Persépolis

Persépolis é um clássico. Já ganhou prêmios diversos tanto como livro convencional como na categoria Graphic Novel. Na minha opinião, merecidíssimo.

O livro, totalmente em quadrinhos, desenhados pela própria autora, Marjane Satrapi, causou furor quando publicado em 2000, em francês. Em 2003 foi traduzido para o inglês e bateu recordes de vendas; até que se transformou em animação, em 2007, com o mesmo estilo visual dos quadrinhos. 

Mas por que tudo isso?

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O riscos da viagem no tempo

Eu já tinha ouvido falar da Joyce Carol Oates; por isso fiquei curiosa quando vi “Hazards of Time Travel” (tradução livre: “Riscos/ameaças da viagem no tempo”) num dos sebos que frequento. 

A história é a seguinte: Adriane Strohl é uma adolescente que vive numa distopia nos Estados Unidos. O atentado de 11 de setembro era justamente o que políticos com viés ditatorial esperavam como chance de eleger um inimigo público número um e com isso justificar todo tipo de atentado à democracia. Aos poucos, um Estado Totalitário foi se formando a ponto do governo ter controle sobre o comportamento dos cidadãos e distorcendo livros de história (como em 1984 e o Ministério da Verdade). Aqui eles vão mais além; até as evidências científicas são reinterpretadas para favorecer o grupo de controle. E os anos passam a ser contatos a partir do 11 de setembro; antes disso, a história foi simplesmente apagada dos registros.

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Vendo o que os outros não vêem

Dois policiais estão presos num engarrafamento. Estão de boa, pois é só a ronda rotineira. Eis que um deles olha para o lado e começa a admirar uma BMW caríssima. O motorista está fumando e, de repente, simplesmente joga as cinzas no banco do passageiro.

Que absurdo, um dos policiais pensa. Um carro caro desses! Aí começa a pensar: quem faria uma absurdidade dessas? Não o dono, que teve que comprá-lo. Não o amigo que pegou o carro emprestado. Somente alguém que não tenha nenhum tipo de contato com o proprietário, tipo, um ladrão, faria uma coisa dessas. Num estalo, o policial ligou a sirene, acionou o suporte e, de fato, o carro era mesmo roubado. Uma observação à toa gerou um insight que fez toda a diferença no trabalho do policial.

Pois o psicólogo cognitivo Gary Klein tem passado a vida profissional observando como as pessoas tomam decisões e tem um carinho especial por insights. 

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Impensável

Helen Thomson estudou neurociência na universidade e sempre foi fascinada pelo funcionamento do cérebro humano. 

Ela aprendeu que doenças ou anomalias mentais eram resultado de pequenos problemas de funcionamento nas atividades elétricas, desbalanços hormonais, lesões, tumores ou mutações genéticas; algumas dessas coisas dá para consertar. Outras não.  Outras, ainda, não deveriam ser vistas como um problema. Inquieta, curiosa e ávida por aprender mais, ela resolveu ser jornalista científica. Para isso, fez um mestrado em comunicação científica e começou a trabalhar para revistas prestigiadas. Era uma maneira de estar sempre atualizada e não se prender a apenas uma área. 

Mergulhada em artigos técnicos e sem nenhuma emoção, essa moça que escreve muito, muito bem, resolveu viajar o mundo para entrevistar pessoas com cérebros muito especiais e contar suas histórias de maneiras que as revistas científicas nunca fizeram. 

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User Friendly

A princípio, “User friendly: how to hidden rules of design are changing the way we live, work, and play”, (tradução livre: “User Friendly: como as regras secretas do design estão mudando a maneira como vivemos, trabalhamos e jogamos”), de Cliff Kuang e Robert Fabricant seria um livro técnico que só interessaria a designers e desenvolvedores, mas penso que todo mundo devia saber um pouquinho sobre como os objetos que usamos no dia-a-dia evoluíram do ponto de vista da amigabilidade. 

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Upstream

Quando vi o título do mais recente livro do Dan Heath (tenho resenhas de vários livros dele aqui), não pude resistir: “Upstream: how to solve problems before they happen” (tradução livre: “Rio Acima: como resolver problemas antes que eles aconteçam”). Quem não gostaria de resolver os problemas antes deles acontecerem, não é? O livro está disponível nas principais livrarias e caso for comprar online, é possível economizar ainda mais usando cupons de desconto!

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Infinitas possibilidades

Que delícia quando acontecem coincidências literárias felizes, né? Esbarrar com um livro ótimo, sem nenhuma indicação ou pista; totalmente por acaso.

Pois foi o que aconteceu com “Black Matter” (Tradução livre: “Matéria Escura”), de Blake Crouch. Estava numa livraria especializada em ficção científica (que fica ao lado de outra especializada em romances policiais; como não amar essa cidade?) quando encontrei uma estante só com livros usados em inglês. Eis que simpatizei com a capa, o título e com o resumo na quarta capa. Levei.

E não é que me dei muito bem?

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O Gigante Enterrado

Fazia tempo que eu já estava curiosa para ler Kazuo Ishiguro; depois que ele ganhou o Nobel de Literatura, em 2017, a vontade só aumentou. Achei um livro dele num mercado de pulgas, em alemão, e fiquei com medo de me arriscar, afinal, esses caras que ganham o Nobel não costumam ser fáceis. 

Daí que achei “The Buried Giant” num sebo e me senti mais confortável, pois inglês é sempre mais acessível. Olha, fácil não posso dizer que foi. Mas valeu cada sílaba.

A história se passa pouco depois da morte do lendário Rei Arthur, em que povos guerreiros da Grã Bretanha, Saxões e Bretões experimentavam uma era de paz.

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