Top 10 novembro: Berlim com pitadas de Belo Horizonte

#paracegover A imagem mostra uma bicicleta pendurada num poste, toda coberta por linhas de cores diversas, fazendo as vezes de uma escultura, totalmente integrada ao ambiente. Uma das sacadas do prédio que aparece ao fundo é enfeitada com bandeirinhas coloridas. O povo desse bairro (Friedrischshain) gosta de cenários coloridos (eu também). — at Gabriel-Max-Straße.

Passei as duas primeiras semanas de novembro em Belo Horizonte, pegando um calorzinho e trabalhando bastante. Na volta, as folhas já estavam todas no chão, douradas e fazendo um barulhinho bom.

Vamos então conferir as minhas fotos mais curtidas do penúltimo mês de 2016?

A imagem mostra a fachada de um prédio com superfícies nas cores vermelho, laranja e amarelo. Uma pessoa de camiseta amarela está na porta. A parte superior é de vidro espelhado. — at Circus Rock Bar.
1. Belo Horizonte geométrica e colorida. #paracegover A imagem mostra a fachada de um prédio com superfícies nas cores vermelho, laranja e amarelo. Uma pessoa de camiseta amarela está na porta. A parte superior é de vidro espelhado. — at Circus Rock Bar, Belo Horizonte, Brasil.

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Sobre correr atrás das grandes ideias

É preciso praticar todos os dias.

Num dos cursos de inovação que tenho ministrado no Brasil, um dos participantes perguntou se eu acreditava que, de fato, qualquer pessoa podia ser mesmo criativa, ou se isso era só moda para vender cursos e palestras.

Pergunta ótima.

Acredito que qualquer pessoa pode ser criativa tanto quanto acredito que qualquer pessoa pode correr uma maratona. É claro que algumas têm mais predisposição que outras do ponto de vista genético, mas o que vai realmente fazer a diferença é quanto se investe em treinamento. A prática diária, o condicionamento, é que define se alguém consegue correr uma maratona inteira ou se mal dá uma volta ao redor da quadra. Quem tem facilidade, mas corre muito raramente, vai ficar atrás de alguém com menos talento, mas que treine com afinco todo dia. Certeza.

A criatividade é uma prática como outra qualquer, que implica em combinar ideias de maneira original. É como cozinhar, escrever, desenhar, programar, dançar: quanto mais se exercita, mais se chega perto da excelência.

A questão é que a maior parte das pessoas costuma pensar no automático a maior parte do tempo e, de um dia para o outro, sem aviso prévio, quer correr 10 km num sprint. Simplesmente não rola. Não adianta fazer um curso bacana com facilitador internacional se o sujeito volta para casa e continua fazendo tudo exatamente igual a antes. Não faz diferença quantos post-its tenham sido preenchidos e colados na parede ou que técnicas revolucionárias do Vale do Silício tenham sido apresentadas; pode acreditar. Sem praticar diariamente, não tem jeito.

Ok, mas como praticar a criatividade todo dia?

Bom, o primeiro passo é entender que a criatividade usa os ingredientes que já temos dentro do nosso repertório (tudo aquilo que aprendemos, vivenciamos, sentimos) como matéria-prima. Se nosso repertório tem poucos elementos, é matematicamente fácil de provar, por análise combinatória, que teremos sérias limitações para fazer alguma coisa realmente original (até porque, provavelmente, esses elementos também fazem parte do repertório da maioria das pessoas). Não dá para fazer 20 pratos criativos usando apenas arroz, feijão e bife, entende?

Ok, mas por que preciso de tantas combinações? Por que não posso gerar uma ideia só, com dois elementos e ser a grande e genial solução para meu problema?

Simples: porque para termos uma grande ideia, é preciso que tenhamos muitas, mas muitas ideias mesmo. Dezenas, de preferência. Centenas até, se possível.

É que se você precisa conceber uma ideia para um problema qualquer, as primeiras 10 ou 20 coisas que lhe vierem à mente, vão ser as mais óbvias, que alguém já deve ter pensado. As próximas 50 vão ser menos evidentes, mas não tão sensacionais. A jóia estará provavelmente nas 10 ou 20 últimas. E não dá para cortar caminho.

A maior parte das pessoas não tem ideias originais porque se apaixona perdidamente pela segunda ou terceira, no máximo. Quase ninguém tem paciência de chegar na nonagésima. E é lá que está a diferença; a grande solução nasce depois que seu cérebro virou do avesso (mesmo que inconscientemente). Ou depois que já combinou exaustivamente todo o seu repertório com os de outras pessoas (é preciso muitos ingredientes para gerar tanta ideia, por isso é bom contar com extensões).

Então, para ser criativo, a gente precisa:

  1. ter um repertório bem rico e conectado com o de outras pessoas;
  2. exercitar a combinação desses elementos, ou seja, exercitar a ideação;
  3. ter paciência e não se apaixonar pelas primeiras ideias.

Parece fácil, mas cada um desses itens é, sozinho, um gigantesco desafio.

É por isso que há tão poucos atletas da criatividade: a princípio, qualquer pessoa que tenha um par de pernas funcionando pode correr uma maratona. O potencial existe, mas só acontece de verdade para quem realmente se dedica e treina a sério.

 

DICA PARA O NATAL: Ter 100 ideias é muito mais difícil do que parece, mas é importante praticar. Uma vez quis dar um presente realmente original para meu marido e fiz uma lista das 100 coisas que gostava nele. Tente fazer isso em casa, é dificílimo. Levei mais de um mês para completar a lista. As 20 primeiras foram fáceis, depois começou a exigir mais dedicação. Se você conseguir produzir uma lista dessas para alguém, case com a pessoa imediatamente. Sim, é uma dica matadora para um presente de natal inesquecível, mas comece logo, pois demora. Vai por mim! 🙂

Schiele, a morte e a moça

Egon Schiele: "Tod und Mädchen"

Quem admira a obra de Gustav Klimt acaba, mesmo sem querer, envolvendo-se também com a de Egon Schiele, seu discípulo mais próximo. Apesar do trabalho de ambos serem completamente diferentes (Klimt é idílico e representa um mundo dourado e florido onde as mulheres reinam, enquanto Schiele é sofrido, intenso e extremamente erótico), é perfeitamente possível admirar os dois. Gosto especialmente dos olhares e das mãos que esses pintores produzem.

Por isso fiquei tão animada para assistir “Egon Schiele: Tod und Mädchen” (tradução livre: “Egon Schiele: morte e moça“); gostava do trabalho e sabia um pouco de sua história, mas não em detalhes. A fotografia é linda, o ator escolhido para fazer o papel de Egon, maravilhoso, e seu processo criativo é bastante explorado. Schiele era obcecado pelo desenho; não conseguia simplesmente olhar e sentir; ele precisava desenhar até seus momentos mais íntimos e intensos.

Mas fiquei feliz mesmo foi em conhecer melhor a história do quadro com o mesmo título do filme, que pude ver ao vivo, quando visitei Viena (e que está reproduzido acima).

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Top 10 de outubro: as cores do outono

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Outono é minha estação do ano predileta; e olha que só conheci a linda de verdade aos 45 anos, quando me mudei para Berlim. Antes, achava que era um exagero de Photoshop em calendários, apenas isso.

Mas ao vivo é muito mais do que nas fotos! O barulhinho das folhas, as cores, a luz! Outono é lindo demais e o final de outubro é o auge das árvores exibidas. Adoro!

Vamos ver as fotos mais curtidas nas minhas redes sociais desse mês?

Qual é a sua preferida?

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1. Essa é a minha preferida! Quase desmaiei quando virei a esquina e dei de cara com essa cena! #paracegover A imagem mostra um prédio atrás da subprefeitura de Spandau, em Berlim, coberto de hera em várias cores. A parte que está na sombra é verde escuro, até passar pelo amarelo e, finalmente, vermelho super intenso. Impressionante! — at Rathaus Spandau.
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2. Indescritível o barulhinho que faz quando a gente caminha por esse mar de folhinhas… #paracegover A imagem mostra a beira de um dos muitos canais do rio Spree coberta de folhas amarelas. Pessoas caminham em meio a esse mar dourado. — at Fischerinsel.

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Água de flores

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Depois que li um artigo falando sobre o quão errado é colocar a água perto da comida dos gatinhos, resolvi testar a ideia e colocar o potinho de água num local mais afastado de onde as nossas princesas costumam comer. Pois olha, elas começaram a beber muito mais água e procurar bem menos a da torneira.

Mas fui mais além; sempre tenho flores frescas em casa e as meninas adoram se esfregar nas pétalas. Então resolvi colocar uma travessa de vidro com água e decorada com flores em cima da mesa (sim, podem me julgar; elas sobem..rs). Um potinho a menos no chão e uma belezura a mais na casa. Sucesso total, elas nunca tomaram tanta água. Tem que trocar todo dia, claro, mas as flores, dependendo do tipo, duram quase uma semana.

Se a ideia é unir o lindo ao útil, recomendo copiar a ideia e depois contar se funcionou. A Charlotte e a Isabel adoraram, veja as fotos!

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Um elefante encanta muita gente…

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Quem tem amigos bem informados, tem tudo! Hoje fui conferir uma dica quentíssima de grafite que a querida Claudia Bömmels, da revista Brasileiros Mundo Afora me deu e, olha, era mais do que imaginei.

Tudo começou com o que considero o grafite mais lindo que já vi na vida: um maravilhoso elefante que fica no Theodor-Wolff-Park, bairro de Kreuzberg; o artista é o genial Jadore Tong.

O negócio é maravilhoso demais, a questão é que tem uma casa ao lado, na Willhelmstraße 9, chamada Tommy-Weisbecker-Haus que funciona como um abrigo para pessoas sem teto e que precisam de um local para dormir que não passa despercebida. Continue lendo “Um elefante encanta muita gente…”

A pessoa entrando na casa dos 50

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Sempre achei que ia ser dessas mulheres que fazem 50 anos e escrevem um texto profundo com lições de vida e conselhos inspiradores para os mais jovens. Uma diva sábia de cabelos brancos, olhar calmo e atitude de quem sabe das coisas, só distribuindo recomendações ponderadas para situações difíceis. Tipo aquela senhora elegante de catálogo de plano de previdência, sabe?

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The Echo

The Echo

Uma bela arquiteta chega em casa e estaciona seu carro na garagem de sua bela casa em um belo (e caro) condomínio fechado em Londres. Sente um cheiro enjoado (já tinha sentido dias antes, mas agora está forte demais) e resolve procurar o que pode ser. Ao lado do freezer (cheio de comida, por sinal), encontra um maltrapilho morto, em estado de decomposição. Causa Mortis: inanição. Por que o homem escolheu a sua casa para morrer? Por que não pediu ajuda? Por que não pegou a comida?

A vida da moça é bem complicada (um marido desaparecido que aparentemente deu um desfalque no banco em que trabalhava) e não melhora quando ela encontra um jornalista disposto a investigar melhor a história.

Jornalistas são as almas mais atormentadas e mal resolvidas da literatura. Michael Deacon não é exceção. Com dificuldades de relacionamento e depois de dois casamentos mal sucedidos, ele se junta a um adolescente sem teto de 14 anos, um advogado idoso e aposentado e um especialista em imagens totalmente problemático e enrustido que trabalha na mesma revista para descobrir o sofisticado tricô entre Amanda Powell (a arquiteta) e outras pessoas desaparecidas e/ou assassinadas.

Mesmo em inglês (às vezes saio do alemão para não esquecer), achei The Echo, o quinto livro da britânica Minette Walters, um pouco difícil de ler. A história é bem intrincada, eles falam muita gíria e são muitos personagens para se prestar atenção, entre familiares, desaparecidos, envolvidos, suspeitos e policiais.

Apesar de tudo, a autora tem seus méritos. Sabe construir personagens consistentes e verossímeis, e, apesar da complexidade da trama, conseguiu me manter grudada até a página 428, onde tudo termina.

Se você curte policias, recomendo como uma boa pedida.

Você sabe o que é ser líder?

Ligia Fascioni

Muita gente acredita que liderança tem a ver somente com questões profissionais, confundindo líder com chefe. Pensa que a pessoa precisa ter subordinados para se preocupar com o tema. Nada mais longe da verdade. Liderança é um papel temporário que todos nós temos que assumir em algum momento de nossas vidas (alguns de nós fazem isso diariamente, independente da profissão ou cargo).

Assista o vídeo e entenda melhor do que estou falando.

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Festa para os olhos

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Outubro em Berlim é mágico por pelo menos dois motivos: o outono faz o seu espetáculo num concurso sobre qual árvore ou trepadeira é a mais exibida e escandalosa em versões amarelo ouro, laranja fluorescente e vermelho intenso e por causa do sempre surpreendente Festival das Luzes.

Na verdade são dois festivais que se sobrepõem: o Berlin Leuchtet e o Festival of Light, ambos lindíssimos (nunca sei diferenciar um do outro). Apesar do frio, vale muito a pena sair à note para dar uma volta e ver a cidade toda cheia de luzes coloridas em movimento.

Esse ano foi o que mais vi prédios iluminados dinamicamente, com suas fachadas contando histórias. Para uma amadora que só usa celular, é bem difícil de filmar ou fotografar, mas fiz o que pude.

Então fica aqui um resumo do que vi; o que senti, não dá para explicar.

Divirtam-se!

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Dom (Catedral de Berlim) #paracegover A imagem mostra a fachada do Dom iluminada com desenhos nas cores amarelo, azul, rosa, vermelho e verde.

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