Arquivo de ‘utilidades’

14 mai

Nossa, olha que projeto mais genial: a Joanninha, uma loja criada pelas sócias Alessandra Piu e Anna Fauaz, aluga livros, brinquedos e fantasias para crianças de até 7 anos, em vez de vendê-los. Os alugueis são por mês, trimestre ou ano e a criança pode trocar o brinquedo alugado nesse período. Se ela quiser muito, mas muito mesmo, a loja até pode vendê-lo, mas a ideia não é essa.

Todas as peças são feitas com materiais certificados e a criança deve devolvê-lo na mesma sacola em que ele veio (nossa, é assim que se educa crianças de verdade; sendo coerente nos mínimos detalhes). Outra coisa bacana é que lá não tem essa bobagem de brinquedos de ação para meninos e tudo rosinha para meninas; todo mundo pode brincar com o que quiser.

Cada objeto tem um caderninho que conta sua história, de onde esteve e como participou da vida da criança (elas próprias escrevem no caderninho, que vai circulando conforme o brinquedo vai sendo alugado). Assim o joguinho ou boneco não é descartável, pois tem sua história registrada. Ao mesmo tempo em que brinca, a criança aprende a dar valor às experiências, exercita a escrita (mesmo que com a ajuda dos pais) e aumenta sua rede de relacionamentos.

O serviço é oferecido em São Paulo e Belo Horizonte e, olha, fico orgulhosa de habitar um mundo onde uma ideia dessas vai pra frente. Assim dá até para ter alguma fé no futuro; o que tenho visto no dia-a-dia são serezinhos cada vez mais egoístas, mal-educados e consumistas.

Mas olha que máximo, nem tudo está perdido!

Achei a dica preciosíssima no sempre ótimo Mosca Branca.

27 mar

Amanhã embarco para o Brasil para pegar um calorzinho, rever gente querida e trabalhar bastante!

A novidade é que acabei de fechar uma parceria com o Diego Trávez e vamos oferecer o workshop Design Desmodrômico em duas datas diferentes em Belo Horizonte (quem quiser saber tudo, é só clicar aqui). Quem fizer o workshop ganha um exemplar do meu mais novo filhote; não tem como perder, né?

Para quem não puder participar, depois só em Berlin…

23 mar

Vivo recebendo e-mails de várias pessoas interessadas em fazer o treinamento para aplicar o método GIIC®, mas não estou conseguindo fechar com parceiros no Brasil. Então pensei: por que não oferecer o curso em Berlin?

Os participantes poderiam aproveitar para conhecer a cidade com uma guia para lá de luxuosa (rsrsrs) e fazer o curso ao mesmo tempo. Reúna 10 amigos e venha! Os encontros serão de segunda a sexta e duram 4 horas por dia (parte para o curso e parte para visitas guiadas pela cidade); o resto do tempo é livre para flanar por aqui.

Já tem uma turma aberta para junho; vai perder?

As aulas vão ser em cafés ou em parques e recomendo o período entre maio e setembro para a gente conseguir aproveitar mais. Num grupo pequeno assim, a interação é maior e a gente aprende muito mais, de um jeito divertido e produtivo. Berlin é uma das capitais mais baratas da Europa, o que viabiliza muito a participação dos brasileiros interessados.

Você volta para casa feliz, cheio de ideias, com o currículo turbinado e ainda ganha o livro e um certificado! Na verdade, qualquer um dos cursos disponíveis no meu site pode ser ministrado dessa maneira, é só escolher.

Junte a fome com a vontade de comer: faça o curso em português e conheça Berlin!!!

Ficou com água na boca? É só clicar aqui para ir no hot site do curso.

Seguem umas fotos das salas de aula para o povo se animar!

Tchüss :)

1 mar

Quando fui visitar o Memorial do Tribunal de Nuremberg, é claro que deu aquela vontade de fazer um xixizinho (típico). Pois lá fui eu para o banheiro do prédio e me deparo com isso:

Ziehen = Pull = Puxe

Eu pensei: “caracas, como é que conseguiram quebrar o puxador da porta?”. Vou ter que ir em outra.

Aí olhei para o lado e vi isso aqui:

Ué, mas estão todas as portas quebradas?

Gente, mas como pode ser isso? Um banheiro com 4 cabines, todas elas com as maçanetas quebradas? Bom, tentei abrir por cima (não dava; a porta ia até o batente), por baixo (também não dava, pois encostava no chão). Tentei empurrar e nada. Mas não era possível; quando o banheiro não está funcionando eles colocam uma placa de interditado. Com esse aqui parecia tudo certo.

Olha, gastei uns bons “par de minutos” pensando no enigma. Aí comecei a apalpar a porta e vi que toda a lateral dela era contornada por um perfil de alumínio, de cima a baixo (esse aí pintado de rosa clarinho). Se colocar os dedos por dentro, dá para puxar. Então era para puxar ISSO?

Não sei vocês, mas achei deboche do designer. Não duvidaria que tivesse uma câmera escondida filmando as pessoas como pegadinha.

Quem for professor de usabilidade ou design, fique à vontade para usar o mau exemplo. Para mim, esse foi o top-master-blaster prêmio internacional de mau design. Nem loiras merecem um banheiro desses….rsrsrsr

21 fev

Desde que li o sensacional Food Rules, tomei vergonha na cara e comecei a cozinhar mais em casa. Prometi que ia compartilhar a parte bem-sucedida e acabei furando, mas ando frequentando tanto blog de receitas que resolvi me aventurar um pouco aqui.

Pois é, sabe à noite, quando você quer fazer uma boquinha e não tem muita coisa na geladeira? Então, a pedida é um creme de cebola com amêndoas em lascas (claro que tinha que ter uma parte de glamour, senão perde a graça!). Vamos lá, então.

Você vai precisar de:

- 2 cebolas grandes

- uma colher cheia de manteiga (desculpaí, mas só cozinho com manteiga; pode trocar por óleo, se quiser, por sua conta e risco)

- uma batata pequena

- cebolinha picada, lascas de amêndoas, queijo ralado e temperos diversos

Você corta mais ou menos uma das cebolas e cozinha na água com a batata (não muita água; o suficiente para dois pratos). Quando estiverem macias, bata tudo no liquidificador. Agora pegue a outra cebola, pique bem e refogue na manteiga. Jogue o creme em cima e cozinhe mais um pouco tudo junto. Tempere com tudo o que tiver de bom aí na sua despensa: pimenta do reino moída na hora, ervas finas, sal, etc (isso é importante, senão fica sem gosto).

Aí é só servir num prato com o fundo forrado com queijo ralado em tiras e colocar a cebolinha e as amêndoas por cima. Delícia!

NOTA: As amêndoas geralmente estão na área de confeitos e para que elas fiquem crocantes é só dar uma passada por uma frigideira quente de tefal (sem nada para untar).

16 fev

Para quem gosta de comer com os olhos, como eu, a ideia é daquelas geniais de tão simples e bem pensadas.

Fala sério, depois desse post, suas saladas de tomatinhos nunca mais serão as mesmas….

Achado no ótimo e recentemente descoberto Recipe by Photo.

23 jan

Já falei várias vezes que o transporte público em Berlin é excelente. De fato, é mesmo. Mas há situações, por exemplo, como quando a gente vai levar a Charlotte na veterinária, que seria bom ter um carro, pois a moça está cada vez mais pesada para carregar na caixinha. Sim, daria para pegar um táxi, mas há outra solução muito mais bacana: o car sharing.

Já tinha ouvido falar bastante sobre o compartilhamento de carros, mas tudo sempre só na teoria, a título de curiosidade. Aqui em Berlin são várias empresas que operam com esse sistema: a Cambio (Citroen C1 e outros carros da Ford), a Car2go (Smart), a DriveNow (BMW e MINI-Cooper), CiteeCar (Kia) e a Flinkster (somente carros elétricos, como Smart ed, Peugot iOn, Citroen C-Zero, Fiat 500 E e Mini E), entre outras (parece ser a tendência, pois a cada dia abrem novas concorrentes).

A ideia é a seguinte: ter um carro é uma incomodação em qualquer lugar do mundo. Não tem onde estacionar e aqui ainda tem o agravante de que você precisa ter dois jogos de pneus, um normal e outro para a neve (obrigatório no inverno). Mas todo mundo concorda que esse é um conforto que, às vezes, vale muito.

O car sharing é muito mais econômico e principalmente ecológico, pois a pessoa precisa realmente ter um motivo muito forte para ter um automóvel particular sustentando-o em tempo integral (como trabalhar com ele, por exemplo). O resto do povo precisa apenas poder usá-lo, mas não necessariamente ter um motor para chamar de seu.

As tarifas, modelos e funcionamento variam de uma empresa para outra. Então vou compartilhar apenas a experiência com o DriveNow, que é o que a gente está usando e adorando.

Funciona assim: primeiro você vai numa revenda BMW e paga € 30 para se inscrever no programa. Eles colam um chip na sua carteira de motorista e ele serve para abrir qualquer carro da rede (são mais de 500 em Berlin).

Aí, um belo dia você precisa do carro. Carrega um aplicativo no seu celular que mostra, em volta de onde você está, onde tem carros livres. Lá aparece também quanto combustível cada um tem no momento. Você escolhe um e reserva por 15 minutos (o tempo estimado para caminhar até ele, se for o caso, mas sempre tem um quase na porta de casa).

Chegando no carro, você passa sua carteira de motorista ao lado do vidro frontal (tem um dispositivo com LED vermelho, amarelo e verde que diz se ele está sendo usado, se foi reservado ou se está livre), que destrava automaticamente a porta. Você entra e tem alguns minutos para digitar sua senha no painel. Nessa hora, você também responde a algumas perguntas simples: dá uma nota para a limpeza e diz se existe algum problema além dos que já estão anotados (tipo um arranhão, ou algo assim). Feito isso, pode dar partida e ir onde quiser.

O preço é de € 0,29 por minuto (geralmente as voltas são de mais ou menos 10 minutos, um pouco mais do que o ticket do metrô) e inclui seguro, combustível e estacionamento na rua.

Se o carro estiver com pouca gasolina, há vários cartões dentro dele com os quais você pode abastecê-lo em qualquer posto. Os minutos serão descontados e você ainda ganha bônus por ter feito o serviço.

Os carros que pegamos até agora, além de lindos, têm banco aquecido (valiosíssimos no inverno) e alguns são até conversíveis (ainda não deu para testar nenhum, pois ainda está muito frio).

Mês passado a gente foi uma vez a um concerto (estávamos atrasados e era mais rápido pegar um carro), levar e buscar a Charlotte no veterinário e ir até a estação de trem com malas. Conta do mês, debitada diretamente no cartão de crédito: € 6,95.

O bom é que você não precisa se preocupar com o estacionamento; também pode usar um carro para ir e outro para voltar de um compromisso, se for o caso (não vale a pena pagar para o carro ficar parado; a ideia é justamente que eles estejam sendo compartilhados o máximo do tempo).

Está certo que é um negócio que não dá para começar pequeno. O sucesso do empreendimento depende da quantidade de carros disponíveis (se quando você precisa o próximo está a dois quilômetros da sua casa, aí não adianta), mas se a DriveNow tem 500 carros e a gente considerar que cada uma das empresas citadas tem mais ou menos o mesmo, já são 2500 carros para uma cidade de 3,6 milhões de habitantes com excelente transporte público. Com certeza o governo deve dar algum tipo de incentivo a esse tipo de empresa, pois reduz os investimentos em ampliação de ruas e praticamente resolve o problema de estacionamentos e engarrafamentos (é menos gente com carro parado nas ruas; são menos carros na cidade).

Se você tem um MINI-Cooper na sua porta à hora que quiser e por um preço tão camarada, lubrificado, ajustado, calibrado e com seguro, para que comprar um, não é mesmo?

Coisa boa se isso também funcionasse no Brasil, né?

16 jan

Ok, a marca da fita adesiva não é Durex, é Mmiinn X-Tape, mas a ideia é a mesma. Só que muuuuito mais charmosa.

Olha como eles conseguem fazer uma caixa sem graça ficar interessante; adoro empresas que se esmeram em fazer o mundo um lugar mais curioso e instigante. E você?

Achei no sempre ótimo Like Cool e tem pra vender aqui.

27 dez

Fotografia: Manuel Archain

Essa semana fiquei chateada porque soube de mais de um caso de gente que perdeu o trabalho de um ano inteiro (ou mais) simplesmente porque desconhecia os princípios básicos de gestão de riscos.

Como não quero mais ouvir histórias tristes assim, vai aqui a minha contribuição para que teses, dissertações, artigos, TCCs, trabalhos e projetos sejam apresentados com sucesso e sem tragédias.

A gestão de riscos é uma das disciplinas da área de conhecimento denominada Gestão de Projetos. Na minha opinião, devia ser ensinada no primeiro grau.

É claro que o negócio é mais complicado, mas vou dar uma resumida aqui para que a ferramenta possa ser usada de maneira simplificada por quem quiser.

Vamos supor que você tenha um determinado projeto; esteja escrevendo uma monografia, por exemplo. Você depende dela para se formar, então a coisa é importante e exige um certo cuidado nos trâmites; vamos fazer a gestão de riscos da danada.

Primeiro, você faz uma lista de todos riscos aos quais seu projeto estará sujeito. Mas atenção: riscos são eventos que podem ou não ocorrer. E caso aconteçam, vão causar um impacto no seu projeto (pode ser positivo ou negativo).

Assim, se você mora numa cidade com trânsito complicado e tem uma apresentação importante, pegar engarrafamento não é risco, é fato; ou seja, risco com 100% de chances de acontecer. Seu computador dar pau também é fato (estamos apenas falando de quanto tempo isso vai levar). Esse tipo de coisa você tem que considerar como fato e se preparar para quando ocorrer, ok?

Agora vamos falar de riscos, aquelas coisas que a gente não controla e não sabe se vão ou não acontecer.

Vários fatores podem provocar tragédias nos nossos projetos: planejamento sem folga, incompetência, falha de equipamento ou mudança de tecnologia; falta de comprometimento seu ou de outras pessoas envolvidas; problemas com recursos (ex: tempo, dinheiro, fornecedores, pessoas, etc); questões do ambiente econômico (ex: alta do dólar, por exemplo), político (ex: mudança de leis), natural (ex: enchentes, furacões), demográfico (ex: mudança do perfil da população que seria seu cliente); dificuldades de comunicação e falhas em alianças estratégicas são os mais comuns.

Sabendo disso, não dá para a pessoa dizer que foi pega de surpresa, pois isso só mostra sua falta de planejamento (o que, para posições de responsabilidade, não deixa de ser incompetência).

Se seu projeto é realmente importante, você terá considerado todas essas questões (ou pelo menos as que causam maior impacto). Já vi desculpa esfarrapada de todo o tipo, desde a impressão ruim porque acabou a tinta (coisa imprevisível mesmo, como a pessoa vai adivinhar que um dia a tinta acaba, não é mesmo?) até ter deixado de entregar o trabalho porque o computador pegou um vírus (outro fator vindo de um planeta distante que ninguém poderia ousar imaginar). Melhor reconhecer a própria limitação do que querer ter razão nesses casos; fica feio…

Bom, mas aí você é um profissional responsável e listou os riscos que podem acontecer durante a execução do projeto, como por exemplo: seu orientador morrer, você perder o emprego, você encontrar um monte de bibliografia ótima por acaso, seu computador dar pau (vá lá), alguém já ter escrito uma monografia com a mesma argumentação que você,  sua casa ser assaltada e levarem todo o seu material, seu cachorro comer o HD externo, alguém copiar seus arquivos e apresentar antes de você, etc. Aqui, é um exercício de criatividade um tanto quanto mórbida mesmo; é claro que os eventos que causam impactos positivos também devem ser lembrados – só assim a gente pode ser preparar para aproveitá-los melhor e não perder as oportunidades. Mas a parte mais crítica mesmo é com aqueles eventos que causam impactos negativos, as tais ameaças.

Fez a lista? Beleza. Agora você vai desenhar 3 colunas ao lado dessa lista. Na primeira, você vai dar uma nota  para a probabilidade do evento acontecer (alta, média, baixa). Na segunda, você dá uma nota para o impacto que o evento terá sobre o seu trabalho se ele acontecer (alta, média, baixa). Na última coluna, você multiplica as duas notas.

Exemplo: num range de 1 a 5, sendo 1 uma probabilidade muito baixa de algo acontecer e 5 muito alta; 1 o impacto baixo e 5 alto, você coloca, para o evento “pane no HD”:  probabilidade = 4; impacto = 5; resultado: 4 x 5 = 20.

Você faz isso para a lista toda. Aí pega os resultados mais altos e separa por ordem decrescente. Os maiores são aqueles com os quais você tem que se preocupar e fazer algo a respeito.

Você pode, para cada caso:

a) Evitar ou eliminar o risco (por exemplo, não posso evitar que meu cachorro seja irresistivelmente atraído pelo HD externo, mas posso  guardar o dito cujo fora do alcance do peludo).

b) Mitigar o risco, que é reduzir o impacto que ele pode causar se ocorrer (por exemplo, enviando por e-mail, 4 vezes por dia, os arquivos do trabalho para uma conta criada especialmente para esse fim; é grátis e também protege você no caso de sobrescrever arquivos por engano).

c) Atuar para reduzir a probabilidade do risco (por exemplo, comprar um HD de qualidade e resistente a mordidas e quedas).

d) Transferir o risco (por exemplo: contratar um backup virtual; aí a você paga uma empresa para que ela passe a se preocupar com a integridade de seus dados).

e) Aceitar o risco (é o que a maioria faz). Se acontecer, paciência. Deus quis assim, só resta ir para a cama chorar e lamentar a “fatalidade”.

Aí é com você escolher a melhor alternativa para cada caso. O que não dá é para entregar esse tipo de coisa “pra Deus” porque Ele já tem mais o que fazer na vida do que ficar cuidando do seu TCC.

Ou melhor, até pode, mas depois não adianta reclamar, né?

27 dez

Estou gerando mais um livro; vai ser minha primeira cria a ser distribuída exclusivamente em formato digital e vai ter mais ilustrações que todos os outros juntos. O título ainda não está definido, mas vai ser algo como “Coisas que você queria saber sobre GPS e não tinha para quem perguntar“.

Na verdade, o embrião estava incubado há mais de 20 anos, quando trabalhei como engenheira no projeto de um robô aéreo. Encontrei o boneco do livro (em papel) e achei o conteúdo tão bacana que resolvi reescrevê-lo com atualizações e refazer as ilustrações.

A ideia é que absolutamente qualquer pessoa, incluindo aquelas que odeiam matemática e física, consigam compreender como funciona um receptor de GPS (além de finalmente entender o que são as coordenadas de latitude, longitude, altitude e outros termos relacionados a navegação).

Está dando um trabalhão monstro, pois quase todas as páginas têm desenhos. Esse aqui ilustra a situação onde explico que, antes do GPS, os navegadores tinham que sempre andar ao longo da mesma latitude para não se perder; isso fazia com que existissem verdadeiras “rodovias” no oceano, lugares por onde todo mundo passava por uma questão de segurança. O lado ruim é que os piratas aproveitavam o movimento para fazer a festa; mais ou menos como hoje…

Já dá para ter uma ideia da brincadeira; mais um mês e acho que consigo terminar.

Ah, e se alguém tiver alguma curiosidade e quiser fazer perguntas para serem incluídas no livro, é só usar o campo de comentários; vou adorar!

17 dez

A comissária Charlotte Lindholm desvendando mais um crime em Hannover

Assim como os brasileiros são apaixonados por novelas, os alemães têm verdadeira fixação por séries policiais. Na terra de Goethe, todas as livrarias têm pelo menos uma seção gigante chamada “Krimi”, que é como se chama a literatura policial por aqui. E, a exemplo das nossas novelas, que são referência mundial em qualidade, a expertise deles é em filmes que retratam situações onde um crime precisa ser desvendado (sim, aqui também tem novelas, mas são bem fraquinhas).

O horário mais nobre da TV é domingo à noite, quando todo alemão que se preze fica grudado na frente da telinha para acompanhar mais um “Tatort”, série policial cujo título pode ser traduzido livremente como “cena do crime”.

O seriado existe desde 1970 e tem se aprimorado a cada episódio. O conceito é um pouco diferente do que a gente conhece por série, pois é filmado em mais de 16 cidades da Alemanha (com equipes de produção e atores diferentes em cada uma delas), além de Viena (Áustria) e Luzerna (Suíça alemã). Um episódio é filmado em uma cidade, dura 90 minutos (sem intervalos comerciais) e conta sempre uma história completa, desde o crime até o desfecho.

Os cenários são reais e os personagens são sempre investigadores da polícia da cidade da vez. A equipe de Hannover, por exemplo, tem sempre os mesmos atores e o mesmo estilo; o prédio em que eles trabalham é real mesmo (o povo valoriza muito a competência e a seriedade da polícia alemã). Para um ator alemão, participar de um episódio do Tatort é como estrelar a novela das 8 na Globo; um baita reconhecimento pelo trabalho. Num Tatort, tudo é produzido com o que há de melhor: a fotografia é primorosa, os atores são sensacionais e o roteiro é sempre muito bem escrito (até porque cada equipe tem a responsabilidade de produzir dois ou três programas por ano, no máximo).

Por que estou contanto tudo isso? Porque reparei que em todos os episódios que vi até agora, os investigadores sempre usam um painel semântico (ou uma ferramenta equivalente) para solucionar o crime.

O painel semântico é uma ferramenta muito popular e conhecida no design; trata-se de uma coleção de imagens, palavras, objetos e referências visuais que ajudam a entender e contextualizar o conceito de um produto. A palavra “semântico” está aí porque o que se busca é a representação do significado, do conceito, do que se quer traduzir na marca ou no projeto.

Não existe uma receita para se construir um bom painel; como se está em busca da tradução de uma ideia, o “bom” aqui é bastante subjetivo. Dá para fazer o quadro com recortes de revista, desenhos, fotos; com uma cartolina, post-its e massinha de modelar; dá até para fazer a representação apenas digitalmente.

O importante é que se consiga visualizar a ideia central, enxergar as conexões entre os conceitos, compreender as relações entre causa e efeito, vislumbrar possíveis desdobramentos. Enfim, o painel semântico ajuda um ser humano, que é, por natureza, visual, a organizar seu pensamento de maneira mais clara e estruturada.

Não é à toa que quando uma pessoa custa a entender uma questão qualquer, os mais impacientes sempre perguntam: “entendeu ou quer que eu desenhe?”. É que quando se desenha, tudo fica mais claro, óbvio, organizado. Se não sabe desenhar, ok. Use fotos, imagens, recortes, palavras. E visualize.

No caso de um crime, fico pensando agora como é que nunca reparei isso antes. Será que em todas as histórias de crime o investigador tem um painel semântico com as pistas, fotos, recortes, objetos e conexões e só eu que nunca notei? Será que essa ferramenta é de uso corrriqueiro para esses profissionais? Se o Sherlock Holmes usava, não sei; mas no Tatort é de lei.

Pensando um pouco, achei que se dá para ajudar profissionais com funções tão diferentes como um designer e um investigador policial, por que não pode ser útil para mim e para você também, seja lá com que você trabalhe?

Se médicos usassem mais paineis semânticos, não ficaria mais fácil solucionar diagnósticos difíceis? Se uma faxineira usasse um painel semântico, não conseguiria otimizar suas tarefas? Se um professor usasse um painel semântico, o contexto da sua disciplina não ficaria mais claro para todos? Se um gerente construísse um painel semântico junto com sua equipe, não seria mais fácil trabalhar? Se um advogado usasse um painel semântico, não seria mais fácil organizar os processos? Se uma psicanalista elaborasse um painel em conjunto com cada paciente, a comunicação entre eles não seria facilitada?

Sim, muitos profissionais fazem listas e usam esquemas, diagramas ou fluxogramas, como os engenheiros e programadores. De fato, isso ajuda bastante, mas estou falando de outra coisa. Estou falando de imagens: fotos, recortes, desenhos à mão, objetos. Uma coisa bem mais visual e não tão sistemática. Algo que resuma a ideia, o conceito, o espírito da coisa, não necessariamente a hierarquia de funcionamento (pelo menos não num primeiro momento).

Sei lá, mas acabei de me dar conta que essa é uma ferramenta bacana, acessível, divertida, barata e utilíssima. Ela está aí, à nossa disposição, e a gente simplesmente a ignora. Não parece um desperdício sem tamanho?

Taí uma dica para organizar as ideias para o ano que vem…

O Comissário Frank Steier apresentando sua teoria para a equipe de Frankfurt

A equipe de investigadores de Stuttgart estudando possibilidades

1 dez

A cada dia me deparo com projetos mais bacanas de gente competente. O povo pode reclamar que a internet isola as pessoas, que vicia, que está cheia de lixo. É verdade, mas tem um pessoal que sabe muito bem usar a ferramenta e faz o mundo ficar muito mais interessante. E o que é melhor, compartilha conhecimento de maneira estruturada e organizada, o que é bom para todo mundo.

Pois a leitora Francesca Geremiah me mandou uma dica quentíssima: uma escola de design virtual totalmente grátis, a Criativosfera. O projeto é capitaneado por um designer que conheço (mesmo que apenas virtualmente) do tempo que ambos éramos colunistas de um portal. O Canha (não sei o nome verdadeiro dele), além de escrever muito bem, é daqueles que entende mesmo do babado (é dele também um dos blogs mais bacanas sobre design: o designblog) .

A ideia não é substituir os cursos convencionais/presenciais de design, mas oferecer um complemento à formação do profissional. Também achei muito útil para o montão de gente que me escreve com dúvidas sobre fazer ou não uma escola de design. Gente, agora tem esse test-drive totalmente grátis. A pessoa pode fazer alguns cursos e ver se o caminho é esse ou não. Para quem já está na escola, é uma chance de aprender mais com quem realmente sabe.

As aulas são gravadas em vídeo, as pessoas podem enviar perguntas e tem até prova, com certificado e tudo.

Penso que ideias como essas merecem ser realmente espalhadas (compartilhe aí você também), pois é com iniciativas assim que o nosso mundo vai se tornar um lugar cada vez melhor para se viver.

Não sei como eles vão manter a escola, pois imagino o monstruoso volume de trabalho que um projeto desses envolve, mas espero de verdade que a coisa se torne sustentável em breve.

Parabéns ao Canha e à toda a equipe de pessoas generosas, competentes e inovadoras. Sucesso e vida longa à Criativosfera!

23 nov

Uma das vantagens de se trabalhar em Belo Horizonte é que o coffee-break é uma coisa dos sonhos; faz uma semana que praticamente me alimento só de delícias aqui na terra do pão de queijo. Mas ontem teve um treinamento para a equipe de uma universidade que trouxe novidades hora do lanche. É que além das xícaras convencionais de café, apareceu um copinho inovador feito de papel.

Parece mais sustentável que a versão convencional de plástico, além de mais prático para armazenar. Achei a ideia ótima, mas acho que o design ainda tem alguns pontos que precisam ser aprimorados.

Quando a gente enche o saquinho-xícara com café quente, ele não consegue isolar o calor e pode até queimar os dedos. Por causa disso, fica difícil de segurá-lo e a gente acaba pegando por baixo, onde tem a parte da emenda, que é mais larga.

Tomar o café também é uma sensação um pouco estranha, pois o copinho é mole (o papel parece craft, aquele de embrulho). A parte boa é que não vaza café e o saquinho continua perfeito depois que a pessoa esvazia o conteúdo, podendo ser reutilizado como qualquer xícara comum.

Olha, gostei da ideia, mas minha sugestão é que tenha uma parte mais grossinha na lateral (algo que lembrasse uma asa) que servisse de apoio para a pessoa segurar sem se queimar.

Olha só que interessante (o designer Beto Ferris, que estava fazendo o curso, serviu de modelo sem cobrar cachê!!).

E você, o que achou?

18 set

Olha só que povo mais charmoso e talentoso. A Família Pegzini, criada pelo designer Oded Friedland, fundador da Monkey Business, existe para tornar o seu varal mais divertido! Mas acho dá para fazer prender também papeis ou fotos, além de fechar embalagens.

Sei lá, mas alguma utilidade há de se achar para essas gracinhas!

Achei no sempre ótimo Like Cool.

9 set

Pelo jeito, o designer israelense Avichai Tadmor fica tendo ideias enquanto cozinha. Adorei essa: um apontador de cenouras chamado karoto (tudo a ver: cenoura é karotte em alemão e carrot em inglês; não sei em hebraico, mas deve ser coisa parecida).

Para quem gosta de comida com frescura, como eu, é, com perdão do mau trocadilho, um prato cheio. Achei bem criativo; e você?

Achei no sempre ótimo Marketing na Cozinha.

31 ago

Meu querido ex-orientador de mestrado, o Vitório Mazzola, me mandou uma imagem pelo Facebook tão bacana que fui procurar a fonte correndo, de tão fascinada. Olha que ideia mais original os arquitetos/designers Denise Braga e Pablito Leyvio bolaram: uma cadeira de praia com a cara do Brasil! Puxa, nunca vi alguém traduzir tão bem o nosso país, de uma maneira tão elegante e sem usar aqueles estereótipos tão batidos que a gente está cansado de ver.

Nem sei como isso ainda não ganhou nenhum prêmio e as peças não viraram febre em toda a orla. Na minha opinião, é uma das peças de mobiliário mais geniais que vi nos últimos tempos!

E você, o que acha?

Obrigada, Vitório!

27 ago

Fotografia: Romain Laure

Quando comecei a aprender alemão tinha um povo que dizia que ia ser fácil, pois tinha muita coisa parecida com o inglês. Não sei de onde tiraram essa ideia!

Só porque Mutter e Mother, Vater e Father têm pronúncias parecidas, não quer dizer que as línguas tenham algo em comum.

E o que elas mais têm de diferente entre si é a maneira de estruturar a frase. Em inglês, a gente fala mais ou menos como no português: “Eu tiro a roupa quando chego em casa” ou “I take off my clothes when I get home“.

Mas em alemão fica mais ou menos assim: “Eu ro minha roupa ti, quando eu em casa chego” (Ich ziehe meine Kleidung aus, wenn ich nach Haus komme). Parece até brincadeira, né?

Pois olha só mais exemplos de como o inglês e o alemão são “quase” a mesma coisa.

***

1) Se um alemão lhe oferecer um Gift, não aceite.

GIFT (inglês) = presente

GIFT (alemão) = veneno

***

2) Você olha uma placa e está escrito AUSGANG. Olha no dicionário e aprende: Ausgang é saída. Anda mais um pouco e vê outra placa: NOTAUSGANG. Ora, nem precisa olhar de novo no dicionário, é claro que é para não entrar, certo? Errado. Notausgang é saída de emergência em alemão!!

NOT (inglês) = não

NOT (alemão) = necessidade extrema, emergência

***

3) Moças, se um alemão chamarem vocês de Angel, isso não é um elogio, ok? Não em alemão…

ANGEL (inglês) = anjo

ANGEL (alemão) = vara de pesca

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4) Um rapaz fortinho diz para você que é Turner, você logo pensa que ele trabalha como torneiro, certo? Não se o rapaz for alemão…

TURNER (inglês) = torneiro

TURNER (alemão) = ginasta

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5) Se alguém lhe disser que você parece Herb, não pense que a pessoa está falando em ervas…

HERB (inglês) = ervas

HERB (alemão) = áspero, seco

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6) Para acabar: se você vê a palavra man em uma frase em alemão, logo pensa que é um homem fazendo alguma coisa, não é? Pois homem em alemão é Mann.

MAN (inglês) = homem

MAN (alemão) = a gente (ou o pronome indefinido da terceira pessoa, como, por exemplo o “se” em português em “sabe-se, ouve-se, diz-se”).

***

E aí, prontos para a prova?

26 ago

Continuando a coluna anterior, em que falava do livro “How to find  fulfilling work“, de Roman Krznaric, vou compartilhar alguns dos exercícios que ele propõe e que achei muito interessantes.

O primeiro se chama “mapa de escolhas”, que consiste em desenhar o mapa da sua carreira. Nele, você indica todos os trabalhos que já teve e as diferentes motivações e forças que definiram sua rota em cada ponto (ex: escolhas educacionais, expectativas dos pais, aconselhamento de um profissional, oportunidade que surgiu, etc).

Esse aí é o meu exercício, com os trabalhos mais importantes.

Agora olhe seu desenho: você consegue ver algum padrão, algo que sempre foi mais relevante para nortear suas escolhas? Que motivações sempre pesaram mais: dinheiro, status, respeito, paixões, talentos, pessoas? Quais dessas motivações você quer priorizar no futuro?

No meu caso, já desconfiava, mas agora tive certeza: minha principal motivação é aprender, de preferência com gente bacana. É claro que também quero ganhar dinheiro, mas já recusei salários maiores porque não tinha muita perspectiva de aprender ou porque a equipe não era amigável (num dos casos, na entrevista, a pessoa me disse que a principal característica do grupo é que eles eram muito competitivos — eu não sou nada competitiva, iria me dar muito mal).

Agora outro, mais bacana: imagine 5 universos paralelos; em cada um deles você tem uma profissão diferente que gostaria de experimentar. Quais seriam elas?

Bom, aqui fui bem conservadora e pouco criativa, pois coloquei algumas coisas que já faço, mesmo que de maneira amadora, como ilustração. Também adoro ser palestrante, por isso vou continuar fazendo esse trabalho no Brasil e não pretendo desistir dessa carreira. Se eu conseguisse ganhar algum dinheiro escrevendo também seria ótimo. Mas ok, a ideia é começar a explorar possibilidades, sempre dá para refazer o exercício quando surgirem novas ideias. Também achei importante destacar o que me encanta em cada um desses universos, mas fica a seu critério colocar mais informações.

Agora, outro exercício desafiador: faça uma propaganda de você mesmo, descrevendo seus talentos (ex: você fala japonês e toca guitarra), suas paixões (ex: cultivo de orquídeas e coleção de carros de modelismo), causas em que você acredita (ex: proteção animal ou ambiental) e suas características pessoais (ex: impaciência, vaidade, sabe guardar segredos).

Depois, mais algumas coisas que sejam importantes, como o mínimo que você gostaria de ganhar ou o local de trabalho. Atenção: não coloque sua qualificação educacional ou trabalhos anteriores e nem se auto-elogie. Não conduza a propaganda para uma determinada carreira, tente ser o mais neutro possível.

Olha aqui a minha.

É uma propaganda, por isso saí assim, bonitinha...ehehe

Agora faça uma lista de 10 pessoas que você conheceu em diferentes estágios da vida e envie esse “anúncio” para algumas (poucas) em que você confia. Peça para elas sugerirem duas ou três carreiras que poderiam se adequar a esse candidato (por favor, não mandem para mim, não estou conseguindo dar conta da correspondência normal).

Peça para que elas sejam específicas; em vez de “trabalhar com crianças”, melhor seria dizer “trabalhar num projeto social com filhos de presidiários no RJ”.  Essa é uma fonte muito interessante de ideias que podem ser exploradas; com certeza, algumas jamais teriam passado pela sua cabeça.

Olha, taí um exercício bom para todo mundo fazer, pois dá uma organizada no que é mais importante para a gente e pode dar origem a ideias originais. Fique à vontade para me sugerir carreiras, ok?

E agora sim, vamos todos voltar ao trabalho que amanhã já é segunda-feira outra vez.

22 ago

Imagem: Ambient Media

Estou aqui lutando para não misturar inglês e alemão na cabeça, mas está difícil. Acho que só vou conseguir voltar a falar um inglês minimamente inteligível depois que o alemão estiver bem firme e eu conseguir separar as duas coisas automagicamente dentro do “célebro”.

Mas enquanto isso não acontece, continuo lendo em inglês para não esquecer e pegando umas dicas aqui e ali. Achei essa aqui ótima para quem quer relembrar umas regrinhas. Você faz uma assinatura grátis no Tecla SAP e recebe um e-mail por semana com alguma dica valiosa (é só clicar aqui). Na primeira mensagem você ainda recebe o e-bookPagando mico em inglês“.

Isso não é propaganda paga, é que achei o projeto bacana e resolvi dar uma força (bom para todo mundo). Recomendo!

22 ago

Olha só que ideia maluca, engraçada e muito ousada o designer Sang-soon Lee inscreveu no concurso Electrolux Design Lab; ele ficou entre os 30 finalistas (tem outras coisas interessantes, olha aqui). Ele bolou uma máquina de lavar roupas em forma de bambolê; enquanto você rebola, sua roupa fica limpinha. Taí uma boa parceria entre academias de ginástica e lavanderias, não acha?

É claro que é um produto conceitual e não dá para lavar lençóis desse jeito; mas achei muito bacana a capacidade que o sujeito teve de pensar numa coisa dessas. Adorei!!

Fiquei sabendo pela newsletter do Yanko Design.