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Selinhos solidários

É de pessoas generosas como o Gustavo Couto que o mundo precisa: além de excelente profissional e referência em design thinking aplicado à educação, o moço fica compartilhando comigo inbox as coisas bacanas que descobre.

Graças a ele, fiquei sabendo do projeto Pumpipumpe que quer diminuir o consumo desnecessário no mundo. Para isso, olha só a ideia simples e genial que eles tiveram: criaram selinhos que você pode colar na sua caixa de correio com os itens que você poderia emprestar para os seus vizinhos. Quando eles estiverem precisando, já sabem para quem pedir.

Além de tornar o mundo melhor, a gente ainda faz uma social com os moradores do prédio. O primeiro contato já é solidário, quer coisa melhor?

O projeto foi criado na Suíça (o site tem versões em alemão, francês e italiano) e você escreve e pede os selos correspondentes às coisas que tem para emprestar; eles também pedem sugestões de coisas que ninguém se lembrou ainda, mas que também podem ser úteis para alguém. A ideia é sempre produzir novos selos (ainda não tem xícara de açúcar…rsrsr).

Como tem um monte de gente trabalhando voluntariamente e há custos, você pode contribuir se e com quanto quiser. Eles também fornecem cartões postais lindos com os mesmos desenhos dos selos.

Eu já colei meus selos na caixa de correio e agora é só esperar algum vizinho tocar a campainha… :)

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No meu caso, posso emprestar ferramentas, livros, uma panela wok e uma balança de cozinha (ainda não desapeguei da bicicleta…rsrsr). No último selo aparece a mensagem “Alls das kannst du bei mir ausleihen” que, em uma tradução pra lá de livre quer dizer “todas essas coisas você pode me pedir emprestado“. Embaixo tem o site do projeto, caso o vizinho também queira participar.

Penso que eles ficariam contentes se alguém no Brasil quisesse expandir o projeto para baixo do Equador; é só entrar em contato pelo site.

PS: Já sei que vai ter gente curiosa perguntando o que está escrito no adesivo de cima. É um pedido para não colocarem folhetos, revistas e periódicos de propaganda, ou seja, spam de papel. Se não colocar isso, a caixa fica abarrotada. Outra curiosidade é que os apartamentos não têm números, então o correio distribui a correspondência pelo sobrenome que está marcado na caixa.

Para arranhar com classe

Quem tem gato sabe: se você não tiver um lugar muito bacana para os bichanos arranharem, seus sofás, poltronas e demais estofados sofrerão as consequências como um cão.

O problema é que os arranhadores disponíveis no mercado são tão horríveis que meus gatos, sempre pródigos em bom gosto e finesse, nunca deram bola para essas coisas feias cheias de cordas enroladas.

Eis que descobrimos aqui em Berlin um fabricante que faz móveis tão maravilhosos que podem tranquilamente compor a decoração da casa sem fazer ninguém passar vergonha.

Nossas gatas adoraram tanto que estamos até pensando em comprar outra peça. Os arranhadores são construídos artesanalmente em papelão ondulado e totalmente reciclado. Tem vários modelos, tamanhos e acabamentos diferentes, mas a estrutura é sempre de papelão.

Nessa primeira foto a Charlotte aparece posando como verdadeira princesa que é no seu divã exclusivo; as fotos seguintes foram retiradas da loja virtual do fabricante: cat-on.

Se o negócio não fosse tão pesado e trambolhudo, levaria um para o Otávio e o Horácio se divertirem, mas não tem como…

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Charlotte em seu divã, toda deusa <3

 

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Foto do site cat-on.com

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Foto do site cat-on.com

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Foto do site cat-on.com

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Foto do site cat-on.com

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Abençoado

Olha que ideia mais bacana e original é a fachada desse prédio, no bairro de Wedding; ele é todo decorado com anjos renascentistas de bronze (ou pintados para parecer que o são, pois não dá para ter certeza do material). É pena que não tenho asinhas como eles para voar e vê-los de pertinho.

Mas o efeito é sensacional; além de charmoso, o prédio fica super abençoado, né?

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Cara e coração

Tem umas lojinhas que têm uma fachada tão, mas tão caprichada, que é impossível não pensar no tanto de amor que tem lá dentro.  Na maioria são instalações simples, com zero de luxo, mas muito criativas e acolhedoras.

Veja uma amostra (a cidade está cheia delas) e veja se não dá vontade de entrar…

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Chefe ou líder?

 

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De vez em quando vejo pessoas falando sobre liderança e tratam o termo chefe como sinônimo de líder. Pois é, então fica a pergunta: um líder é um chefe? Precisa ser chefe para ser líder?

Outra questão que aparece bastante nos treinamentos para empresas: para que vou dar um curso de desenvolvimento de liderança para pessoas que não têm subordinados?

Bem, vamos analisar primeiro o conceito de chefe. O dicionário Aulete diz que é a pessoa que exerce a autoridade principal, de comando, que tem poder de decisão, que dirige.

Já sobre líder, gosto da definição de Peter Drucker: “Líder é alguém que possui seguidores”. A de Wishard também é clara: “A essência da liderança é a visão”. Só para acabar, o resumão de Lin Bothwell consegue sintetizar de maneira brilhante: “A moral da história é clara: para ser líder é necessário saber para onde se vai”.

Não sei se vocês repararam, mas as definições de chefe e líder não têm nada a ver uma com a outra. Uma define posição, autoridade. Outra trata principalmente de inspiração.

Mas vamos desdobrar essas ideias direitinho para ver por que a confusão acontece.

Durcker diz que líder é aquele que tem seguidores (observe: seguidores, não fãs!).

O líder é um sujeito que consegue enxergar para o futuro e ver um cenário que deseja que se torne real. Como o líder quer muito que essa visão se materialize, pensa num jeito de fazê-la acontecer; estuda caminhos e descobre um jeito. Quanto mais ambicioso é o cenário, mais o líder entende que não consegue construi-lo sozinho — precisa de ajuda de outras pessoas, outros profissionais, outras competências. Precisa de mais gente que também tenha a mesma visão e que queira ir junto com ele no caminho para chegar lá.

Então, o que o líder faz? Apresenta esse cenário de maneira que consiga inspirar outras pessoas a segui-lo. Ele consegue comunicar a ideia de maneira que os seguidores consigam ver e entender o papel e a importância de cada um na construção do caminho.

E tem mais: dependendo da complexidade do cenário, o líder entende que o caminho é longo, penoso e que não consegue dar conta sozinho. Aí, não tem outro jeito: ele tem que preparar alguns seguidores para assumir a liderança em determinados trechos. Os envolvidos sabem que o foco é a visão, o cenário futuro, que não inclui o umbigo de ninguém; quem é o líder em qual parte do caminho é apenas um detalhe técnico.

Vamos a exemplos práticos: Martin Luther King inspirou milhões de pessoas na construção de um cenário que apresentava um mundo sem racismo. A visão era grande, complexa e de difícil realização, mas importantíssima. Ele conseguiu apresentar a ideia de maneira muito clara, e mais; conseguiu mostrar aos seguidores a importância de cada um nessa luta. O cenário em questão ainda está em obras, Martin já morreu, mas deixou muitos seguidores-líderes que se revezam na batalha. São pessoas de países, línguas e culturas diferentes, com atuações em diversos campos, com abordagens diferentes, mas que têm em comum a mesma visão.

Um exemplo mais do dia-a-dia, vejo defensores de animais abandonados. Tem muita gente trabalhando para construir um mundo sem bichos sofrendo maus tratos, atuando em diversas frentes. Há muitos seguidores e muitos líderes. Não há estrelas ou egos; há o futuro desejado, a visão.

O importante é que se saiba que o papel do líder é temporário e limitado, mas fundamental. E que a pessoa que está líder no momento é apenas um instrumento para fazer a visão se realizar.

E onde é que entra o chefe nessa história?

Bem, o chefe deveria ser a pessoa que foi escolhida pela empresa para tomar decisões justamente porque ele conhece e entende bem o cenário futuro, a visão da organização. Ele deveria ser uma pessoa que consegue traduzir bem esse quadro para sua equipe e inspirá-la a trabalhar juntos para construi-lo.

Nem sempre o chefe e a empresa possuem essa clareza de definições e acontece muito de pessoas assumirem o cargo sem estar preparadas, achando que precisam de fãs (ou então tementes). E, como disse antes, líder não precisa ter subordinados, mas seguidores. Pessoas que acreditam na ideia e sentem-se motivadas a participar.

A senhora que serve o café pode ser uma líder muito mais influente que o diretor da divisão, pois pode conseguir mudar o comportamento das pessoas se tiver grande poder de comunicação, mesmo não tendo nenhuma autoridade. Então, a questão de ter ou não subordinados, não é relevante nesse caso. O pessoal que faz trabalhos voluntários, às vezes sequer pode contar com uma pessoa ajudando no início do projeto — começa sozinho mesmo e vai arregimentado seguidores enquanto caminha.

Todos somos líderes e liderados em muitas e diversas causas, só depende da situação e do contexto. Mudamos de papel o tempo todo e, o mais importante para empresas, chefes, subordinados, líderes e seguidores entenderem é que as pessoas são movidas pela visão.

E é somente ela que importa, no final das contas.

Os primeiros passos

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Olha que fofura: o Conrado ouviu no rádio (por isso não tem o link da matéria) que hoje 3.000 crianças em Berlim estão indo à escola pela primeira vez (o ano letivo no hemisfério norte começa em setembro, depois das férias de verão).

Pois a polícia se mobilizou numa operação especial em todos os cantos da cidade para ensinar os pequenos a atravessar a rua e como se comportar no trânsito.

Muito amor, né? <3 <3 <3   

Por que Berlim é tão diferente do resto da Alemanha?

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Rola um ditado aqui no qual se diz que “Berlim não é Alemanha”. Não é mesmo. Em Berlim as coisas são bem diferentes do resto da pátria de Goethe.

Enquanto o país é conhecido pela disciplina, organização e respeito quase cego às regras estabelecidas, aqui o povo é mais relaxado. Diria que Berlim é tipo a Bahia da Alemanha: uma mistura de culturas de pessoas descontraídas que seguem uma filosofia voltada ao bem estar e à qualidade de vida. Acaba sendo um celeiro de artistas de todas as áreas e um caldeirão cultural que está sempre fervendo. O efeito colateral disso é que as coisas não funcionam tão perfeitamente como no resto do país e o atendimento ao cliente… bem, não vou comentar…rsrsr

Berlim também é conhecida por ser pobre (pelos padrões alemães, que fique claro), pois não tem grandes indústrias, ao contrário de Munique, que, continuando a analogia, seria como São Paulo (rica e culta também, mas de uma outra maneira). Tanto que o lema de Berlim é “Pobre, porém sexy” (como não amar?).

Bom, mas como é que a sede do governo prussiano, conhecido pelo militarismo e disciplina ficou assim? Por que Berlim é tão diferente da Alemanha?

Primeiro, vamos ao contexto histórico. Depois da segunda guerra mundial, a Alemanha perdeu e foi dividida entre os aliados. A Rússia ficou com quase metade (e fundou a União Soviética, que congregava a maior parte dos países do Leste Europeu) e a Inglaterra, França e EUA ficaram com o restante.

Berlim era uma cidade muito importante para pertencer somente a um aliado. Então, mesmo ficando bem no meio da antiga Alemanha Oriental (ou DDR— Deutsche Demokratische Republik), acabou dividida também; uma parte (quase metade) para a Rússia e a outra parte para os demais aliados.

Agora imagine a tensão do povo que vivia na cidade na época da divisão (a fuga do lado oriental para a parte ocidental da cidade era tão grande que tiveram que construir o famoso muro). A qualquer momento a coisa podia explodir; uma ilha capitalista no meio de um país comunista medindo poder o tempo todo. Teve um ano (entre 1948 e 1949) que os russos bloquearam todas as estradas que davam acesso ao lado ocidental, de maneira que absolutamente tudo tinha que chegar de avião: de comida a combustível; de remédios a material de construção. Eram quase 600 voos cargueiros por dia para abastecer a cidade! Olha aí embaixo como era o mapa naquela época.

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Claro fica que ninguém queria morar nessa arapuca, né? Então o governo ocidental teve que se virar para incentivar as pessoas a viver na cidade e fez mais ou menos como o governo brasileiro para povoar Brasília: aumentou salários para quem se mudasse para lá, deu incentivos e prêmios, algumas regalias, enfim. Mas o que fez definitivamente diferença foi a isenção do serviço militar.

Naquela época, todo cidadão alemão tinha que cumprir dois anos de serviço militar obrigatório*. Depois de perder duas guerras, muita gente não se animava com a perspectiva. E adivinhe qual perfil? Artistas, intelectuais, pensadores, atores, escritores, músicos, criativos, enfim, toda essa gente que é um pouco avessa ao conceito de guerra e, principalmente, obediência.

Então, a maior parte dos alemães que tinham um perfil, digamos assim, mais alternativo, mudou-se para a cidade para fugir do quartel. Faz sentido, né?

A parte histórica eu já conhecia, mas essa relação entre dispensa do serviço militar e o perfil pouco “alemão” (no sentido mais estereotipado) de Berlim foi me apresentada numa festa de verão que fui no sábado, na casa de amigos. A mulher, uma berlinense da gema, do alto dos seus sessenta e poucos anos, viu a transformação da cidade in loco e me contou a história.

Adorei. Você não?

—–

* Segundo a Rosana Conte, que mora há mais de uma década na cidade e é casada com um alemão da antiga DDR, o serviço militar aqui na Alemanha (Militärdienst ou Wehrdienst) deixou de ser obrigatório em meados de 2011, quando o Exército se tornou profissional (quem entra é para seguir carreira). A opção para quem não quer se tornar militar é prestar um serviço social chamado Zivildienst (cuidar de idosos, pessoas deficientes e por aí vai); esta alternativa de prestação de serviços à comunidade já existe desde 1961, e foi criada para os jovens que por motivos pessoais não queriam vínculos com o serviço militar (não pegar em armas e matar por motivos religiosos, por exemplo).

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Primavera o ano inteiro

Imagine que você está andando na rua, vê um desses condomínios enormes (3000 moradores) e começa a reparar que tem umas partes estampadinhas.  Aí chega mais perto e a surpresa aumenta: todos os prédios são cuidadosamente pintados com cenas realistas. São árvores, pássaros, folhas, pessoas… e até um urso.

O projeto é resultado do trabalho de 17 artistas que durou três anos inteiros para pintar os 22.000 m² da fachada do prédio construído em 1981/82.

As fotos não conseguem traduzir, mas garanto que de perto o efeito é bem impressionante. Sem falar que deve ter aumentado em muito a autoestima dos moradores, que viviam num pombal construído na época da DDR (Deutsche Demokratische Republik, a antiga Alemanha Oriental) sem graça nenhuma.

Se você se arrisca no Alemão, clique aqui e saiba tudo sobre o projeto, mas bom mesmo é ver as fotos. Vamos?

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Você não é tão generoso quanto pensa…

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De vez em quando faço um favor ou outro para alguém e invariavelmente acabo ouvindo um “fico te devendo essa” no final. É claro que é só uma forma de falar, mas tem quem leve isso a sério.

Desconfio que há pessoas que mantêm tabelas com registros dos favores que fizeram, dos que receberam, e ficam conferindo para ver se os valores batem. Ajudas maiores contam mais pontos? Como medir o tamanho da contribuição de cada parte? Esses cálculos complicados geram não apenas sentimentos de injustiça (ah, como esse povo é ingrato!) como posts constrangedores em redes sociais.

E mais; tenho certeza que há viventes nesse planeta que acreditam que o Criador do Universo gasta seu tempo atualizando e analisando planilhas de boas ações e cruzando dados sobre a quantidade/qualidade de favores que cada pessoa presta. Depois, baseado em pontos alcançados numa estranha competição religiosa, Ele calcula classificação de cada mortal quando o jogo termina. Aparentemente, a pontuação define quem vai para onde depois que morre (bônus: se rezar muito ou fizer promessa pode ganhar pontos suficientes para receber algum favor divino enquanto está vivo).

O duro é que quem faz mais favores (segundo seus próprios critérios, claro), fica se achando muito generoso e superior aos demais mortais, portanto merecedor indiscutível de benesses e privilégios.

Será?

Vamos ser sinceros. Mesmo que o objetivo não seja ganhar pontos na divina gincana ou sair bem na foto, fazemos favores aos outros segundo nossos próprios interesses. Sempre.

Se ajudo um amigo ou pessoa querida numa situação qualquer, é porque eu é que vou ganhar em vê-la bem e feliz. É do interesse do meu coração; serei diretamente beneficiada com um sorriso ou abraço se a coisa der certo.

Se estou ajudando um desconhecido, é porque de alguma maneira essa pessoa contribui para que o mundo se movimente do jeito que eu quero. Todos temos um ideal de como as coisas deveriam ser; quando a gente observa alguém fazendo um gesto na direção que desejamos (seja uma pesquisa, um trabalho, um projeto), nada mais óbvio do que dar um empurrãozinho, não é?

Então, se o sujeito me escreve para tirar uma dúvida pessoal ou profissional, e posso ajudá-lo, por que não? Essa ação contribui para que o mundo fique mais próximo do modelo que imagino, onde as pessoas são mais felizes e bem resolvidas. Se elogio alguém é porque é minha intenção que ela continue reproduzindo esse comportamento, que está alinhado com meu mundo ideal.

Então não é uma questão de generosidade; apenas uma ação natural e lógica. Se você quer mover uma coisa numa direção, não faz sentido ficar parado e não ajudar quando surge uma oportunidade.

É claro que nem sempre se consegue fazer todos as ações necessárias para que o mundo siga na direção que a gente quer, seja por falta de recursos, tempo ou desconhecimento mesmo. A gente elege prioridades, mas no final das contas, acaba fazendo tudo por interesse.

Sou grata às muitas pessoas que me ajudaram ao longo da vida, mas não me sinto em dívida. Penso que tudo faz parte de um enorme movimento para fazer a bola girar (para um lado ou para o outro; o lado que recebe mais impulso acaba ganhando).

Enfim, estou fazendo o favor de cutucar aí sua cabeça para você parar de pensar em dívidas, pontos e planilhas e começar a pensar e movimentos, intenções e resultados.

De nada :)

Sobre sombrinhas

Existe coisa mais charmosa, linda, alto-astral e elegante do que uma bela sombrinha colorida? Existe sim: essa sombrinha estar numa varanda coberta de flores.  E para minha sorte, essa é a paisagem mais comum no verão berlinense.

Em vez de fechar as sacadas com horrorosos vidros fumê, o povo daqui coloca essas lindas para fazer o prédio, a rua e a cidade ficarem mais bonitos.

Já pensou se a moda pega no Brasil, onde tem muito mais sol e cor para as pessoas aproveitarem?

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Duas portas

Eu tinha duas portas e muitas ideias.

Na Alemanha, dificilmente você vai entrar numa casa pela sala, como é no Brasil. Aqui sempre tem uma área que funciona como um hall de entrada para a pessoa deixar os sapatos e casacos. Geralmente essa área dá acesso a todos os cômodos da casa nos apartamentos pequenos (mais comuns) e tem muitas portas.

Pois entrando no meu apartamento, a pessoa dá de cara com duas portas; eu queria fazer alguma coisa com elas e esbocei uma dúzia de ideias. Então consultei o moço lindo que mora comigo, as duas gatas, e juntos chegamos a esse resultado; aí foi só desenhar e pintar.

A parte colorida é feita com tinta acrílica comum e o desenho é feito com canetinha (testei várias marcas e modelos, pois a ponta se estraga muito fácil, por isso é que tem tanta variação no preto).

Foi divertido fazer e gostei do resultado; e você?

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Veja o que dá incentivar criança a desenhar em paredes; os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, gêmeos idênticos, são hoje uma das mais importantes referências no mundo do grafite e das artes. Eles assinam como osgemeos (tudo junto mesmo), mas acho que devia ser osgenios. Eles são demais!

Com trabalhos pelo mundo todo (inclusive em Berlin, olha), eles deixam um rastro de babas e queixos caídos por onde passam. Não foi diferente na exposição gratuita “A ópera da lua” que estão fazendo em São Paulo até o dia 16 de agosto.

O lugar é um capítulo à parte; o Galpão Fortes Vilaça é um depósito bem escondido; algumas salas foram cedidas para a exposição, mas a gente passa por dentro do armazém cheio de mercadorias (tudo a ver com o trabalho alternativo dos moços). A gente só descobre que no número 71 da rua James Holland tem uma exposição no endereço por causa da fila, olha só…

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Mas é entrar e se comover com tanta beleza. Sério, fazia tempo que não via tanta coisa linda e translumbrante num lugar só. Pegue o babador e prepare-se para uma amostra.

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Shopping de ideias

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Uma das coisas que mais gostava quando fazia software para robôs era estudar os processos de fabricação. Em cada projeto tinha que aprender coisas diferentes, compreender como os objetos eram construídos. Ajudei a automatizar máquinas para produzir bandas de rodagem para pneus de avião, cortadores de vidros para automóveis, prensas, alimentadores de tornos de comando numérico, perfuradoras de perfis de alumínio, aplicadores de cola em tubos de imagem; enfim, um mundo inteiro de descobertas e surpresas. Achei que nunca mais iria ter um trabalho tão desafiador. Ledo engano.

Como palestrante, a história se repete de um jeito diferente, mas não menos interessante. Novamente preciso estudar cada cliente e entender de que maneira as coisas que aprendi podem contribuir para melhorar seus processos e a atitude dos seus colaboradores.

Uma das palestras que fiz essa semana foi para lojistas de um shopping; conversamos sobre como as empresas e as pessoas precisam se adaptar às mudanças que vêm acontecendo e sobre como é possível fazer da interação com os clientes uma experiência memorável.

Foi na fase de preparação que me dei conta das diferenças enormes que existem entre um shopping no Brasil e num shopping em Berlim (talvez a análise possa se estender pela Europa, mas não me atrevo a generalizar).

Os shoppings, na cidade onde moro, são apenas centros de compras. Não são tão luxuosos, nem tão grandes, nem tão atraentes. As pessoas claramente preferem adquirir coisas em lojas de rua, mesmo no inverno rigoroso. No verão, os parques e lagos são o principal local de lazer; também se vai a museus, shows ao ar livre e uma mesinha na calçada de um café é uma alternativa de valor. Não passa pela cabeça de ninguém entrar num shopping apenas para perambular pelos corredores (nem mesmo para ir ao cinema, já que boa parte deles sequer conta com esse item). A impressão que tenho é que a maioria dos frequentadores é turista.

No Brasil, ao contrário, os shoppings têm um papel importantíssimo nas cidades. Não raro é a principal fonte de lazer e um local seguro para encontrar amigos, mesmo numa ilha cheia de praias, como Florianópolis, num dia lindo de verão.

Antes da minha fala, a equipe de marketing fez uma apresentação para prestar contas e descobri que uma das métricas de sucesso do empreendimento é o número de vagas ocupadas no estacionamento, o que me deixou um pouco chocada (não tenho certeza se todos os shoppings em Berlin contam com essa conveniência).

Se por um lado essa análise é um pouco assustadora, por outro é uma oportunidade enorme para os empreendedores, uma vez que evidentemente é muito mais difícil e desafiador ser lojista em Berlim. Os shoppings brasileiros possuem uma influência enorme na vida das pessoas, são um espaço importantíssimo de relacionamento; então por que não fazer dessa situação privilegiada uma oportunidade de fazer a vida na cidade melhor?

Claro que não vou discutir aqui a necessidade do governo em criar e administrar adequadamente espaços públicos de lazer; esse é um tema para longas e calorosas discussões. A questão da inclusão social é igualmente complexa e não é meu objetivo discuti-la aqui. Fui contratada para compartilhar minhas experiências com lojistas; então vou focar nesse ponto onde tenho acesso.

Shopping Centers são um modelo comercial em decadência no país onde nasceram, os Estados Unidos. Desde 2006 não são construídos lá esses centros comerciais fechados tão em voga em terras tupiniquins; na terra do tio Sam, inclusive, o abandono e fechamento desses prédios tem sido rotina, tanto devido à crise, como por excesso de oferta e aumento do e-commerce.

No Brasil, há que se prestar atenção nessa tendência para não reproduzir o modelo (e o desastre) americano.

Penso que cada vez mais a solução se desenha na direção da transformação desses espaços em centros de lazer e entretenimento onde as pessoas possam trocar a interação das redes sociais por calor humano real. Mais do que isso, os administradores e lojistas ganham muito em conhecer e aplicar os conceitos do marketing 3.0 (saiba mais aqui).

Espaços tão importantes devem assumir seu protagonismo com projetos que façam a cidade, o bairro, a rua, lugares melhores para se viver. Grafite, arte de rua, exposições, palestras, shows, cursos, debates, programas de incentivo e formação profissional, eventos esportivos, culturais e literários, enfim, projetos que tragam valor real para a comunidade e desenvolvam um vínculo emocional com o empreendimento são algumas ideias a ser exploradas. Ousaria dizer que um trabalho focado em design de serviços pode trazer resultados bem surpreendentes também.

Iniciativas que contribuam para desenvolvimento das pessoas e não sejam unicamente focadas no consumo podem não apenas beneficiar a comunidade; podem ser o único caminho para a salvação desse modelo de negócio.

Esse nem parece banco. Mesmo.

Uma das palestras sobre inovação e design thinking que vou ministrar no Brasil nessa semana e na outra é para um banco. Como as apresentações são sempre personalizadas para cada cliente, fui pesquisar cases de inovação em bancos, claro.

Lembrava de ter lido algo sobre um banco alemão, mas há muito, muito tempo mesmo, quando comecei a me interessar por design thinking.  Pois fui pesquisar mais e a agência mais vanguardista e referência em inovação é do Deutsche Bank. E tem mais: fica apenas a duas estações de metrô da minha casa. E tem mais ainda: abre aos sábados!

Peguei minha bike e fui lá correndo conferir in loco, claro. Fica no Quartier 110 da Friedrich Straße (Q110 é o nome da agência) e já existe com essa cara futurista há 9 anos, segundo a funcionária que me atendeu e me mostrou tudo por lá.

A ideia é colocar em apenas uma agência todas as tendências e inovações para serviços bancários; aí, aos poucos, eles vão implementando uma ideia numa agência, outro módulo em outra, até que tudo vá sendo testado e aprimorado aos poucos. A moça me explicou que hoje todo mundo resolve tudo pela internet, não precisa ir à agência. Quando vai, é porque quer resolver alguma questão importante. Para isso, é necessário falar com uma pessoa, e mais, ser tratada como gente de verdade, não um número.

Eis então que a Q110 tem um café bem bacaninha, com livros e tudo. Tem uma sala de recreação infantil para deixar as crianças enquanto os pais se reúnem para falar de investimentos e aplicações. Tem uma loja que vende produtos de design, que eles chamam de trendshop. Tem várias salas de reuniões com estilos diferentes para ser atendido com privacidade. Tem uma esteira biométrica para incentivar a saúde e o bem-estar dos clientes (eles projetam um cenário de uma floresta na parede da frente para simular um passeio pela natureza que achei um pouco conceitual demais; mas não duvido que alguém vá lá para correr na esteira, não duvido de nada nessa cidade). Tem um coração gigante em fibra de vidro (dá para entrar nele) para explicar a importância dos exercícios na qualidade de vida. Tem uma mesa de ping-pong para quem quiser jogar. Tem até pratinhos com comida e água para quem vai com o cachorro (aqui eles entram e são bem-vindos na maioria dos lugares).

Tem também balcões com terminais de atendimento, mas não aqueles com vidros e uma distância enorme entre o caixa e o cliente; são apenas mesas altas para abrigar o terminal. A ideia é aproximar cada vez mais as pessoas.

Outra inovação é o horário de atendimento: diariamente das 10 às 18 h, inclusive aos sábados!

Bem, o que observei é que falta unidade visual ao ambiente; parece um amontoado de ideias colocadas num lugar só (e no final, é isso mesmo, até que faz sentido). Talvez o fato da agência já ter nove anos com esse formato indique a necessidade de uma atualização, tanto que eles se uniram ao blog de tendências designboom para fazer um concurso de ideias.

Como você imagina o banco do futuro? Vale propor gadgets, aplicativos, softwares, ambientes, enfim, o que mais passar pela sua criativa cabeça. As inscrições são até dia 15 de agosto e as informações estão todas nesse link.

Agora umas fotos da agência do futuro para se inspirar…

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Vista geral da agência.

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Bom lugar para ler um livro ou jornal.

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Lugar para os pequenos ficarem enquanto os pais são atendidos.

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Dá para se reunir com seu gerente tomando um café expresso. E atenção, isso não é uma agência personalité, top class, estilo ou uma dessas só para ricos…

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Balcões de atendimento.

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Para dormir e acordar com passarinhos

Uma das coisas que mais me deixa feliz em morar num apartamento próprio não é a propriedade em si, mas a possibilidade de: 1) derrubar paredes; 2) pintá-las como eu quiser.

Pois estou feliz da vida como num grande parque de diversões; paredes e mais paredes brancas esperando por ideias coloridas e bem-humoradas (o Conrado é corajoso no último; ele sempre me dá carta branca…rsrs).

Pois para o quarto de dormir eu queria uma coisa bem zen e inspiradora. Então pintei as esquadrias de um turquesa claro (ou menta, em algumas paletas).  Aí imaginei como seria dormir num quarto cheio de passarinhos coloridos e delicados.

Comprei umas bisnaguinhas de tinta acrílica (dessas do tipo escolar mesmo), desenhei os moços na parede com lápis (não consigo fazer dois iguais) e começou a diversão. As paredes aqui não têm massa corrida, então são bem porosas. Bom para a tinta acrílica que fica aquarelada, ruim para as canetinhas hidrocor que usei para desenhar os contornos e as folhas. Depois de testar várias marcas, algumas funcionaram (dica: aquela caneta preta Futura mandou muito bem).

E aí, que tal meus penosos?

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Três chaminés surpreendentes…

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Há duas semanas estamos morando na casa nova. Há dias estava observando pela janela do quarto essas três chaminés do lado direito e ficava me perguntando se era uma usina termoelétrica, fábrica ou o quê.

Hoje peguei a bicicleta e fui conferir: estou chocada!

Aquilo é uma usina de aquecimento de água!!!

A água de lá vem por canos subterrâneos e chega quente o suficiente para as torneiras e o aquecimento do piso. São 1750 km desses canos só na cidade de Berlin (imagina a engenharia que é transportar água fervendo).

Existem dezenas dessas usinas na cidade (atendem 32% dos domicílios) e boa parte delas aquece a água queimando…lixo! Não é genial? Fazendo uma pesquisa rápida, descobri que essa é uma das formas mais eficientes e econômicas de aquecimento, principalmente para o meio ambiente.

Incrível.

Murakami errado, mas também vale

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Fiquei muito impressionada ao ler 1Q84, de Haruki Murakami (veja a resenha aqui). Li em inglês, claro, pois ainda não tenho coragem de encarar um tijolão de 1300 páginas em alemão, mas mesmo assim fiquei curiosa em ler outras obras menos extensas nessa língua.

Eis que xeretando livrarias, achei “In der Misosuppe“, do Murakami também. Só que fui ver depois, essa era outro autor (ou Murakami é um sobrenome comum no Japão, pelo menos entre escritores, ou então é um prenome comum e eles escrevem o sobrenome primeiro — sei que em chinês eles trocam a ordem, em japonês não sei).

De qualquer maneira, gostei muito da história. O protagonista, Kenji, é um rapaz de 20 anos, órfão de pai, que vive com a mãe. Ele abandonou a escola e ganha a vida como guia turístico na zona de prostituição de Tokio; com o dinheiro, aluga um apartamento na cidade onde se encontra com a namorada, Jun. A mãe acha que ele estuda e a relação dos dois parece bem distante.

Na véspera de ano novo (sempre achei que no Japão fosse em outra data, já que eles são budistas, mas no livro é dezembro mesmo), um cliente americano contrata o moço por 3 noites seguidas. O sujeito é bem estranho, tanto fisicamente como nas histórias desconexas que conta. O cliente gosta de Kenji e começa a forçar uma amizade que desconforta o rapaz, mas ele vai levando assim mesmo.

O guia tem um pressentimento estranho sobre o sujeito e chega a comentar com a namorada. Não é à toa; o rapaz descobre coisas muito impressionantes sobre o americano, capazes de mudar a vida dele para sempre. Kenji reflete sobre o comportamento desse cliente e das pessoas em geral; parece meio perdido e não sabe bem o que fazer com sua inteligência e sensibilidade.

Olha, vou começar a prestar atenção nesse Murakami também; parece que o nome (ou sobrenome) é marca de boa literatura.

Não sei se tem em português, mas recomendo muito.

Logística com estilo

Não tem como passar pela rua sem olhar duas vezes para o prédio vermelho, caprichadamente ilustrado com cenas do cotidiano.

Numa das faces, uma representação bem-humorada do que estaria acontecendo no interior no edifício. Nas outras paredes, cenas comuns da cidade: ruas, pessoas, um trailer de lanches, a rapunzel na janela mais alta, um bonde passando e até um ladrão carregando um saco de dinheiro.

No começo, achei que fosse uma seguradora, mas, na verdade, é uma empresa de logística especializada em mudanças. Não sei o que isso tudo tem a ver com a identidade da empresa (o site não faz nenhuma referência à originalidade do prédio), mas ficou divertido.

O nome, Zoolala, é usado na web por uma loja de produtos para animais. Talvez eles tenham comprado o prédio, ele já estava assim e ficaram com pena de pintar por cima — de qualquer maneira, convinha uma contextualização, penso eu. Ficou bacana, mas não ajuda o trabalho de branding.

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Denúncia: maus tratos a manequins alemães

Algo tem que ser feito urgentemente; veja as provas de que os manequins alemães estão sendo tratados de maneira humilhante. Alguns são colocados de castigo na porta dos estabelecimentos para passar ridículo na frente dos clientes.

Colhi pessoalmente alguns depoimentos para vocês verem que não estou mentindo. Compartilhe esse absurdo!

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Dei uma resposta atravessada para a dona da loja e aquela perua me colocou de castigo na vitrine com esse chapéu. Tenho certeza de que esse modelo não é tendência…

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Não devia ter feito bullying com meu colega japa aí ao lado, só porque ele é meio vesguinho. Agora vou ter que ficar na vitrine com essa peruca ridícula por uma semana. Afe!

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Nunca mais rio da roupa da namorada do dono. Um castigo desses ninguém merece… :(

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Pelado e pintado de azul, só de botas; nunca imaginei passar por isso um dia. Nunca mais arrumo emprego em loja de estilista maluco. Não vejo a hora de acabar o meu contrato.

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Gente, o que tem de mais roubar um cookie? Agora cortaram minha mão e vou ficar aqui na rua a semana inteira servindo de exemplo. E o cookie ainda estava velho…

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Furei a greve dos graçons e como punição vou ter que ficar aqui pendurado com esse cartaz que diz que sou furador sei lá o quê. Alguém pelo menos me ajude a traduzir esse negócio?

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Um calor dos infernos e tenho que ficar aqui no sol do meio-dia com esse casaco de peles e cachecol. Falar palavrão dentro da loja nunca mais… Scheiße!

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