Arquivo de ‘história’

12 mai

Lá pelos idos de 1350, o rei Carlos IV, chefão do sacro império romano-germânico, estava dando umas bandas pela região da antiga boemia quando se deparou com um lugar cheio de fontes termais. Sabe-se lá de onde ele tirou a ideia de que aquelas águas eram curativas e resolveu fundar uma cidade para poder melhor desfrutar dos vários benefícios líquidos.

Humilde como sói aos imperadores serem, o tiozinho se auto-homenageou chamando a cidade de Karlsbad (Termas ou banhos termais de Carlos, em alemão), ou Karlovy-Vary, na versão tcheca.

Se o rei falou está falado, de maneira que todos os nobres da Europa passaram a ter residências lá, cada uma mais linda que a outra. Com os séculos, a cidade sofreu incêndios que destruíram bastante coisa, mas por conta de sua condição de cidade-hospital (as pessoas iam lá para se tratar e curar de doenças diversas), até que foi relativamente poupada durante os bombardeios nas guerras.

Hoje, é a cidade da República Tcheca com o  maior número de Spas (são muitos mesmo, praticamente um em cada esquina). Pensei que o negócio funcionasse mais ou menos como em Budapeste, onde você pagava um valor e podia passar algumas horas murchando em águas abençoadas nos muitos banhos públicos, mas em Karlovy-Vary o esquema é outro. As várias fontes espalhadas pela cidade servem para que as pessoas encham suas canequinhas (vendidas em lojinhas para turistas) e saiam caminhando e bebendo água quente enquanto enchem os olhos de beleza. Os Spas oferecem basicamente massagens e banheiras com águas de fontes diferentes, então não rola ir só tomar um banho.

Aliás, olha uma curiosidade: a palavra Spa significa tratamento à base de águas termais, também conhecida como balneoterapia. O nome vem da cidade belga Spa (na época dos romanos, era chamada Aquae Spadanae), onde esse tipo de tratamento começou.

Bom, a questão é que fomos até lá por sugestão da Rosana Conte e do Rogério Abreu. Fiz a lição de casa e dei uma estudada antes, mas nada me preparou para a beleza que é esse lugar, minha gente; de maneira alguma as coisas que a gente encontra na internet fazem jus a essa joia de cidade. Montanhosa e cortada por bosques e rios, a arquitetura parece uma volta ao tempo.

Pena que durante o período em que a República Tcheca ficou atrás da cortina de ferro sob o domínio da ex-URSS, os arquitetos caolhos do regime socialista andaram construindo uns monstrengos no lugar, daqueles que chega a doer os olhos de tão feios e destoantes do cenário. E dá-lhe caixotes de concreto com vidro fumê amarelo (arghhhh!!!). Por causa desse período histórico, além do tcheco e do inglês, muitas pessoas falam bem alemão e russo (aliás, é impressionante a quantidade de turistas russos endinheirados).

Minha próxima tarefa é reassistir Casino Royale (James Bond), que foi filmado lá.

Mas agora vamos ao que interessa: a festa para os olhos!!!

A maioria das construções, como essa, é dos séculos XVI a XVIII

Pena que os períodos com luz boa para fotos foram poucos (choveu demais)

A cidade é uma teteia :)

Povo coloridíssimo!

Construções maravilhosas.

Jantar mais que especial...

As cerejeiras bombando de tão lindas

Esse é o hotel mais caro e suntuoso, onde foi filmado o Casino Royale

Eu não sabia para onde olhar...

Olha isso, minha gente!

As igrejas ortodoxas russas são sempre maravilhosas...

Show de telhados...

Como não se encantar?

Olha as cores dessas árvores!

Lindeza, né? Quer ver mais? Clique aqui e vá direto no Flickr.

16 abr

Li “Beat the reaper” (Josh Bazell) por indicação do Conrado, que tinha gostado muito. Traduzir o título é bem difícil; coloquei “correndo da morte” para capturar o sentido de desafiá-la e tentar ganhar dela, mas não cabe como tradução literal. Agora, dando uma pesquisada, vi que eles traduziram para o português como “Sinuca de bico”. Apesar de não ter nada a ver com o título original, até que consegue traduzir bem o espírito da história.

O protagonista vive uma história complicada e muito bem urdida; filho de pai americano de ascendência germânica e mãe hippie (ele nasceu em um ashram na Índia), foi criado pelos avós judeus, assassinados quando ele tinha apenas 14 anos.

Por conta de vingar a morte deles, Peter Brown (um dos seus vários nomes), torna-se um especialista em artes marciais, envolve-se com a máfia, apaixona-se por uma música romena, acaba tornando-se médico e vive uma vida agitadíssima e perigosa. A história principal se passa num hospital onde ele faz sua residência médica e onde a morte corre atrás dele para pegá-lo na forma de mafiosos mal-intencionados. O mocinho precisa salvar um dos pacientes, a própria pele e ainda lutar contra o cansaço extenuante de quem está há tantas horas de plantão que só consegue manter os olhos abertos por conta de drogas. Adrenalina pura.

Para mim, a parte mais emocionante nem é de ação; é quando ele vai visitar o campo de concentração em Auschwitz, na Polônia, para descobrir a verdadeira história dos seus avós (um dia ainda hei de reunir forças para ir até lá).

Pelo que pesquisei, a bem urdida trama já virou um filme protagonizado por Leonardo Di Capprio, mas ainda não assisti.

Fica a dica.

3 mar

É triste, é revoltante, é de se indignar.

A East Side Gallery, à beira do rio Spree, um pedaço original de 1,3 km do muro de Berlin, sobrevivente do desmonte e plataforma para 106 artistas do mundo inteiro celebrarem a liberdade, está com sua integridade física ameaçada. O projeto, de 1990, é considerado a maior galeria de arte a céu aberto do mundo.

Na verdade, era.

Uma incorporadora resolveu construir um condomínio de luxo bem atrás do muro (com vista para o rio) e simplesmente vai derrubar 23 metros dele. As autoridades fingiram-se de mortas, os artistas sequer foram avisados e as máquinas invadiram o local dia primeiro de março, sexta-feira. Uma grande manifestação aconteceu no local e os moradores não se conformam (não é para menos).

Chega a ser surreal de tão absurdo; um patrimônio da humanidade, um museu tão importante ser desrespeitado dessa maneira. Estamos, infelizmente, meio que acostumados com comportamentos assim no Brasil, mas, pelo jeito, “a força da grana que ergue e destrói coisas belas” é inexorável em qualquer lugar do mundo. Daqui a pouco alguém vai dizer que o Portão de Brandemburgo está ocupando uma área nobre e pedir para derrubá-lo também. Só falta.

Hoje foram 6 mil pessoas protestar contra tal barbaridade; estive lá e constatei: os policiais, que deviam estar a postos para proteger essa herança cultural, estão servindo de leões de chácara para a tal empreiteira para garantir a destruição sem a interferência de manifestantes. Olha, é de dar vergonha mesmo.

Bem escreveu um jornalista do Der Tagesspiegel: isso é o resultado da atuação de empreiteiros grandes e políticos pequenos.

Políticos minúsculos, eu diria.

Bom, passei a tarde de sábado documentando todas as obras, uma a uma, pois não sei por quanto tempo ainda continuarão lá. É um prato cheio para criativos, mas é também minha contribuição para as pessoas se darem conta do que estão jogando fora…

Para visitar a galeria pelos meus olhos, vá ao álbum no Flickr clicando aqui.

E chore.

Policial do lado errado da força

Sexta-feira só conseguiram derrubar esse pedaço

Dias contados...

Está faltando amor no mundo

Se prestassem atenção nas mensagem dos artistas, não cometeriam essa atrocidade

Veja todas as obras da galeria clicando aqui.

1 mar

Como contei no post anterior, Nuremberg foi reduzida a 10 milhões de toneladas de escombros depois da segunda guerra mundial. Os aliados não perdoaram mesmo, pois a cidade era a queridinha do maluco do bigode.

Na verdade, em 1945, quando terminou a guerra, o país inteiro era só caco de telha, tijolo quebrado e um monte de gente morta ou traumatizada, mas a vida precisava continuar. Aí, estudando o que sobrou, os aliados repararam que em Nuremberg havia uma área, fora do centro histórico, que tinha sobrevivido; era o prédio do palácio da justiça, anexo a um complexo penitenciário.

Os crimes e atrocidades cometidos pelos nazistas precisavam ser julgados e os culpados, punidos; para isso, era necessário um grandioso julgamento militar internacional.

O lugar caiu como uma luva, pois além de ter a estrutura necessária para comportar um evento desse porte, também simbolizava a remissão da cidade, antes tão importante para o Nacional Socialismo (nazismo é a redução do termo Nationalsozialismus, nome do partido que originou todo o horror).

Palácio da Justiça

Essa porta tem história para contar

Para chegar lá, foi preciso pegar o metrô para o tal bairro (com o crescimento da cidade, hoje ele nem parece tão afastado). O palácio da justiça ainda funciona como fórum, com advogados, juízes e promotores entrando e saindo com pilhas de papel o tempo todo. Mas o prédio ao lado, cenário do famoso Tribunal de Nuremberg, virou um memorial aberto ao público.

Só tive azar porque a sala do tribunal, normalmente aberta à visitação, estava fechada por conta de uma manutenção no sistema elétrico. Mas a exposição no andar superior é uma verdadeira aula de história. Para quem estuda direito ou gosta de filmes de julgamento, é a glória. Eles explicam como tudo aconteceu, as posições de cada função dentro da sala, as fotos, os vídeos, os réus e as acusações, as penas, as provas, as testemunhas. Enfim, não tem como não se impressionar.

Só a questão logística foi uma coisa impressionante: porque os trabalhos tinham que ser realizados em 4 línguas diferentes (era um tribunal internacional e as partes interessadas falavam inglês, francês, alemão e russo) foram necessários nada menos que 350 intérpretes, que se revezavam no exaustivo trabalho. Foi a primeira vez na história que se usou tradução simultânea nessa escala (antes, a pessoa falava uma frase inteira, dava uma pausa e só então o tradutor falava).

Exposição do memorial

Os advogados de defesa eram tantos que tiveram que construir bancos adicionais (nada confortáveis) para acomodar todo mundo. Na sala ainda havia os juízes, os promotores, os réus, as testemunhas, os fotógrafos, as estenógrafas, os jornalistas e ainda os observadores (além dos intérpretes). Olha, não sei como coube tudo, pois o prédio nem era tão grande.

Bancos construídos em cima da hora para acomodar os advogados de defesa

Prédio onde aconteceu o julgamento

Os trabalhos duraram um ano (novembro de 1945 a outubro de 1946) e o tribunal militar internacional julgou 22 réus, dos quais apenas 12 foram condenados à morte (3 foram absolvidos e os outros tiveram penas de prisão variadas). Os 3 cabeças do negócio, Hitler, Goebbels (Ministro da Propaganda) e Himmler (Chefe da Polícia SS), covardões que eram, suicidaram-se antes.

No final da exposição, tem uma parte bem triste. Eles mostram em cada país do mundo, quantas pessoas morreram em conflitos militares depois de 1945 (e ainda continuam morrendo até hoje). No Brasil foram contabilizados 2.000 durante a ditadura militar e as guerras na África, Bálcãs e Oriente Médio trazem números mais assustadores. Olha, dá vontade de pedir para o mundo parar e descer correndo.

Será que as pessoas não aprendem?

1 mar

Aproveitei que o Conrado tinha uma feira em Nuremberg e fui conhecer a cidade. É engraçado como agora me sinto em casa em qualquer lugar da Alemanha (mesmo a quase 500 km de Berlin). Consigo pedir informações (e até dá-las!) e me localizo com facilidade (turista ninja, yeahhhh!).

A feira ficava num local afastado da cidade, perto de onde era a central de comícios do Hitler (o megalomaníaco construiu um complexo que hoje virou um centro de documentação histórica).

Antigo centro de comícios nazista, hoje centro de documentação

Dali foi só descobrir o metrô para ir até a cidade e começar a diversão. Está certo que, como o tempo era curto (24 horas), tive que me preparar mais. Pesquisei um pouco da história e selecionei os principais locais que queria visitar; sem isso, perderia um monte de coisas interessantes e não ia entender direito o que estava vendo.

São Pedro não colaborou muito e o tempo estava bem feinho (luz péssima para fotos), mas a beleza da cidade compensou tudo. Só deu para visitar um museu (o Memorial do Tribunal de Nuremberg), mas isso vai ganhar um post separado. Tem uma fonte bizarra que também vai merecer notícias à parte, além das várias curiosidades com as quais esbarrei no caminho, enquanto me perdia pelas ruelas medievais.

Mas vamos lá: Nuremberg tem mais de 1000 anos e a cidade antiga ainda é toda fortificada, isto é, ainda tem os muros, as torres e os fossos que a protegem. Hitler escolheu o lugar como a sede dos seus comícios onde insuflava a juventude nazista no ódio contra judeus, negros e homossexuais. A estação de trem (que hoje tem conexão com o metrô) carrega um fardo triste: foi onde mais judeus foram embarcados para campos de concentração ou deportados. Teve um dia que foram mais de 1000 num embarque só (nossa, só de imaginar a cena já me dá arrepios).

Durante a guerra, Nuremberg foi praticamente toda destruída (é assustador ver as fotos). O estrago foi tão grande que chegou-se a aventar a possibilidade de abandonar o local e reconstruir a cidade em outro lugar. Mas o povo daqui não é fraco não; por fim, decidiram dar um fim nas 10 milhões de toneladas de escombros e reconstruir o centro histórico exatamente como era, em cada mínimo detalhe.

Na cidade antiga, além das várias igrejas (menção especial para a Frauenkirche, ou a Igreja de Nossa Senhora, construída entre 1352 e 1358) e prédios históricos, ainda tem um castelo que fica bem no alto (a vista é linda). O Kaisenburg, como é chamado, foi construído sobre um bloco de arenito maciço (Nürnberg, em alemão antigo, significa monte rochoso). E ainda tem a Schöner Brunnen, que é um obelisco de 19 m com figuras religiosas (o que tem lá é uma réplica, pois  o original, de 1385, virou pó de ki-suco durante os ataques).

Outra curiosidade sobre a cidade é que ela abriga a maior proporção de imigrantes na Alemanha: são cerca de 18% de estrangeiros morando lá (a média alemã é 8%; Berlin tem 10%). Além dos turcos, a maioria vem da União Europeia mesmo, ou então da Rússia e países eslavos.

Mas vamos ver um pouquinho desse lugar lindo e tão cheio de lembranças tristes.

Essa feira fica na praça central do antigo mercado (mercado, na idade média, era o lugar onde se fazia feira). Em dezembro a praça é conhecida por abrigar a mais bela e tradicional feira de natal da Alemanha.

Esse mendigo mantinha o peito aquecido com seu companheiro peludo e fofo.

Barraca de flores na praça do mercado; ao fundo dá para ver a Schöner Brunnen, toda dourada.

Aqui dá para ver a Frauenkirche, belíssima e assutadora (as igrejas góticas são sempre muito misteriosas).

Detalhes da Schöner Brunnen (que significa fonte bonita).

Mais uma vista da praça do mercado e da Frauenkirche

Esquina linda na entrada do castelo

Vista de cima do castelo

Telhadinhos mais lindos (tem até fumacinha saindo das chaminés)

A arquitetura bávara aqui é bem típica (em Berlin não tem casas assim; no norte é diferente)

Essa amarelinha é a minha preferida

Tinha bastante desses santos nas esquinas das casas (gostei mais desse por causa do cachorro fofo)

O rio Pegnitz, que corta o centro histórico, é um afluente do Reno

Mais uma vista do rio Pegnitz

Esse aqui é o Trödel markt, que fica numa ilha bem pequena no meio do rio.

Pelas ruas da cidade

Criançada jogando bola no pátio do Neue Museum

Quer ver mais fotos? Então clique aqui e vá no álbum do Flickr!

22 out

Pense numa cidade linda. Agora multiplique por 10. Eleve ao cubo. O resultado é a capital da República Tcheca. Sério; nunca vi uma cidade tão linda na vida!

Aproveitando o aniversário dos 50 anos do Conrado (e os meus 46 — no mesmo dia 20 de outubro), fomos, com um casal de amigos, celebrar a data nessa cidade tão romântica. Praga é famosa, entre outras coisas, pela sua primavera (na verdade, pelo movimento Primavera de Praga, de janeiro a agosto de 1968, quando o povo se insurgiu contra o domínio da então União Soviética no leste europeu); mas o outono, vou falar uma coisa: é um espetáculo.

A gente ficou hospedado num barco (o Florentina) que fica ancorado no rio Vltava (não me perguntem como se pronuncia isso), coisa que recomendo muito. No dia em que chegamos, a tarde estava lindíssima e o queixo só fazia cair mais a cada quarteirão caminhado. As árvores estavam todas ruivas ou loiras e brilhavam orgulhosas; as encostas dos morros refletiam a luz do vermelho ao amarelo, com algumas partes ainda verdinhas. Nos dias seguintes a cerração estava forte e nublou bastante, mas mesmo assim o lugar continuou ainda mais fascinante e misterioso.

Praga é uma cidade medieval e uma das poucas que não foram bombardeadas durante as guerras. Isso faz com que a maioria das edificações seja original e muito bem conservada. Só para se ter uma ideia, a ponte Carlos, uma das vistas mais espetaculares da cidade, foi construída em 1354 e continua linda, forte, esplendorosa e funcionando até hoje, com gente do mundo inteiro passando em cima.

Outro ponto interessantíssimo (meu pai adoraria ver isso) é o famoso relógio Orloj. O mecanismo é de, pasmem, 1410, quando nossos índios estavam calmamente pescando e nem sonhavam com a invasão portuguesa um século mais tarde. Enquanto isso, em Praga já estava funcionando um relógio enorme que não apenas informava as horas, mas também as estações do ano, as fases da lua, os signos do zodíaco, o calendário e ainda o horário da aurora e do poente para cada dia. É mole?

E essa beleza ainda trabalha certinho, mesmo depois de 600 anos de serviços prestados! Reza a lenda que o relojoeiro autor do projeto foi cegado depois da obra pronta para que não fosse capaz de replicar a tecnologia em nenhum outro lugar (espero que seja só lenda…rsrsrs). Nas horas cheias, a praça se enche para o povo ver os bonequinhos passando pelas janelas e um corneteiro tocando em cima da torre ao mesmo tempo que o sino. Eu nem conhecia o lugar e já tinha ficado impressionada com a festa de aniversário do tal Orloj em 2010 (clique aqui para ver um inesquecível espetáculo de luzes).

O Castelo de Praga é outra beleza de tirar o fôlego; os jardins, as construções, as torres, as fortificações, tudo respira história. As ruas ainda são de pedra e os bueiros ainda trazem os brasões. Parece que o tempo parou mesmo e a gente caminha ao lado de Mozart. Ou Kafka, no século seguinte.

O tempo todo a gente recebe folhetos de concertos em igrejas e teatros; além dos famosos cristais da Boemia, eles dominam a arte do teatro de bonecos e o de luzes como ninguém. E está aí um exemplo de cidade que soube explorar o turismo sem estragar seus tesouros. Sim, há lojinhas de souvenirs espalhados por todos os cantos, mas sem agredir a arquitetura preciosa do lugar. Também não vi camelôs ou barraquinhas vendendo porcarias Made in China nas calçadas.

Uma das coisas que me impressionou foi um mercado de frutas e legumes (lindos!) que funciona — pasme — desde 1232!!!!! Tudo bem cuidado, colorido e no capricho. Chegamos a aprender algumas palavras em tcheco (por favor, obrigada, sim e não, por exemplo) e foi divertido! Apesar de absolutamente todas as placas estarem nessa língua estranhíssima, é fácil encontrar gente que fale inglês e alemão. O atendimento pareceu muito profissional e os locais são bem simpáticos.

Música boa, comida ótima, companhia perfeita e cenário de romance antigo (e de filmes modernos também, como o Cassino Royale, do 007). Para que mais?

É óbvio que o que a gente viu foi apenas uma amostra; mas olha que legal — Praga fica a só 360 km de Berlin! Isso significa que não vai ser tão difícil voltar outras vezes (inclusive na primavera).

Não sei vocês, mas adorei esse aniversário…

Esse aqui foi o nosso hotel.

Fomos recepcionados com essa luz maravilhosa

O outono aqui também está dando show

A famosa ponte Carlos, sempre coalhada de turistas deslumbrados com sua beleza

Também tem artistas se apresentando

Na próxima vez vou andar nesse balão que, em vez de cesta, tem duas cadeiras :)

Torre da ponte Carlos

O Orloj e a igreja Týnský ao fundo

Detalhes do Orloj

Uma feira que funciona desde 1232!

Olha o capricho das frutinhas!

A arquitetura é de deixar qualquer um babando

Lojinha de marionetes

Nenhum prédio dessa rua tem menos de um século

A catedral gótica de São Vito, do século XIV

Vista de cima do castelo: repara só o abuso dessa árvore cor de laranja!

Até tampa de bueiro aqui é nobre...

Caprichosos até as últimas consequências

Fala sério: como não amar isso, minha gente?

Quer ver mais? As cenas mais lindas de Praga estão no Flickr, é só clicar aqui.

14 out

Ontem à noite teve a abertura de uma exposição muito especial: a exposição de cartazes raros e originais (de 1920 a 1950) que faziam propaganda de viagens de luxo de navio, trem, avião e até Zeppelin!

A queridíssima Raquel Chaves está ajudando a divulgar o evento que acontece na Galeria Zeitlos, na minha opinião a loja mais charmosa de Berlin (há algum tempo eles fizeram uma Exposição do Design Brasileiro que postei aqui).

A galeria fica no shopping Stilwerk (aquele mesmo da exposição de Charles e Ray Eames que também postei aqui) e comercializa apenas objetos originais de designers famosos, a maioria da década de 50 e 60.

Os 40 cartazes pertencem às coleções particulares de Joachin Apitz e Wegner Marc, que amealharam suas preciosidades visitando mercados de pulgas desde a infância.

Mas vamos ao que interessa: veja os cartazes e viaje no tempo imaginando a atmosfera glamourosa em que eles foram criados e divulgados…

9 out

Faz algumas semanas visitei o Museum für Film und Fernsehen, que fica na Potsdamer Platz (qualquer dia falo sobre esse lugar bem especial na história da cidade). O museu ocupa o terceiro e o quarto andares de um prédio comercial e não é muito grande. Ele conta basicamente a história (com ênfase na fase áurea) do cinema alemão e alguma coisa sobre a televisão também.

Teve uma época, nos anos 20 e 30, que a coisa aqui floresceu bastante. Metrópolis, um dos filmes de ficção científica mais antológicos da história, é de 1927. Dirigido por Fritz Lang, o enredo baseia-se numa distopia (já falei sobre esse termo aqui). Nos anos 30 quem brilhou foi a berlinense Marlene Dietrich, que das telas do cinema mudo foi direto para Hollywood (se ficasse por aqui teria que aturar o Hitler, aí já viu, né?). Lá têm os figurinos, partes de cenários e fotografias do estúdio; cinéfilos vão amar.

Mas uma das coisas que mais gostei mesmo foi a primeira sala do museu: coberta de espelhos, dá a ilusão de infinito e reprodução perpétua da imagem.

Vem dar uma voltinha comigo (consegui tirar umas fotos escondida)!

Vídeos por todos os lados

A tal sala de espelhos

É pra pirar o cabeção...eheheh

Como não se sentir uma criança em um mundo mágico?

É nois (literalmente)!

Algumas divas

Melindrosa

O robô original usado em Metropolis

Dica de dois filmes alemães não tão recentes, mas excelentes (recomendo muito): Adeus Lênin e A vida dos outros. Os dois se passam em Berlin :)

18 ago

Pois é, ontem fui conhecer outro pedacinho dessa cidade linda. Spandau fica bem no lado noroeste e é uma das áreas habitadas mais antigas. O lugar conta com a tradicional Rathaus (uma espécie de sub-prefeitura que cada bairro tem), o centro antigo com a respectiva igreja (a St. Nikolai de Spandau foi construída no século XIV) e é banhada pelo rio Spree, como toda Berlin.

Spandau, que passou a fazer parte da grande Berlin em 1920, foi também foi sede da maioria das indústrias berlinenses na época áurea da economia alemã (final do século XIX e início do XX); muitas já estão desativadas e viraram museus que se pode visitar (vou colocar na minha lista). A fábrica BMW das nossas queridas motos também fica lá; na região tem uma área inteira chamada Siemens por causa da empresa. Enfim, a economia desse pedaço é bem desenvolvida.

Mas o que tem de mais especial mesmo em Spandau é a cidadela, uma fortificação medieval construída no século XVI. Ocupa toda uma ilha no rio Spree e tem muralha e torre, como manda o figurino. A fortificação foi usada para fins militares até o final da segunda guerra, quando sofreu bastante com bombardeios; a partir de 1960 ela começou a ser restaurada e hoje funcionam lá uma escola de artes, vários ateliers, um centro cultural, um teatro, um restaurante, um café, e algumas galerias e museus entre outras coisas bacanas.

O pátio central é bastante utilizado para festas e shows (no dia em que fui tinha um palco gigante onde um roqueiro iria se apresentar com a orquestra de uma cidade próxima; pelo ensaio, a coisa prometia).

Mas vamos parar de conversa e ver esse lugar tão especial e cheio de história!

Essa foto aérea da Cidadela dá para ter uma ideia da beleza do lugar. Imagem: www.Berlin-Motive.de

Saguão do prédio da Rathaus

Cantinhos da cidade antiga

Mesmo nesse lugar histórico e tradicional, as pessoas não têm medo de ousar (esse carro parecia ter sido pintado à mão)

Casarão do meio é um bar que funciona desde 1743

Torre da igreja St. Nikolai

Entrada da Cidadela

Só faltaram os jacarés para compor o quadro...

Como dá para ver de cima da torre, a cidade é bem verdinha

Tem um restaurante rústico estilo medieval dentro do forte, mas no verão as mesinhas na calçada é que fazem sucesso

Essas estátuas todas (28) estavam no meio do Tiergarten e sofreram bombardeios durante a guerra. Aí foram recolhidas do jeito que estavam e trazidas para cá.

Gostou e quer ver mais? Então clique aqui e vá direto no álbum do Flickr.

28 jul

Sophie Charlotte foi a primeira rainha da Prússia (que hoje faz parte da Alemanha), cuja capital era Berlin. A  moça falava francês, inglês e italiano, além de, naturalmente, alemão. Charlotte era cultíssima e vivia cercada por filósofos, escritores e músicos.

Seu castelo maravilhoso, chamado Charlottenburg (que também dá nome ao bairro), fica a poucos quilômetros aqui de casa, e seu marido só podia entrar lá se fosse convidado (o rei morava em um palácio do outro lado da cidade, que hoje não existe mais).

A moça não era fraca não; cheia de personalidade, arregimentou muitos admiradores.

Pois é, então tenho a honra de lhes apresentar a nossa Charlotte!

Não consegui mesmo ficar sem nenhum gatinho para afofar. Aí adotamos essa linda, sapeca e brincalhona (derrubou todos os livros e roupas logo no primeiro dia). Já virou a dona da casa e se comporta como rainha mesmo (e olha que ela só chegou ontem à noite, toda curiosa).

Charlotte é uma vira-lata toda tigrada, mas há boatos que seu pai seja um Maine Coon (uma das mariores raças que existem; os peludos crescem até os 5 anos de idade). Se ela vai ficar grande e peludona, só o tempo dirá; por ora, já é uma princesinha linda!

Nossa tigresa alemã...

Adaptação instantânea; já chegou se achando a dona

Mas é difícil fotografar; a fofa não para quieta

Ela tem sardas iguais aquelas que a gente faz em festa junina :)

Essa menina só tem 3 meses (nasceu dia 23 de abril) e é uma querida. Mas Haroldo, não precisa se preocupar, você continua sendo o gatinho do meu coração…

24 jul

Hoje fui a um lugar tão bacana que só poderia ser em Berlin mesmo. Imagine uma estação de trem enorme na região central da cidade (passavam por lá, diariamente, em 1930, 69 locomotivas; mais de 360 pessoas trabalhavam no local). Essa estação, inaugurada em 1890, funcionou ininterruptamente por mais de 60 anos, incluindo aí as duas guerras mundiais em que a Alemanha se meteu.

Quando a cidade foi dividida em 1952, as instalações foram abandonadas e o mato tomou conta. E tomou conta de tal maneira, que quando o povo foi olhar, tinha virado uma floresta. Aí a dona do pedaço, a empresa estatal de trens, resolveu doar a área de 18 hectares para compensar o impacto negativo para o meio ambiente que teria a expansão da malha ferroviária na região central da cidade; e o lugar virou um parque lindo.

Ainda tem o galpão central onde era feita a manutenção dos trens (a maioria das composições era de carga), a torre de água e todos os apetrechos necessários para a operação. É impressionante ver como cresceram árvores inteiras enormes bem no meio dos trilhos; chega a ser surreal.

A área ficou sendo um parque de proteção da fauna e flora (Natur Park Schönenberger Südgelände) e abriga ainda um espaço de arte; há um museu de esculturas a céu aberto que usa a própria sucata da estação como matéria-prima, além de alguns caminhos e túneis decorados com street-art (quando passei por lá, havia artistas ampliando o paredão). Também há espetáculos teatrais (nessa temporada estão rolando apresentações ao ar livre de 4 peças de Shakespeare; vou ver se a gente consegue ir em pelo menos uma) e um café bem charmoso que funciona nos finais de semana.

Para que a área seja realmente protegida, na maior parte é proibido pisar na vegetação; para isso eles capricharam em passarelas de metal muito estilosas. O negócio ficou fino mesmo, olha só.

Vista da estação em 1935

Gente, fala a verdade: não é surreal?

Olha só que loucura!

Eles deixaram algumas peças como lembrança

Tem até uma locomotiva inteira, daquelas lindonas!

Parque das esculturas

Seria o túnel do tempo?

Meu pai iria surtar com essa caixa de parafusos...

A natureza pode ficar tranquila, pois está bem protegida

Antigo túnel por onde os trens passavam

Os moços se empolgaram tanto que pintaram até a árvore. Essa é a área liberada, mas tomara que não faça mal para a planta, né?

Quer ver mais fotos desse lugar bacanérrimo? Clique aqui e vá direto no Flickr!

6 jul

Pois é, foi só voltar de Budapeste e retomar as aulas que tive uma surpresa muito bacana.

É que aqui em Berlin, cada bairro também tem uma piscina pública com o mesmo conceito dos banhos turcos; a diferença é que elas não funcionam com águas termais porque aqui não tem, além de serem bem mais recentes (não tem que fazer exame médico nenhum, é so pagar e entrar… será que não dá micose?).

Em Prenzlauerberg, o bairro em que estudo, também existe um muito antigo (construído em 1896) que está fechado e com a principal piscina seca desde 1986.

Pois a escola na qual estudo (GLS) comprou o edifício, que fica bem ao ladinho do campus. Como em julho começa a temporada de verão e toda semana entra muita gente (só nessa segunda foram 200 novos alunos), eles usam todo e qualquer cantinho como sala de aula. Pois é, deram uma garibada no prédio do banho público e estou tendo aula lá, em uma das salas.

Eles vão restaurar todo o prédio e hoje a professora nos levou para conhecer o salão principal, onde ficava a piscina maior, e contou uma parte da história. É que bem antigamente, era muito caro tomar banho em casa (até hoje os alemães são um pouco pão-duros para isso; muitos se orgulham em dizer que só tomam banho na academia de ginástica), além do que, muita gente não tinha uma banheira ou chuveiro para chamar de seu. Então, como parte de um programa de saúde pública, o governo construiu os tais banhos municipais.

Em geral tem uma piscina grande (coberta e aquecida) que serve também para o povo socializar e colocar as fofocas em dia (mais ou menos como as nossas praias). Depois tem várias salas com banheiras comuns, onde a pessoa pode tomar seu banho bem tranquila mediante uma pequena taxa.

O lugar é belíssimo e é mesmo uma pena que esteja fechado e com a piscina seca há tantos anos. Pelo menos agora, mesmo que aos poucos, o antigo Stadtbad Prenzlauerberg recuperará um pouco de sua antiga glória. Hoje, por exemplo, vai acontecer um desfile do Berlin Fashion Week sobre a piscina seca (puro luxo). Pena que não consegui um convite…

Vejam só e babem…

Se quiser ver todas as fotos lá no Flickr, é só clicar aqui.

29 jun

A Hungria, como todo o Leste Europeu, ficou sob o domínio da antiga União Soviética até 1989, quando caiu o muro de Berlin. Pois em 1990, quando o país finalmente passou a ser uma verdadeira democracia, todos os monumentos que homenageavam heróis do regime ditatorial foram retirados das praças públicas e levados para um parque fora da cidade, o tal Memento Park.

Tanto pelo valor histórico como pela curiosidade dos monumentos, queria muito visitar esse museu a céu aberto. Pesquisei, perguntei, e não foi muito fácil chegar lá não. Não há indicações e tive que fazer três conexões entre bondes e ônibus para chegar, pois é bem fora da cidade, do lado de Buda. O projeto foi interrompido em 1994 (o site não diz por que), mas a ideia original é bem mais ambiciosa do que está lá apresentado.

O parque é pequeno, mas as obras são bem bacanas; pena que algumas das estátuas que vi na internet não estavam lá. Há uma visita guiada, mas quando cheguei, tinha acabado de acontecer (aí eu teria que esperar uma hora inteira e resolvi ver tudo sem o guia mesmo).

Apreciem as estátuas, então!

Expedia Brasil tem preços acessíveis para vôos e acomodação para a Hungria e muitos outros destinos.

Homenagem ao

Homenagem aos operários (tocou o sinal de saída da fábrica, o moço saiu correndo).

Esses moços coxudos são uma homenagem aos soldados húngaros que participaram da guerra civil espanhola; só não entendi para que tanto culote...

Homenagem ao movimento dos trabalhadores (ou jogadores de bocha?)

Voluntários do movimento comunista (mas parece a turma do ôba ôba)

Monumento aos mártires da revolução comunista

Não consegui descobrir quem é simpátio senhor, mas com certeza foi um herói comunista (tem cara de bravo)

Esse tiozinho com cara de bonzinho é Béla Kun, o revolucionário que levou a Hungria ao comunismo em 1919

Para mim, essa foi a obra mais impressionante; toda feita de folhas de metal; mais uma homenagem a Béla Kun

Mais sobre a cidade de Budapeste e os seus banhos: clique aqui e aqui.

28 jun

Nossa, eu já tinha ouvido falar da beleza de Budapeste, mas não esperava ficar tão encantada. Por isso, vou levar todo mundo para conhecer esse lugar antigo e surpreendente. A língua é um capítulo (e um post) à parte…

Quando eu falo em antigo, não estou brincando. O lugar foi ocupado primeiro por tribos celtas, no ano 1 D.C. Depois vieram os romanos (tem um castelo lá construído nessa época; foi incendiado e destruído mais de uma vez, mas as fundações são as mesmas). Aí vieram os hunos (aqueles discípulos do rei Átila) no século V, depois os mongóis, no século XIII e ficaram por ali até a ocupação otomana, em 1541. Vem daí a herança dos banhos turcos, presentes em toda a cidade (os banhos são tão importantes para a cultura desse povo, que fiz um post só sobre eles; clique aqui para ler).

Os húngaros lutaram 150 anos para se libertarem do domínio turco, e só conseguiram com a ajuda da Áustria (aí formando o poderosíssimo Império Austro-Húngaro). Eles eram ricos e poderosos (os cafés de Budapeste têm Viena como modelo), mas com a Primeira Guerra Mundial, a Hungria perdeu quase 70% do seu território e ficou pequena (a Áustria também se deu mal). Aí vieram os soviéticos e ocuparam todo o leste europeu. Só com a queda do muro de Berlin, em 1989, é que o país passou, pela primeira vez na sua história, a ser realmente independente.

Budapeste é uma cidade dividida pelo rio Danúbio (que não é azul coisa nenhuma). O lado montanhoso, onde ficam os principais palácios e castelos chama-se Buda. O lugar deve ser bom para meditar, pois desse lado não acontece nada…

A margem completamente plana, mais agitada e cheia de cafés, teatros, óperas e comércio, é Peste. Do alto dos morros de Buda dá para ver toda Peste; é lindo! A cidade só se unificou em 1873 e para ligar as duas partes há 8 pontes antigas e duas novas (o comprimento é mais ou menos o mesmo da Hercílio Luz, em Floripa; menos de 1 km).

Aliás, olha só uma curiosidade sobre o nome: há duas teorias para a origem do nome. Uma diz que Buda vem de Bleda, o irmão de Átila, rei dos Hunos. A outra é que vem de uma palavra eslava que significa água (e seria a tradução de Aquincun, o nome que os romanos deram ao lugar por causa de suas fontes termais). Já Peste vem de uma palavra eslava que significa caverna ou fogo (provavelmente onde eram os acampamentos originais).

Bom, a arquitetura do lugar é de cair o queixo e os três dias que fiquei lá só deram para amostra. Dei uma geral nas duas partes, mas não consegui visitar nenhum museu com calma (exceto o Memento Park, que é pequeno e tem um post especial aqui), não fui à ópera e não assisti nenhum espetáculo. Mas acabei todos os dias com pés nas bolhas…rsrsrs

Vem dar uma olhada e veja que não estou exagerando…

Buda: morro do Castelo, cheio de igrejas e construções históricas (o telhado dessa aí é impressionante)

Essa fortaleza é chamada "Bastião dos Pescadores", pois numa das guerras, os pescadores é que ajudaram a defender a cidade

Buda é bem calminha, tudo na mais santa paz

Buda: do morro mais alto, chamado Cidadela, dá para ver Peste inteirinha

Um dos inúmeros cafés de Peste

Nossa, tem tanta vida cultural em Peste que não dá nem para escolher o que ver (e o que são esses arbustos-parafuso? Amei!)

Mercado público de Peste: além de zilhões de tipos de pimentões e todos os seus familiares, também tinha peles de Mink (!) e carne de pinguim (!!!!)

Praça dos heróis, em Peste, em homenagem aos que lutaram nas guerras todas em que a cidade se meteu

O Parlamento, em Peste, à beira do Danúbio, é hipnotizante...

Quer ver mais de Budapeste? Então clica aqui e vai direto no Flickr!

23 jun

Hoje aconteceu a Parada Gay aqui em Berlin, mais conhecida como Christopher-Street Day. O nome vem de uma rua de New York, onde, em 28 de junho de 1969, num bar chamado Stonewall, houve a primeira manifestação pública contra a homofobia. Com o tempo, vários países da Europa adotaram o final de junho para fazer a festa (o Brasil também).

Nesse ano, mais um motivo chama atenção para o fato: hoje é também o aniversário do nascimento de Alan Turing, precursor da informática e um dos maiores gênios matemáticos que a Inglaterra já produziu. Todo mundo que trabalha com informática já ouviu falar da Máquina de Turing, o protótipo do primeiro computador. Alan inventou o conceito de algoritmo e, além disso, era filósofo. Durante a Segunda Guerra Mundial ajudou os militares a vencer decifrando mensagens nazistas criptografadas.

Pois é, mas nem mesmo tudo de sensacional que ele fez pelo seu país o livrou de ser preso por um motivo idiota: era homossexual. Ficou doente na prisão, recebeu um “tratamento” com hormônios e acabou se suicidando. E o mundo perdeu um gênio aos 42 anos, no auge de sua produtividade, por pura burrice. O mesmo aconteceu com Oscar Wilde, outra mente brilhante vítima da ignorância.

Sério, por mais que eu me esforce, não consigo entender como é que a vida íntima de uma pessoa pode incomodar tanto outras que não são sequer minimamente impactadas por ela. Que diferença faz se o sujeito só pega no sono com a TV ligada, se adora cebolas cruas ou se prefere pessoas do mesmo sexo para se relacionar? Se você não pretende dormir com ele, nenhuma.

Ainda mais se a gente considerar que a neurociência já descobriu faz tempo que a prediposição para a homossexualidade é biológica e a pessoa já nasce com os genes predipostos a se sentir atraída por pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo, independente de fatores externos (ambiente, cultura, educação, etc). É como ter olhos azuis ou pernas compridas; a pessoa nasce assim e não tem nada de errado nisso.

Então, minha gente, ter preconceito contra homossexuais é igualzinho a ser racista; você está considerando apenas um detalhe genético irrelevante como argumento para prejudicar pessoas. Não é justo. O nazismo usava as mesmas bases, pense nisso.

Estatisticamente, cerca de 10% da população nasce homossexual, não escolhe; por isso, é complicado falar em opção. A única opção que a pessoa tem, no caso, é entre violentar ou não sua natureza; tentar ou não ser feliz.

As desculpas para se perseguir (mesmo que de maneira velada) os homossexuais são tão bizarras que chegam a ser motivo de vergonha alheia. Selecionei algumas colhidas entre conhecidos meus, com nível superior e teoricamente mais esclarecidos. Vai vendo só o naipe das desculpas; a frase invariavelmente começa assim: “Não tenho preconceito contra gays, mas…

“…não é uma coisa normal“. Gente, mas o que é ser normal? Ser a maioria? Então devemos sair dando pauladas para exterminar todos os ruivos, pois eles são apenas 4% da população mundial; muito menos normais que os gays, portanto.

…não permito que meus filhos convivam com gays, pois eles podem se influenciar“. Bom, como já se sabe que a predisposição para a homossexualidade é biológica, essa frase tem o mesmo não-sentido que “Não permito que meus filhos convivam com pessoas de canelas finas, pois eles podem se influenciar“. Ridículo, não? Pois homofobia é ridícula mesmo.

…tenho medo que um gay abuse do meu filho; eles são perigosos“. Bom, segundo uma pesquisa da Universidade de Medicina do Colorado, 82% dos abusadores são heterosexuais e parentes próximos das vítimas (não raro, os próprios pais). Tire suas próprias conclusões.

“…não ando com gays porque tenho medo de levar uma cantada“. Olha, para mim essa é a melhor. Primeiro, a pessoa se acha gostosa a ponto de achar que o(a) gay em questão vai ficar irresistivelmente atraído(a) por ela. Segundo, por que alguém teria medo de levar uma cantada? Será que nunca levou nenhuma? Funciona assim, ó: se estiver a fim encoraje, se não estiver, diga não e pronto. Não doi nada, vai por mim.

Infelizmente ainda tem muita luta pela frente para as pessoas pararem de se incomodar com bobagem e deixar cada um levar a vida como melhor lhe convém, desde que não prejudique os outros; a homossexualidade ainda é considerada crime em mais de 100 países, em pleno século XXI, acredita?

Mas já se esteve mais longe.

Pelo menos aqui em Berlin, os casais gays, homens e mulheres, andam de mãos dadas na rua e ninguém liga. O prefeito da cidade é gay assumido e os partidos não ficam de enrolação fazendo média sem se posicionar; cada um tinha o seu carro oficial na parada com pelo menos um representante.

Coisa linda ver uma festa colorida assim, famílias inteiras com crianças (que não têm preconceitos, isso é coisa de gente grande), shows, música, comida, bebida e, principalmente, muita paz. Talvez demore um pouco ainda, mas tenho fé que o mundo todo ainda vai chegar num nível de civilidade que respeite e valorize as diferenças.

E que não se percam mais Turings, Wildes e outras vidas preciosas em nome da intolerância, da burrice e do preconceito.

Tudo de importante nessa cidade acontece na frente do portão de Brandemburgo

Festa linda, com gente bonita, colorida e bem humorada; como não amar?

Casais hetero aproveitando a festa, que era para todos

Aqui os cadeirantes sempre têm vez

Adorei as perucas coloridas

Bom humor à toda prova

Ano que vem vou comprar uma peruca dessas; amei

Lindona!

Quer ver mais fotos dessa festa coloridíssima? Clique aqui e vá direto no Flickr.

6 jun

Sábado, dia 6 de junho, vai ser aberta a 13a edição da dOCUMENTA, talvez a mais importante exposição de arte contemporânea do mundo. O evento acontece a cada 5 anos na cidade alemã de Kassel, a mais ou menos 400 km de Berlin.

Bom, mesmo com meu orçamento de estudante-sem-bolsa, vou ter que dar um jeito de ir. Como perder um acontecimento assim?

A exposição dura exatos 100 dias e movimenta artistas, colecionadores, curadores, críticos e todo o povo que faz e acontece na cena das artes ao redor do globo.

Pois essa semana saiu no The New York Times um artigo maravilhoso da jornalista especializada em design Alice Rawsthorn que é uma verdadeira aula de tipografia. Achei tão sensacional que vou compartilhar aqui um pouquinho das ideias dela com vocês.

Alice explica que, nessa edição, os organizadores optaram usar como logotipo a palavra dOCUMENTA escrita normalmente; a única particularidade é que ela está toda em caixa-alta, exceto pelo “d” inicial. A decisão é bastante incomum, a julgar pela assiduidade de marcas multisensoriais, complexas e cheias de movimento nos grandes eventos internacionais ; ainda mais numa exposição como essa, intrinsecamente ligada à criatividade.

Quem opta por usar apenas um logotipo sem o símbolo anexado, não raro apela sem dó para truques tipográficos com o objetivo declarado de chamar atenção. Rawsthorn comenta que normalmente não é muito chegada nessas “inovações” (grifo meu) que dificultam a leitura, como o Ford Th!nk e o I MiEV, da Mitsubishi; se essas marcas são distintivas e memoráveis, não o são pelas razões certas, mas pelo seu poder de irritação quando a pessoa tenta pronunciá-las ou escrevê-las (concordo plenamente com ela, acho que a brincadeirinha já datou e perdeu a graça). Por isso é que a moça ficou tão intrigada com a grafia da dOCUMENTA.

Mas a Alice, com cultura e conhecimento de sobra, conseguiu matar a charada; tem a ver com a moderna cultura alemã, acompanhem o raciocínio.

A dOCUMENTA aconteceu pela primeira vez em 1955, quando o artista e professor Arnold Bode resolveu organizar a mostra na sua cidade natal como uma forma de contribuir para a reparação dos danos causados pela Segunda Guerra Mundial. A ideia era promover empatia e entendimento entre diferentes nações, e o sucesso foi tão grande que a exposição tornou-se um evento mundialmente reconhecido e ansiosamente aguardado nas décadas seguintes.

Cada edição tem sua própria identidade visual, a maioria explorando variações tipográficas, geralmente em letras minúsculas, herança da conterrânea Bahaus. Aliás, esse amor pelas letras minúsculas veio do carismático artista e designer húngaro Laszlo Moholy-Nagy, que começou a dar aulas na lendária escola em 1923. Laszlo era conhecido por encorajar os estudantes a fazer experimentações e inspirou muita gente boa na época (na verdade, inspira até hoje).

As iniciais maiúsculas nos títulos e textos estavam muito associadas ao poder, à disciplina extrema e ao autoritarismo alemão. Quando o artista e professor Joseph Albers propôs usar apenas letras minúsculas, estava subvertendo o sistema e demonstrando uma certa liberdade de pensamento. A  partir de 1920 a Bauhaus praticamente aboliu a caixa-alta de todas as suas publicações, catálogos, convites para festas e performances (ironicamente, o letreiro da escola na cidade de Dessau é todo em maiúsculas, como se pode ver aqui).

Para o alemão, essa insubordinação tem um significado adicional ainda mais forte, pois nesse idioma todos os substantivos (não apenas os nomes próprios) são grafados normalmente com iniciais maiúsculas.

O espírito libertário, descomplicado e livre de hierarquia advindo do uso exclusivo de minúsculas passou a ter também um forte apelo vanguardista e foi abraçado com gosto pelo mundo do design, como se pode observar até hoje, tanto nos logotipos de pequenas empresas como os de grandes corporações. Se você observar bem, o negócio virou modinha, tem em todo lugar.

Mas a coisa desandou mesmo foi na década de 1990, com a popularização da internet; escrever tudo em caixa-baixa era mais rápido e prático, e proliferou de tal maneira que se tornou um clichê corporativo, totalmente adaptado ao “sistema” e sem nenhum traço da rebeldia que lhe deu origem. A julgar pelos logotipos totalmente desconectados do conceito inicial, boa parte dos designers sequer faz ideia do simbolismo dessa prática. Ou como explicar que grandes corporações, totalmente adaptadas e dominantes no atual sistema hierárquico e de poder se utilizem de um recurso que representa o seu avesso?

Por conta desse histórico, o comitê da dOCUMENTA resolveu fazer exatamente o contrário. Sim, a hierarquia das letras está de volta, mas agora novamente com um traço de rebeldia. A tal ponto que o manual de identidade visual permite o uso de qualquer fonte tipográfica, até mesmo as manuscritas, desde que respeitada a capitalização, a inserção do (13) no final e que as letras sejam impressas em preto.

Como resultado, a identidade visual do evento pode ser reconhecida em qualquer lugar, independente da aplicação e da fonte.

Gênio, gênio, gênio.

Tenho que limpar a baba logo, pois preciso de reservas para visitar a exposição. Me aguardem…

***

Para ler o artigo original “A symbol is born“, de Alice Rawsthorn, basta clicar aqui.

20 mai

A gente aproveitou que dia 18 (quinta-feira) foi feriado aqui (Petencostes, seja lá o que isso signifique) e levou as duas motos para passear. As pobres estavam desde outubro do ano passado hibernando; depois de um longo e geladíssimo inverno, as moças foram bem contentes para a estrada.

Eram apenas 4 dias, mas valeram por muitos! Fomos à região do Allgäu (lê-se Algói), que fica no sul da Alemanha, aos pés dos Alpes. Boa parte do Allgäu fica na Bavária e limita-se ao sul pelos Alpes, fazendo fronteira com a Áustria, e ao oeste com o Bodensee, também conhecido por Lago Constance.

Na verdade, não foram só as duas motos não. Tanto na estrada como no Allgäu, o que mais se viu foi motos saindo felizes da longa hibernação. Todos os tipos, cores, idades, tamanhos, formas e marcas (claro que a maioria era BMW). Às vezes em tribos, às vezes em casais (como nós), às vezes solitárias. Mas eram muitas centenas, com certeza.

Bom, mas voltando ao passeio, os Alpes são cadeias montanhosas como a Cordilheira dos Andes (nossa velha e querida conhecida), mas menos extensas e mais baixas. Os Alpes fazem fronteira com a Alemanha, Áustria, Eslovênia, França, Suíça, Itália, Lichestein e Mônaco. A gente visitou o pedaço entre o lado alemão e o austríaco. Aliás, o Império Austro-Húngaro (atual Áustria) e a Prússia (atual Alemanha) já dominaram esse pedaço do continente. Com as guerras e com a unificação da Alemanha, a Áustria, antes tão poderosa, foi perdendo pedaços e acabou ficando um país pequeno e discretíssimo; quase não dá para notar a diferença com a Alemanha (eram quase o mesmo povo, na verdade). Tudo muito lindo e caprichado no último.

Já o Lago Constance faz fronteira com a Alemanha, Suíça e Áustria. Além de lindo, o lugar é importante, entre outras coisas, porque na região é que foi fabricado e testado o famoso dirigível Zeppelin. O museu existe até hoje e tem um dirigível para fazer passeios sobre o lago (o vôo mais baratinho, de 30 minutos, sai por 200 Euros/pessoa; não foi dessa vez, mas a gente chega lá….).

Bom, tirando o dia para ir e o outro para voltar (são mais de 700 km desde Berlin), sobraram 2 dias. No primeiro, sexta-feira, visitamos o Bodensee e a linda região até lá, cheia de clubes, estações de esqui (sem neve nessa época do ano), plantações, paisagens de tirar o fôlego e estradinhas sem ter fim, de um verde profundíssimo. Gente, como a Alemanha é um país verde! Não é a toa que o Green Peace nasceu aqui; são muitas florestas, matas, pastos, gramados, plantações, tudo muito bem cuidado.

Visitamos o monte Pfänder, na cidade de Bregenz, lado austríaco. Sobe-se com um bondinho igual ao do Pão de Açúcar e dá para ver boa parte do lago. O dia estava feinho (até choveu), mas o Instagram deu um jeito de fazer as fotos saírem boas…

No dia seguinte (sábado), fomos aos Alpes (entramos e saímos da Áustria tantas vezes que até perdi a conta; não tinha nem aduana, só plaquinhas na estrada mesmo). Gente, que lugar mais cinematográfico! As cidadezinhas e estações de esqui pareciam de brinquedo, de tão lindinhas. E nem estava tão frio; passeio tranquilíssimo.

Bom, depois a gente vai fazer o tradicional relatório com mapas, GoogleEarth, distâncias, hoteis, restaurantes, fotos e informações gerais para postar lá no site duasmotos.com. Por ora, fiquem com a amostra, só com fotos do Instagram (no site vai ter mais; pois acabamos de chegar e não deu para fazer ainda a curadoria do acervo).

As duas motos com os Alpes ao fundo

As duas motos com os Alpes ao fundo

As vaquinhas todas usam sinos enormes no pescoço; a região toda é muito musical por causa disso

Não é à toa que o povo corre para cá nas férias; quase dá para sentir o cheiro da grama pela foto, né?

Mas não dá para esquecer a história das guerras; até hoje todas as pontes da região indicam o peso máximo que um tanque pode ter para atravessá-las

O lago Constance visto do monte Pfände

O lago Constance visto do monte Pfände

Cenário de brinquedo

Imagina passar o inverno nessas cabaninhas aí ao lado da estrada

Num lugar cheio de gente fazendo trilha a pé e de bike, de vez em quando surge uma delicadeza dessas na estrada. Sombra e um banquinho charmoso para descansar e pensar na beleza da vida...

Quer conhecer um pouquinho mais do Allgäu? Então sobre aí na garupa, clica aqui e vai direto no Flickr.

7 abr

Descobrir lugares novos, para mim, é um momento de profunda introspecção. Gosto de me perder pelos becos, observar os passantes, prestar atenção na luz e no astral do lugar. Por isso, ao contrário da maioria das pessoas, gosto de explorar cidades desconhecidas sozinha ou com no máximo mais uma pessoa (de preferência, o Conrado). Vai daí que não sou muito boa em viagens de grupo, fico angustiada com o tempo que se perde tentando juntar o “rebanho” e negociando os interesses diversos.

Pois é, mas ontem teve uma viagem da escola para Dresden; como estou sozinha aqui e viajar é coisa que adoro, me joguei. Eram 22 pessoas e o negócio poderia ter sido mais bem planejado. Chegamos na cidade meio dia passado, almoçamos (com direito a atraso de brasileiros no encontro de retorno; por que não me surpreendo?) e uma visita que não entendi até agora em uma exposição de arte contemporânea interessantíssima, mas nada ver com a hora e nem com o lugar. O resultado é que a gente só conseguiu chegar no centro histórico depois das 4 da tarde (às 5h30 tivemos que sair correndo para não perder o transporte de volta).

Dresden não é pequena e tem muita história para contar; ela foi um dos centros culturais mais importantes da Europa por muito tempo. Foi totalmente destruída na guerra num bombardeio mal explicado até hoje (veja a foto abaixo, que impressionante) e reconstruída em cada pedra, num trabalho primoroso. O lugar é belíssimo na essência da palavra. Pena que só vi de passagem.

Mas o negócio teve dois lados bons:

1) Meu alemão melhorou bastante, pois todas as explicações foram nessa língua (perdi um monte de detalhes, mas quem nunca?) e conversei o dia todo com a Ana Bolaños, uma espanhola das Ilhas Canárias (preciso ir lá, fiquei curiosíssima com a descrição) que tinha uma gramática mais que perfeita e ficou pacientemente me corrigindo o dia inteiro; uma querida mesmo.

2) Preciso, necessito, sou obrigada a voltar a Dresden e só com o Conrado (ele já topou  \o/ ).

Então, fico devendo um relato mais detalhado desse lugar maravilhoso, mas pelas fotos que tirei na pressa, já dá para ter uma ideia…

Olha só como a cidade ficou depois da guerra; dá vontade de chorar só de ver a foto...

O dia estava feio, mesmo assim a primavera deu as caras

Essas árvores lindas estavam por toda a cidade

Pena que nem pude entrar aí...

Parece velho, mas é novo. Inacreditável...

Lugar bom para sentar e ficar observando

Esses alemães são caprichosos no último

Muvuca de gente no feriado; mesmo assim, tem magia no ar

Capricharam mesmo na reconstrução do cenário

Quer ver mais fotos em tamanho maior? Clique aqui e vá lá no Flickr!

22 fev

Nossa, já fui tantas vezes ao Mauer Park que até perdi a conta. Cada vez que recebo visitas, faço questão de levá-las lá. Já fiz até um vídeo sobre o lugar (veja aqui), e não me canso de olhar a paisagem, que muda o tempo todo.

A parte obrigatória, além do mercado de pulgas, é o pedaço do Muro de Berlin que restou (por isso o parque tem esse nome: Mauer é muro em alemão). Os artistas locais vivem pintando e repintando o paredão; cada vez que vou lá está diferente.

Pois só agora, depois de tanto apreciar esse pedaço de história, olhei melhor e vi que as camadas de tinta descascadas e sobrepostas criam um efeito incrível. Há que se ter olhos para ver esses detalhes, mas não tem como não se encantar.

Vem comigo viajar na batatinha (no caso, klein Kartoffel…eheheheh)

Nossa, minha cabeça está borbulhando de ideias sobre o que fazer com essas imagens (sim, já pensei num painel, numa composição, em ilustrações, enfim, nem vou conseguir dormir — por favor, não me mandem mais nenhuma…eheheh).

Que ver todas? Clique aqui e vá no Flickr!

1 fev

Fiquei um tempo sem postar vídeos sobre Berlin por dois motivos: até a semana passada só choveu nessa terra, sendo que os dias eram muito curtos; ficava difícil de filmar e fotografar. Agora, que os dias estão mais longos e ensolarados, estou sem meu cinegrafista amador durante a semana (vamos ver se agora a coisa volta a engrenar).

O fato é que achei esse material sobre o Reichstag que foi filmado ainda no ano passado, mas eu ainda não tinha tido editado (vajei para o Brasil logo depois e acabei me esquecendo).

Esse é um dos passeios mais imperdíveis para quem vem a Berlin; vem comigo!

Se o vídeo não abrir, clique aqui e vá direto no Youtube.