Captchas do bem

Não faz muito tempo, escrevi aqui uma coluna desancando os CAPTCHAs. Para quem não leu (ou não se lembra), esse é o nome que se dá ao inconveniente sistema que mostra palavras ou números aleatórios e pede para você lê-los e digitá-los quando quer interagir com alguns sites ou blogs como esse aqui, ó.

Essas palavras ou números servem para o administrador do site saber que você é uma pessoa, não um robô virtual tentando fazer spam ou burlar o sistema. Aí, ele pede para você fazer uma coisa que um software ainda não consegue, mas um ser humano tira de letra: ler uma palavra mal impressa, distorcida ou meio apagada.

A questão é que saber se você é humano ou não é um problema do administrador do site, não seu. É injusto você perder seu tempo para fazer o trabalho dele. Você é o cliente; ele que se vire com um bom anti-spam para resolver o problema.

E tem mais: você sabia que uma pessoa gasta, em média, 10 segundos para responder um CAPTCHA e todo dia são mais de 200 milhões dessas coisas digitadas por esse mundão de meodeos? Pois é, faça as contas: 200.000.000 x 10 segundos de tempo perdido. São 64 anos de trabalho humano inteligente (que um computador não faz) jogados no lixo todo santo dia. Não é mesmo para se revoltar?

Pois é, Luis von Ahn, o pai (ou um dos pais) da criança, passado o orgulho inicial do sucesso, viu que tinha criado um monstro e ficou com a consciência pesada (com razão). Aí, sujeito inteligente que é, botou a massa furta-cor para trabalhar e teve uma ideia nada menos que genial.

Bom, todo mundo sabe que há um movimento mundial para a digitalização de livros. A Amazon, o Google e mais um monte de instituições grandes estão digitalizando todo o seu acervo para que mais gente possa ter acesso. Então eles colocam página por página de cada documento impresso em um scanner e um software transforma a imagem em texto, interpretando e convertendo palavra por palavra. A questão é que nos livros mais antigos e amarelados, a legibilidade está comprometida e o softwares não conseguem “ler” várias palavras.

Daí que o Luis pensou: os computadores não podem, mas as pessoas sim. Por que não colocar essas palavras que ficaram pendentes (são quase 30% do total, segundo o próprio) como CAPTCHAS? Aí o tempo que os viventes usam para digitar não seria jogado fora; eles estariam ajudando a traduzir um patrimônio da humanidade. Bingo!!

Ok, mas se o computador ainda não sabe o que significa aquela palavra, como é que ele vai conferir se a pessoa digitou certo e ela não é um robô chutando qualquer coisa?

Aha, mas esse caras são espertos e não se deixam abater por tão pouco. Pois eles fazem o seguinte: colocam duas palavras. Uma o software já conseguiu ler, a outra não. A pessoa precisa digitar as duas sem saber qual está traduzindo. Se 10 pessoas interpretarem aquela palavra da mesma maneira, significa que o problema foi resolvido. Está certo que nisso vão mais que os 10 segundos, mas pelo menos o tempo não está sendo jogado fora.

E olha agora o mais impressionante: o povo (incluindo você e eu) está traduzindo mais ou menos 100 milhões de palavras por dia, o que equivale a 2,5 milhões de livros por ano. Não é o máximo?

Luis von Ahn chama esse novo sistema de reCAPTCHA e agora, pelo menos na minha opinião, o cara se redimiu e com louvor.

Continuo achando que não se deve obrigar o cliente a fazer parte do seu trabalho, assim como não se deve dificultar que ele faça uma coisa que é de seu interesse, como comentar num blog ou preencher um cadastro, por exemplo.

Mesmo assim, se o administrador do lugar não está ligando muito para o conforto e o tempo alheios, pelo menos que use um reCAPTCHA. E que não se esqueça de explicar que seu cliente está trabalhando compulsoriamente, mas também contribuindo para um projeto maior.

É o mínimo.

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PS: Os dados numéricos e as informações sobre o reCAPTCHA saíram de uma palestra que o próprio Luís von Ahn deu no TED (lá ele fala de um outro projeto muito bacana. Clique aqui para ver o vídeo). Dica luxuosa do queridíssimo Guto de Lima que me conhece bem e sabia que eu ia adorar saber disso (obrigadão, valeu mesmo!).

* CAPTCHA: Completely Automated Public Turing Test to tell Computers and Humans Apart ou Teste Público de Turing Completamente Automatizado para Diferenciação de Computadores e Humanos.

Nem todo reality show é ruim

Para o povo que acha que reality show é sinônimo de Big Brother (já deu né Bial?), olha só que ideia ótima vinda diretamente do Oriente Médio. Engenheiros e engenheiras de países como Síria, Egito, Kuwait, Líbano, Iraque e Tunísia ficam confinados numa casa para inventarem coisas. Eles criam, testam, orientam, avaliam e até discutem política, veja só.

Ideias que merecem ser espalhadas

Certamente muita gente já ouviu falar do TED, sigla de Technology, Entertainment and Design, nome de uma fundação americana que convida pessoas com ideias que merecem ser espalhadas (esse é o slogan do projeto) para palestras de 15 minutos. Disponíveis na internet no TED.com, já assisti a dezenas dessas conferências rápidas (a assinatura do podcast é grátis), mas nunca tinha participado de um evento pessoalmente. Com o sucesso do projeto, a organização criou o TEDx, uma espécie de franquia gratuita para quem quer replicar o modelo ao redor do planeta. Pois hoje rolou pela primeira vez o TEDxFloripa e tive a sorte de estar na plateia.

Revolução fotográfica

Imagine você tirando uma foto de qualquer jeito, sem se preocupar com foco — concentrando-se apenas no enquadramento. A gente já faz isso hoje (eu, pelo menos, faço) e o resultado fica uma porcaria na maioria das vezes.

Pois imagine se depois, quando você estiver olhando os arquivos, puder escolher o que vai ficar em foco e o que vai ficar borrado. Qualquer foto sua vai ficar parecendo aquelas de revista, onde o objeto focado fica lindo e o resto faz papel de cenário. Pois essa máquina dos sonhos está prestes a se tornar realidade.

Brinquedinho novo

Sabe quando você ganha uma caixa daquelas enormes e lindas feitas de lata, cheia de lápis de cor, aquarela, pinceis e mais um monte de coisas bacanas e coloridas? Pois foi exatamente isso que o Gustavo Baldez, leitor aqui do blog, me deu de presente quando me apresentou o SketchBook X da Autodesk para iPad. Gente, o negócio todo é um luxo!

Tem vários tipos de pinceis, canetas, tintas e cores. Dá para fazer zoom, mover, trabalhar em camadas, girar, ampliar, enfim, tudo o que alguém que desenha sempre sonhou e mais um pouco. E o melhor: tudo inteiramente grátis, é só baixar!

Ainda estou começando a aprender todas as nuances, mas já dá para ver que agora dá para detalhar muito mais o traço e aplicar sombras e texturas. O único porém é que a tela é pequena e o desenho não fica lá com uma resolução muito alta (mais uns dois anos e o Steve Jobs chega à perfeição — certeza!).

Por ora, obrigadão mesmo ao Gustavo. Dica nota mil mesmo, rapaz!

Inovação: tem palavra mais obsoleta?

Há algum tempo tive a oportunidade de ler um artigo interessantíssimo do Umair Haque, diretor do Havas Media Lab, chamado “The Awesomeness Manifesto”. É difícil traduzir awesomeness, que seria mais ou menos a capacidade de impressionar, causar espanto. Pensei em substituir por incrível, sensacional, deslumbrante e até mesmo impressionante, mas esses são adjetivos e o Haque acrescentou o “ness” no final justamente porque queria um substantivo. Aí fica difícil traduzir, né?

Mas não faz mal, usamos o original e vamos ao que interessa: Haque diz que a palavra inovação soa como uma relíquia da era industrial e que, por isso, a própria palavra precisa ser inovada.

Papel ou iPad?

Nunca escondi de ninguém que sou viciada em papel; adoro. Mesmo assim, decidi dar uma chance para as plataformas virtuais, admitindo que sim, elas têm inúmeras vantagens. O ponto principal que sempre me incomodou em livros eletrônicos é a questão da incompatibilidade, pois, mídias virtuais, a gente sabe, têm prazo de validade e dependem de […]