Dez dias de encher os olhos: parte 4 [Vulcão Vesúvio]

O Vesúvio é, atualmente, o único vulcão da Europa Continental ainda em atividade (os outros na ativa ficam nas Ilhas de Sicília e Stromboli). Atividade é maneira de falar, pois desde 1944 que ele só solta umas fumacinhas para sinalizar que não é para ceder a vaga para outro porque ele pode ficar irritado (e isso definitivamente não é bom).

O maior ataque de raiva que o sr. Vesúvio teve até hoje aconteceu em 79 D.C. Pegou todas as cidades em volta de surpresa e explodiu tão furiosamente que cobriu de cinzas em questão de minutos as cidades de Pompeia e Ercolano, que ficavam aos seus pés. As pessoas tentaram fugir, mas o bombardeio de gás, lava e pedras pode chegar a 700 km/h ladeira abaixo; não deu tempo de fazer nada mesmo. A grande erupção ejetou cinzas a uma velocidade de 1.5 milhão de toneladas por segundo, liberando uma energia térmica 100 mil vezes maior que a da bomba de Hiroshima (fonte aqui).

Naturalmente, montanha muda de forma a cada erupção, pois é tanta confusão de pedras, lava e cinzas que praticamente se redesenha outra geografia no entorno. A erupção de 1906 aconteceu justamente às vésperas da Itália se preparar para sediar as Olimpíadas; como a cidade de Nápoles foi parcialmente destruída (morreram 100 pessoas) e o dinheiro teve que ser canalizado para esse fim, Londres acabou se tornando a sede dos jogos de 1908.

Houve uma época que até teleférico tinha para se chegar próximo ao cume, mas a última erupção, em 1944, acabou com a festa e destruiu bastante coisa (de novo).

É bom que esse temperamental senhor fique quietinho por um bom tempo ainda (não se sabe quanto), pois em volta da perigosa montanha vivem hoje cerca de 3 milhões de pessoas. O pior é que segundo cientistas, quando mais tempo ele fica cochilando, maior é a violência da erupção que se segue. Por esse potencial de causar estragos e estar localizado numa área tão densamente povoada, ele é considerado o vulcão mais perigoso do mundo.

Apesar de tudo, as visitas ao cume são bem tranquilas. É possível subir de carro até a base do parque nacional; o ingresso custa € 10 e depois tem uma caminhada íngreme de uns 30 minutos até poder olhar para dentro do buracão, a 1280 m de altitude. Achei que eles poderiam aproveitar para organizar o passeio de uma maneira mais informativa, contando a história do vulcão, sua formação e algumas curiosidades e utilidades (pensei até em simuladores, games e mapas interativos, mas simples placas já ajudariam). Mas só se pode contar com um mapinha bem mequetrefe das trilhas (sendo que uma estava fechada) e umas fotos ilustrativas bem fracas.

Bom, se você quiser visitar o Vesúvio, vá o quanto antes, pois nunca se sabe…

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O Vesúvio visto de longe, da Costa Sorrentina, parece tão inocente…
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Essas rochas me hipnotizaram…
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Esse é o terceiro vulcão que a gente sobe (os outros dois foram o Villa Rica e o Osorno, no Chile). Mas o Villa Rica ainda é o mais impressionante.

 

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Veja mais: [Parte 1: Lago di Garda] [Parte 2: Verona] [Parte 3: Costa Amalfitana] [Parte 4: Vulcão Vesúvio] [Parte 5: Pompeia] [Parte 6: Capri e Península Sorrentina]

 

2 Responses

  1. Avatar
    Clotilde♥Fascioni
    Responder
    6 janeiro 2014 at 7:09 pm

    Tinha uma fumacinha ali ou é impressão? Aff, malucos, hahahah.

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