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Top 10: as fotos preferidas de junho

O verão já começou, mas a primavera ainda está toda exibida em Berlim. A seleção desse mês também teve vários bichinhos: uma família de cisnes com direito a patinho feio e tudo, um patudo no metrô e a incrível cara que a Isabel fez quando foi pega no flagra.

Qual foto você gostou mais?

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O dia estava cinzento, mas era só o dia mesmo.

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Esse olho foi instalado sobre o relógio de uma antiga fábrica da AEG que hoje funciona como um condomínio de empresas, no bairro Pankov.

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Todo mundo se encantou com esse túnel florido. Pena que não tinha como transmitir o perfume também…

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Uma família de cisnes com direito a dois patinhos feios. Eu achava que era só historinha de criança, mas parecem patinhos mesmo!

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Essa rua é tão verdinha; melhor lugar para almoçar em Moabit. A comida nem é aquilo tudo, mas o cenário…

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Essa é a esquina mais colorida da cidade. Fica em frente à estação de metrô Nollendorf Platz; acho que eles mudam toda a pintura umas duas vezes por ano. Estou colecionando as modificações para fazer uma galeria, que tal?

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Esse moço obediente estava meditando sobre o sentido da vida enquanto aguardava a condução. Fez o maior sucesso no Instagram e no Facebook. Como não? <3 <3

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Às vezes fico tão comovida que dá vontade de chorar quando ando pela cidade. Como pode existir um lugar tão lindo? A primavera aqui é cinematográfica.

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E essa carinha impagável que a Isabel fez momentos antes de avançar nas flores para saboreá-las? Quem aguenta essa gatinha?

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Entrei num hotel (a porta estava aberta e sou pior que cachorro) e vi um espelho de frente para o outro bem no corredor de entrada, olha a loucura do momento inception. E querem saber? Hoje achei outro. Acho que vou juntar mais para fazer uma galeria.

 

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A tal da loja sem embalagem

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A loja sem embalagem inaugurou em Berlim há quase um ano e desde o lançamento do projeto, venho sendo marcada no Facebook todas as vezes que sai alguma notícia a respeito. A pedidos, fui obrigada a ir até lá.

Bem, por algum motivo, vejo tantas coisas extraordinárias nessa cidade, mas não sentia vontade de conhecer essa loja em especial. Não sabia explicar por quê. Ontem eu fui e entendi um pouco melhor.

A ideia, que vem sendo vendida como inovadora e revolucionária, é muito bacana, mas não considero nem inovadora e muito menos revolucionária. Primeiro porque já existem projetos semelhantes com o mesmo conceito em vários lugares do mundo. Comprar produtos a granel é uma prática que conheci ainda criança, quando ia comprar feijão ou arroz no armazém próximo à minha casa, ou mesmo amendoim japonês e balas na barraca de doces perto da escola. O vendedor tinha uma espécie de caneca com alça, que funcionava como medidor, ou então usava uma balança mesmo. Se você quisesse, ele punha tudo num saco ou cone de papel, mas também podia colocar no pote que você levava de casa ou na sua lancheira; para ele, tanto fazia.

Em Florianópolis havia uma loja muito mais inovadora, do meu ponto de vista (não sei se ainda existe, que acho o conceito ainda mais disruptivo): sabendo que a embalagem é responsável por uma parcela importantíssima do preço de um perfume, você podia ir lá e fazer o refil no seu próprio vidro, pagando somente pelo volume de líquido.

Mesmo aqui em Berlim, em qualquer quitanda que se vá comprar legumes e verduras, você leva sua própria sacola e não usa embalagem nenhuma. Os próprios supermercados não fornecem sacolas, você tem que comprá-las se quiser usá-las (acho que no Brasil tem alguns lugares que é assim também).

Nas lojas de artigos naturais no Brasil, que eu saiba, praticamente tudo é vendido a granel nos mesmos moldes. Basta que o comprador leve sua embalagem se não quiser usar as do estabelecimento. Ou seja, depende muito mais do comportamento do consumidor do que da loja.

Por tudo isso é que não entendi o auê em torno da Original Unverpackung em Berlim. A ideia é bacana? É, sem dúvida! Tem o meu apoio? Mas é claro, como poderia ser diferente? É inovadora? Não acho, sinceramente.

Fisicamente, é muito parecida com as dezenas de lojas de produtos naturais, regionais e veganos que já existem na cidade: simples, charmosa, bem organizada, despojada e com um atendimento especial.

Os produtos estão organizados exatamente da mesma maneira que a gente conhece de casas de produtos naturais no Brasil. Se você esqueceu de levar sua embalagem em casa, pode comprá-las na loja (como em qualquer outro lugar): há vidros, saquinhos de tecido e sacos de papel, pode escolher.

Além das frutas e verduras, vi massas, grãos diversos, biscoitos e produtos de higiene e limpeza (aí sim eu vi novidade). Tem também bastante coisa com embalagem, mas sempre de vidro (sucos, sopas, geleias e refrigerantes, por exemplo).

Já ministrei uma disciplina sobre embalagens no curso de design e posso dizer: a embalagem não é apenas lixo dispensável. Ela muda a percepção em relação ao produtos, traz informações imprescindíveis (conteúdo, validade, procedência, entre outras coisa), protege e conserva os perecíveis, entre outras funções muito importantes. O problema não é ter embalagem, mas o fato dela ser descartável. Se as empresas e as pessoas fizerem um esforço conjunto para gerar menos lixo (o que beneficiaria a todos), seria só uma questão de projetar invólucros que pudessem ser realmente reaproveitados. Nesse aspecto, lojas desse tipo que divulgam o conceito de menos lixo, ajudam muito a mudar a cultura do desperdício.

A questão é que, apesar de ficar apenas a uns 2 km da minha casa, não senti vontade de ir até lá fazer minhas compras, pois posso fazer a mesma coisa (exceto no caso de arroz, massas e produtos de higiene e limpeza) na quitanda ou no supermercado de produtos naturais e orgânicos que ficam a menos de uma quadra de onde moro.

Os preços em geral também eram um pouco mais altos que a média, além da variedade ser bem pequena (por exemplo, produtos de higiene, cosméticos e limpeza eram só de uma marca). A questão da pouca variedade dá para entender, mas os preços eu fico um pouco em dúvida.

Parece que os moradores compartilham da minha percepção, pois a loja estava vazia e, enquanto estive lá, todas as pessoas entraram para saber sobre o projeto, mas ninguém fez compras. Tem até um aviso na porta informando que eles não são um museu, então pedem a colaboração de € 1 para quem quiser tirar fotos.

Para mim, é mais uma loja de produtos naturais/regionais/sustentável que soube fazer muito bem sua divulgação e a gestão da marca. Mas a quitanda a alguns metros parecia estar vendendo bem mais, cada pessoa levando sua própria sacolinha de casa. Pelo menos, foi a impressão que tive…

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Os saquinhos de tecido são uma graça, mas conheço várias lojas, inclusive no Brasil, que também têm.

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Imagem bem familiar para quem frequenta lojas de produtos naturais.

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Tem bastante coisa com embalagem, como sopas, molhos e geleias, mas o vidro, totalmente reutilizável, é coerente com o conceito.

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Dá para comprar shampoo também, mas só tem essa marca.

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Bacana, mas não parece revolucionário.

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O charme que todas as lojas de produtos orgânicos aqui têm.

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Sim, temos feijão, e de vários tipos!

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Tem refrigerante também (mas as embalagens de todas as marcas são recebidas de volta em qualquer supermercado da Alemanha, para reciclagem, então não tem diferenciação nesse ponto).

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As embalagens de sopa estão lindas, mas acho que também tem para vender em supermercados bio, muito comuns aqui.

 

Até não poder mais

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Existe uma palavra em alemão muito interessante, que se chama ausschlafen. Schlafen é o verbo dormir; ausschlafen é dormir até acabar o sono. É quando a pessoa acorda sozinha, sem despertador, renovada, descansada, zerada e cheia de energia para começar de novo.

Ausschlafen é uma das delícias da vida (pratico sempre que posso), mas essa semana descobri outra palavra ainda mais bacana: ausleben.

Leben é o verbo viver. Ausleben é viver até a exaustão, até não poder mais, até esgotar todas as possibilidades, até completar a missão, até dar o caso por encerrado. Até morrer.

Achei tão lindo uma língua ter uma palavra para expressar essa ideia.

Vamos ausleben?

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Entenda por que preconceito = preguiça de pensar

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O neurocientista Gregory Berns, autor do ótimo “O iconoclasta”, já explicou: nosso cérebro foi construído de maneira a consumir o mínimo possível de energia.

Fato é que, mesmo que a gente passe o dia inteiro deitado sem fazer nenhum movimento, o danado continua gastando; por uma questão de sobrevivência, ele teve que bolar um jeito de ser menos perdulário.

Para resolver isso, nossa CPU bolou alguns truques que a fazem ficar mais eficiente: um deles é rotular tudo o que lhe aparece pela frente, num esquema chamado categorização preditiva (o nome científico pode até parecer bonito, mas na linguagem popular isso é o mesmo que preconceito).

A coisa funciona da seguinte maneira: em vez de processar uma informação completa e cheia de detalhes toda vez que entra em contato com algum tipo de estímulo, o cérebro infere o que está vendo, ou seja, ele registra apenas uma parte da cena e conclui o resto.

Assim, nossos miolos escolhem algumas partes mais familiares que conseguem reconhecer e ignoram o resto. Isso economiza energia e funciona muito bem no dia-a-dia, mas destrói, sem dó nem piedade, toda nossa imaginação, cultura e capacidade criativa. É que sem trabalhar, nosso cérebro engorda e fica jogado o dia inteiro no sofá comendo besteira. Para ter ideias que mudem o mundo, precisamos de um cérebro atleta, saudável, em excelente forma física.

Por que então preconceito é a mesma coisa que preguiça de pensar?

Porque preconceito é exatamente isso: em vez de considerar todas as variáveis, a gente pega só um pedaço da informação e tira uma conclusão inteira. Claro que a conclusão vai se basear ou em experiências anteriores (não preciso analisar todos os elementos do feijão cada vez que saboreio uma feijoada; basta olhar um bago e já sei que gosto tem) ou em experiências de outros (minha avó dizia que os ciganos são todos dissimulados. Então eu, que nunca vi um cigano ao vivo em toda minha vida, já sei exatamente como eles são, pensam e sentem, só de ver uma moça de saia comprida).

Para quem quer obedecer cegamente à natureza e economizar energia de verdade, é simples. Pegue um livro antigo cheio de regras e cumpra-as à risca, sem questioná-las (melhor ainda, interpretando-as da maneira que exija o mínimo esforço mental possível). Repita opiniões terceiros sem nem ao menos checar se têm fundamento ou não. Leia só a manchete e não o texto inteiro. Interprete a palavra normal como sinônimo de certo. Veja só que econômico. Não se gasta praticamente nenhuma caloria nisso. E o cérebro fica lá, lerdo e flácido, mergulhado feliz no ócio do preconceito.

A única maneira de fazer o nosso sr. Preguiçoso fazer musculação e estar em forma para novos desafios é confrontar o sistema perceptivo com algo que ele não sabe como interpretar, pois nunca viu nada parecido antes. Isso força a criação de novas categorias de classificação.

É como se a gente tivesse prateleiras para guardar todas as informações dentro da cabeça, para recuperá-las quando precisar. Pois quem não questiona e só segue regras, tem meia dúzia de prateleiras montadas por outros, com ideias simplórias, repetidas, rasas e muito, muito preconceituosas.

Quando a gente lê, duvida, conhece novos lugares, novos hábitos e novas ideias, constrói guarda-roupas inteiros dentro da cabeça, cheios de prateleiras, gavetas e sistemas requintados de classificação. Não é que a gente não pratique mais a categorização preditiva, mas ela vai ficando mais refinada, mais precisa. Quando vejo uma moça de saia comprida, não basta colocá-la na única gavetinha disponível, aquela que herdei da minha avó; há uma imensidão de possíveis nichos para guardar aquela informação e, não raro, preciso construir mais um para acomodar a nova pessoa que acabei de conhecer.

No fim, esse trabalho infinito de marcenaria é a tal musculação. É o que nos faz humanos inteligentes, o que nos faz evoluir.

E não sou eu quem estou dizendo isso não. Uma pesquisa canadense aponta a forte relação entre pessoas conservadoras e um QI médio mais baixo, ou seja, os preconceituosos são menos inteligentes; depois de pensar sobre o que o Dr. Berns nos explicou, faz todo o sentido, né?

Quando alguém só tem meia dúzia de prateleiras para guardar tudo e vê algo que não se encaixa, seu cérebro ignorante simplesmente rejeita, diz que não presta e ataca, por puro medo do desconhecido. Nem sabe onde anda o martelo para o caso de ter que construir alguma coisa. Em casos extremos de burrice aguda, chega a bater ou matar só para não ter que levantar do sofá.

Você conhece tipos assim. Pessoas que, tendo cérebro, não o usam. Muitas dizem acreditar na existência de num Criador; mas será que não se dão conta que não há maior desrespeito que esse? Ter um cérebro e não usá-lo?

Acho que não. Para concluir isso, teriam que pensar.

Não precisa chutar o balde para empreender

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Basta abrir um site, uma revista, um jornal, ou mesmo ligar a televisão, para sermos bombardeados por histórias de pessoas que largaram um emprego chato e tornaram-se donas de seu próprio negócio. Dentistas que deixaram o consultório para abrir uma pousada, publicitários que abandonaram a agência para tocar um food-truck, executivos que trocaram as viagens frequentes por uma fábrica de bijuterias na garagem, engenheiros que, sei lá, viraram guias de turismo. Os relatos sempre são de pessoas muito felizes e realizadas, algumas até milionárias.

A questão é que as matérias são escritas de tal forma que a única conclusão possível é que trabalhar em uma empresa que não é sua saiu de moda há muito tempo e o indivíduo precisa ser mesmo muito acomodado para manter uma carteira de trabalho assinada. Omitem o fato de que, de acordo com o IBGE, 48% das empresas fecham as portas antes de completar três anos de vida; também se esquecem que nem todo mundo tem perfil para largar tudo e recomeçar do zero, e nem por isso são profissionais menos importantes ou menos valorizados.

Empreender significa experimentar, realizar, tomar iniciativa, colocar em prática. E para quem é empreendedor, fazer acontecer na sua empresa ou na de outrem dá no mesmo. Há pessoas que, por motivos diversos, preferem ter a segurança do salário, das férias remuneradas, do décimo terceiro e da licença médica quando precisar. Isso não quer dizer, de maneira alguma, que elas sejam acomodadas ou menos empreendedoras que aquelas que tentam carreira solo.

Convencer o chefe ou o departamento que a ideia é boa, factível e que pode ser lucrativa é tão difícil quanto convencer um investidor. Estruturar uma equipe com gente competente, engajada, com talentos complementares e sintonizadas com a visão da empresa é igualmente desafiador se você é o dono ou se é apenas o coordenador. Administrar o tempo e os recursos, cumprir prazos e não deixar faltar dinheiro é complicado em qualquer contexto. Um empreendedor carrega a proatividade no sangue, seja como dono, seja como colaborador.

O segredo, nos dois casos, é a  consciência da liderança.

O líder é um sujeito que consegue enxergar para o futuro e ver um cenário que deseja que se torne real. Como o líder quer muito que essa visão se materialize, pensa num jeito de fazê-la acontecer; estuda caminhos e descobre um jeito. Quanto mais ambicioso é o cenário, mais o líder entende que não consegue construi-lo sozinho — precisa de ajuda de outras pessoas, outros profissionais, outras competências. Precisa de mais gente que também tenha a mesma visão e que queira ir junto com ele no caminho para chegar lá.

Então, o que o líder faz? Apresenta esse cenário de maneira que consiga inspirar outras pessoas a segui-lo. Ele consegue comunicar a ideia de maneira que os seguidores consigam ver e entender o papel e a importância de cada um na construção do caminho. E tanto faz se ele precisa convencer o chefe, os companheiros de departamento, o gerente do banco ou futuros colaboradores que começarão ganhando pouco.

E tem mais: dependendo da complexidade do cenário, o líder entende que o caminho é longo, penoso e que não consegue dar conta sozinho. Aí, não tem outro jeito: ele tem que preparar alguns seguidores para assumir a liderança em determinados trechos. Os envolvidos sabem que o foco é a visão, o cenário futuro, que não inclui o umbigo de ninguém. Quem é o líder em qual parte do caminho é apenas um detalhe técnico.

Resumindo, o líder é alguém com uma visão e sabe como fazer para torná-la real. Quando faz isso em sua própria empresa, é um empreendedor. Quando faz isso numa organização da qual não é sócio, é um intraempreendedor.

As empresas sabem que líderes são valiosos e importantes para realizar sua visão; sem eles, não há como ter sucesso.

Então, se você não está disposto a arriscar tudo para abrir um negócio baseado na incerteza e prefere um pouco de segurança para ousar, o caminho é esse mesmo. Encontre uma empresa que compartilhe da sua visão, que esteja alinhada com seus valores e faça acontecer.

O mercado, a sua família, a empresa, os clientes, os colegas de trabalho e os investidores agradecem.

Top 10: as fotos mais legais de maio

Seguem as mais votadas esse mês!

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O pessoal colabora como pode enfeitando a cidade para celebrar a primavera. Essa linda estava no Hackescher Markt.

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As bicicletas com cestinhas originais caíram no gosto do povo. De lá e de cá. Essa ponte pêncil maravilhosa fica na Friedrichsgracht, Mitte.

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A rua mais linda do mundo (na minha opinião, a Oderbergerstraße, em Prenzlauerberg, Berlim) estava florida de ponta a ponta, dos dois lados. O espetáculo só dura uma semana, mas vale pelo ano inteiro.

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Essa moça tem um amigo de verdade para todas as horas: dentro do provador da Zara ele aguardava, sem stress, o momento em que sua opinião seria solicitada…rsrs

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Casal de velhinhos simpáticos foi com o cão passear na floresta… quer dizer… uma das muitas ruas verdes de Schöneberg.

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Perdi o ônibus e resolvi fazer o trajeto a pé, olha que sorte. O paraíso estava bem no meio do caminho… em Moabit, na Dove Straße.

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Mais uma foto da lindíssima Oderbergerstraße (veja que as árvores ainda não tinham florescido; estão verdinhas). As tulipas são protagonistas na primavera.

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Sei que está ficando chato, mas eu não considero a Oderbergerstraße a rua mais bonita do mundo à toa; esse é só um exemplo do monte de cafés bacanas que tem por lá.

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Definitivamente, esse foi o mês da Oderbergerstraße. Ela estava mesmo deslumbrante, voltei vários dias para namorar um pouco essas flores todas. E quando se tem buquês naturais como esse amarelinho…

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Para fechar, esse portal amarelo, também na Oderbergerstraße. Gente, fala sério: é ou não é a rua mais linda do mundo?

E você, de qual delas gostou mais?

Como podemos ser menos canalhas?

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Estou me controlando para não ler mais nada em português (meu pobre alemão suplica para que eu diminua o relacionamento com minha língua mãe e lhe dedique mais tempo), mas está difícil.

Da última vez que estive no Brasil, tive a sorte e o privilégio de assistir uma palestra do brilhante professor Clóvis de Barros. Feliz com essa aula tão inspiradora, não pude resistir quando, na volta, já no aeroporto, fui aliciada na livraria pelo “Somos todos canalhas: filosofia para uma sociedade em busca de valores”, cria dele com o também professor de filosofia Júlio Pompeu.

Como já dizia meu ídolo Oscar Wilde, “posso resistir a tudo, menos às tentações”. Então vamos lá…

O livro já começa com um formato interessante; inspirados em Platão, os dois professores dialogam sobre o conceito de valor. Um escreve um texto, outro complementa, o primeiro refuta, o segundo defende e assim vai. O objetivo não é nos fazer chegar a uma conclusão, mas, apresentadas as ideias de filósofos consagrados e os conceitos que eles tinham de valor, fazer-nos pensar para entender, afinal, qual é o nosso conceito pessoal de valor (que é subjetivo e diferente para cada pessoa).

Na primeira parte, os professores apresentam o início da ideia de valor: a importância ou exatidão de uma coisa em relação a uma referência. O grande desafio é encontrar essa tal referência como sendo o sinônimo de melhor (que também é um conceito relativo).

Eles começam apresentando o que os gregos pensavam a esse respeito: o valor de uma ação humana é resultado da comparação entre ela e a ideia de virtude, em que os principais parâmetros seriam a verdade, a beleza e o bem.

Eles falam também que os gregos acreditavam que uma coisa tinha valor, e, portanto, era justa (ou seja, ajustada às virtudes), quando cumpria sua função no cosmos. Para usar tal conceito, partia-se do princípio de que o cosmos era perfeito e que cada coisa que existia nele tinha uma função específica: cabia a cada coisa e a cada ser descobrir sua razão de existir e executá-la da melhor maneira possível. Um profissional excelente, sob esse ponto de vista, seria o equivalente a uma árvore que desabrocha a partir de uma semente e desenvolve todo o seu potencial.

Mas essa teoria também admite que há pessoas que nascem para ser mato e, então, todo o esforço para virar árvore contraria a natureza, veja só. Dessa forma, para os gregos, existiam seres humanos melhores e mais valorosos que outros. Essa medida era dada segundo a função que a natureza lhes atribuía concedendo-lhes talentos específicos.

E eis que chegamos à segunda parte, que fala de Cristo e dos filósofos modernos. Aí houve uma ruptura radical no conceito de valor, começando do princípio que todos os seres humanos teriam as mesmas possibilidades e potencialmente, o mesmo valor, mesmo que desigualmente desprovidos pela natureza de recursos e talentos.

Enquanto para os gregos, a superioridade viria da riqueza dos talentos naturais, para os cristãos, viria do emprego que se faz do livre arbítrio, ou seja, como cada um usa os recursos que a natureza lhe deu para agir de acordo com os ensinamentos do Criador.

O Júlio chama atenção para uma coisa interessante: convivemos hoje em dia com os dois critérios simultaneamente. Às pessoas que nos são próximas, julgamos o valor pelas suas atitudes. Àquelas que não conhecemos, usamos o critério mais genérico, a natureza (quando estigmatizamos grupos inteiros por suas características étnicas, por exemplo).

Bem, a discussão filosófica segue longe, cada vez mais interessante.

De tudo, o que mais me marcou foi a definição atualizada de ética. O gregos definiam esse termo como a vida boa e feliz, em conformidade com a natureza e a função que ela auferiu a cada coisa e a cada ser vivo.

Acontece que a teoria de valores do filósofo Stuart Mill, denominada consequencialista, diz que o valor da conduta humana não está na intenção de quem age, como acreditam os cristãos, mas na eventual felicidade que proporciona a todos por ela afetados.

Clóvis se baseia nela, de certa forma, para cunhar o conceito de ética adaptado aos dias de hoje: “ética é o emprego da inteligência coletiva para o aprimoramento da convivência”.

Antiética, portanto, é a pessoa que não pensa nos outros, que não tem capacidade de empatia, que prioriza seu bem-estar e vantagens pessoais em primeiro lugar. E, com isso, voltamos ao título do livro, “somos todos canalhas”, ou seja, todos temos momentos em que nos despimos de nossa capacidade de empatia e desprezamos a convivência, o coletivo. Em que pensamos mais no nosso conforto do que no impacto que os nossos hábitos causam ao planeta e aos outros seres humanos. Por isso, somos canalhas.

Ao reconhecer o fato depois da bela aula desses dois filósofos contemporâneos, fica a questão: se queremos uma convivência melhor (menos guerras, menos violência, menos poluição), como podemos trabalhar para ser pelo menos um pouco menos canalhas?

Temos que achar rápido essa resposta, o mundo está se desintegrando enquanto a gente discute…

Jardim das xícaras

Adoro comprar loucinhas nos mercados de pulgas, mas algumas xícaras maravilhosas acabam ficando sem pires no meio da bagunça das caixas onde são expostas. Resolvi levá-las mesmo assim e arrumei um jeito de olhar para essas lindas todo dia quando acordo: elas se transformaram em charmosos vasos para suculentas.

Será que você também não tem umas louças que poderiam virar jardim? Dá uma procurada!

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Top 10: as fotos mais legais de abril

Todo dia compartilho nas redes sociais as belezuras que fotografo por aí. Em abril, essas foram as que mais geraram comentários e likes.

Você concorda?

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Esse por-do-sol incendiário conquistou o coração dos leitores. Mas como não?

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A vista de cima da Oberbaumbrücke, no bairro de Kreuzberg, mostra a torre de TV, o logo da Mercedes e uma bicicleta. Quer mais Berlim do que isso?

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Grafite na Bullowstraße, Schöneberg: um banho de luz para todos nós…

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Um dia de sol é tudo que um berlinense precisa para ser feliz.

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O Volkspark de Schöneberg sempre lindo e inspirador.

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Essa cena é muito comum por aqui: um pai todo descolado, com o filhote a tiracolo e o cachorro, indo a algum lugar de metrô. Muitos acharam-no parecido com o estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch; também achei.

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A vista de cima do Hotel Park Inn mostra a torre de TV bem de frente.

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A cidade encerejada conquistou corações e mentes de todos <3

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Um dia feio, porém lindo.

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Mais cerejeiras se exibindo sem cerimônia. Elas ficam impossíveis na primavera!

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Revaler 99

Imagina um terreno enorme, cheio de galpões igualmente imensos, além de muita área livre, onde em 1867 foi construída uma oficina de manutenção de trens para a empresa ferroviária real prussiana; para se ter uma ideia do tamanho, em 1882 a organização chegou a empregar 1200 funcionários.

Com a reunificação da Alemanha, aos poucos as oficinas passaram para outras regiões com mais infra-estrutura e ficou tudo abandonado até 1999, quando uma associação cultural arrendou o lugar.

Pela quantidade de galpões, muitos deles parcialmente demolidos, às vezes o local parece um pouco sinistro; mas só parece. Na verdade, trata-se de um “antro” de criatividade, arte, esportes radicais e economia sustentável.

RAW-tempel (RAW é a abreviação de Reichsbahnausbesserungswerk, ou oficina imperial de manutenção de estradas de ferro) é o nome da associação cultural que administra o lugar e arrenda os galpões para todo tipo de atividade cultural. Hoje em dia tem arena coberta para skate, escola de escalada, taekwondo, meditação, cross-fit, casas de show e discotecas (Astra, Cassiopeia, Suicide Circus, RAW Club, etc), galerias de arte (Urban Spree e Art RAW) e até um delicioso e imperdível festival de street-food que acontece todo domingo à tarde no Neue Heimat (que também funciona como clube de jazz), além de estúdios de design e fotografia.  Nos domingos de verão, também abriga um mercado de pulgas bem interessante e, em algumas datas, cinema ao ar livre.

O lugar é inteirinho grafitado e frequentado por todo mundo que gosta de arte; na minha opinião, a mais completa tradução de Berlim.

Fica na Revaler 99, Friedrischain, bem pertinho das estações de trem e metrô da Warschauer Straße.

Mas vá antes que acabe; vi no jornal que a área foi vendida a uma incorporadora na semana passada. Tomara que não queiram acabar com um dos locais mais charmosos e icônicos da cidade…

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Grafites estão por toda parte.

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Pista de skate coberta pra ninguém botar defeito.

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Aqui até o entulho vira arte.

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Num dos dias que fui, tinha uma feira de quadrinhos na galeria Urban Spree.

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Esses galpões sinistros… 

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Torre de escalada (faz parte de uma escola e também tem paredes internas de várias alturas próprias para a prática). 

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Bom-humor sempre, em toda parte.

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Street-food aos domingos, não dá para perder!

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Mercado de pulgas que só funciona no verão.

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Fila para entrar nos galpões de street-food.

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Para se exercitar…

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Supertex

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Meu programa favorito no final de semana é visitar mercados de pulgas (e em Berlim, opção é o que não falta), até porque tem sido minha principal fonte de fornecimento de louças e livros.

As louças são maravilhosas e únicas (qualquer dia as mostro aqui) e os livros não ficam atrás, principalmente por causa do preço. Todas as feiras têm muitas barracas que oferecem livros quase novos ao preço irrisório de €1,00. Impossível resistir.

Pois o livro dessa semana foi o Supertex, do holandês Leon de Winter. Ele me conquistou já pela capa e pela encadernação forrada com tecido, fitinha de seda para marcar a página e tamanho de bolso. Do autor eu nunca tinha ouvido falar, mas a editora costuma publicar boas obras nessa coleção de luxo.

Max Breslauer é o principal executivo do império de lojas populares de roupas baratas que herdou do pai, a tal Supertex do título. Ele abandonou uma promissora carreira de advocacia depois que a mulher o deixou e acabou indo ajudar o pai nos negócios. As rusgas e os mal entendidos, que vinham desde a infância, tornam-se mais acentuadas quando os dois começam a trabalhar juntos e transformam-se num dilema quando o pai morre afogado inesperadamente poucos anos depois e ele precisa assumir os negócios.

A história começa com um pequeno acidente de trânsito que desencadeia uma crise existencial no protagonista; ele usa seu poder e dinheiro para conseguir uma consulta de um dia inteiro com uma respeitada terapeuta e começa a contar sua história.

Aqui vi uma técnica narrativa que ainda não conhecia; a história do protagonista é menos interessante do que a de todos os outros personagens coadjuvantes. A história do pai, um judeu sobrevivente da guerra, do irmão, da ex-mulher, da namorada do irmão e até do sogro do irmão são muito mais atraentes e surpreendentes. Tudo gira em torno da religião, da fé (que ele não tem) e dos costumes judaicos.

O cenário principal é Amsterdam e uma parte da história se passa em Casablanca. Ainda não visitei nenhuma das duas cidades, mas fiquei muito curiosa.

Andei dando uma pesquisada e encontrei apenas o original holandês e uma versão em espanhol na Amazon (eu li em alemão). Penso que o autor ainda não foi traduzido para o português; uma pena.

Vou procurar outras obras dele; para quem tiver acesso, recomendo bastante.

O rapaz que é um crânio

A primeira vez que vi o homenzinho azul de tanga estampada com a bandeira do Brasil, fiquei muito curiosa: o que será que significaria aquela imagem num dos principais pontos de exposição de graffiti da cidade, na Revaler Straße?

Logo encontrei mais homenzinhos de tanga em variações engraçadas, pintados estrategicamente em colunas na Bullowstraße. Foi só publicar no Instagram e o mistério ficou resolvido: o autor é um grafiteiro brasileiro chamado Fábio Oliveira e conhecido como Cranio.

O trabalho do moço é realmente muito original, instigante, engraçado, enfim, faz a gente pensar e se divertir ao mesmo tempo.

Ele tem trabalhos espalhados por vários lugares do mundo. Vale a pena acompanhar o Instragram do moço.

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Melhor eu me esconder, pois elas estão vindo e parecem perigosas!

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Aha! Agora quero ver se esse moço não vai devolver o dinheiro que me deve! Meu super assistente Penoso vai distrai-lo; assim será fácil!

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Olha o susto que ele vai levar! Tá gravando?

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Vou curtir aqui de boas esse som enquanto espero o povo chegar para a festa.

 

Não perdoam nem os menores de idade

A série “Vida de Manequim” que denuncia a exploração a que os pobres manequins de loja são submetidos diariamente ganha agora mais um capítulo. Descobrimos que eles não poupam nem mesmo as crianças e adolescentes desse trabalho indigno!

Fique atento: isso pode estar acontecendo aí na sua cidade também!

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Se a turma da escola passa por aqui agora e me vê com esse Kajal no olho e a gravata rosa combinando com o batom vou ser zoado. Certeza!

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Eu tenho essa carinha meio perdida, mas sou bonzinho. Só choro quando esquecem de me dar água e os meus lábios de neném trabalhador ficam rachados…

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Droga, fui tirar nota baixa e perdi a mesada. Agora é torcer para meus amigos não passarem por aqui e me verem com esse chapeuzinho ridículo!

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Precisava mesmo desse batom vinho, moça?

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Ela: Peguei esse trabalho só para poder ficar pertinho do Beto, mas não está adiantando muito… Ele: Essa chata não sai do meu pé; se soubesse que ela vinha junto, tinha ido trabalhar em outra loja.

Me deram uma coisa para tomar; acordei com esse olho pequenininho e esse batom todo borrado. Só falta terem colado um cartaz escrito "bobão" nas minhas costas...

Tomei Ki-suco demais e acordei nessa vitrine com o olho pequenininho e a boca vermelhona. Será que colocaram alguma coisa na minha bebida?

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O moço está comendo lá atrás do balcão e até agora nada da minha mamadeira!

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Será que aquela mulher passando ali na frente é a professora? Ela vai descobrir que a gente usou as borboletas da vitrine como se fosse nosso trabalho de educação artística. E agora?

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Menina mais esquisita essa aqui do meu lado. Está certo que essa peruca que colocaram em mim não é nenhum modelo de bom gosto, mas esses óculos..

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Não contentes em me colocar esse chapéu bizarro ainda se deram ao trabalho de pintar uma sobrancelha sinistra. Socorro!

 

Uma galeria dos infernos

A repórter (sem diploma) que divide minha alma e meu corpo com mais uma galera, resolveu que ia fazer uma matéria sobre lugares para ver Berlin de cima. Da lista que fiz, só faltavam dois que eu ainda não tinha subido. Um deles foi visitado ontem e, olha, que surpresa, viu?

Teufelsberg (que, numa tradução livre, quer dizer Montanha do Diabo) tem uma história fantástica. É que, para quem não sabe, Berlim é uma cidade plana, planíssima, planérrima. A única elevação (mínima) é no bairro Prenzlauerberg, mas quase nem dá para perceber.

Onde está Teufelsberg agora, foi construída, nos anos 1940, uma universidade técnica concebida para ser o centro da tecnologia nazista e, por conseguinte, o centro da tecnologia no mundo. Com os sonhos megalomaníacos do senhor de bigodinho transformados em poeira, a construção foi bombardeada e destruída.

Depois da Segunda Guerra, a área foi usada para depositar os restos que sobraram da cidade de Berlim. Durante 22 anos,  800 caminhões despejaram diariamente 7000 m³ de entulho no lugar, até formar a montanha de 120 m de altura que existe hoje. Imagina que impressionante: isso tudo era resto de prédios e casas que foram bombardeados!

Com a separação da cidade, os aliados pegaram esse que era o lugar mais alto da região, cobriram de terra, plantaram 1 milhão de árvores e construíram um observatório de escuta de sinais de rádio; instalaram 5 cúpulas com antenas especiais e outros equipamentos para espionagem. O centro de observação foi totalmente desativado com a queda do muro de Berlim, em 1989, pois já não tinha mais utilidade com o país unificado.

Nos anos 1990, o poder público vendeu a área a investidores que pretendiam montar um complexo residencial para apartamentos de alto padrão, com museu, memorial e vários outros projetos, mas conseguiu-se impedir a obra e a área foi declarada de proteção ambiental.

Hoje só é possível entrar no local com um guia autorizado pela associação de artistas e ambientalistas que cuida das ruínas. A visita dura cerca de uma hora e custa € 7. Vale cada centavo.

Eu já sabia disso tudo quando fui, mas não estava preparada para o que vi. Desci da estação de trem S7-Grünewald e perdi-me um pouco no meio da floresta (não há placas para achar o lugar e a caminhada é de cerca de meia hora). Achei que ia visitar umas ruínas decadentes e desfrutar uma bela vista da cidade. E só.

A questão é que eles transformaram a torre mais alta em uma baita galeria de arte especializada em grafite.  A construção é enorme e tanto a torre principal como a cúpula das outras antenas são cobertas por uma espécie de lona branca. O tecido já está puído ou rasgado, o que dá um toque meio sinistro, com os farrapos balançando ao vento que está sempre soprando no local. Os grafites estão por toda parte e alguns são espetaculares. Porque boa parte da lona já se foi, a galeria não tem paredes externas. Aliás, um dos motivos de só poder entrar com guia é que as condições de segurança são bem baixas, pois a construção é, lembremos, apenas numa ruína.

Vamos visitar?

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Achado é roubado sim!

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Ontem vi uma notícia no jornal* que me fez rever meus valores. É claro que aprendi em casa que quando a gente acha uma coisa que não nos pertence, devemos fazer de tudo para conseguir devolvê-la ao seu legítimo dono.

Mas não é essa a cultura do país em que nasci e cresci. Além da máxima “achado não é roubado” repetida à exaustão, a prova é que, quando alguém devolve algo de valor, logo vira notícia de jornal ou post no Facebook. Esse último, não raro publicado pelo próprio autor da “boa ação”, recebe uma chuva de comentários elogiosos parabenizando pela altiva e nobre atitude.

Pois ontem descobri que aqui na Alemanha é diferente. Achado é roubado sim, se a pessoa ficar com o bem. Como eles conhecem muito bem a natureza do ser humano (e como conhecem!), resolveram deixar bem claro o procedimento nesses casos. Está no código civil: encontrando algo que não é de sua propriedade de valor acima de € 10, a pessoa deve procurar o setor de achados e perdidos do local; se não houver, deve entrega-lo à polícia. Se depois de seis meses o dono não aparecer, a pessoa tem direito a ficar com o bem, a não ser que ele tenha sido encontrado dentro do sistema de transporte público. Nesse caso, a empresa de transportes é que fica com a propriedade.

O negócio é tão sério que até o valor das recompensas está previsto. Se o bem valer entre €50 e €500, o proprietário deve remunerar a pessoa que o econtrou com 5% do valor. Para bens mais valiosos, 3% são suficientes. Para bens de valor sentimental, prevalece o bom senso entre o achado e o perdido.

Enquanto a pessoa não entrega o objeto (ou animal; também vale para bichos) para a polícia ou autoridade competente, é responsável por cuidar e manter sua integridade, ou seja: se entregar para alguém que não for o dono, é crime igual. E se não entregar para as autoridades competentes na primeira oportunidade, é considerado roubo.

Enfim, encontrar um objeto perdido aqui é coisa de muita responsabilidade; torça para não acontecer com você…

*Se tiver curiosidade de ler (em alemão) o artigo do Die Welt ao qual me referi, clique aqui.

Top 10: as fotos mais legais de março

Essas foram as minhas fotos que mais fizeram sucesso nas redes sociais em março.

E você, concorda com a seleção?

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Parece que a moça do cartaz, apesar de politicamente incorreta, conquistou muitos corações com esse ar blasé…

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Esse café na Weinbergsweg, bem pertinho da Rosenthaler Platz, é lindo demais; ninguém resiste ao colorido <3

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Fiquei um tempão esperando alguém passar para clicar na hora certa. Valeu a pena; os leitores parecem ter gostado desse polvo brincalhão :)

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Mal sabem as moças que estão sendo observadas por esses olhos enooooormes…

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Todas as paredes externas desse restaurante em Prenzlauerberg estão pintadas com esses cartuns incríveis. Ponto para os donos bem-humorados :)

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Primeiro solzinho de primavera não dá para resistir mesmo; corre todo mundo para o parque fazer a fotossíntese…

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Essa senhorinha fofa parecida com a minha avó fez o maior sucesso. Deve ser parecida com outras avós também <3

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Espelhos que nascem da chuva.

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Acho praticamente impossível não amar a Ludmilla; e, pelo jeito, não estou sozinha nessa <3

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Há quem jure ter visto indícios da presença do Darth Vader nessa foto…rsrsr

Heroína na adolescência

A vida está sempre nos pregando peças. Penso que minha geração inteira leu “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída…” na adolescência e ficou tão chocada como eu com a história da menina que começou a fumar hachiche aos 12 anos para se sentir incluída e acolhida num grupo e acabou tendo que se prostituir para sustentar seu vício em heroína.

Mas o que eu jamais imaginaria é que um dia ainda iria reler o livro em sua língua original reconhecendo boa parte dos lugares de Berlim que ela relata. E que continuaria igualmente chocada e impressionada.

A história começa com sua família totalmente desajustada (os pais se casaram praticamente obrigados quando sua mãe engravidou, mas o pai não aceitava nem mesmo que ela o chamasse de pai na frente dos estranhos; era sempre o “tio”). A mãe trabalhava o dia todo para sustentar a família e ela passava o dia sozinha, sem ter com quem conversar. A pré-adolescência foi difícil, até que encontrou um grupo de crianças com problemas similares num clube de igreja, e acabou entrando nas drogas, que já circulavam por lá.

A moça tentou se livrar da heroína inúmeras vezes; confessa que ainda não está livre até hoje, com mais de 50 anos de idade e um filho que não consegue criar (ela perdeu a guarda por conta das confusões nas quais se meteu por causa das drogas). Christiane tem graves problemas circulatórios e é portadora de hepatite C, que contraiu por meio de seringas contaminadas; por causa disso, pode ter uma crise fatal a qualquer momento. Ela publicou outro livro em 2013 (“Mein zweites Leben” ou “Minha segunda vida”, em tradução livre) contando o que aconteceu depois da publicação deste que se tornou um clássico da literatura adolescente no mundo todo.

O namorado da Christiane, que no início do namoro chegou a se prostituir para comprar drogas para os dois e poupá-la da humilhação e dos riscos, conseguiu se livrar e hoje trabalha como motorista de ônibus em Berlim. Mas sua melhor amiga sucumbiu a uma overdose na flor de seus 14 anos.

Muito triste mesmo a história de uma moça inteligente que estragou completamente sua vida por pura carência e insegurança. Esse livro devia ser leitura e debate obrigatório nas escolas (assim como o filme Traffic, que me impressionou bastante também), mas não apenas isso.

É preciso também dar mais perspectiva às crianças (elas precisam de uma escola segura e acolhedora e, principalmente, de amor em casa) e suporte psicológico às pessoas que querem se tratar do vício.

Drogas são um problema sério, complexo e caríssimo para o Estado e para as famílias. Devia ser tratado com mais seriedade e respeito, principalmente pelos governos.

Mas penso, na minha ignorância de leiga, que a principal defesa é uma autoestima bem construída e a segurança que a pessoa tem em se sentir amada. Sem isso, talvez seja uma causa perdida. Sortuda eu que tive tudo isso em casa…

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O título original pode ser traduzido livremente por “Nós, crianças da estação Zoo” e remete à estação de trem/metrô em que Christiane e sua turma usavam como base para se encontrar, consumir drogas e se prostituir.

 

Empatia: a coisa mais linda do mundo!

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Essa semana ficamos todos chocados com o acidente aéreo ocorrido com a empresa Germanwings, durante um vôo entre Barcelona e Dusseldorf. O avião caiu nos Alpes e matou 150 pessoas. O mais chocante da história é que tudo indica que o co-piloto derrubou deliberadamente a aeronave, aproveitando-se do momento em que o piloto foi ao banheiro, trancando o cockpit por dentro.

Pois acabei de ler no jornal que uma passageira da Gemanwings que ia ontem de manhã de Hamburgo para Colônia, naturalmente apreensiva por causa do acidente, relata que o piloto, em vez de dar as boas vindas pela cabine, foi até a área de passageiros, pegou o microfone e disse que estavam todos muito tristes com o que tinha acontecido. Muitos funcionários da empresa recusaram-se a voar naquele dia, mas ele e sua tripulação estavam lá por livre vontade. Todos eles tinham família e iam fazer todo o possível para chegarem sãos e salvos em casa no final do dia.

Os passageiros, compreensivelmente emocionados, depois do silêncio inicial devido a surpresa, aplaudiram o gesto. Com certeza, foi um vôo bem mais tranquilo por causa da sensibilidade desse piloto. ‪#‎pormaisgenteassimnomundo‬

Quem quiser ler a notícia original (em alemão), aqui está o link do jornal Die Welt.

Desenvolvido por: Elton Baroncello