A escultora

Já tinha gostado de outro livro da premiada autora britânica Minette Walters (veja aqui), por isso não titubeei quando vi “Die Bildhauerin” (tradução livre: “A escultora”) no mercado de pulgas. Olha, não me arrependi; essa autora é muito boa mesmo.

O romance conta a história de Olive Martin, uma moça com uma história de família bem complicada que está presa por ter matado a mãe e a irmã e depois cortá-las em pedaços a machadadas. Rosalind Leigh, uma escritora que está passando por um bloqueio criativo, recebe a sugestão de sua agente literária de contar essa história a fundo. Continue reading “A escultora”

A arte de viajar com arte

A Laura Ammann e o João Rizek são dois amigos queridos que estão lançando um serviço sensacional chamado ARTSY Travellers: eles acompanham você pelos museus de Berlim e Potsdam mostrando os acervos e contextualizando tudo o que você vai ver.

Se você gosta de arte, mas não entende muito, não se preocupe: eles fazem uma entrevista para descobrir quais os museus você acharia mais interessante e que tenham mais a ver com seu perfil. E olha, precisa mesmo, pois são nada menos que 175 opções, sem falar nas inúmeras galerias de arte. Aí eles montam um roteiro especial considerando o que você gostaria de ver, o tempo e o orçamento disponíveis, usando a linguagem mais próxima à sua realidade. Continue reading “A arte de viajar com arte”

Wandelism

Não, você não leu errado. Não é vandalismo, é Wandelism mesmo. Uma brincadeira com a palavra Wand (parede, em alemão), já que a exposição é de street art, considerada por muitos como vandalismo.

Estou adorando que o negócio está virando moda aqui em Berlim; depois do sucesso estrondoso da The Haus (saiba mais aqui), agora o mesmo grupo ocupou uma antiga concessionária de veículos prestes a ser derrubada para usar como galeria temporária de street art. Uma delícia de moda, tomara que pegue no mundo inteiro.

Ao contrário do evento anterior, que ficou aberto um mês inteiro para visitação antes da demolição e não se podia fotografar, o Wandelism dura só uma semana (de 17 a 24 de março de 2018) e pode tirar fotos à vontade. O prédio da concesssionária tem 2 mil m² divididos em 15 salas, dois grandes halls e um porão. Mais de 70 artistas voluntários trabalharam sem nenhum orçamento e doando seu próprio material; os organizadores simplesmente ofereceram o espaço (eles ficaram sabendo da disponibilidade do espaço há algumas semanas e quase não tiveram tempo de ir atrás de patrocínio) e tanto veteranos como principiantes puderam participar.

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Yes is more!

Quem gosta de arte e design, como eu, geralmente também tem fascínio por arquitetura. Penso que construções nada mais são do peças de arte e design, só que em escala ampliada. Por isso, quando minha querida amiga arquiteta Ana Rampim recomendou o episódio sobre arquitetura da série Abstract da Netflix, fui toda feliz assistir. E valeu demais.

A ponto de acabar o vídeo e ir correndo à livraria da Taschen aqui em Berlim para comprar “Yes is more: ein Archicomic zur Evolution der Architektur” (Tradução livre: “Sim é mais: uma história em quadrinhos da evolução da arquitetura), do arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels. Consegui o último volume disponível em alemão e, olha, a leitura é só felicidade!

O livro em si é muito original, pois a equipe do próprio escritório de Bjarke fez o projeto gráfico e todo o conteúdo, sob orientação desse rapaz incrivelmente jovem e talentoso.

As primeiras páginas explicam o título. O texto começa citando a famosa frase do arquiteto-mito Ludwig Mies Van der Rohe divulgada em meados do século XX, em que ele diz “Less is more” (Tradução livre: “menos é mais”). Adepto do minimalismo, o modernista acreditava na pureza das formas limpas e sem excessos. Continue reading “Yes is more!”

top 10 de fevereiro: muita luz

Fevereiro costuma ser um mês gelado e cinzento aqui em Berlim, mas esse ano, devido às mudanças climáticas, o frio se superou, chegando a -18 C em alguns dias. Mas, ao contrário de várias partes da Europa, aqui não nevou; os dias estavam surpreendentemente lindos e iluminados. É claro que aproveitei bastante (apesar de quase ter congelado os dedos tirando fotos…rsrs).

Dê uma olhada nas mais curtidas de fevereiro e escolha aí sua preferida!

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um prédio na forma de um cubo de vidro cheio de ângulos; é o Futurium, um empreendimento do governo alemão e da iniciativa privada para construir um espaço de exposições focado no futuro e suas tecnologias. O prédio é todo otimizado para sustentabilidade. Os arquitetos berlinenses Richter e Musikowski venceram o concurso que contou com escritórios de todo o mundo. Ainda não tem nenhuma exposição sendo oferecida (ele foi terminado há pouco tempo), mas aguardo ansiosa pela primeira. O prédio é todo fotogênico e haverá mais fotos dele por aqui. Por ora, feliz porque peguei a luz de jeito...rsrs — at Futurium.
1. Esse prédio do Futurium muda de acordo com a luz. Vantagens da fachada espelhada! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um prédio na forma de um cubo de vidro cheio de ângulos; é o Futurium, um empreendimento do governo alemão e da iniciativa privada para construir um espaço de exposições focado no futuro e suas tecnologias. O prédio é todo otimizado para sustentabilidade. Os arquitetos berlinenses Richter e Musikowski venceram o concurso que contou com escritórios de todo o mundo. Ainda não tem nenhuma exposição sendo oferecida (ele foi terminado há pouco tempo), mas aguardo ansiosa pela primeira. O prédio é todo fotogênico e haverá mais fotos dele por aqui. Por ora, feliz porque peguei a luz de jeito…rsrs — at Futurium.

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Crimes berlinenses

Tenho conseguido manter minha média de três livros por mês; o que tem faltado é tempo para escrever as resenhas. Então vou aproveitar e fazer duas de uma vez só. Os dois são histórias policiais que se passam na cidade de Berlim e isso, pelo menos para mim, tornou as descrições das cenas mais interessantes. Outra coisa em comum é que ambos usam a expressão rei e rainha no título; gostei da coincidência.

Die Hirnkönigin (tradução livre: A rainha do cérebro), recebeu menção honrosa do Deutschen Krimipreis. A autora, Thea Dorn, uma cantora de ópera formada em filosofia, tem 13 romances publicados, peças de teatro e roteiros para televisão. Ela é criativa e gostei da maneira como escreve. A personagem principal, uma jornalista bonita com um pouco mais de 30 anos, que acaba descobrindo o crime, achei que ficou um pouco caricata. Briguenta, desleixada, fuma e bebe demais (a ponto de perder a memória), porém, perspicaz e muito detalhista. A história gira em torno de uma serial killer que é apaixonada por cérebros de homens maduros, barbudos e inteligentíssimos; ela os mata para contemplar e se masturbar com a massa cinzenta das vítimas. Um horror mesmo o negócio. Achei que para alguém tão experiente e premiada, faltou suspense; na metade do livro já estava claro quem era a assassina. Eu esperava uma virada que nunca chegou. Não é ruim, mas já li melhores.

Der König von Berlin (tradução livre: O rei de Berlim), de Horst Evers, é mais elaborado e imaginativo que o primeiro. Conta a história de um cadáver descoberto por coincidência por um profissional de desratização. Os ratos, por sinal, são tema central na história: a principal empresa da cidade nesse ramo tem mais poder do que se imagina. Está nas mãos dela afundar Berlim num mar de ratos ou salvá-la; o desratizador, inclusive, vira herói ao longo da trama. Existe todo um esquema desde a queda do muro de Berlim em que o fundador do empreendimento anti-pragas, em conluio com amigos de infância, participa de um grupo que domina áreas diversas como a construção civil e a segurança. Há políticos envolvidos, muito dinheiro e um tanto de bizarrice também. O comissário de polícia destacado para devendar o crime é do interior da Alemanha e esse é seu primeiro trabalho na capital depois da tão sonhada promoção; ele sofre todo tipo de bulling dos colegas por ser “caipira” (sim, aqui também tem disso) e também acaba fazendo um monte de bobagens durante a investigação. Esse gostei muito mais, do começo ao fim. A história é criativa e explora maravilhosamente os cenários tão conhecidos. Recomendo com estrelinhas.

Vou ver se dou conta de resenhar outros nos próximos dias.

Top 10 de janeiro: inverno de mentirinha

Nesses seis anos que estou morando em Berlim, é a primeira vez que não neva em janeiro. O inverno foi estranhamente quente, como temperaturas de até 10 C em alguns dias, algo inimaginável há alguns anos. Fevereiro não está com cara de que a situação vá mudar muito. A situação é bem preocupante; a variação do clima está aí para quem quiser ver. Parece que o frio se concentrou todo na Rússia (que teve temperaturas recordes de até -67 C, EUA e Canadá).

Pois é, mas mesmo com essa preocupação e sem neve, a paisagem continua linda. Vamos dar uma olhada nas 10 fotos mais curtidas no meu Instagram em janeiro?

Escolha a sua preferida e conte para a gente!

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a entrada em diagonal de um prédio. Na parede lateral, o desenho da parte superior de um menino com uma coroa na cabeça. Ele está brincando de fazer óculos com as mãos. — at Prince Charles.
1. Achei esse grafite muito impressionante, ainda mais porque estava na entrada de um prédio antigo e cheio de mistérios…#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a entrada em diagonal de um prédio. Na parede lateral, o desenho da parte superior de um menino com uma coroa na cabeça. Ele está brincando de fazer óculos com as mãos. — at Prince Charles.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um homem caminhando em uma calçada, do lado direito. Do lado esquerdo, um lago que reflete a escultura formada por tubos. A névoa toma conta de tudo, forjando um clima de mistério e suspense... — at Theater am Potsdamer Platz.
2. Adoro dias cobertos de neblina densa. Fico me sentindo dentro de um filme de suspense…rsrs #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um homem caminhando em uma calçada, do lado direito. Do lado esquerdo, um lago que reflete a escultura formada por tubos. A névoa toma conta de tudo, forjando um clima de mistério e suspense… — at Theater am Potsdamer Platz.

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Cidade modelo

As surpresas nunca acabam mesmo, não dá para se entediar nessa cidade. Olha só que descoberta: na rua que dá para o prédio da Embaixada Brasileira em Berlim, bem ao lado do Märkisches Museum, tem um prédio da prefeitura com uma exposição de maquetes sensacionais. E a mostra é gratuita! Só entrar e se deliciar!

São vários modelos diferentes em escala, detalhamento e período histórico. O maior deles tem 65 m² de área e representa toda a região central da cidade em uma escala 1:500. A maquete foi construída em 1990, logo depois da queda do muro; os volumes em branco já existiam em 1990 e os volumes em madeira, depois dessa data. Os blocos brutos são projetos de construção e os mais detalhados são obras já concluídas. Nesse modelo maior, o apartamento onde eu moro ainda não existe (foi terminado em 2015), nem mesmo como projeto. Mas obras mais recentes, como o Humboldt Forum, a ser inaugurada no ano que vem, já está em sua forma detalhada (sim, nem tudo é perfeito…rs).

As duas maquetes maiores estão sempre sendo atualizadas (são muitas obras ao mesmo tempo; imagino a logística para manter os bloquinhos todos atuais). Por sorte, peguei o flagra do momento em que dois colaboradores alteravam a maquete da parede (escala 1:1000 e 52 m²), onde, veja só, meu prédio já aparece. Continue reading “Cidade modelo”

Esse tênis leva a pessoa a qualquer lugar de Berlim

Não é segredo para ninguém minha admiração pela empresa de transportes públicos de Berlim; não que o serviço prestado seja um primor de excelência. Há falhas, e muitas. Mas os caras sabem TUDO de marketing. Mesmo com o ônibus atrasado, não tem como não amar essa empresa. Assisti uma palestra com o diretor de marketing que apresentava as diretrizes para toda a comunicação da empresa e relatei aqui.

Em Berlim não há catracas de nenhum tipo no transporte público. A fiscalização é feita por amostragem, quando os fiscais entram no trem e pedem os bilhetes para quem está embarcado (ou mesmo nas estações). Essa é a parte boa. A ótima é que você pode fazer uma assinatura anual do bilhete (meu caso), onde por cerca de €70/mês pode-se andar o quanto quiser de tram, ônibus, trem e metrô. Nos finais de semana, feriados e depois das 20 horas ainda pode levar um acompanhante adulto e três crianças com o mesmo ticket. Coisa melhor não há.

Agora, mais um lançamento de tirar o chapéu para comemorar os 90 anos da empresa (quem disse que os alemães não são criativos?). Continue reading “Esse tênis leva a pessoa a qualquer lugar de Berlim”

top 10 de dezembro: um pouco de Berlim e muito de Lisboa

Apesar de ter passado apenas seis dias em Lisboa, o céu cinematográfico não deu muita chance para os dias tipicamente cinzentos de dezembro em Berlim. Não teve jeito, as mais curtidas foram mesmo as maravilhosidades lisboetas que alimentaram os olhinhos dos meus seguidores. Vamos passear então?

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o sol nascendo às nove horas da manhã em um dia que promete ser tão belo quanto frio. Ao fundo, a silhueta da Catedral de Berlim, à beira do rio Spree. Um pássaro cruza a cena. — at Museum Island.
1. Foram vários cliques até o passarinho ficar no lugar que eu queria. Demorou, mas funcionou! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o sol nascendo às nove horas da manhã em um dia que promete ser tão belo quanto frio. Ao fundo, a silhueta da Catedral de Berlim, à beira do rio Spree. Um pássaro cruza a cena. — at Museum Island.

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