Cooperativas 4.0

Uma das coisas que mais gostava no trabalho de engenheira de aplicação na área de robótica era que cada projeto era um assunto novo que eu precisava aprender. Para automatizar uma máquina de recapeava pneus de avião, aprendi muita coisa sobre bandas de rodagem, pneus e aviação (sabia que os pneus gastam muito mais na decolagem do que no pouso?). Para automatizar o corte de vidros que preenchiam as janelas dos carros, aprendi também muito sobre esse processo (sabia que nessa época, anos 90 do século passado, os moldes eram feitos de madeira?).

Depois fui para a consultoria e aprendi muito sobre cada tipo de negócio. A coisa é divertida mesmo e nunca acaba: como palestrante e facilitadora de cursos in company, também preciso estudar muito para customizar o conteúdo. Como minhas palestras e cursos são informativos, tenho que adaptar os exemplos e as ênfases de cada tema ao perfil profissional de cada plateia. Isso é bom para tudo mundo: para mim, que não fico repetindo a mesma história como um papagaio, e para os participantes, que conseguem ver alguma aplicação prática do conteúdo.

Alguns dos cursos que vou ministrar na próxima temporada são dirigidos a cooperativas. Então toca estudar o assunto; veja só quanta coisa interessante. 

A primeira dessas organizações surgiu em Londres, em 1844, onde tecelões se uniram para adquirir produtos a um preço mais baixo. Eles montaram um armazém que comprava produtos mais baratos no atacado e compartilhavam as vantagens com seus cooperados. 

O negócio deu tão certo que hoje em dia, um em cada 6 seres humanos na Terra é associado a alguma (ou mais) das 3 milhões de cooperativas existentes. Tem cooperativa para compartilhar consumo, crédito, trabalho, habitação, energia, água, serviços, enfim, tudo o que se quiser. Não é à toa que a UNESCO considerou essa forma de organização civil como Patrimônio Imaterial e Cultural da Humanidade em 2016.

Mas o que são exatamente cooperativas?

Essas organizações civis são apenas grupos de pessoas se unem voluntariamente para conseguir um objetivo comum que envolva investimentos. Todas as cooperativas são de propriedade coletiva e democraticamente geridas, sendo que os objetivos não são apenas econômicos, mas sociais e educativos também.

O mais legal é quando a gente consegue descobrir paralelos que antes não tinha se dado conta. Por exemplo; quando a gente fala de marketing 3.0, percebe que as cooperativas já tinham muita coisa em comum com esse conceito desde sua invenção, veja só.

Já falei de marketing 3.0 nesse artigo aqui, mas vamos revisar os princípios, só para contextualizar:

  • O produto é o rei: no marketing 1.0, o produto era o principal foco do marketing e da comunicação. As características técnicas do produto é que pesavam no processo decisório da compra. É só lembrar como você comprava computadores e câmeras fotográficas; sempre se considerava o processador e a resolução em pixels. Você leva esses números em consideração hoje em dia?
  • O cliente é o rei: no marketing 2.0, as empresas perceberam que os produtos estavam ficando muito parecidos entre si do ponto de vista técnico, então resolveram investir em serviços integrados para tentar conquistar o cliente. Pense nos planos das operadoras de telefonia, por exemplo.
  • O cliente é uma pessoa: no marketing 3.0, as empresas observaram que também os serviços estavam ficando parecidos e confusos. Então passaram a perceber o cliente como um ser humano completo, não apenas um corpo em volta de um bolso. Um ser humano com princípios, valores, crenças e preocupado com o seu entorno. Empresas 3.0 não visam somente o lucro, mas querem contribuir com a sociedade de alguma forma.

As empresas 3.0 querem mudar o mundo para melhor. E não é esse o objetivo principal das cooperativas? 

E tem mais: olha só os princípios do marketing 4.0:

  • do exclusivo ao inclusivo (abranger mercados  emergentes e não atendidos). Cooperativas: check!
  • do vertical ao horizontal (clientes e empresas lado a lado, sem hierarquia). Cooperativas: check!
  • do individual ao social (compartilhamento de experiências e importância do grupo). Cooperativas: check!

Agora é só fazer o dever de casa: humanizar a marca baseando-se em personas com forte atuação nas redes sociais; gerar conteúdo útil para os associados; estar diponível de todas as formas possíveis on e off line (omnichannel)  e criar advogados da marca.

Considerando o caminho percorrido até aqui, até que não vai ser tão difícil. Cooperativas são cada vez mais o caminho.

Viu? Já ganharam uma advogada da marca…rs

 

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