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Top 10: as fotos mais legais de fevereiro

Essas foram as minhas 10 fotos mais curtidas nas redes sociais no mês de fevereiro. Aos pouquinhos o inverno vai se despedindo (esse ano ele quase nem veio, só deu um alô) e vamos nos preparando para a chegada da primavera.

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Essa aqui gerou uma discussão sobre as lâmpadas e até apareceu numa matéria do blog 99jobs replicada no Catraca Livre representando a cidade de Berlim.

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Como resistir a uma árvore sensualizando em pleno parque?

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Uma parte desse lago ainda estava congelado, mas o rapaz que serviu como modelo não estava nem aí para o frio.

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Esses canos fazem sucesso sempre que aparecem. Eles são drenos de água de obras de construção civil; só que em Berlim, não poderiam ser cinzas e feios como nos outros lugares, né?

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Um dos poucos dias de inverno de verdade esse ano, onde São Pedro resolveu se exibir mandando bastante neve.

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Esse prédio é ocupado, na sua maior parte, pelo ministério da Ciência e Tecnologia daqui. Mas não deve ser próprio, pois tem outros empreendimentos compartilhado o espaço também.

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Tive que pagar € 1 de cachê para poder tirar a foto, mas acho que valia muito mais. O dono da barraca de roupas no mercado de pulgas era um artista, acompanhado do seu peludo amigo performático.

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Tem dias que o melhor mesmo é ficar no preto & branco.

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Nunca posto selfies, mas achei bacana esse efeito de espelho no vidro da janela do trem. Supresa mesmo foi a reação: essa foi a foto mais curtida da história do meu Instagram + Facebook até hoje!

Pintando o sete em Berlim

Uma das muitas bobagens que ouvia (e acreditava) quando ainda morava no Brasil é que os alemães adoram artesanato brasileiro porque aqui na Europa não tem quase nada feito à mão. Falácia. Eles gostam do artesanato brasileiro simplesmente porque amam colocar a mão na massa e valorizam tudo o que não é fabricado em escala industrial.

Mas o que me chamou atenção mesmo foi um modelo de negócios muito interessante: cafés onde você pode ir, reunir-se com os amigos ou com a família para pintar cerâmica.

Em Berlim são sete filiais da Paint your Style e deve ter outras concorrentes também. Nas vésperas de Páscoa, Natal e férias escolares é quase impossível conseguir um lugar, de tão lotado. As crianças também curtem fazer aniversários aqui. Tem coisa melhor e mais divertida? Eu já fui com cinco amigas passar uma tarde maravilhosa para fazer um presente surpresa para outra que estava indo viajar. Cada uma pintou uma peça e foi inesquecível!

Funciona assim: você chega, e a primeira coisa a fazer é lavar as mãos (elas têm gordura que podem grudar na cerâmica e dificultar a absorção da tinta). Aí você escolhe a peça que quer (na estante tem algumas já pintadas para quem quer se inspirar), escolhe as cores, senta na mesa e começa a brincadeira. Embaixo da peça a pessoa pinta seu nome, para identificá-la depois. Quando você “fecha a conta” e entrega as peças no balcão, a moça guarda tudo em bandejas para colocar no forno depois (que só funciona alguns dias da semana). Aí ela marca um dia para você pegar sua obra de arte (ai, que ansiedade para ver como ficou!).

Por experiência própria posso dizer que é um programa prazeroso e integrador para pessoas de todas as idades. Ontem me encontrei lá com a Cris e a Gisele (que trabalha na loja de Kreuzberg). David, um dos sócios, foi super querido e me deixou fotografar tudo.

A gente sabe que uma coisa funciona e faz bem, quando vê uma criança com seus dois avós bem velhinhos pintando pecinhas como se todos tivessem a mesma idade, casais de namorados brincando juntos e amigas dando boas risadas. Como não amar isso, minha gente?

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Tente imaginar uma versão melhor do paraíso…

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É muito amor.

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Inspiração é o que não falta.

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Você escolhe a peça que vai pintar. Uma caneca custa por volta de € 10 com tudo incluso.

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Embaixo dos tubos de tinta tem uma amostra de cerâmica já cozida para a pessoa ter ideia de como a cor vai ficar. Quando a gente pinta, parece aquarela.

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Duas amigas passando a tarde da melhor maneira possível.

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Todo mundo adora brincar!

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A Gisele colocando as peças no forno.

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Se a pessoa quiser, pode levar pias e vasos (desde que caibam no forno). O risco deles se quebrarem no processo é grande, pois já sofreram um cozimento anterior, mas e as ideias que já comecei a ter por aqui? Rsrsrsrsrs….

 

Achei que vocês iam gostar de saber também.

Tipos para todos os gostos

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Não me lembro como é que cheguei nesse livro (deve ter sido por uma das trocentas newsletters que assino), mas, olha, valeu demais. Comprei no pré-lançamento no final de janeiro e recebi semana passada, com autógrafo e tudo!

The type taster: how fonts influence you, de Sarah Hyndman, foi uma das melhores surpresas dos últimos tempos. A expectativa já era alta (por causa do nome), mas Sarah conseguiu superá-las.

O começo é o básico de qualquer livro de tipografia: fala da influência sutil das fontes tipográficas em qualquer peça de comunicação e observa que o que era domínio de poucos até pouco tempo atrás, tornou-se popular e acessível a qualquer um. Hoje, escolhe-se a fonte em que se vai ler um texto no Kindle como se fossem sabores de pizza. Conta o caso da Gap, que tentou mudar seu logotipo e teve que voltar atrás por causa da reação indignada dos clientes (ela não citou a Ikea, mas o caso foi análogo).

Um pouquinho de história também está lá: a primeira fonte (Engravers Old English, de 1450, com aquelas letras góticas, usadas por Gutenberg para imprimir a primeira bíblia), a invenção de outras fontes mais legíveis e, principalmente, a revolução provocada pela invenção do itálico, que diminuiu consideravelmente o tamanho e peso dos livros, aumentando sua portabilidade.

Sarah nos conta que os tipos, assim como as cores, sons, texturas, sabores e cheiros, provocam emoções e alteram a mensagem comunicada. Eles carregam mensagens subliminares, justamente porque a maioria de nós não presta atenção neles. As fontes fazem o papel de nosso tom de voz quando falamos: a palavra toda escrita em caixa alta (maiúsculas) simula gritos; fontes “gordinhas” equivalem a vozes graves, assim como as magrinhas, mais sutis, representam os sons mais agudos. As curvas e elementos dão musicalidade ao discurso, além de assertividade, seriedade, enfim, uma série de características que afetam o resultado final de nossa percepção.

Um exemplo bem comum é o de fazer com que um alimento industrializado pareça ser feito artesanalmente: ao inserir algumas falhas propositais na fonte tipográfica, como se fosse carimbada ou aplicada com estêncil, a mensagem é comunicada sem que o fabricante corra o risco de ser acusado de propaganda enganosa. Malino, né?

Hyndman fala um pouco também dos princípios semióticos: as formas arredondadas, como já nos explicou Donald Norman, são normalmente associadas à sensação de conforto, ao contrário dos ângulos agudos, que despertam nossos alarmes de perigo.

Em outro exemplo, ela nos explica como se sustentam os clichês nos cartazes de cinema: porque sempre se usa sempre fontes sem serifa para anunciar comédias; tipos modernos como o Didot para promover filmes românticos e a família Trajan para filmes épicos e inspiradores? Há fontes associadas ao luxo nostálgico, ao dinheiro, à moda, aos movimentos revolucionários, à ficção científica, enfim, é só observar com cuidado que dá para identificar padrões.

Mas o mais bacana mesmo são as muitas pesquisas práticas que ela  faz para descobrir como as pessoas percebem e sentem os tipos. Tem uma em que ela pede para o povo adivinhar quais são os produtos mais caros e mais baratos só pela fonte usada no rótulo e qual a profissão de alguém só com base nas fontes tipográficas usadas no seu cartão de visitas (ela produz vários, com as mesmas informações, mudando apenas a fonte). Aliás, esse capítulo sobre a relação entre as fontes e as profissões já vale o livro. É claro que se pode fugir dos clichês, mas há que se ter em mente que a mensagem terá um pouco mais de dificuldade de ser apreendida pela maior parte das pessoas.

Até a reação dos leitores a determinadas notícias no jornal sofrem influência de acordo com a fonte em que o texto é escrito. É claro que isso não é novidade para quem já leu um pouco sobre tipografia; o que ainda não tinha visto eram pesquisas com números que comprovassem a teoria.

Outro caso interessante é a avaliação que as pessoas fazem de um chef de um restaurante baseando-se na fonte tipográfica do menu. É incrível a influência, inclusive na percepção de preço. Há pegadinhas onde se faz uma pergunta capciosa (exemplo: “quantos animais de cada espécie Moisés levou para a arca?”. O trabalho do pesquisador David Lewis mostra que se a fonte é fácil de ler, 80% das pessoas erra e responde um par. Quando a fonte exige um pouco mais de concentração na leitura, esse número cai para 50%; metade consegue se dar conta que o sujeito da arca é o Noé, não o Moisés. Louco isso, né?

As fontes também influenciam o humor das pessoas e fazem com que elas consigam voltar no tempo (e nesse capítulo fiquei sabendo que há o Museum of Brands em Londres que guarda embalagens desde a época Vitoriana. Não posso perder de jeito nenhum!).

Sarah gosta e sabe brincar com as letras. Ela apresenta o equivalente tipográfico aos filtros de imagens do instagram. É legal demais, olha só:

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Ela diz também que as fontes que a gente mais gosta e usa revelam muito sobre a nossa personalidade (claro, assim como as roupas, o corte de cabelo, etc). Por isso, o livro é oferecido com a capa em cinco fontes diferentes e você escolhe qual prefere quando faz o pedido: Baskerville, Claredon, Didot, Gill Sans e Helvetica. O meu é em Gill Sans (adoro). Resumo: sou uma tradicionalista que gosta de pensar que é moderna…rsrsrs. O texto é bem maior, mas não vou reproduzi-lo aqui não (parece horóscopo; acerta umas coisas e erra outras).

Olha, o livro é diversão até o fim: veio com um óculos 3D para o estudo da percepção das fontes, propõe uma série de atividades (ótimo para professores) e até fotos de balas e biscoitos que traduzem a personalidade de cada fonte tem (com receitas e tudo!).

Meu único reparo é que essa primeira edição, de 2.000 exemplares, foi impressa on demand. Daí que a encadernação é boa, mas como o papel interno é muito grosso (170 g/cm²), fica difícil de manter o livro aberto durante a leitura.

No mais, recomendo com estrelinhas. Vai lá: The type taster.

Supermercado só no nome

Olha, não sei porque esse lugar se chama Supermarket, pois não se parece nada com um. Talvez a ideia tenha sido reunir ofertas variadas e acessíveis, só que num segmento mais cultural; sei lá.

Esse espaço conceitual (como eles mesmos se descrevem) reúne artistas, designers, arquitetos, fotógrafos, empreendedores e o povo da mídia em exposições muito bacanas. A instalação fica naquele shopping bacana que falei há um tempo (o Bikini Berlin) e é um misto de loja, galeria, lounge, restaurante e café. Aos domingos tem sempre uma banda de jazz tocando enquanto o povo relaxa e se joga num brunch.

Com vista para o zoológico e uma decoração aconchegante, dá vontade de morar nesse pedaço. Dá não?

Vem ver!

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Comece olhando para o teto e repare o capricho <3

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Comidinhas simples e frescas, todas feitas aqui mesmo.

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Jazz in Brunch, todo domingo a partir das 11 h.

7 exemplos de design da contradição

A gente sabe que a marca gráfica deve traduzir a essência da empresa que representa e que, quando isso não for possível, pelo menos que ela não contradiga seu DNA.

Pois, infelizmente, nem todas as empresas confiam essa missão tão importante a um profissional qualificado para o trabalho. Não vou discorrer sobre o processo de criação de uma marca, que é longo, trabalhoso e está longe de ser apenas um desenho.

Dito isso, há marcas mal construídas por diversos motivos; seja por sua qualidade gráfica e de reprodução, seja por falta ou inadequação de um conceito que a sustente.

Mas há erros que são mais básicos que esse: quando o design contradiz justamente o que está escrito. Pode parecer improvável, mas é mais comum do que se imagina. Seja por desatenção, amadorismo ou mesmo falta de uma análise crítica mais aprofundada, muitas empresas representam seu próprio nome de maneira contraditória.

Essa minha coleção de marcas é bem antiga (deve ter mais de 10 anos) e muitas empresas já fecharam ou atualizaram as representações. Mas a análise continua interessante.

Quer ver?

1. Uma marca que se chama êxito deve traduzir sucesso, confere? Mas qual é o símbolo do seu contrário, o erro, o fracasso? Seria um “X” bem grande grafado em vermelho como esse que aparece bem no meio da palavra? Bom, talvez eles considerem essa contradição uma inovação, vai saber…

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 2. O dicionário Aurélio diz que essencial é o indispensável, o necessário, o fundamental. Nenhum dos adereços agregados a essa marca gráfica são essenciais. São, pelo contrário, excessivos e supérfluos, pois não contribuem para comunicação do conceito. E o que dizer de uma marca de moda branca grafada em preto e laranja?

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 3. Uma empresa chamada estática deve ter um símbolo gráfico, digamos assim, estático. Concorda? Mas você consegue imaginar algo mais dinâmico do que essa tríade giratória? Para mim, o movimento chega a ser hipnótico…

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 4. Agora pense nessa empresa, a Rode Bem. Para rodar bem, é preciso que os pneus estejam em perfeito estado de conservação, com a banda de rodagem intacta e bem soldada na estrutura. Mas, peraí…é impressão minha ou essa banda de rodagem está descolando da roda?

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 5. Pense no conceito de completo: algo que está inteiro, sem nenhuma parte faltando. Exatamente como as letras dessa marca….ooops!

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 6. Inovação, você sabe, é uma coisa nova, que ainda não foi inventada, tipo assim… esquadro? Compasso? Ainda preciso dizer que o arquivo era um gif animado que não consegui reproduzir.

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7.  Essa última não é uma contradição propriamente dita, além do que, o design está mais bem feito que os demais. Mas penso que uma empresa que quer progredir e ir para a frente, não pode ter como símbolo um avião voando para trás, voltando. Sim, entendi que o avião forma o “E”, inicial da empresa. Mas a mim incomoda um pouco. Só uma opinião, claro.

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Para finalizar, só queria deixar claro que o que está sendo analisado não é a qualidade do projeto ou a competência do designer, mas a contradição entre o que está escrito e o como está escrito.

Pense nisso.

Rapaz feliz

Se tem uma coisa que dou valor é gente que usa a criatividade para diferenciar seu negócio. Daí que estou sempre ligada a ideias bacanas que saiam do lugar comum; passando pela Friedrichstraße já faz algum tempo, reparei na hamburgueria “Hans im Glück“.

O nome já me chamou atenção (a tradução é algo como “Hans feliz”). A origem é um conto dos irmãos Grimm, que, em português, virou “João com sorte” ou “João felizardo”. A história narra as aventuras do garoto, sempre otimista, que se mete em enrascadas mil, perde tudo o que conseguiu amealhar como resultado de sete anos de trabalho, mas sempre consegue ver o lado bom da coisa. É tipo uma Poliana alemã…rsrsr

A ideia dos empreendedores está impressa na página principal, com a frase que encerra o conto: “ Tão feliz como eu sou, não há homem sob o sol!“. E não duvido que eles consigam; o hambúrger não tem nada de especial, mas o ambiente é muito acolhedor. Todo decorado com troncos de árvores, a pessoa se sente mesmo numa floresta de conto de fadas.

Olhaí e vê se não é para o cliente ficar feliz mesmo.

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O moço aí do cantinho não pegou o espírito da coisa..rsrsr

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Inferno

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Já faz um tempo que terminei de ler “Inferno”, do Dan Brown, mas agora me dei conta de que não compartilhei a dica de leitura.

Não é uma obra que eu leria em português, mas, para quem está aprendendo uma língua estrangeira, recomendo bastante (li em alemão e achei bem acessível). Os livros do Dan Brown são ótimos porque descrevem apenas cenas de ação; o personagem principal, o professor de simbologia Robert Langdon, não pensa, não come, não bebe, não dorme, não transa, não faz xixi, enfim, não faz nada a não ser correr e tentar decifrar enigmas. Isso reduz bastante o vocabulário e, porque os capítulos são bem curtos e sempre terminam com um gancho para o próximo, facilita demais.

Bom, a maior parte do enredo se passa em Firenze e só a descrição dos monumentos e museus já vale a leitura. Ainda não visitei essa belíssima jóia italiana, mas a vontade só aumenta. Ele passa um dia em Veneza e outro em Istambul também.

A história, apesar de muitíssimo criativa e bem descrita, tem vários furos (personagens que somem, partes mal explicadas), mas o que me impressionu mesmo foi justamente o argumento central da trama.

Eis que um cientista genial, polêmico e controverso, incomoda-se muito com o fato da população do planeta estar aumentando exponencialmente de maneira insustentável (apesar de ser o vilão, o moço tem toda razão e argumentos muito válidos). Por causa do aumento da expectativa de vida e redução da mortalidade infantil (devido a vacinas, curas de doenças, hábitos de higiene, tecnologias de reprodução, melhoria na alimentação, etc.) conquistadas no século XX, nunca houve tantos habitantes no planeta explorando tanto. Dá uma olhada no gráfico do crescimento populacional que ele apresenta no livro e assuste-se comigo. É apavorante:

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Fonte da imagem aqui.

Essa curva tende a subir infinitamente e o problema é que os recursos do planeta são limitados. Só para se ter uma ideia: se toda a população de hoje tivesse o mesmo nível de consumo de água, energia e produzisse a mesma quantidade de lixo que você e eu (estou considerando que somos ambos classe média), precisaríamos de quatro planetas Terra. Como não temos tantos planetas, a única maneira de manter nosso padrão de vida é que a maior parte da população da Terra seja absolutamente miserável no último grau de degradação. Você já pensou no absurdo que é isso? Sem falar que o número de seres humanos continua aumentando, sem nenhuma perspectiva de diminuir. Mesmo que se reduza o consumo de recursos e a produção de lixo, não há como sustentar essa situação.

Pois é, na história, o vilão ataca as organizações internacionais de ajuda humanitária e os acusa de ajudar a aumentar a população salvando pessoas e não dando a devida atenção a programas de planejamento familiar. Por todas as pistas que ele dá (usando o capítulo que trata do inferno na Divina Comedia de Dante Alighieri e episódios da peste negra) e que o protagonista interpreta, o que está em jogo é um super vírus que irá reduzir a população da Terra e resolver o problema, pelo menos, por ora. O tal cientista maluco se suicida durante a busca para impedir a tragédia que seria disseminar o tal vírus e a corrida do herói para “salvar” a humanidade é frenética.

Olha, não vou contar o final, mas achei surpreendente e muito criativo. Vai lá…

Top 10: as fotos mais legais de janeiro

Decidi criar uma nova sessão aqui no blog; todo mês vou selecionar as 10 fotos que mais ganharam likes no meu Instagram e colocar aqui. A ideia é alimentar os olhinhos dos leitores com comida saudável e cheia de vitaminas.

Vamos?

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1. A princesa Charlotte fez o maior sucesso com esse olhar 43. Não é para menos, a diva é irresistível mesmo…

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2. As ideias para fazer a cidade ficar mais bonita, interessante e colorida são infinitas. Olha aqui mais uma, das boas.

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3. Pelo jeito não fui só eu que adorei essas florzinhas descabeladas.

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4. Chão molhado e dia nublado: adoro!

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5. Todo mundo se impressionou com esse grafite em Nollendorfplatz. Ousadias que só se vê em Berlim.

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6. Impossível ignorar esse prédio de esquina todo adesivado. Em Nollendorfplatz também.

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7. No coração da cidade, a Friedrichstraße nunca perde o charme.

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8. Mais uma vez levar visitas para conhecer o parlamento alemão. Essa cúpula de vidro é linda demais.

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9. Essa dama de vermelho deixou o povo de queixo caído. O diabo vai de metrô, aqui em Berlim…rsrsrs

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10. O lençol freático é muito baixo por aqui, então toda obra grande precisa drenar a água. Mas se canos são necessários, por que não colori-los? Não é à toa que eu te amo tanto, Berlim…

Agora, só mês que vem :)

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A reinvenção do shopping center

Os berlinenses (e ouso dizer, os europeus, de maneira geral) não curtem muito passar horas em shopping centers. Diria até que detestam. O comércio de rua aqui é rei e, além disso, o consumismo não é tão desenfreado. Passear num shopping num dia de folga é considerada uma ideia bem bizarra por aqui, aliás. Qualquer berlinense preferirá ir a um museu, exposição,  ficar à toa na vida num parque ou ocupando a mesa de um café qualquer.

Por isso, os shopping aqui são pequenos (se comparados com os brasileiros), nada espetaculosos e prioritariamente frequentados por turistas.

Digo isso porque há alguns meses foi inaugurado o maior shopping de Berlim, que, para um brasileiro, é apenas mais do mesmo que a gente já está acostumado a ver: muito mármore, muito vidro, muito dourado, muito luxo, muitas lojas de marca…zzzzzz  O empreiteiro pediu falência ao término da obra, que teve vários atrasos, e o povo até fica fazendo piada com isso (o tal schadenfreude, palavra alemã que significa se alegrar com a desgraça alheia).

Mas no começo do ano passado teve um projeto bem ousado com o objetivo de mudar o conceito de shopping center: o Bikini Berlin, bem onde era o antigo centro do lado ocidental da cidade. Aí sim, conseguiram fazer um empreendimento com a cara e o conceito da cidade.

O Bikini Berlin, olhando de fora, parece mais um centro comercial (de fato, a construção não é muito grande, e a ideia não é essa mesmo). Todo o estilo da decoração é baseado em pallets e é bem minimalista: não tem dourado, não tem mármore, não tem gesso, não tem luxo (ufa!).

Na verdade, esse prédio é uma releitura do antigo Bikinihaus, que ficava no mesmo lugar, construído no auge da invenção do biquíni, nos anos 50. A edificação ganhou esse nome porque era arquitetonicamente dividida em duas partes, como a famosa roupa de banho tão em voga na época, veja que interessante.

O shopping fica coladinho ao Zoologische Garten (visitei o zoo durante a construção e foi bem difícil para os bichos, coitados, que sofreram demais com o barulho e a sujeira da obra) e tem vista para a ilha dos macacos balbuínos (aqueles com a bunda vermelha).

A maior parte das lojas do vão central é do tipo pop-up (ou seja, são temporárias) e montadas sobre estruturas de madeira e arame. Mesmo as lojas fixas são bem despojadas, com piso de cimento queimado e com o máximo de coisas feitas à mão (incluindo cartazes com o nome dos estilistas das lojas de fashion design).

A parte que mais gosto é um pano de vidro que dá diretamente para o zoológico; a moldura da janela tem almofadas espalhadas para a pessoa passar o dia inteiro lá meditando, se quiser. A parte externa tem um pátio também com vista para o zoo onde os cafés colocam mesinhas e sofás com design bem original. Além de cafés e lojas, o complexo de 7000 m² tem um cinema de rua, restaurantes, escritórios, uma escola de design, ateliers e um hotel (um dos mais bacanas que já vi, por sinal, totalmente dentro do conceito). Aliás, sobre os cafés vou falar depois; eles merecem um post só para eles…

Enfim, é tudo muito diferente do que a gente está acostumado a ver num shopping. Pelo que li, o lugar ganhou o coração dos berlinenses, mas não o bolso (parece que o retorno financeiro ficou um pouco aquém do esperado).

Para quem precisa alimentar os olhos todo dia com coisas bacanas e os neurônios com ideias novas, recomendo demais!

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Até a fachada é diferente dos outros shoppings, já que a construção não é um bloco, mas vários prédios interligados.

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Pano de vidro com vista para o zoológico; sim é possível ter paz dentro de um shopping.

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Os cartazes na frente dos cabides indicam os nomes dos estilistas.

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Em busca do cool

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Com certeza você já ouviu esse termo por aí: coolhunter. Mas você sabe o que significa, de onde veio essa palavra, para que ela serve?

Pois a queridíssima e muito competente Fah Maioli, expert no assunto, teve a delicadeza de escrever um livro explicando todos os pormenores, o Manual do Coolhunting: métodos e práticas.

Essa gaúcha que trabalha como trend analyst há 16 anos em Milão, conta que  o primeiro a usar a palavra foi Malcom Gladwell, num artigo escrito em 1997 para o periódico New Yorker. Revela ainda que antes do coolhunter, a palavra que mais se aproximava dessa prática era o flaneur, aquela pessoa que adora passar o tempo caminhando pelas ruas para contemplar cada detalhe da cidade: as coisas, as pessoas, os cenários, os personagens, a música, os cheiros (ah, como me identifico!).

Mas a partir daí, quando o coolhunter foi integrado ao sistema da moda, a coisa ficou muito mais complicada e sofisticada, pois há toda uma estrutura complexa por trás das coisas que consumimos, desde a forma como são identificadas e/ou definidas tendências, a observação do estilo de vida das pessoas até a valorização dos formadores de opinião; enfim. A Fah tem toda a paciência de destrinchar cada termo e cada papel, de explicar a influência de cada comportamento, além de contar um pouco da história da moda do ponto de vista antropológico e de cultura do consumo.

Então, para resumir bem, o coolhunter é a pessoa que caça hábitos, estilos de vida e tendências de consumo cool (bacanas, legais, com potencial para ser desejados e copiados, que possam impactar o mercado), incluindo aí moda, gastronomia, arte, música, design, arquitetura, literatura, cinema, etc. Ele é um intermediário de cultura que faz a ponte entre aos centros de produção cultural e as empresas de produção de bens de consumo.

E a Fah lembra que coolhunter não é uma profissão, mas um conjunto de atividades profissionais. Fiz um desenho para compreender melhor, mas não sei se está certinho (posso ter entendido errado, corrija aí alguma falha, amiga!) que mostra os diferentes papeis que o coolhunter pode assumir e as conexões entre eles.

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Se você é interessado em entender o espírito do tempo (Zeitgeist), não pode perder de jeito nenhum. Recomendo fortemente!

Aqui tem para vender.

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Se quiser saber mais sobre o tema, resenhei outros dois livros também interessantes: “Observatório de sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências”, de Dario Caldas e “Cool Hunter“, de Scott Westerfeld

 

Redesenhando a liderança com simplicidade

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Desde “As leis da simplicidade” virei fã do John Maeda. E, pelo jeito, não fui só eu; depois de publicar o livro e fazer uma palestra no TED, ele foi convidado para ser o diretor da maior e mais tradicional escola de design dos EUA, a Rhode Island School of Design.

Apesar de ser um sujeito de múltiplos talentos, esse engenheiro japonês que depois virou designer respeitado e artista plástico premiado no mundo todo, era um pacato professor do MIT (Massachussets Institute of Technology) e nunca tinha assumido um cargo de tanta responsabilidade, ainda mais porque o convite foi feito quando a escola enfrentava o auge de sua pior crise financeira.

Mas Maeda já tinha passado por muita coisa para saber que o que ele mais gosta de fazer na vida é aprender. Então, saiu de sua zona de conforto para descobrir, on the fly, o que é ser um bom líder. Diz ele que está aprendendo até hoje (para a sorte de todos) e, generoso como os líderes devem ser, compartilha as coisas que vem testando, praticando e avaliando no livro “Redesigning Leadership”, escrito com a colega Becky Bermont.

A primeira coisa a se observar é que o moço não perde a coerência: adepto da simplicidade, o livro só tem 80 páginas e, à parte da introdução e agradecimentos, é dividido em quatro capítulos: o criativo como líder, o tecnologista como líder, o professor como líder e o humano como líder. A maior parte da organização do conteúdo foi estruturada nos 1.200 posts que John publicou no Twitter nos primeiros anos da experiência, veja só.

Na introdução ele já compartilha um certo desconforto, pois além de até então ter trabalhado prioritariamente sozinho, reconhece que líderes não são muito respeitados no meio criativo porque evocam uma ideia de autoridade. Então se viu repentinamente no lugar da pessoa que, tradicionalmente, designers e artistas costumam criticar. Mas ele aprendeu com seus pais e alguns mestres japoneses que o trabalho fica mais bem-feito quanto mais a gente se empenha apaixonadamente em fazê-lo. Eis que Maeda mergulhou de cabeça no aprendizado.

Ele começou tentando entender na prática como a instituição funcionava. Para isso, imiscuiu-se nas entranhas da universidade: serviu lanches na cafeteria, ajudou a carregar a bagagem dos novos estudantes que chegavam ao campus, levou comida encomendada pelo pessoal da segurança, almoçou na cantina ouvindo as conversas. Ele foi entender a engrenagem do negócio por dentro e estava se achando muito inovador (designers e artistas são assim mesmo, não temem colocar a mão na massa) quando descobriu que muitos anos antes um outro diretor já tinha feito o mesmo (e era um ex-administrador de hospital).

Nessa fase, começou a questionar o delicado equilíbrio entre ser um líder participativo e microgerenciar, que é um desrespeito às funções de outras pessoas. Entendeu também a importância de não apenas reunir as informações mais relevantes para compartilhar com sua equipe mas explicar porque é tão vital que todo mundo as conheça. Mais do que apresentar dados, é importante que as pessoas entendam porque eles estão lá e o que de fato significam. Nesse momento, percebeu também o fundamental papel do feedback e da ciência que é saber ouvir.

Como tecnologista, Maeda compreendeu que mais importante que ser transparente, é ser claro e assertivo. De quebra, compartilha uma dica preciosa que ganhou de um antigo mestre: sempre que explanar um conceito, continue a explicação com a frase “por exemplo…”. Ele também descobriu que numa reunião sempre tem as pessoas que vão de boa vontade, as que vão porque são obrigadas (e ficam o tempo todo futucando seus smartphones) e aquelas que só estão atrás da comida (e que bom humor é fundamental sempre!).

Como professor, ele entendeu que precisava formar um time e que a visão precisaria ser clara e atrativa o suficiente para as pessoas realmente quisessem, de coração, fazer parte. E que ele não seria um bom líder se também não aprendesse a ser um bom seguidor.

Finalmente, como humano, compreendeu que liderar implica tomar decisões que podem ferir (ele foi obrigado a demitir pessoas) e intuiu que havia informações que ele podia compartilhar com o grupo abertamente e outras que não. E que a melhor maneira de decidir sobre isso era ouvir, ouvir, ouvir, ouvir sempre.

Por último, John aprendeu que o líder conquista o respeito das pessoas por seu próprio mérito; ele não vem automaticamente por causa da posição hierárquica na empresa.

Se Maeda está sendo um bom líder para a organização que agora preside eu não sei; mas, nós, comuns mortais, agradecemos imensamente pela oportunidade de aprender com essa jornada.

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Dei uma pesquisada e vi que o título não foi lançado em português, mas a versão original, em inglês, está disponível na Livraria Cultura.

O segredo da câmera obscura

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Um dos meus programas prediletos aos sábados é garimpar livros nos mercados de pulgas; sempre encontro preciosidades por uma moedinha de € 1. Sábado passado não foi diferente: achei “Die Genheimnis der Camera obscura“, de David Knowles.

Nunca escondi que sou dessas pessoas que escolhe livro pela capa. E pela encadernação, pela diagramação, pela tipografia, pelo tipo de papel. O título, misterioso, também me seduziu, de maneira que não tive outro jeito senão levar o bonitinho para casa.

O livro conta a história de um ex-bibliotecário que herda de seu pai uma câmera escura em escala humana (do tamanho de uma sala) e passa a operá-la como atração turística em um penhasco no litoral americano.

Para quem nunca ouviu o termo, câmera escura, ou obscura, é a bisavó das câmeras digitais que a gente usa hoje em dia. Trata-se de uma caixa com um furo pequeno em uma das faces; princípios óticos fazem com que a imagem em frente a essa face seja projetada do lado de dentro da caixa, só que invertida. Dá para fazer a caixa de vários tamanhos diferentes, desde um pouco maior que uma caixa de sapatos, como aquelas câmeras de cortininha de antigamente, quanto do tamanho de uma sala.

O narrador é solitário e meio perturbado; só tem um amigo, um estudante de arte com quem mantém um relacionamento superficial e um pouco turbulento. Ele escreve um diário onde registra suas pesquisas sobre a invenção do mecanismo. No momento em que o livro começa, uma moça italiana que frequentava diariamente o local havia um mês (por quem ele mantinha um amor platônico) é brutalmente assassinada (inclusive com a cabeça desaparecida) ao lado do ponto turístico.

O livro é uma reprodução do diário do moço e mistura a pesquisa com suas fantasias e sentimentos. Ele conta sobre os dois cientistas chineses que descobriram o princípio ótico que iria revolucionar o mundo e, por causa de uma briga passional, acabam sendo roubados por um padre italiano. O religioso traduz as anotações e presenteia o papa, mas esse não dá a menor bola. O tal caderninho vai parar numa sala onde Leonardo Da Vinci tem acesso, que também faz uso do recurso para suas pinturas e faz anotações a respeito. Os escritos passam de mão em mão, até que um comerciante holandês convence o grande pintor Vermeer a construir uma câmera escura usando um cômodo de sua própria casa. Crimes passionais acontecem aos montes e sempre tem um novo caderninho de anotações para dar segmento à narrativa.

Uma mistura de fatos históricos e fantasia com pitadas de mistério e crimes passionais dá um bom entretenimento.

Dei uma pesquisada rápida e não encontrei o título em português, mas na Amazon americana tem exemplares por apenas $0.01. Vale a leitura.

Um povo e suas contradições

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Todo país tem suas contradições e a Alemanha não seria exceção. O povo que fundou o partido verde, que é super consciente nas questões de consumo, que se preocupa com o ambiente e com a procedência da comida que come, que é maluco por plantas, parques e tudo o que é verde, que habita o lugar onde as crianças comem cenouras cruas, pepinos e pimentões como se fossem frutas na merenda, onde imperam as redes de supermercados bio, onde tudo é eco-friendly, enfim.

Pois é, esse mesmo povo vai lá na floresta, corta pinheirinhos, enfeita-os por um mês e depois simplesmente os joga fora, na rua mesmo. Essa semana as calçadas vão ficar cheias deles, tadinhos.

A estimativa é que, só em Berlim, sejam 400.000 dessas pobres árvores descartadas (é mais de uma árvore para cada 10 habitantes; imagina isso na Alemanha inteira?). Tem um serviço especial que as recolhe para que sirvam de combustível nas usinas de aquecimento de água, mas mesmo assim, né?

Eu acho um absurdo. Absurdo. Absurdo. Não sei que lorota contam para as crianças, tão preocupadas com o meio ambiente, mas pelo jeito, deve colar, pois ninguém acha nada demais aqui…

Horas de foguetório

O reveillon aqui em Berlim tem umas coisas que nunca tinha visto em outros lugares: eita povo mais fanático por fogos! É claro que há algumas queimas de fogos oficiais, como a tradicional festa no Portão de Brandemburgo (mas tem que chegar lá no máximo umas 5 da tarde se quiser ver alguma coisa; nesse frio não anima) e no Gendarmenmarkt, mas o grosso do foguetório é disparado pelos moradores mesmo.

Olha, acho que tem gente que passa o ano todo comprando fogos para soltar, não é possível.

Para vocês verem como não estou mentindo, um sujeito se deu ao trabalho de colocar uma câmera no carro e passear pela cidade; são 13 minutos ininterruptos, dá quase para sentir o cheiro de pólvora.

Olha:

Vida de manequim

Já são tantos casos de manequins de vitrine que sofrem maus tratos (alguns até expostos na rua, passando frio e calor extremos) e tantos descontentes com o emprego que resolvi criar uma categoria só para denunciar esses absurdos: é o “vida de manequim“.

Acompanhe mais um episódio que conta a dureza que é o trabalho desses corpos torturados pelo tédio, vergonha e dor na coluna.

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É o fundo do poço; ficar aqui nesse vento com os cílios postiços descolando e com uma coceira dos infernos. Ainda bem que só falta mais uma prestação…

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– Amiga, ele me deixou. Falou que eu usava blusas estampadas demais… – Pare com essa conversinha chata, não está vendo minha cara de revolta com o mundo? Já cortei até os pulsos, mas não adiantou nada…

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Afe, o Ricardo não me ligou até agora para dizer qual jaqueta ele ia escolher para sair hoje…

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A que ponto nós chegamos! Ter que tirar nossos piercings de umbigo só para ficar mostrando essas roupinhas datadas. O pior mesmo é ter que ficar encolhendo a barriga porque a dona da loja vai passar daqui a pouco para conferir nosso trabalho…

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Socorro, não consigo enxergar nada!!!

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Galera, parece que foi confirmado mesmo: vão reduzir o salário e aumentar a carga horária.

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Oh, não! Se reduzirem o salário não vou mais conseguir comprar meu rivotril. E agora?

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Um cara lindo como eu tendo que passar esse ridículo de encarar uma paella fria o dia todo e com essa roupa de Papai Noel que acabou de levantar da cama… ninguém merece!

O caso Collini

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Imagine que você é um advogado recém-formado e acorda de madrugada com um chamado urgente para ser defensor público de um assassino confesso. Não bastasse ser seu primeiro grande caso importante, você descobre que a vítima, morta na suíte de um dos hoteis mais famosos da cidade, é o avô do seu melhor amigo de infância, uma das suas referências mais queridas.

Mesmo assim, Caspar Leiden, nosso protagonista, decide assumir a defesa e mais, levá-la realmente a sério. Até a data do julgamento, o assassino não explica porque fez essa barbaridade e não se encontra nenhuma conexão conhecida entre ele e a vítima. Na metade do julgamento é que as coisas começam a se esclarecer de verdade.

Não fosse porque o caso se passa em Berlim (é uma delícia reconhecer os lugares descritos na história), o livro também é interessante porque conta casos muito curiosos (e revoltantes) da história alemã; coisas que a gente pensa que só no Brasil é que poderiam acontecer.

E mais não posso dizer para não cometer spoiler, apenas que recomendo bastante.

Não encontrei nenhuma versão em português, mas tem em espanhol (que é quase a mesma coisa…rs) e em inglês.

Uma vitrine como você nunca viu

Olha só que interessante a ação dessa loja da Sisley; a marca francesa tem uma loja sem muito destaque na região central de Berlin e resolveu chamar atenção de uma maneira discreta (sim, isso é possível, veja!).

Eles colocaram um caminhão-vitrine estacionado bem na frente da fachada. Nunca tinha visto uma vitrine tão bacanuda, principalmente dentro de um veículo de carga. Pelo capricho e os acabamentos, a adaptação não deve ter ficado barata, mas ficou linda!

Adorei, e você?

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Gente feia

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Como tinha gostado muito de Coolhunter, do Scott Westerfeld, resolvi conhecer outros livros dele. O autor é especializado em literatura para jovens, mas estou preferindo leitura mais fácil agora porque alemão já é complicado que chega (um dia lerei Thomas Mann no original, mas ainda vai demorar um pouco..rsrs).

Ugly: verlier nicht dein Gesicht* é uma obra de ficção científica onde, num futuro indefinido, a terra foi destruída pelos chamados “brutos” (nós) e alguns sobreviventes reconstruíram a civilização usando a tecnologia para usar menos recursos naturais e não poluir. A questão é que o conceito de limpeza foi extrapolado também na questão estética.

Nesse futuro, todas as pessoas crescem e estudam normalmente (a maioria em internato, pelo menos até a adolescência). Aos 16 anos, quando considera-se que o corpo já está formado, são todos submetidos a uma cirurgia plástica radical para aperfeiçoar não apenas a aparência, mas também o funcionamento do corpo (ossos são alongados com ligas sintéticas ultra resistentes, a pele toda é substituída, entre outras coisas). Os cientistas definem o que é considerado tecnicamente belo em termos de simetria e proporções e vai todo mundo para a forma.

A maioria esmagadora dos adolescentes adora, inclusive porque são condicionados a acreditar que são todos feios (uglies), a ponto de morarem numa parte separada da cidade. Eles têm softwares que simulam sua nova aparência (apesar das variações, são obviamente, todos muito parecidos). A protagonista sonha com esse dia, já que os “recém-bonitos” têm todos 16 anos e vivem em festas e reuniões sociais aparentemente pagos pelo governo (a população parece realmente ter diminuído muito). Além do que, seu namoradinho, algumas semanas mais velho, já sofreu a cirurgia e mora do outro lado da cidade.

A aventura acontece quando a mocinha conhece uma amiga que se acha bonita mesmo quando todos insistem que ela é feia. Ela gosta de ser como é e descobre um grupo de rebeldes que fugiu para viver em um lugar secreto sem ter que submeter à tal cirurgia transformadora.

Uma parte interessante é quando a moça encontra uma revista antiga (sobrevivente dos destroços do fim do mundo) e descobre que aquelas mulheres bizarramente magras e estranhas que estampam as páginas eram o padrão de beleza dos “rudes”. Ela se surpreende com a variedade de formas que o rosto e o corpo humano podem ter, vejam só.

Ler ficção científica em outra língua é meio complicado porque são descritas coisas que ainda não existem, mas pelo que pude deduzir, o povo todo se locomove por meio de skates voadores eletromagnéticos (amei essa parte).

Bem, a heroína passa por toda uma situação complicadíssima e arriscada, inclusive com teorias conspiratórias que não vou contar para não estragar. Ainda mais porque pensava que era uma trilogia e agora, pesquisando na Amazon, descobri que na verdade é uma quadrilogia. Só li o primeiro, então aguardem os desdobramentos.

Dei uma pesquisada e vi que a coleção foi lançada em português. Para saber mais, é só clicar aqui.

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*tradução livre: “Feio: não perca seu rosto”

Tapume chique

Numa das esquinas mais movimentadas da cidade de berlim, entre a Friedrischstraße e a Unter den Linden, fica a loja dos míticos carros esportivos da Porsche. Acontece que, bem nesse trecho, a expansão do metrô (que já é ótimo, mas eles estão pensando a cidade em 2030) está causando uma confusão enorme: desvios, tapumes, máquinas trabalhando, guindastes, enfim, tudo o que implica uma obra desse porte.

Pois a loja da Porsche aproveitou a bagunça para arrumar sua casa também e fechou as instalações para reforma. Mas olha só que ideia boa eles tiveram para a marca não cair no esquecimento enquanto o povo não pode entrar para admirar os carros: usaram o tapume para fazer uma mostra chamada “Porsche 911 im Spiegel der Zeit” (Porsche 911 no espelho do tempo). A “galeria alternativa” apresenta uma retrospectiva da história da propaganda em 100 anúncios do modelo 911 nos últimos 60 anos.

Em Berlim isso é uma prática bem comum; os próprios tapumes da obra do metrô mostram fotos antigas e contam um pouco da história daquele espaço. A ideia é tão boa que me lembrei de compartilhar.

Quem sabe vira moda nos outros lugares, né?

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