Segredo não é para contar

Escondida lá no fundo da livraria, a Marilena Chaui, no excelente “Convite à filosofia”, explica que um dos legados mais importantes da filosofia grega para o pensamento ocidental é a formalização da diferença entre o que é necessário e o contingente. Além disso, os gregos nos ensinaram que o contingente pode ser dividido entre o acaso e o possível.

Olha só: o necessário é aquilo que a gente não pode escolher, pois acontece e vai acontecer sempre, independente da nossa vontade. Assim, sempre haverá dias e noites; o tempo vai passar; todas as coisas serão atraídas pela gravidade; você vai morrer algum dia.

Já o contingente é aquilo que pode ou não acontecer na natureza ou entre os homens. Quando o contigente é do tipo acaso, também não está em nosso poder escolher. Exemplos de acaso: não posso determinar se um motorista bêbado vai ou não abalroar meu carro e provocar um acidente; também não posso arbitrar que meu pai seja ou não um jogador compulsivo nascido na Croácia.

A salvação do design

Há apenas uma semana, se alguém me perguntasse que livro eu levaria para uma ilha deserta, responderia, sem titubear, “O jogo da amarelinha”, de Julio Cortazar. É um romance cujos capítulos estão estruturados para serem lidos em qualquer ordem. Cada seqüência que o leitor escolhe gera uma história diferente. Muitos livros em um. Ideal para uma ilha, não é?

Pois agora mudei. Levaria mesmo é o “Aprender a viver: filosofia para os novos tempos”, do filósofo francês Luc Ferry, com o qual estou encantada. Há tempos não encontrava um livro tão transformador. Luc apresenta, de maneira que um leigo consegue entender, nada menos que a história do pensamento ocidental. Finalmente consegui vislumbrar uma ordem nos capítulos de todos os livros sobre o assunto que eu havia lido antes.

Frases da semana

De vez em quando posto aqui algumas frases do viciante Quotes on Design, mas o João Carlos Teixeira me apresentou outro site muito bacana também, com a diferença que os ditos são impressos em cartazes muito bacanas; o único porém é que o site não cita as fontes (coisa feia usar a frase sem contar o autor). Olha alguns que peguei no From up North. Vou tentar compartilhar aqui uma vez por semana (vamos combinar toda segunda?).

Menina com potencial

Professor César (por Juliana Cunha):

Eu estava vendo esse filme, Blue Valentine, que tem um diálogo entre um pintor de parede e sua mulher. A mulher queria ser médica, virou enfermeira e agora fala sobre todo o potencial que o marido tem e desperdiça. Sobre como ele poderia ser um desenhista ou um músico ouqualquer coisa, mas apenas desperdiça o potencial. O personagem do pintor é bem maletinha, mas eu gamei na resposta dele. Ele perguntou que diabos significa “potencial”, potencial para quê? Por que você tem que reverter seu potencial em dinheiro? etc. Ele pinta paredes. As pessoas ficam satisfeitas. Ele vai pra casa fazer o que quiser.

Vamos discutir gosto?

Por que deixar que gente esquisita, que você nem conhece, determine o que é feio e o que é bonito na sua vida? Por que sofrer para gostar “das coisas certas” se elas mudam junto com a moda, com o sucesso, com as convenções? Por que se acostumar a acatar sentimentos estranhos aos seus, que nada têm a ver com a sua história? Por que achar que a opinião de alguém que aparece na revista é mais importante que a sua?

Ignorância infinita

Essa tirinha aí de cima, para mim, é uma das coisas mais brilhantes que o genial Luís Fernando Veríssimo já criou (e olha que ele tem muita coisa boa). É sintética, engraçada, profunda. Pois me lembrei dela ontem quando tive o desprazer de conhecer uma pessoa. Nos cinco minutos em que interagimos, ela pronunciou a […]

A elegância do ouriço

Confesso que a primeira vez que vi “A elegância do ouriço“, de Muriel Barbery, fiquei curiosa por causa do título, mas a lista de desejos literários era tão grande que acabei deixando para depois. Então ganhei a dica da Raquel (leitora do blog) e mergulhei com vontade. Nossa, que coisa mais linda de se ler. […]

Informação demais atrapalha?

Se você colocar a expressão “excesso de informação” no Google vai achar mais de 6 milhões de ocorrências, e isso somente em português. Há matérias, estudos, tratados, teses sobre o tema e até doenças (a chamada “síndrome do excesso de informação“, com várias vítimas diagnosticadas). Esse parece ser o mal do século e ninguém pode […]