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Jardim das xícaras

Adoro comprar loucinhas nos mercados de pulgas, mas algumas xícaras maravilhosas acabam ficando sem pires no meio da bagunça das caixas onde são expostas. Resolvi levá-las mesmo assim e arrumei um jeito de olhar para essas lindas todo dia quando acordo: elas se transformaram em charmosos vasos para suculentas.

Será que você também não tem umas louças que poderiam virar jardim? Dá uma procurada!

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Top 10: as fotos mais legais de abril

Todo dia compartilho nas redes sociais as belezuras que fotografo por aí. Em abril, essas foram as que mais geraram comentários e likes.

Você concorda?

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Esse por-do-sol incendiário conquistou o coração dos leitores. Mas como não? 

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A vista de cima da Oberbaumbrücke, no bairro de Kreuzberg, mostra a torre de TV, o logo da marcedes e uma bicicleta. Quer mais Berlim do que isso?

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Grafite na Bullowstraße, Schöneberg: um banho de luz para todos nós…

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Um dia de sol é tudo que um berlinense precisa para ser feliz.

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O Volkspark de Schöneberg sempre lindo e inspirador.

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Essa cena é muito comum por aqui: um pai todo descolado, com o filhote a tiracolo e o cachorro, indo a algum lugar de metrô. Muitos acharam-no parecido com o estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch; também achei.

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A vista de cima do Hotel Park Inn mostra a torre de TV bem de frente.

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A cidade encerejada conquistou corações e mentes de todos <3

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Um dia feio, porém lindo.

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Mais cerejeiras se exibindo sem cerimônia. Elas ficam impossíveis na primavera!

Revaler 99

Imagina um terreno enorme, cheio de galpões igualmente imensos, além de muita área livre, onde em 1867 foi construída uma oficina de manutenção de trens para a empresa ferroviária real prussiana; para se ter uma ideia do tamanho, em 1882 a organização chegou a empregar 1200 funcionários.

Com a reunificação da Alemanha, aos poucos as oficinas passaram para outras regiões com mais infra-estrutura e ficou tudo abandonado até 1999, quando uma associação cultural arrendou o lugar.

Pela quantidade de galpões, muitos deles parcialmente demolidos, às vezes o local parece um pouco sinistro; mas só parece. Na verdade, trata-se de um “antro” de criatividade, arte, esportes radicais e economia sustentável.

RAW-tempel (RAW é a abreviação de Reichsbahnausbesserungswerk, ou oficina imperial de manutenção de estradas de ferro) é o nome da associação cultural que administra o lugar e arrenda os galpões para todo tipo de atividade cultural. Hoje em dia tem arena coberta para skate, escola de escalada, taekwondo, meditação, cross-fit, casas de show e discotecas (Astra, Cassiopeia, Suicide Circus, RAW Club, etc), galerias de arte (Urban Spree e Art RAW) e até um delicioso e imperdível festival de street-food que acontece todo domingo à tarde no Neue Heimat (que também funciona como clube de jazz), além de estúdios de design e fotografia.  Nos domingos de verão, também abriga um mercado de pulgas bem interessante e, em algumas datas, cinema ao ar livre.

O lugar é inteirinho grafitado e frequentado por todo mundo que gosta de arte; na minha opinião, a mais completa tradução de Berlim.

Fica na Revaler 99, Friedrischain, bem pertinho das estações de trem e metrô da Warschauer Straße.

Mas vá antes que acabe; vi no jornal que a área foi vendida a uma incorporadora na semana passada. Tomara que não queiram acabar com um dos locais mais charmosos e icônicos da cidade…

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Grafites estão por toda parte.

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Pista de skate coberta pra ninguém botar defeito.

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Aqui até o entulho vira arte.

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Num dos dias que fui, tinha uma feira de quadrinhos na galeria Urban Spree.

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Esses galpões sinistros… 

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Torre de escalada (faz parte de uma escola e também tem paredes internas de várias alturas próprias para a prática). 

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Bom-humor sempre, em toda parte.

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Street-food aos domingos, não dá para perder!

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Mercado de pulgas que só funciona no verão.

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Fila para entrar nos galpões de street-food.

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Para se exercitar…

Supertex

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Meu programa favorito no final de semana é visitar mercados de pulgas (e em Berlim, opção é o que não falta), até porque tem sido minha principal fonte de fornecimento de louças e livros.

As louças são maravilhosas e únicas (qualquer dia as mostro aqui) e os livros não ficam atrás, principalmente por causa do preço. Todas as feiras têm muitas barracas que oferecem livros quase novos ao preço irrisório de €1,00. Impossível resistir.

Pois o livro dessa semana foi o Supertex, do holandês Leon de Winter. Ele me conquistou já pela capa e pela encadernação forrada com tecido, fitinha de seda para marcar a página e tamanho de bolso. Do autor eu nunca tinha ouvido falar, mas a editora costuma publicar boas obras nessa coleção de luxo.

Max Breslauer é o principal executivo do império de lojas populares de roupas baratas que herdou do pai, a tal Supertex do título. Ele abandonou uma promissora carreira de advocacia depois que a mulher o deixou e acabou indo ajudar o pai nos negócios. As rusgas e os mal entendidos, que vinham desde a infância, tornam-se mais acentuadas quando os dois começam a trabalhar juntos e transformam-se num dilema quando o pai morre afogado inesperadamente poucos anos depois e ele precisa assumir os negócios.

A história começa com um pequeno acidente de trânsito que desencadeia uma crise existencial no protagonista; ele usa seu poder e dinheiro para conseguir uma consulta de um dia inteiro com uma respeitada terapeuta e começa a contar sua história.

Aqui vi uma técnica narrativa que ainda não conhecia; a história do protagonista é menos interessante do que a de todos os outros personagens coadjuvantes. A história do pai, um judeu sobrevivente da guerra, do irmão, da ex-mulher, da namorada do irmão e até do sogro do irmão são muito mais atraentes e surpreendentes. Tudo gira em torno da religião, da fé (que ele não tem) e dos costumes judaicos.

O cenário principal é Amsterdam e uma parte da história se passa em Casablanca. Ainda não visitei nenhuma das duas cidades, mas fiquei muito curiosa.

Andei dando uma pesquisada e encontrei apenas o original holandês e uma versão em espanhol na Amazon (eu li em alemão). Penso que o autor ainda não foi traduzido para o português; uma pena.

Vou procurar outras obras dele; para quem tiver acesso, recomendo bastante.

O rapaz que é um crânio

A primeira vez que vi o homenzinho azul de tanga estampada com a bandeira do Brasil, fiquei muito curiosa: o que será que significaria aquela imagem num dos principais pontos de exposição de graffiti da cidade, na Revaler Straße?

Logo encontrei mais homenzinhos de tanga em variações engraçadas, pintados estrategicamente em colunas na Bullowstraße. Foi só publicar no Instagram e o mistério ficou resolvido: o autor é um grafiteiro brasileiro chamado Fábio Oliveira e conhecido como Cranio.

O trabalho do moço é realmente muito original, instigante, engraçado, enfim, faz a gente pensar e se divertir ao mesmo tempo.

Ele tem trabalhos espalhados por vários lugares do mundo. Vale a pena acompanhar o Instragram do moço.

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Melhor eu me esconder, pois elas estão vindo e parecem perigosas!

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Aha! Agora quero ver se esse moço não vai devolver o dinheiro que me deve! Meu super assistente Penoso vai distrai-lo; assim será fácil!

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Olha o susto que ele vai levar! Tá gravando?

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Vou curtir aqui de boas esse som enquanto espero o povo chegar para a festa.

 

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Não perdoam nem os menores de idade

A série “Vida de Manequim” que denuncia a exploração a que os pobres manequins de loja são submetidos diariamente ganha agora mais um capítulo. Descobrimos que eles não poupam nem mesmo as crianças e adolescentes desse trabalho indigno!

Fique atento: isso pode estar acontecendo aí na sua cidade também!

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Se a turma da escola passa por aqui agora e me vê com esse Kajal no olho e a gravata rosa combinando com o batom vou ser zoado. Certeza!

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Eu tenho essa carinha meio perdida, mas sou bonzinho. Só choro quando esquecem de me dar água e os meus lábios de neném trabalhador ficam rachados…

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Droga, fui tirar nota baixa e perdi a mesada. Agora é torcer para meus amigos não passarem por aqui e me verem com esse chapeuzinho ridículo!

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Precisava mesmo desse batom vinho, moça?

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Ela: Peguei esse trabalho só para poder ficar pertinho do Beto, mas não está adiantando muito… Ele: Essa chata não sai do meu pé; se soubesse que ela vinha junto, tinha ido trabalhar em outra loja.

Me deram uma coisa para tomar; acordei com esse olho pequenininho e esse batom todo borrado. Só falta terem colado um cartaz escrito "bobão" nas minhas costas...

Tomei Ki-suco demais e acordei nessa vitrine com o olho pequenininho e a boca vermelhona. Será que colocaram alguma coisa na minha bebida?

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O moço está comendo lá atrás do balcão e até agora nada da minha mamadeira!

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Será que aquela mulher passando ali na frente é a professora? Ela vai descobrir que a gente usou as borboletas da vitrine como se fosse nosso trabalho de educação artística. E agora?

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Menina mais esquisita essa aqui do meu lado. Está certo que essa peruca que colocaram em mim não é nenhum modelo de bom gosto, mas esses óculos..

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Não contentes em me colocar esse chapéu bizarro ainda se deram ao trabalho de pintar uma sobrancelha sinistra. Socorro!

 

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Uma galeria dos infernos

A repórter (sem diploma) que divide minha alma e meu corpo com mais uma galera, resolveu que ia fazer uma matéria sobre lugares para ver Berlin de cima. Da lista que fiz, só faltavam dois que eu ainda não tinha subido. Um deles foi visitado ontem e, olha, que surpresa, viu?

Teufelsberg (que, numa tradução livre, quer dizer Montanha do Diabo) tem uma história fantástica. É que, para quem não sabe, Berlim é uma cidade plana, planíssima, planérrima. A única elevação (mínima) é no bairro Prenzlauerberg, mas quase nem dá para perceber.

Onde está Teufelsberg agora, foi construída, nos anos 1940, uma universidade técnica concebida para ser o centro da tecnologia nazista e, por conseguinte, o centro da tecnologia no mundo. Com os sonhos megalomaníacos do senhor de bigodinho transformados em poeira, a construção foi bombardeada e destruída.

Depois da Segunda Guerra, a área foi usada para depositar os restos que sobraram da cidade de Berlim. Durante 22 anos,  800 caminhões despejaram diariamente 7000 m³ de entulho no lugar, até formar a montanha de 120 m de altura que existe hoje. Imagina que impressionante: isso tudo era resto de prédios e casas que foram bombardeados!

Com a separação da cidade, os aliados pegaram esse que era o lugar mais alto da região, cobriram de terra, plantaram 1 milhão de árvores e construíram um observatório de escuta de sinais de rádio; instalaram 5 cúpulas com antenas especiais e outros equipamentos para espionagem. O centro de observação foi totalmente desativado com a queda do muro de Berlim, em 1989, pois já não tinha mais utilidade com o país unificado.

Nos anos 1990, o poder público vendeu a área a investidores que pretendiam montar um complexo residencial para apartamentos de alto padrão, com museu, memorial e vários outros projetos, mas conseguiu-se impedir a obra e a área foi declarada de proteção ambiental.

Hoje só é possível entrar no local com um guia autorizado pela associação de artistas e ambientalistas que cuida das ruínas. A visita dura cerca de uma hora e custa € 7. Vale cada centavo.

Eu já sabia disso tudo quando fui, mas não estava preparada para o que vi. Desci da estação de trem S7-Grünewald e perdi-me um pouco no meio da floresta (não há placas para achar o lugar e a caminhada é de cerca de meia hora). Achei que ia visitar umas ruínas decadentes e desfrutar uma bela vista da cidade. E só.

A questão é que eles transformaram a torre mais alta em uma baita galeria de arte especializada em grafite.  A construção é enorme e tanto a torre principal como a cúpula das outras antenas são cobertas por uma espécie de lona branca. O tecido já está puído ou rasgado, o que dá um toque meio sinistro, com os farrapos balançando ao vento que está sempre soprando no local. Os grafites estão por toda parte e alguns são espetaculares. Porque boa parte da lona já se foi, a galeria não tem paredes externas. Aliás, um dos motivos de só poder entrar com guia é que as condições de segurança são bem baixas, pois a construção é, lembremos, apenas numa ruína.

Vamos visitar?

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Achado é roubado sim!

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Ontem vi uma notícia no jornal* que me fez rever meus valores. É claro que aprendi em casa que quando a gente acha uma coisa que não nos pertence, devemos fazer de tudo para conseguir devolvê-la ao seu legítimo dono.

Mas não é essa a cultura do país em que nasci e cresci. Além da máxima “achado não é roubado” repetida à exaustão, a prova é que, quando alguém devolve algo de valor, logo vira notícia de jornal ou post no Facebook. Esse último, não raro publicado pelo próprio autor da “boa ação”, recebe uma chuva de comentários elogiosos parabenizando pela altiva e nobre atitude.

Pois ontem descobri que aqui na Alemanha é diferente. Achado é roubado sim, se a pessoa ficar com o bem. Como eles conhecem muito bem a natureza do ser humano (e como conhecem!), resolveram deixar bem claro o procedimento nesses casos. Está no código civil: encontrando algo que não é de sua propriedade de valor acima de € 10, a pessoa deve procurar o setor de achados e perdidos do local; se não houver, deve entrega-lo à polícia. Se depois de seis meses o dono não aparecer, a pessoa tem direito a ficar com o bem, a não ser que ele tenha sido encontrado dentro do sistema de transporte público. Nesse caso, a empresa de transportes é que fica com a propriedade.

O negócio é tão sério que até o valor das recompensas está previsto. Se o bem valer entre €50 e €500, o proprietário deve remunerar a pessoa que o econtrou com 5% do valor. Para bens mais valiosos, 3% são suficientes. Para bens de valor sentimental, prevalece o bom senso entre o achado e o perdido.

Enquanto a pessoa não entrega o objeto (ou animal; também vale para bichos) para a polícia ou autoridade competente, é responsável por cuidar e manter sua integridade, ou seja: se entregar para alguém que não for o dono, é crime igual. E se não entregar para as autoridades competentes na primeira oportunidade, é considerado roubo.

Enfim, encontrar um objeto perdido aqui é coisa de muita responsabilidade; torça para não acontecer com você…

*Se tiver curiosidade de ler (em alemão) o artigo do Die Welt ao qual me referi, clique aqui.

Top 10: as fotos mais legais de março

Essas foram as minhas fotos que mais fizeram sucesso nas redes sociais em março.

E você, concorda com a seleção?

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Parece que a moça do cartaz, apesar de politicamente incorreta, conquistou muitos corações com esse ar blasé…

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Esse café na Weinbergsweg, bem pertinho da Rosenthaler Platz, é lindo demais; ninguém resiste ao colorido <3

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Fiquei um tempão esperando alguém passar para clicar na hora certa. Valeu a pena; os leitores parecem ter gostado desse polvo brincalhão :)

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Mal sabem as moças que estão sendo observadas por esses olhos enooooormes…

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Todas as paredes externas desse restaurante em Prenzlauerberg estão pintadas com esses cartuns incríveis. Ponto para os donos bem-humorados :)

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Primeiro solzinho de primavera não dá para resistir mesmo; corre todo mundo para o parque fazer a fotossíntese…

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Essa senhorinha fofa parecida com a minha avó fez o maior sucesso. Deve ser parecida com outras avós também <3

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Espelhos que nascem da chuva.

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Acho praticamente impossível não amar a Ludmilla; e, pelo jeito, não estou sozinha nessa <3

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Há quem jure ter visto indícios da presença do Darth Vader nessa foto…rsrsr

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Heroína na adolescência

A vida está sempre nos pregando peças. Penso que minha geração inteira leu “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída…” na adolescência e ficou tão chocada como eu com a história da menina que começou a fumar hachiche aos 12 anos para se sentir incluída e acolhida num grupo e acabou tendo que se prostituir para sustentar seu vício em heroína.

Mas o que eu jamais imaginaria é que um dia ainda iria reler o livro em sua língua original reconhecendo boa parte dos lugares de Berlim que ela relata. E que continuaria igualmente chocada e impressionada.

A história começa com sua família totalmente desajustada (os pais se casaram praticamente obrigados quando sua mãe engravidou, mas o pai não aceitava nem mesmo que ela o chamasse de pai na frente dos estranhos; era sempre o “tio”). A mãe trabalhava o dia todo para sustentar a família e ela passava o dia sozinha, sem ter com quem conversar. A pré-adolescência foi difícil, até que encontrou um grupo de crianças com problemas similares num clube de igreja, e acabou entrando nas drogas, que já circulavam por lá.

A moça tentou se livrar da heroína inúmeras vezes; confessa que ainda não está livre até hoje, com mais de 50 anos de idade e um filho que não consegue criar (ela perdeu a guarda por conta das confusões nas quais se meteu por causa das drogas). Christiane tem graves problemas circulatórios e é portadora de hepatite C, que contraiu por meio de seringas contaminadas; por causa disso, pode ter uma crise fatal a qualquer momento. Ela publicou outro livro em 2013 (“Mein zweites Leben” ou “Minha segunda vida”, em tradução livre) contando o que aconteceu depois da publicação deste que se tornou um clássico da literatura adolescente no mundo todo.

O namorado da Christiane, que no início do namoro chegou a se prostituir para comprar drogas para os dois e poupá-la da humilhação e dos riscos, conseguiu se livrar e hoje trabalha como motorista de ônibus em Berlim. Mas sua melhor amiga sucumbiu a uma overdose na flor de seus 14 anos.

Muito triste mesmo a história de uma moça inteligente que estragou completamente sua vida por pura carência e insegurança. Esse livro devia ser leitura e debate obrigatório nas escolas (assim como o filme Traffic, que me impressionou bastante também), mas não apenas isso.

É preciso também dar mais perspectiva às crianças (elas precisam de uma escola segura e acolhedora e, principalmente, de amor em casa) e suporte psicológico às pessoas que querem se tratar do vício.

Drogas são um problema sério, complexo e caríssimo para o Estado e para as famílias. Devia ser tratado com mais seriedade e respeito, principalmente pelos governos.

Mas penso, na minha ignorância de leiga, que a principal defesa é uma autoestima bem construída e a segurança que a pessoa tem em se sentir amada. Sem isso, talvez seja uma causa perdida. Sortuda eu que tive tudo isso em casa…

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O título original pode ser traduzido livremente por “Nós, crianças da estação Zoo” e remete à estação de trem/metrô em que Christiane e sua turma usavam como base para se encontrar, consumir drogas e se prostituir.

 

Empatia: a coisa mais linda do mundo!

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Essa semana ficamos todos chocados com o acidente aéreo ocorrido com a empresa Germanwings, durante um vôo entre Barcelona e Dusseldorf. O avião caiu nos Alpes e matou 150 pessoas. O mais chocante da história é que tudo indica que o co-piloto derrubou deliberadamente a aeronave, aproveitando-se do momento em que o piloto foi ao banheiro, trancando o cockpit por dentro.

Pois acabei de ler no jornal que uma passageira da Gemanwings que ia ontem de manhã de Hamburgo para Colônia, naturalmente apreensiva por causa do acidente, relata que o piloto, em vez de dar as boas vindas pela cabine, foi até a área de passageiros, pegou o microfone e disse que estavam todos muito tristes com o que tinha acontecido. Muitos funcionários da empresa recusaram-se a voar naquele dia, mas ele e sua tripulação estavam lá por livre vontade. Todos eles tinham família e iam fazer todo o possível para chegarem sãos e salvos em casa no final do dia.

Os passageiros, compreensivelmente emocionados, depois do silêncio inicial devido a surpresa, aplaudiram o gesto. Com certeza, foi um vôo bem mais tranquilo por causa da sensibilidade desse piloto. ‪#‎pormaisgenteassimnomundo‬

Quem quiser ler a notícia original (em alemão), aqui está o link do jornal Die Welt.

Leila Berlin

Olha só que ideia mais bacana para diminuir o consumismo e fazer com que as nossas escolhas sejam mais conscientes e divertidas; o pessoal do descolado bairro de Prenzlauerberg, em Berlim, bolou uma maneira de mudar o mundo e parece que está dando certo.

Trata-se de uma associação de pessoas dispostas a fazer diferença; elas alugaram um apartamento no térreo de um prédio e montaram a Leila Berlin.

O nome é um trocadilho com  leihen (emprestar) + Laden (loja) e o local é todo tocado por voluntários, que passam algumas tardes lá batendo papo e recebendo as “visitas”.

Funciona assim: a primeira sala, cheia de objetos e roupas, é para doação, ou seja, qualquer pessoa entra lá e pega o que quiser. Se tiver algo em casa que não usa mais, pode deixar de presente também. É bacana porque cada um escolhe o que quer levar e isso significa que o objeto vai ser realmente usado. O mais legal é que isso não é para os “pobrezinhos, coitados, que não têm dinheiro para comprar coisas“. Não comprar é uma opção de gente inteligente; como aqui a diferença entre as classes sociais quase não existe (ou é muito sutil), são pessoas como eu ou você que simplesmente escolhem algo bacana quando estão passando pela frente do lugar e levam para casa.

Essa organização nasceu porque as pessoas costumam deixar o que não querem mais em caixas na calçada escritas com a palavra “Geschenk“, que quer dizer “presente”. Eu mesma tenho uma bota maravilhosa que achei na rua; vi a linda, gostei e era o meu número, olha que sorte. Saí feliz da vida! Só que quando chove ou neva, as coisas acabam se estragando (principalmente roupas e livros). O que a Leila Berlin faz é oferecer um lugar para essas coisas de maneira que elas continuem disponíveis, porém, protegidas.

Isso é uma das coisas que mais gosto nessa cidade; as ações de não-consumo não são uma resposta à falta de dinheiro, mas à falta de conscientização.

Há outros dois quartos onde os associados podem alugar objetos diversos como patins, brinquedos infantis, guarda-sóis, bicicletas, ferramentas diversas, cafeteiras, eletrodomésticos variados, instrumentos musicais, malas, enfim, coisas que você geralmente compra para usar poucas vezes ou em ocasiões específicas.  A pessoa paga um pfand (tipo uma taxa de garantia) e recebe o valor de volta quando devolver o objeto, tudo com zero burocracia. Quando estive lá, uma mãe estava levando seu filho pequeno para escolher brinquedos para alugar. A criança já aprende desde pequena a compartilhar as coisas e dar valor à atividade, não ao objeto em si.

Isso é uma revolução de verdade para alguém que, como eu, vem de um lugar onde pessoas vão a Miami comprar roupas de grife para bebês vestirem…

O mundo tem jeito sim, ainda mais se a gente conseguir que essas ideias se espalhem :)

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Fofura de cliente…

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Essas caixas são brinquedos de tabuleiro.

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De tudo um pouco.

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Obrigada pela ótima dica, Rodrigo Sabatini!

 

 

O suor dos inocentes

IMG_0021Vou ser uma velhinha cheia de histórias para contar; olha mais essa. Ontem deu um dia daqueles bem cinzas e o Conrado e eu decidimos fazer sauna. Eu já tinha mais ou menos uma ideia do que me esperava por conta de relatos de amigas que já tinham ido, mas não deixa de ser uma experiência pra lá de pitoresca para uma tupiniquim como eu.

Começa que sauna é sauna mesmo, não o que no Brasil costuma-se chamar pelo singelo nome de “whiskeria”. As pessoas vão lá para suar, relaxar e voltar para casa novas em folha.

A que a gente foi era no térreo de um prédio, com um pátio cheio de plantas no meio. Na recepção, uma moça de camiseta sem manga e shorts (apesar dos 2 graus de temperatura na rua) nos deu a chave de um guarda-volumes e uma toalha de banho. O vestiário (assim como a sauna e os chuveiros) é misto. Quando chegamos, tinha uma senhorinha muito simpática se vestindo.

Aí a gente tira a roupa e vai para um corredor aberto cheio de chuveiros tomar um bom banho (com sabonete e tudo, senão não pode entrar na sauna). Começamos pela seca, uma experiência meio surreal. Contei 16 pessoas, 12 homens e 4 mulheres, todos nus. A toalha servia para cobrir os bancos de madeira, já que nenhuma parte do corpo deve tocá-los por uma questão de higiene.

A iluminação é bem suave e a moça da recepção foi lá colocar as ervas na “churrasqueira”; ela dá umas abanadas por alguns minutos e, quando acaba a sessão, todo mundo aplaude (?!). O interessante é que ninguém olha para ninguém, cada um está concentrado no seu próprio suor. Silêncio absoluto, como se estivessem todos em meditação profunda.

Depois de 15 minutos (não aguento mais que isso), fomos para o pátio a céu aberto, cheio de trepadeiras bem verdes, mesmo no inverno (o calor da sauna deve ter alguma coisa a ver com isso). Ficamos um tempo repousando nas espreguiçadeiras com outras pessoas. Daí reparei numa plaquinha que recomendava o silêncio para respeitar a concentração de quem estava ali para relaxar. Mais uma sessão de sauna úmida, um banho final, um pouco de leitura na sala de descanso e um suco de pera para hidratar.

Dá para imaginar no Brasil um lugar assim, onde todo mundo fica pelado num ambiente confinado, no mais profundo silêncio e sem ninguém olhar para os outros? Hahahaha… eu não consigo…rsrsrsr

Surpresa colorida

Eis que você vai se encontrar com uma pessoa querida num bairro que ainda não havia sido totalmente “scanneado” e dá de cara com uma coisa dessas. Como não se encantar com tanto bom-humor?

Como é que a pessoa vai ficar triste se todo dia passa por uma coisa colorida dessas? Reparem o capricho das sacadas, que são de metal, mas com a estampa combinando. Enquanto uns brigam em reunião de condomínio, outros conseguem se unir para fazer da cidade um lugar mais bonito, interessante e bem-humorado. É disso que o mundo está precisando!

O melhor é que descobri o nome do artista, que trabalha sob encomenda e tem coisas muito bacanas no site, vai lá: Michael Fischer.

Moabit é o bairro onde mora a querida Nicole, da Agenda Berlim, reponsável por me fazer descobrir mais essa maravilhosidade (o nome da rua é Waldstraße). Obrigadão, querida <3

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Toda quinta-feira…

Como faz para parar de se deslumbrar? Por favor, se alguém souber, não me conte…

A quantidade de surpresinhas que essa cidade tem é infinita. Agora descobri que toda quinta-feira tem um festival de comida de rua no Markthalle Neun, em Kreuzberg, Berlim.

Berlim já teve 14 Markthallen, que são construções parecidas com as que chamamos no Brasil de mercados públicos. A maior parte foi destruída na Segunda Guerra Mundial, e hoje só restam quatro dessas edificações, que foram restauradas e funcionam como na versão original, vendendo frutas, legumes, hortaliças e laticínios, além de peixes e carnes. Ainda vou fazer um post falando sobre essas preciosidades, mas vale dizer que, como todo o comércio em Berlim, os horários de funcionamento são um pouco inusitados para nós. O Markthalle Neun (ou número 9), só funciona as quintas, sextas e sábados à tarde.

Mas todas as quintas-feiras à noite, esse lindo abre suas maravilhosas portas para o paraíso das comidas gostosas. Penso que já disse que, apesar de ser uma cidade cosmopolita e com restaurantes de todas as etnias e culturas, o forte dessa cidade não é a comida, que deixa bastante a desejar. Mas essas noites de Street Food, minha gente… são de deixar qualquer um babando.

As barracas, temporárias, são todas temáticas de acordo com a comida vendida (tem comida marroquina, árabe, turca, italiana, russa, alemã, portuguesa; até tapioca tem!); o lugar fica lotado de gente bonita e feliz numa celebração às coisas boas da vida, tudo com muita simplicidade, nada de frescura, zero de gourmetização. Comida de verdade, feita na hora.

Quando vier a Berlim, não perca a oportunidade de comer coisinhas gostosas nesse lugar maravilhoso!

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O feminismo e o chocolate

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É uma pena que muita gente (e muitas empresas) ainda não tenham entendido que o dia internacional da mulher não é para as moças ficarem se autocongratulando por terem nascido mulheres nem ficar felizes por receber rosas murchas pelas ruas. É um dia de muita reflexão, para que todo mundo pense a respeito sobre o que pode ser feito para que as diferenças entre os gêneros, que infelizmente continuam enormes, possam ser minimizadas, e que finalmente cheguemos ao mais alto estágio civilizatório, que é o da igualdade.

Para quem pensa que isso não é necessário e que já evoluímos bastante (uma parte conseguiu andar um pouco pra frente sim, mas ainda falta muito), basta lembrar que enquanto você lê esse texto, mulheres de todas as idades continuam a apanhar, ser estupradas, ter seus hímens retirados a sangue frio e ser apedrejadas até a morte sem dó nem piedade, só porque nasceram mulheres. Nem vou comentar o salário menor, os problemas de autoestima porque não conseguem se adequar a um modelo idealizado por outros ou as condições de trabalho.

Em vez de ficar aqui repetindo o quanto somos maravilhosas (sei que vou ser muito xingada por isso, mas se estamos falando de seres humanos iguais, nascer com uma vagina não torna a pessoa automaticamente maravilhosa; só a torna mais vulnerável, e é disso que temos que tratar), vamos ao que interessa: o que podemos fazer para que todas tenham chance de se desenvolver e ser respeitadas, que possam contribuir para que o mundo seja um lugar melhor para se viver.

Daí que resolvi trazer um exemplo sensacional que existe aqui em Berlim. Chama-se Shokofabrik e é uma cooperativa feminina.

O lugar tem esse nome porque a edificação onde a cooperativa está instalada funcionou como fábrica de chocolate entre 1888 e 1968. O prédio foi ocupado pelo movimento feminista e de lésbicas em 1981 e, desde então, tem feito um trabalho fantástico.

Como está instalado no bairro de Kreuzberg, onde uma parte significativa dos moradores é turco, a organização foi fundada, num primeiro momento, com foco nas mulheres dessa nacionalidade, que sofrem até hoje por causa do machismo de sua cultura.

Como é uma cooperativa, boa parte dos trabalhos é voluntário, mas trabalha-se também para que a renda revertida consiga sustentar os cursos, oficinas, consultorias e serviços ali oferecidos. Há cursos profissionalizantes, de línguas, de integração na cultura alemã, de empreendedorismo, de defesa pessoal; há uma creche que abriga atualmente 23 crianças de 1 a 6 anos de idade; há uma oficina para as mulheres que queiram construir seus próprios móveis; há diversas atividades físicas; há um café e até um serviço que vou testar em breve: o banho turco, uma antiga tradição  chamada Hamam.

A casa tem 13 mil m² distribuídos em 6 andares e é um desses empreendimentos que mudam a história de pessoas para sempre. Essas mulheres construíram um lugar de referência e proteção para suas irmãs e estão de fato transformando para melhor o mundo em que vivem.

Penso que são iniciativas assim que merecem nossa atenção e reflexão no dia de hoje. O que cada um de nós, homens e mulheres, pode fazer para tornar o mundo um lugar mais justo e igual?

Para quem quiser saber mais, recomendo uma visita ao site Shokofabrik. Além de turco e alemão, está disponível também em inglês.

 

O tal do círculo

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Toda vez que vejo um livro na lista dos mais vendidos, logo penso: ôba, um bestseller! Deve ter muita ação e ser fácil de ler. Aí, quando dei uma olhada no resumo do “Der Circle“, de Dave Eggers, a decisão de lê-lo estava tomada: é a história de uma empresa, chamada Circle que compra as outras gigantes da internet e se apodera de todas as informações pessoais dos usuários. Como resistir?

Bom, em princípio pensei que fosse algo do tipo “A rede“, estrelado pela Sandra Bullock. Ledo engano.

O problema já começa com a protagonista, que só conseguiu um emprego na tal empresa porque era colega de quarto da moça que se tornou uma das principais executivas do grupo. Não há como se identificar: ela é boba, chata, sem graça e desinteressante, além de ser acéfala e presa fácil para servir de inocente útil para a empresa. Chega a ser irritante o tanto que a moça simplesmente não pensa (saudades das heroínas do Sidney Sheldon).

A empresa mais parece uma universidade (mais ou menos como seria hoje uma pessoa trabalhar na Google). De fato, o parque fabril é chamado de campus e tem todas as facilidades para os 12 mil funcionários: moradia, restaurantes, lojas, academias, shows e  festas diárias, clínica de saúde. Tudo grátis.

Eles mantêm e obrigam os funcionários a participar ativamente das redes sociais internas e externas, a ponto de terem um ranking de popularidade que conta muito na avaliação de desempenho. São encorajados a interagir o tempo todo a tal ponto que a moça topa usar um colar com uma câmera expondo absolutamente toda a sua vida (e a dos amigos e parentes que interagem com ela) à apreciação pública.

A obsessão pelo que eles chamam de transparência ultrapassa todos os limites lógicos. Os lemas da empresa são: “segredos são mentiras“, “compartilhamento é cura” e “privacidade é roubo“. E ninguém acha estranho, exceto os pais da moça e o ex-namorado. A idiota acha que eles são caipiras por não quererem câmeras em todos os cômodos da casa para que o pessoal possa acompanhar o dia-a-dia deles (uma coisa tão legal, né, gente?).

O que mais me irritou no livro foi o discursinho barato usado por um dos fundadores para convencê-la que abrir mão da privacidade era uma coisa ótima: iria diminuir os crimes e a corrupção no mundo, as pessoas iriam pensar mais antes de fazer as coisas erradas ao saber que tem gente assistindo tudo o que elas fazem. Uma criança de quinta série é capaz de rebater o raciocínio com mais competência que ela; era só perguntar por que ele próprio não usava o colar. Sério.

A empresa mais parece uma seita, pois nunca vi um grupo de colaboradores tão desprovidos de senso crítico. Até poderia ser bacana, se eles não achassem que o que é bom para eles é também o melhor para o mundo e deve ser obrigatório para o bem comum (a palavra totalitarismo parece ser um termo desconhecido para esses nerds desmemoriados).

Olha, só cheguei no final das 558 páginas porque era realmente muito fácil de ler e meu alemão está realmente precisado de exercícios desse tipo. Mas se a pessoa vai ler em português, acho perda de tempo.

Meu resumo do livro: uma obra de ficção que se passa num mundo onde nunca ninguém leu ou sequer ouviu falar em “1984” de George Orwell.

Mas pelo menos o autor podia ter dado uma olhadinha, né?

Top 10: as fotos mais legais de fevereiro

Essas foram as minhas 10 fotos mais curtidas nas redes sociais no mês de fevereiro. Aos pouquinhos o inverno vai se despedindo (esse ano ele quase nem veio, só deu um alô) e vamos nos preparando para a chegada da primavera.

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Essa aqui gerou uma discussão sobre as lâmpadas e até apareceu numa matéria do blog 99jobs replicada no Catraca Livre representando a cidade de Berlim.

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Como resistir a uma árvore sensualizando em pleno parque?

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Uma parte desse lago ainda estava congelado, mas o rapaz que serviu como modelo não estava nem aí para o frio.

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Esses canos fazem sucesso sempre que aparecem. Eles são drenos de água de obras de construção civil; só que em Berlim, não poderiam ser cinzas e feios como nos outros lugares, né?

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Um dos poucos dias de inverno de verdade esse ano, onde São Pedro resolveu se exibir mandando bastante neve.

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Esse prédio é ocupado, na sua maior parte, pelo ministério da Ciência e Tecnologia daqui. Mas não deve ser próprio, pois tem outros empreendimentos compartilhado o espaço também.

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Tive que pagar € 1 de cachê para poder tirar a foto, mas acho que valia muito mais. O dono da barraca de roupas no mercado de pulgas era um artista, acompanhado do seu peludo amigo performático.

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Tem dias que o melhor mesmo é ficar no preto & branco.

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Nunca posto selfies, mas achei bacana esse efeito de espelho no vidro da janela do trem. Supresa mesmo foi a reação: essa foi a foto mais curtida da história do meu Instagram + Facebook até hoje!

Pintando o sete em Berlim

Uma das muitas bobagens que ouvia (e acreditava) quando ainda morava no Brasil é que os alemães adoram artesanato brasileiro porque aqui na Europa não tem quase nada feito à mão. Falácia. Eles gostam do artesanato brasileiro simplesmente porque amam colocar a mão na massa e valorizam tudo o que não é fabricado em escala industrial.

Mas o que me chamou atenção mesmo foi um modelo de negócios muito interessante: cafés onde você pode ir, reunir-se com os amigos ou com a família para pintar cerâmica.

Em Berlim são sete filiais da Paint your Style e deve ter outras concorrentes também. Nas vésperas de Páscoa, Natal e férias escolares é quase impossível conseguir um lugar, de tão lotado. As crianças também curtem fazer aniversários aqui. Tem coisa melhor e mais divertida? Eu já fui com cinco amigas passar uma tarde maravilhosa para fazer um presente surpresa para outra que estava indo viajar. Cada uma pintou uma peça e foi inesquecível!

Funciona assim: você chega, e a primeira coisa a fazer é lavar as mãos (elas têm gordura que podem grudar na cerâmica e dificultar a absorção da tinta). Aí você escolhe a peça que quer (na estante tem algumas já pintadas para quem quer se inspirar), escolhe as cores, senta na mesa e começa a brincadeira. Embaixo da peça a pessoa pinta seu nome, para identificá-la depois. Quando você “fecha a conta” e entrega as peças no balcão, a moça guarda tudo em bandejas para colocar no forno depois (que só funciona alguns dias da semana). Aí ela marca um dia para você pegar sua obra de arte (ai, que ansiedade para ver como ficou!).

Por experiência própria posso dizer que é um programa prazeroso e integrador para pessoas de todas as idades. Ontem me encontrei lá com a Cris e a Gisele (que trabalha na loja de Kreuzberg). David, um dos sócios, foi super querido e me deixou fotografar tudo.

A gente sabe que uma coisa funciona e faz bem, quando vê uma criança com seus dois avós bem velhinhos pintando pecinhas como se todos tivessem a mesma idade, casais de namorados brincando juntos e amigas dando boas risadas. Como não amar isso, minha gente?

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Tente imaginar uma versão melhor do paraíso…

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É muito amor.

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Inspiração é o que não falta.

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Você escolhe a peça que vai pintar. Uma caneca custa por volta de € 10 com tudo incluso.

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Embaixo dos tubos de tinta tem uma amostra de cerâmica já cozida para a pessoa ter ideia de como a cor vai ficar. Quando a gente pinta, parece aquarela.

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Duas amigas passando a tarde da melhor maneira possível.

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Todo mundo adora brincar!

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A Gisele colocando as peças no forno.

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Se a pessoa quiser, pode levar pias e vasos (desde que caibam no forno). O risco deles se quebrarem no processo é grande, pois já sofreram um cozimento anterior, mas e as ideias que já comecei a ter por aqui? Rsrsrsrsrs….

 

Achei que vocês iam gostar de saber também.

Tipos para todos os gostos

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Não me lembro como é que cheguei nesse livro (deve ter sido por uma das trocentas newsletters que assino), mas, olha, valeu demais. Comprei no pré-lançamento no final de janeiro e recebi semana passada, com autógrafo e tudo!

The type taster: how fonts influence you, de Sarah Hyndman, foi uma das melhores surpresas dos últimos tempos. A expectativa já era alta (por causa do nome), mas Sarah conseguiu superá-las.

O começo é o básico de qualquer livro de tipografia: fala da influência sutil das fontes tipográficas em qualquer peça de comunicação e observa que o que era domínio de poucos até pouco tempo atrás, tornou-se popular e acessível a qualquer um. Hoje, escolhe-se a fonte em que se vai ler um texto no Kindle como se fossem sabores de pizza. Conta o caso da Gap, que tentou mudar seu logotipo e teve que voltar atrás por causa da reação indignada dos clientes (ela não citou a Ikea, mas o caso foi análogo).

Um pouquinho de história também está lá: a primeira fonte (Engravers Old English, de 1450, com aquelas letras góticas, usadas por Gutenberg para imprimir a primeira bíblia), a invenção de outras fontes mais legíveis e, principalmente, a revolução provocada pela invenção do itálico, que diminuiu consideravelmente o tamanho e peso dos livros, aumentando sua portabilidade.

Sarah nos conta que os tipos, assim como as cores, sons, texturas, sabores e cheiros, provocam emoções e alteram a mensagem comunicada. Eles carregam mensagens subliminares, justamente porque a maioria de nós não presta atenção neles. As fontes fazem o papel de nosso tom de voz quando falamos: a palavra toda escrita em caixa alta (maiúsculas) simula gritos; fontes “gordinhas” equivalem a vozes graves, assim como as magrinhas, mais sutis, representam os sons mais agudos. As curvas e elementos dão musicalidade ao discurso, além de assertividade, seriedade, enfim, uma série de características que afetam o resultado final de nossa percepção.

Um exemplo bem comum é o de fazer com que um alimento industrializado pareça ser feito artesanalmente: ao inserir algumas falhas propositais na fonte tipográfica, como se fosse carimbada ou aplicada com estêncil, a mensagem é comunicada sem que o fabricante corra o risco de ser acusado de propaganda enganosa. Malino, né?

Hyndman fala um pouco também dos princípios semióticos: as formas arredondadas, como já nos explicou Donald Norman, são normalmente associadas à sensação de conforto, ao contrário dos ângulos agudos, que despertam nossos alarmes de perigo.

Em outro exemplo, ela nos explica como se sustentam os clichês nos cartazes de cinema: porque sempre se usa sempre fontes sem serifa para anunciar comédias; tipos modernos como o Didot para promover filmes românticos e a família Trajan para filmes épicos e inspiradores? Há fontes associadas ao luxo nostálgico, ao dinheiro, à moda, aos movimentos revolucionários, à ficção científica, enfim, é só observar com cuidado que dá para identificar padrões.

Mas o mais bacana mesmo são as muitas pesquisas práticas que ela  faz para descobrir como as pessoas percebem e sentem os tipos. Tem uma em que ela pede para o povo adivinhar quais são os produtos mais caros e mais baratos só pela fonte usada no rótulo e qual a profissão de alguém só com base nas fontes tipográficas usadas no seu cartão de visitas (ela produz vários, com as mesmas informações, mudando apenas a fonte). Aliás, esse capítulo sobre a relação entre as fontes e as profissões já vale o livro. É claro que se pode fugir dos clichês, mas há que se ter em mente que a mensagem terá um pouco mais de dificuldade de ser apreendida pela maior parte das pessoas.

Até a reação dos leitores a determinadas notícias no jornal sofrem influência de acordo com a fonte em que o texto é escrito. É claro que isso não é novidade para quem já leu um pouco sobre tipografia; o que ainda não tinha visto eram pesquisas com números que comprovassem a teoria.

Outro caso interessante é a avaliação que as pessoas fazem de um chef de um restaurante baseando-se na fonte tipográfica do menu. É incrível a influência, inclusive na percepção de preço. Há pegadinhas onde se faz uma pergunta capciosa (exemplo: “quantos animais de cada espécie Moisés levou para a arca?”. O trabalho do pesquisador David Lewis mostra que se a fonte é fácil de ler, 80% das pessoas erra e responde um par. Quando a fonte exige um pouco mais de concentração na leitura, esse número cai para 50%; metade consegue se dar conta que o sujeito da arca é o Noé, não o Moisés. Louco isso, né?

As fontes também influenciam o humor das pessoas e fazem com que elas consigam voltar no tempo (e nesse capítulo fiquei sabendo que há o Museum of Brands em Londres que guarda embalagens desde a época Vitoriana. Não posso perder de jeito nenhum!).

Sarah gosta e sabe brincar com as letras. Ela apresenta o equivalente tipográfico aos filtros de imagens do instagram. É legal demais, olha só:

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Ela diz também que as fontes que a gente mais gosta e usa revelam muito sobre a nossa personalidade (claro, assim como as roupas, o corte de cabelo, etc). Por isso, o livro é oferecido com a capa em cinco fontes diferentes e você escolhe qual prefere quando faz o pedido: Baskerville, Claredon, Didot, Gill Sans e Helvetica. O meu é em Gill Sans (adoro). Resumo: sou uma tradicionalista que gosta de pensar que é moderna…rsrsrs. O texto é bem maior, mas não vou reproduzi-lo aqui não (parece horóscopo; acerta umas coisas e erra outras).

Olha, o livro é diversão até o fim: veio com um óculos 3D para o estudo da percepção das fontes, propõe uma série de atividades (ótimo para professores) e até fotos de balas e biscoitos que traduzem a personalidade de cada fonte tem (com receitas e tudo!).

Meu único reparo é que essa primeira edição, de 2.000 exemplares, foi impressa on demand. Daí que a encadernação é boa, mas como o papel interno é muito grosso (170 g/cm²), fica difícil de manter o livro aberto durante a leitura.

No mais, recomendo com estrelinhas. Vai lá: The type taster.

Desenvolvido por: Elton Baroncello