coisa que me chamou atenção quando vi a garrafa pela primeira vez — o rótulo vintage e charmoso, diferente de todas as outras coisas que estavam na mesma prateleira.

Versão sem açúcar.

Outros sabores.

Eles têm projetos muito bacanas de campanhas com artistas parceiros. Qualquer dia posto mais…

14 mai

Nossa, olha que projeto mais genial: a Joanninha, uma loja criada pelas sócias Alessandra Piu e Anna Fauaz, aluga livros, brinquedos e fantasias para crianças de até 7 anos, em vez de vendê-los. Os alugueis são por mês, trimestre ou ano e a criança pode trocar o brinquedo alugado nesse período. Se ela quiser muito, mas muito mesmo, a loja até pode vendê-lo, mas a ideia não é essa.

Todas as peças são feitas com materiais certificados e a criança deve devolvê-lo na mesma sacola em que ele veio (nossa, é assim que se educa crianças de verdade; sendo coerente nos mínimos detalhes). Outra coisa bacana é que lá não tem essa bobagem de brinquedos de ação para meninos e tudo rosinha para meninas; todo mundo pode brincar com o que quiser.

Cada objeto tem um caderninho que conta sua história, de onde esteve e como participou da vida da criança (elas próprias escrevem no caderninho, que vai circulando conforme o brinquedo vai sendo alugado). Assim o joguinho ou boneco não é descartável, pois tem sua história registrada. Ao mesmo tempo em que brinca, a criança aprende a dar valor às experiências, exercita a escrita (mesmo que com a ajuda dos pais) e aumenta sua rede de relacionamentos.

O serviço é oferecido em São Paulo e Belo Horizonte e, olha, fico orgulhosa de habitar um mundo onde uma ideia dessas vai pra frente. Assim dá até para ter alguma fé no futuro; o que tenho visto no dia-a-dia são serezinhos cada vez mais egoístas, mal-educados e consumistas.

Mas olha que máximo, nem tudo está perdido!

Achei a dica preciosíssima no sempre ótimo Mosca Branca.

13 mai

Quando o pessoal da República Tcheca precisa trocar o óleo, usa essa marca aqui (achei num posto de gasolina da estrada)…rsrsrs

17 abr

Animaris ou bestas da praia são os nomes que o engenheiro mecânico e artista holandês Theo Jansen usa para se referir às suas incríveis criaturas. Já queria explorar a Holanda faz tempo, mas agora não vai ter jeito mesmo. Além da espetacular Amsterdam e da famosa cidade de Erasmo (Rotterdam), vamos ter que reservar um tempo para passear um pouco em uma praia próxima a Scheveningen só para ver essas criaturas milagrosas.

Os animaris são construídos a partir de tubos de plástico e possuem um engenhoso sistema de armazenamento de ar construído a partir de garrafas PET que propele o sistema todo com a ajuda do vento. Depois das “bestas” soltas, os movimentos dependem apenas do vento; não se tem nenhum controle sobre elas; por isso parecem tão vivas.

Na verdade, Jansen brinca com isso desde os anos 90 do século passado e já tinha visto outro vídeo sensacional faz alguns anos. Agora estava pesquisando sobre inovação e achei impressionante como o trabalho dele continua cada vez mais surpreendente.

Coloquei isso na minha lista de coisas imperdíveis para se ver nesse mundão de meodeos. Dá uma olhada no vídeo abaixo e dê uma revisada na sua…

clip 1klein kl from Strandbeest on Vimeo.

15 abr

Esse ditado latino pode ser traduzido livremente como “a verdade no vinho” e quer dizer, mais ou menos, que depois de uma ou mais taças de vinho é que a pessoa se revela e a verdade vem à tona. Sendo uma das bebidas preferidas lá em casa, sempre temos pelo menos uma garrafa para acompanhar as refeições.

E, vamos combinar, rótulos de vinho são uma diversão à parte, seja nas prateleiras de uma enoteca, seja em um supermercado. Os projetos gráficos me encantam, mas entretenimento mesmo são os nomes de vinhos portugueses e espanhois (que fazem mais sentido na nossa língua e ficam bem engraçados).

Vejam algumas pérolas da minha coleção…

Esse vinho devia custar mais barato por causa do nome, né? Produto com subsídio....

Cuidado com o dedo...rsrsrsr

Aahahahaha... se não gostar, não reclame. Apenas fique p...

O nome nem é tão exótico, mas olha que ilustração mais linda!

Os modelos estão mais para gatinhos, mas va lá... são muito fofos...

16 jan

Ok, a marca da fita adesiva não é Durex, é Mmiinn X-Tape, mas a ideia é a mesma. Só que muuuuito mais charmosa.

Olha como eles conseguem fazer uma caixa sem graça ficar interessante; adoro empresas que se esmeram em fazer o mundo um lugar mais curioso e instigante. E você?

Achei no sempre ótimo Like Cool e tem pra vender aqui.

1 dez

Você compra uma lata de sardinhas com esse nome e depois tem um revertério na barriga; não dá para dizer que a empresa é desonesta e tentou enganar os clientes. É ou não é?

23 nov

Uma das vantagens de se trabalhar em Belo Horizonte é que o coffee-break é uma coisa dos sonhos; faz uma semana que praticamente me alimento só de delícias aqui na terra do pão de queijo. Mas ontem teve um treinamento para a equipe de uma universidade que trouxe novidades hora do lanche. É que além das xícaras convencionais de café, apareceu um copinho inovador feito de papel.

Parece mais sustentável que a versão convencional de plástico, além de mais prático para armazenar. Achei a ideia ótima, mas acho que o design ainda tem alguns pontos que precisam ser aprimorados.

Quando a gente enche o saquinho-xícara com café quente, ele não consegue isolar o calor e pode até queimar os dedos. Por causa disso, fica difícil de segurá-lo e a gente acaba pegando por baixo, onde tem a parte da emenda, que é mais larga.

Tomar o café também é uma sensação um pouco estranha, pois o copinho é mole (o papel parece craft, aquele de embrulho). A parte boa é que não vaza café e o saquinho continua perfeito depois que a pessoa esvazia o conteúdo, podendo ser reutilizado como qualquer xícara comum.

Olha, gostei da ideia, mas minha sugestão é que tenha uma parte mais grossinha na lateral (algo que lembrasse uma asa) que servisse de apoio para a pessoa segurar sem se queimar.

Olha só que interessante (o designer Beto Ferris, que estava fazendo o curso, serviu de modelo sem cobrar cachê!!).

E você, o que achou?

30 out

Gente, olha que graça a embalagem que o estúdio Fresh Chicken para o macarrão Pietro Gala. Eles criaram um personagem, o Chef simpaticão e cheio de massa fresca na barriga. Fofo e irresistível!

Achei na The Dieline.

7 out

Andei organizando umas fotos de viagem e achei esta aqui de quando estivemos em Veneza, em fevereiro. Adorei essa embalagem de manteiga.

Fala sério: dá para tomar o café da manhã sem sorrir com uma coisa dessas em cima da mesa?

Em tempo: Burro é manteiga em italiano.

12 ago

Eu já implicava com um desodorante no Brasil cuja propaganda alardeava a capacidade de proteção por 48 horas (dois dias inteiros sem encarar um chuveiro? É isso?). Mas, gente…

Pensemos juntos: então o que significa um desodorante que protege por 96 horas? Olha, fiquei com medo de pensar a respeito, ainda mais considerando que o negócio promete fazer o “usuário” ficar invencível. É muita asa…

28 jul

Gente, olha só que coisa mais genial a embalagem dessa garrafa de vinho rosé. A sacada foi do estúdio polonês Luksemburk; a pessoa pode usar a garrafa como óculos para ver o mundo cor-de-rosa. É claro que é uma brincadeira, mas achei divertida e muito criativa. E você?

Achado no sempre ótimo Like Cool.

22 jul

Desde que cheguei aqui em Berlin, uma das coisas que mais me fascinou foram as livrarias. É uma infinidade de títulos em lojas de até 6 andares capaz de deixar a pessoa zonza; tem também as lojinhas pequenas e charmosas, cheias de tesouros. No começo eu me sentia como uma diabética numa confeitaria; uma completa analfabeta, vendo todas aquelas delícias sem poder lê-las. Agora entendo um pouco mais e consigo ler os títulos e resumos da história.

Uma coisa que sempre foi meu desejo desde que vi pela primeira vez foi uma coleção de livros de bolso (9.3 x 15.4 cm) com capa dura em tecido; ainda tem aquela fitinha de seda que serve de marcador. Não bastasse tanta belezura e praticidade, as estampas são lindas (e o mais incrível: a média de preços é € 10).

Pois finalmente consegui ler meu primeiro romance em alemão (não se animem, continuo falando e entendendo pessimamente, mas é que ler é mais fácil) e é justamente dessa coleção. Comecei com livros infantis e notícias curtas no jornal; mas esse é o meu primeiro livro de “gente grande”.

Chama-se “Das große Heft” (O grande caderno) e a autora, Agota Kristof, é uma húngara que deixou seu país natal aos 19 anos, na revolução de 1956, e passou a viver na Suíça francesa.

O livro conta a história de dois meninos que são deixados pela mãe na casa da avó por causa da guerra. A velha senhora é uma bruxa daquelas horrorosas, mas os meninos (gêmeos) têm uma capacidade de adaptação impressionante. Eles conseguem conviver com a megera e passar pelos horrores da guerra aparentemente incólumes.

Os gêmeos são os narradores da história e a gente lê o que eles escreveram num grande caderno que compraram para compartilhar essa experiência. Os dois pensam e agem em perfeita sintonia, como se fossem uma pessoa só. São disciplinadíssimos e fazem exercícios diversos todos os dias para se fortalecerem contra todas as adversidades: fome, dor, injúrias, etc. Estudam sozinhos e escrevem no tal caderno.

Eles combinaram que só iriam escrever sobre fatos, não divagariam na redação. O que acontece é que eles narram cenas que teriam desequilibrado qualquer pessoa, de uma maneira objetiva e concisa, sem nenhuma emoção. Daí que a gente fica sem saber se eles são realmente frios e desprovidos de empatia (apesar de viverem fazendo boas ações) ou se essa é só a maneira que escolheram para narrar as aventuras, seguindo as regras que eles mesmos determinaram (e que seguem sem pestanejar).

Por causa disso, o livro fica fácil de ler até para mim; mas seu peso não deixa de ser imenso. Guerra é uma coisa por demais estúpida; impossível não se revoltar lendo o cotidiano dessas crianças.

Andei pesquisando e vi que tem uma tradução em português, mas o título ficou “Um caderno e tanto“, com a figura dos gêmeos na capa. Achei a tradução do nome inadequada, pois dá uma leveza que a história não tem; fica parecendo um livro infanto-juvenil, o que, definitivamente, ele não o é.

Recomendo muito a leitura, mas prepare antes o coração.

1 jul

Achei esses nomes aqui muito estranhos: um hotel chamado MEDOS (seria mal-assombrado?), um restaurante chamado FATAL (aiaiai, o que será que servem lá de tão mortífero?) e um iogurte Activia sabor ROSTO.

Bom, dei uma pesquisada e, dos três, o único que se salva é o rosto, que quer dizer fibroso em húngaro (as imagens são de Budapeste). Mas medos e fatal não têm tradução não.

Félelem.

15 jun

Alguém já viu tanta macheza assim numa só embalagem? Eu não…rsrsrs

10 jun

Nossa, acontece tanta coisa nessa cidade que a pessoa não dá conta nem de saber, quanto mais de ir nos eventos. Para se ter uma ideia, fiquei sabendo que a Madonna vai cantar aqui dia 30 e nem vi propaganda nenhuma (os ingressos já estão esgotados).

Mas eu não podia perder o International Design Festival Berlin 2012, né? Acabei indo só na exposição, mas já valeu demais; festa para os olhos é pouco.

O evento aconteceu em um dos hangares do Tempelhof, um aeroporto construído em 1927 e desativado em 2008 porque estava muito dentro da cidade (a arquitetura é linda e esse lugar histórico merece um post específico, aguardem).

Mas você está pensando naquelas mostras sofisticadas e arrumadinhas, tipo Casa Cor? Nada mais diferente! Aqui a coisa é bem despojada (a cara de Berlin) e tinha desde um carro do patrocinador até coletivas de estudantes e pesquisas com objetos do cotidiano bem conhecidos. Todo mundo bem à vontade, como se estivesse em casa…

Além da exposição, nos 4 dias do evento aconteceram também um simpósio, premiações, workshops, visitas a estúdos e palestras diversas. Os experimentos e materiais dos workshops estavam bem no meio da exposição, com o povo trabalhando ao vivo e a cores. Aliás, tinha muita gente produzindo objetos em tempo real, sujando a mão mesmo.

Só senti falta do design brasileiro, que não estava representado na mostra, sabe-se lá por quê…

Mas chega de blablabla e vamos ao que interessa: as fotos!

Quase morri de rir com isso. É que tinha uma parte da exposição mostrando objetos cotidianos da China; olha que prática uma cueca para políticos...eheheh (mudando de assunto, a China já parou de copiar faz tempo; o design deles já está chamando atenção do mundo).

Fiquei muito impressionada com esse guarda-chuva holandês; tinha um vídeo mostrando várias situações de ventania, até um cara pulando em queda livre antes de abrir o pára-quedas e ele não vira de jeito nenhum, é quase milagroso!!!

Que tal estampar um tapete com a imagem de satélite de sua cidade ou bairro? Adorei!

Esse designer explorou as várias possibilidades de sentar; ele usava discos de borracha para tornar as cadeiras alternativas mais confortáveis (os discos eram produzidos ao vivo!)

Tinha muito trabalho manual e esse sujeito fazendo um tricô gigante fez sucesso. As texturas e o design de superfície estavam causando (a Renata Rubim iria surtar)

O painel feito de caixas de papelão amarradas com cintas ficou muito bacana; todos os armários e móveis desse estande usavam o mesmo princípio.

Esse banquinho foi o meu preferido de toda a exposição. Não é muito fofo?

Poltronas feitas de sucata de avião e pelego; aproxima bem as pessoas, perceba que um assento é virado de frente para o outro, numa peça só.

Baguncinha boa de workshop...

Esse chão é maravilhoso: dá para fazer qualquer coisa que fica show!

Lanchinho na pista; lembra que o evento era num aeroporto?

Legal, né? Mas tem muito, mas muito mais mesmo! Clica aqui e vai direto no Flickr visitar a exposição!

30 mai

Olha como uma voltinha no supermercado já rende um post bem-humorado. Curte aí…

Queijinho francês com o curioso nome "a vaca que ri". Será que ela está rindo dos brincos?

Ôpa, melhor esperar esse produto entrar em promoção...

Se o café não for bom (nem ecológico), relaxe; o que vale é a intenção...

Parece limpa-vidros, mas é água saborizada. E aí? Vai beber?

Um suco cheio de suspense e emoção...

Tempo, em alemão, significa ritmo. O que será que eles quiseram dizer com essa marca?

22 abr

Sorvete mais gostoso por Storm Design

Toda vez que se fala em design de embalagens, empre aparece a pergunta: mas isso é design gráfico ou design de produto? Na verdade, é as duas coisas. O designer de embalagem precisa dominar as técnicas do design gráfico para elaborar rótulos e também do design de produtos para pensar o invólucro propriamente dito. Como se isso fosse pouca coisa, o sujeito também tem que conhecer a fundo todos os materiais e processos industriais disponíveis. Definitivamente, design de embalagens não é para amadores. O ideal é que um profissional de marketing e um publicitário também façam parte da equipe que vai fazer um simples biscoitinho provocar furor nas prateleiras.

Mas olha só que interessante: faz tempo que já se percebeu que a tendência dos negócios não beneficia os biscoitinhos e margarinas da vida. A nata da lucratividade não vai mais estar em vender coisas físicas – basicamente, a grana vai para as mãos de quem oferecer serviços. Claro que eles precisam ser originais, suprir demandas que ninguém imaginou antes, e, além disso tudo, terem valor para quem os compra. Imagine o mais sofisticado celular que existe. Sem serviços que o façam funcionar, ele é apenas lixo. Não adianta alguém oferecer a você uma Ferrari a preço de banana se não existir nenhuma oficina no Brasil que possa fazer a manutenção da máquina ou não tiver gasolina para ela.

Beleza, então quem vende serviços como um dentista, um palestrante ou um advogado, não precisa se preocupar com a embalagem, já que vende coisas intangíveis, certo?

Aí é que boa parte desses profissionais erra feio. É que para serviços, que dependem basicamente da credibilidade que conseguem comunicar, as técnicas de convencimento e persuasão precisam ser muito mais sofisticadas. E para isso, é justamente a embalagem que vai ajudar.

Como assim? Serviços não são invisíveis, intangíveis, incheiráveis e intocáveis? Então como é que a gente embrulha isso?

Bem, vamos pensar juntos. Uma embalagem serve basicamente para proteger, conservar e transportar o produto. Menos basicamente, serve também para comunicar o que esse objeto tem de tão especial, para informar o seu conteúdo, posicionar a empresa que o fabrica (e vende) e para seduzir o comprador. A embalagem, nesse caso, também carrega uma marca que garante a procedência e a qualidade do que tem lá dentro. Mas então, como é que a gente vai fazer isso com um serviço?

O serviço é um produto intangível, mas não precisa ser invisível. Em geral, alguma coisa física é entregue: seja uma carta, um manual, um relatório, um cronograma, um plano de ação, um projeto, até mesmo apenas uma resposta para uma pergunta, enfim, uma informação importante para alguém que está pagando por ela. E já que é importante, precisa também parecê-lo por uma questão de coerência.

A folha de papel onde essa jóia está escrita precisa estar à sua altura, assim como a pasta, o envelope, a qualidade da impressão, a encadernação e tudo o mais. O mesmo vale para a linguagem, a concisão, a correção gramatical, a diagramação; se você for ver, é tudo embalagem. São coisas que valorizam e posicionam o conteúdo, que o protegem, que ajudam a construir aquela marca que garante a procedência e a qualidade.

Se nada físico for entregue, convém também caprichar: contatos telefônicos realmente eficazes, sites bem projetados e com design atraente, ambientes de atendimento que funcionam.

Ninguém, a não ser um expert, saberia reconhecer um diamante raro se ele não estiver bem lapidado e numa caixa de veludo. Com os serviços, é a mesma coisa. Como nem todos os clientes são experts e conseguem reconhecer um verdadeiro tesouro à primeira vista, convém dar uma ajudinha. Mas claro, lembre-se que não funciona embalar porcarias em caixas de marfim.

Então, não economize em papelaria e cartões de visita. Não dispense a ajuda de um bom designer para criar um ambiente ou elaborar um site. Faça o melhor que puder. Lapide seu português, burile seu estilo, capriche na revisão. Os perfumes mais caros têm sempre embalagens lindíssimas, já que um líquido desbotado dificilmente conseguiria despertar tantas fantasias.

Duvido que os fabricantes de cosméticos franceses tivessem coragem de cobrar aqueles absurdos se as embalagens fossem de plástico descartável. É claro que o valor não está só na embalagem; há pesquisa, desenvolvimento, qualidade das matérias-primas e muita coisa por trás, mas é preciso ser coerente. Big Mac. Starbucks. Coca-cola. Você realmente acha que a embalagem não faz mesmo diferença?

Assim, pense bem. Não enrole o seu tesouro em jornal. O cliente pode pensar que é apenas peixe e vai querer pagar preço de feira.

13 abr

Estava passeando pela farmácia (no Brasil eu nem gosto, mas aqui é lição de casa) e me deparo com isso. Tem Venen em cápsulas, gel, drágeas, comprimidos… vai querer qual?

Venen é veia em alemão (ou relativos a veias; venoso) e indica suplementos e remédios para o sistema circulatório. Por isso é que aparecem tantas pernas (Beine) que não querem ter varizes (Krampfadern) nas embalagens.

Ainda vou fazer um post com falsos cognatos em alemão para o povo rir bastante. Ou não…ehehe