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A reinvenção do shopping center

Os berlinenses (e ouso dizer, os europeus, de maneira geral) não curtem muito passar horas em shopping centers. Diria até que detestam. O comércio de rua aqui é rei e, além disso, o consumismo não é tão desenfreado. Passear num shopping num dia de folga é considerada uma ideia bem bizarra por aqui, aliás. Qualquer berlinense preferirá ir a um museu, exposição,  ficar à toa na vida num parque ou ocupando a mesa de um café qualquer.

Por isso, os shopping aqui são pequenos (se comparados com os brasileiros), nada espetaculosos e prioritariamente frequentados por turistas.

Digo isso porque há alguns meses foi inaugurado o maior shopping de Berlim, que, para um brasileiro, é apenas mais do mesmo que a gente já está acostumado a ver: muito mármore, muito vidro, muito dourado, muito luxo, muitas lojas de marca…zzzzzz  O empreiteiro pediu falência ao término da obra, que teve vários atrasos, e o povo até fica fazendo piada com isso (o tal schadenfreude, palavra alemã que significa se alegrar com a desgraça alheia).

Mas no começo do ano passado teve um projeto bem ousado com o objetivo de mudar o conceito de shopping center: o Bikini Berlin, bem onde era o antigo centro do lado ocidental da cidade. Aí sim, conseguiram fazer um empreendimento com a cara e o conceito da cidade.

O Bikini Berlin, olhando de fora, parece mais um centro comercial (de fato, a construção não é muito grande, e a ideia não é essa mesmo). Todo o estilo da decoração é baseado em pallets e é bem minimalista: não tem dourado, não tem mármore, não tem gesso, não tem luxo (ufa!).

Na verdade, esse prédio é uma releitura do antigo Bikinihaus, que ficava no mesmo lugar, construído no auge da invenção do biquíni, nos anos 50. A edificação ganhou esse nome porque era arquitetonicamente dividida em duas partes, como a famosa roupa de banho tão em voga na época, veja que interessante.

O shopping fica coladinho ao Zoologische Garten (visitei o zoo durante a construção e foi bem difícil para os bichos, coitados, que sofreram demais com o barulho e a sujeira da obra) e tem vista para a ilha dos macacos balbuínos (aqueles com a bunda vermelha).

A maior parte das lojas do vão central é do tipo pop-up (ou seja, são temporárias) e montadas sobre estruturas de madeira e arame. Mesmo as lojas fixas são bem despojadas, com piso de cimento queimado e com o máximo de coisas feitas à mão (incluindo cartazes com o nome dos estilistas das lojas de fashion design).

A parte que mais gosto é um pano de vidro que dá diretamente para o zoológico; a moldura da janela tem almofadas espalhadas para a pessoa passar o dia inteiro lá meditando, se quiser. A parte externa tem um pátio também com vista para o zoo onde os cafés colocam mesinhas e sofás com design bem original. Além de cafés e lojas, o complexo de 7000 m² tem um cinema de rua, restaurantes, escritórios, uma escola de design, ateliers e um hotel (um dos mais bacanas que já vi, por sinal, totalmente dentro do conceito). Aliás, sobre os cafés vou falar depois; eles merecem um post só para eles…

Enfim, é tudo muito diferente do que a gente está acostumado a ver num shopping. Pelo que li, o lugar ganhou o coração dos berlinenses, mas não o bolso (parece que o retorno financeiro ficou um pouco aquém do esperado).

Para quem precisa alimentar os olhos todo dia com coisas bacanas e os neurônios com ideias novas, recomendo demais!

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Até a fachada é diferente dos outros shoppings, já que a construção não é um bloco, mas vários prédios interligados.

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Pano de vidro com vista para o zoológico; sim é possível ter paz dentro de um shopping.

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Os cartazes na frente dos cabides indicam os nomes dos estilistas.

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Em busca do cool

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Com certeza você já ouviu esse termo por aí: coolhunter. Mas você sabe o que significa, de onde veio essa palavra, para que ela serve?

Pois a queridíssima e muito competente Fah Maioli, expert no assunto, teve a delicadeza de escrever um livro explicando todos os pormenores, o Manual do Coolhunting: métodos e práticas.

Essa gaúcha que trabalha como trend analyst há 16 anos em Milão, conta que  o primeiro a usar a palavra foi Malcom Gladwell, num artigo escrito em 1997 para o periódico New Yorker. Revela ainda que antes do coolhunter, a palavra que mais se aproximava dessa prática era o flaneur, aquela pessoa que adora passar o tempo caminhando pelas ruas para contemplar cada detalhe da cidade: as coisas, as pessoas, os cenários, os personagens, a música, os cheiros (ah, como me identifico!).

Mas a partir daí, quando o coolhunter foi integrado ao sistema da moda, a coisa ficou muito mais complicada e sofisticada, pois há toda uma estrutura complexa por trás das coisas que consumimos, desde a forma como são identificadas e/ou definidas tendências, a observação do estilo de vida das pessoas até a valorização dos formadores de opinião; enfim. A Fah tem toda a paciência de destrinchar cada termo e cada papel, de explicar a influência de cada comportamento, além de contar um pouco da história da moda do ponto de vista antropológico e de cultura do consumo.

Então, para resumir bem, o coolhunter é a pessoa que caça hábitos, estilos de vida e tendências de consumo cool (bacanas, legais, com potencial para ser desejados e copiados, que possam impactar o mercado), incluindo aí moda, gastronomia, arte, música, design, arquitetura, literatura, cinema, etc. Ele é um intermediário de cultura que faz a ponte entre aos centros de produção cultural e as empresas de produção de bens de consumo.

E a Fah lembra que coolhunter não é uma profissão, mas um conjunto de atividades profissionais. Fiz um desenho para compreender melhor, mas não sei se está certinho (posso ter entendido errado, corrija aí alguma falha, amiga!) que mostra os diferentes papeis que o coolhunter pode assumir e as conexões entre eles.

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Se você é interessado em entender o espírito do tempo (Zeitgeist), não pode perder de jeito nenhum. Recomendo fortemente!

Aqui tem para vender.

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Se quiser saber mais sobre o tema, resenhei outros dois livros também interessantes: “Observatório de sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências”, de Dario Caldas e “Cool Hunter“, de Scott Westerfeld

 

Redesenhando a liderança com simplicidade

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Desde “As leis da simplicidade” virei fã do John Maeda. E, pelo jeito, não fui só eu; depois de publicar o livro e fazer uma palestra no TED, ele foi convidado para ser o diretor da maior e mais tradicional escola de design dos EUA, a Rhode Island School of Design.

Apesar de ser um sujeito de múltiplos talentos, esse engenheiro japonês que depois virou designer respeitado e artista plástico premiado no mundo todo, era um pacato professor do MIT (Massachussets Institute of Technology) e nunca tinha assumido um cargo de tanta responsabilidade, ainda mais porque o convite foi feito quando a escola enfrentava o auge de sua pior crise financeira.

Mas Maeda já tinha passado por muita coisa para saber que o que ele mais gosta de fazer na vida é aprender. Então, saiu de sua zona de conforto para descobrir, on the fly, o que é ser um bom líder. Diz ele que está aprendendo até hoje (para a sorte de todos) e, generoso como os líderes devem ser, compartilha as coisas que vem testando, praticando e avaliando no livro “Redesigning Leadership”, escrito com a colega Becky Bermont.

A primeira coisa a se observar é que o moço não perde a coerência: adepto da simplicidade, o livro só tem 80 páginas e, à parte da introdução e agradecimentos, é dividido em quatro capítulos: o criativo como líder, o tecnologista como líder, o professor como líder e o humano como líder. A maior parte da organização do conteúdo foi estruturada nos 1.200 posts que John publicou no Twitter nos primeiros anos da experiência, veja só.

Na introdução ele já compartilha um certo desconforto, pois além de até então ter trabalhado prioritariamente sozinho, reconhece que líderes não são muito respeitados no meio criativo porque evocam uma ideia de autoridade. Então se viu repentinamente no lugar da pessoa que, tradicionalmente, designers e artistas costumam criticar. Mas ele aprendeu com seus pais e alguns mestres japoneses que o trabalho fica mais bem-feito quanto mais a gente se empenha apaixonadamente em fazê-lo. Eis que Maeda mergulhou de cabeça no aprendizado.

Ele começou tentando entender na prática como a instituição funcionava. Para isso, imiscuiu-se nas entranhas da universidade: serviu lanches na cafeteria, ajudou a carregar a bagagem dos novos estudantes que chegavam ao campus, levou comida encomendada pelo pessoal da segurança, almoçou na cantina ouvindo as conversas. Ele foi entender a engrenagem do negócio por dentro e estava se achando muito inovador (designers e artistas são assim mesmo, não temem colocar a mão na massa) quando descobriu que muitos anos antes um outro diretor já tinha feito o mesmo (e era um ex-administrador de hospital).

Nessa fase, começou a questionar o delicado equilíbrio entre ser um líder participativo e microgerenciar, que é um desrespeito às funções de outras pessoas. Entendeu também a importância de não apenas reunir as informações mais relevantes para compartilhar com sua equipe mas explicar porque é tão vital que todo mundo as conheça. Mais do que apresentar dados, é importante que as pessoas entendam porque eles estão lá e o que de fato significam. Nesse momento, percebeu também o fundamental papel do feedback e da ciência que é saber ouvir.

Como tecnologista, Maeda compreendeu que mais importante que ser transparente, é ser claro e assertivo. De quebra, compartilha uma dica preciosa que ganhou de um antigo mestre: sempre que explanar um conceito, continue a explicação com a frase “por exemplo…”. Ele também descobriu que numa reunião sempre tem as pessoas que vão de boa vontade, as que vão porque são obrigadas (e ficam o tempo todo futucando seus smartphones) e aquelas que só estão atrás da comida (e que bom humor é fundamental sempre!).

Como professor, ele entendeu que precisava formar um time e que a visão precisaria ser clara e atrativa o suficiente para as pessoas realmente quisessem, de coração, fazer parte. E que ele não seria um bom líder se também não aprendesse a ser um bom seguidor.

Finalmente, como humano, compreendeu que liderar implica tomar decisões que podem ferir (ele foi obrigado a demitir pessoas) e intuiu que havia informações que ele podia compartilhar com o grupo abertamente e outras que não. E que a melhor maneira de decidir sobre isso era ouvir, ouvir, ouvir, ouvir sempre.

Por último, John aprendeu que o líder conquista o respeito das pessoas por seu próprio mérito; ele não vem automaticamente por causa da posição hierárquica na empresa.

Se Maeda está sendo um bom líder para a organização que agora preside eu não sei; mas, nós, comuns mortais, agradecemos imensamente pela oportunidade de aprender com essa jornada.

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Dei uma pesquisada e vi que o título não foi lançado em português, mas a versão original, em inglês, está disponível na Livraria Cultura.

O segredo da câmera obscura

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Um dos meus programas prediletos aos sábados é garimpar livros nos mercados de pulgas; sempre encontro preciosidades por uma moedinha de € 1. Sábado passado não foi diferente: achei “Die Genheimnis der Camera obscura“, de David Knowles.

Nunca escondi que sou dessas pessoas que escolhe livro pela capa. E pela encadernação, pela diagramação, pela tipografia, pelo tipo de papel. O título, misterioso, também me seduziu, de maneira que não tive outro jeito senão levar o bonitinho para casa.

O livro conta a história de um ex-bibliotecário que herda de seu pai uma câmera escura em escala humana (do tamanho de uma sala) e passa a operá-la como atração turística em um penhasco no litoral americano.

Para quem nunca ouviu o termo, câmera escura, ou obscura, é a bisavó das câmeras digitais que a gente usa hoje em dia. Trata-se de uma caixa com um furo pequeno em uma das faces; princípios óticos fazem com que a imagem em frente a essa face seja projetada do lado de dentro da caixa, só que invertida. Dá para fazer a caixa de vários tamanhos diferentes, desde um pouco maior que uma caixa de sapatos, como aquelas câmeras de cortininha de antigamente, quanto do tamanho de uma sala.

O narrador é solitário e meio perturbado; só tem um amigo, um estudante de arte com quem mantém um relacionamento superficial e um pouco turbulento. Ele escreve um diário onde registra suas pesquisas sobre a invenção do mecanismo. No momento em que o livro começa, uma moça italiana que frequentava diariamente o local havia um mês (por quem ele mantinha um amor platônico) é brutalmente assassinada (inclusive com a cabeça desaparecida) ao lado do ponto turístico.

O livro é uma reprodução do diário do moço e mistura a pesquisa com suas fantasias e sentimentos. Ele conta sobre os dois cientistas chineses que descobriram o princípio ótico que iria revolucionar o mundo e, por causa de uma briga passional, acabam sendo roubados por um padre italiano. O religioso traduz as anotações e presenteia o papa, mas esse não dá a menor bola. O tal caderninho vai parar numa sala onde Leonardo Da Vinci tem acesso, que também faz uso do recurso para suas pinturas e faz anotações a respeito. Os escritos passam de mão em mão, até que um comerciante holandês convence o grande pintor Vermeer a construir uma câmera escura usando um cômodo de sua própria casa. Crimes passionais acontecem aos montes e sempre tem um novo caderninho de anotações para dar segmento à narrativa.

Uma mistura de fatos históricos e fantasia com pitadas de mistério e crimes passionais dá um bom entretenimento.

Dei uma pesquisada rápida e não encontrei o título em português, mas na Amazon americana tem exemplares por apenas $0.01. Vale a leitura.

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Um povo e suas contradições

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Todo país tem suas contradições e a Alemanha não seria exceção. O povo que fundou o partido verde, que é super consciente nas questões de consumo, que se preocupa com o ambiente e com a procedência da comida que come, que é maluco por plantas, parques e tudo o que é verde, que habita o lugar onde as crianças comem cenouras cruas, pepinos e pimentões como se fossem frutas na merenda, onde imperam as redes de supermercados bio, onde tudo é eco-friendly, enfim.

Pois é, esse mesmo povo vai lá na floresta, corta pinheirinhos, enfeita-os por um mês e depois simplesmente os joga fora, na rua mesmo. Essa semana as calçadas vão ficar cheias deles, tadinhos.

A estimativa é que, só em Berlim, sejam 400.000 dessas pobres árvores descartadas (é mais de uma árvore para cada 10 habitantes; imagina isso na Alemanha inteira?). Tem um serviço especial que as recolhe para que sirvam de combustível nas usinas de aquecimento de água, mas mesmo assim, né?

Eu acho um absurdo. Absurdo. Absurdo. Não sei que lorota contam para as crianças, tão preocupadas com o meio ambiente, mas pelo jeito, deve colar, pois ninguém acha nada demais aqui…

Horas de foguetório

O reveillon aqui em Berlim tem umas coisas que nunca tinha visto em outros lugares: eita povo mais fanático por fogos! É claro que há algumas queimas de fogos oficiais, como a tradicional festa no Portão de Brandemburgo (mas tem que chegar lá no máximo umas 5 da tarde se quiser ver alguma coisa; nesse frio não anima) e no Gendarmenmarkt, mas o grosso do foguetório é disparado pelos moradores mesmo.

Olha, acho que tem gente que passa o ano todo comprando fogos para soltar, não é possível.

Para vocês verem como não estou mentindo, um sujeito se deu ao trabalho de colocar uma câmera no carro e passear pela cidade; são 13 minutos ininterruptos, dá quase para sentir o cheiro de pólvora.

Olha:

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Vida de manequim

Já são tantos casos de manequins de vitrine que sofrem maus tratos (alguns até expostos na rua, passando frio e calor extremos) e tantos descontentes com o emprego que resolvi criar uma categoria só para denunciar esses absurdos: é o “vida de manequim“.

Acompanhe mais um episódio que conta a dureza que é o trabalho desses corpos torturados pelo tédio, vergonha e dor na coluna.

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É o fundo do poço; ficar aqui nesse vento com os cílios postiços descolando e com uma coceira dos infernos. Ainda bem que só falta mais uma prestação…

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– Amiga, ele me deixou. Falou que eu usava blusas estampadas demais… – Pare com essa conversinha chata, não está vendo minha cara de revolta com o mundo? Já cortei até os pulsos, mas não adiantou nada…

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Afe, o Ricardo não me ligou até agora para dizer qual jaqueta ele ia escolher para sair hoje…

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A que ponto nós chegamos! Ter que tirar nossos piercings de umbigo só para ficar mostrando essas roupinhas datadas. O pior mesmo é ter que ficar encolhendo a barriga porque a dona da loja vai passar daqui a pouco para conferir nosso trabalho…

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Socorro, não consigo enxergar nada!!!

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Galera, parece que foi confirmado mesmo: vão reduzir o salário e aumentar a carga horária.

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Oh, não! Se reduzirem o salário não vou mais conseguir comprar meu rivotril. E agora?

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Um cara lindo como eu tendo que passar esse ridículo de encarar uma paella fria o dia todo e com essa roupa de Papai Noel que acabou de levantar da cama… ninguém merece!

O caso Collini

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Imagine que você é um advogado recém-formado e acorda de madrugada com um chamado urgente para ser defensor público de um assassino confesso. Não bastasse ser seu primeiro grande caso importante, você descobre que a vítima, morta na suíte de um dos hoteis mais famosos da cidade, é o avô do seu melhor amigo de infância, uma das suas referências mais queridas.

Mesmo assim, Caspar Leiden, nosso protagonista, decide assumir a defesa e mais, levá-la realmente a sério. Até a data do julgamento, o assassino não explica porque fez essa barbaridade e não se encontra nenhuma conexão conhecida entre ele e a vítima. Na metade do julgamento é que as coisas começam a se esclarecer de verdade.

Não fosse porque o caso se passa em Berlim (é uma delícia reconhecer os lugares descritos na história), o livro também é interessante porque conta casos muito curiosos (e revoltantes) da história alemã; coisas que a gente pensa que só no Brasil é que poderiam acontecer.

E mais não posso dizer para não cometer spoiler, apenas que recomendo bastante.

Não encontrei nenhuma versão em português, mas tem em espanhol (que é quase a mesma coisa…rs) e em inglês.

Uma vitrine como você nunca viu

Olha só que interessante a ação dessa loja da Sisley; a marca francesa tem uma loja sem muito destaque na região central de Berlin e resolveu chamar atenção de uma maneira discreta (sim, isso é possível, veja!).

Eles colocaram um caminhão-vitrine estacionado bem na frente da fachada. Nunca tinha visto uma vitrine tão bacanuda, principalmente dentro de um veículo de carga. Pelo capricho e os acabamentos, a adaptação não deve ter ficado barata, mas ficou linda!

Adorei, e você?

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Gente feia

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Como tinha gostado muito de Coolhunter, do Scott Westerfeld, resolvi conhecer outros livros dele. O autor é especializado em literatura para jovens, mas estou preferindo leitura mais fácil agora porque alemão já é complicado que chega (um dia lerei Thomas Mann no original, mas ainda vai demorar um pouco..rsrs).

Ugly: verlier nicht dein Gesicht* é uma obra de ficção científica onde, num futuro indefinido, a terra foi destruída pelos chamados “brutos” (nós) e alguns sobreviventes reconstruíram a civilização usando a tecnologia para usar menos recursos naturais e não poluir. A questão é que o conceito de limpeza foi extrapolado também na questão estética.

Nesse futuro, todas as pessoas crescem e estudam normalmente (a maioria em internato, pelo menos até a adolescência). Aos 16 anos, quando considera-se que o corpo já está formado, são todos submetidos a uma cirurgia plástica radical para aperfeiçoar não apenas a aparência, mas também o funcionamento do corpo (ossos são alongados com ligas sintéticas ultra resistentes, a pele toda é substituída, entre outras coisas). Os cientistas definem o que é considerado tecnicamente belo em termos de simetria e proporções e vai todo mundo para a forma.

A maioria esmagadora dos adolescentes adora, inclusive porque são condicionados a acreditar que são todos feios (uglies), a ponto de morarem numa parte separada da cidade. Eles têm softwares que simulam sua nova aparência (apesar das variações, são obviamente, todos muito parecidos). A protagonista sonha com esse dia, já que os “recém-bonitos” têm todos 16 anos e vivem em festas e reuniões sociais aparentemente pagos pelo governo (a população parece realmente ter diminuído muito). Além do que, seu namoradinho, algumas semanas mais velho, já sofreu a cirurgia e mora do outro lado da cidade.

A aventura acontece quando a mocinha conhece uma amiga que se acha bonita mesmo quando todos insistem que ela é feia. Ela gosta de ser como é e descobre um grupo de rebeldes que fugiu para viver em um lugar secreto sem ter que submeter à tal cirurgia transformadora.

Uma parte interessante é quando a moça encontra uma revista antiga (sobrevivente dos destroços do fim do mundo) e descobre que aquelas mulheres bizarramente magras e estranhas que estampam as páginas eram o padrão de beleza dos “rudes”. Ela se surpreende com a variedade de formas que o rosto e o corpo humano podem ter, vejam só.

Ler ficção científica em outra língua é meio complicado porque são descritas coisas que ainda não existem, mas pelo que pude deduzir, o povo todo se locomove por meio de skates voadores eletromagnéticos (amei essa parte).

Bem, a heroína passa por toda uma situação complicadíssima e arriscada, inclusive com teorias conspiratórias que não vou contar para não estragar. Ainda mais porque pensava que era uma trilogia e agora, pesquisando na Amazon, descobri que na verdade é uma quadrilogia. Só li o primeiro, então aguardem os desdobramentos.

Dei uma pesquisada e vi que a coleção foi lançada em português. Para saber mais, é só clicar aqui.

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*tradução livre: “Feio: não perca seu rosto”

Tapume chique

Numa das esquinas mais movimentadas da cidade de berlim, entre a Friedrischstraße e a Unter den Linden, fica a loja dos míticos carros esportivos da Porsche. Acontece que, bem nesse trecho, a expansão do metrô (que já é ótimo, mas eles estão pensando a cidade em 2030) está causando uma confusão enorme: desvios, tapumes, máquinas trabalhando, guindastes, enfim, tudo o que implica uma obra desse porte.

Pois a loja da Porsche aproveitou a bagunça para arrumar sua casa também e fechou as instalações para reforma. Mas olha só que ideia boa eles tiveram para a marca não cair no esquecimento enquanto o povo não pode entrar para admirar os carros: usaram o tapume para fazer uma mostra chamada “Porsche 911 im Spiegel der Zeit” (Porsche 911 no espelho do tempo). A “galeria alternativa” apresenta uma retrospectiva da história da propaganda em 100 anúncios do modelo 911 nos últimos 60 anos.

Em Berlim isso é uma prática bem comum; os próprios tapumes da obra do metrô mostram fotos antigas e contam um pouco da história daquele espaço. A ideia é tão boa que me lembrei de compartilhar.

Quem sabe vira moda nos outros lugares, né?

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Era uma casa nada engraçada…

Hausvogteiplatz, Berlin.

Hausvogteiplatz, Berlin.

Nos últimos tempos tenho conhecido e tido notícias de muita gente que está participando do programa Ciências sem Fronteiras, que leva universitários brasileiros a estudar no exterior. Como todo projeto grande, há de tudo: estudantes que aproveitam cada segundo e outros que só vêm fazer turismo e nunca aparecem na aula (o triste é que, pelo que soube de alguns professores, não é permitido mandar o sujeito de volta como punição, pois nada pode estragar as estatísticas…). Vantagens e desvantagens à parte, estou com uma sensação estranha e espero muito que esteja enganada.

O Brasil nunca teve um projeto sério de educação. Tive a sorte de sempre ter estudado em escolas públicas, do primário ao doutorado. Havia escolas ótimas, o problema é que eram poucas; nem todo mundo tinha acesso. Não venho de família rica e sempre ralei bastante; mesmo durante o doutorado trabalhei 40 horas/semana numa empresa privada. Mas não posso negar que tive muita sorte: consegui acesso a esse quartinho bom, mas pequeno, com um monte de gente querendo entrar. Se tivesse nascido e crescido num canavial em algum lugar no interior do Brasil, dificilmente teria essa chance. Repito, foi pura sorte.

Nossa situação na educação agora é sair desses quartinhos e construir uma casa. Justiça seja feita, até hoje governo nenhum se dignou a pensar nisso. Pela primeira vez na história, há alguma movimentação nesse sentido, de construir a tal casa. Só que temos aí vários problemas.

O primeiro é que não há um projeto para a casa. Nem um orçamento planejado. Nem uma equipe qualificada com a responsabilidade de construi-la.

E, para piorar, começa-se a obra pelo telhado. Não são medidos esforços para comprar telhas de vários tipos, de maneira completamente aleatória (pelo menos é a minha percepção). Há gente boa estudando maneiras eficientes de se fazer a melhor cobertura, há gente comprando telha de papel e vendendo como se fosse de ouro (que, de qualquer maneira, não seria adequado), tem gente construindo telhados com células solares pensando na sustentabilidade, tem quem use materiais tóxicos e ainda tem telhas baratas importadas da China; enfim, um pouco de tudo.

Para qualquer um que critique a maneira como a casa está sendo feita, seguem-se as maravilhosas cifras de tudo o que já foi investido até agora em telhas, algo que nunca foi feito antes (o que é verdade, não nego).

Mas, gente? Não temos projeto, não temos alicerces, não temos fundamentos! Onde vamos colocar essas telhas? Aliás, nem os tais quartinhos bons nos quais estudei estão recebendo manutenção adequada. Nossos estudantes estão entre os piores do mundo em todas as métricas internacionais para o ensino básico. As escolas não têm merenda, não têm livros, alguém superfaturou computadores velhos e nem a internet funciona. Dei aula para analfabetos funcionais no ensino superior (que está mais para ensino inferior) e fiquei impressionada. As pessoas não conseguem entender conceitos básicos como o de porcentagem, não conseguem estruturar uma frase completa.

Sei que a escola básica não é responsabilidade do governo federal, e sim dos estados e municípios. Mas a casa é uma só; tem que federalizar a coisa mais estratégica que esse país tem, que é a formação de gente! É nossa única salvação, a meu ver.

Há que se fazer um projeto sério, pensando no longo prazo, que seja justo, inclusivo e priorize o acesso à educação em todos os níveis. Que as pessoas aprendam a pensar por si próprias, não a reproduzir ideologias, seja lá quais forem. Que aprendam a ler, escrever, fazer contas, entender seu papel no mundo. Que possam sonhar, mas aprendam a fazer.

Por sorte, não entendo nada de construção de casas e nem de educação. É minha esperança.

Essa ignorância é o que me dá forças para acreditar que estou enxergando tudo errado e distorcido, e que a coisa não é tão ruim assim.

Tomara.

A fábrica de sonhos

Foto: site BMW

Foto: site BMW

Quando fiz minha primeira viagem de moto na garupa, pelo Chile, em 2002, jamais poderia imaginar que um dia estaria pilotando minha própria BMW F650GS e cruzando a Cordilheira dos Andes. Isso foi há muito tempo e a moto acabou sendo vendida, mas ontem tivemos a oportunidade de visitar o lugar onde ela nasceu.

No bairro de Spandau fica uma das três fábricas de motocicletas da BMW no mundo; a de Berlim é a única de verdade mesmo (as outras duas, uma em Manaus e outra em Rayong, na Tailândia, são apenas montadoras de alguns modelos).

BMW é a sigla de Bayerische Motoren Werke (Fábrica de Motores da Bavária) e a divisão de motocicletas, fundada em 1923, funcionou em Munique até 1969, quando se mudou para Berlin.

A fábrica produz 600 motos por dia (desde o bloco do motor até a montagem final para todos os modelos) e tem 1.900 funcionários.

Pena que não podia tirar fotos, mas foi uma experiência incrível (sem falar na saudade que bateu ao visitar um chão de fábrica com todos aqueles robôs articulados e fresas maravilhosas).

Mas o que mais me surpreendeu mesmo foi o cuidado nos testes finais. Sim, em cada etapa há um rígido controle de qualidade, como era de se esperar, mas no final da linha de produção tem um funcionário que realmente monta na moto, testa os freios ABS, engata todas as marchas e vai a 120 km/h (numa esteira, claro). Isso para  CADA UMA das unidades. Ficou todo mundo babando em saber que, além de ganhar para fazer esse trabalho dos sonhos (testar motos zeradas), os profissionais dessa etapa são dos mais bem remunerados na fábrica (o sujeito tem que ter muita sensibilidade e conhecimento para atestar que está tudo irretocável, além do que os equipamentos já mediram).

O guia que nos levou pela fábrica disse que todo ano eles recebem inscrições para o programa de estágio, que é bem concorrido (cerca de 500 candidatos se estapeiam por uma vaga), mas além de um excelente currículo, um pré-requisito básico é que a pessoa seja apaixonada por motos.

Olha, achei um excelente critério. Não é à toa que eles conseguem fazer máquinas tão perfeitas.

Para quem quiser ir, as visitas guiadas são em inglês e alemão. Mais informações clicando aqui. Recomendo demais!

PS: Quer saber mais sobre nossas viagens de moto? Visite o www.duasmotos.com.

 

5 dicas para não ser espontâneo nas redes sociais

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Qualquer pessoa, por mais distraída e sem noção que seja, tem uma ideia de como seria seu mundo ideal, confere? O que ela às vezes não se dá conta é que deveria agir e se comunicar de maneira que as coisas convergissem para esse mundo se materializar. Assim não precisaria reclamar da vida e se lamentar continuamente, pois estaria ocupada realizando a transformação.

Pois é, e pessoas que agem e se comunicam de maneira intencional, com um objetivo claro, não podem ser espontâneas, sabe por quê? Olha a definição de espontâneo no dicionário: instintivo, não premeditado, ou seja, aquilo que a pessoa faz sem pensar antes. Se eu ajo e me comunico sem pensar antes, sem ser intencional, o que acontece? Hummm…. qualquer coisa. Inclusive com resultados indesejados…

Nas redes sociais, pessoas espontâneas estão sempre à mercê da emoção do momento e postam fotos e textos sem refletir se aquilo contribui para o mundo que deseja realizar e como isso tudo será interpretado do outro lado da tela. E isso pode trazer consequências bem sérias, veja por que.

1. O que for publicado ficará para a eternidade. Tudo o que você posta nas redes sociais não dá mais para apagar. Mesmo que você delete o post, alguém pode ter salvado a imagem. De qualquer maneira, vale saber que empresas como o Facebook mantêm backups que podem ser requisitados pela justiça. Depois não adianta se lamentar; melhor não ser espontâneo e pensar antes de usar um meio público para fazer um desabafo íntimo que só interessa a você e a talvez mais uma ou duas pessoas.

2. Tudo o que você postar pode ser usado contra você num tribunal. É isso mesmo; cuidado com mensagens ou comentários racistas, homofóbicos, preconceituosos ou ofensivos a alguém ou a algum grupo em particular. Uma rede social não é uma mesa de bar, onde você fala bobagens sem pensar. E compartilhar mensagens criminosas faz de você cúmplice aos olhos da justiça; era essa mesma a sua intenção?

3. Publicou, não pertence mais a você. É do mundo. Isso mesmo, depois que apertou o botãozinho “publicar” não tem mais volta, o controle é totalmente perdido. Você não sabe quem vai ler, quem vai opinar, quem vai compartilhar, onde isso vai parar. Mesmo que a mensagem ou foto tenha ido apenas para um grupo de amigos, há muitos meios dela ganhar o mundo sem o seu conhecimento. Pense carinhosamente nisso antes de apertar o botão, por favor.

4. Verifique se o que você está compartilhando é verdade mesmo. Muita gente sai reproduzindo bobagens e divulgando mentiras sem ao menos se dar ao trabalho de conferir as fontes. Repare: como se chama a pessoa que espalha boatos maldosamente e de maneira inconsequente? Fofoqueiro, não é? Depois não adianta chorar, lamentar-se, dizer que não sabia, que não tinha a intenção. Quem tem acesso às redes sociais, também tem acesso ao Google e pode muito bem pesquisar as fontes para saber se aquilo que está compartilhando é verdade ou não. A não ser que sua intenção seja construir um mundo melhor baseado na fofoca.

5. Reflita sobre qual é sua intenção ao postar uma foto ou mensagem. Ela é útil para alguém? Ajuda, de alguma maneira, a construir o mundo que você quer? Por favor, não confunda chatice e mau-humor com utilidade; piadas e frases espirituosas podem fazer o mundo ficar mais divertido e leve, mas há que se ter um filtro. Por exemplo: se a informação que estou postando só tem utilidade para a minha mãe, por que não envio uma mensagem particular para ela, em vez de ficar poluindo a página de meus amigos que nada têm a ver com isso? Qual a minha intenção a cada foto ou foto que publico? O que quero que as pessoas pensem ou sintam, qual é a mensagem por trás da imagem?

Ok, já estou ouvindo vozes berrando “a página é minha e posto o que eu quiser”. Está claro, não discordo disso em nenhum ponto. Só quero chamar atenção para cada um pensar sobre a real intenção ao compartilhar cada informação e as consequências que o ato pode provocar.

Redes sociais são o pior lugar do universo para alguém ser espontâneo. Acredite, é sério.

O muro de luz

A festa de comemoração aos 25 anos da queda do muro de Berlin é um evento que vai ficar na memória para sempre. Não tanto pelo final, mas pelo efeito que causou nas pessoas que caminharam ao longo do muro imaginário de luz.

O evento, planejado há sete anos pelos artistas e irmãos Christopher e Marc Bauder, distribuiu 8 mil suportes com balões de gás instalados ao longo dos 15 km da área central por onde passava o muro de Berlim (o muro completo, que contornava toda a área de Berlim ocidental, uma ilha capitalista no meio de um país socialista, tinha 160 km).

Na sexta-feira, dia 7 de novembro, os suportes foram instalados e os balões se acenderam. Foi muito emocionante ver gente do mundo todo caminhando ao longo  do “muro de luz” que se formou. Em vários lugares havia telões passando vídeos desde a construção e, em alguns pontos, suportes contando histórias de pessoas que tentaram atravessá-lo (algumas parecem ficção de tão fantásticas). Mas o impressionante mesmo é que, caminhando, dava para ter uma vaga ideia do que era ter um muro alto (na verdade, dois paralelos com um campo minado entre eles) separando famílias, amigos, enfim, pessoas.

No dia 8 (sábado), fui visitar as imediações do parlamento e do Portão de Brandemburgo, onde seria a cerimônia de encerramento do evento; já estava praticamente impossível chegar perto (e igualmente emocionante), motivo pelo qual escolhemos ver a subida dos balões à beira do rio Spree, perto da Oberbaumbrücke, no bairro de Kreuzberg.

Para mim, a grande sacada foi distribuir a festa em 15 km e por três dias (se somar os quase 4 milhões de moradores com mais os turistas, imagina só esse povo concentrado em volta do Portão de Brandemburgo). Mesmo assim, para todo lado estava lotado de gente, não tinha um espacinho que fosse perto dos balões; o bom é que aqui em Berlim você pode se meter tranquilamente numa muvuca sem medo; não tem briga, nem arrastão, nem nada — crianças em carrinho de bebê, idosos, cadeirantes e  cachorros frequentam a festa sem nenhum risco).

A hora de soltar os balões é que foi um pouco decepcionante; imaginei que eles seriam soltos todos de uma vez só, e acesos, mas o primeiro  subiu apagado com 15 minutos de atraso e os outros vieram numa sequência irregular. Cada balão tinha um padrinho (que foi escolhido por ter alguma história com o muro), cuja chave soltava a base. Talvez algumas não tenham funcionado direito ou os padrinhos ficaram emocionados e não conseguiram soltar, sei lá, mas ficou um anti-clímax depois de tanta espera.

Enfim, o bom é que a festa foi linda, na maior paz, São Pedro colaborou e eu agradeço muito o privilégio de ter participado.

Dá uma olhadinha nas fotos…

PS: Aqui tem o link do site oficial da festa.

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Checkpoint Charlie

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O muro de luz fazendo sombra no muro original (esse aí é um pedaço que ficou)…

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Portão de Brandemburgo

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Poder legislativo

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Cruzes de metal em homenagem aos mortos que tentaram cruzar o rio nadando para tentar escapar e acabaram alvejados pelos policiais da DDR.

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Reserva de tranquilidade

Quando estiver chateado, estressado, de mal com o mundo, põe uma música que você gosta e fica assistindo esse vídeo em loop infinito. É o outono em Berlin, na esquina da minha casa.

Garanto tranquilidade, paz e inspiração instantâneas.

Vai por mim.

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Caminhos mineiros

Estou desde o começo da semana em Belo Horizonte trabalhando (e comendo) muuuuuito, por isso o blog está andando um pouco devagar nas atualizações.

Bem, pois nas minhas andanças por essa cidade linda, reparei que não existe um padrão único para calçadas. E mais, os mineiros parecem ser muito criativos com essas pedrinhas.

Olha só que lindeza <3 <3

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Suculenta

Quase nunca falo sobre padrões de beleza injustos ligados ao peso porque sou suspeita: nasci magra e sempre vivi sem olhar para a balança. Sim, é uma sorte nascer no século certo, mas não dá para simplesmente ficar quieta e aproveitar. Tivesse eu sido contemporânea de pintores renascentistas, ficaria sem marido, o que, numa época em que as mulheres dependidam deles para comer, seria uma verdadeira tragédia.

Ser magra é confortável e um “problema” a menos para resolver na vida, mas não consigo deixar de me preocupar com as pessoas que tiveram um pequeno atraso no timing e nasceram numa época em que as dobrinhas já haviam caído de moda. É muito sofrimento e cobrança por uma bobagem fabricada.

Padrão de beleza é uma convenção, sempre foi. E muda com o tempo, com o contexto, com a história. Aí, quem não está sintonizado, acaba se sentindo deslocado, inadequado, errado. Não está não.

É só pensar em como o padrão muda ao longo dos anos, dos séculos, de lugar para lugar. É só uma convenção besta. E convenções a gente muda.

Não estou aqui propondo que o novo padrão seja a abundância (também não quero ficar mal na foto), mas num momento tão rico de possibilidades como o nosso, é de uma pobreza inimaginável definir “peso ideal” de um jeito tão quadradinho e limitado.

A ideia é ver beleza onde tem e chutar esses padrões chatos e desnecessários. Dá para agradar aos sentidos sendo magra, gorda, alta, baixa, musculosa ou molinha, enfim, dá para gostar de feijão e de arroz ao mesmo tempo. Ou preferir um dos dois. Ou farofa. O que não dá é para estabelecer que todo mundo tenha que caber na mesma forma feito clones, pois aí perde a graça.

Esse texto todo é só para apresentar uma escultura linda que vi esses dias. Fiquei um tempão parada olhando essa beleza. Não descobri quem é o(a) artista, mas faz tempo que não vejo uma mulher tão bem representada. Mesmo sendo fisicamente tão diferente, consegui me ver nela inteirinha.

Olha só que coisa mais linda, cheia de graça… e poderosa!

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Alongando madeixas de gente feia

Semana passada estive em Hamburgo (infelizmente, apenas por algumas horas), mas deu tempo de achar coisas curiosas naquela cidade linda.

Pense: quando um cabeleireiro faz propaganda de alongamento de fios, geralmente usa aquelas modelos maravilhosas, com aquele cabelón de propaganda de shampoo para divulgar seu trabalho, não é?

Pois o Jörn Friseur não pensa assim: ele usou fotos de pessoas que não são exatamente modelos  de beleza, ainda mais fazendo caretas. Não são feios, mas rostos interessantes e curiosos que ninguém pensaria em usar para fazer propaganda de produtos de beleza. De fato, chama bastante atenção quando a gente passa pelo lado de fora do salão.

Só fiquei com pena porque pensei que tudo fizesse parte de uma estratégia de marketing bem pensada, mas não. Só uma ação para “ficar diferente” mesmo, ao que tudo indica, uma vez que não achei nada sobre a tal campanha e o site só tem uma página de propaganda que deve ter sido feita por um sobrinho quando tinha 12 anos (já deve estar aposentado e em outra profissão…rsrsrs).

Mesmo o trabalho tendo sido feito pela metade, achei bem interessante. E você?

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