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PATAGÔNIA
ARGENTINA [2004-2005]
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Viajar
pela Argentina é lindo e muito barato. O país é
enorme, o que rende muitas férias, os argentinos são
muito gentis e as estradas são excelentes. Além disso,
há outro incentivo: na Patagônia, porque as distâncias
são muito grandes e a região é pouco habitada,
a gasolina (que lá eles chamam nafta) é subsidiada.
E se na região de Buenos Aires o preço do litro da
gasolina comum é R$ 1,70, lá é R$ 1,10 (o peso
está igual ao real).
Encontrei-me
com o Conrado em Buenos Aires dia 30/12/04 (lá fui eu de
milhas Varig). A viagem durou 15 dias e 5.000 km.
Andamos
pela
primeira metade da Patagônia, que é muito grande (vai
até o extremo sul do continente). Quem sabe o ano que vem
a gente vê mais um pedaço..
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[1
jan 2005] Primeiro capítulo do diário
Chegamos
hoje à divisa que marca o início da Patagônia Argentina
(é quando se cruza o Rio Negro, vejam em um Atlas). Ontem dormimos
na Sierra de La Ventana que tem esse nome por causa de uma pedra gigantesta
furada que parece uma janela (dá para ver da estrada). As estradas
são retas intermináveis, com plantações de
trigo e pasto para gado por todos os lados. Aliás, não entendo
nada de bois e vacas, mas me chamou atenção que os daqui
são todos monocromáticos (pretos ou marrons), com a cara
branca. Deve ser a marca deles...
Viemos preparados para o frio (a dona da pousada nos disse que na semana
passada teve que ligar a calefação, tão frio estava),
mas pegamos 38 graus às 5 da tarde!!!!!! Estamos nos sentindo como
naqueles filmes americanos passados na rota 66 que cruza o deserto e tem
um posto a cada 150 km. Aliás, hoje socorremos uma moto que ficou
sem nafta (gasolina) na estrada. Encontramos mais umas 5 motos de gente
fazendo um trajeto parecido com o nosso, só que eram argentinos.
Acabamos de chegar a Las Grutas, que é um balneário com
pouca areia e a praia a 20 metros abaixo da rua que costeia o local. É
bem exótico, tanto a Praia, que fica sob um penhasco cheio de buracos
(as tais grutas) onde dizem que vive um papagaio (o Loro da gruta) que,
se for esperto, deve ter se recolhido para meditar e só volta em
março, pois o lugar está lotado. A faixa de areia é
mínima, escura e fofa, mas tem umas mil pessoas e uns 200 cachorros
(perros) por metro quadrado. Como não trouxemos nem um chinelo
(estamos abarrotados com roupas de frio), resolvemos passear pela praia
de Timberland mesmo (imaginem o mico — eu e o Conrado já
temos cara de gringos mesmo). Foi melhor, no final, depois que a gente
viu a quantidade de cachorros se esfregando na areia e a farofada. Uma
coisa surreal mesmo. Nao é de se admirar que eles adorem Floripa!
[Clique
nas fotos para ampliá-las]
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Avestruzes
e bois
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Estância
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Pagando
mico em Las Grutas
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Traje
para praia
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[4
jan 2005] Segundo capítulo do diário
Anteontem passamos a noite na Península Valdés, em uma baía
paradisíaca chamada Puerto Pyramide. O lugar parece uma daquelas
praias nas ilhas gregas. O plano era ir no dia seguinte conhecer a península,
mas não foi possível por causa das condições
das estradas (areião que derruba motos).
O
vento aqui faz parecer o vento sul uma reles brisa. Chega a virar carros.
Há ovelhas passeando pela estrada, de vez em quando elas resolvem
mudar de lado e a gente tem que ficar atento. Então, viemos para
Puerto Madryn (uma gracinha de cidade, lidíssima) e alugamos um
carro.
Passamos hoje o dia todo na península (sao mais de 400 km para
fazer o contorno) e ficamos encantados com o lugar. Vimos uma elefanteria,
que é onde os elefantes marinhos têm filhotes e acasalam.
Uns bichos enormes. Como é uma reserva, não se pode tocá-los.
Só se pode descer até a praia com um guia, que instrui todo
mundo para ficar em silêncio e sentado a 10 metros dos bichos, só
observando. Eles têm um cheiro fortíssimo (os bichos, não
os guias, eheheh) e fazem um barulho bem alto que parece um arroto. Os
filhotes, enormes, são muito fofos.
Vimos também uma loberia cheia de filhotes e machos com seus harens
de lobos do mar. Vimos orcas que ficam nadando por perto, pois os filhotes
dos lobos têm que aprender a nadar e elas aproveitam para comê-los.
Felizmente não presenciamos nenhuma refeição...
Pingüins eram muitos, mas só deu para ver de longe. Esse é
um dos lugares mais lindos que eu já vi na vida, vale a pena visitar.
[Clique
nas fotos para ampliá-las]
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| Puerto
Pyramide |
Puerto
Pyramide |
Puerto
Pyramide |
Puerto
Pyramide
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| Salina
Grande: ponto mais baixo do continente |
Filhotes
de elefantes marinhos trocando de pele |
Baía
da elefanteria |
Península
Valdés |
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| Península
Valdés |
Lobos
marinhos |
Caleta
Valdés |
Caleta
Valdés |
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| Caleta
Valdés |
Caleta
Valdés |
Península
Valdés |
Península
Valdés |
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| Península
Valdés |
Loberia
Punta Norte |
Loberia
Punta Norte |
Guanaco |
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[6
jan 2005] Terceiro capítulo do diário
Estamos em Trellew, uma cidadezinha pequena e charmosa, colonizada por
imigrantes galeses (do País de Gales). Aqui, como nas outras que
ficamos, tudo fecha das 13h às 17h30 para a siesta. Depois tudo
abre e funciona até às 21h30. No horário da siesta,
a cidade inteira fica deserta, parece que passou um disco voador e levou
todo mundo. A onda de calor ainda continua, só o vento constante
é que contribui para refrescar (às vezes até esfria
demais).
Mas vamos aos pingüins. É a coisa mais surreal que eu já
vi! Depois de uma longa viagem em estrada de terra (tivemos que alugar
um carro, pois a moto escorrega no areião — até os
carros escorregam se o motorista se empolgar muito — tanto que existe
um seguro especial para capotagem, já que isso é comum aqui),
pagamos o ingresso para entrar na reserva Punta Tombo (essa foi a única
vantagem que eu vi sobre o mercosul — nós, brasileiros, pagamos
$10 – os outros países pagam $35 para entrar — e olha
que estava cheio de ingleses, alemães e italianos.
Depois da entrada, fomos orientados a estacionar o carro em um lugar apropriado
longe da praia, a alguns km do acesso. Não é que tivemos
que parar duas vezes porque uma família de pingüins resolveu
atravessar na nossa frente e ficou um tempão indecisa entre ir
ou voltar? Eles andam na estrada, no estacionamento, na rua, inclusive
na reserva, atrás de uma cerca de arame que não podemos
passar — eles não estão nem aí, andam no meio
de todo mundo com aquela pose e elegância que lhes são peculiares
(como é que eles conseguem andar tão longe com aqueles pezinhos?).
Os ninhos ficam em buracos debaixo da vegetação (aquele
arbusto de deserto). Não sei para que tem a cerca, mas o povo respeita
muito. Não se pode tocar neles, falar alto, correr e nem dar comida.
E os humanos obedecem direitinho! Já os pingüins...
Os pinguins adultos têm quase meio metro de altura e pesam de 4
a 5 kg. Nessa época do ano, os filhotes do ano anterior trocam
a penugem cinza pelo pêlo preto e a barriga branca. A fêmea
só põe 2 ovos por ano e ela e o macho chocam juntos por
40 dias. Depois que os filhotes nascem, elas escolhem o mais forte para
cuidar e o outro tem que se virar. Estranho, né?
Essa colônia tem mais de um milhão de pingüins, é
pingüim que não acaba mais!
Na hora de ir embora, um ônibus de turismo teve que esperar uns
15 minutos até que dois cavalheiros pingüins saíssem
debaixo dele (eles estavam pegando uma sombra). Ninguém pode cutucar
os bichos, pois o lugar é deles. Uma experiência única
para guardar.
Amanhã temos bastante estrada (600 km), pois vamos a Esquel. No
dia seguinte, chegamos a Bariloche. Por mim, depois de tudo que eu já
vi, o que vier é lucro. Fiquei muito impresionada com tanto bicho
do mar sendo respeitado assim no seu ambiente natural. O mundo ainda não
está perdido!!!!
[Clique
nas fotos para ampliá-las]
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| Punta
Tombo |
Punta
Tombo |
Punta
Tombo |
Punta
Tombo |
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Punta
Tombo |
Punta
Tombo |
Punta
Tombo |
Filhotes
de Pingüim |
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| Ninhos
sob a vegetação |
Passeio
na estrada |
Cruzando
a rua |
Esperando
o ônibus |
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[7
jan 2005] Quarto capítulo do diário
Hoje cruzamos o país de leste a oeste (mais de 600km). Olhem no
mapa: saída de Trellew (costa atlantica) e chegada em Esquel (aos
pés da Cordilheira dos Andes).
Eu que não esperava mais nada dessa viagem de tão encantada
que estava, me surpreendi uma vez mais: esse país é lindo!.
Nunca deixa de ser emocionante avistar a cordilheira pela primeira vez
na estrada.
A gente saiu do litoral às 7h30 com aquela vegetação
desértica até onde a vista alcançaa, ventos cortantes
(não tem barreira para eles) e calor. Lá pelo meio do caminho
já começa a pré-cordilheira, com montanhas enormes
e coloridísimas (mais coloridas ainda do que aquelas no Paso de
Águas Negras, da última viagem).
A
paisagem é espetacular, de tirar o fôlego. O vento continua,
agora contra e com toda força (é melhor assim — vento
de lado dificulta mais a viagem — bom mesmo é vento a favor,
né?). Pena que não deu para tirar nenhuma foto, pois a luz
não era adequada e nuvens negras e ameaçadoras nos apressavam.
O frio aqui é cortante, agora tivemos que usar todo o agasalho
que trouxemos (ainda bem que foram suficientes), inclusive toucas de lã.
Amanhã vamos visitar o Parque Nacional dos Alerces, cheio de montanhas,
árvores milenares e lagos. É que aqui a cordilheira é
mais baixa (os picos têm no máximo 2000 m contra aqueles
5000 m e 6000 m que vimos o ano passado). Por isso, a umidade que vem
do oceano pacífico consegue passar e se condensa desse lado, cuja
terra, por esse motivo, é muito fértil.
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[9
jan 2005] Epílogo
Ontem visitamos o Parque Nacional Los Alerces. Estava bem nublado e o
caminho, de ripio, nos fez gastar 5 horas para andar 100 km (o mesmo tempo
que fizemos os 600 km do dia anterior). De qualquer maneira, valeu a pena.
Só ficamos mais cansados.
Depois dessa epopéia, chegamos em Bariloche e a cidade é
a versão argentina de Gramado e Canela no que diz respeito à
arquitetura e compras. Ela está localizada em um lugar lindíssimo,
parece que a cidade escorregou da cordilheira e caiu lá em baixo,
às margens de um enorme lago azul que deve ser um gelo, pois o
vento é violento.
Tem
muita lojinha e bons restaurantes (aliás, estamos comendo muito
bem nessa viagem — o roteiro gastronômico está irretocável).
O problema é que a cidade cresceu demais e já tem uma periferia
feia e barra pesada. Parece aquelas cidades feitas para explorar turista,
tudo parece muito artificial. De qualquer maneira, tem a sua beleza, principalmente
pela geografia e arredores.
Hoje estamos em San Martin de Los Andes. Essa sim, uma verdadeira jóia.
A 5 km de comecar a cidade, o que deveria ser a perifeira, já se
encontram casas em estilo alpino. Detalhe: todas! Nao há uma única
casa, por mais simples que seja, que não esteja em harmonia com
o conjunto e não tenha um belíssimo jardim. Para se ter
uma idéia, as calçadas estão cheias de rosas acabadas
de desabrochar, de todas as cores, o que torna a cidade perfumadíssima.
Mesmo tendo só uns dez quarteirões por quatro, o centro
tem três praças lindas e grandes. San Martin também
tem um lago e o comércio é muito bem desenvolvido, mas com
muito menos gente e bem mais caprichado. Internet é o que não
falta (aliás, como em toda a Argentina. Nós contamos pelo
menos 8 estabelecimentos com umas 20 máquinas cada).
Tanto aqui quanto Bariloche ficam lotados no verão (por causa dos
lagos e montanhas) e no inverno (o pessoal vem para esquiar). Isso aqui
no inverno deve ser uma coisa! Tudo bem quentinho e com calefação,
chocolates e comidas gostosas. Por certo o povo patina no lago.
O que me chamou atençãoo em toda Argentina (pelo menos a
parte que vimos até aqui) é a imensa quantidade de heladerias
(sorveterias). Sorveteria aqui é que nem farmácia no Brasil:
tem pelo menos uma em cada esquina, e às vezes, duas ou três.
Eu é que nao sou muito chegada em sorvete, mas os que experimentei
estavam deliciosos.
Amanhã começamos a voltar para Buenos Aires e veremos só
estrada. Pelo menos a primeira parte sabemos que tem um caminho lindíssimo
(teremos que voltar um pedaço), costeando um rio azul de doer e
com vista para a Cordilheira dos Andes. Dá para ver até
um vulcão nevado. Ah, e também tem cervos (um tipo de alce
sem galhos) no caminho. Hoje vimos uns três, mas foi bem rápido.
Depois pegamos rotas expressas e dormimos em Neuquem (capital deste estado)
e Santa Rosa (mais para cima). Na quarta à tardinha chegamos a
Buenos Aires (eu embarco quinta ao meio dia).
[Clique
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| Los
Alerces |
Caminho
de volta |
Ruta
40 |
Ruta
40 |
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| Onde
moram os condores |
Ruta
40 |
Vulcão
Lanin |
Vulcão
Lanin |
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| Vulcão
Lanin |
Ruta
40 |
Ruta
40 |
Ruta
40 |
Agora
acabou-se o que era doce. Para onde será que iremos no ano que
vem?
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