Coisas com história

Entre julho e novembro de 2009, Joshua Glenn and Rob Walker resolveram fazer um experimento antropológico chamado Significant Objetcts para mostrar que narrativas transformam objetos insignificantes em algo significante e com valor. 

Para isso, compraram 100 quinquilharias aleatórias por centavos, e as distribuíram entre escritores convidados (alguns famosos e outros nem tanto). A tarefa era inventar uma história sobre o objeto. 

O próximo passo foi colocar esses objetos no eBay com a história na descrição. Vou colocar aqui alguns exemplos resumidos. 

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Dicas para praticar storytelling

Storytelling é o nome moderno e fashion para a velha e boa contação de histórias. 

O cérebro humano é especialmente sensível a narrativas e dominar essa arte tem inúmeras utilidades: desde aumentar sua influência no mundo até ter uma profissão criativa. 

Pense: todo o mundo das artes, entretenimento, marketing, propaganda, política, educação, enfim, quase tudo gira em torno de histórias. 

Mas aqui vamos explorar somente uma das utilidades do storytelling: exercitar o cérebro para gerar mais ideias. 

É que para criar histórias a gente tem que recombinar os elementos que já estão dentro do nosso repertório. Exatamente o que a gente faz quando gera ideias. 

Então, inventar narrativas é um excelente exercício de musculação cerebral para aumentar nossas habilidades criativas. 

Separei aqui algumas dicas para você praticar storytelling no dia-a-dia; as variações são infinitas e você pode inventar mais. 

1. FOTOS: Abra seu feed no Instagram, por exemplo, e vá criando uma história conforme a sequência de imagens que aparece, como se estivesse descrevendo um livro ilustrado. Crie personagens, conflitos e crises. É divertido! 

2. FILAS: Se você está numa fila ou num lugar com mais de uma pessoa estranha, imagine uma história para cada uma e a relação entre elas. Exemplo: o moço que está na sua frente no supermercado é um agente secreto que tem que passar uma mensagem para o caixa sem chegar perto por causa do Coronavírus. Mas a pessoa que está com ele não pode perceber, pois é um jornalista infiltrado. E por aí vai…rs 

3. OBJETOS: observe os objetos ao seu redor e imagine que eles estão conversando. O que sua cadeira estaria dizendo para o tapete que está ao lado dela? Será que falam sobre as pernas da mesa? 

Você pode fazer o garfo conversar com sua faca ou descobrir porque a plantinha está magoada com as críticas que recebeu da almofada nova… 

4. METÁFORAS: que tal reescrever as metáforas e lugares comuns que a gente conhece? Exemplo: em vez de “fechar com chave de ouro” que tal “encerrar com aplausos da Beyoncé”; em vez de dizer que a pessoa fez “uma tempestade num copo d’água”, poderia ser “achou que a falta de calço no pé da mesa era terremoto”. 

NOTA: O escritor André Gabeh (procure nas redes sociais) é mestre nisso. Ele fala sobre a vida no subúrbio carioca e tem uma criatividade infinita para metáforas. É hilário! 

5. CONTÍCULOS: Essa dica vem do grande escritor Edgar Allan Poe. Você abre o dicionário três vezes, anotando a palavra que você encontrar primeiro em cada vez. Aí é só criar um pequeno conto usando essas três palavras. 

Eu costumava fazer isso sempre; tanto que aqui no blog tem uma categoria chamada “contículos” para você se inspirar. Vai

6. OBJETOS ESPECIAIS: imagine que você precisa vender um objeto e tem que inventar uma história para valorizá-lo (ex: essa caneta Bic velha pertenceu ao grande poeta Drummond que a usou para escrever seu primeiro livro; por isso está com tão pouca tinta). Na verdade, existe um experimento social incrível em que escritores foram contratados para fazer isso com objetos aleatórios no eBay e os resultados foram surpreendentes (saiba mais no Significant Objects).

7. BICHOS DE ESTIMAÇÃO: Se você tem um animal, pode criar uma personalidade e criar histórias para ele. Minha mãe, que é escritora, sempre publica as aventuras do Otávio, o gato impossível que mora com ela. 

AVISO IMPORTANTE: As dicas são simples e fáceis de praticar. Mas, para isso, você tem que tirar o nariz da frente do celular e prestar atenção à sua volta, senão não funciona! 

Por que preciso ter 100 ideias?

A Teoria da Evolução de Darwin nos ensina que a natureza faz variações aleatórias sobre um tema (ou, no caso, ser vivo) e, conforme o desempenho de cada variação, ela sobrevive ou não.

Não dá saber de antemão qual será a mais bem sucedida; é preciso tempo para que a evolução seletiva aconteça.

Com a inovação, é a mesma coisa.

Só é possível saber que algo é inovador depois do fato consumado.

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Más intenções

Adoro histórias policiais; se elas se passam no Japão, então, já ganharam meu coração!

“Böse Absichten” (tradução livre: “Más intenções”), de Keigo Higashino, é surpreendente em vários aspectos.

Conta a história de dois amigos escritores quando um deles é assassinado. No meio do livro já sabemos quem é o assassino (ele, inclusive, confessa).

A questão é que o comissário que investiga o caso (e que foi colega de escola do assassino) não está muito bem convencido do motivo do crime e continua investigando, mesmo depois de tudo aparentemente resolvido.

Olha, não é tão surpreendente assim o motivo; gostei mais pela estrutura original da trama e pelo carisma dos personagens.

Acabei descobrindo que já li outro livro do autor e gostei muito: “Verdächtige Geliebte”. Pelo que pesquisei, ele ainda não foi traduzido para o português, mas tem bastante coisa em inglês na Amazon brasileira.

Se você achar por aí, vale a pena.

chineses superpoderosos

Olha, em termos gerais, posso dizer que esse foi um dos melhores livros que li esse ano de não-ficção. AI Superpowers: China, Silicon valey and the new world order, de Kai-Fu Lee, é daquelas obras que faz a gente entender e repensar muitas coisas, além de propiciar uma visão mais ampla das diferenças culturais.

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Sem uma palavra

Eu não conhecia Linwood Barclay; depois de ler “Ohne ein wort” (tradução livre: “sem uma palavra“), vou procurar outras obras dele.

O thriller conta a história de uma menina de 14 anos rebelde que foi pega em flagrante pelo pai no carro do namorado problemático. Levada para casa emburrada, levou uma bronca e foi para seu quarto, não sem antes reclamar aos berros que queria que todos morressem.

No dia seguinte, quando acordou para ir à escola, a casa estava completamente vazia. Seus pais e seu irmão mais velho desapareceram como que por encanto, sem deixar pistas; nem ao menos um bilhete ou recado. Simplesmente sumiram.

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O mundo ameaçado pela GAFA

O primeiro emprego do jornalista Franklin Foer foi como editor de uma revista digital feminina chamada Underwire (gostei do nome…rs)*, outra sobre automobilismo e alguns sites dedicados à vida urbana; todos pertencentes à Microsoft. Sim, a empresa gerava conteúdo em vez de compartilhar o que os outros criavam. Como todo início, foi confuso. Não se sabia com que frequência deviam atualizar as publicações; os leitores davam palpites em tudo, o tempo todo e os jornalistas não sabiam como lidar.

Em “World without mind: the existencial threat of big tech” (algo como ‘Mundo sem mente: a ameaça existencial das grandes empresas de tecnologia’) fala sobre como as grandes corporações estão crescendo em um mundo sem limites, em que os monopólios tecnológicos aspiram moldar a humanidade em um formato que eles imaginam ser o ideal. Essas empresas, também conhecidas por GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon) acreditam que são fundamentalmente organismos sociais, uma espécie de existência coletiva. 

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Quem são os fluxers?

Não adianta. Por mais que a gente tente acompanhar, impossível saber tudo o que está rolando. A solução? Seguir as pessoas certas nas redes sociais.

Pois graças a um post no Instagram da engenheira e especialista em neuromarketing Erica Ariano (@cacauariano) fiquei sabendo essa semana de um conceito que já existe desde 2012.

Foi quando Robert Safian, editor da revista Fast Company, publicou o artigo: “This Is Generation Flux: Meet The Pioneers Of The New (And Chaotic) Frontier Of Business“.

O artigo traz uma ideia realmente nova: a da Geração Flux.

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As regras do cérebro

John Medina é um cientista especializado em biologia molecular e fundador de dois institutos de pesquisa do cérebro.  Ele estudou realmente a fundo o tema e criou as Brain Rules (Regras do Cérebro) para que a gente possa aproveitar o máximo possível desse equipamento sofisticadíssimo que carregamos conosco.

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Origem

Podem me julgar, mas adoro o Dan Brown. Sei que ele é um fabricante em série de thrillers, mas o considero dos mais competentes. Depois de ler meia dúzia de livros dele, já dá para reconhecer a fórmula e não ter muitas surpresas no final (ok, dessa vez tive uma surpresinha que não muda a história, mas achei ousada e ótima). 

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