A tarde sabe de coisas…

Daniel Pink é um escritor que acompanho há alguns anos, desde “A revolução do lado direito do cérebro”. Assim, não poderia deixar passar batido “When: the scientific secrets of perfect timing” quando o vi numa livraria de aeroporto.

Pink reuniu estudos científicos sobre os padrões de comportamento dos humanos em relação ao tempo (na verdade, a discussão toda é sobre timing, mas não sei como traduzir essa palavra para o português). 

O autor começa explicando que há padrões de comportamento facilmente identificáveis com a ajuda da tecnologia sobre as decisões que tomamos em relação aos horários do dia. E começa apresentando uma análise feita com o auxílio de inteligência artificial que analisou 500 milhões de tweets publicados por 2.4 milhões de usuários de 84 países em um período de dois anos. A ideia era identificar os efeitos positivos (entusiasmo, confiança, nível de alerta, etc) e efeitos negativos (raiva, letargia, culpa, etc). Os resultados são impressionantes. Independente se quem escreveu o tweet era norte americano, asiático, muçulmano, ateísta, negro, branco, homem ou mulher, o padrão era claro: o humor positivo aumenta pela manhã, reduz consideravelmente à tarde e volta a crescer no início da noite. As pessoas sentem-se mais felizes ao longo da manhã e menos felizes à tarde. À noite, as coisas começam a melhorar novamente. É claro que esse é um padrão estatístico (antes que alguém aí diga que não é bem assim).

Continue reading “A tarde sabe de coisas…”

WTF?

Eu me lembro muito do nome Tim O’Reilly porque a editora dele foi responsável pela publicação da maioria dos livros de programação e tecnologia da informação que li e consultei na vida. Nos anos 80, 90 e 2000, quase toda a literatura da área vinha dessa que foi a primeira grande editora especializada no assunto que se tem notícia.

Daí que esse senhor, que carrega praticamente toda a história da computação e da informática (ainda se chama assim?) nos ombros, resolveu publicar um livro não técnico, falando sobre como ele imagina que será o futuro.

Uma das grandes sacadas é o próprio nome: “WTF: What’s the future and why it’s up to us” (Tradução livre: “WTF: Qual é o futuro e porque ele depende de nós“). É que WTF é uma expressão em inglês que significa “What The Fuck?”; em português penso que a tradução que mais se aproxima é “Que porra é essa?”. Pois ele usa WTF como acrônimo de “What the Future?“, (que, no final das contas, significa, usando um pouquinho de humor e licença poética, quase a mesma coisa…rs). Continue reading “WTF?”

Será que existe um momento certo para inovar?

Esse é o tema que a gente trata essa semana no Berlim Tech Talks, nosso canal de vídeo que trata de tecnologia e inovação, pois é uma questão recorrente. Muita gente tem ideias brilhantes, tentam implementar e não dá certo. Alguns anos depois, alguém lança a mesma ideia com pequenas modificações e vira um estrondoso sucesso. Por que isso acontece? Será que a  ideia é mesmo a parte mais importante de uma inovação?

Dá o play no vídeo e vem ver o que pensamos a esse respeito.

As mulheres e o muro

Amanhã é o Dia Internacional da Mulher; aqui em Berlim, a partir desse ano, passa a ser feriado municipal. Esse é o ano também em que se comemoram os 30 anos da queda do Muro de Berlim.

Penso que o momento é oportuno para representar minhas irmãs, pois nunca as mulheres se uniram tanto para se proteger, lutar por seus direitos e ficarem mais fortes. O que não deixa de ser o avesso do muro de Berlim, que em vez de unir, separava. Em vez de empoderar, enfraquecia. Em vez de honrar, humilhava. Em vez de enfatizar a cooperação e a gentileza, machucava e embrutecia. Em vez de tornar o mundo mais belo, fazia-o ficar mais horrível. Ainda bem que aquilo acabou e cabe a nós transformar as lascas em lições, em força, em superação.

Mulheres, juntas, podem fazer coisas maravilhosas.

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho com as cascas do muro de Berlim e as ilustrações de mulheres, é só visitar o site ou as redes sociais:

www.studioligiafascioni.com

 www.instagram.com/studioligiafascioni

www.facebook.com/studioligiafascioni

Murakami colorido

Gosto muito do Haruki Murakami, em especial da maneira como ele descreve o dia-a-dia dos seus personagens num país tão exótico para mim, como é o Japão.  Então, quando vi essa edição caprichadíssima num sebo em Viena (que sorte que eles também falam alemão), não resisti. Já falei e repito: sim, eu costumo julgar os livros pela capa e raramente erro. Esse não foi exceção.

O volume, em edição de bolso, é encapado com tecido, tem aquelas fitinhas para marcar página e traz uma ilustração belíssima; impossível não amar.

Die pilgerjahre des farblosen Herrn Tazaki” (tradução livre: “O ano de peregrinação do incolor Sr. Tazaki”) é uma história simples, mas muito bem escrita. Continue reading “Murakami colorido”

Maus

Já tinha ouvido falar de Maus, de Art Spiegelman, e tinha alguma ideia do que se tratava e da relevância da obra. Mas lendo os dois volumes dessa incrível narrativa, deu para ver a importância do trabalho desse moço (que sempre achei que fosse alemão, mas é americano).

Maus, cujo primeiro volume foi publicado em 1986, é uma história em quadrinhos diferente de tudo o que eu já tinha visto. Não é à toa que revolucionou não apenas essa forma de expressão como também conseguiu emocionar um público que até então não costumava ler os livros convencionais que contam a tragédia do holocausto.

Continue reading “Maus”

top 10 de Janeiro: frio sem neve

Nos últimos dois invernos Berlim tem sido vítima de roubo de neve; estão desviando tudo para o sul da Europa e para os Estados Unidos. O frio nem está tão intenso como era de se esperar. Tem gente que acha bacana, mas uma das coisas que adoro em morar aqui é justamente ter as quatro estações bem definidas. Quero meu inverno com tudo o que tenho direito!

Mesmo assim, as paisagens continuam belas, dá só uma olhada.

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra silhuetas de pessoas caminhando pela praia de um lago congelado. — at Am Kaulsdorfer See.
1. Lagos congelados são sempre lindos… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra silhuetas de pessoas caminhando pela praia de um lago congelado. — at Am Kaulsdorfer See.

Continue reading “top 10 de Janeiro: frio sem neve”

O cardume

Um bom livro de ficção científica, na minha opinião, é o que leva a sério a palavra “científica” no nome do estilo literário. Ao contrário de livros de fantasia (que também são interessantes) e esotéricos (que não gosto muito), esses levam em consideração e com muita seriedade as leis da física, química e biologia na construção da história.

Nesse aspecto, Der Schwarm (“O Cardume”, em tradução livre), de Frank Schätzing,  é indefectível. Só imagino o tanto de pesquisa que foi necessária para escrever as quase mil páginas (com letras miudinhas…rs). 

Continue reading “O cardume”

Berlim Tech Talks

O que o Eduardo Otubo, o Cláudio Villar e eu temos em comum? Moramos em Berlim e adoramos conversar sobre tecnologia e inovação. Daí que resolvemos nos unir para criar o Berlim Tech Talks, um canal com um programa semanal de no máximo 15 minutos para falar sobre esse e outros temas. Já temos vários programas gravados falando sobre os mais diversos assuntos: inteligência artificial, bitcoins, mercado de trabalho em Berlim, revolução 4.0, ficção científica e muito mais.

Aqui um vídeo para você conhecer melhor a gente. Vai lá no canal e assina para não perder nada!

 

Quando a ciência e a imaginação se juntam para criar produtos

Uma das novidades que tenho para esse ano é o canal no Youtube Berlim Tech Talks; programetes de 10 minutos em que o Cláudio Villar, o Eduardo Otubo e eu conversamos despretensiosamente sobre inovação e tecnologia (aguardem; o lançamento está próximo!). Fizemos um grupo no Whatsapp para discutir as pautas e o Cláudio enviou esse ótimo artigo do Brian Merchant falando sobre como a Nike e a Boeing estão contratando escritores de ficção científica para predizer o futuro e ajudar no desenvolvimento de novos produtos (leia aqui na íntegra). O artigo é sensacional e, lá pelas tantas, Merchant cita o livro Science Fiction Prototyping: Designing the Future with Science Fiction, de Brian Davis Johnson, como uma referência de método para aplicar nas empresas com resultados práticos. É claro que não contei tempo e comprei logo o livro.

Brian é futurista da Intel; usando pesquisas em tecnologia, estudos etnográficos, análises de tendências e literatura de ficção científica, o trabalho dele é imaginar como será o futuro nas próximas décadas para que a empresa possa se preparar tanto para as oportunidades como também para as ameaças que esse futuro pode trazer.

Mas peraí: como é que a ficção científica pode ajudar, de fato uma empresa a se preparar para o futuro e até desenvolver novos produtos? 

Continue reading “Quando a ciência e a imaginação se juntam para criar produtos”