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Bendito caso: epílogo

Se você não leu ou não se lembra, leia as partes 1 e parte 2 para entender a história.

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Bem, entreguei meus “filhos” para a Leve Design e aguardamos. Uma semana depois, foi nos enviada a nova marca.

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Quando vi a proposta, não vou enganar ninguém: fiquei um pouco chocada. É que tanto a Cássia como eu pensamos que o trabalho seria apenas redesenhar o espelho de uma maneira mais profissional.

Mas as meninas do estúdio não são desenhistas; são designers de verdade (e das boas). Elas repensaram a marca na íntegra.

O primeiro sentimento foi de estranheza, pois não reconheci meus conceitos lá. Depois, analisando minha reação, entendi que era puro apego: o redesenho conseguiu aproveitar tudo dos conceitos desenvolvidos antes. As aplicações da marca, com direito a variação horizontal, monograma e estampa, definitivamente conquistaram nossos corações e mentes.

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Fazendo uma autoanálise entendi o que significa colocar em prática o que sempre defendi:  quando a gente tem foco no cliente, e não no umbigo, desapegar é fácil (ainda mais se o trabalho do profissional ficou evidentemente melhor que o seu).

O resultado é uma marca que me encheu de orgulho ter participado da concepção: uma autêntica experiência de co-criação muito gratificante para mim e, pelo que conversamos, para todas as partes envolvidas.

É sempre um prazer trabalhar com gente competente e ver o final feliz acontecer. Nesse projeto, cada uma fez o que sabe fazer melhor: eu desenvolvi o conceito a partir da identidade, a Leve Design projetou a marca gráfica e a Cássia vai fazer tudo isso virar um sucesso.

Aliás, nossa super empreendedora preparou um depoimento mostrando o ponto de vista dela nessa história toda. Está lá no site da Bendita Pele; clique aqui para ler.

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BÔNUS: Depois dessa trabalheira toda, não consegui resistir e vou compartilhar a experiência hilária que a Cássia teve quando mandou fazer a placa que ficaria na fachada da loja. Ela mandou os arquivos para a empresa e olha o que a pessoa manda de volta, como solução para a fachada dela:

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A moça quase teve uma síncope quando viu isso e respondeu que a designer iria surtar se a placa ficasse assim, que era para fazer exatamente como estava no desenho. O responsável afirmou categoricamente que não precisava ser exatamente igual, que ela podia confiar porque ele sabia o que estava fazendo. Ele também era formado em design…. aiaiai!!!

Bendito caso: parte 2

Se você não leu ou não se lembra da parte 1, clique aqui para entender a história.

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Nesse ponto da jornada, eu já tinha a identidade da empresa definida, suas características essenciais, e as diretivas principais para desenvolver a marca gráfica.

Gastei quase duas semanas rabiscando e tentando encontrar um conceito que sintetizasse o DNA da empresa e fugisse das borboletas óbvias e das mulherzinhas estilizadas. Por causa da ideia do retrô, até pensei numa pin-up; mas logo me dei conta de que poderia funcionar muito bem como apoio, jamais como marca principal. Isso porque a solução deveria contar com os seguintes atributos:

alta pregnância: é a capacidade de ter suas formas identificadas à primeira leitura em qualquer contexto. Sob esse ponto de vista, quanto mais limpa e mais simples, maior a pregnância.

legibilidade em modo reduzido: mesmo em tamanho pequeno, como num cartão de visitas, a marca gráfica precisa continuar sendo legível.

flexibilidade na aplicação: em algumas ocasiões, a marca gráfica precisará ser aplicada apenas em P&B, ou toda em preto, ou toda em branco. Em nenhum dos casos ela pode perder a capacidade de comunicar a ideia.

capacidade de ser vetorizada: transformar uma marca gráfica em vetores significa conseguir transformá-la em equações matemáticas. Por que isso é tão importante? Porque se tenho uma marca que é construída por meio de pixels, como uma fotografia, se eu precisar ampliá-la do tamanho de uma parede, vou ter que ter uma resolução muito alta para não perder informação, e sempre haverá um limite para ampliação que depende do número de pixels do arquivo original. Se a figura puder ser traduzida em figuras geométricas e equações matemáticas, não existe limite de tamanho nem para mais, nem para menos. É só mudar o fator de escala nas equações e sempre vai ficar exatamente igual ao original.

Bem, consegui chegar em dois conceitos que, a meu ver, cumpriam os requisitos básicos e traduziam bem a ideia a ser comunicada.

1. Espelho. A ideia do espelho veio com o estudo de formas retrô usadas como referência à cosmética. Pesquisei embalagens antigas e fui simplificando até chegar na moldura desenhada à mão (que traduz o trabalho manual e personalizado da esteticista, assim como o atendimento especial na loja, que seria quase uma consultoria em bem-estar). E o espelho, além disso, trata da auto-estima, do auto-conhecimento e da relação de cada pessoa consigo mesma. A proposta da Bendita Pele é justamente melhorar essa relação e torná-la mais agradável.

Com relação às cores, usei alguns tons como exemplo, mas não fazem parte da configuração original, que admite variações dentro de uma paleta determinada.

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Alguns exemplos de aplicação: cartão de visitas (frente e verso) e selo para embalagem.exemplos1

2. Anjo. O segundo conceito refere-se à palavra bendita, que também quer dizer abençoada. Como a questão do cuidado, da atenção, do bem-estar são muito fortes na identidade, pensei na ideia das asas de um anjo protetor. A Bendita Pele é traduzida aqui como o abençoado órgão do nosso corpo que nos protege e nos defende de todo o mal, assim como nos acolhe e nos permite que tenhamos boas sensações e prazer. Nesse caso, as asas do anjo são estilizadas e desenhadas igualmente à mão pelo mesmo motivo da alternativa anterior.

As cores também variam dentro da paleta e apresentei a solução com dois exemplos diferentes para mostrar a flexibilidade na aplicação que não compromete a identificação e o reconhecimento da marca.

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Aguns exemplos de aplicação: cartão de visitas (frente e verso) e selo para embalagem.

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Ambas gostamos das duas soluções, mas a dúvida continuava: qual delas poderia traduzir melhor o DNA da Bendita Pele?

Eis que a Cássia me perguntou se poderia consultar amigos e clientes (eu não queria que ela divulgasse que era eu que estava fazendo o trabalho porque, como disse, não faço isso profissionalmente e nem ofereço esse serviço). Disse que ela poderia mostrar, claro, desde que explicasse o contexto: que eu não era profissional da área e estava, digamos, “quebrando um galho”.

Foi aí que ela foi fazer um curso e mostrou as duas opções para a iluminada Mari Guedes (o estúdio Leve Design, do qual ela é sócia, era uma das opções que eu havia recomendado inicialmente).

Para nossa surpresa, o Leve Design generosamente comprou a causa: decidiu entrar na brincadeira e também participar da construção da identidade visual do empreendimento.

Como a parte mais trabalhosa, que é a definição do conceito, já estava pronta, o trabalho consistia principalmente em aprimorar a parte gráfica e sintetizar as ideias. Além disso, era necessário trabalhar melhor a tipografia (como não trabalho com isso, usei as de uso público; profissionais têm no acervo outras mais adequadas, compradas para essa finalidade).

No próximo capítulo veremos como terminou a novela com final feliz! Clique aqui para ler a última parte.

Bendito caso: parte 1

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Já falei várias vezes, mas não custa repetir: não sou designer. Sou engenheira eletricista por formação e meu contato com o design aconteceu somente após uma pós-graduação seguida de um doutorado na área. Por isso, não ofereço serviços em projetos: nem web, nem produto e nem gráfico. Minha expertise é gestão e sempre busquei trabalhar junto com os designers para materializar os conceitos.

Dito isso, preciso dizer que, mesmo assim, baseada em tudo o que já estudei a respeito (e não foi pouco), já me arrisquei a projetar alguns sistemas de identidade visual; foram somente três, para amigos, e depois de muita insistência. Verdade que que eles ficaram bem felizes com o resultado, e eu não me envergonho de tê-los feito, mas isso não faz de mim uma profissional no assunto.

Aí apareceu a Cássia Souza.

Essa moça é dessas pessoas que encanta logo de cara; sua principal e mais arrebatadora característica, além da simpatia, é a capacidade empreendedora. E ela é muito, mas muito interessada em aprender. Para se ter uma ideia, a formação dela é em estética, mas a conheci numa palestra minha sobre identidade corporativa.

Há algum tempo a Cássia me contou que o prédio onde estava localizada a estética, no sexto andar, tinha uma sala comercial vaga no térreo. Ela pensava em abrir uma loja associada à estética, mas não tinha sócia. A ideia não lhe saía da cabeça, até que, quando todo mundo está fechando negócios, essa maluca resolve abrir e apostar tudo na abertura de um. Como resistir a malucas?

O fato é que ela decidiu abrir mesmo sem sócia e precisava de uma marca para a empresa. A Cássia, de tanto estudar e assistir palestras, sabe exatamente o valor do design, tanto que já tinha contratado alguns (sempre com diploma). Pena que as experiências foram bem desagradáveis; eu tinha vontade de chorar quando ela me mostrava os trabalhos. Cada coisa mais tosca que a outra; alguns “profissionais” têm coragem de cobrar para copiar e colar cliparts do Google e chamar aquilo de marca. Ou então fazer desenhos baseados em tendências ou gostos pessoais e perguntar para os amigos se ficou bacana. Preocupada com a tragédia que estava se desenhando, recomendei três profissionais nos quais confio muito e que fariam um excelente trabalho, mas nesse momento ela não tinha condições de remunerar a competência deles à altura, pois estava fazendo uma reforma grande e comprando estoques.

Com medo que a moça contratasse mais um daqueles designers que usam os concorrentes como exemplo e para quem o ramo de estética se resume a borboletas ou mulherzinhas estilizadas (os mais ousados arriscam uma flor de lótus), acabei decidindo assumir a tarefa. Qualquer coisa que eu fizesse iria ficar melhor que esses trabalhos sem conceito, pé e nem cabeça; era a única certeza que eu tinha.

Bem, o primeiro passo, como todo designer sabe (ou deveria saber), é definir o conceito e entender a identidade da empresa, seu DNA, aquilo que a define e a diferencia de todas as outras.

Para isso, apliquei uma versão simplificada do workshop de identidade corporativa que desenvolvi para empresas (está tudo descrito em detalhes no meu livro “DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica). Ela fez algumas dinâmicas sozinha e eu sabia que haveria distorções, mas era isso ou nada (eu moro em Berlim e ela em Belo Horizonte). Tentei fazer uma análise bem objetiva da essência da marca e consegui traduzir seu DNA em algumas palavras: delicadeza, cuidado, personalização, equilíbrio, leveza, elegância, acolhimento, estética, força, carisma, liberdade e fortalecimento da auto-estima.

O próximo passo foi discutirmos um nome que fosse coerente com esse conjunto de atributos. Viver Bem, o blog que ela mantinha antes, era genérico e vago demais e não tinha nada do especial que traduzia o serviço personalizado do empreendimento; podia ser marca de biscoito ou qualquer outra coisa, além de já estar registrado. Ficamos quase um mês trocando ideias freneticamente até que chegou-se ao Bendita Pele (uma estética que também vende produtos de perfumaria para o corpo e para banho).

Para a materialização desse conceito, ficou definido que as formas deveriam ser orgânicas, amigáveis, delicadas, arredondadas, equilibradas e elegantes. As cores deveriam ser suaves, acolhedoras e calmantes. Decidimos também por utilizar fontes tipográficas manuscritas para destacar o trabalho personalizado da estética, do cuidado um a um. Outra referência era usar uma estética mais retrô, referindo a marca ao tempo em que as pessoas tinham mais tempo para si e a vida era menos corrida.

Até aí eu estava no meu elemento, na minha especialidade, na área em que passei anos estudando. Na época em que fazia consultoria, sempre contava com um designer na equipe para materializar essas ideias na prática; mas dessa vez não teve jeito, tive que assumir a função. A próxima etapa, mais sofrida e demorada para mim, foi gerar as alternativas.

Saiba o final feliz da construção dessa marca na próxima semana. Só posso dizer que os caminhos acabaram sendo bem diferentes do que havíamos imaginado no início.

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Clique aqui para ver a parte 2 dessa história.

Supermercado só no nome

Olha, não sei porque esse lugar se chama Supermarket, pois não se parece nada com um. Talvez a ideia tenha sido reunir ofertas variadas e acessíveis, só que num segmento mais cultural; sei lá.

Esse espaço conceitual (como eles mesmos se descrevem) reúne artistas, designers, arquitetos, fotógrafos, empreendedores e o povo da mídia em exposições muito bacanas. A instalação fica naquele shopping bacana que falei há um tempo (o Bikini Berlin) e é um misto de loja, galeria, lounge, restaurante e café. Aos domingos tem sempre uma banda de jazz tocando enquanto o povo relaxa e se joga num brunch.

Com vista para o zoológico e uma decoração aconchegante, dá vontade de morar nesse pedaço. Dá não?

Vem ver!

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Comece olhando para o teto e repare o capricho <3

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Comidinhas simples e frescas, todas feitas aqui mesmo.

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Jazz in Brunch, todo domingo a partir das 11 h.

7 exemplos de design da contradição

A gente sabe que a marca gráfica deve traduzir a essência da empresa que representa e que, quando isso não for possível, pelo menos que ela não contradiga seu DNA.

Pois, infelizmente, nem todas as empresas confiam essa missão tão importante a um profissional qualificado para o trabalho. Não vou discorrer sobre o processo de criação de uma marca, que é longo, trabalhoso e está longe de ser apenas um desenho.

Dito isso, há marcas mal construídas por diversos motivos; seja por sua qualidade gráfica e de reprodução, seja por falta ou inadequação de um conceito que a sustente.

Mas há erros que são mais básicos que esse: quando o design contradiz justamente o que está escrito. Pode parecer improvável, mas é mais comum do que se imagina. Seja por desatenção, amadorismo ou mesmo falta de uma análise crítica mais aprofundada, muitas empresas representam seu próprio nome de maneira contraditória.

Essa minha coleção de marcas é bem antiga (deve ter mais de 10 anos) e muitas empresas já fecharam ou atualizaram as representações. Mas a análise continua interessante.

Quer ver?

1. Uma marca que se chama êxito deve traduzir sucesso, confere? Mas qual é o símbolo do seu contrário, o erro, o fracasso? Seria um “X” bem grande grafado em vermelho como esse que aparece bem no meio da palavra? Bom, talvez eles considerem essa contradição uma inovação, vai saber…

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 2. O dicionário Aurélio diz que essencial é o indispensável, o necessário, o fundamental. Nenhum dos adereços agregados a essa marca gráfica são essenciais. São, pelo contrário, excessivos e supérfluos, pois não contribuem para comunicação do conceito. E o que dizer de uma marca de moda branca grafada em preto e laranja?

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 3. Uma empresa chamada estática deve ter um símbolo gráfico, digamos assim, estático. Concorda? Mas você consegue imaginar algo mais dinâmico do que essa tríade giratória? Para mim, o movimento chega a ser hipnótico…

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 4. Agora pense nessa empresa, a Rode Bem. Para rodar bem, é preciso que os pneus estejam em perfeito estado de conservação, com a banda de rodagem intacta e bem soldada na estrutura. Mas, peraí…é impressão minha ou essa banda de rodagem está descolando da roda?

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 5. Pense no conceito de completo: algo que está inteiro, sem nenhuma parte faltando. Exatamente como as letras dessa marca….ooops!

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 6. Inovação, você sabe, é uma coisa nova, que ainda não foi inventada, tipo assim… esquadro? Compasso? Ainda preciso dizer que o arquivo era um gif animado que não consegui reproduzir.

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7.  Essa última não é uma contradição propriamente dita, além do que, o design está mais bem feito que os demais. Mas penso que uma empresa que quer progredir e ir para a frente, não pode ter como símbolo um avião voando para trás, voltando. Sim, entendi que o avião forma o “E”, inicial da empresa. Mas a mim incomoda um pouco. Só uma opinião, claro.

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Para finalizar, só queria deixar claro que o que está sendo analisado não é a qualidade do projeto ou a competência do designer, mas a contradição entre o que está escrito e o como está escrito.

Pense nisso.

A reinvenção do shopping center

Os berlinenses (e ouso dizer, os europeus, de maneira geral) não curtem muito passar horas em shopping centers. Diria até que detestam. O comércio de rua aqui é rei e, além disso, o consumismo não é tão desenfreado. Passear num shopping num dia de folga é considerada uma ideia bem bizarra por aqui, aliás. Qualquer berlinense preferirá ir a um museu, exposição,  ficar à toa na vida num parque ou ocupando a mesa de um café qualquer.

Por isso, os shopping aqui são pequenos (se comparados com os brasileiros), nada espetaculosos e prioritariamente frequentados por turistas.

Digo isso porque há alguns meses foi inaugurado o maior shopping de Berlim, que, para um brasileiro, é apenas mais do mesmo que a gente já está acostumado a ver: muito mármore, muito vidro, muito dourado, muito luxo, muitas lojas de marca…zzzzzz  O empreiteiro pediu falência ao término da obra, que teve vários atrasos, e o povo até fica fazendo piada com isso (o tal schadenfreude, palavra alemã que significa se alegrar com a desgraça alheia).

Mas no começo do ano passado teve um projeto bem ousado com o objetivo de mudar o conceito de shopping center: o Bikini Berlin, bem onde era o antigo centro do lado ocidental da cidade. Aí sim, conseguiram fazer um empreendimento com a cara e o conceito da cidade.

O Bikini Berlin, olhando de fora, parece mais um centro comercial (de fato, a construção não é muito grande, e a ideia não é essa mesmo). Todo o estilo da decoração é baseado em pallets e é bem minimalista: não tem dourado, não tem mármore, não tem gesso, não tem luxo (ufa!).

Na verdade, esse prédio é uma releitura do antigo Bikinihaus, que ficava no mesmo lugar, construído no auge da invenção do biquíni, nos anos 50. A edificação ganhou esse nome porque era arquitetonicamente dividida em duas partes, como a famosa roupa de banho tão em voga na época, veja que interessante.

O shopping fica coladinho ao Zoologische Garten (visitei o zoo durante a construção e foi bem difícil para os bichos, coitados, que sofreram demais com o barulho e a sujeira da obra) e tem vista para a ilha dos macacos balbuínos (aqueles com a bunda vermelha).

A maior parte das lojas do vão central é do tipo pop-up (ou seja, são temporárias) e montadas sobre estruturas de madeira e arame. Mesmo as lojas fixas são bem despojadas, com piso de cimento queimado e com o máximo de coisas feitas à mão (incluindo cartazes com o nome dos estilistas das lojas de fashion design).

A parte que mais gosto é um pano de vidro que dá diretamente para o zoológico; a moldura da janela tem almofadas espalhadas para a pessoa passar o dia inteiro lá meditando, se quiser. A parte externa tem um pátio também com vista para o zoo onde os cafés colocam mesinhas e sofás com design bem original. Além de cafés e lojas, o complexo de 7000 m² tem um cinema de rua, restaurantes, escritórios, uma escola de design, ateliers e um hotel (um dos mais bacanas que já vi, por sinal, totalmente dentro do conceito). Aliás, sobre os cafés vou falar depois; eles merecem um post só para eles…

Enfim, é tudo muito diferente do que a gente está acostumado a ver num shopping. Pelo que li, o lugar ganhou o coração dos berlinenses, mas não o bolso (parece que o retorno financeiro ficou um pouco aquém do esperado).

Para quem precisa alimentar os olhos todo dia com coisas bacanas e os neurônios com ideias novas, recomendo demais!

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Até a fachada é diferente dos outros shoppings, já que a construção não é um bloco, mas vários prédios interligados.

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Pano de vidro com vista para o zoológico; sim é possível ter paz dentro de um shopping.

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Os cartazes na frente dos cabides indicam os nomes dos estilistas.

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Em busca do cool

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Com certeza você já ouviu esse termo por aí: coolhunter. Mas você sabe o que significa, de onde veio essa palavra, para que ela serve?

Pois a queridíssima e muito competente Fah Maioli, expert no assunto, teve a delicadeza de escrever um livro explicando todos os pormenores, o Manual do Coolhunting: métodos e práticas.

Essa gaúcha que trabalha como trend analyst há 16 anos em Milão, conta que  o primeiro a usar a palavra foi Malcom Gladwell, num artigo escrito em 1997 para o periódico New Yorker. Revela ainda que antes do coolhunter, a palavra que mais se aproximava dessa prática era o flaneur, aquela pessoa que adora passar o tempo caminhando pelas ruas para contemplar cada detalhe da cidade: as coisas, as pessoas, os cenários, os personagens, a música, os cheiros (ah, como me identifico!).

Mas a partir daí, quando o coolhunter foi integrado ao sistema da moda, a coisa ficou muito mais complicada e sofisticada, pois há toda uma estrutura complexa por trás das coisas que consumimos, desde a forma como são identificadas e/ou definidas tendências, a observação do estilo de vida das pessoas até a valorização dos formadores de opinião; enfim. A Fah tem toda a paciência de destrinchar cada termo e cada papel, de explicar a influência de cada comportamento, além de contar um pouco da história da moda do ponto de vista antropológico e de cultura do consumo.

Então, para resumir bem, o coolhunter é a pessoa que caça hábitos, estilos de vida e tendências de consumo cool (bacanas, legais, com potencial para ser desejados e copiados, que possam impactar o mercado), incluindo aí moda, gastronomia, arte, música, design, arquitetura, literatura, cinema, etc. Ele é um intermediário de cultura que faz a ponte entre aos centros de produção cultural e as empresas de produção de bens de consumo.

E a Fah lembra que coolhunter não é uma profissão, mas um conjunto de atividades profissionais. Fiz um desenho para compreender melhor, mas não sei se está certinho (posso ter entendido errado, corrija aí alguma falha, amiga!) que mostra os diferentes papeis que o coolhunter pode assumir e as conexões entre eles.

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Se você é interessado em entender o espírito do tempo (Zeitgeist), não pode perder de jeito nenhum. Recomendo fortemente!

Aqui tem para vender.

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Se quiser saber mais sobre o tema, resenhei outros dois livros também interessantes: “Observatório de sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências”, de Dario Caldas e “Cool Hunter“, de Scott Westerfeld

 

Uma vitrine como você nunca viu

Olha só que interessante a ação dessa loja da Sisley; a marca francesa tem uma loja sem muito destaque na região central de Berlin e resolveu chamar atenção de uma maneira discreta (sim, isso é possível, veja!).

Eles colocaram um caminhão-vitrine estacionado bem na frente da fachada. Nunca tinha visto uma vitrine tão bacanuda, principalmente dentro de um veículo de carga. Pelo capricho e os acabamentos, a adaptação não deve ter ficado barata, mas ficou linda!

Adorei, e você?

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Alongando madeixas de gente feia

Semana passada estive em Hamburgo (infelizmente, apenas por algumas horas), mas deu tempo de achar coisas curiosas naquela cidade linda.

Pense: quando um cabeleireiro faz propaganda de alongamento de fios, geralmente usa aquelas modelos maravilhosas, com aquele cabelón de propaganda de shampoo para divulgar seu trabalho, não é?

Pois o Jörn Friseur não pensa assim: ele usou fotos de pessoas que não são exatamente modelos  de beleza, ainda mais fazendo caretas. Não são feios, mas rostos interessantes e curiosos que ninguém pensaria em usar para fazer propaganda de produtos de beleza. De fato, chama bastante atenção quando a gente passa pelo lado de fora do salão.

Só fiquei com pena porque pensei que tudo fizesse parte de uma estratégia de marketing bem pensada, mas não. Só uma ação para “ficar diferente” mesmo, ao que tudo indica, uma vez que não achei nada sobre a tal campanha e o site só tem uma página de propaganda que deve ter sido feita por um sobrinho quando tinha 12 anos (já deve estar aposentado e em outra profissão…rsrsrs).

Mesmo o trabalho tendo sido feito pela metade, achei bem interessante. E você?

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Shopping de ideias

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Uma das coisas que mais gostava quando fazia software para robôs era estudar os processos de fabricação. Em cada projeto tinha que aprender coisas diferentes, compreender como os objetos eram construídos. Ajudei a automatizar máquinas para produzir bandas de rodagem para pneus de avião, cortadores de vidros para automóveis, prensas, alimentadores de tornos de comando numérico, perfuradoras de perfis de alumínio, aplicadores de cola em tubos de imagem; enfim, um mundo inteiro de descobertas e surpresas. Achei que nunca mais iria ter um trabalho tão desafiador. Ledo engano.

Como palestrante, a história se repete de um jeito diferente, mas não menos interessante. Novamente preciso estudar cada cliente e entender de que maneira as coisas que aprendi podem contribuir para melhorar seus processos e a atitude dos seus colaboradores.

Uma das palestras que fiz essa semana foi para lojistas de um shopping; conversamos sobre como as empresas e as pessoas precisam se adaptar às mudanças que vêm acontecendo e sobre como é possível fazer da interação com os clientes uma experiência memorável.

Foi na fase de preparação que me dei conta das diferenças enormes que existem entre um shopping no Brasil e num shopping em Berlim (talvez a análise possa se estender pela Europa, mas não me atrevo a generalizar).

Os shoppings, na cidade onde moro, são apenas centros de compras. Não são tão luxuosos, nem tão grandes, nem tão atraentes. As pessoas claramente preferem adquirir coisas em lojas de rua, mesmo no inverno rigoroso. No verão, os parques e lagos são o principal local de lazer; também se vai a museus, shows ao ar livre e uma mesinha na calçada de um café é uma alternativa de valor. Não passa pela cabeça de ninguém entrar num shopping apenas para perambular pelos corredores (nem mesmo para ir ao cinema, já que boa parte deles sequer conta com esse item). A impressão que tenho é que a maioria dos frequentadores é turista.

No Brasil, ao contrário, os shoppings têm um papel importantíssimo nas cidades. Não raro é a principal fonte de lazer e um local seguro para encontrar amigos, mesmo numa ilha cheia de praias, como Florianópolis, num dia lindo de verão.

Antes da minha fala, a equipe de marketing fez uma apresentação para prestar contas e descobri que uma das métricas de sucesso do empreendimento é o número de vagas ocupadas no estacionamento, o que me deixou um pouco chocada (não tenho certeza se todos os shoppings em Berlin contam com essa conveniência).

Se por um lado essa análise é um pouco assustadora, por outro é uma oportunidade enorme para os empreendedores, uma vez que evidentemente é muito mais difícil e desafiador ser lojista em Berlim. Os shoppings brasileiros possuem uma influência enorme na vida das pessoas, são um espaço importantíssimo de relacionamento; então por que não fazer dessa situação privilegiada uma oportunidade de fazer a vida na cidade melhor?

Claro que não vou discutir aqui a necessidade do governo em criar e administrar adequadamente espaços públicos de lazer; esse é um tema para longas e calorosas discussões. A questão da inclusão social é igualmente complexa e não é meu objetivo discuti-la aqui. Fui contratada para compartilhar minhas experiências com lojistas; então vou focar nesse ponto onde tenho acesso.

Shopping Centers são um modelo comercial em decadência no país onde nasceram, os Estados Unidos. Desde 2006 não são construídos lá esses centros comerciais fechados tão em voga em terras tupiniquins; na terra do tio Sam, inclusive, o abandono e fechamento desses prédios tem sido rotina, tanto devido à crise, como por excesso de oferta e aumento do e-commerce.

No Brasil, há que se prestar atenção nessa tendência para não reproduzir o modelo (e o desastre) americano.

Penso que cada vez mais a solução se desenha na direção da transformação desses espaços em centros de lazer e entretenimento onde as pessoas possam trocar a interação das redes sociais por calor humano real. Mais do que isso, os administradores e lojistas ganham muito em conhecer e aplicar os conceitos do marketing 3.0 (saiba mais aqui).

Espaços tão importantes devem assumir seu protagonismo com projetos que façam a cidade, o bairro, a rua, lugares melhores para se viver. Grafite, arte de rua, exposições, palestras, shows, cursos, debates, programas de incentivo e formação profissional, eventos esportivos, culturais e literários, enfim, projetos que tragam valor real para a comunidade e desenvolvam um vínculo emocional com o empreendimento são algumas ideias a ser exploradas. Ousaria dizer que um trabalho focado em design de serviços pode trazer resultados bem surpreendentes também.

Iniciativas que contribuam para desenvolvimento das pessoas e não sejam unicamente focadas no consumo podem não apenas beneficiar a comunidade; podem ser o único caminho para a salvação desse modelo de negócio.

Esse nem parece banco. Mesmo.

Uma das palestras sobre inovação e design thinking que vou ministrar no Brasil nessa semana e na outra é para um banco. Como as apresentações são sempre personalizadas para cada cliente, fui pesquisar cases de inovação em bancos, claro.

Lembrava de ter lido algo sobre um banco alemão, mas há muito, muito tempo mesmo, quando comecei a me interessar por design thinking.  Pois fui pesquisar mais e a agência mais vanguardista e referência em inovação é do Deutsche Bank. E tem mais: fica apenas a duas estações de metrô da minha casa. E tem mais ainda: abre aos sábados!

Peguei minha bike e fui lá correndo conferir in loco, claro. Fica no Quartier 110 da Friedrich Straße (Q110 é o nome da agência) e já existe com essa cara futurista há 9 anos, segundo a funcionária que me atendeu e me mostrou tudo por lá.

A ideia é colocar em apenas uma agência todas as tendências e inovações para serviços bancários; aí, aos poucos, eles vão implementando uma ideia numa agência, outro módulo em outra, até que tudo vá sendo testado e aprimorado aos poucos. A moça me explicou que hoje todo mundo resolve tudo pela internet, não precisa ir à agência. Quando vai, é porque quer resolver alguma questão importante. Para isso, é necessário falar com uma pessoa, e mais, ser tratada como gente de verdade, não um número.

Eis então que a Q110 tem um café bem bacaninha, com livros e tudo. Tem uma sala de recreação infantil para deixar as crianças enquanto os pais se reúnem para falar de investimentos e aplicações. Tem uma loja que vende produtos de design, que eles chamam de trendshop. Tem várias salas de reuniões com estilos diferentes para ser atendido com privacidade. Tem uma esteira biométrica para incentivar a saúde e o bem-estar dos clientes (eles projetam um cenário de uma floresta na parede da frente para simular um passeio pela natureza que achei um pouco conceitual demais; mas não duvido que alguém vá lá para correr na esteira, não duvido de nada nessa cidade). Tem um coração gigante em fibra de vidro (dá para entrar nele) para explicar a importância dos exercícios na qualidade de vida. Tem uma mesa de ping-pong para quem quiser jogar. Tem até pratinhos com comida e água para quem vai com o cachorro (aqui eles entram e são bem-vindos na maioria dos lugares).

Tem também balcões com terminais de atendimento, mas não aqueles com vidros e uma distância enorme entre o caixa e o cliente; são apenas mesas altas para abrigar o terminal. A ideia é aproximar cada vez mais as pessoas.

Outra inovação é o horário de atendimento: diariamente das 10 às 18 h, inclusive aos sábados!

Bem, o que observei é que falta unidade visual ao ambiente; parece um amontoado de ideias colocadas num lugar só (e no final, é isso mesmo, até que faz sentido). Talvez o fato da agência já ter nove anos com esse formato indique a necessidade de uma atualização, tanto que eles se uniram ao blog de tendências designboom para fazer um concurso de ideias.

Como você imagina o banco do futuro? Vale propor gadgets, aplicativos, softwares, ambientes, enfim, o que mais passar pela sua criativa cabeça. As inscrições são até dia 15 de agosto e as informações estão todas nesse link.

Agora umas fotos da agência do futuro para se inspirar…

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Vista geral da agência.

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Bom lugar para ler um livro ou jornal.

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Lugar para os pequenos ficarem enquanto os pais são atendidos.

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Dá para se reunir com seu gerente tomando um café expresso. E atenção, isso não é uma agência personalité, top class, estilo ou uma dessas só para ricos…

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Balcões de atendimento.

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Café dos gatos

É moda no mundo inteiro, mas nunca tinha entrado em um desses cafés onde os gatos também são funcionários do estabelecimento.

Fiquei sabendo da existência desse por conta de uma maneira típica de fazer propaganda em Berlin: uma bicicleta estacionada na rua, olha que fofa.

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A ideia é a seguinte: a pessoa constrói um café comum, bem caprichado e com coisas gostosas, mas com uma decoração temática. O Pee Pees é cheio de arranhadores e lugares para os fofos brincarem, além das estampas, tapetes, tudo de gatinhos. Os anfitriões lá são o Caruso e o Pelle, adotados de um lar de animais abandonados e fazem o trabalho direitinho. O café tem vários lugares onde eles podem se esconder, se quiserem, mas os moços curtem interagir com os clientes.

O lugar tem um monte de regras que garantem o conforto dos fofinhos: não se pode alimentá-los, não é permitido tirar fotos com flash, não pode perturbar o sono quando eles estiverem dormindo, não pode puxar o rabo, não pode fumar, entre outras coisas. Isso já garante uma pré-seleção importante: só frequenta o lugar quem ama e respeita bichos. Crianças têm que ser acompanhadas de adultos que se responsabilizem pelo comportamento delas. Enfim, os bichanos não estão lá para servir de brinquedo, mas para ser amados.

Quando a gente chegou, o Caruso estava dormindo, mas logo se animou e até subiu na nossa mesa para inspecionar se a comida estava boa (sim, estava ótima!). O Pelle se encantou com uma senhora na mesa vizinha e chegou a passear pelos ombros da dama. Mais fofos, impossível.

A porta de vidro fica sempre fechada e tem também uma cerca de madeira para dificultar fugas; o que facilita é que não é um café muito grande, mas um lugarzinho charmoso que mais parece a sala de uma casa. A presença dos gatinhos facilita o posicionamento da marca; sem eles, esse seria um café como outro qualquer no meio de uma cidade cheia deles, que a gente jamais teria conhecido.

Taí uma ótima ideia para os protetores e animais no Brasil; fazer um lugar onde as pessoas possam conviver com os bichos sem estressá-los e ainda ganhar dinheiro com isso, o que é bom para todo mundo. O Pee Pees também vende produtos e tem um painel para os peludinhos que precisam de um lar.

Pra que mais?

Olha que lagartinho mais charmoso...

Olha que lugarzinho mais charmoso…

 

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Estampas fofas estão por todo lugar :)

 

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Olha que delícia!

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Visão não é selfie!

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Selfies, como se sabe, são aquelas fotos que as pessoas tiram delas mesmas e compartilham nas redes sociais. O objetivo de um selfie é se exibir, mais nada. Mostrar aos outros que a pessoa está num lugar bacana, numa situação desejada, num dia de cabelo bom ou se sentindo bonita. O foco não é o outro, mas o adorado umbigo, a manutenção da própria auto-estima. Em princípio, não há mal nenhum nisso; é natural do ser humano querer ser amado, querido e desejado.

O problema é quando isso acontece com empresas que pregam a preocupação com o cliente, com as pessoas, com o social, com o mundo, com o planeta, e acabam perdendo a coerência pela vaidade de um selfie.

Acompanhe.

Nos objetivos estratégicos, a empresa diz que sua missão é cuidar, respeitar e entregar valor para seus clientes e colaboradores, além da sociedade em geral. Com variações não tão amplas, é o que mais se vê por aí.

Só que a prática não bate, e é fácil perceber por que. É que no objetivo seguinte, a visão, a frase começa com: “ser referência em….” ou “ser líder em….” ou ainda “aumentar a participação no mercado x e y…”. E o pior: divulgam isso em quadrinhos espalhados por toda a empresa e no site, para os clientes admirarem.

Vamos relembrar os conceitos dos objetivos estratégicos para descobrir onde está o problema.

A missão deve descrever o motivo pelo qual a empresa existe (e não é só ganhar dinheiro, senão ela poderia ser uma organização de tráfico de drogas muito lucrativa, por exemplo). Dinheiro é a geração de riqueza, o resultado e a recompensa pelo valor que a empresa entrega à sociedade. Então, a missão é o que a empresa oferece de valor, e para quem. Para que a empresa existe, seu propósito, a razão de sua existência.

Os valores e princípios, são os pilares, os limites, o que a empresa considera relevante; o que ela usa como base para a tomada de decisão. A partir daí, a gente pode inferir o que a empresa é capaz de fazer, e o que ela não faz de maneira alguma.

Mas o grande problema que tenho visto é o entendimento do que vem a ser a visão.

A visão é o resultado direto da missão. Se a empresa sabe qual é o seu propósito e o valor que entrega, com certeza é porque consegue enxergar um cenário futuro desejado que reflita o resultado do seu trabalho. Então, se minha missão é educar crianças, minha visão tem que descrever um mundo onde as crianças sejam educadas como resultado de meu trabalho.

A visão é o que a empresa enxerga, a descrição do cenário que ela vê no seu futuro; é o resultado direto do trabalho que ela faz e do impacto que causa no mundo.

Assim, fica fácil entender que a visão descreve um panorama, uma cena externa, o mundo afetado pelo trabalho que a empresa faz. “Ser referência”, “Aumentar vendas”, não são impactos causados pelo valor que a empresa entrega, não são descrição de cenários que traduzam valor para os outros, principalmente para seus clientes.

Eu, como cliente de uma empresa, pouco me importo se ela é referência, se está vendendo mais ou menos. Quero saber do valor que ela entrega para mim e a diferença que faz no mundo. “Ser referência” é ego, espelho; nunca valor. Em última análise, selfie.

É o mesmo que eu, como profissional, começar minha visão com “ser rica e famosa”. Pode até ser um desejo particular da pessoa (de minha parte, quero ser só rica…rsrs), mas jamais deve ser projetada e divulgada como o cenário resultante de minha participação profissional no mercado.

Não é valor para ninguém o fato de eu me tornar rica e/ou famosa, ser referência ou aumentar minha participação no mercado. Isso não interessa para os outros, não é descrição de cenário ideal de um mundo melhor por causa do meu trabalho nem aqui e nem em qualquer outro planeta do sistema solar, garanto.

***

Em tempo: descobri que minha missão é aprender para compartilhar; entregar valor em forma de informação e inspiração.

Minha visão é um mundo com mais pessoas inspiradas, críticas e curiosas; quero trabalhar para ver isso.

Olha, mas se ficar rica com isso, juro não não vou reclamar…rsrsrs

A calçada também faz parte

Uma das coisas que acho mais bacanas em Berlim é o capricho que os comerciantes têm com seus negócios. Nos bares e restaurantes há sempre flores frescas (elas também custam caro por aqui) e o cuidado em cada detalhe vai da louça às cores dos guardanapos.

Mas o inusitado é com as lojas que não servem comida (boutiques, lojas diversas e agências de viagem, por exemplo). Os empreendedores entendem que a calçada faz parte da loja, é a sala de visitas. E a decoração é mesmo de sala de vista, com sofás, almofadas, vasos de flores e tudo o que possa seduzir o passante.

Design de experiências. Eles sabem bem o que é isso…

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Pessoas na porta das lojas: continuação

Quando comecei a fotografar os tipos que são colocados nas portas das lojas para atrair (?) clientes, fiz um post (isso foi há mais de um ano, clique aqui para ver).

Pois não é que de lá para cá minha coleção cresceu mais um pouco?

Deliciemo-nos, então!

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Qual dos dois é mais assustador? Não consegui decidir…

Além de aparentemente ter sido vítima de um atropelamento recente que resultou em escoriações e manchas roxas no braço direito, a modelo ainda está com o curativo na mão esquerda…

Cabeça de arara e revolucionária encalorada. O que será que colocam na água desses lojistas? Também quero….rsrsrs

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Achei elegantíssima essa recepcionista; mesmo sem braços e pernas, a moça continua fashion!

Aprenda como se faz marketing de varejo

Fachada da loja Apple em Berlin.

Fachada da loja Apple em Berlin (Foto: Apple)

A despeito dos hipsters, uso produtos da Apple muito antes de virarem moda; lembro que o primeiro computador da marca que usei ainda se chamava Macintosh e era todo quadradinho, lá nos idos dos anos 90 do século passado. Já passei por vários sistemas operacionais (Unix, Linux, DOS, Windows e alguns específicos de microprocessadores) e para mim ainda não há nada que bata o iOS em termos de segurança, usabilidade e confiabilidade.

Concordo que é exagero e até um certo fanatismo ficar na porta da loja fazendo fila cada vez que a empresa lança um produto novo (geralmente espero o lançamento do seguinte para comprar o anterior com um preço melhor e bugs corrigidos), mas não posso negar que sou uma admiradora de longuíssima data.

Era fã apenas dos produtos, pois, além do site (um clássico, na minha opinião), nunca havia tido contato com lojas físicas. Pois bem, agora tenho a sorte de morar a apenas algumas quadras da Apple Store de Berlin. Ainda não comprei nenhum produto lá (meu telefone, de 2 anos, ainda está ok, e os computadores precisam ser encomendados pelo site, já que os da loja têm teclado alemão), mas frequento o lugar toda semana. É que esse povo realmente sabe como fazer marketing de varejo; cada vez que vou é uma lição a ser aprendida.

Além do atendimento espetacular (o time é enorme, para cada lado que você se vira tem um vendedor que parece muito feliz em lhe ajudar), há também as atividades paralelas: cursos, palestras, consultorias, workshops e até shows.

A loja, inaugurada no final do ano passado, está instalada ao lado de um antigo cinema. Eles restauraram todo o prédio e usam o cinema e as instalações anexas para oferecer cursos gratuitos dos aplicativos, sistema operacional e como tirar o melhor proveito de cada um dos equipamentos. Você quer comprar um iPad e não sabe qual? Eles explicam as diferenças técnicas entre os modelos e indicam o melhor para a sua necessidade de cada pessoa (não recomendam sempre o mais caro; são inteligentes e querem fidelidade). Olha, até penso que se houvesse um suporte assim no Brasil, ia ouvir menos pessoas reclamando que perderam todos os contatos quando o telefone foi roubado ou perdido (maior absurdo do mundo, coisa típica de quem não está usando corretamente o equipamento).

A maioria dos cursos de produtos específicos (softwares e aplicativos) são em alemão, mas quando o workshop é com um convidado (que geralmente não fala alemão), aí é em inglês mesmo. Por exemplo, já assisti uma palestra com o ilustrador espanhol Rafa Alvarez e achei que ia ser pura propaganda do iPad, que ele usa para desenhar. Que nada, o moço contou um caso em que realizou um trabalho numa viagem de avião, elogiou o equipamento e mais nada. O resto foi o portfólio dele mesmo e a promoção do próprio trabalho (nada mais justo, acho que ele não ganha nada para fazer a palestra, é só uma oportunidade de divulgação; todo mundo sai ganhando). Também assisti a uma apresentação do aplicativo para se ouvir concertos da Filarmônica de Berlin (eles chamam de Digital Concert Hall), cujo projeto foi de um músico da própria orquestra. A equipe explicou como o trabalho foi desenvolvido e ainda deu uma palhinha no final. Às vezes a palestra não tem nada a ver com a Apple nem com a loja, mas traz um assunto que pode ser de interesse dos clientes, como inovação, arte, música, design, etc.

E não é só isso: músicos em geral podem fazer pocket shows para promover seus trabalhos no auditório belíssimo (o tal ex-cinema).  Eles também podem vender CDs, claro, mas geralmente têm músicas disponíveis na loja iTunes. Para quem está cadastrado na Apple, resida ou não em Berlin, é tudo de graça (ficou claro por que não saio de lá?).

Será que os comerciantes brasileiros não poderiam aproveitar essa ideia como modo de fidelizar seus clientes e fortalecer a marca? Ações onde todos os envolvidos são beneficiados e a marca mais ainda?

Penso que shoppings poderiam usar as salas de cinema no período da manhã em parceria com as lojas; os bancos sempre têm salas de reunião onde poderiam oferecer cursos de interesse de seus clientes;  floriculturas poderiam usar seu espaço para ensinar como se planta; cafeterias poderiam oferecer palestras sobre barismo; boutiques poderiam falar sobre moda; restaurantes poderiam promover cursos de gastronomia; academias poderiam organizar eventos informativos sobre práticas esportivas e nutrição; enfim, as possibilidades são infinitas! No Brasil, sei apenas do O Boticário e Contem 1g que dão cursos de maquiagem e mais nada.

As lojas de eletrodomésticos, por exemplo, poderiam oferecer uma palestra para quem está interessado em comprar geladeiras (ou TVs, equipamentos de som, etc). Eles poderiam mostrar as diferenças entre os vários modelos e as adequações a cada caso; economizaria um tempão do cliente e a loja ganharia pontos por tomar a iniciativa de facilitar o processo decisório, que, em alguns casos, é bem complexo. Sem falar que haveria mais gente circulando pelo estabelecimento (apesar de ter uma entrada independente, o participante sempre tem que passar por dentro da loja para fazer um curso na Apple).

Em março vou fazer um curso específico de primeiros socorros para gatos domésticos oferecido pela clínica onde nossas princesas são atendidas. Além de praticar o alemão, posso aumentar a rede de contatos com pessoas que compartilham interesses semelhantes e ainda tenho certeza que vou aprender um monte de coisas úteis; tudo isso por apenas € 10. Olhaí uma oportunidade para o mar de pet shops que estão competindo por preço e reclamando da vida.

Tem tanto espaço ocioso e tanta oportunidade de fazer diferença com ideias tão simples! Fica a dica…

Auditório para palestras e shows.

Auditório para palestras e shows da loja Apple em Berlin (Foto: Apple)

Interior da loja.

Interior da loja (Foto: Apple)

Inovação natalina

Papai Noel, pinheirinhos, caixas de presentes? Isso é para os fracos!

Natal é tempo de renas, certo? Se não tiver, podem ser veadinhos, que são meio que parentes. Mas isso ainda não é suficiente para evocar o espírito natalino com originalidade; então o que fazer? Ora, lembrar que natal também tem a ver com anjinhos.

Então é isso: boa colocar asas nos veados (seja lá o que isso signifique) e ilustrar as vitrines da grife Escada.

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Inovação: quando voar não basta

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Essa semana a Amazon surpreendeu o mundo com mais uma inovação: a entrega de encomendas usando drones. Na verdade é só um teste, e a previsão, segundo a BBC, é que o serviço esteja disponível em 5 anos. Para a maioria das pessoas, isso é quase um passeio pelo futuro, mas, para mim, tem um quê de volta ao passado.

É que no início dos anos 90 do século passado comecei a trabalhar no projeto Helix, um robô aéreo que usava como plataforma um helicóptero em tamanho reduzido (cerca 2.5 m de comprimento). Ao contrário do drone da Amazon, que pode carregar até 2.3 kg, o Helix tinha capacidade de levar até 10 kg.

Ele podia transportar qualquer sensor que se desejasse, de um contador Geiger para examinar áreas contaminadas radioativamente, até uma câmera de infra-vermelho para inspeção de isoladores em linhas de transmissão, passando por câmeras de vídeo e boias de resgate. E claro, podia entregar encomendas também…

O formato de helicóptero foi escolhido por ser essa uma aeronave que consegue combinar a capacidade de pairar e a agilidade no deslocamento; só que essas vantagens tornam a pilotagem extremamente complexa, pois tanto é possível deslocar-se longitudinalmente como girar em torno dos três eixos espaciais. A eletrônica que possibilitava a pilotagem do robô contava com uma unidade de referência inercial utilizada somente em mísseis teleguiados (foi bem complicado fazer a aquisição); bússola eletrônica, acelerômetros, giro-inclinômetros digitais e ainda um sistema de receptores de GPS diferencial.

Aos olhos de um leigo, o Helix parecia um aeromodelo. Mas o que diferencia um brinquedo de um robô é justamente a inteligência embarcada (sensores, atuadores e softwares que possibilitam que a máquina possa tomar decisões). Um brinquedo apenas obedece a comandos, sem criticá-los.

O trabalho era o sonho de consumo de qualquer engenheiro; não se passava um dia em que eu não precisasse estudar e aprender sobre aviônica, GPS, sensores, atuadores, programação, sistemas georeferenciados e muita coisa mais. A equipe era enxutíssima (apenas três engenheiros, contando comigo, que era a menos experiente em todas as áreas, e dois técnicos de nível médio). Houve pesquisadores convidados e ao longo do tempo a equipe ganhou mais dois colaboradores. De qualquer maneira, o desafio era gigante. O projeto gerou várias teses, trabalhos de conclusão e dissertações (meu mestrado em automação e controle avaliava protocolos de redes de comunicação intra-veículos simulando-os no helicóptero para reduzir a quantidade de fios embarcada).

O Helix foi um sucesso do ponto de vista tecnológico e apesar das inúmeras dificuldades em desenvolver um projeto desse porte no Brasil (e ainda por cima em Florianópolis), o reconhecimento internacional aconteceu: publicamos artigos em congressos de aeronaves não-tripuladas ao lado de equipes da Nasa e Agência Europeia; fomos convidados pelo governo da Suécia para compartilhar a experiência com pesquisadores do mundo todo, entre muitos outros eventos.

O projeto contava com uma estação de terra (um furgão equipado com uma base computacional para a telemetria) e a aeronave propriamente dita. Foram mais de 400 horas de voo bem sucedidas e documentadas.

Por que estou compartilhando isso tudo? Por que foi com o Helix que aprendi que competência técnica é condição necessária, mas não suficiente para uma inovação acontecer.

O Helix foi um sonho de um empreendedor visionário, que em vez de investir os lucros de outra empresa de tecnologia bem sucedida em um apartamento em Miami, resolveu angariar gente competente e assumir o desafio de fazer inovação no Brasil. Foram 10 anos onde bancou praticamente sozinho todos os investimentos necessários com economias pessoais; ele assumiu todo o risco. E perdeu.

Mas é a vida, isso faz parte do processo de inovação.

Essa experiência me marcou muito; foi ela que me levou a tentar descobrir o que deu errado; foi pelo Helix que depois fui estudar marketing e cheguei a um doutorado em gestão do design. É por causa dele que o assunto inovação me fascina tanto.

O Helix foi um protótipo muito bem sucedido que não conseguiu se transformar em produto de escala. As razões foram inúmeras, mas, analisando a uma distância que só o tempo permite, dá para ver que faltava uma abordagem de mercado mais comercial. De qualquer maneira, o fator mais preponderante pode ser resumido numa frase: o mundo não estava pronto para ele.

Lembrando do ótimo “De onde vêm as boas ideias” do Steve Johnson, onde são descritos os padrões ambientais necessários para uma inovação acontecer, dá para reconhecer rapidamente o que ele chama de adjacente possível, ou seja, o que é viável se fazer com as condições que se dispõe no momento em que o projeto está sendo desenvolvido.

Existem vários “Helix” na história que podem ilustrar bem a ideia. Por exemplo, o Youtube não poderia ter sido criado 10 anos antes, pois a web não tinha largura de banda para vídeos nessa escala; o relógio mecânico foi inventado na China em 725 DC mas ninguém pensou em uma utilidade para ele até que alguns séculos mais tarde o mundo ocidental o “reinventasse”. Se Mark Zuckerberg, o pai do Facebook, tivesse nascido no Brasil e estudado numa escola pública, dificimente teríamos uma rede social com esse alcance.

A conclusão que se tira é que é preciso ter a ideia certa, mas também ter gente competente para desenvolvê-la, estar geograficamente no lugar adequado e ainda sincronizar o momento da história mais propício.

Em síntese, para inovar, não basta voar. É preciso também que que o universo conspire a favor.

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A prova que o nosso menino voava mesmo.

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O furgão com a estação de terra.

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A sala de desenvolvimento com dois dos protótipos.

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Mais um dos muitos voos.

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O painel de controle e monitoramento da estação de terra (todo baseado em Unix).

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Aguardemos o desdobramento do drone da Amazon (vou adorar mais do que todo mundo receber meus livros assim, podem acreditar!).

Para quem entende “inglish”

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Esse texto é de 2005, mas achei por bem ressuscitá-lo depois da mancada gigante das lojas Marisa que colocaram uma camiseta para vender com os dizeres “great rapers tonight”, que em tradução literal significa “grandes estupradores hoje à noite”; especula-se que houve um erro de grafia e onde se lê “rapers“(estupradores) deveria se ler “rappers” (cantores de rap)…

Deve ter vendido um monte sem que ninguém percebesse (o deslize foi notado quando a peça foi anunciada no site da empresa), a julgar pelas coisas que já observava naquele tempo.

Veja se não é…

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Dia desses estava caminhando na rua, quando cruzo com um sujeito um pouco acima do peso. Normal, não foi isso que me chamou atenção. É que ele usava uma camiseta onde se lia algo parecido como “Eu sou gordo, posso emagrecer. E você, que é feio?”. Gente! Que coisa mais agressiva e grosseira! E o passante até parecia bem simpático, totalmente desconectado com a mensagem malcriada. Será que ele achava que realmente todas as pessoas que cruzavam com ele (e liam a frase) eram feias, daquele tipo que não tem remédio? Duvido. Nem todo mundo se dá conta do poder da palavra que uma simples regata carrega.

A roupa é uma baita ferramenta de comunicação, e já faz tempo. Camisetas com frases transformam seus usuários em outdoors ambulantes, cumprindo mais ou menos o mesmo papel que o monte de adesivos colados nos carros. Só pela camiseta (ou pelo carro), você pode descobrir um monte de coisas a respeito da pessoa. Se ela é religiosa (nunca entendi direito aquela frase “Deus é fiel” e nem a sua utilidade), se é bem-humorada, se é consumista, se torce para algum time, se é fã de alguém, se tem filhos pequenos (“Cuidado, Gleydyson a bordo!”), se trabalha com marketing multinível  (“Quer emagrecer? Pergunte-me como”).

Observe aquele povo que anda com camisetas e/ou adesivos de vários países e lugares. O que querem dizer? Acho que são cidadãos que querem informar aos transeuntes distraídos que eles já viajaram, que são descolados, estiveram “no estrangeiro” e lembraram de você, que não foi, mas precisa ficar sabendo do evento.

Tem também a turma das grifes famosas: do tal “Hard Rock Café”, ao “Planet Hollywood”, até Ambercrombie e Diesel. Já vi até uma regatinha com “Armani” em letras garrafais levando o totó para passear. A mensagem aqui também é clara: eu sou fashion, eu posso comprar roupas de grife, você não. Mesmo que boa parte das etiquetas sejam, como se diz, réplicas…

Mas o mais interessante mesmo são aquelas camisetas escritas em inglês, idioma nem sempre dominado por quem as veste (pelo menos é o que se presume). Já vi uma patricinha, muito linda, saindo do metrô em São Paulo com os seguintes dizeres estampados em letras garrafais na sua baby look: “Put some fun between my legs1. Ou ela andou faltando às aulas, ou tem um senso de humor muito particular, para não dizer, perigoso…

Também já me deparei com uma senhora francamente obesa, caminhando com muita dificuldade, metida numa camiseta extra-grande toda estilosa com os dizeres “Designed for best performance2.

E o que dizer da madame toda em branco e ouro, com a seguinte mensagem impressa em cristais Swarovski “I accept Visa3?

E meninas adolescentes, ou mesmo pré-adolescentes vestindo roupinhas estampadas “Sexy machine4? Será que elas se dão conta do significado dessas frases?

Quem já não deu uma risadinha ao se deparar com um modelo do tipo “Seu namorado não faz direito? Eu faço…”, ou “É chato ser bonito… mas mais chato ainda é ser feio…”, “Eu acredito em papai Noel”, “Por favor, não me fotografe”, “Cada um, cada um”, “Brasil, o jeito é formatar”, além das clássicas Superman e Che Guevara, que atire a primeira T-shirt.

E a galera está tão empolgada que as frases já andam freqüentando até calcinhas e cuecas, sem falar em pijamas e camisolas. E as mensagens são claramente direcionadas para um nicho de mercado muito especial, a julgar pelos veículos escolhidos na divulgação…

Pois é. Camisetas são realmente legais, divertidas e democráticas. Servem para mostrar ao mundo o que você pensa, a qual tribo você pertence, quais são as suas opiniões e visão do mundo. Mas antes de vesti-las, convém dar uma lida na mensagem, para saber se ela é compatível com a sua identidade, e, principalmenter, se externar suas opiniões por meio de camisetas e adesivos combina com sua maneira de ser.

Pelo que eu tenho visto, salvo exceções, até que a maioria é bem coerente com as atitudes da pessoa que a está vestindo.

Para o bem e para o mal…rsrsrsrs

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1Tradução livre: “Ponha alguma diversão entre as minhas pernas”

2Tradução livre: “Projetada para o melhor desempenho”

3Tradução livre: “Aceito Visa”

4Tradução livre: “Máquina sexy”

 

Combinações inusitadas

Às vezes é interessante para a empresa expandir seus negócios para áreas afins, com o mesmo público de interesse. Pode-se fazer uma extensão de marca ou apenas oferecer produtos/serviços complementares de um parceiro. Enfim, há muitas possibilidades e quase sempre há uma estratégia bem bolada para ampliar a participação no mercado.

Eu disse quase…

Ou, pelo menos não consegui captar a estratégia dessas aí. Tenta você, vai…

1) Aparentemente, o proprietário dessa empresa de táxis queria ser artista. Pelos quadros que vi lá dentro, o talento não dava para pagar as contas, então resolveu abrir um misto de galeria e ponto de táxi. A estética é complicada (inclusive, tudo leva a crer que ele mesmo deve ter feito a marca), mas curti muito a ousadia.

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2) Por algum motivo, essa loja especializada em gravatas entendeu que seus clientes também são apreciadores de chás especiais e as respectivas louças. Eis que juntaram as duas coisas e parece que está dando certo…

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3) Esse último não é propriamente uma combinação; é um escritório de marketing e vendas (mas não consegui entender de quê). Fiquei mais confusa ainda com o ET pendurado na porta e esses sorrisos falhados na vitrine, fazendo companhia para um sorridente mestre Yoda barrigudinho.

Será que eles vendem enigmas?

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