O código da cultura

Para montar um time excepcional e fazer coisas realmente incríveis, você precisa de pessoas inteligentes, estudadas, experientes, criativas e também de um líder carismático, concorda? Eis aí o time dos sonhos. Para qualquer tarefa que seja, a equipe vai arrasar! 

Ou não? 

Na verdade, Daniel Coyle, no livro The Culture Code, diz que isso não garante nada. Aliás, cultura vem do latim cultus, que significa cuidado. E isso faz muita diferença, como vamos ver.

Estudos mostraram que você pode montar vários times dos sonhos, com executivos, MBAs, enfim, gente reconhecidamente competente, e eles vão perder para um time de jardim de infância em tarefas colaborativas como o desafio do mashmallow

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Kafka na praia

Não me canso de admirar o brilhantismo e a criatividade de Haruki Murakami. E lendo “Kafka am Strand” (Tradução livre: “Kafka na praia”) também me dei conta do quanto ele guarda algumas semelhanças com outro gênio da criatividade, Neil Gaiman. Li muito mais murakamis do que gaimans e não entendo nada de literatura, então posso estar falando bobagens, mas observo em ambos uma fluidez entre o surreal e o real, entre o sobrenatural e o natural. Os personagens são sempre instigantes em suas crises existenciais, os simbolismos das situações e a naturalidade como trafegam entre dois mundos estão presentes nas obras dos dois autores. 

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A questão dos lados do cérebro

Desde que li “A revolução do lado direito do cérebro”, de Daniel Pink, há quase uma década, fiquei encantada com a metáfora dos lados do cérebro que ele usa. 

Com certeza você já ouviu falar: o lado esquerdo é analítico e ocupa-se com a razão, com a estrutura, com a modularização das informações. É com esse lado que a gente aprende a ler e escrever, a formar palavras, a atribuir significados aos números, a encadear seqüências lógicas, a analisar criticamente um problema.

O lado direito ocupa-se da síntese e trata da emoção, do subjetivo, do contextual. Esse é o lado que reconhece um rosto (sem se preocupar com as partes), que interpreta e entende piadas e frases de duplo sentido, que sintetiza informações, que conecta, que cria e inova.

O lado esquerdo é seqüencial. O direito, simultâneo.

Bonito, né? Mas estudando um pouco mais, a gente aprende que essa metáfora, é só bonita mesmo, pois não corresponde à realidade. 

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Uma viagem pelo cérebro

Tem gente que diz que rede social não presta, especialmente o Facebook. Eu insisto em dizer que para quem não sabe usar as ferramentas, nada há de prestar. Porque são só ferramentas. Quem define o uso somos nós.

Pois nessa decadente e viciada rede social tenho descoberto grandes tesouros. Foi onde achei a profa. dra. Carla Tieppo, uma neurocientista preocupada em compartilhar conhecimento de qualidade (há quem duvide, mas as redes estão cheias de pessoas assim). Nem sei como cheguei a ela, mas, logo eu que pouco tenho paciência para vídeos, virei espectadora contumaz de suas Lives de quartas-feiras (que só assisto no dia seguinte por conta do fuso).

A linguagem simples, acessível, cheia de metáforas e exemplos da vida real são irresistíveis, assim como seu jeito despachado e sincerão.  Logo que pude, comprei “Uma viagem pelo cérebro: a via rápida para entender neurociência”. Professora e pesquisadora do tema há décadas, a linguagem do livro é como a Carla falando: uma extraordinária viagem.

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Máquinas como eu

Ian McEwan é um escritor que gosto demais. Eles fez coisas maravilhosas, como Solar e Sábado; outras obras, menos brilhantes, como Amsterdam e Jardim de Cimento, também estão longe de ser ruins. 

Então, quando fiquei sabendo do lançamento de Machines Like Me (Tradução livre: “Máquinas como eu”), não podia perder de jeito nenhum. Não coloco o livro na mesma categoria dos meus preferidos, mas mesmo assim gostei bastante.

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Surpresas boas demais!

Semana passada estive pela primeira vez na vida em Fortaleza. 

Preconceituosa como sou, levei um belo tapa na cara. E adorei.

O trabalho era facilitar um workshop para definir os objetivos estratégicos da Secretaria da Fazenda do Ceará. Apesar de Planejamento Estratégico não ser meu core business, topei o desafio porque já tinha experiência em facilitar workshops e também porque o gancho era liderança. 

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Altruísmo?

Fui a Fortaleza na semana passada por conta de um trabalho e, como ia ficar poucos dias, tinha espaço sobrando na mala. Fiz um post no Facebook contando que ia aproveitar para levar duas bolsas cheias de coisas que sobraram da limpa que fiz no guarda-roupa para doar para mulheres em situação de rua. A ideia era incentivar outras pessoas a fazer o mesmo; confesso que não tinha pensado nisso. Só me inspirei quando vi um post parecido de alguém fazendo a sugestão.

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Quando você descobre que está morto

Imagine que você está concentrado tentando escrever um livro e briga com o vizinho do apartamento de baixo por causa do barulho. No calor da discussão, ele joga um ovo na sua janela e você revida despejando o conteúdo da sua lixeira de papel no pátio dele; a história vai parar na delegacia. 

Dias depois, quando estão levantando a sua ficha corrida (deve ser procedimento comum nesses casos), você recebe um telefonema com um aviso: acharam sua certidão de óbito. Sim, você está morto. E já faz três anos.

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Sputnik sweetheart

Mais um Harumi Murakami para aquecer o coração. Como adoro ler as histórias que esse moço conta.

O título do livro, “Sputnik Sweetheart” (eles não traduziram para o alemão; apesar da versão ter sido feita diretamente do japonês, os editores optaram por deixar assim, provavelmente mantendo o original); numa tradução livre seria algo como “meu docinho Sputnik” ou “minha querida Sputnik”.

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Hologrammatica

Imagine um mundo onde tudo é luz. Explicando melhor: tudo o que a gente veria nele seria projetado holograficamente por uma rede (tipo a internet, só que de luz). Assim, em vez de enxergar a fachada descascada de um prédio, o síndico compraria uma projeção holográfica permanente que mostraria sempre a pintura intacta (podendo variar as cores, o estilo arquitetônico, enfim, tudo o que se quiser). 

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