10 abr 14

É moda no mundo inteiro, mas nunca tinha entrado em um desses cafés onde os gatos também são funcionários do estabelecimento.

Fiquei sabendo da existência desse por conta de uma maneira típica de fazer propaganda em Berlin: uma bicicleta estacionada na rua, olha que fofa.

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A ideia é a seguinte: a pessoa constrói um café comum, bem caprichado e com coisas gostosas, mas com uma decoração temática. O Pee Pees é cheio de arranhadores e lugares para os fofos brincarem, além das estampas, tapetes, tudo de gatinhos. Os anfitriões lá são o Caruso e o Pelle, adotados de um lar de animais abandonados e fazem o trabalho direitinho. O café tem vários lugares onde eles podem se esconder, se quiserem, mas os moços curtem interagir com os clientes.

O lugar tem um monte de regras que garantem o conforto dos fofinhos: não se pode alimentá-los, não é permitido tirar fotos com flash, não pode perturbar o sono quando eles estiverem dormindo, não pode puxar o rabo, não pode fumar, entre outras coisas. Isso já garante uma pré-seleção importante: só frequenta o lugar quem ama e respeita bichos. Crianças têm que ser acompanhadas de adultos que se responsabilizem pelo comportamento delas. Enfim, os bichanos não estão lá para servir de brinquedo, mas para ser amados.

Quando a gente chegou, o Caruso estava dormindo, mas logo se animou e até subiu na nossa mesa para inspecionar se a comida estava boa (sim, estava ótima!). O Pelle se encantou com uma senhora na mesa vizinha e chegou a passear pelos ombros da dama. Mais fofos, impossível.

A porta de vidro fica sempre fechada e tem também uma cerca de madeira para dificultar fugas; o que facilita é que não é um café muito grande, mas um lugarzinho charmoso que mais parece a sala de uma casa. A presença dos gatinhos facilita o posicionamento da marca; sem eles, esse seria um café como outro qualquer no meio de uma cidade cheia deles, que a gente jamais teria conhecido.

Taí uma ótima ideia para os protetores e animais no Brasil; fazer um lugar onde as pessoas possam conviver com os bichos sem estressá-los e ainda ganhar dinheiro com isso, o que é bom para todo mundo. O Pee Pees também vende produtos e tem um painel para os peludinhos que precisam de um lar.

Pra que mais?

Olha que lagartinho mais charmoso...

Olha que lugarzinho mais charmoso…

 

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Estampas fofas estão por todo lugar :)

 

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Olha que delícia!

 

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Eles adoram ficar na janela olhando o movimento.

 

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A caneca onde eles servem o café pode ser comprada e levada para casa, se a pessoa quiser.

 

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Esse é o Caruso. Ou o Pelle. Um usa lencinho vermelho e outro azul, mas não lembro qual é qual…rsrs

 

Eu e o Caruso (ou o Pelle, não sei)...

Eu e o Caruso (ou o Pelle, não sei)…

 

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9 abr 14

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Selfies, como se sabe, são aquelas fotos que as pessoas tiram delas mesmas e compartilham nas redes sociais. O objetivo de um selfie é se exibir, mais nada. Mostrar aos outros que a pessoa está num lugar bacana, numa situação desejada, num dia de cabelo bom ou se sentindo bonita. O foco não é o outro, mas o adorado umbigo, a manutenção da própria auto-estima. Em princípio, não há mal nenhum nisso; é natural do ser humano querer ser amado, querido e desejado.

O problema é quando isso acontece com empresas que pregam a preocupação com o cliente, com as pessoas, com o social, com o mundo, com o planeta, e acabam perdendo a coerência pela vaidade de um selfie.

Acompanhe.

Nos objetivos estratégicos, a empresa diz que sua missão é cuidar, respeitar e entregar valor para seus clientes e colaboradores, além da sociedade em geral. Com variações não tão amplas, é o que mais se vê por aí.

Só que a prática não bate, e é fácil perceber por que. É que no objetivo seguinte, a visão, a frase começa com: “ser referência em….” ou “ser líder em….” ou ainda “aumentar a participação no mercado x e y…”. E o pior: divulgam isso em quadrinhos espalhados por toda a empresa e no site, para os clientes admirarem.

Vamos relembrar os conceitos dos objetivos estratégicos para descobrir onde está o problema.

A missão deve descrever o motivo pelo qual a empresa existe (e não é só ganhar dinheiro, senão ela poderia ser uma organização de tráfico de drogas muito lucrativa, por exemplo). Dinheiro é a geração de riqueza, o resultado e a recompensa pelo valor que a empresa entrega à sociedade. Então, a missão é o que a empresa oferece de valor, e para quem. Para que a empresa existe, seu propósito, a razão de sua existência.

Os valores e princípios, são os pilares, os limites, o que a empresa considera relevante; o que ela usa como base para a tomada de decisão. A partir daí, a gente pode inferir o que a empresa é capaz de fazer, e o que ela não faz de maneira alguma.

Mas o grande problema que tenho visto é o entendimento do que vem a ser a visão.

A visão é o resultado direto da missão. Se a empresa sabe qual é o seu propósito e o valor que entrega, com certeza é porque consegue enxergar um cenário futuro desejado que reflita o resultado do seu trabalho. Então, se minha missão é educar crianças, minha visão tem que descrever um mundo onde as crianças sejam educadas como resultado de meu trabalho.

A visão é o que a empresa enxerga, a descrição do cenário que ela vê no seu futuro; é o resultado direto do trabalho que ela faz e do impacto que causa no mundo.

Assim, fica fácil entender que a visão descreve um panorama, uma cena externa, o mundo afetado pelo trabalho que a empresa faz. “Ser referência”, “Aumentar vendas”, não são impactos causados pelo valor que a empresa entrega, não são descrição de cenários que traduzam valor para os outros, principalmente para seus clientes.

Eu, como cliente de uma empresa, pouco me importo se ela é referência, se está vendendo mais ou menos. Quero saber do valor que ela entrega para mim e a diferença que faz no mundo. “Ser referência” é ego, espelho; nunca valor. Em última análise, selfie.

É o mesmo que eu, como profissional, começar minha visão com “ser rica e famosa”. Pode até ser um desejo particular da pessoa (de minha parte, quero ser só rica…rsrs), mas jamais deve ser projetada e divulgada como o cenário resultante de minha participação profissional no mercado.

Não é valor para ninguém o fato de eu me tornar rica e/ou famosa, ser referência ou aumentar minha participação no mercado. Isso não interessa para os outros, não é descrição de cenário ideal de um mundo melhor por causa do meu trabalho nem aqui e nem em qualquer outro planeta do sistema solar, garanto.

***

Em tempo: descobri que minha missão é aprender para compartilhar; entregar valor em forma de informação e inspiração.

Minha visão é um mundo com mais pessoas inspiradas, críticas e curiosas; quero trabalhar para ver isso.

Olha, mas se ficar rica com isso, juro não não vou reclamar…rsrsrs

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27 mar 14

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Com a nova reestruturação do site, algumas seções, como a de artigos científicos, vai acabar (mudei de foco e há algum tempo não publico nada em eventos científicos). Mesmo assim, pode ser que o material seja útil para alguém que esteja pesquisando; para o acesso não ser perdido, decidi publicar aqui em forma de post.

Então lá vai.

Considerações sobre a formação dos gestores de design no Brasil [1MB], 8º Congresso Brasileiro de Pesquisa em Design, São Paulo, 8—11 de outubro de 2008. Fascioni, Ligia C.

Método para definição da identidade corporativa [236KB]. 8º Congresso Brasileiro de Pesquisa em Design, São Paulo, 8—11 de outubro de 2008. Fascioni, Ligia C.

Análise de Metodologias Aplicadas ao Redesign: Uma Questão de Identidade [440KB]. 4º Congresso Internacional de Pesquisa e em Design, Rio de Janeiro, 11—13 de outubro de 2007. Autores: Maria do Carmo Curtis e Gustavo Cossio.

Caminho para a gestão integrada da identidade corporativa [216KB] Revista Conexão — Comunicação e Cultura. Revista de Comunicação da Universidade de Caxias do Sul. Volume 5, nº 10, jul—dez 2006. Fascioni, Ligia C.

Uma proposta para o alinhamento estruturado entre a identidade corporativa e a identidade visual [536KB]. 7º Congresso Brasileiro de Pesquisa & Desenvolvimento em Design, Curitiba, 09—11 de agosto de 2006

Gestão Integrada da Identidade Corporativa®: uma ferramenta [1MB]. 3º Congresso Internacional de Pesquisa e em Design, Rio de Janeiro, 12—15 de outubro de 2005. Fascioni, Ligia C.

Índice de Fidelidade à Identidade Corporativa: uma medida entre o ser e o parecer [236KB]. 3º Congresso Internacional de Pesquisa e em Design, Rio de Janeiro, 12—15 de outubro de 2005

Indicadores para avaliação da imagem corporativa das empresas de base tecnológica instaladas na grande Florianópolis baseados nas análises das percepções gráfica e verbal utilizando lógica difusa [1.6MB]. Tese de doutorado defendida em 21 de outubro de 2003. UFSC, Florianópolis, SC. Fascioni, Ligia C.

*****

Aqui algumas entrevistas que dei sobre o assunto que também podem interessar quem está pesquisando. Se você tem o link para alguma que não está aqui, deixe a informação no comentário, por favor. A maioria das pessoas que pede entrevistas nunca mais dá retorno, de maneira que não sei como ficaram e nem onde estão as matérias…

A chave mestra: entenda como o autoconhecimento pode ser fundamental para otimizar a comunicação entre o gerente e sua equipe de vendas. Revista Liderança, 2011. Baixe aqui (3.2 MB).

Sua empresa já fez um teste de DNA? Revista Liderança (matéria de capa), 2011. Baixe aqui (868 KB).

DNA Empresarial. CBN — Mundo Corporativo, com Heródoto Barbeiro, 2011. Para o vídeo da entrevista sobre o livro DNA Empresarial nos arquivos da CBN, clique aqui. Se deseja ir direto ao Youtube, clique aqui.

DNA Empresarial. Rádio Jovem Pan, 2010. Para o link da entrevista nos arquivos do site da rádio Joven Pan clique aqui. Para ouvir a entrevista baixando o arquivo mp3, clique aqui.

Entre aspas. Portal Design Brasil, 2007. Link para a entrevista no site, clique aqui.

Gestão integrada entre identidade corporativa e design. Revista Banas Qualidade (2006). Arquivo com a entrevista em PDF, clique aqui [132 KB ].

As empresas precisam ter identidade. Diário Catarinense/Zero Hora: caderno de gestão, por Cláudia Marcelo, 2007. Arquivo com a entrevista em PDF, clique aqui [2.7 MB].

Quem sua empresa pensa que é? Rádio CBN: Programa Mundo Corporativo, com Heródoto Barbeiro, 2006. Para o link da entrevista nos arquivos do site da rádio CBN clique aqui. Para ouvir a entrevista no seu Media Player, clique aqui.

Para ter sucesso, empresas precisam levar a sério sua própria filosofia, adverte especialista. Canal RH Entrevista, por Liv Soban, 2006. Arquivo com a entrevista em PDF, clique aqui [268 KB].

***

Ah, e claro que não poderia deixar de recomendar meu livro “DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica” (Integrare, 2010). Saiba mais aqui.

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19 mar 14

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Conforme prometido, vou compartilhar aqui alguns capítulos do livro “Wie Farben wirken: Farbpsychologie, Farbsymbolik und Kreative Farbgestaltung“, de Eva Heller, que fez uma pesquisa e descobriu, entre outras coisas, que azul é a cor favorita de 38% das pessoas que entrevistou (não dá para estender isso como regra geral porque, como vimos no post anterior, a percepção depende do contexto e das circunstâncias, além do perfil do grupo pesquisado).

Uma coisa interessante e que eu nunca tinha reparado é que é possível usar as cores para da impressão de perspectiva. Quanto mais quente a cor, maior a sensação de proximidade. Quanto mais fria, mais distante. Como o azul é a cor mais fria da paleta, sempre que um pintor quer representar alguma coisa bem longe, usa azul (e quanto mais claro, mais distante).

Até o início do século passado, quando os pigmentos sintéticos foram popularizados, escolher a cor de uma roupa não era uma questão de gosto, mas de bolso. Como alguns corantes eram mais raros que outros, o preço variava muito. Bem, o mais comum, popular e barato era justamente o nosso querido azul.

Mas não pense que todo azul era acessível; o azul-royal (ou real) tem esse nome justamente porque sua intensidade fazia o preço ficar tão alto que usá-lo era privilégio de reis. O povão usava uma coisa mais para o desbotado, tanto que os trabalhadores eram conhecidos como “colarinho azul” em contraste com o pessoal que mandava mesmo, os do “colarinho branco”. Os uniformes dos operários chineses também eram essa cor.

O tom mais comum era o chamado índigo (sim, esses das calças jeans, que ainda nem sonhavam em existir na época) e a cor vinha de uma planta chamada Waid (não encontrei nenhuma tradução) que, ironicamente, é um arbusto com florzinhas amarelas. Os celtas usavam o pigmento para pintar o rosto de azul e assustar os romanos (e a gente que achava o Blue Man Group muito original…rsrs). Alexandre o Grande ordenou que se plantasse Waid em todas as fazendas, sítios e terrenos dos seus domínios.

Para se ter uma ideia da importância da tal plantinha, no início do século XVIII já havia mais de 300 povoados especializados em plantá-la na Europa. Como somente as folhas eram usadas na fabricação do corante, a planta podia dar várias “colheitas” durante o ano. As folhas ficavam cerca de 2 semanas secando ao sol e depois eram colocadas numa tina para receber o principal ingrediente: urina fresca de homens alcoolizados. Com o sol, a urina se transformava em álcool e fazia a oxidação acontecer. Já pensou ter um emprego desses, onde você tem que passar o dia enchendo a cara (mas só quando tem sol) e fazendo xixi numa tina?

Não é por nada que em alemão, quando uma pessoa está bêbada, diz-se que ela está Blau (azul). Acho que a maioria dos alemães nem sabe da origem do termo…rsrs

O nome Indigo significa “que vem da Índia”, mas nesse país eles usavam outra planta (essa com cachos de florzinhas brancas ou rosadas, que os europeus acabaram chamando de Indigo também). A verdade é que o pigmento dava em todo lugar; até os faraós egípcios tinham suas múmias pintadas de azul, só que a planta que os indianos usavam resultava numa cor mais intensa e luminosa que a Waid, usada pelos europeus. Inclusive, uma das coisas que motivou Vasco da Gama a buscar o caminho das Índias era justamente trazer o corante feito com Indigo.

O azul era tão importante para a economia que o Indigo foi proibido na Alemanha em 1577 por conta de um lobby dos plantadores de Waid (a França também proibiu em 1598 e a Inglaterra em 1611). Em 1654 o Kaiser chegou a declarar que o Indigo era a cor do diabo. Como o pior Indigo era igual ao melhor Waid e a concorrência acaba regulando o mercado, os plantadores acabaram capitulando e o corante foi legalizado em 1737.

No século dezenove, os químicos desenvolveram corantes sintéticos de várias cores, mas o azul continuava sendo um mistério. Em 1865 as empresas alemãs Bayer e Hoechst se uniram para fundar a BASF (Badische Anilin und Soda Fabrik) e chegaram a investir 18 milhões de marcos nessa busca (a fórmula até era conhecida, mas caríssima de ser produzida). A luta foi complicada, pois os fabricantes do corante natural baixaram o preço para desestimular o desenvolvimento de uma versão sintética. Um verdadeiro drama, pois por causa das anilinas (o pigmento artificial) o Indigo original foi praticamente extinto, assim como a Waid.

Nossa, quem podia imaginar que o azul tinha tanta história, né?

Por falar nisso, tudo azul aí com você?

 

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17 mar 14

Está cada vez mais difícil encontrar vitrines com manequins humanizados; a tendência agora parece ser figuras estilizadas, sem rosto, e às vezes, até sem cabeça. Mas dá para entender, viu?

Fiz um apanhado das criaturas expostas nas vitrines e deu dó. A maioria parece entediada, algumas parecem profundamente deprimidas ou revoltadas. O povo pensa que vida de manequim é fácil, mas não é não.

Vamos ver alguns exemplos…rsrsr

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Será que essa racha ainda não entendeu que não estou a fim? Que saco!

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Dois MBA e um mestrado. E para quê? Para passar o dia nessa vitrine com esse cabelinho fake. Afe!

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Não suporto mais essa imbecil alegre do meu lado! Tá rindo de quê, minha filha? Do salário?

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Bom, pelo menos dá para eu ficar treinando meu biquinho de falar francês no horário do expediente. Menos mal…

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Acho que aquela pessoa ali não gostou muito da minha roupa. Vou encarar para ver se ela sai fora…

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Tô precisando fazer as sobrancelhas…

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Ai que sono, não preguei o olho essa noite. Neném em casa é complicado…

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Um frio do caramba e sou obrigada a ficar aqui fora com essa blusinha aberta. Vou pedir insalubridade; meus maxilares congelaram…

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Não devia ter mandado meu chefe ver se eu estava na esquina. Agora estou…

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Que agonia, não consigo tirar o cabelo do olho!

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Tenho que me fingir de morta para enganar o dinossauro atrás de mim. Morro de medo desse bicho.

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Já estou com torcicolo de ficar nessa posição; mas se eu me mexer, o cabelo despenca. Ó, céus…

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Passar o dia todo sentindo esse chulé… ninguém merece!

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Sou deusa, sou diva, sou Suzana Vieira! #prontofalei

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Detesto que fiquem me achando só um rostinho bonito. Eu queria mostrar o corpo também!

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Já coloquei até o travesseiro aqui do meu lado para ver se o moço se toca das minhas intenções, mas ele só tem olhos para os rapazes que passam na rua…

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Essa metida fica tentando afastar meus fãs, mas ela não vai conseguir!

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Se passar o dia de camisola e com um vaso na cabeça não é uma experiência radical, então não sei mais o que é…

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Pô, acabou o baseado? Sério?

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O que é que esse vesguinho quer de mim? Nem vem que hoje não tô boa, amiguinho…

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16 mar 14

O mundo está cheio de bem-intencionados tentando ser ecologicamente corretos promovendo a reciclagem, mas ela não é a coisa mais inteligente a se fazer, muito menos promover, pode acreditar. A reciclagem parte do princípio em que você destrói um material que sobrou de algum processo produtivo ou o resto de um processo de consumo, insere energia (tipo calor, energia elétrica, etc) e o transforma em alguma coisa barata, de menor valor. Exemplo: garrafas PET derretidas e transformadas em mais garrafas PET. Ok, isso é melhor que manter o lixo, mas bom mesmo é não consumir tanta garrafa PET, concorda?

Melhor que reciclar é reutilizar, revalorizar o material. O termo técnico para isso é upcycling (o oposto é o downcycling, que é bem traduzido pela reciclagem clássica).

Na moda, o upcycling acontece quando você reforma uma roupa, por exemplo, provendo-a de mais valor ainda do que já tinha.

Na Alemanha, berço do partido verde, existe uma grande preocupação com esses processos, inclusive na indústria da moda, uma das grandes responsáveis por incentivar o consumismo desenfreado.

Pois eis que estava me perdendo em Prenzlauerberg (sempre que vou a algum lugar, experimento um caminho diferente só para me perder um pouquinho…rs) e achei essa loja sensacional, toda forrada com um tecido branco e decorada com camisas pretas de verdade (do lado de fora!).

Essa loja é sede de um movimento chamado upcycling-fashion e promove/divulga concursos entre estilistas, cursos de formação, fóruns, debates e muito mais para os interessados no assunto (para saber mais, clique aqui).

Olha só que coisa mais sensacional!

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16 mar 14

mein_leben_zwischen_den_zeilen-9783442365890_xxlDando continuidade à minha saga de ler o máximo de coisas possíveis em alemão em uma linguagem mais acessível, esbarrei esses dias com a autobiografia do Sidney Sheldon (Mein Leben zwischen den Zeilen).

Para quem não está ligando o nome à pessoa, Sheldon foi o criador das séries televisivas “Jeannie é um gênio” e “Casal 20“, além de uma dúzia de best-sellers com mulheres corajosas como protagonistas.

A história começa com as dificuldades da infância e adolescência; Sidney nasceu entre as guerras e era adolescente quando os EUA, sua terra natal, sofreu a pior depressão de sua história: a queda da bolsa em 1929. Muita gente se suicidou e o país mergulhou no desespero; as perspectivas só melhoraram depois da segunda guerra. Nesse tempo, tanto o pai, como a mãe, quanto ele, mantinham cerca de 3 empregos cada um e mal conseguiam comprar comida. Como tinha que trabalhar nos 3 turnos (inclusive nos finais de semana), o moço não pode fazer faculdade, mesmo tendo conseguido uma bolsa de estudos.

Diagnosticado muitos anos depois como bipolar, ele pensou em tentar suicídio aos 16 anos. Foi salvo por seu pai, um vendedor daqueles boa gente, mas sempre metido nos mais diversos rolos, que propôs saírem para dar uma volta no parque antes do tal ato (ele foi pego no flagra abrindo uma caixa de comprimidos). Para convencê-lo a desistir, o pai usou um argumento ótimo. É que o grande sonho de Sidney era ser escritor (o rapaz adorava ler). Aí o pai lhe disse que cada dia é uma página na nossa biografia e ninguém sabe o que está escrito antes de lê-la. Ao cometer suicídio, ele estava fechando o livro sem tê-lo lido todo. Ainda haveria muitas reviravoltas, aventuras, amores, tristezas, desafios, experiências diversas que o moço morreria sem saber se resolvesse encerrar a leitura naquele momento. Esse argumento é mesmo matador para quem ama ler; o rapaz pensou melhor e resolveu esperar para ver como sua história iria se desenrolar. Fez bem.

Sidney era um empreendedor nato, além de grande sonhador. Ele queria muito ficar famoso no mundo inteiro (conforme uma cartomante disse para sua mãe) e trabalhar em Hollywood. Assumiu compromissos no limite de suas capacidades, arriscou, foi atrás e conseguiu o que queria.

No livro, o escritor parece bem deslumbrado com as figuras famosas do cinema com quem teve a oportunidade de trabalhar; parece nunca acreditar que conseguiu “chegar lá”. Ele ganhou um Oscar como roteirista de cinema e foi indicado outras vezes, além de ter ganho prêmios diversos na televisão e no teatro, antes de descobrir a liberdade e o prazer de escrever romances (e não se preocupar com cenários, atores, diretores e limitações de produção).

Uma coisa que me chamou muito atenção foi que roteiristas e autores quase sempre trabalhavam em dupla (ou mais). Nunca escrevi nada de ficção, mas gostaria de ter a experiência de trabalhar em equipe num texto. Deve ser um exercício de criatividade bacana.

Comecei a ler Sidney Sheldon quando estava começando a ler em inglês; seus textos são ótimos para isso, pois a redação é clara, as frases são curtas e há muitos diálogos. Puro entretenimento, sem nenhum compromisso com a verdade ou com alguma lição no final. É como assistir um filme de James Bond; desligue o sensor de realidade, relaxe e divirta-se. As heroínas quase sempre são mulheres fortes, inteligentes e corajosas que sofreram algum tipo de injustiça e resolvem dar a volta por cima em grande estilo. As aventuras e reviravoltas cheias de criatividade e surpresas acontecem em vários lugares do mundo (que ele visitou para adequar melhor os cenários).

Recomendo bastante.

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16 mar 14

Nos anos 40 do século passado, época de ouro do jazz, os músicos se reuniam depois da meia-noite (ou seja, depois do fim das apresentações) para tocarem juntos sem pauta definida em algum bar. Essa grande brincadeira musical baseada no improviso e no talento de cada participante fez com que o termo JAM (Jazz After Midnight) migrasse para outras áreas. Jam também significa geléia em inglês; então, quando a gente reúne pessoas com talentos diferentes para fazer algo de improviso, está também, de certa maneira, fazendo uma jam session (e nem precisa mais ser depois da meia-noite).

Final de semana passado participei de uma Jam Service Design em Berlim. O evento faz parte do Global Service Jam que acontece na mesma data em mais de 100 cidades espalhadas pelo mundo e com o mesmo desafio.

A ideia é a seguinte: reunir em um final de semana um grupo heterogêneo de pessoas (que nem é tão heterogêneo assim, já que quem se inscreve geralmente está interessado no tema e já sabe algo a respeito) se reúne para desenvolver um serviço baseado num briefing bem abstrato (já expliquei aqui que nesses workshops a ideia não é resolver um problema específico). Nosso briefing se resumia na planificação de um cubo (sim, apenas o desenho de um cubo aberto) e precisávamos desdobrar esse conceito para criar um novo serviço.

Para tanto, utilizou-se as técnicas do design thinking; não houve nenhum tipo de introdução teórica ou contextualização para não-iniciados, por isso recomendo informar-se antes de participar para não ficar boiando. E não dá para ficar muito preocupado com a utilidade e viabilidade do resultado dos trabalhos; como o pessoal da organização mesmo diz, uma jam session é para criar inovadores, não inovações.

Do ponto de vista do método, não havia nada de novo (depois de vários livros e cursos é um pouco mais do mesmo); mas a experiência em si foi inesquecível. O tempo é curtíssimo para fazer as tarefas e trabalhar em equipe com gente que você nunca viu antes e com backgrounds diversos. No meu grupo havia duas austríacas, uma egípcia, duas italianas, uma eslovena e dois alemães. Tivemos que sair na rua para entrevistar pessoas em busca de inspiração, negociar ideias, testar protótipos, tudo isso enquanto a gente se conhecia no meio da maratona.

Para mim pesou um pouco a dificuldade com as línguas; o idioma oficial do evento era o inglês (que entendo perfeitamente, mas tenho dificuldade em falar porque ainda misturo muito com o alemão), mas penso que mais da metade dos participantes também falava alemão (que consigo me virar, mas não a ponto de defender com segurança ideias absolutamente abstratas e subjetivas; eu sempre tinha que pensar bem em como apresentar minhas sugestões usando as palavras certas, o que tirou um pouco da espontaneidade). Enfim, minha participação ficou aquém do que poderia render se tivesse fluência absoluta em pelo menos um dos dois idiomas (nos workshops que participei em português deu para contribuir muito mais). Mas faz parte, daqui a alguns anos vou estar melhor (e com menos dor de cabeça depois de uma gincana de esforço mental…rsrsr).

A organização, totalmente realizada por voluntários, foi de tirar o chapéu. A gente ocupou as instalações maravilhindas de uma empresa de design service (Service Innovation Labs) que, para mim, foi a maior demonstração de desapego da face da terra (jamais emprestaria um espaço com cadeiras Charles Eames e Hermann Miller para 40 pessoas que não conheço fazerem aquela bagunça…rsrsrsr). Teve pizza, jantar à luz de velas, cartunistas registrando o evento em tempo real, café da manhã coletivo, apresentação de cases interessantíssimos, enfim, tudo de mais bacana possível. Além da oportunidade de conhecer gente linda, elegante e sincera de vários pontos do globo.

Uma experiência que recomendo demais (algumas cidades do Brasil também participam). Se você tiver a chance, não a perca!

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Algumas ideias classificadas por tema.

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Essa para mim foi a ideia mais genial de todas: em vez do absurdo de copos de papel e garrafas PET que se consome num evento, aqui era tudo de vidro. Cada pessoa escreve seu nome em fita crepe e cola no copo que irá usar durante todo o evento. Assim a gente nunca esquece o nome de quem está com o copo na mão :)

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Pessoal pensativo em uma das apresentações (nota: observe que em Berlin não acontece nenhum evento sem flores, é quase tão importante quanto água).

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Quero mapas assim na minha casa!

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Povo estiloso que a gente entrevistou na rua.

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4 mar 14

Foto: Ligia Fascioni

Estou lendo “Wir Farben wirken: Farbpsychologie, Farbsymbolik und Kreative Farbgestaltung“, de Eva Heller, uma alemã de Hamburgo formada em sociologia e psicologia. O livro é resultado de uma pesquisa que ela fez com homens e mulheres tentando associar cores a 200 tipos de sentimentos diferentes. As perguntas eram no formato “De que cor é o amor?” ou “De que cor é o ódio?”, sendo que a entrevista iniciava perguntando qual era a cor predileta da pessoa.

Na introdução, ela analisa os vários impactos que as cores podem causar: psicológico, simbólico, cultural, político, tradicional e criativo.

Do ponto de vista psicológico, por exemplo, há várias associações diferentes que se pode inferir. Um morango verde ao lado de um vermelho é interpretado com imaturo, ainda não pronto, normalmente uma característica negativa. Mas um sinal verde no trânsito tem sempre uma conotação positiva. O verde também pode lembrar natureza, frescor. Ela reforça o que já sabemos: o contexto é muito importante na interpretação psicológica das cores.

Do ponto de vista simbólico, as cores são interpretadas conforme a experiência de um grupo social. Por exemplo, por que a cor verde é associada com esperança? Porque lembra os brotos da primavera, que trazem a expectativa da colheita. Já a inveja é representada por uma combinação de verde e amarelo (oi? Brasil?) porque a experiência mostra (?) que pessoas muito nervosas acabam sofrendo de icterícia (não consegui traduzir a Gallenkrank, mas penso que seja isso) e ficam com a pele amarelo-esverdeada.

Do ponto de vista cultural, as variações são enormes. Por exemplo, o verde é a cor sagrada do Islã e os reis sagrados egípcios aparecem nas reproduções com a pele verde. Na Inglaterra, o azul é a cor da melancolia; na Alemanha, quando uma pessoa está bêbada, ela está blau (ou azul). No ocidente, o luto é representado pela cor negra; no oriente, pela cor branca. Tudo tem a ver com a história e as convenções de cada lugar.

Do ponto de vista político, as cores têm a ver com as bandeiras e as armas de cada país, dinastia e história. Vermelho é a cor da revolução e está presente na bandeira de todos os países socialistas. Verde, a cor sagrada do Islã, aparece nas bandeiras de todos os países com essa crença. As listras da bandeira da Irlanda representam o catolicismo (azul) e o protestantismo (laranja), sendo que o branco separa as duas.

Do ponto de vista da tradição, às vezes acontecem contradições (mas a explicação sempre existe). Por que o verde, cor das hortaliças e verduras, é associada ao veneno? Porque essa também é a cor do arsênico. As cores das roupas ao longo da história nunca foram pautadas pelo gosto pessoal, mas pelo preço. Alguns pigmentos eram tão caros que apenas as classes mais abastadas tinham acesso; já cores fáceis e baratas nunca eram usadas por nobres.

Do ponto de vista da criatividade, as cores que os pintores escolhiam tinham muito a ver com a época e com o efeito que queriam que suas obras. E ainda há a expertise profissional, pois o conhecimento profundo de cores e nuances não está limitado a artistas e designers, que ficariam surpresos ao conhecer todo o espectro de brancos que um dentista consegue identificar, assim como um produtor ou vendedor de papel para impressão. Joalheiros notam diferenças quase imperceptíveis nos tons de verde de uma esmeralda; desse conhecimento e acuracidade vai depender a avaliação de preço da joia.

Pois é, com toda essa relatividade que existe na interpretação das cores e sua forte dependência do contexto, fiquei surpresa quando a autora simplesmente descreve seu grupo de amostragem para pesquisa como sendo formado por 1888 homens e mulheres entre 14 e 83 anos. E só.

Não diz qual é o percentual de homens/mulheres ou média de idade, não informa a classe social, nacionalidade, nível econômico, grau de instrução, profissão, etnia, se são religiosos ou não, enfim, existe uma infinidade de fatores altamente impactantes no resultado da pesquisa que foram simplesmente ignorados, uma vez que os resultados valem apenas para esse grupo específico, que, infelizmente, desconhecemos os detalhes.

Apesar dessa falha grave, o livro vale muito a pena e recomendo a leitura. Ignorando as interpretações psicológicas (as pessoas adoram receitinhas de que branco é paz, amarelo é alegria, amor é paixão, mas isso não é universal, como acabamos de ver), as explicações sobre a história de cada cor e seu processo produtivo são sensacionais e muito curiosas.

Ela detalha as 13 cores usadas na pesquisa falando sobre cada uma delas: azul, vermelho, verde, preto, rosa, amarelo, branco, violeta, dourado, marrom, cinza, prata e laranja.

Como sou boazinha (e, principalmente, preciso muito estudar alemão…rsrs), vou fazer uma série de posts falando sobre cada uma delas.

A primeira é sobre o azul, aguardem!

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24 fev 14

Uma das coisas que acho mais bacanas em Berlim é o capricho que os comerciantes têm com seus negócios. Nos bares e restaurantes há sempre flores frescas (elas também custam caro por aqui) e o cuidado em cada detalhe vai da louça às cores dos guardanapos.

Mas o inusitado é com as lojas que não servem comida (boutiques, lojas diversas e agências de viagem, por exemplo). Os empreendedores entendem que a calçada faz parte da loja, é a sala de visitas. E a decoração é mesmo de sala de vista, com sofás, almofadas, vasos de flores e tudo o que possa seduzir o passante.

Design de experiências. Eles sabem bem o que é isso…

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19 fev 14

Peças da minha coleção especial de fachadas inspiradoras para mostrar que ninguém precisa se conformar com o feio e o chato; a arte e as cores estão aí para nos salvar do tédio e fazer o mundo ficar um lugar mais divertido e interessante para se viver.

Mostre para o síndico do seu prédio, por favor. Leve as imagens para a reunião de condomínio.

Se não der para mudar o mundo, mude pelo menos a cara do lugar onde você mora; eu diria que é um bom começo… Vamos?

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18 fev 14

Não é por nada não, mas deve ser muito legal ser uma criança alemã. Além de poder brincar na rua sem nenhum perigo (há muitas praças, os carros andam bem devagar e assaltos praticamente inexistem), ainda tem um monte de museu bacana para visitar, inclusive com atividades especiais para os pequenos.

A gente não é criança, mas não resistiu e foi visitar o Deutsches Technikmuseum. O lugar é enorme e não conseguimos ver tudo; teremos que voltar outro dia, olha que sacrifício… dois engenheiros visitando um museu de tecnologia é praticamente como ir a um parque de diversões :)

Minha primeira surpresa foi na parte dos computadores. Sim, é claro que eu sabia que foi o matemático e filósofo alemão Leibniz quem inventou o sistema binário, lá pelos idos de 1705, e que em 1833 o inglês Charles Babbage foi o primeiro a construir um computador (ele abandonou o projeto depois de 30 anos, pois não havia tecnologia na época que compensasse as imprecisões da máquina). Sem falar da minha musa Ada Lovelace, que não foi apenas a primeira mulher a programar um computador; ela foi a primeira PESSOA a fazer isso.

Mas o que eu não sabia é que o Z3, o primeiro computador completamente operacional e projetado para fins comerciais, foi construído pelo berlinense Konrad Zuse, em 1941. Ele e o seu antecessor Z1, de 1936, estão lá no museu para a gente ver!

Além dos computadores, a outra parte que me fascinou foi a dos aviões (nossa, meu pai iria desfalecer se viesse conosco fazer a visita!). Tem um monte de aeronaves de verdade lá dentro e até uma cabine inteira original com os assentos dos pilotos e o do mecânico de bordo, atrás deles. Essa peça me chamou atenção porque meu pai foi mecânico de bordo por muitos anos justamente nesse modelo de avião (o Super Constellation), olha que bacana.

O museu é enorme e mostra todos os meios de transporte (aviões, sondas espaciais, navios e barcos, trens, automóveis e ônibus, etc), avanços da química, fotografia, filme, notícias, cervejarias, produção industrial, papel, automação, computação, geração de energia, técnicas de impressão e tecelagem.

Além disso, ainda tem outros prédios que fazem parte do grupo como o museu do futuro, museu do açúcar, um observatório astronômico, um museu de lunetas e ainda um centro de ciências só com experimentos interativos (para estudantes). A gente nem conseguiu visitar todo o prédio principal, imagina só a maratona.

Tem diversão garantida para uns bons “par de anos”… :)

Seguem algumas fotos que, já vou adiantando, não dão muita ideia do tamanho e variedade do lugar.

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Era nessa cadeirinha aí atrás dos pilotos que meu pai trabalhava como mecânico de voo. Agora imagina a segurança de um avião que precisa levar o mecânico junto. Corajoso demais o meu pai!

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Tem um avião pendurado no alto do prédio do museu. Dá umas fotos legais, né?

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Máquinas de voar (tem um montão de modelos, mas nada sobre Santos Dumont).

Máquinas de voar (tem um montão de modelos, mas nada sobre Santos Dumont).

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Destroços de um avião destruído na segunda guerra. É muito impressionante ver de perto.

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Z3, um dos primeiros computadores da história!

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Esse é o Z1, o primeiro computador construído pelo berlinense Konrad Zuse.

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As vitrines para mostrar as miniaturas de barcos e navios antigos são maravilhosas!

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A parte dos trens e locomotivas também é bem impressionante.

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16 fev 14

coolhunterJá faz alguns anos assisti a uma palestra do queridíssimo Antonio Jorge Petruzzia, um designer de quem sou fã, onde ele dava a dica do livro “Tão ontem“, de Scott Westerfeld.

Fiquei com aquilo na cabeça, mas minha lista era tão enorme que acabei deixando passar o tempo. Pois essa semana estava xeretando uma livraria (aqui em Berlim é o paraíso; os lançamentos podem custar até € 30, mas está lotado de lojas vendendo livros ótimos por € 1,00!) e achei “Cool Hunter“.

Olhando a ficha técnica, vi que o original em inglês era “So Yesterday“, ou seja…  os alemães também costumam mudar os títulos quando eles acham melhor (e até que nesse caso nem ficou ruim).

Bom, por apenas uma moedinha levei o tal tijolo para casa. A história fala de um adolescente nova-iorquino que trabalha como cool hunter para uma empresa de consultoria. Em suas pesquisas, ele encontra na rua uma moça da mesma idade que inova na maneira de amarrar os tênis e então começa uma série de aventuras da dupla; olha, daria um belíssimo filme de Sessão da Tarde. Mas o interessante da história (que é justamente o ponto em que o Jorge chamou atenção) é a maneira como é descrito o processo de lançamento de um novo produto, principalmente no mercado da moda.

É basicamente uma pirâmide, onde no topo estão os inovadores, ou seja, as pessoas que têm ideias originais (tipo um jeito diferente de amarrar um tênis). Aí aparecem, logo abaixo, os trendsetters, que acham isso bacana e adotam imediatamente; os trendsetters são formadores de opinião, pessoas em evidência (pelo menos no mundinho da moda). Em seguida, entram os early-adopters (Frühen Übernehmen, em alemão), que são as primeiras pessoas comuns a usarem o tal negócio. Daí pra frente tem o resto; os conservadores, que usam depois que todo mundo já usou ou então aqueles que nem chegam a usar (os estagnados, ou Stehengebliebenen).

Pois os cool hunters cortam o caminho, descobrindo as inovações e levando-as direto ao mercado de massa por meio dessas consultorias para empresas. Por causa disso, há conflitos de interesses e grupos discordantes, o que traz aventuras e mistério à história (que, talvez por causa do idioma, achei um pouco confusa).

Penso que o livro é bem interessante (talvez porque um dos meus planos é fazer o curso de Cool Hunting com a Fah Maioli em Milão, nesse ano ou no outro), então fica a dica para quem curte o assunto (na verdade, acredito que todos os designers seriam beneficiados em lê-lo).

Já tinha pesquisado um pouco sobre o assunto para uma disciplina que ministrei uma vez para o curso de graduação em design. Quem tiver interesse em saber mais, é só clicar aqui para ler o outro post a respeito de tendências.

Mas pesquisando um pouco sobre as outras obras do autor, fiquei interessada mesmo é na série de ficção científica Uglies. Vou procurar os livros e aí conto mais.

Por ora, essa é a dica. Ok, com anos de atraso, mas ainda está valendo, né, Jorge?

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12 fev 14

Pense numa porta. Pensou?

Pois é, a gente não consegue imaginar uma porta que não seja um retângulo com dobradiças em uma das laterais. Ok, existem também os modelos pivotantes, que têm um ponto de apoio em cima (adoro), as deslizantes (de correr) e as dobráveis, tipo sanfona. Mas basicamente todas as portas são variantes desses quatro tipos.

Pois Klemens Torggler conseguiu abrir literalmente as portas do seu cérebro e imaginar um modelo diferente de tudo o que você já viu.

Pegue o babador e encante-se.


Não é de cair o queixo?

Achei no sempre ótimo LikeCool.

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11 fev 14

Essas vitrines de calçada em frente à loja da Apple em Berlin ficaram tão lindas que fui obrigada a fazer gifs animados. Coloque sua música de preferência e veja se não dá vontade de sair dançando.

Vitrines na pausa entre sequências.

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Agora olha só que bacana!

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7 fev 14

Quando comecei a fotografar os tipos que são colocados nas portas das lojas para atrair (?) clientes, fiz um post (isso foi há mais de um ano, clique aqui para ver).

Pois não é que de lá para cá minha coleção cresceu mais um pouco?

Deliciemo-nos, então!

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Qual dos dois é mais assustador? Não consegui decidir…

Além de aparentemente ter sido vítima de um atropelamento recente que resultou em escoriações e manchas roxas no braço direito, a modelo ainda está com o curativo na mão esquerda…

Cabeça de arara e revolucionária encalorada. O que será que colocam na água desses lojistas? Também quero….rsrsrs

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Achei elegantíssima essa recepcionista; mesmo sem braços e pernas, a moça continua fashion!

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3 fev 14

Fachada da loja Apple em Berlin.

Fachada da loja Apple em Berlin (Foto: Apple)

A despeito dos hipsters, uso produtos da Apple muito antes de virarem moda; lembro que o primeiro computador da marca que usei ainda se chamava Macintosh e era todo quadradinho, lá nos idos dos anos 90 do século passado. Já passei por vários sistemas operacionais (Unix, Linux, DOS, Windows e alguns específicos de microprocessadores) e para mim ainda não há nada que bata o iOS em termos de segurança, usabilidade e confiabilidade.

Concordo que é exagero e até um certo fanatismo ficar na porta da loja fazendo fila cada vez que a empresa lança um produto novo (geralmente espero o lançamento do seguinte para comprar o anterior com um preço melhor e bugs corrigidos), mas não posso negar que sou uma admiradora de longuíssima data.

Era fã apenas dos produtos, pois, além do site (um clássico, na minha opinião), nunca havia tido contato com lojas físicas. Pois bem, agora tenho a sorte de morar a apenas algumas quadras da Apple Store de Berlin. Ainda não comprei nenhum produto lá (meu telefone, de 2 anos, ainda está ok, e os computadores precisam ser encomendados pelo site, já que os da loja têm teclado alemão), mas frequento o lugar toda semana. É que esse povo realmente sabe como fazer marketing de varejo; cada vez que vou é uma lição a ser aprendida.

Além do atendimento espetacular (o time é enorme, para cada lado que você se vira tem um vendedor que parece muito feliz em lhe ajudar), há também as atividades paralelas: cursos, palestras, consultorias, workshops e até shows.

A loja, inaugurada no final do ano passado, está instalada ao lado de um antigo cinema. Eles restauraram todo o prédio e usam o cinema e as instalações anexas para oferecer cursos gratuitos dos aplicativos, sistema operacional e como tirar o melhor proveito de cada um dos equipamentos. Você quer comprar um iPad e não sabe qual? Eles explicam as diferenças técnicas entre os modelos e indicam o melhor para a sua necessidade de cada pessoa (não recomendam sempre o mais caro; são inteligentes e querem fidelidade). Olha, até penso que se houvesse um suporte assim no Brasil, ia ouvir menos pessoas reclamando que perderam todos os contatos quando o telefone foi roubado ou perdido (maior absurdo do mundo, coisa típica de quem não está usando corretamente o equipamento).

A maioria dos cursos de produtos específicos (softwares e aplicativos) são em alemão, mas quando o workshop é com um convidado (que geralmente não fala alemão), aí é em inglês mesmo. Por exemplo, já assisti uma palestra com o ilustrador espanhol Rafa Alvarez e achei que ia ser pura propaganda do iPad, que ele usa para desenhar. Que nada, o moço contou um caso em que realizou um trabalho numa viagem de avião, elogiou o equipamento e mais nada. O resto foi o portfólio dele mesmo e a promoção do próprio trabalho (nada mais justo, acho que ele não ganha nada para fazer a palestra, é só uma oportunidade de divulgação; todo mundo sai ganhando). Também assisti a uma apresentação do aplicativo para se ouvir concertos da Filarmônica de Berlin (eles chamam de Digital Concert Hall), cujo projeto foi de um músico da própria orquestra. A equipe explicou como o trabalho foi desenvolvido e ainda deu uma palhinha no final. Às vezes a palestra não tem nada a ver com a Apple nem com a loja, mas traz um assunto que pode ser de interesse dos clientes, como inovação, arte, música, design, etc.

E não é só isso: músicos em geral podem fazer pocket shows para promover seus trabalhos no auditório belíssimo (o tal ex-cinema).  Eles também podem vender CDs, claro, mas geralmente têm músicas disponíveis na loja iTunes. Para quem está cadastrado na Apple, resida ou não em Berlin, é tudo de graça (ficou claro por que não saio de lá?).

Será que os comerciantes brasileiros não poderiam aproveitar essa ideia como modo de fidelizar seus clientes e fortalecer a marca? Ações onde todos os envolvidos são beneficiados e a marca mais ainda?

Penso que shoppings poderiam usar as salas de cinema no período da manhã em parceria com as lojas; os bancos sempre têm salas de reunião onde poderiam oferecer cursos de interesse de seus clientes;  floriculturas poderiam usar seu espaço para ensinar como se planta; cafeterias poderiam oferecer palestras sobre barismo; boutiques poderiam falar sobre moda; restaurantes poderiam promover cursos de gastronomia; academias poderiam organizar eventos informativos sobre práticas esportivas e nutrição; enfim, as possibilidades são infinitas! No Brasil, sei apenas do O Boticário e Contem 1g que dão cursos de maquiagem e mais nada.

As lojas de eletrodomésticos, por exemplo, poderiam oferecer uma palestra para quem está interessado em comprar geladeiras (ou TVs, equipamentos de som, etc). Eles poderiam mostrar as diferenças entre os vários modelos e as adequações a cada caso; economizaria um tempão do cliente e a loja ganharia pontos por tomar a iniciativa de facilitar o processo decisório, que, em alguns casos, é bem complexo. Sem falar que haveria mais gente circulando pelo estabelecimento (apesar de ter uma entrada independente, o participante sempre tem que passar por dentro da loja para fazer um curso na Apple).

Em março vou fazer um curso específico de primeiros socorros para gatos domésticos oferecido pela clínica onde nossas princesas são atendidas. Além de praticar o alemão, posso aumentar a rede de contatos com pessoas que compartilham interesses semelhantes e ainda tenho certeza que vou aprender um monte de coisas úteis; tudo isso por apenas € 10. Olhaí uma oportunidade para o mar de pet shops que estão competindo por preço e reclamando da vida.

Tem tanto espaço ocioso e tanta oportunidade de fazer diferença com ideias tão simples! Fica a dica…

Auditório para palestras e shows.

Auditório para palestras e shows da loja Apple em Berlin (Foto: Apple)

Interior da loja.

Interior da loja (Foto: Apple)

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3 fev 14

No outono andei me deslumbrando muito com as trepadeiras em cores vibrantes (algumas até escandalosas, veja aqui). Lindas demais da conta! Com o tempo, as folhas foram secando e caindo, de maneira que fiquei curiosa para ver como as paredes ficavam sem aquelas obras de arte vivas. Pois olha, sabe o que acontece quando as folhas todas caem? Tudo continua espetacular, só que de um jeito diferente.

Parece que as paredes ficam todas bordadas; fica tão delicado que é impossível não se encantar com essa decoração mutante que nunca envelhece.

Sinta com seus próprios olhos…

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30 jan 14

Berlin, como não amar você?

Berlin, como não amar você?

Biblioteca é um lugar onde você vai para pegar livros emprestados, confere? Algumas emprestam também CDs e DVDs. E por que não emprestar obras de arte também?

Pois acabei de ficar sabendo que isso existe aqui na Alemanha (não consegui descobrir se há em outros lugares do mundo), mas a ideia é tão sensacional que me fez pensar por que eu nunca soube disso antes. E a ideia é tão óbvia: é claro que objetos de arte também merecem ser compartilhados da mesma maneira que livros.

Algumas artotecas (Artothek, em alemão) funcionam dentro de bibliotecas; outras, em galerias de arte, escolas, museus e associações. Há algumas, inclusive, baseadas em coleções particulares, olha só que bacana. Em comum, todas têm um acervo de obras de arte (pinturas, gravuras, objetos, fotografias, esculturas) disponíveis para empréstimo. Você faz a carteirinha e pode levar para casa, de graça, por três meses (o prazo pode ser renovado), um total de 10 gravuras, 10 quadros a óleo, 5 objetos e 5 fotografias de uma vez só!

Só na cidade de Berlin são sete artotecas com acervos bem bacanas. Na Alemanha inteira são 130 desses lugares mágicos concebidos para democratizar a arte e fazer mais pares de olhos felizes.

Quando vi o negócio, logo pensei: isso deve ser coisa de algum workshop de inovação, resultado de um brainstorming de gente criativa e ligada às necessidades do mundo contemporâneo. Quer saber? Nada disso. A prática de emprestar obras de arte como se fossem livros já existe há mais de 200 anos na Alemanha!

E eu aqui achando isso tão revolucionário; como sou bobinha….

NOTA: Só fiquei sabendo dessa maravilha graças à Marcela Faé, fotógrafa brasileira das boas que mora aqui e está sempre por dentro das coisas mais descoladas. Valeu, Marcela!

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26 jan 14

Visitar as ruínas de Pompeia foi uma das experiências mais bacanas que tive o privilégio de viver, como já contei aqui. E não estava preparada para a profusão de cores nas paredes e nos pisos. Pensa que isso tem mais de 2000 anos! Como é que pode?

Prepare seus olhos e derreta-se como a lava fez ao passar por essas belezas…

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