14 mai 12

Sempre defendi que a empresa não deve mentir quando se trata de traduzir sua identidade nas suas várias manifestações: gráficas, de ambiente, de comunicação, etc.

Mas gente, olha essa instalação na frente de um banco de investimentos em Berlin! Forte, não acha?

Não consegui identificar qual personagem representava o cliente e qual representava o banco. De qualquer maneira, parece até um manifesto anti-capitalismo, meio esquisito para ficar na fachada de um banco em posição de destaque.

Achei tenso, e você?

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13 mai 12

Tem uma campanha do governo alemão rolando aqui que bem poderia ser reproduzida no Brasil. Chama-se “Zu gut für die Tonne” ou “Bom demais para o lixo“.

É o seguinte: um estudo da Universidade de Stuttgart descobriu que cada alemão joga fora, por ano, cerca de 82 kg de comida. Juntando a população do país todo, dá absurdas 6,7 milhões de toneladas por ano de comida jogada no lixo. E comida é uma coisa que dá trabalho produzir: requer muita água, muito espaço, muita gente trabalhando e queima um montão combustíveis fósseis no transporte. Em última instância, além de contribuir com a destruição do planeta, jogar comida fora é rasgar dinheiro.

Só para se ter uma ideia, lá se vão 700 litros de água para produzir apenas 1 kg de maçã. Mais 1.300 litros para 1 kg de pão (considerando que tem que plantar o trigo e irrigá-lo). Para 1 kg de queijo, a conta fica em 5.000 litros. Se pensar em 1 kg de carne, mais 15.000 litros. Depois ninguém sabe porque o planeta está ameaçado e estamos todos indo para o buraco. Quantos milhões de litros de água a gente joga fora só em comida? E se considerar o transporte e o resto do impacto, então, é para dar vergonha mesmo.

A pergunta que não quer calar é: por que jogamos tanta comida fora? A campanha responde: primeiro, a gente compra mais do que precisa. Depois, não sabemos conservar os alimentos corretamente. Por último, não comemos direito.

A campanha dá dicas para comprar melhor (ex: não se deixar seduzir por promoções que forçam você levar para casa uma quantidade maior do que precisa; fazer um planejamento e sempre levar uma listinha, etc); para conservar melhor (ex: não encher demais a geladeira, embalar corretamente, dicas de como conservar cada tipo de alimento); e para comer melhor (ex: tem várias dicas e receitas para aproveitar sobras).

Eles distribuem cartões postais com receitas e dicas, além de espalhar vários cartazes pela cidade. Mas o mais legal são as garotas-propaganda da campanha. Olha só que fofuras!

Penso que a ideia podia também ser aplicada no Brasil, onde desconfio que a gente desperdice mais ainda (no nosso caso, o desperdício acontece até antes da gente comprar, durante o transporte e o armazenamento).

O site da campanha é esse aqui para quem quiser saber mais: www.zugutfuerdietonne.de.

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10 mai 12

Fotografia: Anthony Redpath

Na semana passada(*) o mundo ficou conhecendo os ganhadores do Prêmio Nobel, que, de acordo com o testamento de Alfred Nobel, determina a premiação das descobertas que mais beneficiaram a humanidade. O prêmio é disputadíssimo e o sonho de consumo declarado de boa parte de gente que dedica a vida à pesquisa científica, à literatura e à política.

Mas o que muita gente não sabe é que nessa época são laureados também os ganhadores do IG Nobel, um trocadilho bem-humorado do prêmio com a palavra ignóbil, ou infame. O IG Nobel é organizado pela Universidade de Harvard desde 1991. Os trabalhos são analisados por uma comissão multidisciplinar que inclui atletas, autoridades políticas e científicas, e vários ganhadores do Prêmio Nobel original.

O objetivo é celebrar o incomum, honrar a imaginação e despertar o interesse das pessoas pela ciência, medicina e tecnologia, tudo com muito bom-humor. Nesses tempos de culto à inovação, nada mais bem-vindo.

A cerimônia acontece em Harvard para uma exclusiva audiência de 1.200 pessoas e a platéia tem o tradicional hábito de jogar aviõezinhos de papel no palco durante o evento. Assim, laureados com o Nobel (sim, aqueles sisudos cientistas ganhadores dos prêmios de física, química e economia, entre outros) varrem (sim, com vassouras mesmo) os aviõezinhos no palco. Eles se protegem com chapéus chineses para não serem atingidos pelos petardos e passam a cerimônia inteira varrendo. Às vezes interrompem a labuta para entregar algum prêmio, pois todos os IG Nobel são entregues por Nobels autênticos.

A idéia é contemplar pesquisas e patentes improváveis. Os premiados de cada ano têm os seus artigos publicados em um livro com uma linguagem mais acessível. Veja alguns exemplos de ganhadores:

Neste ano, Gregg Miller, de Missouri, ganhou o prêmio de medicina por ter inventado e patenteado uma prótese artificial de testículos para animais de estimação castrados. A prótese é vendida em vários tamanhos nas versões Original (rígida), Natural (macia) e Ultra-plus (super-macia).

Pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, levaram o prêmio por submeter gafanhotos a trechos escolhidos do filme Guerra nas Estrelas e monitorar a sua atividade cerebral. O trabalho foi publicado no respeitado Journal of Neurophysiology em 1992.

Na área de economia, Gauri Nanda, do celebrado Massachusetts Institute of Technology defendeu o uso de sua invenção, o despertador que toca e se esconde repetidamente, como fator para o aumento da produtividade de trabalhadores.

A Universidade de Minnesota levou o prêmio de química com o inusitado trabalho investigativo concebido para responder à seguinte pergunta: as pessoas nadam mais rápido na água ou no xarope?

Em biologia, uma equipe de estudiosos de várias universidades espalhadas pelo mundo se uniu para pesquisar os odores das secreções expelidas por 131 espécies de sapos quando submetidos a situações de stress.

O destaque para a área de dinâmica dos fluidos foi para o trabalho desenvolvido por pesquisadores alemães, finlandeses e húngaros, que estudaram a pressão produzida por um pingüim quando ele produz flatulências e defeca. Os gráficos e cálculos são impressionantes!

Dois trabalhos fantásticos premiados na categoria medicina em anos anteriores: uma equipe da Universidade de Detroit se concentrou em analisar o efeito da música country em suicidas e a University College of London mostrou evidências científicas que os motoristas de táxi londrinos possuem o cérebro mais desenvolvido que a média dos moradores de Londres. Essa prestigiosa universidade contribuiu também com o incrível estudo sobre a assimetira escrotal de homens em esculturas antigas.

Ainda em medicina, merece destaque o trabalho de Peter Barss da McGill University que analisou os danos causados nas pessoas provocados por quedas de côcos. Ele publicou o artigo no famoso The Journal of Trauma.

Em química, um dos prêmios foi para o estudo de uma universidade japonesa sobre o motivo pelo qual a estátua de bronze localizada na cidade de Kanazawa não atrai pombos.

Estudos de psicologia impressionaram a comissão julgadora, que premiou o trabalho realizado na Holanda sobre o primeiro caso cientificamente comprovado de necrofilia homossexual praticada por um pato selvagem. Tem também o estudo da Universidade de Estocolmo que explica as razões científicas pelas quais as galinhas preferem as pessoas bonitas.

Ainda sobre animais, estudiosos japoneses publicaram no Journal of the Experimental Analysis of Behavior um relevante artigo em que relatam um método para treinar pombos para diferenciarem uma pintura de Monet de outra de Picasso.

Em física, cabe destacar a experiência realizada por estudiosos ingleses e holandeses que descreveram a experiência de fazer um sapo levitar com o auxílio de magnetos. A Universidade inglesa de Aston finalmente provou cientificamente porque o pão sempre cai com a manteiga para baixo. Um utilíssimo software que detecta automaticamente quando um gato caminha sobre o teclado do computador também foi premiado.

Matemática e estatística são duas grandes fontes inspiradoras para o IG Nobel: um indiano publicou no Veterinary Research Communications, o cálculo da área total de superfície ocupada por todos os elefantes indianos. Mas o artigo de estatística que mais provocou curiosidade foi o que descreveu as relações métricas entre o peso, o comprimento do pênis e o tamanho dos pés de um homem, realizado por pesquisadores das Universidades de Toronto e Alberta, no Canadá. Ficou curioso? Na conclusão do trabalho eles provaram que não há uma relação entre as medidas, isso não passa de um mito!

Os organizadores do IG Nobel lembram que os trabalhos premiados têm uma característica em comum: primeiro as pessoas não acreditam que alguém possa tê-los feito; depois elas riem; ao final, pensam.

De tudo isso, o que se tira é que o desenvolvimento humano precisa do inusitado, do improvável, do incomum, do ousado e do ridículo para acontecer. E, mais do que tudo, da capacidade de rir de si próprio, mesmo que você seja uma celebridade ganhadora do Prêmio Nobel.

Quer saber mais sobre o IG Nobel? Vá lá: http://www.improbable.com

—–

(*) Esse texto é de 2005, mas como ando lendo muita coisa sobre inovação, não podia deixar de compartilhá-lo. Vou dar uma pesquisada e postar os ganhadores mais recentes nas próximas semanas; aguardem!

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9 mai 12

Essa é para o povo que vive reclamando que quem vê as propagandas brasileiras pensa que a gente vive na Noruega, tal a fartura de gente loira de olhos azuis e a ausência quase completa de morenice. Pois parece que essa doença “a grama do vizinho é sempre mais bonita” acomete os publicitários daqui também.

Calculem comigo: quantas vezes uma alemã precisa morrer e nascer de novo na Bahia para chegar numa cor dessas? Ainda mais considerando que o verão aqui às vezes cai na quarta-feira, o que dificulta todo mundo participar do churrasco de gente.

Olha, o pessoal reclama do uso indiscriminado do Photoshop, mas a H&M humilhou as branquelas com essa propaganda de biquínis, viu?

Tomara que não venda nada, só de birra…

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7 mai 12

Contar histórias sempre foi uma coisa bacana, mas agora virou hype, e inclusive ganhou um nome fashion à altura: agora só se fala em storytelling.

Pois eu não queria ficar de fora dessa e juntei mais um livro à minha coleção dedicada ao tema. A obra da vez é “The story factor: inspiration, influence, and persuasion through the art of storytelling“, de Annette Simmons.

Que contar histórias é uma arte antiquíssima e desde sempre valorizada não é novidade nenhuma (vide a Bíblia, a Ilíada e as mil e uma noites de Sherazade, só para citar alguns velhos e batidos exemplos). Mas não faz assim tanto tempo que o mundo dos negócios se deu conta do poder da ferramenta; pois é desse café que a autora quer beber.

Annette começa citando uma frase linda de Isak Dinesen: “Ser uma pessoa é ter uma história para contar“. Ela não diz, mas penso que se os entrevistadores de emprego se dessem conta disso, relaxariam e simplesmente pediriam para o candidato contar sua história. Dá para saber quase tudo: o que ele valoriza, como enfrenta as situações, se é vaidoso, se é realmente proativo, se sabe de fato trabalhar em equipe, se sabe ou não compartilhar méritos, se tem peninha de si mesmo ou se gosta de desafios. Muito melhor e mais divertido do que ficar esperando ele dizer que seu maior defeito é ser perfeccionista, convenhamos.

A ideia central é usar as histórias para influenciar o comportamento das pessoas; ela defende que é muito melhor você demonstrar quem é por meio de uma personal novelinha do que ficar exibindo com falsa modéstia suas qualidades. Mas atenção, a moça adverte: jamais subestime a inteligência de quem está ouvindo. E enfatiza: “jamais, jamais, jamais conte uma história para alguém que você não respeita“. A pessoa percebe instantaneamente e sim, vai interpretar isso da maneira que você imagina.

A autora diz que a galera não precisa de mais informações; já está afogada nelas. O que o pessoal realmente quer é acreditar (em você, nos seus objetivos, na sua visão, na história que você tem para contar). Ela brinca que a fé é que move montanhas, não os fatos. E a fé é despertada por histórias, fato.

Annette diz que a história é como se fosse uma roupa que a verdade veste para que as pessoas possam se abrir para recebê-la (sim, as mentiras ficam com o bumbum de fora e todo mundo percebe). Se a verdade ficar batendo nas casas nua em pelo, o povo se assusta não abre a porta de jeito nenhum.

Ela ainda diz que a diferença entre dar exemplos e contar uma história está nos elementos de emoção e nos detalhes sensoriais dessa última. Isso faz com que as histórias, ao contrário dos simples fatos, sejam multidimensionais, e por isso, muito mais poderosas.

Simmons defende que os treinamentos das empresas não deviam usar regras escritas, pois elas ignoram completamente a mente de quem está na ação. Se em vez de princípios e receitas de comportamento, os profissionais fossem treinados com histórias, eles poderiam ser mais criativos na hora de resolver problemas.

Ainda não cheguei no final do livro (que tem poucas histórias para o meu gosto, apesar de muito interessante), mas até agora não se falou que essa poderosa ferramenta também tem um potencial enorme para múltiplas e indesejadas interpretações, completamente fora do controle de quem quer que seja (olha só o que fizeram com as parábolas da Bíblia). O negócio de fato tem poder, mas penso que não é para amadores não…

De qualquer maneira, lembrei-me da ótima contadora de histórias Rosana Hermann (que, não por acaso, é roteirista profissional entre outras coisas). Estávamos conversando sobre o assunto e ela compartilhou comigo uma teoria genial que adorei.  A Rosana diz que, no Brasil, as pessoas não mudam o comportamento simplesmente pela exposição dos fatos; elas querem histórias que conquistem e seduzam.

A ideia da moça é aproveitar as superstições que já são tão presentes na nossa cultura para mudar comportamentos. O plano é inventar novas superstições e espalhá-las massivamente com histórias do tipo: fazer xixi no muro faz o pinto do machão murchar depois de um tempo, ou; roubar dinheiro público provoca doenças fatais na família inteira da pessoa, ou; desviar verba da merenda faz o dedão do pé cair, ou; roubar celular faz o larápio ficar manco da perna esquerda para sempre… enfim… criatividade é o que não nos falta, nem bom-humor. E as pessoas acreditam em qualquer coisa apresentada com um mínimo de consistência (vide as franquias religiosas que proliferam desenfreadamente e as correntes de hoax não me deixam mentir).

Como a Rosana, acredito que isso que ela chama de “superstição cidadã” (nome mais que ótimo, nénão?) funcionaria muito mais do que qualquer outra campanha feita até agora. O pessoal adora acreditar em qualquer coisa, então vamos usar isso para o bem!

Por falar nisso, você sabia que as pessoas que param de ler minha coluna toda semana ficam impossibilitadas de soletrar a palavra superstição para o resto da vida? Olha, acho melhor não arriscar, vai que…

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7 mai 12

Fotografia: Sacha Goldberger

Parece que não tenho sorte mesmo no meu relacionamento com cadeados (será que Freud explica?). Hoje fui na academia e tranquei tudo no armário. Passei no banheiro antes de começar a malhação e, quando vou lavar as mãos… a chave cai dentro do ralo da pia. Momentos de tensão e horror. E agora?

Normalmente amarro-a no tênis com o cadarço, mas nem sei porque hoje me esqueci. O fato é que a bolsa, o telefone, a chave de casa, tudo ficou trancado naquela catacumba esportiva. E o Conrado viajando, para dar mais emoção.

Bom, botei o pânico no cabresto e fui até a recepção pedir ajuda. Falei num inglemão para ninguém botar defeito (a moça só entendeu porque estava de boa vontade), pois deu tilt no meu célebro (misturei palavras das duas línguas na mesma frase e ficou um horror linguístico). A linda se comoveu e chamou o gerente.

O “simpático” me deu aquela bronca que os alemães sabem dar tão bem e disse que não podia fazer nada, que eu voltasse amanhã. Eu perguntei: “como, se não posso voltar para casa porque a chave está lá dentro?”. Ele olhou para mim com cara de “não quero nem saber, quem mandou ser monga” e saiu, dando seu trabalho por terminado.

A moça viu meu desespero, desencantou sei lá de onde uma chave inglesa enorme e subiu no banheiro comigo. Conseguimos desatarraxar o joelho do cano da pia e resgatar a polêmica e minúscula chave.

Menina muito fofa essa Emine; muito mais competente que o gerente. Foi super gentil e resolveu o problema rapidamente (nem a Mulher-Maravilha faria melhor). Se meu alemão fosse mais decente, escreveria uma carta para a dona da academia descrevendo o ocorrido (mas vai saber se a dona não é do mesmo time que o gerente, né?).

Amanhã vou correndo comprar um cadeado de segredo, mas serei esperta o suficiente para esperar o Conrado chegar na quinta para eu ter certeza de que entendi bem as instruções. Da última vez não deu muito certo (venha gargalhar da minha face aqui).

Amanhã vou levar um presente para a moça que salvou minha vida. O que vocês acham de mandar aquele cadeado vermelho eternamente trancado de lembrança para o gerente? Achei que seria um acessório perfeito para um mala sem alça e sem noção como ele…rsrsrs

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6 mai 12

Mais um antes & depois para quem curte: dessa vez o contraste é entre o outono, quando a cidade se tinge de dourado, e a primavera, quando as folhas novinhas ficam verdes de doer.

Olha que lindo!

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4 mai 12

Gente, tem uma árvore aqui no meu “quintal” que está me tirando do sério. Cada vez que o sol bate, não consigo me concentrar no que estou fazendo, só quero saber de ficar olhando para essa linda. Devia ser proibido uma árvore ser assim, todinha vermelha, só para aparecer mais que suas amigas recém-verdinhas.

Exibida, é o que ela é.

Para completar, de vez em quando ainda aparece um lépido esquilo da mesma cor passeando por aqui. Mas o rapaz é muito rápido, ainda não consegui fofografar o fofo.

Como é que a pessoa vai conseguir trabalhar podendo ver essa dupla ruiva pela janela? Assim não dá, viu?

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3 mai 12

Gente, essa internet é uma coisa tão sensacional que não dá nem pra falar, viu? Estava eu tranquilamente indo para a aula de metrô e olhando meus twits quando vejo um post da Rosana Hermann (@rosana), dona do lendário Querido Leitor e pioneira das redes sociais no Brasil, dizendo que estava em Berlin.

É que em 2008 a moça ganhou o prêmio The Bobs, outorgado pela Deutsche Welle, como melhor blog do mundo em língua portuguesa. Por causa disso e por todo o seu vasto e variado currículo, agora ela é jurada do prêmio e vem todo ano aqui para ajudar a escolher o melhor da internet pelo mundo.

Gente, repara o naipe da indivídua: ela é Física formada pela USP, com mestrado em física nuclear, faz o blog da Skype no Brasil, é gerente de criação e inovação no portal R7, dá aulas de roteiro na Faap e ainda encontra tempo para dar palestras. Fora todo o histórico na televisão em vários canais, como apresentadora, diretora e roteirista. Tem como não amar?

Pois usei toda a minha cara de pau e convidei-a para tomar um café, bem na cara dura mesmo. E não é que ela me respondeu quase na mesma hora e, dias depois, cá estamos nós, jantando e falando pelos cotovelos?

Sabe quando a conversa rende e você aprende um montão de coisas, além de ter vários insights, ideias, e gostar muito mesmo do tempo que passou com a pessoa? Acho que saiu até faísca do nosso papo, de tanto que a gente falou, falou e falou. Muito legal esse Twitter.

Rosana, adorei. Ano que vem reserva um dia para a gente fofocar de novo!

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2 mai 12

Não sou só eu que fico radiante quando chega a primavera (ainda bem). Para se ter uma ideia, todo ano, no dia primeiro de maio, é declarada a abertura oficial da temporada de Vespas nas ruas de Berlin (sim, aquelas lambretinhas charmosésimas). Aqui não tem aquelas CGs ou Titans feinhas; vai todo mundo de Vespa, esbanjando charme e glamour pela cidade (há motoboys sim, mas eles andam de bicicleta, vejam vocês).

É que a maioria das possantes passa o inverno hibernando (como as nossas queridas duasmotos) e imaginem só a alegria de poder ver o sol de novo.

Pois o enxame se reuniu todo na Winterfeldplatz nesse feriado e a gente foi lá ver o festival de belezinhas. As máquinas eram lindas, mas as pessoas não ficavam atrás não. Sobe na garupa e vem!

Fala sério: não são lindas?

Os alemães nunca perdem a oportunidade de fazer a fotossíntese, mesmo que seja só num cantinho da praça

Essa moça de vestido de bolinhas era puro charme; fez o maior sucesso

Meu limão, meu limoeiro....

Frau Pink, toda combinandinha :)

Levou nosso prêmio de casal mais exótico: o tiozinho era pequeno e combinava com a Vespa, mas a moça tinha quase a altura dele só de pernas!

Tem mais um monte de fotos bacanas e curiosidades. Quer ver mais? Clique aqui e vá lá no Flickr.

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1 mai 12

Ilustração: Charis Tsevis

Essa é daquelas perguntas que valem um milhão, e Steven Johnson resolveu ser atrevido o suficiente para tentar respondê-la em “Where good ideas come from: the seven patterns of innovation“. Olha, preciso dizer: se ele não acertou, chegou muito perto. O sujeito pesquisou bastante e descobriu coisas muito interessantes.

Ele começa incinerando o mito do gênio solitário. Steven faz uma analogia com a teoria da evolução darwiniana e explica que a vida, assim como as ideias, depende principalmente do ambiente favorável e das conexões para existir. As ideias nunca são isoladas; tanto na escala do nosso cérebro, onde zilhões de neurônios não servem para nada se não estiverem conectados (e quanto mais conexões e recombinações, melhor), como nas dimensões de uma organização, uma cidade ou um país.

Johnson estudou mais ainda e identificou 7 padrões ambientais/comportamentais para o desenvolvimento de novas e boas ideias. Veja se você tem aí tudo o que precisa.

1. Adjacente possível. As ideias vão evoluindo a partir de outras; o adjacente possível trata das combinações que você pode fazer em cada estágio. Usando a teoria darwiniana, Steven dá o exemplo do caldo primordial na formação do planeta: com aqueles elementos, era possível um determinado número de combinações. Cada combinação dá origem a outro tanto de variações, numa sequência que pode formar uma célula. Daí, mais combinações, variações e possíveis resultados. O que ele quer dizer é que é preciso explorar as possibilidades adjacentes (alcançáveis nesse estágio evolutivo) para seguir adiante; não dá para pular direto de uma célula para um hipopótamo. Johnson fala que o adjacente possível é como as portas de uma sala. Cada uma que você escolher abrir, vai dar em outra sala, com outras portas e o desdobramento é infinito. Mas não dá para pular salas inteiras, tem que percorrer todo o caminho. Ele dá exemplos de invenções que não deram certo porque foram desenvolvidas numa época em que os adjacentes possíveis, ou seja, as portas disponíveis para serem abertas, não eram suficientes ou adequadas (a porta necessária estava a duas ou 3 salas de distância). Um exemplo: o Youtube não seria o sucesso que é se tivesse sido criado nos anos 80, pois a web não comportava vídeos com as facilidades de hoje e ainda não tinha banda larga. Então, antes de desenvolver uma ideia, tem que dar uma olhada nas portas para ver o desdobramento imediato. Às vezes, é preciso esperar mais um pouco.

2. Redes líquidas. Agora uma notícia até que óbvia, mas que me deixou um pouco chocada: praticamente não dá para inovar em cidades pequenas. Na verdade, não é que não dê, mas em metrópoles, as possibilidades de conexões (e adjacentes possíveis) são muito maiores, o que torna o ambiente mais favorável. Cidades grandes são comprovadamente mais criativas do que vilarejos. Steven comenta que já se buscou muitas definições para a palavra ideia remetendo a raios, lâmpadas, flashs, epifânias e eurekas, mas passaram longe do que realmente as ideias são. Para Johnson, boas ideias são conexões. Em princípio, conexões neuronais na cabeça de alguém. Mas essas conexões são resultado de outras conexões externas (experiências, informações, etc). Para se ter boas ideias, são necessárias duas precondições: uma grande rede (não é possível ter ideias geniais com apenas 3 neurônios, por exemplo) e que essa rede tenha capacidade de adaptar e adotar novas configurações. Mas há que se prestar atenção: não é que as redes sejam inteligentes; os indivíduos é que se tornam mais inteligentes quando se conectam nela. Esse é o motivo pelo qual, cidades maiores conseguem ser mais propícias a boas ideias; elas reúnem mais pessoas diferentes, culturas, modos de organização. Enfim, o caldo é mais rico. Quando o indivíduo se conecta nessa rede, tem mais elementos para recombinar; seu adjacente possível aumenta com o tamanho da rede em que está inserido. A mesma coisa vale para empresas; se elas estão conectadas com outras, ou seus próprios funcionários estão ligados, a possibilidade de ter boas ideias aumenta.

3. A intuição lenta. Como Malcom Gladwell (Blink) já demonstrou com muita propriedade, a intuição é quando nosso cérebro trabalha em background com todas as conexões que conseguiu acumular sobre aquele assunto e outros, correlatos ou não, até a hora que a linha de raciocínio de completa. Aí, a pessoa fica achando que teve um palpite, uma epifânia, sai gritando eureka feito doida. Mas o trabalho é  bem mais lento do que se imagina. As conexões levam anos para encontrarem um caminho de se ligarem umas às outras e também dependem dos adjacentes possíveis. Por isso é que Steven critica os brainstormings da maneira como são feitos; a probabilidade das conexões entre os participantes encontrarem um caminho entre os adjacentes possíveis em tão pouco tempo é bastante improvável.  O autor recomenda que todas as ideias e informações sejam registradas e revistas frequentemente (hábito que Darwin tinha).

4. Serendipitia. Essa palavra tem origem em um conto persa, onde três reis foram visitar uma princesa e descobriram no caminho várias coisas que não estavam procurando. Serendipitia é encontrar soluções por acaso (exemplo clássico forno de microondas, que foi inventado depois que um pesquisador descobriu que ele derretia os chocolates em seu bolso). Para isso, é preciso provocar constantemente conexões inusitadas e pensar sobre como elas poderiam ser desdobradas; mas o histórico de conexões internas tem que estar preparado para a sintonia, senão nada acontece. A web pode ajudar bastante quando a gente surfa e encontra assuntos interessantes que não estava procurando, por exemplo, mas a mente tem que estar preparada, senão é só perda de tempo mesmo. Outra coisa curiosa (mas também óbvia) é que não se faz conexões inusitadas na ordem; isso funciona mais no caos.

5. Erros. As pessoas que têm mais boas ideias, também erram mais (é claro, elas fazem mais conexões). O engraçado é que às vezes a gente acha que existe um erro só porque não tem explicação para o fenômeno. Os cientistas que descobriram sinais do Big Bang levaram mais de um ano achando que as manchas que estavam enxergando eram problema do telescópio (e às vezes é mesmo, não há como saber).

6. Exaptação. Esse é um termo emprestado da biologia, que descreve organismos otimizados para funções específicas, mas que depois foram usadas para outros fins com sucesso. Na inovação, o exemplo clássico é a prensa de Gutenberg, que foi inspirada nas prensas de uva para fazer vinho. Ou a World Wide Web, que nasceu dentro de um laboratório para servir de plataforma de pesquisa para hipertextos e hoje serve para tanta coisa que ninguém tinha pensado antes. Ou ainda o GPS,  que foi concebido para fins militares e agora é onipresente nos táxis das cidades grandes.

7. Plataformas. Nenhuma boa ideia começa do zero; há que se apoiar sempre nos ombros de gigantes, como já dizia o grande Isaac Newton. Se você usou plataformas abertas (sejam tecnológicas, matemáticas, literárias, artísticas ou o que for) para desenvolver sua ideia, seja generoso e também deixe sua plataforma disponível para os que vêm a seguir. Todo mundo ganha assim.

Johnson ainda fala mais sobre a tendência crescente do desenvolvimento de ideias em rede. Vale a pena  saber mais.

Por último, ele consegue resumir o livro todo num parágrafo: “Saia para caminhar; cultive intuições; anote tudo, mas mantenha suas anotações um pouco bagunçadas; abrace a serendipitia; cometa erros criadores; tenha múltiplos hobbies; frequente cafeterias e outras redes líquidas; siga os desdobramentos; deixe os outros construírem sobre suas ideias; empreste, recicle, reinvente. Construa uma base de contatos emaranhados.

Mais um motivo para amar Berlin. E eu nem sabia.

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1 mai 12

Olha que bacana ver as diferenças na pracinha da igreja perto de casa. Não é muita fofura?

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28 abr 12

Desculpaí o pessoal do sul que deve estar começando a vestir casaco, mas agora chegou a hora da vingança: hoje deu 28 °C e a previsão de amanhã é 30 °C (e disso não passa mais, olha que beleza). É um calor não muito normal para a primavera, mas o povo está adorando; todo mundo lagarteando na rua, na calçada, no gramado e onde tiver um solzinho.

As mesinhas já estão todas montadas no capricho e estão sempre cheias (as fotos sem ninguém foram tiradas de manhã cedo, na hora em que vou para a aula). Delícia, delícia, delícia!!

A temperatura vai de 13 °C a 28 °C no mesmo dia; então o dono do café tem que garantir uma mantinha de lã para os clientes não passarem frio

O povo capricha mesmo na decoração

As calçadas são todas largas, o que facilita muito

Seria muito mais legal fazer reuniões de negócios se Floripa tivesse mais cafés assim, na calçada.

Sombra e água fresca...

Bicicletas, cartazes, mesinhas e povo tomando sol. A cara de Berlin.

Essas cadeiras são convidativas

Bonito, né?

Tem que aproveitar mesmo, pois semana que vem o negócio já despenca de novo para 9 °C. Não dá para bobear!

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27 abr 12

A duas quadras da minha escola tem um parque chamado Volkspark (“Parque do Povo”). E o povo aproveita mesmo.

Dei uma passada lá hoje na hora do almoço (o dia está lindíssimo) e não pude deixar de compartilhar esse cenário idílico, acessível a qualquer cidadão.

Acho que não tem como ficar estressado nessa cidade na primavera num dia de sol. Só mesmo fechando os olhos para ignorar as cerejeiras em flor e tapando os ouvidos para não ouvir os passarinhos. E olha, mesmo assim, é preciso muito esforço, viu?

Reclamar da vida como?

Esses pontinhos brancos são a cerejeira se desmontando. O espetáculo dura, no máximo 2 semanas.

O pessoal leva marmita e almoça no parque, feliz da vida.

E ainda tem um laguinho para compor o cenário

D. Árvore: vai ser linda assim lá no Japão, minha senhora!

O paraíso visto da terra

Quer ver passear mais por esse lugar lindo? Clica aqui e vai direto no Flickr ver as outras fotos!

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25 abr 12

Estava preocupada que o povo estivesse me achando repetitiva (com razão), pois agora só falo de flores e de primavera. Mas hoje recebi uns e-mails que me animaram (já que pouca gente comenta por aqui, fico sem saber se o tema já saturou ou se ainda dá para postar mais um pouquinho).

Tem mais assunto sim (estou lendo um livro imperdível, aguardem), mas é que ando com muita coisa para estudar; então, o mais fácil é compartilhar fotografias mesmo.

Encontrei essas belezinhas hoje, andando pela rua, e resolvi oferecê-las a vocês. De coração, viu?

Essas últimas são para a Clô, pois sei que ela adora :)

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22 abr 12

Ontem fui com a turma da escola fazer canoagem em Spreewald (tradução: Floresta do rio Spree), a uma hora de trem daqui. A região é considerada reserva de biosfera pela Unesco e tem mais de 1.300 km de pequenos canais que cortam a mata (boa parte e usada para irrigar a agricultura). A principal cidade é Lübbenau (ou Lubnjow Błota, no dialeto eslavo que se fala lá) e eles são famosos pelas plantações de pepino e pela canoagem.

O lugar é uma graça, como toda cidadezinha pequena germânica; nesse dia estava rolando uma maratona local, então até banda de música tinha na praça. A gente remou por duas horas pelos canais (até agora meus ombros e braços estão destruídos) e depois repôs as energias com muita batata e carne de porco (não gosto muito de porco, mas com aquela fome…). O pepino ficou por último, quando a gente visitou a feirinha da cidade para pegar umas amostras (o povo acha uma delícia, mas picles realmente não está na minha lista de comidas preferidas…).

Olha só que lindo!

Essa floresta é muito bonita

A paisagem é espetacular

E dá-lhe cerejeiras em flor...

O povo da cidade é bem animado!

Os canais da cidade lembram Veneza

É difícil remar e fotografar ao mesmo tempo. Além do que, fiquei toda molhada!

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22 abr 12

Sorvete mais gostoso por Storm Design

Toda vez que se fala em design de embalagens, empre aparece a pergunta: mas isso é design gráfico ou design de produto? Na verdade, é as duas coisas. O designer de embalagem precisa dominar as técnicas do design gráfico para elaborar rótulos e também do design de produtos para pensar o invólucro propriamente dito. Como se isso fosse pouca coisa, o sujeito também tem que conhecer a fundo todos os materiais e processos industriais disponíveis. Definitivamente, design de embalagens não é para amadores. O ideal é que um profissional de marketing e um publicitário também façam parte da equipe que vai fazer um simples biscoitinho provocar furor nas prateleiras.

Mas olha só que interessante: faz tempo que já se percebeu que a tendência dos negócios não beneficia os biscoitinhos e margarinas da vida. A nata da lucratividade não vai mais estar em vender coisas físicas – basicamente, a grana vai para as mãos de quem oferecer serviços. Claro que eles precisam ser originais, suprir demandas que ninguém imaginou antes, e, além disso tudo, terem valor para quem os compra. Imagine o mais sofisticado celular que existe. Sem serviços que o façam funcionar, ele é apenas lixo. Não adianta alguém oferecer a você uma Ferrari a preço de banana se não existir nenhuma oficina no Brasil que possa fazer a manutenção da máquina ou não tiver gasolina para ela.

Beleza, então quem vende serviços como um dentista, um palestrante ou um advogado, não precisa se preocupar com a embalagem, já que vende coisas intangíveis, certo?

Aí é que boa parte desses profissionais erra feio. É que para serviços, que dependem basicamente da credibilidade que conseguem comunicar, as técnicas de convencimento e persuasão precisam ser muito mais sofisticadas. E para isso, é justamente a embalagem que vai ajudar.

Como assim? Serviços não são invisíveis, intangíveis, incheiráveis e intocáveis? Então como é que a gente embrulha isso?

Bem, vamos pensar juntos. Uma embalagem serve basicamente para proteger, conservar e transportar o produto. Menos basicamente, serve também para comunicar o que esse objeto tem de tão especial, para informar o seu conteúdo, posicionar a empresa que o fabrica (e vende) e para seduzir o comprador. A embalagem, nesse caso, também carrega uma marca que garante a procedência e a qualidade do que tem lá dentro. Mas então, como é que a gente vai fazer isso com um serviço?

O serviço é um produto intangível, mas não precisa ser invisível. Em geral, alguma coisa física é entregue: seja uma carta, um manual, um relatório, um cronograma, um plano de ação, um projeto, até mesmo apenas uma resposta para uma pergunta, enfim, uma informação importante para alguém que está pagando por ela. E já que é importante, precisa também parecê-lo por uma questão de coerência.

A folha de papel onde essa jóia está escrita precisa estar à sua altura, assim como a pasta, o envelope, a qualidade da impressão, a encadernação e tudo o mais. O mesmo vale para a linguagem, a concisão, a correção gramatical, a diagramação; se você for ver, é tudo embalagem. São coisas que valorizam e posicionam o conteúdo, que o protegem, que ajudam a construir aquela marca que garante a procedência e a qualidade.

Se nada físico for entregue, convém também caprichar: contatos telefônicos realmente eficazes, sites bem projetados e com design atraente, ambientes de atendimento que funcionam.

Ninguém, a não ser um expert, saberia reconhecer um diamante raro se ele não estiver bem lapidado e numa caixa de veludo. Com os serviços, é a mesma coisa. Como nem todos os clientes são experts e conseguem reconhecer um verdadeiro tesouro à primeira vista, convém dar uma ajudinha. Mas claro, lembre-se que não funciona embalar porcarias em caixas de marfim.

Então, não economize em papelaria e cartões de visita. Não dispense a ajuda de um bom designer para criar um ambiente ou elaborar um site. Faça o melhor que puder. Lapide seu português, burile seu estilo, capriche na revisão. Os perfumes mais caros têm sempre embalagens lindíssimas, já que um líquido desbotado dificilmente conseguiria despertar tantas fantasias.

Duvido que os fabricantes de cosméticos franceses tivessem coragem de cobrar aqueles absurdos se as embalagens fossem de plástico descartável. É claro que o valor não está só na embalagem; há pesquisa, desenvolvimento, qualidade das matérias-primas e muita coisa por trás, mas é preciso ser coerente. Big Mac. Starbucks. Coca-cola. Você realmente acha que a embalagem não faz mesmo diferença?

Assim, pense bem. Não enrole o seu tesouro em jornal. O cliente pode pensar que é apenas peixe e vai querer pagar preço de feira.

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20 abr 12

Então, sabe gente apaixonada, que vê tudo lindo, colorido e maravilhoso? Pois é, estou assim, tendo que me conter para não chorar na rua cada vez que vejo as árvores todas brotando ao mesmo tempo, as flores, os cachorros, os passarinhos e até esquilos (vi um ontem). Estou perdidamente apaixonada por Berlin e pelo Conrado, que além de ser a pessoa mais fantástica e sensacional do mundo, ainda me trouxe para morar aqui. Como não amar?

Pois é, vocês já devem estar cansados de tanto que eu falo da primavera em Berlin, mas é sério, não consigo parar de me deslumbrar e de me comover. Talvez seja porque estou sozinha desde que cheguei e é muita beleza para ver sem ter com quem compartilhar (o Conrado está agora no México e amanhã segue para os EUA para mais uma semana; só sábado que vem é que verei meu amor de novo).

O que me faz lembrar daquele texto do Eduardo Galeano, que conta a experiência de um menino que vai ver o mar com o pai pela primeira vez. Diante daquela imensidão, o menino agarra a mão do pai e diz: — Pai, é muito grande! Me ajuda a ver…

Então, me ajudem a ver, por favor…

Essa obra de arte fica bem na frente da minha escola

Fala sério: alguma vez você já viu uma coisa linda assim na frente da sua escola?

Como não se emocionar com a vida brotando?

Depois da chuva, o chão fica assim, todo douradinho com as flores que caem

Desculpaí, mas esse é o meu quintal...

Quem diria que um dia eu poderia me dar ao luxo de olhar todo dia para uma cerejeira?

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20 abr 12

É banal, eu sei, mas ultimamente ando com os olhos tão ligados que nem supermercado escapa. Mas vê se não é mesmo para prestar atenção…

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19 abr 12

Para colaborar com o clima primaveril de Berlin, resolvi comprar sementes de flores para plantar na sacada.

A questão é que aí apareceu um indivíduo muito atrevido cobiçando abertamente minha pobre plantação, sabe como são esses vizinhos invejosos. Não quero plantar mudas porque curto ver as coisinhas brotando; então, a solução que encontrei foi comprar comidinha de passarinho e colocá-la em cima da terra (já deu para ver que meus conhecimentos botânicos são do mais alto garbo científico; vai vendo só a falta de noção, minha gente).

Bom, cheguei hoje em casa depois da aula e só posso dizer que a festa foi de arromba. Tem terra espalhada pela sacada toda, acho que eles sambaram e dançaram pagode em velocidade 5 o dia inteiro, só pode! Ainda consegui pegar no flagra alguns rapazes que ficaram para a saideira.

Pois é, acho que vou ter que apelar para as mudas mesmo, pois adoro festa aqui em casa…

O primeiro suspeito até que era elegante e bem apessoado, por assim dizer (e olha só que linda a cerejeira toda florida).

Mas aí o povão viu que tinha boca livre e não perdoou

São fofos de tudo, mas não têm nenhuma classe, esses bagunceiros

Pena que na hora em que fui fotografar, mais da metade deu no pé (ou nas asas, no caso)

Pelo jeito esse moço foi escalado para apagar a luz depois de todo mundo ir embora

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