Category Archives: filosofia

Sobre muros, arte e design

Norman Rockwell

Ilustração: Norman Rockwell

O Lindomar, de Belém, me pediu para falar sobre as relações entre arte e design (é tema do TCC dele) e eu achava que já tinha publicado algo a respeito nesse blog. Não encontrei a coluna (que está no meu livro “O design do designer“). Então segue o texto, ok, Lindomar?

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Minha atração pelo design começou na arte. Quanto mais lia a respeito dos dois, mais via autores se engalfinharem na discussão sobre se um era outro e o outro era um. Gostei do tema e gastei dúzias de conexões neuronais pensando sobre as diferenças entre ambos até formular uma explicação cartesiana (bem a minha cara) que me deixou satisfeita até ontem à noite, mais exatamente, até às 23h40.

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E não é que é mesmo?

Nunca achei que Ronald Reagan fosse um grande pensador, mas ontem ganhei de presente uma frase do meu amigo Alberto Costa que me fez mudar de opinião. Vê se não é mesmo:

“Não há limites para o que você pode fazer, se você não se incomoda com quem fica com o crédito”

Ronald Reagan

Políticos e fraldas

Recebi da minha mãe (sempre antenada) e não pude deixar de postar.

Falha de caráter

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Estava conversando com um amigo sobre um dos meus assuntos prediletos, identidade corporativa, quando ele me pegou usando a palavra personalidade como sinônimo de identidade e reclamou. Eu não tinha me dado conta, mas ele estava certo. Identidade e personalidade são completamente diferentes.

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Outro jeito de pensar

Sempre que falo em inovação nas minhas aulas, ressalto a importância de ver as coisas de um ponto de vista contrário ao convencional. Para mim, essa frase que copiei da coluna do Roberto Witaker Penteado no AcontecendoAqui resume bem a ideia. Olha só:

“Não há perigo de o mundo acabar hoje, pois já é amanhã na Austrália”

Charles M. Schulz

Identidade líquida

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Tenho me dedicado, nos últimos anos, a estudar o tema identidade corporativa com profundidade. Meu método para a gestão da identidade já foi aplicado em 23 empresas com bastante sucesso. Por motivos óbvios, o assunto me é muito caro e tento ler tudo o que se publica a respeito e debatê-lo.

Ultimamente, seja por e-mails, comentários ou palestras, tenho sido confrontada com o trabalho de um sociólogo polonês muito respeitado e conhecido, Zygmund Bauman. Ele é autor de uma série de livros e trabalhos sobre a modernidade e cunhou o conceito de liquidez nas atuais relações. São dele os títulos Amor Líquido, Modernidade Líquida, Medo Líquido e até, vejam só, Identidade Líquida. Continue reading

Mais estantes intrigantes

A Vanessa Pacheco me mandou um link com várias estantes bacanas. Algumas eu já conhecia, outras são pura novidade. Seguem as mais legais (na minha opinião) e inéditas neste blog. Se quiser ver todas, é só clicar aqui.

Essa é para quem quer ver as coisas de um outro ângulo…

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Essa já vem com parênteses, colchetes e chaves. Ideal para livros de matemática.

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Seus adoráveis livros presos só por dois fios. Sei não. É muito risco. Eles podem cair e se machucar.

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Estante que vira painel num piscar de olhos. Eu faria uma itervenção no painel…

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Eu já arrumo meu guarda-roupa por cores, mas nunca tinha pensado em organizar os livros assim. Se um dia eu for tentar, fotografo e posto aqui, ok?

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Argumentum ad hominem

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Sabe quando uma pessoa faz um comentário ou uma observação qualquer e, em vez de refutar o argumento, você critica a pessoa? Automaticamente o assunto tratado fica fora de questão, o foco passa a ser quem o está defendendo. Esse erro de raciocínio é tão antigo e comum que tem até um nome: argumentum ad hominem (expressão latina que significa “argumento contra o homem”).
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Só para gente grande

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Li em algum lugar um filósofo contemporâneo observar que as pessoas não estão mais amadurecendo, que a infância está cada vez mais invadindo partes importantes da vida adulta e isso não está sendo bom para o planeta. Ele se referia mais especificamente aos americanos que continuam, na vida adulta, agindo como crianças crescidas. Mas faz sentido para o mundo todo, olha só. Continue reading

Gato de harém

Estava lendo um livro de introdução à filosofia (meu progresso é muito lento, ainda não consegui passar dos introdutórios) quando me deparo com a seguinte frase de Aristóteles “a filosofia começa pelo espanto”. Como assim? Ainda bem que o livro era de introdução, pois logo veio a explicação mastigadinha: quer dizer que se a gente se permitir se espantar com as coisas do mundo e pensar mais a respeito delas, saímos do estado vegetativo trabalha-ganha-compra-trabalha para pensar o que, de verdade, estamos a fazer nesse planetinha azul. Continue reading

Será que dá tempo?

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Dia desses, um amigo nosso motociclista, o Joel Rhenius, perguntou sem mais nem menos, no meio de uma conversa: “quantos anos você tem?

Respondi 41, meio sem entender direito por que ele queria essa informação. Joel respondeu: não, não perguntei a sua idade. Esses anos você tinha, não tem mais, já passaram. Eu perguntei quantos anos você ainda tem.

Foi então caiu a ficha. Sábio Joel, com seu pensamento lateral em plena forma. Quantos anos será que ainda tenho? A morte, apesar de ser a única coisa certa da vida, ainda é um tabu para nós. Se a gente se lembrasse de vez em quando de que o tempo aqui não é infinito, que as coisas não são para sempre, quem sabe não desperdiçaríamos tanto. Não faríamos planos sem data, não deixaríamos para ser felizes num futuro idealizado e longínquo que nunca chega.

Geralmente a gente se dá conta de que as coisas acabam quando sabemos da doença fatal ou da morte súbita de alguém próximo. Com o tempo, a doença fatal ou a morte súbita chega para nós também. E aí, é o caso de perguntar: o que é que a gente fez com o nosso tempo? Para que a correria toda? Para que a gente se economiza tanto, deixando às vezes de brincar, de se apaixonar, de fazer umas loucuras, de sentir os cheiros, de nos deixar abraçar pelo sol, de viver?

Na minha opinião, uma das coisas mais nefastas para a vida de alguém é achar que o que se tem hoje nunca vai acabar. A estabilidade no emprego, por exemplo. Quer coisa mais broxante para um profissional? Exceto se o sujeito matar o chefe na frente de todo mundo com requintes de crueldade e depois ainda postar o filme no YouTube, nada nessa república o fará perder o cargo. Roubo, má-fé, falta de educação ou mesmo incompetência não são motivos justificáveis para colocá-lo no olho da rua. A impressão do “para sempre” desmoraliza qualquer um que se empenhe em fazer melhor. O que vale é que a estabilidade eterna é uma ficção. Ainda bem.

Vejamos a questão dos casamentos. Não raro relações lindas são aniquiladas justamente por causa do tal “para sempre”. Se o contrato fosse apenas temporário e exigisse revisões periódicas, duvido que algumas pessoas tratassem as caras-metade da maneira como tratam, assim, de qualquer jeito. Se a pessoa tivesse que fazer por merecer a renovação, tenho certeza de que o empenho, o cuidado e o respeito seriam maiores de ambas as partes. Se o mané não tivesse a ilusória certeza de o outro estará sempre à sua disposição, será que iria para a cama arrastando os chinelos e de camiseta rasgada com a mesma tranqüilidade?

Viver sabendo que é preciso aproveitar cada minuto, cada oportunidade, cada beijo, cada abraço, certamente faz o nosso tempo render mais. É claro que você e eu, como a maioria das pessoas, não veio aqui a passeio; é preciso trabalhar, estudar, ralar mesmo. Mas, como disse o sábio Carlos Drummond, se a dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Se a gente desfruta das pequenas alegrias, se sabe para que serve a dor, se aprende a crescer e não se priva das emoções, a poesia vem em nosso auxílio para esticar o tempo.

É preciso cuidar do corpo e da alma para aproveitar melhor a jornada, entregar-se a cada amor para eternizá-lo, ler, aprender, dançar, ver o pôr-do-sol como o espetáculo que é, degustar cada alimento como um banquete, rir com vontade de maneira a iluminar tudo em volta. Assim, quem sabe, o “para sempre” dure pelo menos tempo suficiente para a pessoa dizer: valeu.

Pois é. O texto hoje é só para dar um toque para você aproveitar mais aqueles anos que ainda tem.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

Objetos intrigantes

Você acha que os prédios têm alguma coisa a nos dizer? E as torneiras? E as maçanetas? O filósofo Alain de Boton acha que sim, e eu concordo plenamente. Será que os designers e arquitetos também? Saiba mais na minha coluna dessa semana no site AcontecendoAqui.

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