9 mai 10
Alice riu: “Não se pode acreditar em coisas impossíveis“.
“Com certeza você não tem muita prática“, disse a Rainha Branca. “Quando eu tinha a sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Ora, algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã“.
Lembrei desse trecho do livro “Alice no País dos Espelhos” quando vi o filme “Alice” no cinema, há algumas semanas. Na versão Timburtoniana, as palavras vão para a boca do pai de Alice, que tenta convencer um investidor.
Depois lembrei de novo quando pedi para meus alunos desenvolverem um produto conceitual, sem nenhum tipo de restrição técnica ou financeira. Sempre vejo o pessoal reclamar que sua criatividade nunca é bem aproveitada por conta das tais restrições, que podam e bloqueiam seus talentos. Pois é, paguei para ver e o resultado foi menos que decepcionante. Nada extraordinário, tudo bem convencional e dentro da caixinha. Por que será que isso acontece?
Bom, criatividade, como qualquer outra habilidade humana, precisa ser exercitada. Não adianta a Dioclésia dizer que consegue passar no vestibular se não estudar pelo menos um pouco todo dia. Não acredito que o Josenildo consiga acordar um belo dia e escrever um romance; o sujeito não costuma escrever nem mesmo bilhetes curtos. É complicado imaginar a Claudinete preparando sozinha um jantar sofisticado para 18 convidados se ela mal consegue fazer pipoca no microondas. Por que com a criatividade seria diferente?
A gente raramente treina pensar coisas fora do que conhece. Nossas ideias impossíveis são raras e difíceis. Quer ver? Marque 5 minutos no relógio e tente pensar em duas coisas impossíveis de verdade. É difícil, né?
Pois é, e se a gente não pratica, na hora em que tiver a grande chance, vai atrás dos seus queridos neurônios e encontra-os cheios de reumatismos e dores difusas. Tarde demais.
Então, proponho aqui seguir o conselho da Rainha Branca e tirar um tempinho todo dia para pensar em coisas impossíveis. Se a gente quer se superar, virar atleta do impossível, tem que treinar muito. Proponho começar com uma ideia impossível por dia. Vou tentar publicar as minhas 5 melhores toda semana aqui no blog.
Andei praticando por esses dias e olha só algumas ideias impossíveis, para começar:
Usinas eólicas móveis: fiquei imaginando que as usinas eólicas poderiam ter um perfil no twitter e uma avisasse às outras onde é que está bombando o vento. Aí iriam todas para lá, curtiriam o momento e, em seguida, andariam até a próxima ventania.
E falando em andar…
Moto para andar nas nuvens: voar de avião, é, para mim, o equivalente a viajar de carro por terra. E assim como há motos, que faz a gente se integrar mais ao ambiente, deveria haver também uma versão onde se pudesse voar pelo meio das nuvens. Já pensou?
E falando em nuvens…
Nuvens coloridas: haveria um artista em cada cidade (uma equipe poderia se revezar) para escolher as cores das nuvens a cada estação de chuvas. As cidades mais ousadas teriam nuvens estampadas.
E falando em moda…
Bolsa com perninhas que andassem ao nosso lado: Chega de problema na coluna. As bolsas teriam perninhas longas e elegantes e andariam sempre ao nosso lado, como fieis escudeiras. Com o tempo, elas também poderiam usar sapatinhos estilosos.
E falando em bolsas…
Canetas que voltam sozinhas para a bolsa: a gente ensinaria o caminho uma vez só e a caneta aprenderia que aquela bolsa é a casa onde ela deve dormir todo dia. Depois poderiam ser desenvolvidas versões para chaveiros e batons.
E falando em chaveiros…
Carros gelatinosos: Chega de acidentes fatais, vamos nos divertir mais! Com carros feitos de gelatina, a aerodinâmica seria melhorada e o mundo seria mais fofo.
E falando em carros…
Cinto de segurança massageador: Ninguém mais ficaria chateado de ficar preso no engarrafamento, com certeza. As pessoas relaxariam e até poderiam treinar ideias impossíveis.
E falando em ideias impossíveis….
***
PS: Tentei desenhar uma das ideias (a da bolsa com perninhas), mas como não tenho me exercitado muito ultimamente, o traço ficou bem pesado. Vou tentar desenhar pelo menos uma ideia impossível todo dia.

Copyright © Lígia Fascioni 2011.