Cidade modelo

As surpresas nunca acabam mesmo, não dá para se entediar nessa cidade. Olha só que descoberta: na rua que dá para o prédio da Embaixada Brasileira em Berlim, bem ao lado do Märkisches Museum, tem um prédio da prefeitura com uma exposição de maquetes sensacionais. E a mostra é gratuita! Só entrar e se deliciar!

São vários modelos diferentes em escala, detalhamento e período histórico. O maior deles tem 65 m² de área e representa toda a região central da cidade em uma escala 1:500. A maquete foi construída em 1990, logo depois da queda do muro; os volumes em branco já existiam em 1990 e os volumes em madeira, depois dessa data. Os blocos brutos são projetos de construção e os mais detalhados são obras já concluídas. Nesse modelo maior, o apartamento onde eu moro ainda não existe (foi terminado em 2015), nem mesmo como projeto. Mas obras mais recentes, como o Humboldt Forum, a ser inaugurada no ano que vem, já está em sua forma detalhada (sim, nem tudo é perfeito…rs).

As duas maquetes maiores estão sempre sendo atualizadas (são muitas obras ao mesmo tempo; imagino a logística para manter os bloquinhos todos atuais). Por sorte, peguei o flagra do momento em que dois colaboradores alteravam a maquete da parede (escala 1:1000 e 52 m²), onde, veja só, meu prédio já aparece. Continue lendo “Cidade modelo”

Esse tênis leva a pessoa a qualquer lugar de Berlim

Não é segredo para ninguém minha admiração pela empresa de transportes públicos de Berlim; não que o serviço prestado seja um primor de excelência. Há falhas, e muitas. Mas os caras sabem TUDO de marketing. Mesmo com o ônibus atrasado, não tem como não amar essa empresa. Assisti uma palestra com o diretor de marketing que apresentava as diretrizes para toda a comunicação da empresa e relatei aqui.

Em Berlim não há catracas de nenhum tipo no transporte público. A fiscalização é feita por amostragem, quando os fiscais entram no trem e pedem os bilhetes para quem está embarcado (ou mesmo nas estações). Essa é a parte boa. A ótima é que você pode fazer uma assinatura anual do bilhete (meu caso), onde por cerca de €70/mês pode-se andar o quanto quiser de tram, ônibus, trem e metrô. Nos finais de semana, feriados e depois das 20 horas ainda pode levar um acompanhante adulto e três crianças com o mesmo ticket. Coisa melhor não há.

Agora, mais um lançamento de tirar o chapéu para comemorar os 90 anos da empresa (quem disse que os alemães não são criativos?). Continue lendo “Esse tênis leva a pessoa a qualquer lugar de Berlim”

top 10 de dezembro: um pouco de Berlim e muito de Lisboa

Apesar de ter passado apenas seis dias em Lisboa, o céu cinematográfico não deu muita chance para os dias tipicamente cinzentos de dezembro em Berlim. Não teve jeito, as mais curtidas foram mesmo as maravilhosidades lisboetas que alimentaram os olhinhos dos meus seguidores. Vamos passear então?

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o sol nascendo às nove horas da manhã em um dia que promete ser tão belo quanto frio. Ao fundo, a silhueta da Catedral de Berlim, à beira do rio Spree. Um pássaro cruza a cena. — at Museum Island.
1. Foram vários cliques até o passarinho ficar no lugar que eu queria. Demorou, mas funcionou! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o sol nascendo às nove horas da manhã em um dia que promete ser tão belo quanto frio. Ao fundo, a silhueta da Catedral de Berlim, à beira do rio Spree. Um pássaro cruza a cena. — at Museum Island.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um carrossel iluminado (é noite). O fundo é vermelho e as luzes são amarelas. A foto foi tirada na Alexanderplatz.
2. As feirinhas de Natal são maravilhosas! Dão uma aquecida e uma colorida nesse mês tão frio. A magia dos carosséis toma conta da cidade; impossível não se encantar! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um carrossel iluminado (é noite). O fundo é vermelho e as luzes são amarelas. A foto foi tirada na Alexanderplatz.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o interior de uma livraria com suas estantes lotadas em dois pavimentos. Pendurada no teto, uma escultura de uma bicicleta voadora ❤️ — at Livraria Ler Devagar.
3. E essa livraria maravilhosa em Lisboa? A escultura é do artista ítalo-lusitano Pietro Proserpio. O prédio era uma antiga gráfica e ainda conserva todas as máquinas. Imperdível! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra o interior de uma livraria com suas estantes lotadas em dois pavimentos. Pendurada no teto, uma escultura de uma bicicleta voadora ❤️ — at Livraria Ler Devagar.
 #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma senhorinha de costas caminhando por uma rua típica do Bairro Alto-Chiado. A luz está perfeita. — at Rua da Rosa.
4. Essas ruas do bairro Alto-Chiado são tão maravilhosas que parece que a gente está caminhando dentro de um filme. Se por perto tiver senhoras portuguesas conversando com aquelas expressões engraçadas que só elas usam, aí você se transporta totalmente. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma senhorinha de costas caminhando por uma rua típica do Bairro Alto-Chiado. A luz está perfeita. — at Rua da Rosa.

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top 10 de novembro: e o outono vai acabando…

Tem outono bastantão na seleção de novembro. Mas não tem como ser diferente; a cidade fica toda dourada, impossível resistir. Mas também tem arquitetura, por do sol cinematográfico e até um comecinho de Natal. Venha aqui alimentar seus olhos com comidinha boa 🙂

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a belíssima ponte Oberbaum, que liga os bairros Friedrichshain e Kreuzberg, vista do anel da estrtura de ferro da cerca de proteção às margens do rio Spree. O dia está nublado e cheio de mistério no ar... — at Oberbaum Bridge.
1. Quando uma cerca vira a moldura perfeita… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a belíssima ponte Oberbaum, que liga os bairros Friedrichshain e Kreuzberg, vista do anel da estrtura de ferro da cerca de proteção às margens do rio Spree. O dia está nublado e cheio de mistério no ar… — at Oberbaum Bridge.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de dois prédios enormes, com suas sacanas e janelas. A quantidade de habitações é tão grande que parece uma estampa miúda. Tudo é cinza, exceto alguns detalhes em vermelho. Impressionante. — at Berlin Mitte.
2. Os edifícios da antiga DDR são sempre enormes, gigantes, populosos, fascinantes. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de dois prédios enormes, com suas sacanas e janelas. A quantidade de habitações é tão grande que parece uma estampa miúda. Tudo é cinza, exceto alguns detalhes em vermelho. Impressionante. — at Berlin Mitte.

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Todo dia

Quando encontrei num mercado de pulgas “Letztendlich sind wir dem Universum egal” (tradução livre: “No final das contas, não estamos nem aí para o universo“), de David Levithan, fiquei imediatamente atraída pela capa. Era um monte de rostos diferentes, parecida com o conceito do meu livro “Atitude Profissional“. Fiquei olhando para a encadernação de capa dura em dúvida, mas o que me levou a trazer as 400 páginas para casa foi o resumo. Era a história de uma pessoa que, desde o nascimento, acordava cada dia em um corpo diferente.

Isso mesmo: A, como o protagonista se autodenomina, acorda todo dia num corpo emprestado. Ele (vamos chamá-lo assim em referência ao personagem, mas, na verdade, A não tem gênero, uma vez que não tem um corpo para chamar de seu) consegue acessar as memórias da pessoa hospedeira para as atividades básicas, mas como só tem 24 horas, não pode se aprofundar muito.

No começo, achou que isso era normal e todas as pessoas eram assim. Só lá pelos sete anos de idade é que se deu conta de que os outros permaneciam a vida toda no mesmo corpo. A história se passa em plena adolescência (sim, é um romance adolescente, gênero que está longe de ser meu preferido mesmo quando eu tinha essa idade, mas vá lá), quando ele tem 16 anos. Um dia acorda no corpo de um rapaz atleta; no outro, de uma menina com depressão; no outro, tem que se esforçar para não usar drogas, pois está no corpo de um viciado. As possibilidades de explorar o personagem são infinitas. Acho mesmo que o autor poderia ter explorado mais ainda, mas a obra já ficou de bom tamanho.

A questão é que o livro é exatamente sobre empatia, sobre literalmente se colocar no lugar do outro e entender. O capítulo sobre a menina com depressão é especialmente interessante. A é uma pessoa muito bacana; ele tem consciência de que está num corpo emprestado, então se esforça ao máximo para não causar impactos negativos durante sua estada. Assim, ele tenta manter a rotina na medida do possível, na maioria dos casos, indo à escola, que é o que as pessoas nessa idade fazem.

Mas tudo muda quando ele passa um dia no corpo de um rapaz e se apaixona pela namorada dele. Aparentemente, A circula num universo geográfico limitado dentro nos Estados Unidos. Ele consegue explicar para a menina a situação e tenta vê-la sempre que possível; só que, claro, cada vez ele está num corpo diferente. Num dia ele é uma garota deslumbrante, que vive em função da aparência. No outro, é um rapaz obeso. No outro ainda, é uma imigrante ilegal cuja vida se resume a limpar quartos e banheiros. No outro, é um rapaz gay que tem um namorado.

Ele acaba mudando a rotina de alguns de seus hospedeiros de maneira que nunca imaginou, só para conseguir se encontrar com seu amor. Nessa obra, as definições de amor impossível foram totalmente atualizadas!

Li avidamente para saber o desfecho que o autor daria para o caso. Não foi tão inesperado, mas achei bem poético.

Recomendo a leitura para todo mundo, principalmente adolescentes.

NOTA: não sei se saiu em português, mas o título do original em inglês é “Every Day” (Todo dia).

A tal da caixa

Com certeza você já ouviu a famosa expressão “tem que pensar fora da caixa”. Virou quase uma lei, né? Quem não pensa fora da caixa, não consegue ser criativo e nem inovador. Pois, é, só que essa é a maior balela dos últimos tempos.

Com a ajuda do Drew Boyd e do Jacob Goldenberg, autores do ótimo “Inside the Box: a proven system of creativity for breakthrough results” (tradução livre: “Dentro da Caixa: um sistema comprovado de criatividade para resultados revolucionários”), vou explicar por quê.

Primeiro vamos descobrir de onde surgiu essa história de caixa. Segundo os autores, tudo começou com um estudo  sobre criatividade liderado pelo prof. J.P. Guilford, baseado no jogo dos nove pontos. Você já deve conhecer, mas lá vai: o desafio é unir os 9 pontos usando apenas quatro linhas e sem tirar o lápis do papel. As pessoas tendem a achar que a solução tem que estar dentro do quadrado imaginário onde estão inseridos os pontos, e a solução (são várias, aliás) está justamente em “sair desse quadrado”.

O estudo descobriu que 80% dos participantes não conseguiam achar uma saída porque ficavam presos no limite imaginário. A equipe que fez o estudo, não hesitou em criar essa espécie de “lei” que dizia que, para ser criativo, era preciso pensar “fora da caixa”.

Foi aí que os gurus da criatividade começaram a usar a expressão (apesar do início ter sido nos anos 70, dá para dizer que a ideia “viralizou”). Todos iam repetindo o mantra até que pesquisadores resolveram tirar a história a limpo e fazer outro experimento usando o mesmo jogo dos nove pontos. Para o primeiro grupo, o teste foi apresentado exatamente da mesma maneira usada pelo prof. Guilford. Para o segundo grupo, foi dito que a solução estava em pensar fora do quadrado imaginário, ou seja, deram a dica que quase matava a charada.

Conclusão? No primeiro grupo, como esperado, apenas 20 % dos participantes resolveram o problema. A surpresa foi no segundo grupo: somente decepcionantes 25% conseguiram achar o caminho.

Ou seja, repetir o mantra “tenho que pensar fora da caixa” ou mesmo tentar “pensar fora da caixa” não faz diferença nenhuma. É que a caixa somos nós, não há como sair dela. A caixa é o nosso repertório, nosso conjunto de conhecimentos e experiências.

A solução não está em sair da caixa, mas ampliá-la, fazê-la mais rica, equipá-la com mais ferramentas. E o melhor, conectá-la a outras caixas, formando uma rede.

Os autores defendem que se é mais criativo quando se explora mais o mundo familiar. E vão além; eles desenvolveram um método e aplicaram em várias empresas pelo mundo.

Essa ideia de pensar dentro da caixa vem de um outro livro chamado “The Closed World” (o mundo fechado), publicado em 2000 por Roni Horowitz. Esse autor defende que se há uma solução para um problema, ela será mais criativa se usar elementos do “mundo fechado” do problema. O que está perfeitamente sintonizado com o conceito usado em design thinking, onde a solução e o problema estão dentro do mesmo espaço; basta identificar quem é quem (saiba mais aqui).

E faz sentido; a pesquisadora de inteligência artificial, Dra. Margaret Boden, afirma que “as restrições, ao contrário de se opor à criatividade, fazem a criatividade possível”. Tirar todas as restrições tira a capacidade criativa (eu já tinha escrito sobre isso aqui há dez anos, veja!).

Outro mito derrubado no livro é sobre o brainstorming; depois de virar moda e ser usado até em escolas secundárias (o conceito nasceu em 1953 pelas mãos do publicitário Alex Osborn, em sua agência de propaganda), estudos demonstraram que o método não traz vantagens em relação à geração individual de propostas; além disso, as ideias geradas com o auxílio desse método são menos numerosas e de baixa qualidade se comparadas com o trabalho individual ou em grupos reduzidos.

Mas voltando ao método desenvolvido pelos pesquisadores, eles criaram cinco técnicas bem interessantes dentro do que chamam de Template para a Criatividade:

1. Subtração: consiste em retirar um componente essencial do produto ou conceito e identificar quem veria valor no resultado. Como exemplos, eles citam o amaciante, que foi criado num execício onde se tirava o elemento essencial do sabão, responsável pela limpeza da roupa. Ou a IKEA, onde a montagem dos móveis (item essencial na maioria das lojas) também foi retirado. Ou o Walkman da Sony, que não tinha a função de gravar. Ou os terminais eletrônicos dos bancos, que retiraram os caixas humanos do processo de atendimento. Eles não falam no livro, mas o que é o Uber senão uma empresa de transporte sem veículos? E o AirBnb?

2. Divisão: consiste em dividir o objeto ou processo em múltiplas partes e rearranjá-las de uma maneira diferente e nova. Como exemplos, eles citam as autoridades de trânsito na Ucrânia que dividiram em partes as funções do carro estacionado e chegaram à conclusão que, se o motorista parasse em local proibido, bastava isolar uma das partes (no caso, a placa do carro), levando-a para uma central. A placa (e a função total) só seria restabelecida com o pagamento da multa. Ou o condicionador de ar tipo split, cujo compressor foi isolado e instalado em local onde incomodasse menos. Ou o telefone celular pré-pago, em que a pessoa paga antes de usar (ao contrário dos métodos anteriores).

3. Multiplicação: consiste em multiplicar algum componente do processo ou função, mesmo que aparentemente de uma maneira desnecessária. É a técnica que leva a multiplicar o número de rodas de uma bicicleta temporariamente enquanto alguém está aprendendo; ou aquelas subtelas de vídeos que permitem a uma pessoa zapear outros canais e ver um programa ao mesmo tempo na TV, por exemplo.

4. Unificação de tarefas: consiste em reunir dois ou mais elementos diferentes de processos ou objetos fazendo com que a combinação tenha uma nova função. Como exemplo, maquiagem que agrega filtro solar, publicidade móvel em veículos ou telefones celulares com função de geolocalização.

5. Dependência de atributos: consiste em relacionar dois ou mais elementos de produtos ou processos inovadores que aparentemente não têm relação entre si. Por exemplo, limpadores de parabrisas que mudam de velocidade de acordo com a quantidade de chuva, aplicativos que provêm informações sobre restaurantes e lojas quando o usuário se aproxima de uma região; ou seja, uma função depende da informação da outra. O aplicativo depende da geolocalização; o limpador de parabrisas depende do sensor de chuva.

Cada técnica é detalhada com muitos exemplos reais. De minha parte, achei bem útil o exercício de desmontar um processo ou produto em elementos e depois fazer combinações diversas. Já deu para ver que a prática rende muita coisa interessante. Quem sabe não é seu caso?

De resto, só me resta convidar: vem pra caixa você também….rs

NOTA: Só fiquei sabendo desse livro graças ao excelente artigo “Não existe nada fora da caixa: o segredo da co-criação” do sempre enriquecedor Maurício Manhães, que também me indicou a bibliografia. Obrigada, amigo!

top 10 de outubro: outono berlinense com pitadas de Belo Horizonte

Não acompanhei todo o espetáculo do outono em Berlim, mas foi por uma causa nobre; passei duas semanas trabalhando em Belo Horizonte, enchendo a cara de delícias e alimentando os olhos também.

Vamos passear? Escolha aí sua preferida e conte pra gente!

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um parque com árvores cujas folhas vão do verde, passando por vários tons de dourado até o vermelho intenso. — at Berlin Alte jakobstrasse.
1. Não é à toa que essa é minha estação do ano preferida. Fala a verdade: não é de encher os olhos? #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um parque com árvores cujas folhas vão do verde, passando por vários tons de dourado até o vermelho intenso. — at Berlin Alte Jakobstrasse.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um arco-íris duplo. Na parte de baixo, o céu está azul; na parte de cima, bem nublado. Também aparecem prédios e árvores. — at Berlin Mitte.
2. Um arco-íris duplo com nuvens no recheio. Quem já viu? #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra um arco-íris duplo. Na parte de baixo, o céu está azul; na parte de cima, bem nublado. Também aparecem prédios e árvores. — at Berlin Mitte.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mosyra um casal de costas, esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Eles estão protegidos por um enorme guarda-chuva com gomos coloridos. Chove. — at Schloßstraßen Center.
3. Foi um outono chuvoso, mas nem por isso menos colorido ou romântico! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mosyra um casal de costas, esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Eles estão protegidos por um enorme guarda-chuva com gomos coloridos. Chove. — at Schloßstraßen Center.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a skyline de Berlim vista a partir de um dos furos da cerca de proteção no alto da coluna da Vitória. A Avenida 17 de junho aparece ladeada por árvores que já estão amarelas, em contraste com o enorme parque, cuja maioria das árvores ainda está bem verde. Ao fundo, o Portão de Brandemburgo e a Torre de TV. — at Berlin Victory Column.
4. Um ponto de vista interessante, não? #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a skyline de Berlim vista a partir de um dos furos da cerca de proteção no alto da coluna da Vitória. A Avenida 17 de junho aparece ladeada por árvores que já estão amarelas, em contraste com o enorme parque, cuja maioria das árvores ainda está bem verde. Ao fundo, o Portão de Brandemburgo e a Torre de TV. — at Berlin Victory Column.

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O cachorro de Nureyev

Um livro doce, delicado, sensível, achado por acaso num mercado de pulgas. Tem coisa melhor?

Nurejews Hund oder Was Sensucht vermag” (Tradução livre: “O cachorro de Nureyev ou do que a saudade é capaz”), de Eleke Heidenreich ilustrado maravilhosamente por Michael Sowa, é uma fábula das mais belas.

Na história, o bailarino russo Rudolf Nureyev está em New York participando de uma festa na casa do escritor Truman Capote. Rudolf bebe muito e passa a noite na poltrona da sala; então repara na presença de um cachorro deselegante, olhos lacrimejantes, pernas curtas e patas grossas, pelagem que vai do branco sujo ao bege passando por um cinza desbotado, que observa o mundo de seu canto. No café da manhã, pergunta ao anfitrião o nome do cachorro. Truman responde que tal criatura não lhe pertence, certamente algum convidado o esqueceu.

Nureyev então decide adotar o cão, chamando-o de Oblomov. Os dois ficaram juntos durante mais de oito anos, até a morte do bailarino. O cão acompanhava seu tutor em todas as aulas e ensaios de balé, conhecia todas as coreografias.

Uma amiga de Nureyev, também bailarina, que fica com o cachorro após a morte dele, flagra o cão ensaiando desajeitadamente passos de balé durante uma madrugada. E a cena se repete algumas vezes.

Toda a poesia da dança, a sensibilidade do animal, as relações entre a feiúra e a beleza, entre a deselegância e a elegância, entre a dança e a vida são apresentadas de maneira bela, profunda, tocante.

Na vida real, de fato Nureyev teve um cachorro. Mas era uma fêmea de Rottweiller chamada Solaria, com quem ele ficou apenas um ano (logo em seguida, faleceu); Solaria foi adotada por uma amiga querida.

De qualquer forma, a fábula é muito linda. Parece um livro infantil, mas serve para todas as idades. Recomendo muitíssimo!

top 10 de setembro: belas surpresas

Esse mês tem paisagens, panorâmicas, sol, chuva, arco-íris e muita cor! É fotografia para todos os gostos. Vem

#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra pessoas num café em mesas na calçada lendo jornal. A rua é arborizada e as paredes do café são laranja escuro. — at Kaffeesatz.
1. Eu amo esses cafés com mesinhas na calçadas onde pessoas estilosas ficam lendo jornal… #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra pessoas num café em mesas na calçada lendo jornal. A rua é arborizada e as paredes do café são laranja escuro. — at Kaffeesatz.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de um prédio grafitada só até a altura das janelas do prédio. O fundo é bege escuro e o grafite é em tons de rosa, magenta e vinho. Uma criança passeia de bicicleta pela calçada larga. No canto direito aparece uma vitrine de um salão de cabeleireiro. — at Eastern Bull 1453.
2. Nada como calçadas largas e paredes coloridas para uma infância feliz! #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra a fachada de um prédio grafitada só até a altura das janelas do prédio. O fundo é bege escuro e o grafite é em tons de rosa, magenta e vinho. Uma criança passeia de bicicleta pela calçada larga. No canto direito aparece uma vitrine de um salão de cabeleireiro. — at Eastern Bull 1453.
#paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma das esculturas da fonte de netuno que representa uma mulher. Ela é verde e está de costas. Ao fundo, a torre de TV cuja esfera espelhada recebe em cheio a luz do sol, parece o próprio. — at Neptunbrunnen.
3. Luz certa bem na hora certa; garantia de foto feliz. #paracegover Descrição para deficientes visuais: a imagem mostra uma das esculturas da fonte de netuno que representa uma mulher. Ela é verde e está de costas. Ao fundo, a torre de TV cuja esfera espelhada recebe em cheio a luz do sol, parece o próprio. — at Neptunbrunnen.

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Arte urbana em todos os lugares

Uma das coisas que mais amo em Berlim é a quantidade de arte urbana que tem nas ruas. É muito painel bonito, muito grafite sensacional.  Já publiquei aqui várias fotos de obras organizadas/patrocinadas por um coletivo chamado Urban Nation. A sede deles fica numa rua chamada Bulowstraße e agora, depois de anos de trabalho árduo, conseguiram construir o primeiro museu de arte urbana de Berlim.

Deixei a muvuca do final de semana, quando houve a inauguração e preferi ir ontem, quando as coisas já estavam mais calmas. O prédio de esquina, que já mudou de fachada tantas vezes, passou por uma reforma e agora está com cara de galeria de arte.

A entrada do museu é gratuita e, olha, que belíssimo trabalho esse pessoal fez! A arquitetura do interior é clean e valoriza as obras, mas o que mais me chamou atenção foi o capricho da curadoria; só tem maravilhosidades! Eles realmente escolheram a dedo as obras dos 150 artistas que estão lá. Mais admiração e orgulho ainda quando se sabe que tem um casal brasileiro na equipe: a Marina Bortoluzzi e o Marcelo Seewald Pimentel, idealizadores do Instagrafite, a maior comunidade de grafite no Instagram (vale a pena visitar o site também, é cheio de lindezas instigantes).

O mais bacana é que o museu não se limita ao seu espaço interno, mas ele realmente é coerente com a proposta de promover a street art: aos poucos, a Bulowstraße, rua na qual está instalado, vai ficando mais e mais colorida e interessante. Toda vez que passo por lá tem trabalhos novos e obras sensacionais. E eles, como Organização Não Governamental muito bem estruturada, conseguem trazer artistas do mundo inteiro para fazer intervenções em tudo quanto é canto dessa cidade. Se você for no site da Urban Nation, vai ver que tem até um mapa da cidade com o endereço dos principais murais. Não é demais?

De fato, um povo que está fazendo diferença para transformar o mundo num lugar melhor para se viver. Sou fã.

Mas vamos dar um passeio rápido para ver o que tem de bom?

NOTA: o autor da obra que aparece na imagem inicial é o artista português Vhils.

Essa casa já mudou de fachada tantas vezes! Essa é a atual, mas ela já foi mais bonita. De qualquer forma, penso que continuará mudando 🙂
Uma das muitas caras que esse prédio já teve.

 

Essas são duas das minhas favoritas! Os artistas são, respectivamente, Sandra Chevrier (Canadá) e Andreas Englund (Suécia).

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