Vamos falar sobre tribos

#paracegover A imagem mostra uma moça andando numa calçada. No muro atrás dela há uma série de silheutas de pessoas pintadas. Parecem sombras.

Sempre gostei dos textos do Seth Godin, mas nunca tinha lido um livro inteiro dele. Aí, quando tive a oportunidade, comprei Tribes: we need you to lead us, afinal, era sobre liderança, tema do meu mais recente livro, Atitude Pro Liderança.

A ideia central é que as pessoas se reúnem em torno do que acreditam (a visão) e, por isso, as tribos são formadas. E, também, por causa dessa consciência, pela primeira vez não se espera que apenas os chefes sejam os líderes em uma organização. Uma vez que a visão é o motivo das pessoas estarem reunidas, qualquer um que tenha essa visão de maneira clara e saiba como construi-la, pode liderar o grupo. Seth diz que liderar não é difícil; o problema é que temos sido treinados ao longo de anos para evitar essa posição a qualquer custo, a não ser que a pessoa se veja num cargo em que é obrigada a fazê-lo.

Outra diferença que ele salienta: liderar é diferente de administrar. Administrar tem a ver com manipular os recursos para obter um resultado conhecido. Liderar tem a ver com criar a mudança em que se acredita. Líderes têm seguidores. Administradores têm funcionários ou colaboradores. Administradores fazem coisas. Líderes fazem mudanças. E porque líderes fazem mudanças é que as pessoas evitam tanto essa posição; ela está longe de ser segura e confortável.

Godin diz que dois aspectos principais diferenciam um grupo de uma tribo:

  1. o interesse compartilhado
  2. a maneira de se comunicar

Uma tribo consegue transformar o interesse compartilhado em uma paixão, um desejo de mudança. Numa tribo, a comunicação flui; estão disponíveis  ferramentas que permitem que todos os membros se comuniquem e estreitem seus relacionamentos. Com isso, a tribo ganha novos membros e cresce.

Há ainda as diferenças entre um bando e uma tribo.

  1. um bando é uma tribo sem um líder
  2. um bando é uma tribo sem comunicação

O que acontece é que a maioria das organizações investe seu tempo fazendo marketing para bandos. Mas as melhores ajudam a construir tribos.

Seth ainda fala sobre as dificuldades de inovação e de se manter uma empresa que não possui essa visão de liderança, citando muitos e muitos exemplos de negócios nos Estados Unidos.

Olha, quem leu meu livro sabe que concordo com tudo e assino embaixo, apesar de não gostar muito da metáfora com tribos (para mim remete ao cacique, que é o chefe, o sujeito que manda, o que, na minha opinião, não combina com esse conceito mais colaborativo de liderança).

As ideias são boas e aprendi bastante, mas ao terminar de ler as 125 páginas e fiquei com a sensação de que o assunto era suficiente para um bom artigo e não mais que isso. Para render um livro foi necessário forçar bastante a amizade; os exemplos de sempre, apresentados superficialmente e alguns mantras exaustivamente repetidos cansam por ser claramente enchedores de linguiça.

Adoro Seth Godin, sou admiradora de seu trabalho, faço parte de sua tribo, mas, decididamente, vou continuar lendo apenas seus artigos. Outros livros, só se muito bem recomendados.

1 Resposta

  1. ENIO PADILHA
    Responder
    7 janeiro 2017 at 4:49 pm

    Algumas vezes as suas resenhas deixam o leitor com vontade de ler o livro. Noutras, a resenha em si é suficiente para saber o que há de essencial no livro. Nos dois casos, vale a pena ler (a resenha, claro)

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