Arquivo de ‘marketing’

14 mai

Nossa, olha que projeto mais genial: a Joanninha, uma loja criada pelas sócias Alessandra Piu e Anna Fauaz, aluga livros, brinquedos e fantasias para crianças de até 7 anos, em vez de vendê-los. Os alugueis são por mês, trimestre ou ano e a criança pode trocar o brinquedo alugado nesse período. Se ela quiser muito, mas muito mesmo, a loja até pode vendê-lo, mas a ideia não é essa.

Todas as peças são feitas com materiais certificados e a criança deve devolvê-lo na mesma sacola em que ele veio (nossa, é assim que se educa crianças de verdade; sendo coerente nos mínimos detalhes). Outra coisa bacana é que lá não tem essa bobagem de brinquedos de ação para meninos e tudo rosinha para meninas; todo mundo pode brincar com o que quiser.

Cada objeto tem um caderninho que conta sua história, de onde esteve e como participou da vida da criança (elas próprias escrevem no caderninho, que vai circulando conforme o brinquedo vai sendo alugado). Assim o joguinho ou boneco não é descartável, pois tem sua história registrada. Ao mesmo tempo em que brinca, a criança aprende a dar valor às experiências, exercita a escrita (mesmo que com a ajuda dos pais) e aumenta sua rede de relacionamentos.

O serviço é oferecido em São Paulo e Belo Horizonte e, olha, fico orgulhosa de habitar um mundo onde uma ideia dessas vai pra frente. Assim dá até para ter alguma fé no futuro; o que tenho visto no dia-a-dia são serezinhos cada vez mais egoístas, mal-educados e consumistas.

Mas olha que máximo, nem tudo está perdido!

Achei a dica preciosíssima no sempre ótimo Mosca Branca.

2 mai

Quando estive em Belo Horizonte lançando o livro “Design desmodrômico para curiosos” e ministrando um workshop com o mesmo nome, tive a oportunidade de dar uma entrevista para a BHNews, emissora de notícias de BH (graças ao excelente trabalho do meu parceiro Diego Trávez e de sua assessora Laryssa Mariano). A entrevistadora era ótima, fez perguntas muito pertinentes e me deixou falar bastante (ôba!).

Assim deu para explicar direitinho que história é essa de desmodrômico de de onde surgiu o termo, além de esclarecer a questão do design thinking.

Dá só uma conferida!

29 abr

Uma coisa muito pouco explorada no Brasil é a propaganda que usa a bicicleta como veículo (literalmente). Talvez porque andar de bicicleta no nosso país ainda seja uma temeridade; com o desrespeito geral que impera no trânsito e os pouquíssimos quilômetros de ciclovias, pedalar não é para os fracos.

Mas as empresas bem que podiam ajudar os cidadãos a ficar mais saudáveis, as cidades menos poluídas e ainda ganhar moral com isso. E não é apenas para grandes corporações não; dá para patrocinar alguém que usa bastante a bicicleta no dia-a-dia ou até frotas inteiras para aluguel. Dá até para usar sua própria bike para fazer propaganda de sua start-up, já pensou?

Bom, aqui também tem uns comerciantes espertinhos que estacionam estrategicamente a magrela devidamente paramentada num lugar bem movimentado e a deixam lá, para exposição. De qualquer maneira, a cidade só ganha com essa invasão do bem.

Olha aqui alguns exemplos para o pessoal se inspirar!

Feita à mão... propaganda de uma escola de dança especializada em tango

Auto-referência: propaganda de aluguel e venda de bicicletas

O café fica num pátio interno, meio escondido. Então é só deixar a magrela na porta, que o povo entra!

Veículo da empresa de massagens em domicílio

Mesmo velhinha, a bike serve de suporte hype para placas de sinalização

Uma escultura montada na bike, olha só que original!

Como não notar tanta discrição?

Estúdio fotográfico que curte enigmas visuais...

A loja fica numa ruazinha paralela, então tem que aparecer na avenida de algum jeito (só achei que, pela marca que divulga, a bike devia ser toda estampadinha e colorida. Ruído na identidade.).

A GE, que faz carros elétricos, não podia ficar de fora!

Essa aí não tem placa, mas compõe a fachada de uma floricultura.

Hoteis, aprendam: aluguem bicicletas e façam propaganda ao mesmo tempo!

Minha favorita!

15 abr

Esse ditado latino pode ser traduzido livremente como “a verdade no vinho” e quer dizer, mais ou menos, que depois de uma ou mais taças de vinho é que a pessoa se revela e a verdade vem à tona. Sendo uma das bebidas preferidas lá em casa, sempre temos pelo menos uma garrafa para acompanhar as refeições.

E, vamos combinar, rótulos de vinho são uma diversão à parte, seja nas prateleiras de uma enoteca, seja em um supermercado. Os projetos gráficos me encantam, mas entretenimento mesmo são os nomes de vinhos portugueses e espanhois (que fazem mais sentido na nossa língua e ficam bem engraçados).

Vejam algumas pérolas da minha coleção…

Esse vinho devia custar mais barato por causa do nome, né? Produto com subsídio....

Cuidado com o dedo...rsrsrsr

Aahahahaha... se não gostar, não reclame. Apenas fique p...

O nome nem é tão exótico, mas olha que ilustração mais linda!

Os modelos estão mais para gatinhos, mas va lá... são muito fofos...

9 abr

Nessa correria de hospital nem tenho tido tempo de lamber a cria direito. A editora 2AB fez uma edição caprichadíssima do “Design desmodrômico [para curiosos]“: meu querido tem formato quadrado, interior em papel polen, textos em azul marinho, ilustrações lindas e uma sobrecapa de acetato que cria um efeito tridimensional bem bacana no título. Como não amar?

Pois é, se você quiser um para chamar de seu, vou sortear 2 exemplares autografados no sábado, dia 13 de abril de 2013. Para participar, é só comentar esse post com nome e e-mail até a meia noite do dia 12 (sexta). Vou numerar por ordem de chegada e inserir os dados em algum aplicativo de sorteio (aceito sugestões).

É só um comentário por pessoa, ok? Boa sorte!

Se você é de Belo Horizonte, nem precisa participar do sorteio! É só se inscrever no workshop “Design desmodrômico” que vai rolar lá na semana que vem que o livro é de presente! Quer saber mais? Clique aqui.

***

GANHADORES: comentários número 16 e 95 (clique aqui para ver no www.sorteador.com.br), respectivamente: Nayara Gonçalves e Fernando Ximenes! Obrigada a todos os demais pela participação e boa sorte na próxima vez!

4 abr

Confesse aí, vai… você sempre quis ser uma máquina. Sim, um conjunto de mecanismos combinados para exercer uma única e específica tarefa. Como assim? Não? Tem certeza?

Pois é, mas os gênios da propaganda que criaram essa campanha aí embaixo partiram da premissa que esse sempre foi o maior desejo de todas as pessoas; pelo menos foi o que consegui deduzir; dá só uma reparada na obra:

Não sei vocês, mas penso que essa turma deveria se transformar, sei lá, em uma máquina de costura, de fazer café, de cortar grama, de fazer pirulito… qualquer coisa que os impedisse de exercer a profissão de publicitários. E, de preferência, antes de afundar o cliente com essa pérola…

27 mar

Amanhã embarco para o Brasil para pegar um calorzinho, rever gente querida e trabalhar bastante!

A novidade é que acabei de fechar uma parceria com o Diego Trávez e vamos oferecer o workshop Design Desmodrômico em duas datas diferentes em Belo Horizonte (quem quiser saber tudo, é só clicar aqui). Quem fizer o workshop ganha um exemplar do meu mais novo filhote; não tem como perder, né?

Para quem não puder participar, depois só em Berlin…

20 mar

Faz tempo que queria mostrar uma empresa que conseguiu reinventar o negócio do chocolate de uma maneira que considero realmente inovadora; então vamos aproveitar a proximidade da páscoa para falar um pouco sobre isso. A Ritter Sport é uma marca de chocolate alemã com 100 anos de idade, mas de gagá não tem nada, olha só.

Num mercado tão competitivo como o europeu, que conta com os famosos chocolates belgas, além dos suíços e franceses, os alemães da Ritter tiveram que realmente escolher um posicionamento único, e conseguiram. Eles escolheram ser reconhecidos pela variedade de sabores e apostaram forte nisso.

Tudo começou nos primeiros anos da fábrica, quando a filha do fundador descobriu que se a barra fosse quadrada, em vez de retangular, era mais fácil de carregar no bolso. A partir daí, a fórmula do quadradinho norteou todo o design da empresa, inclusive o da marca gráfica. Para traduzir a enorme variedade de sabores, eles contam com boa parte das cores da tabela Pantone; há tantas cores quanto sabores e receitas de chocolate. Com um símbolo gráfico tão simples e colorido, o grupo conseguiu desdobrar a marca em produtos diversos para o fã-clube (tem desde roupinha de bebê até cadernos e bolsas). Ok, até aqui nenhuma novidade; um monte de marcas faz isso e com excelentes resultados.

A novidade é a loja de chocolates personalizados chamada Bunte Chokowelt (algo como “mundo colorido do chocolate”) que eles abriram em Berlin há dois anos. Você chega lá e escolhe o tipo de chocolate para criar sua barra: branco ou preto. Depois, vai definindo o que quer, como se fosse um sanduíche: nozes, passas, avelã, crocante, mel, iogurte, marzipan, flocos, menta, rum, coco, marshmallow, chili, etc; olha, não descobri quantos sabores tem, mas são muuuuitos. Depois ainda tem a cobertura, com outras tantas opções; uma loucura! Você monta sua barra de chocolate (quadrada, naturalmente) e depois de 30 minutos pode vir buscá-la!

Se quiser esperar dentro da loja, tem uma infinidade de opções de chocolates prontos, mas tem também um café bem charmoso no mezzanino com docinhos de chocolate e muffins diversos. Pode ficar tranquilo sentado num sofá lendo seus e-mails ou apenas folheando uma revista; o ambiente é bem aconchegante.

Esse, para mim, é um claro exemplo de identidade bem definida e posicionamento assertivo.

Eles têm projetos ambientais porque, claro, chocolate não dá na Alemanha e o deles vem da Nicarágua — então é necessário ajudar a conservar a floresta porque o cacau precisa da cobertura verde para proteger a plantação. Eles também têm um trabalho de educação ambiental bem interessante (dentro da loja tem uma sala de exposições que mostra o processo de cultura do cacau e porque ele precisa de uma floresta saudável no entorno) e um forte investimento em energias limpas (em especial a energia solar). Os outros ingredientes também são certificados, ou seja, a lição de casa está sendo feita direitinho.

Mas o além do esperado é o que diferencia a empresa: a aposta nos quadradinhos coloridos é tão séria que a marca mantém o Museu Ritter com obras de arte moderna e contemporânea inspiradas na figura geométrica. Fica ao lado da fábrica, na cidade de Waldenbuch (que ainda não conheço).

Olha, não sou chocólatra nem nada (entrei e saí da loja sem comprar nem comer nada), mas virei fã da marca. Penso que a identidade visual ainda precisa de alguns ajustes na tipografia, mas a ideia dos quadradinhos coloridos é genial. E aí, ficou com água na boca?

Então vamos passear um pouquinho pela loja que faz um chocolate especial só para você (de verdade)!

Entrada bem colorida.

A entrada cheia de cores

Dessa vez não precisei tirar fotos escondida; o gerente deixou, numa boa.

Para um chocólatra deve ser o paraíso...

A loja fica logo atrás.

Vista do mezzanino.

É pra comer com os olhos!

O café, no mezzanino.

Hipnotizante...

12 mar

Sério, se eu encontrar mais uma vitrine de loja de vestido de noiva com manequins tão mal humorados, vou ter que criar uma categoria especial aqui no blog.

Não é possível! Como é que esse povo quer vender vestidos para celebrar uma união com essas vitrines?

Fico só rindo e imaginando a festa. Vem comigo…

Essas duas era amigas de infância. Eram. Agora é guerra....

Essa mãozona aí está claramente reservada para a madrinha "to nem aí, dou em cima mesmo!"

Quanto tempo será que dura essa união de almas tão apaixonadas nesse momento mágico e único?

Acho que vai rolar pancadaria, a julgar pela cara de encrenca das moças

Cabelo no olho é tendência...

Cabelo no olho é tendência entre as madrinhas abusadas...

As crianças fazem figuração em filme de terror quando não estão em casamentos

Se quiser ver o outro casamento infeliz na vitrine, clique aqui.

9 mar

A praga dos sobrinhos que sabem “mexer” nos programas e por isso podem sair por aí fazendo cartazes parece ser onipresente. Mas os daqui conseguem se superar (eu acho). Analisem comigo esse cartaz de propaganda dentro de um vagão de metrô.

Bom, tem que explicar primeiro o contexto da “obra”. É comum músicos entrarem no metrô com alguns instrumentos e um amplificador e fazerem um pocket show entre duas estações para recolher contribuições dos passageiros no final. As músicas são quase sempre as mesmas (ainda bem que agora deram um tempo do “Ai se eu tchi pego“), mas algumas bandas são mais empolgadas que outras.

Voltando à propaganda; o cartaz mostra um casal de modelos que parece não entender nada de música (queria ver alguém tocar violão com aquela quantidade de pulseiras que a moça usa) e traz os seguintes dizeres:

Nós desejamos a você músicos de metrô com talento“.

Até aí tudo bem, se logo em seguida não aparecesse uma lista com os seguintes itens:

- lentes de contato

- acessórios

- serviços top

A propaganda é de um SITE QUE VENDE LENTES DE CONTATO!!! Isso mesmo, minha gente!

Acho que esse sobrinho, além de mexer nos programas, deve estar consumindo alguma substância alucinógena. Só pode…

E quero crer que o tio dono do negócio esteja viajando e a mãe do rapaz é que aprovou a peça; é a única explicação.

4 mar

Nossa, essa ideia é tão simples e tão genial, que não tive como não me encantar e ficar um tempão contemplando.

Provavelmente tiveram que construir pernas especiais para os manequins, mas o resultado ficou perfeito e irresistível; impossível passar indiferente por essa vitrine que tinha tudo para se misturar no meio das outras sem se destacar.

É ou não é?

6 fev

Fotografia: Ligia Fascioni

A empresa Gradiente fez parte da minha infância. Por isso, fico triste com esse ato desesperado e sem noção de utilizar a marca iPhone no Brasil.

A princípio, não parece que a empresa tenha realmente tido má-fé. De fato, ela entrou com o registro da marca em 2000 (a Apple já tinha o iMac e o iBook, mas não era ainda tão popular assim no Brasil). O INPI, com toda a agilidade que lhe é peculiar, só concedeu o registro em 2008 (o iPhone da Apple foi lançado em 2007). Agora, cinco anos depois, a Gradiente resolveu botar as manguinhas de fora e fazer valer seus direitos (a Apple não vai mais poder usar a marca aqui no Brasil por causa disso).

A Gradiente tem direito e é apoiada pela lei, isso é fato. Mas e a questão ética? Quando falo de ética aqui, ressalto, principalmente, a intenção. Com que intenção uma empresa brasileira teima em usar um nome comercial consagrado por outra, ícone no mundo todo?

Não estou aqui questionando a lei. Ela tem direito e pronto, isso não está em pauta. Mas por lei, o Renan Calheiros também tem o direito de estar onde está e não precisamos discutir o que a ética tem a ver com isso. Com base na lei, barbaridades de todo o tipo acontecem diariamente no nosso país. Temos que cumprir a lei sim, é claro, mas uma empresa que quer consolidar sua marca precisa ir além disso. Precisa se preocupar em entregar valor para seus clientes, precisa respeitar sua própria identidade. Precisa ter dignidade.

A identidade da empresa é seu bem mais precioso, é o que a distingue no mundo. A Apple já tem uma identidade conhecida e consagrada. A Gradiente passou por trancos e barrancos e está tentando se reeger. Mas sob que bases essa  ressurreição está sendo construída? Sob a infelizmente famosa e corriqueira “Lei de Gérson”, aquela que glamouriza a esperteza de levar vantagem em tudo?

Penso que não usar a marca iPhone, no caso da Gradiente, não é uma questão de direito. É uma questão de visão estratégica. E ouso dizer mais: é até uma questão de senso de ridículo.

A empresa lançou seu aparelho celular com o nome homônimo da marca Apple integrando o sistema operacional concorrente, o Android. O vídeo promocional reconhece que o aparelho da Apple é melhor (como diferencial, a Gradiente diz que o seu é o único que aceita 2 chips). Há quem tenha elogiado a “honestidade” da empresa em reconhecer que seu telefone não é tão bom quanto o aparelho que usa o nome iPhone no mundo todo há muito mais tempo (mas tinha como ser diferente?). Mas só o que consigo ver é um amontoado de incoerências e uma estratégia confusa.

Qual o posicionamento ela vai usar? O aparelho é xing-ling, mas somos protegidos aqui por lei porque por sorte tivemos a ideia do nome primeiro? Finalmente o iPhone brasileiro pelo preço que você queria? “Chupa” Apple?

Como estudiosa da área de identidade corporativa, vejo um claro problema de identidade: a empresa quer parecer moderna, honesta, esperta, descolada, popular, ou o quê?  O propósito não é claro.

Certamente ela não pode enfatizar a ética como diferencial; já vimos aqui que a questão não está apenas em cumprir a lei.  E não há dúvida, ela está se aproveitando sim da marca que outra empresa consagrou. É o equivalente a pendurar uma melancia no pescoço para ganhar espaço na mídia (inclusive internacional). A empresa, da qual nunca mais ninguém tinha ouvido falar, voltou às manchetes dos principais jornais com essa polêmica. Mas nesse contexto, é tão bom assim aparecer? Tendo suas intenções questionadas publicamente?

Do ponto de vista da inovação, fica bem constrangedor enfatizar esse aspecto. Certamente a Gradiente não pode usar isso como diferencial; é evidente que ela não conseguiria sustentá-lo.

A ênfase podia ser no heroísmo barato, no patriotismo malandro: “somos pequenos e brasileiros, mas botamos uma das maiores empresas do mundo para comer na nossa mão” (por pura sorte, mas isso não vem ao caso). É sabido que a Apple desperta paixão e ódio na mesma medida; então a Gradiente poderia explorar melhor a antipatia que alguns potenciais consumidores nutrem pela marca da maçã.

Mas fundamentar seu diferencial no ódio que alguns consumidores têm por outra empresa (o que poderia facilmente ser interpretado como inveja ou recalque) pode mesmo sequer ser aventado como estratégia?

Penso que uma empresa séria e que buscasse um relacionamento com seus clientes a longo prazo sob bases sólidas, poderia sim, abrir mão do uso da marca, por uma questão de coerência. E ainda se diferenciar e ganhar a simpatia do mercado com isso. Minha sugestão, caso alguém tivesse me perguntado:

Sim, nós da Gradiente poderíamos usar a marca iPhone, temos esse direito. Mas não o faremos, pois sabemos que não é o certo. Se você quer um iPhone, compre um da Apple. Nós temos um produto genuinamente nacional que pode ajudar o país a crescer e gerar empregos aqui. Nosso aparelho, inclusive, atende melhor aos consumidores brasileiros, pois tem capacidade para dois chips, coisa que o concorrente não tem. Nós não usamos a marca iPhone, mas não por causa da Apple. Optamos por não usá-la porque respeitamos você, consumidor, que é inteligente o suficiente para fazer suas escolhas sem o uso desse tipo de malandragem.”

Não sei vocês, mas eu acharia mais digno. E do ponto de vista estratégico, muito mais inteligente.

O fato é que não sei o que será da Gradiente depois desse iPhone xing-ling.

Aguardemos.

20 jan

Coisas de segunda-mão também podem custar bem caro. E o dono da loja nem disfarça que mete a faca mesmo…eeheheheh

17 jan

Bom, pelo jeito, sobrinhos no design e na publicidade são um fenômeno mundial. Ou como explicar esse cartaz que estava na parede da academia onde faço ginástica?

É uma propaganda de um shake que diz, na primeira chamada: “Nunca é tarde demais!”

Aí tem essa foto que vocês estão vendo, do velhinho com cara de canastrão fumando um charuto (?) enquanto segura uma barra com halteres.

Embaixo está escrito a lista de vantagens do tal shake:

- Vitalidade

- Saúde

- Rápida recuperação

Nunca experimentei esse negócio aí, e depois que vi esse cartaz, vou continuar sem saber que gosto tem…

Vai um golinho aí?

18 dez

Quando a pessoa acha que não tem mais nada para inventar em serviços, surge um hotel com uma ideia genial (não sei como chegaram nisso, mas pela quantidade de gente em Berlin trabalhando com design thinking, não me surpreenderia se soubesse que saiu de algum workshop).

O suntuoso Hotel Ellington, construído em 1931 e patrimônio arquitetônico protegido pelo governo alemão, conseguiu inovar de uma maneira impensável para um estabelecimento aparentemente tão conservador. E fez isso sem perder o glamour e a tradição que lhe são inerentes, veja só.

O empreendimento lançou um programa onde a faxineira tira férias por um dia. Como na Alemanha praticamente ninguém tem uma diarista para chamar de sua e são os donos da casa mesmo que fazem a limpeza, geralmente aos sábados, então a ideia é fazer os faxineiros tirarem férias na sua própria cidade (no meu caso, no próprio bairro). O programa se chama “Sie genießen und wir putzen” ou “Você aproveita e nós limpamos“.

A pessoa se hospeda por um dia no hotel e funciona assim: o táxi vai pegá-lo em casa sábado de manhã e da mesma condução desembarcam as camareiras do hotel que farão a limpeza na sua casa; é uma troca de papeis. Em vez da tradicional faxina de sábado, você vira turista por um dia e volta com a casa limpinha. Não é puro luxo?

Olha só o que o programa inclui:

- dois dias inteiros e um pernoite em quarto duplo (2 pessoas)

- café da manhã de sábado

- cinema de luxo no sábado à noite com poltronas reclináveis até quase a posição horizontal e apoios para os pés. Acompanha uma taça de vinho e tapas (pestiscos)

- jantar no restaurante estrelado do hotel com menu de 3 pratos (entrada, prato principal e sobremesa) e bebida inclusa

- brunch no domingo incluindo uma banda de jazz ao vivo e uma garrafa de espumante

- faxina completa para um apartamento na cidade de até 80 m2

Quanto custa? A bagatela de € 378,00.

E se você tiver um carro, ele estiver sujo e se você quiser aproveitar, por mais € 60 e eles dão conta do serviço também.

Ok, não é barato nem para quem mora aqui, mas o hotel é master-blaster-luxo e o serviço é de primeira. Na verdade, a faxina é só um detalhe, mas que faz toda a diferença na experiência do cliente (dá para pagar o mesmo em qualquer hotel de luxo e voltar para uma casa suja e bagunçada).

Pena que ainda não estou podendo, mas achei isso aí a minha cara. Assim que meu orçamento permitir (ainda vai demorar uns bons “par de anos”), experimento e conto como foi, ok?

Ah, isso não é propaganda paga não (pena…eheheh). Foi notícia no jornal de hoje (olha aqui).

10 dez

Tem umas lojas que colocam manequins na porta para chamar a freguesia. Ou será que o objetivo é outro?

Sei não, dando uma olhada na minha coleção, o objetivo de colocar esses garotos-propaganda na calçada parece ser um mistério, nada a ver com atrair gente para comprar (até porque alguns são assustadores). Não sei você, mas eu adoro mistérios, principalmente os desse tipo.

Dá só uma olhada nessas figuras!

Esse fica no meio do corredor de um mercado em Budapeste. Achei o moço meio desesperado, nada sedutor...

E que tal esse personagem de filme de terror para vender mochilas e camisetas? Sem falar na combinação fashion do look; o pessoal de Budapeste tem uns gostos estranhos...

Qual será a mensagem dessa loja em Prenzlauerberg? Perca a cabeça e compre aqui?

Mesmo me esforçando ao máximo, não entendi. Não fosse em Berlin, ia achar que era uma loja de produtos para umbanda.

Nessa aí o rapaz cansou de fazer figuração na porta e resolveu descansar um pouquinho

Maior mistério de todos: que significa essa cabeça de cavalo?

São lojas diferentes na mesma rua: não é mesmo uma dupla de revirar o estômago? Bom para quem está de regime...

Essa loja de marionetes em Praga colocou um mendigo para receber os clientes (e eles têm reis, rainhas e princesas aos montes lá dentro)

A moça perdeu a cabeça e resolveu barbarizar na calçada. Não parece bem intencionada...

29 nov

Há uns dias li uma matéria na Deutsche Welle sobre uma pesquisa que dizia que, ao contrário do resto do mundo, cujos xingamentos quase sempre têm conotação sexual, os alemães tem uma fixação por escatologia na hora de demonstrar indignação.

Isso quer dizer que nenhum alemão fica ofendido quando você descreve os pormenores do possível trabalho da mãe ou das mulheres da família dele, nem quando você o manda manter relações sexuais com alguém do outro sexo ou do mesmo (nossa, que difícil é descrever palavrões sem usar palavras chulas, mas tem que explicar certinho para a teoria fazer sentido…eheheh).

O filólogo Hans-Martin Gauger, autor da pesquisa, diz que os alemães são mais lógicos até na hora de xingar, pois um sentimento ruim tem que ser traduzido por uma coisa ruim, que não presta. E tem coisa pior que merda, nesse caso? Já as práticas sexuais usadas como xingamento não são intrinsecamente ruins, depende muito mais da preferência de cada um, portanto impróprias para descrever raiva ou desprezo.

Isso combina bem com a falta de erotismo que eu já tinha observado por aqui. Ao contrário de nós, os brasileiros, cujas músicas, propagandas, gestos, roupas, enfim, absolutamente tudo na nossa cultura remete ao sexo, os alemães simplesmente agem como se essa fosse uma área do comportamento completamente isolada do dia-a-dia. Eles tomam sol completamente nus nos parques, frequentam saunas mistas sem nenhuma malícia e ignoram a presença de uma deusa escultural no recinto; simplesmente nem olham.

Então, os piores palavrões aqui, se traduzidos ao pé da letra significam coisas como “maldita merda” ou “vem lamber minha bunda“.

Até aí tudo ok, parece bem coerente. Mas, gente, vi essa propaganda na TV e fiquei chocada! Jamais passaria pela cabeça de um publicitário brasileiro abordar o assunto dessa maneira; pois aqui, aparentemente, todo mundo achou super normal.

Vou descrever a história segundo meus parcos conhecimentos de alemão (se alguém aí for do nível C1 ou C2, por favor me corrija).

Um casal segue de carro por uma estrada e o homem parece bem entediado. Aí a mulher vê alguma coisa na paisagem que a deixa surpresa (mas não indignada): é uma montanha enorme em forma de bunda (sim, você leu direito). Ela pergunta o que é aquilo e o homem explica calmamente “ah, isso aí é o cu do mundo“. É que eles estão indo comprar móveis e têm que viajar para achar o que querem; para isso, vão muito longe. Corta e aparece um sujeito numa sala explicando (com uma imagem de uma bunda) que não é preciso ir tão longe para comprar móveis e luminárias bacanas; dá para fazer tudo confortavelmente pela internet (sim, pasmem, isso é uma propaganda de loja de móveis virtual). Não acredita?

Assista o vídeo e veja como o mundo é um lugar cheio de culturas diferentes, insuspeitadas e interessantíssimas…..ehehehehe

28 nov

Imagem: Granado

Depois que ser inovador entrou na moda, tem empresa surtando de tal maneira que chega a colocar em risco sua própria marca.

Boa parte das organizações esqueceu-se de um ponto essencial: inovação é um meio, não um fim. O fim é seduzir o cliente e fidelizá-lo; para isso há que se entregar valor. E, não custa lembrar, inovação, principalmente a desmedida, nem sempre é percebida como valor.

Digo isso porque até semana passada, eu era cliente fiel do O Boticário (tinha até carteirinha).  Deixei de sê-la porque a empresa não me quer mais e me deu um pé.

Acompanhe.

Entrei numa loja do grupo para comprar uma loção de limpeza para o rosto que uso há anos; considero os produtos para a pele da marca excelentes. Até reparei que eles colocaram um moço para atender, que se apresentou como maquiador (adorei!).

Pois é, o drama começou quando pedi a tal loção. Todo feliz, ele explicou que a empresa estava inovando em tudo e que meu produto tinha sido substituído por um tônico (mais caro 50%, diga-se de passagem). Retruquei explicando que tônico e loção têm funções diferentes, portanto não poderiam ser a mesma coisa.

Ele insistiu, dizendo que era exatamente igual, só tinham trocado a embalagem (ó moço, não faça isso não; então você está me dizendo que a empresa finge que inova para cobrar mais caro?). Eu insisti que não poderia ser a mesma coisa. Eis que entra na conversa outra vendedora, explicando que a linha era muito inovadora e que a minha loção tinha virado uma espuma (mas era igualzinha, repetia, só tinha trocado a embalagem).

Bom, como vi que aquilo não ia nos levar a lugar algum, tentei um batom que uso há pelo menos 20 anos (sim, meninas, o lápis avelã, top seller da marca). Pois o rapaz, novamente empolgado (agora estávamos falando de maquiagem, seu metier), explicou que o batom estava para sair de catálogo e seria substituído por uma linha completamente nova. Aliás, ele me informou todo feliz que eles estavam inovando também a maquiagem que seria completamente renovada a cada estação, de maneira que nada daquilo estaria à venda dali a 3 ou 4 meses.

Trocando em miúdos, o que o moço disse foi  “experimente, mas não se empolgue muito, pois, se gostar, logo não vai ter mais para vender”.

Estranha maneira de fidelizar o cliente, não acham? Endeusando a malfadada inovação, eles tiram de linha os produtos mais básicos. Trata-se da arte de puxar o tapete dos próprios pés; sinceramente, não consigo entender. É como se uma pizzaria tradicional tirasse a margherita, a portuguesa e a muzzarela definitivamente e o cardápio fosse trocando os sabores toda semana. Gostou da pizza? Azar o seu, semana que vem não vai ter mais. É o preço da compulsão pela inovação.

Sim, é bacana inovar, mas é preciso ter uma base. Não se pode perder de vista que o tradicional pode ser um valor muito caro ao cliente (se não fosse assim, o que seria dos clássicos?).

Na mão contrária de O Boticário, deparei-me, encantada, com toda a linha Granado redesenhada, valorizando justamente seus clássicos: não apenas o famoso polvilho antisséptico, mas também toda uma linha de coisas novas, mas com os cheiros antigos que fundamentaram o desenvolvimento da marca. Donos também de outra marca tradicional, a Phebo, a organização está apostando forte na revalorização do vintage.

O redesenho das embalagens é lindo; destacou a tradição sem parecer velho. A Granado sabe que vai ser difícil copiá-la, simplesmente porque não dá para qualquer um abrir uma empresa hoje e contar uma história que começou em 1870. As peças todas conversam entre si, incluindo o site. Taí uma empresa que soube dar valor aos clientes fieis.

O Boticário, não contente em jogar fora seu maior ícone, a embalagem do perfume original, que era linda e icônica como uma garrafa da Coca-Cola, agora  surtou a ponto de dispensar seus clientes mais fieis.

Uma pena. Depois que a febre passar, não sei se vai sobrar muita coisa.

E o pior de tudo é que fiquei sem meu batom preferido…

17 nov

Fazia um tempo que eu não postava nada sobre crise de identidade, mas motivada pelo curso de identidade corporativa que começa terça-feira aqui em Belo Horizonte (veja aqui mais detalhes), resolvi ressuscitar alguns exemplos onde o que a empresa diz não é compatível com o que ela mostra.

O primeiro caso me foi enviado pelo Daniel Santos, sempre atento. Ele foi almoçar nesse restaurante em Florianópolis que também frequento (comida ótima e atendimento acima da média, por sinal) e percebeu o ruído na comunicação.

Nem vou dizer que o restaurante se chama Mirantes e nenhuma das muitas filiais espalhadas pela cidade tem vista para algum lugar que valha a pena (Mirante não é isso? Um lugar com ponto de vista privilegiado?).

O fato é que eles usam um saquinho de papel para embrulhar os talheres que gera mais lixo (pois o saquinho não tem nenhuma função adicional além dessa extremamente fugaz, sendo que eu poderia pensar em várias); o papel é branqueado (nem sequer é pardo ou reciclado) com impressão em preto.

Até aí não chamaria a atenção de ninguém; o problema é que aparece a totalmente descabida frase “Junto com você por um mundo mais sustentável“. Gente, de onde saiu isso? Parece que alguém achou a frase bonitinha e colocou lá (ou achou que não usar plástico já autorizava chamar a empresa de sustentável, vai saber).

Olha, não ficou legal não, melhor rever e ênfase na sustentabilidade porque o argumento não está se sustentando…

O segundo exemplo é uma vitrine que vi também em Florianópolis. Uma loja que, entre outras coisas, vende “moda evangélica” seja lá o que isso signifique. Mas por mais imaginativa que a pessoa possa ser, jamais vai adivinhar que essas roupas que estão mais para periguete pudessem combinar com o conceito de evangelização. Sei lá, achei muito ecletismo.

Prestem bem atenção nos modelitos e reflitam…

14 nov

Fotografia: Marcos López

Uma das questões mais polêmicas das minhas palestras é quando falo que a empresa não precisa ficar ansiosa por se destacar em inovação ou projetos ambientais se isso não faz parte do DNA dela. É óbvio que não estou dizendo que ela não deve inovar ou cuidar do ambiente; claro que deve, como todo mundo. Mas que tenha consciência de que não está fazendo mais do que a obrigação. Ela vai fazer a lição de casa, mas outros atributos, mais fortes, devem prevalecer como verdadeiros diferenciais.

Aí sempre aparece alguém que discorre sobre as tendências e necessidades do mercado, que exigem inovação total e preocupação com o planeta, o tempo todo. Gente, mas de qual mercado estamos falando? Do famoso “público em geral”? Isso simplesmente não existe, é obra de aluno malandro que deixou para fazer o trabalho na véspera ou profissional com preguiça de pensar

O objetivo da marca é seduzir clientes e fidelizá-los. Não tem como seduzir todo mundo e as empresas devem colocar isso na cabeça de uma vez por todas! É preciso escolher quem se quer seduzir, estudar seu comportamento, entender o que é valor para esse público (que, não custa lembrar, não é um alvo e nem deve ser tratado como tal) e descobrir, na sua própria essência, o que pode ser usado como base para um relacionamento duradouro.

E isso, pode ter certeza, não se descobre em estudos que mostram tendências e afirmações etéreas sobre o que “o mercado quer”.

Só para ilustrar, dois exemplos. Fala-se por aí que o mercado quer mais ética por parte das empresas. Ok, mas que mercado? O que compra DVD no camelô? Ou o que pirateia softwares? Ou seria aquele que paga uma cervejinha para o guarda para escapar da multa? Sim, de fato, há uma parte do mercado muito preocupada com a questão ética; mas é uma parte, não o malfadado “público em geral”.

Ok, o mercado quer comida orgânica e menos junk food. Mas qual parte, aquela que adoraria ter uma cartão de fidelidade do McDonald’s? Ou a que almoça e janta lasanha pronta de caixinha e macarrão instantâneo?

Percebem a diferença? O mercado é formado por pessoas, e, por serem pessoas, são intrinsecamente diferentes entre si, não cabe fazer juízo de valor. A empresa precisa encontrar o público que tem afinidade com suas características.

Qual é a real identidade da empresa? O que ela tem para entregar? Qual parte do público enxerga essas características como valor? Essas são as perguntas que valem um milhão, não aquela preguiçosa e anacrônica “o que o mercado quer?”.

Só para concluir, não estou aqui defendendo que pesquisas de mercado e de tendências sejam inúteis e não devam ser usadas. O que estou chamando atenção é que elas não servem para o “público em geral” e devem ser contextualizadas.

É ou não é, meu querido público específico?