Fé demais

Terminei de ler “A janela de Euclides“, do Leonard Mlodinov (já falei do livro aqui) e continuo recomendando o volume. A segunda parte explica a essência do espaço curvo, a teoria da relatividade e teoria das cordas (atual teoria M) de um jeito que dá para nós leigos termos uma vaga noção do tamanho da encrenca. Sobre o espaço curvo eu já tinha escrito aqui, então o que quero compartilhar é uma historinha meio bizarra que achei no livro, olha só.

Na Idade Média, o cristianismo impediu qualquer progresso da ciência, condenando todo mundo que pensava demais; foi aí que o poderoso imperador romano Carlos Magno, apesar de católico fervoroso, se deu conta de que, naquele marasmo intelectual não dava para continuar. E se tornou o maior mecenas da educação na época, apesar de analfabeto (ele tentou aprender a ler várias vezes, mas parece que não conseguiu).

A limitação não o impediu de construir escolas paroquiais e transformar mosteiros em centros de estudo. Essas escolas foram se espalhando sem controle até que acabaram contribuindo muito para o fim da Idade das Trevas, como aquele período nesfasto para o conhecimento humano ficou conhecido.

A parte engraçada é que Carlos Magno, como a maioria dos reis poderosos, preocupava-se muito com sua saúde e longevidade. Tendo os melhores médicos, alquimistas, pesquisadores e estudiosos do mundo inteiro ao seu inteiro dispor, sabe o que ele fez?

Pasme: construiu mosteiros e contratou centenas de monges e leigos para rezar fervorosamente por ele em três turnos diários, numa espécie de fábrica teológica.

É mole? Mas parece que o pessoal matava um pouco o serviço, pois ele morreu bem doente, aos 72 anos…

2 Responses

  1. Avatar
    31 janeiro 2011 at 10:27 am

    Mas até que 72 anos para a época foi um grande ganho, e quase nem fez falta os “matadores” de reza…hahahah. Muito bom e interessante o livro.

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