Romance veneziano

978-3-499-25642-4

Levei para casa “Die Glasbläserin von Murano” (algo como “A sopradora de vidros de Murano“), de Marina Fiorato, porque a história parecia muito interessante (e a capa era linda, não vou negar…rs).

A autora é uma italiana de Veneza que mora em Londres; estudou artes e literatura em Oxford e trabalha como ilustradora, atriz e crítica teatral. A moça escreve bem e o trabalho de pesquisa histórica é impecável.

Uma das coisas que mais gosto no ato de ler, é a viagem. Durante a leitura, andei novamente pelas ruas de Veneza, seus becos estreitos, suas gôndolas, sua beleza única. A descrição precisa dos locais e a atmosfera do lugar ajudam muito o mergulho e fazem o passeio ainda mais prazeroso.

O livro conta a  história de Corradino Manin, o maior mestre soprador de vidros  que já viveu na Ilha de Murano. Nascido em 1631,  foi o responsável por viabilizar a construção dos espelhos gigantescos da cidade, entre outros trabalhos únicos. Por causa de uma série de intrigas, traições e questões políticas familiares, ele acaba preso na Ilha, onde desenvolve seu talento. A outra parte da narrativa acontece nos tempos atuais, onde uma descendente dele, estudante de artes que vive na Inglaterra, decide trabalhar como sopradora de vidros em Murano, função exclusivamente masculina até então.

A parte histórica e a trama são bem construídas e amarradas; já o romance é melodramático no último. A velha história da mulher que se separa porque não consegue engravidar, e acaba engravidando sem querer quando encontra o “homem certo”…zzzzzzzzzzzzz… aqueles mal entendidos totalmente dispensáveis que só acontecem porque pessoas adultas não conseguem conversar…zzzzzzzz… um tédio, mas enfim.

Vale muito a pena pela viagem, pela história, pela trama e pela narrativa, além das descrições bem precisas do processo de fabricação artesanal dos vários objetos de vidro. E se você curte romances melosos, vai com tudo; mas se você curte apenas história, vale também.

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