Arquivo de ‘tecnologia’

1 mai

Uma das coisas que me fizeram escolher o curso de engenharia foi que sempre gostei de entender como as coisas funcionavam (ainda adoro!). E, como dizia Einstein, uma explicação não está clara o suficiente enquanto uma garçonete não puder entendê-la (sem preconceito, mas é que garçonetes não costumam ter formação em ciências; algumas até tem).

Então resolvi tirar da gaveta um projeto de mais de 20 anos: um livro que explica de um jeito bem fácil e divertido como funciona o sistema de posicionamento por satélites, o GPS. São coisas tão fantásticas que não entendo como não ensinam isso na escola, é muito bacana.

Ficaram curiosos? O livro só existe em versão eBook e as 20 primeiras páginas em PDF podem ser baixadas de graça clicando aqui.

Vai , tenho certeza que você vai curtir, mesmo que não seja muito fã de tecnologia.

27 dez

Estou gerando mais um livro; vai ser minha primeira cria a ser distribuída exclusivamente em formato digital e vai ter mais ilustrações que todos os outros juntos. O título ainda não está definido, mas vai ser algo como “Coisas que você queria saber sobre GPS e não tinha para quem perguntar“.

Na verdade, o embrião estava incubado há mais de 20 anos, quando trabalhei como engenheira no projeto de um robô aéreo. Encontrei o boneco do livro (em papel) e achei o conteúdo tão bacana que resolvi reescrevê-lo com atualizações e refazer as ilustrações.

A ideia é que absolutamente qualquer pessoa, incluindo aquelas que odeiam matemática e física, consigam compreender como funciona um receptor de GPS (além de finalmente entender o que são as coordenadas de latitude, longitude, altitude e outros termos relacionados a navegação).

Está dando um trabalhão monstro, pois quase todas as páginas têm desenhos. Esse aqui ilustra a situação onde explico que, antes do GPS, os navegadores tinham que sempre andar ao longo da mesma latitude para não se perder; isso fazia com que existissem verdadeiras “rodovias” no oceano, lugares por onde todo mundo passava por uma questão de segurança. O lado ruim é que os piratas aproveitavam o movimento para fazer a festa; mais ou menos como hoje…

Já dá para ter uma ideia da brincadeira; mais um mês e acho que consigo terminar.

Ah, e se alguém tiver alguma curiosidade e quiser fazer perguntas para serem incluídas no livro, é só usar o campo de comentários; vou adorar!

10 mai

Fotografia: Anthony Redpath

Na semana passada(*) o mundo ficou conhecendo os ganhadores do Prêmio Nobel, que, de acordo com o testamento de Alfred Nobel, determina a premiação das descobertas que mais beneficiaram a humanidade. O prêmio é disputadíssimo e o sonho de consumo declarado de boa parte de gente que dedica a vida à pesquisa científica, à literatura e à política.

Mas o que muita gente não sabe é que nessa época são laureados também os ganhadores do IG Nobel, um trocadilho bem-humorado do prêmio com a palavra ignóbil, ou infame. O IG Nobel é organizado pela Universidade de Harvard desde 1991. Os trabalhos são analisados por uma comissão multidisciplinar que inclui atletas, autoridades políticas e científicas, e vários ganhadores do Prêmio Nobel original.

O objetivo é celebrar o incomum, honrar a imaginação e despertar o interesse das pessoas pela ciência, medicina e tecnologia, tudo com muito bom-humor. Nesses tempos de culto à inovação, nada mais bem-vindo.

A cerimônia acontece em Harvard para uma exclusiva audiência de 1.200 pessoas e a platéia tem o tradicional hábito de jogar aviõezinhos de papel no palco durante o evento. Assim, laureados com o Nobel (sim, aqueles sisudos cientistas ganhadores dos prêmios de física, química e economia, entre outros) varrem (sim, com vassouras mesmo) os aviõezinhos no palco. Eles se protegem com chapéus chineses para não serem atingidos pelos petardos e passam a cerimônia inteira varrendo. Às vezes interrompem a labuta para entregar algum prêmio, pois todos os IG Nobel são entregues por Nobels autênticos.

A idéia é contemplar pesquisas e patentes improváveis. Os premiados de cada ano têm os seus artigos publicados em um livro com uma linguagem mais acessível. Veja alguns exemplos de ganhadores:

Neste ano, Gregg Miller, de Missouri, ganhou o prêmio de medicina por ter inventado e patenteado uma prótese artificial de testículos para animais de estimação castrados. A prótese é vendida em vários tamanhos nas versões Original (rígida), Natural (macia) e Ultra-plus (super-macia).

Pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, levaram o prêmio por submeter gafanhotos a trechos escolhidos do filme Guerra nas Estrelas e monitorar a sua atividade cerebral. O trabalho foi publicado no respeitado Journal of Neurophysiology em 1992.

Na área de economia, Gauri Nanda, do celebrado Massachusetts Institute of Technology defendeu o uso de sua invenção, o despertador que toca e se esconde repetidamente, como fator para o aumento da produtividade de trabalhadores.

A Universidade de Minnesota levou o prêmio de química com o inusitado trabalho investigativo concebido para responder à seguinte pergunta: as pessoas nadam mais rápido na água ou no xarope?

Em biologia, uma equipe de estudiosos de várias universidades espalhadas pelo mundo se uniu para pesquisar os odores das secreções expelidas por 131 espécies de sapos quando submetidos a situações de stress.

O destaque para a área de dinâmica dos fluidos foi para o trabalho desenvolvido por pesquisadores alemães, finlandeses e húngaros, que estudaram a pressão produzida por um pingüim quando ele produz flatulências e defeca. Os gráficos e cálculos são impressionantes!

Dois trabalhos fantásticos premiados na categoria medicina em anos anteriores: uma equipe da Universidade de Detroit se concentrou em analisar o efeito da música country em suicidas e a University College of London mostrou evidências científicas que os motoristas de táxi londrinos possuem o cérebro mais desenvolvido que a média dos moradores de Londres. Essa prestigiosa universidade contribuiu também com o incrível estudo sobre a assimetira escrotal de homens em esculturas antigas.

Ainda em medicina, merece destaque o trabalho de Peter Barss da McGill University que analisou os danos causados nas pessoas provocados por quedas de côcos. Ele publicou o artigo no famoso The Journal of Trauma.

Em química, um dos prêmios foi para o estudo de uma universidade japonesa sobre o motivo pelo qual a estátua de bronze localizada na cidade de Kanazawa não atrai pombos.

Estudos de psicologia impressionaram a comissão julgadora, que premiou o trabalho realizado na Holanda sobre o primeiro caso cientificamente comprovado de necrofilia homossexual praticada por um pato selvagem. Tem também o estudo da Universidade de Estocolmo que explica as razões científicas pelas quais as galinhas preferem as pessoas bonitas.

Ainda sobre animais, estudiosos japoneses publicaram no Journal of the Experimental Analysis of Behavior um relevante artigo em que relatam um método para treinar pombos para diferenciarem uma pintura de Monet de outra de Picasso.

Em física, cabe destacar a experiência realizada por estudiosos ingleses e holandeses que descreveram a experiência de fazer um sapo levitar com o auxílio de magnetos. A Universidade inglesa de Aston finalmente provou cientificamente porque o pão sempre cai com a manteiga para baixo. Um utilíssimo software que detecta automaticamente quando um gato caminha sobre o teclado do computador também foi premiado.

Matemática e estatística são duas grandes fontes inspiradoras para o IG Nobel: um indiano publicou no Veterinary Research Communications, o cálculo da área total de superfície ocupada por todos os elefantes indianos. Mas o artigo de estatística que mais provocou curiosidade foi o que descreveu as relações métricas entre o peso, o comprimento do pênis e o tamanho dos pés de um homem, realizado por pesquisadores das Universidades de Toronto e Alberta, no Canadá. Ficou curioso? Na conclusão do trabalho eles provaram que não há uma relação entre as medidas, isso não passa de um mito!

Os organizadores do IG Nobel lembram que os trabalhos premiados têm uma característica em comum: primeiro as pessoas não acreditam que alguém possa tê-los feito; depois elas riem; ao final, pensam.

De tudo isso, o que se tira é que o desenvolvimento humano precisa do inusitado, do improvável, do incomum, do ousado e do ridículo para acontecer. E, mais do que tudo, da capacidade de rir de si próprio, mesmo que você seja uma celebridade ganhadora do Prêmio Nobel.

Quer saber mais sobre o IG Nobel? Vá lá: http://www.improbable.com

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(*) Esse texto é de 2005, mas como ando lendo muita coisa sobre inovação, não podia deixar de compartilhá-lo. Vou dar uma pesquisada e postar os ganhadores mais recentes nas próximas semanas; aguardem!

15 abr

Não faz muito tempo, escrevi aqui uma coluna desancando os CAPTCHAs. Para quem não leu (ou não se lembra), esse é o nome que se dá ao inconveniente sistema que mostra palavras ou números aleatórios e pede para você lê-los e digitá-los quando quer interagir com alguns sites ou blogs como esse aqui, ó.

Essas palavras ou números servem para o administrador do site saber que você é uma pessoa, não um robô virtual tentando fazer spam ou burlar o sistema. Aí, ele pede para você fazer uma coisa que um software ainda não consegue, mas um ser humano tira de letra: ler uma palavra mal impressa, distorcida ou meio apagada.

A questão é que saber se você é humano ou não é um problema do administrador do site, não seu. É injusto você perder seu tempo para fazer o trabalho dele. Você é o cliente; ele que se vire com um bom anti-spam para resolver o problema.

E tem mais: você sabia que uma pessoa gasta, em média, 10 segundos para responder um CAPTCHA e todo dia são mais de 200 milhões dessas coisas digitadas por esse mundão de meodeos? Pois é, faça as contas: 200.000.000 x 10 segundos de tempo perdido. São 64 anos de trabalho humano inteligente (que um computador não faz) jogados no lixo todo santo dia. Não é mesmo para se revoltar?

Pois é, Luis von Ahn, o pai (ou um dos pais) da criança, passado o orgulho inicial do sucesso, viu que tinha criado um monstro e ficou com a consciência pesada (com razão). Aí, sujeito inteligente que é, botou a massa furta-cor para trabalhar e teve uma ideia nada menos que genial.

Bom, todo mundo sabe que há um movimento mundial para a digitalização de livros. A Amazon, o Google e mais um monte de instituições grandes estão digitalizando todo o seu acervo para que mais gente possa ter acesso. Então eles colocam página por página de cada documento impresso em um scanner e um software transforma a imagem em texto, interpretando e convertendo palavra por palavra. A questão é que nos livros mais antigos e amarelados, a legibilidade está comprometida e o softwares não conseguem “ler” várias palavras.

Daí que o Luis pensou: os computadores não podem, mas as pessoas sim. Por que não colocar essas palavras que ficaram pendentes (são quase 30% do total, segundo o próprio) como CAPTCHAS? Aí o tempo que os viventes usam para digitar não seria jogado fora; eles estariam ajudando a traduzir um patrimônio da humanidade. Bingo!!

Ok, mas se o computador ainda não sabe o que significa aquela palavra, como é que ele vai conferir se a pessoa digitou certo e ela não é um robô chutando qualquer coisa?

Aha, mas esse caras são espertos e não se deixam abater por tão pouco. Pois eles fazem o seguinte: colocam duas palavras. Uma o software já conseguiu ler, a outra não. A pessoa precisa digitar as duas sem saber qual está traduzindo. Se 10 pessoas interpretarem aquela palavra da mesma maneira, significa que o problema foi resolvido. Está certo que nisso vão mais que os 10 segundos, mas pelo menos o tempo não está sendo jogado fora.

E olha agora o mais impressionante: o povo (incluindo você e eu) está traduzindo mais ou menos 100 milhões de palavras por dia, o que equivale a 2,5 milhões de livros por ano. Não é o máximo?

Luis von Ahn chama esse novo sistema de reCAPTCHA e agora, pelo menos na minha opinião, o cara se redimiu e com louvor.

Continuo achando que não se deve obrigar o cliente a fazer parte do seu trabalho, assim como não se deve dificultar que ele faça uma coisa que é de seu interesse, como comentar num blog ou preencher um cadastro, por exemplo.

Mesmo assim, se o administrador do lugar não está ligando muito para o conforto e o tempo alheios, pelo menos que use um reCAPTCHA. E que não se esqueça de explicar que seu cliente está trabalhando compulsoriamente, mas também contribuindo para um projeto maior.

É o mínimo.

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PS: Os dados numéricos e as informações sobre o reCAPTCHA saíram de uma palestra que o próprio Luís von Ahn deu no TED (lá ele fala de um outro projeto muito bacana. Clique aqui para ver o vídeo). Dica luxuosa do queridíssimo Guto de Lima que me conhece bem e sabia que eu ia adorar saber disso (obrigadão, valeu mesmo!).

* CAPTCHA: Completely Automated Public Turing Test to tell Computers and Humans Apart ou Teste Público de Turing Completamente Automatizado para Diferenciação de Computadores e Humanos.

26 mar

Para o povo que acha que reality show é sinônimo de Big Brother (já deu né Bial?), olha só que ideia ótima vinda diretamente do Oriente Médio. Engenheiros e engenheiras de países como Síria, Egito, Kuwait, Líbano, Iraque e Tunísia  ficam confinados numa casa para inventarem coisas. Eles criam, testam, orientam, avaliam e até discutem política, veja só.

O objetivo do programa, chamado “Stars of Science” é encontrar os melhores inventores da região; há eliminação toda semana e os 4 últimos sobreviventes dividem o prêmio em dinheiro para começar um negócio e explorar comercialmente as respectivas invenções. Eles têm o livro do Alex Osterwalder (Business Model Generation) como referência inicial e os árabes estão vibrando com o concurso, que já está na quarta edição e rendeu invenções revolucionárias.

Bom, caso alguém tenha se esquecido, os árabes lideraram a matemática, a física e a química por vários séculos; não é à toa que, em vez de algarismos romanos, nós ocidentais usamos algarismos arábicos; os caras não são fracos já faz muito tempo.

Eu se fosse a Globo começava a prestar mais atenção nesse negócio. Já pensou se em vez de sonhar em posar para a Playboy ou G Magazine nossos jovens aspirantes à fama começassem a querem ser engenheiros, designers, matemáticos ou físicos? Não apenas a educação do país e o desenvolvimento tecnológico do país sairiam ganhando, como a programação da TV ficaria mais divertida. Fica a dica.

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Fiquei sabendo pelo ótimo Mosca Branca, onde tem um link para uma reportagem na Wired e um vídeo no Youtube.

25 mar

Minha mãe não acredita, mas adoro comer (mãe sempre acha que a gente está magrinho demais). Gosto tanto que paro quando não sinto mais o sabor (lá pela décima garfada), o que me faz sempre preferir bistrôs com vários pratos enfeitadinhos e caprichados a churrascarias rodízio e buffets livres.

Os economistas sociais já descobriram que a primeira mordida é sempre mais deliciosa que a última, pois nosso corpo (incluindo a língua) se acostuma e se adapta com muita facilidade; o que era sensacional no começo fica chato num instante.

Pois o genial chef catalão Ferran Adriá sabe muito bem disso. O moço simplesmente reinventou a gastronomia como nós a conhecemos. A biografia do mais festejado, polêmico, inventivo e ousado chef de cozinha dos últimos trocentos anos é uma aula de inovação para qualquer um que se interesse tanto por gastronomia como por inovação.

O livro “Ferran: the inside story of El Bulli and the man who reinvented food“, de Colman Andrews (um respeitado crítico de cozinha americano) começa contando a história do lendário restaurante El Bulli, instalado num lugar ermo, de difícil acesso, nos confins da Catalunha, e que mesmo assim conseguiu 3 estrelas da bíblia da gastronomia mundial, o guia Michelin. O restaurante, construído pelas mãos dos proprietários (os Schillings, um alemão e uma tcheca), nasceu como um bar de praia em 1962, e foi aos poucos se transformando num lugar respeitado graças aos investimentos e espírito inovador de seus idealizadores.

Para quem estuda inovação, é interessante notar a influência da liderança do Dr. Schilling no processo de amadurecimento do lugar. A Catalunha também aparece como um ambiente propício para a inovação culinária, dada à sua proximidade com a fronteira francesa e toda a cultura gastronômica resultante daí bem como a abundância e variedade de ingredientes locais.

Os chefs que passaram pelo lugar eram todos estrelados, mas os negócios nunca foram um sucesso financeiro. Quando Ferran chegou lá, aos 22 anos, já tinha passado por muitas experiências em restaurantes consagrados e o paladar já estava apuradíssimo. Em 1994, com o restaurante quase falindo, Ferran e o gerente do El Bulli, Juli Soler, compraram o lugar. Eles já usavam o período de inverno, quando o estabelecimento fechava, para fazer experimentos e criar novos pratos; mas a partir daí a atividade ficou mais intensa.

Ferran tem uma visão muito particular sobre o trabalho de um chef: “quando você cozinha, você cria uma conversação com quem vai comer. Com a cozinha de vanguarda, você cria uma nova linguagem de conversação. Para fazer isso, seu primeiro trabalho é criar um novo alfabeto. Então você faz as palavras, depois você cria as sentenças. Como cliente, você tem que ter boa vontade para tentar entender essa nova linguagem“.  Ele sabe que nem todo mundo aprecia essas novidades, mas não se incomoda. “A cozinha de vanguarda é para uma minoria. Jazz também é para uma minoria e não há nada de errado com ele; é maravilhoso“.

Pois foi exatamente isso que o chef mais famoso do mundo fez: reinventou o alfabeto da comida. Ele começou inserindo ingredientes catalães, como frutos do mar e alguns temperos, na clássica cozinha francesa, que ele dominava como poucos. Depois, começou a pensar em como poderia isolar o sabor de um ingrediente até que ele ficasse completamente puro, num estado em que pudesse ser recombinado com outros sabores também puros. O moço, que na época ainda nem tinha 30 anos, usou técnicas menos usuais em cozinhas e mais frequentes em laboratórios, pois, além da caramelização, defumação e processos semelhantes, também começou a experimentar a liquefação, a emulsificação, o ultra-congelamento com nitrogênio líquido, a esferificação e a produção de espumas e aerados.

A exigência com ingredientes da melhor qualidade fez com que os sabores isolados pudessem ser experimentados em outras dimensões. Usando as palavras do chef: “não apenas um dos sentidos deve ser estimulado; o tato pode ser provocado (contrastes de temperaturas e texturas), o olfato e a visão (cores, formas, ilusões de ótica) e o sexto sentido (reações emocionais como memórias de sabores de infância)”.

O El Bulli costumava receber apenas clientes com reservas; na ocasião, havia uma breve entrevista para conhecer as preferências e restrições alimentares de cada um dos comensais. No dia do jantar, uma sequência de aproximadamente 30 pratos eram servidos; um menu especial era preparado para cada uma das pessoas presentes. Cada prato, inspirado nas tapas andaluzas, era uma experiência gastronômica única; porções pequenas, mas altamente elaboradas para surpreender e encantar. Também não havia hierarquia entre entrada, prato principal e sobremesa; depois de uma única framboesa grelhada flambada com gin e zimbro, podia vir um crepe de camarão cortado em folhas finíssimas e fritas com gergelim e pimenta fresca, seguido de um sorbet de saquê coberto com espuma de ostras e tônica. Enfim, não havia como ficar indiferente. Para o restaurante, era um trabalho hercúleo, pois, com lugar para cerca de 50 pessoas, eles precisavam preparar mais de 150 diferentes tipos de pratos a cada noite.

Claro que um jantar desses não é para matar a fome; é uma experiência gastronômica para estimular os sentidos e ajudar a refletir sobre os sabores e prazeres; Darwin já dizia que a gastronomia era a maior descoberta do homem depois da linguagem. O El Bulli está mais para uma mostra de arte conceitual do que para uma cantina italiana, mas tenho certeza de que eu sairia de lá feliz e satisfeita.

Adriá é um espírito inquieto; depois de tanto sucesso, fama, capas de revistas no mundo todo e ser referência para qualquer um que estude gastronomia (ou inovação), ele mantém até hoje uma oficina de experimentação com vários chefes explorando as diferentes possibilidades de se construir pratos que surpreendem o paladar, com texturas e formas impensadas (a esferificação é uma técnica que transforma o ingrediente em algo parecido com sagu; imagine um sagu de lagosta, com o sabor concentrado ao máximo).

Por causa dessas mirabolâncias e sem ter com quem comparar, um crítico chamou sua cozinha de molecular. Ora, todo o processo de preparação de comidas é molecular (ao assar, cozinhar, fritar, marinar, etc, as moléculas são realmente alteradas); Ferran, que não quer ser apenas uma moda, não gosta de rótulos e rejeita esse especialmente. Ele diz que sua cozinha é desconstrutivista, do tipo El Bulli e nada mais.

A capacidade de inovação do chef é algo a ser estudado com bastante afinco; há que se aprender muito tentando entender como a cabeça desse gênio funciona. Agitado, ele já passou meses no atelier do escultor catalão Xavier Medina-Campeny estudando arte e compartilhando processos criativos;  sempre se pergunta por que não e testa suas ideias sem nenhuma restrição (deve ter estragado muita comida no processo).

O El Bulli fechou em 2010 (pena!) e Ferran comprou uma grande área na Costa Brava para construir uma fundação totalmente integrada à natureza que vai funcionar como um grande centro de estudos gastronômicos. Lá haverá laboratórios e locais para palestras, cursos, workshops e, espero eu, um restaurante-escola.

Ferran já deixou sua marca no mundo e a gastronomia, gostem seus críticos ou não, nunca mais foi a mesma depois do El Bulli. Aliás, uma curiosidade: Bulli era o apelido do cão bulldogue dos Schillings, fundadores do restaurante.

Pois é, depois disso tudo me deu uma baita fome. Mas é de alguma coisinha que ainda não sei o que é, sabe como, Sr. Adriá?

21 mar

Fotografia: Riccardo Bagnoli

Semana que vem já enfrento a maratona de aeroportos para voltar para minha outra casa e, por causa das leituras sobre inovação e ideias impossíveis, acabei me lembrando de um texto que escrevi há anos (dei uma atualizada, mas a essência é a mesma). Pegue seu ticket e venha comigo!

***

Estava um dia desses num aeroporto lotado (voo atrasado, pra variar) e me peguei pensando em como estamos nos aproximando daqueles cenários de ficção científica previstos por alguns sonhadores vanguardistas. De alguma maneira já estamos no futuro, dependendo de todo tipo imaginável de bugigangas eletrônicas.

Bom, para mim não é tão simples. Para ser futuro mesmo, ainda está faltando uma coisa importantíssima. Ainda estou esperando a invenção que vai realmente revolucionar tudo (e esse avião que não chega). Não, não são as colônias interplanetárias, a televisão holográfica ou a cura da gripe.

É o teletransporte. Aquele que tinha na Enterprise, onde o Capitão Kirk entrava dentro, era desintegrado em segundos e reconstruído em algum outro lugar do espaço que desejasse, com tudo igualzinho, até a mancha de suor no uniforme! Tenho sonhado com uma engenhoca dessas toda vez que me vejo esperando um vôo que nunca chega (ai meu Deus, não pára de chegar gente nesse aeroporto) ou presa em um engarrafamento. Imagino que se a tecnologia estivesse disponível, o governo iria querer implementá-la antes da copa (até porque é só o que restaria para salvar nossa dignidade).

No começo, o negócio seria muito caro. Nada mais justo então, que só os poderosos tivessem o privilégio de ter um em casa (já estou até vendo – Eike Bastista seria o primeiro, seguido de perto pelo Luciano Huck). Existiriam dois tipos diferentes de teletransporte: a banda A, utilizada para transporte público e de cargas, e a banda B, com direito à privacidade completa e totalmente à prova de grampos.

Então viria um político brasileiro anunciando que todos os pobres teriam direito ao vale-teletransporte. Batata. O sujeito teria uma eleição garantida e, para não decepcionar o eleitorado, trataria logo de organizar a cerimônia de aquisição do negócio. Bom, ninguém precisa ser muito esperto para sacar que ele compraria um sistema obsoleto pelo triplo do valor de mercado do mais recente lançamento (isso sem incluir as comissões). As críticas choveriam quando se descobrisse que o projeto original fora abandonado por ineficiência, mas a primeira parte já teria sido construída e não seria bom para a imagem do país jogar fora os bilhões de dólares investidos (ainda faltariam mais duas etapas já com a inauguração marcada, mas sem orçamento definido). E aí é que começaria o pesadelo.

O sistema não seria testado e implementado aos poucos, funcionando de forma combinada com o sistema convencional, pelo menos no início, como seria o lógico. Não no Brasil. O processo todo seria inaugurado de uma vez só em uma superfesta com telão, fogos, lasers, artistas de novelas e show da Cláudia Leite. Roberto Carlos seria teletransportado de mãos dadas com a Anamaria Braga dos estúdios da Rede Globo no Rio de Janeiro para a Praça Castro Alves em Salvador. Zeca Camargo, Grazi Massafera e Pedro Bial despareceriam todos de branco, de mãos dadas de um Centro de Tradições Gaúchas, nas redondezas de Bagé, para reaparecerem, milisegundos depois, em um show do Michel Teló em Cuiabá. Duas ex-BBBs turbinadas iriam dividir a cabine com ninguém menos que o Dr. Dráuzio Varela, e a aventura iria da sede da FIESP, na Av. Paulista até a praia de Gericoacoara, no Ceará, sem escalas. A banda Skank iria cantando da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, até a Ilha de Caras, no Rio, sem perder uma única nota.

Bom, a revolta armada começaria com o fã-clube da Grazi Massafera, que ficaria inconsolável ao ver a sua musa com o queixo e a cintura do Zeca Camargo. O Pedro Bial voltaria mais magrinho e sorridente, mas o que ninguém conseguiria explicar mesmo seriam o mega-hair e aquele silicone todo exposto sem nenhum filtro solar.

Está certo que o Dr. Dráuzio não ficou bem de shortinho e top, mas situação pior foi a do Roberto Carlos, com aquele cabelo loiro espetado e os lábios inflados com preechimento. Anamaria, manca, cantaria sem parar com um vozeirão de tenor “Ai se eu te pego…”

Caos mesmo seria quando o William Boner aparecesse na sua sala, no intervalo do jornal, pedindo para ir ao banheiro. E por que a sua namorada desapareceria justamente quando o Reinaldo Gianechini estivesse dando uma entrevista ao vivo na MTV?  Será que ela mereceria resposta ao SMS enviado de Piracema do Norte pedindo dinheiro para o bilhete de volta? E aquelas coxas grossas circulando pela sala de reuniões da diretoria? Será que já descobriram a dona?

É, haveria motivos para preocupação. Parece o que ministro da Saúde teria sido visto pela última vez em Porto de Galinhas acompanhado da Hebe Camargo, mas bem pode ser mentira. Um ministro da Saúde não teria quadris tão redondos e bem fornidos e a Hebe estava um pouco esquisita, com aquele biquíni da Juliana Paes. Também seria difícil explicar a quantidade de mãos bobas circulando pela cidade. Ninguém mais estaria seguro. Você tanto poderia ser surpreendido no meio da noite na sua cama pela Luana Piovani de camisola preta, nervosa e balbuciando desculpas, como por 4 integrantes da tropa de elite armados pedindo para ver seus documentos.

As tarifas promocionais para o transporte de carga acabariam com o seu sossego. O que fazer com os três mil pintinhos, que apareceram no meio da sua sala, sem as guias e nem o carimbo da Receita Federal? E o seu vizinho, que precisaria dividir a área de serviço com um búfalo de raça e três leitoas prenhas?

Sua sogra, agora com o cabelo da Maria Gadú, não pararia de fazer visitinhas-surpresa nas horas mais impróprias e o seu chefe que daria para aparecer nos seus sonhos para pedir relatórios. O pior é que nem seu terapeuta poderia mais lhe ajudar, tendo passado a última semana recolhendo os próprios pedaços espalhados pelo litoral norte de São Paulo. Agora só faltava mesmo a orelha direita, já localizada em Diamantina.

A Dilma prometeria tomar providências assim que achasse todo o ministério e o cotovelo esquerdo que ficou perdido da última vez que esteve no Ceará. Fontes garantem que estaria fazendo muita falta.

O duro é que, como os sistemas convencionais de transporte teriam sido doados à população carente da Guiné Bissau, teríamos que ir levando a vida em meio a esse caos até que os engenheiros alemães chegassem, de jangada, até o Brasil, para tentar resolver a situação.

É, ainda bem que, finalmente, chamaram para o embarque, pois o avião chegou.

E o futuro, graças a Deus, ainda não.

28 set

Não sei se funciona bem, se é prático ou se vale a pena, mas tenho visto muitos carros ligados em tomadas nas ruas. Parece que o futuro já chegou por aqui…

Se eu realmente precisasse de um carro, ia querer o Smart aí da primeira foto. Mas agora é só metrô e bicicleta, para que mais?

17 jul

Essa semana está tão atribulada que imaginei que a próxima coluna já seria enviada diretamente de Berlim, para onde me mudo de mala e cuia na próxima quinta-feira, dia 21. Mas hoje foi um dia tão especial e transformador que não vou conseguir dormir sem compartilhar a experiência.

Certamente muita gente já ouviu falar do TED, sigla de Technology, Entertainment and Design, nome de uma fundação americana que convida pessoas com ideias que merecem ser espalhadas (esse é o slogan do projeto) para palestras de 15 minutos. Disponíveis na internet no TED.com, já assisti a dezenas dessas conferências rápidas (a assinatura do podcast é grátis), mas nunca tinha participado de um evento pessoalmente. Com o sucesso do projeto, a organização criou o TEDx, uma espécie de franquia gratuita para quem quer replicar o modelo ao redor do planeta. Pois hoje rolou pela primeira vez o TEDxFloripa e tive a sorte de estar na plateia.

Como disse, já tinha assistido virtualmente a várias apresentações, mas nada se compara à sensação de compartilhar o espaço com uma centena de pessoas embuídas pelo espírito transformador reunidas num pequeno e charmoso teatro. Dá para sentir a energia no ar e posso dizer que a sensação é extasiante. A gente passa realmente a achar que o mundo tem solução, e que nem estamos assim tão longe.

Claro que há apresentações melhores que outras e nem sempre a gente concorda com tudo o que está sendo dito, mas isso é o de menos. Até fiquei um pouco surpresa ao constatar que ainda há pessoas adultas, inteligentes e com ideias bacanas que acreditam piamente que o mundo se divide binariamente entre mocinhos e bandidos. Algumas palestras adotaram esse tom maniqueísta, que, na minha opinião, simplifica e empobrece a questão da complexidade que é o ser humano, mas, enfim, são maneiras de ver e abordar os problemas. A questão é que todo mundo que falou, de fato merecia mesmo ser ouvido. As ideias foram permeadas pelo querido e espirituoso apresentador Marcos Piangers, que tratou de manter o astral do pessoal na estratosfera.

Bom, foram 21 ideias que merecem ser espalhadas e não vou aqui fazer um relatório completo (os vídeos estarão logo disponíveis no site do TEDxFloripa), mas quero muito compartilhar aquelas que me impactaram, emocionaram e surpreenderam mais, ou pelo ineditismo da proposta, ou pelo talento do palestrante.

Lixo Zero (Rodrigo Sabatini). O Rodrigo foi meu colega na universidade e, assim como eu, sempre foi inquieto e cada vez que o encontro está com alguma ideia nova e diferente. Pois ele nos fez pensar em quando é que o lixo se torna lixo. Será que há um momento mágico que dura milisegundos e opera a milagrosa transformação de algo de valor (que você comprou) em um estorvo que você quer se livrar? Pois o momento em que isso acontece é quando você mistura e desorganiza as coisas. Se você mantém os restos de seu consumo limpos, separados e organizados, eles nunca viram lixo; passam instantaneamente de objeto útil a matéria-prima útil. Lixo só vira lixo com sua preciosa e inestimável ajuda. Simples assim.

Eu sou gay (Carol Almeida). A jornalista, revoltada com a notícia do assassinato de uma garota de 16 anos pelo pai da namorada em maio deste ano, fez um desabafo em seu blog e propôs que pessoas lhe enviassem fotos com os dizeres “eu sou gay”, independente da orientação sexual. Para a surpresa da moça, sua caixa postal ficou entupida em questão de horas e ela não dá conta até hoje. Carol usou as fotos para produzir um vídeo que já foi visto por milhões de pessoas ao redor do globo (veja aqui, é lindo). Ela leu uma carta que recebeu de um rapaz na semana passada, contando que “eu sou gay” foram as três palavras mais difíceis que ele pronunciou na vida, e que elas eram tão importantes, afirmativas e reveladoras como aquelas outras três tão difíceis quanto: “eu te amo”. Ele disse que os amigos que o acompanham na foto segurando o cartaz “eu sou gay”, na verdade, estavam dizendo um grande “eu te amo”. E que ele sonha com o dia em que sua orientação sexual não mais o defina como pessoa; que seja o que de fato é, apenas mais uma de suas inúmeras características. Eu também sonho com isso. A Carol também. E, pelo jeito, a galera do TEDxFloripa também, pois todo mundo chorou com o depoimento corajoso do rapaz lido por uma Carol emocionada.

Instituto Guga Kuerten (Alice Kuerten). Eu já tinha visto a Alice em reportagens (até frequentamos a mesma sala de aula de inglês no século passado), mas nunca a tinha visto falar em público. Gente, a mulher arrasa! Bela, elegantíssima, segura, com uma voz linda e mostrando competência, deixa muito palestrante profissional no chinelo. Mostrou serviço numa área onde é fácil cair no assistencialismo barato de uma maneira muito objetiva e focada; é uma executiva de primeira linha. Além disso, ela trata o Guga como alguém que faz bem o seu trabalho, não como um ídolo. Se um décimo dessas celebridades que a gente vê por aí tivesse uma mãe dessas, o mundo seria muito diferente (pra melhor). O Guga certamente não é uma pessoa tão fantástica, querida, sem estrelismos e com uma rara noção de perspectiva assim, à toa. Essa D. Alice não é fraca não, não tem como não amar e admirar.

A revolução do baldinho (Marcos de Abreu). O agrônomo coordena o projeto tão simples como transformador na comunidade Chico Mendes, uma das mais violentas de Florianópolis. Depois de um surto de ratos que resultaram na morte de uma criança, o projeto foi concebido para transformar o lixo orgânico em adubo. Voluntárias moradoras do lugar, as simpaticíssimas e estilosas Lena Rodrigues e Karol Conceição, visitam casa por casa, convencem as pessoas a guardarem o lixo orgânico em baldes plásticos tampados e fazem o recolhimento uma vez por semana. Orientadas por Marcos, elas também fazem a compostagem e ensinam o povo a plantar e cuidar das hortas. As fofas contaram sobre as emoções de viajar de avião e até visitar a Itália por causa do projeto, que também ajudou o rapper Maicon Jesus (jovem ex-presidiário totalmente recuperado pelo projeto). Marcos generosamente deixou a apresentação com o trio, que comandou um show com o Rap do Baldinho e fechou o evento com todo mundo fungando e de nariz escorrendo. Inesquecível.

Teve também muita coisa boa digna de nota, como um equipamento desenvolvido por professores da Ufsc que transforma CO2 em um combustível muito mais eficiente que o carvão; a história do presidente da associação de empresas de tecnologia, que viveu sem energia elétrica até os 14 anos e se tornou engenheiro inspirado num soldado que conheceu na infância; um projeto que pinta casas no Morro Santa Marta e melhora a auto-estima das pessoas; um jovem casal que deu a volta ao mundo em 3 anos a bordo de um jipe, entre outras experiências fantásticas e muito interessantes.

Bom, só posso agradecer ao Bruno Cheuiche, que trouxe o TEDx para Floripa, e o grupo de 14 voluntários que fizeram o dia de hoje ser possível. Pessoas como vocês merecem muito ser espalhadas, mas, reunidas, são a própria essência do lado bom da força!

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

25 jun

Imagine você tirando uma foto de qualquer jeito, sem se preocupar com foco — concentrando-se apenas no enquadramento. A gente já faz isso hoje (eu, pelo menos, faço) e o resultado fica uma porcaria na maioria das vezes.

Pois imagine se depois, quando você estiver olhando os arquivos, puder escolher o que vai ficar em foco e o que vai ficar borrado. Qualquer foto sua vai ficar parecendo aquelas de revista, onde o objeto focado fica lindo e o resto faz papel de cenário. Pois essa máquina dos sonhos está prestes a se tornar realidade.

O sistema é todo baseado na tese que Ren Ng defendeu na Universidade de Stanford em 2006. O segredo está num jogo de lentes que capta mais informações óticas do que as câmeras normais; assim fica relativamente simples pós-processar a foto escolhendo o lugar em que o foco vai ficar.

Na verdade não entendi bem os detalhes, mas o pessoal da Lytro sabe tudo de inovação: começaram prototipando e mostrando como a coisa funciona no próprio site deles; entre na galeria de fotos e clique na parte da imagem que você deseja focar. Depois, é só esperar alguns segundos pela mágica. Você também pode se inscrever lá para ser informado quando a belezinha vai estar à venda.

Tomara que não custe muito caro, pois tudo o que eu quero na minha bolsa hoje é uma câmera Lytro. Já pensou como o mundo virtual vai ficar mais bonito, com todos os blogs cheios de fotos bacanudas?

Mal posso esperar para ver. A Lytro Picutre Revolution vai ser o próximo Google. Aguarde e verá…

Foto de Eric Cheng onde escolhi o foco no gato da frente (parece o Heitor)

Essa é a mesma foto que a anterior, mas agora escolhi focar o gatinho de trás.

15 jun

Sabe quando você ganha uma caixa daquelas enormes e lindas feitas de lata, cheia de lápis de cor, aquarela, pinceis e mais um monte de coisas bacanas e coloridas? Pois foi exatamente isso que o Gustavo Baldez, leitor aqui do blog, me deu de presente quando me apresentou o SketchBook X da Autodesk para iPad. Gente, o negócio todo é um luxo!

Tem vários tipos de pinceis, canetas, tintas e cores. Dá para fazer zoom, mover, trabalhar em camadas, girar, ampliar, enfim, tudo o que alguém que desenha sempre sonhou e mais um pouco. E o melhor: tudo inteiramente grátis, é só baixar!

Ainda estou começando a aprender todas as nuances, mas já dá para ver que agora dá para detalhar muito mais o traço e aplicar sombras e texturas. O único porém é que a tela é pequena e o desenho não fica lá com uma resolução muito alta (mais uns dois anos e o Steve Jobs chega à perfeição — certeza!).

Por ora, obrigadão mesmo ao Gustavo. Dica nota mil mesmo, rapaz!

7 mai

Fotografia: Hermin Abramovitch

Há algum tempo tive a oportunidade de ler um artigo interessantíssimo do Umair Haque, diretor do Havas Media Lab, chamado “The Awesomeness Manifesto“. É difícil traduzir awesomeness, que seria mais ou menos a capacidade de impressionar, causar espanto. Pensei em substituir por incrível, sensacional, deslumbrante e até mesmo impressionante, mas esses são adjetivos e o Haque acrescentou o “ness” no final justamente porque queria um substantivo. Aí fica difícil traduzir, né?

Mas não faz mal, usamos o original e vamos ao que interessa: Haque diz que a palavra inovação soa como uma relíquia da era industrial e que, por isso, a própria palavra precisa ser inovada.

Ele lembra que inovação implica em obsolescência. Inovação foi um conceito pioneiro criado pelo economista Joseph Schumpeter e utilizá-lo implica também em aceitar a teoria da destruição criativa, onde o mercado se sustenta à base da substituição do antigo pelo novo. Só que não dá mais para continuar nesse ciclo maluco, os resultados estão aí para quem quiser ver. À luz da sustentabilidade e do conceito de interdependência, obsolescência é que é um conceito obsoleto.

Haque lembra também que a inovação trata basicamente de empreendedorismo ou seja, toda boa ideia precisa se transformar em negócio lucrativo para merecer o título de inovação. Seguindo esse princípio, o que se percebe é quase tudo já foi inventado e não apenas isso: está à venda em qualquer esquina ou site. Poucas coisas fundamentalmente novas estão sendo criadas nos dias atuais. A inovações cada vez mais caminham para encontrar maneiras novas de vender, apenas isso.

O autor lembra que o desafio do século XXI não é desenvolver a criatividade para vender mais coisas; a questão é construir coisas melhores e com menos impacto para o planeta.

Outra questão sensível é que poucos admitem é que a inovação, como existe hoje, na verdade, não inova. A inovação consiste, basicamente, em desenvolver coisas comercialmente novas. Essa abordagem já se mostrou desastrosa na última crise causada por consumidores compulsivos, onde a pseudo riqueza gerada virou vapor rapidinho.

A questão que Haque coloca é: o custo da inovação compensa seus benefícios?

Ele acredita que não e apresenta o conceito de awesomeness que consegue traduzir mais a contento as necessidades de um mundo interdependente, onde não dá mais para construir e vender sem se preocupar com o impacto dessa ação para o planeta e os que nele vivem. Umair Haque fundamenta o awesomeness em 4 pilares:

Produção ética: O mantra do século XX, muito bem embalado pela inovação empreendedora era “compre barato, venda caro, crie valor!”. O século XXI não há de produzir nada que mereça o rótulo de impressionante sem que se considere a questão ética em todo o seu ciclo de vida.

Ousadia: O conceito de inovação submete a criatividade às leis do mercado, de maneira que a coisa inovadora, às vezes, é muito menos que emocionante — é chata mesmo. Do ponto de vista da inovação formal, o iPhone não tem muito a contribuir; mas é uma das coisas mais impressionantes já vistas em termos de interface e encantamento até onde se sabe. A questão é que para a Apple o foco é deslumbrar, isso nunca sai da mente de quem está trabalhando no projeto.

Amor: As pessoas precisam estar encantadas com o que fazem para fazê-lo bem. Haque deu o exemplo das lojas Apple, onde os funcionários não estão lá para vender, mas para compartilhar o encantamento e a paixão por estarem ali. Eles realmente curtem fazer o que estão fazendo e esse foco fica muito claro quando se compara essa atitude com lojas comuns, onde os vendedores são instruídos unicamente para vender.

Valor de verdade: a expressão mais usada no mundo corporativo é “agregar valor”. Ora, segundo Haque, mais valor é uma ilusão. A maioria das empresas consegue criar um pequeno valor, nada significativo que justifique o uso indiscriminado do termo. Valor de verdade, grande, para Haque, tem que ser sustentável. Isso significa realmente fazer melhor, não apenas adicionar botões em um telefone ou sabores em um refrigerante.

O pessoal das antigas, que se sente seguro nas práticas de inovação do século XX sente-se ameaçado e desafiado com o conceito de awesomeness, porque eles o consideram nebuloso e impreciso. Mas a geração M, como Haque chama o pessoal com a cabeça no século XXI (mais tarde falarei desse povo) sabe muito bem reconhecer um awesomeness quando vê um, uma vez que o conceito faz todo o sentido, é profundo e tem ressonância nas suas práticas e filosofia de vida.

O parágrafo final é tão definitivo que vou traduzi-lo quase literalmente:

Você pode ser inovador, mas você é awesomeness? Para a maioria, a resposta é: não. Game over: no século XXI, se você é meramente inovador, prepare-se para se tornar obsoleto pelo awesomeness“*

E sua empresa? É inovadora ou awesomeness?

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*Na verdade, em vez de “tornar obsoleto” ele usou “disruptado“, num jogo de palavras com a inovação disruptiva, também conhecida como inovação radical, que torna obsoleto tudo o que havia antes.

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Publicado originalmente em setembro de 2009 com o título “Inovação obsoleta”.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

18 abr

Nunca escondi de ninguém que sou viciada em papel; adoro. Mesmo assim, decidi dar uma chance para as plataformas virtuais, admitindo que sim, elas têm inúmeras vantagens.

O ponto principal que sempre me incomodou em livros eletrônicos é a questão da incompatibilidade, pois, mídias virtuais, a gente sabe, têm prazo de validade e dependem de energia elétrica. O livro maravilhoso que você lê hoje num gadget, amanhã já não é mais compatível, precisa de mais memória, outro processador, etc. Já o livro de papel vai continuar compatível enquanto a matéria permitir, não tem erro… e já vi livros de plástico que podem durar eternamente.

Mesmo assim, vamos experimentar. Por que não, né? Pois estou lendo dois livros ao mesmo tempo no iPad. Confesso que não gostei. Costumo ler com caneta na mão, sublinhando os trechos mais interessantes e fazendo anotações (não, na minha opinião, isso não estraga o livro — sou frequentadora assídua de sebos e prefiro os que já foram bem estudados). E por falar nisso, que fim levariam os deliciosos sebos no mundo inteiro e a substituição fosse completa?

Assim, o que achei pior foi não poder fazer anotações (o bônus de poder procurar palavras com um “find” não compensa essa perda). Também achava que, já que é para perder o contato com o papel, devia ter mais vantagens, como, por exemplo, um dicionário acoplado. Também não tem.

Ah, e para ler à noite, o brilho cansa os olhos (idade, será?).

Ainda não pude ler nada num Kindle (mas já vi um de perto é é impressionantemente parecido com o papel, bem menos brilhoso que o iPad), mas me parece uma perda grave o fato dele não ser colorido. Também não sei se ele cumpre as necessidades que destaquei.

Por ora, acho o iPad uma excelente ferramenta para ler revistas, navegar na internet, jogar (uhuu!!) e muitas outras coisas bem úteis. Mas não para ler livros. Pelo menos não ainda.

E você, já teve essa experiência? O que achou?

28 mar

Ilustração: Andre Kutscherauer

O design é irmão da inovação. Não diria que é o pai porque a inovação nasceu bem antes do design (ela nasceu com o mundo: ele, com a revolução industrial). Também não dá para dizer que a inovação é a mãe do design porque há montes de projetos onde os genes inovadores são flagrantemente recessivos. Fiquemos então assim: são irmãos ligadíssimos, unha e cutícula. Pois, no Brasil, um vive chorando no colo do outro porque estão os dois sem pai nem mãe.

Digo isso baseada no excelente ensaio do prestigiado Clemente da Nóbrega na Época Negócios de outubro de 2007 (aliás, essa revista tem se revelado uma agradável surpresa num segmento até então dominado pela jurássica Exame). O título roubou minha atenção já na banca: “Por que o Brasil é ruim de inovação?” (leia o artigo na íntegra aqui).

Tentando responder porque o Brasil ocupa um longínquo 40° lugar em um ranking mundial organizado pelo prestigiado INSEAD, Nóbrega nos conta que depois de mergulhar em muitos estudos e estatísticas, chegou a conclusões bem tristes sobre a predominância do conservadorismo nas nossas empresas. Simplesmente não há ambiente para inovação no Brasil; o risco é desproporcional aos ganhos. Mas vamos por partes, a fim de que a linha de raciocínio fique mais clara.

(mais…)

11 mar

Adoro “Os malvados“, do André Dahmler; é o tipo de humor politicamente incorreto, sarcástico, inteligente e muito engraçado. Esse aqui estava no blog. Chore ou ria…

10 mar

Olha só que luxo: o poderoso Emílio Cerri, do Comgurus, me ligou ontem à noite só para dar a notícia. É que os designers do estúdio The Green Eyl bolaram um sistema de identidade visual mutante para comemorar o 25° aniversário do Media Lab, o famoso laboratório de desenvolvimento de novas tecnologias e inovação do MIT (Massachuttes Institute of Technology).

O conceito é bem a cara deles, completamente coerente com a identidade do laboratório — o símbolo, baseado em formas geométricas simples que simulam três focos de luz nas cores primárias, podem ser posicionados de várias maneiras diferentes. Eles fizeram um software que simula todas as combinações montando um mapa de opções onde cada funcionário, professor ou aluno pode escolher uma para colocar no cartão de visitas. Cada combinação escolhida fica reservada para a pessoa e ninguém mais pode usá-la.

É uma ideia bem bacana e completamente sintonizada com a proposta da organização, onde trabalham pessoas especiais e com áreas de formação bem distintas que se inspiram e se combinam mutuamente para desenvolver uma visão de um futuro. Eles também trabalham com o fato de que o significado de mídia e tecnologia estão constantemente sendo redefinidos.

Penso que não serve para todo mundo, principalmente porque os elementos precisam ser suficientemente simples e distintivos para que a marca não perca a capacidade de reconhecimento; assim, eu não caracterizaria como uma tendência, mas como uma maneira muito original de apresentar uma empresa que se distingue por projetos inovadores. Nota 10!

Obrigadão, Emílio!

Olha aqui o vídeo explicando as combinações.

MIT Media Lab Identity, 2011 from readyletsgo on Vimeo.

23 fev

…e acho que o seu também. Quem não cansou de ouvir, quando pequeno, que era para fechar a torneira que água custa caro? Agora, em tempos de aquecimento global e esgotamento de recusos naturais, os pais têm uma nova ferramenta para educar crianças (e adultos também, por que não?). É uma torneira que mostra quantos litros de água você está gastando, ou, se preferir, quanto dinheiro está mandando embora pelo ralo, em moeda corrente mesmo.

Isso aí deveria ser instalado nas casas, escolas, banheiros públicos, empresas, efim, em todo lugar. Afinal, já diz o velho ditado que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Se o pessoal não se economiza por consciência ambiental, então só resta a maneira clássica de fazer isso.

O autor do projeto é Young-Suk Kim e fiquei sabendo pela newsletter do Yanko Design.

31 jan

Estou tendo que atualizar várias imagens que foram perdidas por conta da importação do blog antigo e acabei relendo algumas colunas. Vou repostar algumas, como a que segue, publicada em julho de 2008 (está no meu livro “O design do designer“).

Nesse feriado de Páscoa, fui visitar a família e passei pelo aeroporto de Guarulhos (surpreendentemente calmo). Foi com o movimento baixo que me dei conta do ruído visual daquilo tudo. Eles indicam que o seu portão de embarque é o de número 15, no terminal 2, setor doméstico, asa C. A sinalização é feita por placas bilíngües, densas e confusas. Afinal, se só há um portão número 15 em todo o aeroporto, para que as outras informações? Esse desperdício conceitual me fez lembrar John Maeda.

Maeda é um cara cheio de talentos. Designer gráfico, artista e professor de Media Arts & Sciences do legendário MIT (Massachussets Institute of Technology), ele também fundou o MIT Simplicity Consortium no Laboratório de Mídia. O consórcio é constituído por dez sócios corporativos, incluindo a Lego, a Toshiba e a Time, e tem a sublime missão de definir o valor comercial da simplicidade nas comunicações, na assistência médica e nos jogos. Sua equipe projeta e cria tecnologias para o desenvolvimento de produtos orientados à simplicidade.

Estudando a fundo a questão da simplicidade, ele descobriu que, no ramo da tecnologia, quando se desenvolve uma coisa nova e aprimorada, esse “aprimorada” significa simplesmente “mais”. Indo ainda mais a fundo, Maeda elaborou as Leis da Simplicidade, descritas no livro de mesmo nome, publicado pela Editora Novo Conceito. Vamos a elas:

1. Reduzir: Essa lei determina que se deve acabar com a crença de que botões em profusão atraem compradores. A Apple está aí para provar o contrário, conseguindo construir um telefone celular sem botões! A filosofia por trás do conceito é que se boas peças podem fazer um grande produto, peças incríveis (e poucas), podem transformá-lo numa lenda. Mas é preciso cuidado e discernimento para decidir o que fica e o que sai. Em design, menos é melhor.

2. Organizar: Os seres humanos são animais organizacionais, que tendem a agrupar e categorizar tudo que vêem. Se a gente faz isso até com pessoas (Fulano é chato, Beltrana é bonita, Sicrano é contador), imagina com objetos e informações! Assim, tabulações, espaçamentos, endentações e organização clara das funções e informações é fundamental.

3. Economizar tempo: Maeda diz que quando somos obrigados a esperar, a vida nos parece desnecessariamente complexa. E quando acelerar um processo não for uma opção, tornar a espera mais tolerável pode fazer a diferença. Uma coisa é você esperar um vôo por três horas numa sala VIP tomando chá com torradas e assistindo a um bom filme em um sofá confortável. Outra é ser supliciado por 45 minutos em pé num saguão de aeroporto lotado, ruidoso, frio e cheio de gente mal-humorada. O tempo de espera pode ser menor, mas a percepção…

4. Aprender: O conhecimento torna tudo mais simples e rápido. Assim, o desafio do bom design reside, de alguma maneira, na capacidade de instigar um sentido de familiaridade instantânea do tipo “ei, eu já vi isso antes!”, ao mesmo tempo que surpreende o usuário. Para isso, as metáforas são imbatíveis. O fato é que tudo aquilo que é difícil de usar, também é difícil de aprender. Quanto mais grosso o manual de instruções, mais longe do bom design.

5. Diferenciar: Uma constatação da vida – ninguém quer apenas simplicidade. Sem o contraponto da complexidade, não podemos reconhecer o simples quando o vemos. Assim, a simplicidade e a complexidade necessitam uma da outra. O ideal é que a complexidade esteja disponível e acessível para quem queira dela usufruir. É o famoso “clique aqui para saber mais” no nível conceitual.

6. Contextualizar: Aqui, o desafio é descobrir o quanto se tem que focar e o quanto se tem que generalizar. Localizar alguém no tempo e no espaço ajuda a criar uma sensação de conforto e colabora para a nossa ânsia de organização.

7. Emocionar: Mais emoções é melhor que menos. Senão, por que depois que as pessoas são atraídas para a simplicidade de um aparelho, logo correm para comprar acessórios? Meninas escolhem roupinhas para as suas Barbies; executivos compram capas para iPods e celulares. Então, dê um desconto para a simplicidade. Talvez os humanos não sejam tão simples. Atingir a clareza não é difícil; difícil é atingir o conforto.

8. Confiar: Aqui são tratadas as questões onde o sistema pode decidir em seu lugar para tornar a sua vida mais simples. Por exemplo, você pode entrar num restaurante e escolher o prato do dia, mesmo sem saber do que se trata, pois confia no cozinheiro. O site de notícias mostra apenas as novidades do seu interesse, de acordo com o seu perfil. Sites de relacionamento podem escolher o par ideal para você. O problema é que a confiança pressupõe reciprocidade. Essas escolhas são tanto mais confiáveis quanto mais o sistema conhecer você. É um caso de privacidade versus conforto.

9. Fracassar: Até mesmo o John Maeda admite – algumas coisas nunca podem ser simples. Para fazer o simples, necessita-se do complexo. A rede complexa de servidores e algoritmos do Google é que fazem com que a sua experiência de busca seja simples. Neste ponto, ele faz uma admirável auto-crítica das suas leis. Mais o que simplicidade, lucidez é fundamental.

10. A única: Essa lei pretende substituir todas as anteriores e é de uma simplicidade aterradora – a simplicidade consiste em subtrair o óbvio e acrescentar o significativo.

Se você, como eu, também se encantou pelo assunto, acompanhe os estudos de John Maeda em http://www.lawsofsimplicity.com.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

17 jan

“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de mágica”

Arthur Clarke em Quotes on Design.

15 jan

Olha se não é coisa para ficar orgulhoso: uma empresa jovem (Dois pra Um Design Industrial), formada por egressos dos cursos de design da Udesc e IFSC já abocanhou um superprêmio no Michelin Challenge Design 2011, prestigiado concurso de design automotivo que teve, neste ano, 970 inscritos do mundo inteiro (veja mais sobre o prêmio e os vencedores aqui).

A ideia era que os participantes apresentassem propostas de transporte para 2021 e eles bolaram um carro conceito muito bacana, olha as imagens.

Essa turma não está para brincadeira não, tinha até sido finalista do IDEA Brasil e já está com um jet ski anfíbio em fase de produção (projeto para a empresa K-Jet, veja aqui).

Guarde esses nomes porque você ainda vai ouvir falar: Alexandre dos Santos Turozi, Elisa Strobel, Ivandro de Barros Ribeiro, José Serafim Junior, Mayara Atherino Macedo, Rodrigo Brasil Krieger, Theo Orosco da Silva e Donato Goncalves do Nascimento.

Parabéns e muito sucesso para esses designers que fazem acontecer!