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Top 10 de abril: é primavera!

As cerejeiras fizeram sucesso esse mês! Não é para menos; andar debaixo dos cachos perfeitos de florzinhas é como estar visitando uma amostra do paraíso.

Dê uma olhada nas mais populares e escolha sua preferida!

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1. Pensa num pedaço do paraíso: ele se chama Britzer Garten em Berlim!

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2. Esse navio pintado no prédio faz o cenário ficar surreal. Como não amar street-art?

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3. Sou obrigada a passar por essa calçada a caminho do trabalho. Não é para começar o dia de bom humor?

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4. Um dia lindo de sol em Prenzaluerberg. Não há como resistir…

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5. Flores em frente à subprefeitura de Moabit. E esse casalzinho fofo <3

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6. Mais uma obra impressionante de street-art da boa. Na Goethe Straße, em Charlottenburg.

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7. A Oranienstraße toda florida. Essa árvore é amor puro!

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8. Para você que nunca tinha visto um pé de nuvem. É aqui que elas nascem :)

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9. Bikes e flores. Tem combinação melhor?

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10. Por-do-sol às margens do rio Spree, em Moabit: para fechar com sol de ouro!

10 dicas para contratar um designer sem medo de errar

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Acompanho alguns fóruns de empreendedorismo nas redes sociais, tenho vários amigos empreendedores e posso dizer; contratar um designer é um desafio. E não é nem a questão de que os clientes não têm noção nenhuma do trabalho do designer e de sua importância.  Muitos sabem exatamente o peso que uma boa representação gráfica tem para seu negócio e mesmo com limitações orçamentárias, priorizam a contratação escritórios ou profissionais com diploma em vez de arriscar por si ou pedir favores a sobrinhos. Ainda que tomando todos os cuidados e levando o assunto muito a sério, tenho sabido de histórias escabrosas.

Há pouco tempo, uma grande amiga, consultora e palestrante, contratou um estúdio para definir sua identidade visual. Ela me mandou as três opções que lhes foram sugeridas: uma era tão, mas tão absurdamente diferente da outra, que só me restou perguntar como eles defenderam o conceito, ou seja, que identidade profissional era essa que estavam querendo traduzir. Sem resposta. Apresentaram então outra alternativa (depois de semanas), julgando ser a definitiva e explicando que o motivo do atraso era que o trabalho era muito complexo e precisava de muito estudo. Em menos de um minuto pesquisando no Google imagens encontrei a alternativa deles em um site de logos grátis (aqueles que os designers demonizam). Não mudaram nem a cor. Pois é.

Um casal de amigos aqui de Berlim contratou um designer local com a recomendação de que ele já tinha passado até pela BMW. O sujeito nascido e criado na terra da Bauhaus levou quatro semanas para entregar um folder tão tosco, errado em tantos aspectos, que, para coroar a obra, esqueceu de colocar o endereço do site (o negócio era um e-commerce). Quando questionado, justificou que isso atiçaria a curiosidade das pessoas, que procurariam o endereço no Google (reconhecer o erro, nem pensar, né?).

Outro caso é o da Bendita Pele, que relatei inteiro aqui (esse, pelo menos, com final feliz). E tenho certeza que todo mundo tem histórias igualmente infelizes para contar.

Então. Justamente para evitar que mais profissionais e empresas passem por esses perrengues desnecessários e a categoria dos designers fique ainda mais desgastada, vou dar aqui algumas dicas para facilitar a escolha do profissional responsável pela forma como as pessoas verão (literalmente) sua empresa no mercado.

Vamos lá:

1. Há médicos, dentistas, arquitetos, professores, cabeleireiros, advogados e pedreiros péssimos, ruins, médios, bons e sensacionais. Por que com designers seria diferente? Na verdade, você já sabe como escolher os melhores: da mesma maneira que você escolhe os outros profissionais. O negócio é sair pedindo dicas para amigos, conhecidos e clientes.

2. É importante entender que o trabalho que o profissional vai fazer é tentar representar graficamente a identidade de sua empresa, a essência, o caráter, a personalidade dela. Então ele precisa de algum método investigativo para determinar isso (um dos que estão disponíveis e de graça é o GIIC®, que eu mesma desenvolvi). Só então poderá começar desenvolver os desenhos e alternativas.

3. Sempre peça para ver o portfólio (isso é mais importante que o currículo). Lá vai ter os trabalhos que o profissional/empresa já fez. Escolha um item que você gostou muito (ou detestou) e peça para ele explicar como chegou no resultado. Isso vai dizer muita coisa sobre o método de trabalho. NOTA: Se a explicação for confusa ou não convencer, mau sinal. Procure outra alternativa.

4. Pergunte tudo, mas absolutamente tudo; não deixe nenhuma dúvida em aberto: como funciona, quais são as etapas, o que acontece se você não gostar, o que está incluso/excluso, se terá que pagar a mais cada vez que tiver que trocar o endereço no cartão de visitas, se você receberá um arquivo (ou vários) que poderão ser usados por outros fornecedores, enfim. Tudo o que se lembrar. Se o profissional/empresa for bom, terá um contrato escrito com todos esses detalhes. Isso se chama gestão de expectativas e os excelentes praticam sempre.

5. Avalie a apresentação visual do designer/empresa. Você consegue perceber as qualidades que está buscando? Se não consegue, uma boa dica é procurar outro. Se o profissional/empresa não faz a lição de casa, como vai atender seu projeto?

6. O manual de aplicação, documento que explica como a marca gráfica deve e como não deve ser utilizada (proporções, fundos, fontes tipográficas, cores, etc) é um item muito importante. Evita que o trabalho desenvolvido com tanto cuidado possa ser estragado porque você não sabia que não devia colocar a marca sobre um fundo estampado, por exemplo. Assegure-se que esse item esteja incluso no contrato.

7. Você não é obrigado a gostar do resultado apresentado. Se está desconfortável, explique ao profissional o motivo; o que exatamente não está bom do seu ponto de vista. Quanto mais específico for com relação aos pontos que estão lhe perturbando, mais fácil será para solucionar o problema. Se o profissional realmente estiver seguro do que fez, explicará o porquê da escolha de cada item (cores, formas, tipografia, etc) e o motivo pelo qual um ponto ou outro não deve ser alterado, mas pensará numa alternativa para adequar suas necessidades. Como você vai fazer seus clientes se apaixonarem pela empresa se você mesmo não é capaz?

8. Mesmo que goste do resultado, não deixe de comparar a solução gráfica apresentada com outros resultados no Google Images. Isso acontece até com empresas grandes; não é justo cobrar por um trabalho que não foi feito.

9. O trabalho que descrevi acima é o desenvolvimento de uma marca gráfica ou de uma peça gráfica. Isso não é Branding. Pode ser uma parte de um projeto de Branding, que é essencialmente estratégico e anterior ao projeto gráfico, mas são coisas diferentes. Se o profissional chamar apenas essa etapa de Branding, fuja. Ele não sabe o que está fazendo.

10. Se ficou feliz com o trabalho, não deixe de recomendar para os amigos. Só assim o mercado se livrará dos maus profissionais e valorizará de verdade os que merecem.

Uma das coisas mais lindas e bem-sucedidas do mundo é quando o cliente encontra seu designer e vice-versa. Palmas, abraços e muito sucesso para todos os envolvidos.

Não é isso que todo mundo quer?

Romance veneziano

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Levei para casa “Die Glasbläserin von Murano” (algo como “A sopradora de vidros de Murano“), de Marina Fiorato, porque a história parecia muito interessante (e a capa era linda, não vou negar…rs).

A autora é uma italiana de Veneza que mora em Londres; estudou artes e literatura em Oxford e trabalha como ilustradora, atriz e crítica teatral. A moça escreve bem e o trabalho de pesquisa histórica é impecável.

Uma das coisas que mais gosto no ato de ler, é a viagem. Durante a leitura, andei novamente pelas ruas de Veneza, seus becos estreitos, suas gôndolas, sua beleza única. A descrição precisa dos locais e a atmosfera do lugar ajudam muito o mergulho e fazem o passeio ainda mais prazeroso.

O livro conta a  história de Corradino Manin, o maior mestre soprador de vidros  que já viveu na Ilha de Murano. Nascido em 1631,  foi o responsável por viabilizar a construção dos espelhos gigantescos da cidade, entre outros trabalhos únicos. Por causa de uma série de intrigas, traições e questões políticas familiares, ele acaba preso na Ilha, onde desenvolve seu talento. A outra parte da narrativa acontece nos tempos atuais, onde uma descendente dele, estudante de artes que vive na Inglaterra, decide trabalhar como sopradora de vidros em Murano, função exclusivamente masculina até então.

A parte histórica e a trama são bem construídas e amarradas; já o romance é melodramático no último. A velha história da mulher que se separa porque não consegue engravidar, e acaba engravidando sem querer quando encontra o “homem certo”…zzzzzzzzzzzzz… aqueles mal entendidos totalmente dispensáveis que só acontecem porque pessoas adultas não conseguem conversar…zzzzzzzz… um tédio, mas enfim.

Vale muito a pena pela viagem, pela história, pela trama e pela narrativa, além das descrições bem precisas do processo de fabricação artesanal dos vários objetos de vidro. E se você curte romances melosos, vai com tudo; mas se você curte apenas história, vale também.

Para quebrar seus preconceitos…

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Ah, esses alemãos frios, distantes e nada sociáveis…rsrsr

Olha só que fofura a carta que estava na caixa do correio hoje:

Querido vizinho,

Há um mês estamos aqui em nosso apartamento no quarto andar com nossos móveis e incontáveis caixas de mudança. Nesse meio tempo, a maioria das caixas já foi desempacotada. A maioria das coisas já encontrou seu lugar. Quase tudo foi encontrado novamente. Algumas coisas estão ainda desaparecidas, como, por exemplo, nosso escorredor de macarrão. Mas ainda temos esperança de encontrá-lo nos próximos dias.

Então, nós estamos muito felizes porque o esforço da mudança já passou. Agora vem a melhor parte, que é conhecer nossos vizinhos. Por isso, ficaríamos muito felizes se vocês pudessem tomar uma bebidinha conosco na próxima quarta-feira, às 19h30.

Já estamos felizes em antecipação.

***
Como resistir a um convite desses, né?
Muito amor envolvido.

Se você vai se mudar em breve, fica aqui a inspiração <3

Fale como se estivesse no TED

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O Diego Marcello Trávez, que além de amigo e parceiro (a empresa dele é que cuida da minha agenda no Brasil), também é um descobridor de dicas interessantes para seus assessorados. Ele me mandou a foto de um livro que estava lendo e que recomendava muito; comprei e engoli o volume todo em menos de dois dias. Estava bom mesmo.

Talk like TED: tge 9 public-speaking secrets of the world’s top minds“, de Carmine Gallo (já resenhei o ótimo “Faça como Steve Jobs” dele também), pretende ser um guia definitivo de como fazer apresentações memoráveis. E acho que consegue.

Ele usa como base as apresentações do TED (Technology, Entertainment and Design), projeto criado em 1984 para divulgar ideias que merecem ser divulgadas. O modelo é centrado em apresentações de 18 minutos (no máximo) sobre os mais diversos temas como arte, design, negócios, educação, saúde, ciência, tecnologia e assuntos globais. Os vídeos das palestras são publicados na página do projeto (TEDTalks) e nada menos que um milhão de pessoas os assiste a cada dia.

Gallo mais de 500 das palestras entre as mais populares e, com a ajuda de neurocientistas, psicólogos e especialistas em comunicação, além de inúmeras entrevistas, análises estatísticas e sua própria experiência pessoal (que não é pequena), conseguiu identificar o que faz uma palestra ser assistida quase 38 milhões de vezes (como é o caso da apresentação de Ken Robinson, de 2012).

Ele começa apoiando o sucesso de uma apresentação em três pilares: emoção, novidade e memorabilidade.

A emoção é a parte que toca o coração das pessoas. E aí ele faz uma longa dissertação, cheia de exemplos práticos, sobre o poder do storytelling. É contando histórias que se chega ao coração das pessoas, que se realiza a conexão entre os seres humanos. Se as histórias forem pessoais, tanto melhor. Ele cita também a palestra de Brené Brown (vista 24 milhões de vezes) sobre o poder da vulnerabilidade e da empatia, além da clássica palestra de Amanda Palmer, sobre a arte de pedir. Nesse módulo, ele também fala sobre os gestos, as palavras, o tom de voz e até a velocidade com que a pessoa fala.

A novidade é o que nos move como seres humanos; somos curiosos por uma questão de sobrevivência. Sem isso, seria impossível evoluir. Uma pessoa precisa aprender algo novo em troca desses 18 minutos de atenção. E isso precisa ser mostrado de um jeito interessante; a melhor maneira é contextualizar os números que se pretende mostrar, comparando-os com outros do dia-a-dia ou mostrando-os em escala, usando metáforas, mostrando exemplos práticos com objetos reais.

Gallo revela ainda uma novidade (pelo menos para mim), veja só: aprender algo novo libera dopamina em altas doses; aprender é viciante como qualquer outra droga, tipo a cocaína, por exemplo. Só que é seguro e legal. Por que não levam isso realmente a sério nas escolas?

Por último, a capacidade de ser memorável. Reduzir a informação até que ela atinja sua essência, que pode ser na forma de uma história curta, uma frase, uma brincadeira, uma experiência multisensorial; algo que faça com que as pessoas se lembrem da mensagem. Que elas consigam resumir os 18 minutos em uma frase do tipo: é aquela palestra em que ele tira o computador de dentro de um envelope. Tenho certeza que você lembrou e sabe exatamente de qual palestra estou falando.

Na parte de memorabilidade, Gallo fala ainda sobre o senso de humor e seu papel na memória afetiva. Piadas devem ser usadas com muito comedimento ou evitadas por quem não é comediante profissional (o risco é enorme de alguém sair ofendido), mas rir de si mesmo e compartilhar histórias pessoais engraçadas pode ser um bom caminho.

O melhor é que o livro funciona como um curso, em que se pode lê-lo e acessar as palestras do TED para ver os exemplos que ele cita. Bom demais.

Mesmo que nunca pense em ser um palestrante ou professor, recomendo demais o livro, afinal, todo mundo precisa apresentar ideias.

Pois é, Diego querido, agora não vejo a hora de colocar tudo isso em prática…rsrs

***

PS: Em português, o livro saiu com o nome “TED: falar, convencer, emocionar”.

Top 10 de março

Olhando a linha do tempo do meu Instagram dá para perceber claramente a passagem do tempo e a mudança das estações. Esse mês e os próximos vão ter muita flor; prepare aí os seus olhinhos e escolha a foto que você mais gosta!

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1. Essa foi a mais curtida de todas, na estação de U-Bahn Büllowstraße. Ela é mesmo uma das mais lindas da cidade.

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2. Uma das coisas mais maravilhosas de morar num lugar que tem as quatro estações bem definidas é presenciar a chegada da primavera. Comovente e emocionante.

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3. Uma das maravilhosas salas da Gemälde Galerie, um dos museus nacionais de Berlim.

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4. Um dia de chuva para meditar. No ônibus, indo para o trabalho (é aquele de dois andares; adoro sentar em cima, bem na frente).

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5. A primavera se exibindo sem pudor. Ela pode.

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6. Esse conjunto de edifícios, entre o Gendarmenmarkt e o Checkpoint Charlie, ganharam cores para fazer a região mais colorida e alegre. Como não amar?

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7. Ah, essa luz de fim de tarde… para minha sorte, estava passando na Potsdamer Platz bem na hora.

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8. Fiquei um tempão esperando alguém interessante passar para compor a cena. A senhora muçulmana ficou bem desconfiada, mas é porque ela não sabe que ficou perfeita como modelo.

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9. Esses pátios internos nos edifícios são encantadores. Esse esconde uma escola de fotografia bem tradicional, na Viktoria Luise Platz, em Schöneberg.

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10. As árvores ainda estão secas, mas nas floriculturas a primavera está no ápice. Tulipas, hortênsias, flores do campo. Tem para todos os gostos <3

 

Italianos aprontando em Singapura

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Se você gosta de policiais bem escritos, recomendo o “Die schöne Hand des Todes” (tradução livre: “A bela mão da morte”), de Giancarlo Narciso. O autor, que vive pelo mundo trabalhando como freelancer, tal como seu alter-ego e protagonista, Rodolfo Capitani, já ganhou vários prêmios literários.

A trama é complicada, mas muito bem escrita. Conta a história de dois homens italianos, um tradutor e outro executivo, que se encontram na cidade-Estado de Singapura, onde ambos moram e trabalham. Ficam amigos e compartilham noitadas até que o executivo sofre um acidente e morre, não sem antes aparecer para se despedir e pedir dois grandes e arriscados favores.

A parte mais bacana, para mim, foi a descrição da cidade e da maneira como as pessoas vivem lá. Os personagens são os clássicos: mafiosos, belas mulheres, sábios budistas, enfim. Original não é, mas a trama é criativa e bem contada.

PS: Não achei em português, mas certamente deve haver traduções em inglês e espanhol, além do original em italiano.

Menos mais do mesmo

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Sempre digo e repito (porque realmente acredito) que empreender no Brasil é um ato de heroísmo. As pessoas que ousam fazer isso deveriam ser apoiadas, incentivadas, estimuladas e encorajadas de todas as formas possíveis. Elas deveriam servir como exemplo de coragem e persistência.

Pena que não é o que acontece.

Isso me lembra o Conrado contando sobre o dia em que foi registrar nossa empresa de tecnologia aqui em Berlim no que seria o equivalente à Junta Comercial (desnecessário dizer que os procedimentos de abertura são mais simples e rápidos). O funcionário público que fez o atendimento perguntou quantos empregos iríamos gerar em cinco anos. Como não temos intenção de ser uma corporação, o Conrado estimou algo entre cinco e dez engenheiros. O funcionário então, impressionado, deu-lhe os parabéns pela abertura da empresa e disse: “Então temos que tratá-lo muito bem, pois vocês vão gerar riqueza para a cidade e empregos qualificados“. Verdade verdadeira, pode acreditar.

Você consegue imaginar um funcionário público no Brasil pronunciando semelhante frase? Nem iria tão longe, pode ser uma pessoa comum mesmo, que você para na rua e diz que está abrindo uma empresa. Difícil, né?

Por isso é que tenho tanto respeito pelos verdadeiros heróis brasileiros que arriscam praticamente todo seu tempo e energia e não raro todas as suas economias para lutar contra a maré gigante que faz de tudo para afogá-los. Iniciativas de apoio (e tem muita, mas muita gente boa trabalhando nisso) para o empreendedorismo devem ser mais do que bem recebidas: merecem ser celebradas!

Hoje, quando recebi pelo correio o “Guia Prático das Novas Ferramentas Comerciais: da construção da marca ao atendimento ao consumidor“, veio junto no pacote uma lufada de esperança que tudo vai dar certo, apesar do quadro caótico em que nosso país se encontra no momento. Há perspectiva sim! Tem uma moçada muito boa querendo trabalhar e eles vão vencer, com certeza.

O meu queridíssimo e super competente Alex Lima, que me mandou o livro de presente, abre o volume compartilhando dicas preciosíssimas sobre branding. E está na companhia de um pessoal que de fraco não tem nada (saudades do ótimo Rodrigo Lóssio!).  Olha, acho que a leitura atenta pode substituir muito curso bom por aí.

Obrigada por mais essa, meus heróis. Ganhei o dia!

***

Recomendo muitíssimo e não só para quem quer empreender, mas para quem estuda branding, UX, jornalismo, conteúdo digital, marketing, vendas, mídias digitais e atendimento. Tem para vender em um monte de lugares; clique aqui para fazer uma pesquisa de preços.

O homem que amava as palavras

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Esse foi o achado mais sensacional dos últimos tempos: a história que conta como foi escrito o maior dicionário do mundo e um dos mais importantes de todos os tempos, o Oxford English Dictionary. Levando-se em conta que o trabalho levou mais de meio século, que o método para construi-lo foi inovador e que os personagens envolvidos são muito originais, o relato deixa muito romance bom no chinelo.

Morro de dó porque em mudanças a gente sempre perde coisas; perdi meu precioso volume quando vim para a Alemanha (não consegui descobrir o paradeiro do tijolão). Vou ter que comprá-lo novamente, pois é uma referência insubstituível. Ainda mais agora,  conhecendo sua história, tem ainda muito mais valor.

O título da versão alemã do livro de Simon Winchester, “Der Mann, der die Wörter liebte” (o homem que amava as palavras), é, na minha opinião, mais atraente e elucidativa que o original em inglês “The surgeon of Chrowthorne” (o cirurgião de Chrowthorne). Procurei no Google e achei “O professor e o louco” em português (ruim demais, parece tradução de nome de filme de sessão da tarde).

A história da elaboração do famoso dicionário, apesar da imensa quantidade de colaboradores envolvidos, foca-se em dois personagens principais: o primeiro é o organizador e editor da obra, James Murray, poliglota e gênio reconhecido em vários assuntos que, devido à pobreza da família, nunca conseguiu frequentar uma universidade; mesmo assim foi aceito na esnobe e seletíssima Sociedade Filológica Britânica e teve a ele confiada a hercúlea tarefa de terminar o dicionário (cujo trabalho, que já durava mais de 20 anos, ainda não tinha saído da letra “A”). Foram mais de 40 anos de dedicação exclusiva e esforço focado.

O segundo é principal colaborador do Dr. Murray: o Dr. William Chester Minor, nascido no Ceilão (hoje Sri Lanka), filho de um pastor protestante americano em missão naquele país. O pai vinha de uma família de posses e era proprietário de uma editora que distribuía as palavras sagradas em missões pelo mundo. Na adolescência, William, também poliglota e cultíssimo, foi enviado à terra natal de seus pais para estudar medicina. O período em que serviu o exército parece ter influenciado bastante sua estrutura psicológica.

O livro começa com o Dr. Murray indo visitar o Dr. Minor, pois, apesar de residirem a apenas algumas centenas de quilômetros um do outro, trabalharam de maneira colaborativa por mais de 20 anos sem nunca terem se encontrado pessoalmente. Dr. Murray estranhou que o Dr. Minor nunca tivesse tido a curiosidade de ir até a Universidade de Oxford, mas sabia que não raro sábios e eruditos eram também pessoas tímidas e introspectivas. Chegando à imponente construção em estilo vitoriano, anunciou seu nome e foi recebido por um senhor muito distinto e educadíssimo. Devidamente instalado na cadeira de visitantes na sala finamente decorada, começou o discurso de agradecimentos e elogios, ressaltando o quanto o trabalho voluntário e a dedicação sem limites tinham sido essenciais para que o projeto fosse bem sucedido. Eis que Dr. Murray é interrompido por seu anfitrião:

– Desculpe, deve estar havendo um engano; não sou quem o senhor está pensando. Esse é um hospício e sou o diretor. O Dr. Minor é um dos nossos pacientes; ele está conosco há mais de 30 anos.

A história propriamente dita começa então a ser narrada com o evento que ocasionou a prisão, um assassinato a sangue frio de um operário que voltava do trabalho de madrugada. Dr. Minor, que tinha alucinações e achava que estava sendo perseguido, simplesmente abateu o inimigo imaginário (que, por sinal, acompanhou-o ainda por um bom tempo, apesar de se sentir um pouco mais protegido dentro do hospital).

Dr. Minor era de família rica e pôde se instalar com conforto em sua cela (na verdade, duas, pois uma ele usava como biblioteca pessoal e escritório). Com todo o tempo do mundo disponível e uma inteligência muitíssimo acima da média, além de recursos para comprar o material que referência que fosse preciso, não admira que sua colaboração para o projeto tenha sido tão valorosa.

O Oxford English Dictionary foi um marco na história da língua inglesa porque pela primeira vez foram catalogadas todas as palavras possíveis e usadas citações bibliográficas diversas da literatura para fundamentar as definições e exemplificar sentidos. Esse trabalho monumental só foi possível porque o Dr. Murray convocou um exército de voluntários cuja tarefa era encontrar citações e enviá-las pelo correio na forma de pequenos bilhetes, com as palavras e os trechos dos textos onde elas haviam sido encontradas. Dr. Minor ajudou a selecionar, organizar e editar as mais de duas toneladas de papeizinhos de voluntários. Pensa.

E a gente aqui achando que o trabalho colaborativo, a wikipedia, o home office eram coisas muito revolucionárias…

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Top 10 de fevereiro

Fevereiro é aquele mês em que todo mundo torce para acabar logo (junto com o frio) para que venha, toda gloriosa, a primavera. Os dias começam a ficar mais longos, a escuridão diminui, mas ainda não o suficiente.

Mesmo assim, mesmo nos dias nublados, que são maioria, dá para tirar belas fotos. É que Berlim é fotogênica sob qualquer luz, não é, minha linda?

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1. O sol já é motivo para as lojas colocarem as mercadorias nas calçadas.

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2. Ainda está tudo sequinho no Lustgarten, mas o Dom nunca perde a majestade. Aqui ele é visto da lateral do Altes Museum. A torre de TV também quis aparecer, lá no fundo <3

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3. O povo perguntou onde foi todo mundo, mas é que esperei passar os trens nos dois sentidos para tirar a foto. Mesmo assim tem uma pessoinha chegando, lá no fundo…rsrsr

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4. Dia de sol, mesmo que gelado, é um presente para os berlinenses. Vontade de sair dançando a rua (vários fazem isso mesmo…rsrsr).

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5. Essa foto é interessante porque mostra uma árvore completamente seca (como estão todas, nessa época) sobre uma parede de fundo coberta de hera (também seca). Um bordado da natureza hipnotizante, para dizer o mínimo.

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6. A Isabel fez sucesso com sua carinha pensativa, mas o povo ficou mesmo intrigado foi com as bolinhas nos livros. Eu explico: é que quando viemos do Brasil, não pudemos trazer todos os livros. Então marquei com bolinhas os que viriam para cá. Não tirei as bolinhas ainda porque, como se vê, ainda não temos estante (em vez de juntar dinheiro para comprá-la, a gente continua comprando mais livros…rsrsr).

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7. Essa fachada é uma das mais maravilhosas da cidade, na minha opinião. Além da pintura sensacional e criativa, observe essas sacadas triangulares. Fica num dos meus bairros preferidos, Kreuzberg, à beira do rio Spree.

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8. Nunca me canso de me encantar com essa luz que só tem nos jardins do Castelo de Charlottenburg. Imagina quem mora lá perto e pode ver isso todo dia!

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9. Esse prédio é de um coletivo de artistas e muda de fachada pelo menos duas vezes por ano. Na minha opinião, uma das atrações imperdíveis da cidade. Fica quase ao lado da estação U-Bahn Nollendorfplatz, na Büllowstraße.

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10. E eis que estou caminhando na rua na hora do crepúsculo e dou de cara com um portal para outra dimensão, bem no canto da calçada. Vamos mergulhar?

Boas histórias, mas sem tempero…

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E lá estava eu novamente no mercado de pulgas procurando coisas legais para ler.

O primeiro a me seduzir foi “Amsterdam: ein Meisterdieb jagt seinen Schatten” (algo como “Amsterdam: um mestre do crime caça sua sombra“), de Chris Ewan. A quarta capa era matadora, pois falava de um escritor de romances policiais que era um ladrão de verdade, desses que só roubam por encomenda.

Charlie Horward, o tal escritor, é britânico e escolhe cidades do mundo para escrever seus romances de sucesso. Nas horas vagas, rouba umas coisinhas. Em Amsterdam, onde está há alguns meses, recebe uma encomenda de um americano para roubar dois objetos pequenos (dois do conjunto daqueles macaquinhos clássicos: não vejo, não ouço, não falo). As coisas dão errado, é claro, e ele se mete numa encrenca das grandes. Tem mulher fatal, tem comissário de polícia; todos os personagens esperados para a trama. Pena que não consegui me empolgar. Já passava da metade do livro quando descobri o porquê: absoluta falta de carisma do protagonista. O sujeito é rico, tem oportunidade de viver nas cidades mais interessantes do mundo e é um baita chato. A vida dele é um tédio. A história de sua infância (quando começou a desenvolver técnicas sofisticadas de arrombamento) é de dar sono. Como alguém pega ingredientes tão bacanas e esquece logo do sal e da pimenta?

Pois é, aí fui para o “Fragen Sie den Papagei” (pergunte ao papagaio), de Richard Stark. Outra história bacana, mas com um protagonista pobre.  A história começa com um sujeito, chamado Parker, fugindo de um assalto. Em plena perseguição em uma floresta próxima a uma cidade pequena, um homem estranho lhe oferece ajuda. É um ex-funcionário de um clube de apostas de cavalos de corrida chamado Lindahls, que, tendo descoberto uma fraude no sistema, denuncia o caso para a polícia e perde o emprego, sem que nada mude. Amargurado, planeja um assalto ao caixa do clube, mas é honesto por natureza, não consegue fazê-lo. Por isso, pede ajuda ao foragido, certamente mais experiente.

Parker é um psicopata dos mais frios. Aliás, ele age como um robô, tamanha a frieza. Não dá para se identificar de maneira nenhuma; é tão prático e focado que se torna outro chato com uma vida desinteressante, só não mais sonolenta que a vidinha de desempregado de cidade do interior que Lindahls leva (sendo que ele guarda um papagaio em uma gaiola dentro de casa e nem desconfia porque o pobre do bicho não fala, o que me fez ter mais raiva dele)…

Agora, que pretendo contar uma história também, tenho prestado mais atenção nessas questões. Mas meu romance vai demorar mais do que o planejado, pois o volume de trabalho está demais e não estou conseguindo tempo para escrever. Bom, pelo menos, a lição de casa estou fazendo; juro que vou me esforçar para não construir personagens chatos…rs

Fanáticos

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Imagine a seguinte cena (totalmente fictícia, claro): uma câmera filma o Lula negociando preços em um esquema de tráfico de criancinhas para transplante de órgãos. Depois ele aparece assinando um papel (com firma reconhecida depois em cartório) definindo a comissão para os receptadores. Logo em seguida, confirma tudo numa conversa gravada.

Sabe o que os fãs mais aguerridos diriam ao saber da notícia? “Não há provas suficientes”, “É tudo coisa da mídia golpista”, “A quem interessa a divulgação disso?”, “Com tanto bandido por aí, porque estão concentrados somente nele?”. Negariam a realidade até o limite do impossível e, confrontados com a inconsistência dos argumentos, atacariam finalmente com um “Mas o FHC também fazia”. E por aí vai.

E você pensa que isso só acontece com o Lula? Não se engane; troque o personagem principal do primeiro parágrafo pelo próprio FHC ou por Bolsonaro, Lady Gaga, Sérgio Moro, Chico Buarque, Ivete Sangalo, Claudia Leite, Sílvio Santos, Papa Francisco, Beyoncé, quem você quiser, e a reação de alguns fãs será muito parecida.

Isso acontece porque, apesar de muitos já terem se esquecido, fã é um aportuguesamento de fan, que por sua vez é uma redução de fanático. Fanáticos não primam pelo raciocínio lógico. Fanáticos apenas idolatram; escolhem alguém e santificam aquela pessoa como se ela não fosse humana. São devotos de gente comum. O que é muito triste, pois só mostra o quanto fanáticos precisam de amor e atenção.

Ainda bem que a maioria das pessoas, quando se diz fã de alguém, na verdade não está dizendo que é fanático; apenas que admira algum aspecto daquela pessoa. Penso que essa é a chave: a gente pode admirar apenas uma parte e continuar conservando o senso crítico, uma vez que somos todos falíveis. Sou fã (na verdade, admiradora) do trabalho do Chico Buarque. Também sou apreciadora do Philip Stark, adoro as peças que ele projeta. Gosto demais dos livros do Harumi Murakami. Mas se qualquer um desses que citei cometer um crime, não dá para passar a mão na cabeça; a lei tem que valer para todos. Absolutamente todos. Sem dizer que eles falam e fazem bobagem como todo mundo e a gente não precisa concordar. Normal.

Há extremistas demais no mundo: fanáticos religiosos, fanáticos políticos, fanáticos artísticos, fanáticos empresariais, fanáticos ideológicos. A idolatria desumaniza o outro, gera expectativas sobre-humanas.

Minha proposta: vamos ser menos fanáticos e mais apreciadores, admiradores, incentivadores? Vamos admitir que aquele guru iluminado que parece até ser de outro planeta é tão poeira de estrelas quanto qualquer um de nós? Que líderes também fazem besteira e têm que responder por seus atos? Que pessoas famosas, no final das contas, são apenas seres humanos?

Vamos?

 

De noite, na cama…

Afterdark von Haruki Murakami

Afterdark von Haruki Murakami

Muita gente pergunta como consigo ler um livro por semana se estudo e trabalho em tempo integral.

Bom, além de não ter filhos, o que facilita bastante (não sei como as mães conseguem dar conta da vida!), ajuda o fato de que também não vejo televisão (deveria ver mais, pois seria melhor para o aprendizado da língua, mas não tenho paciência). Some-se a isso o fato de que não saio de casa sem um livro na bolsa (não ter que dirigir ajuda demais) e que não durmo sem ler pelo menos uns dois capítulos, fica fácil. Vira um hábito, como escovar os dentes. Não importa a que horas eu me deite, preciso ler antes de cair no sono.

Como dorminhoca de marca maior, fico encantada com as pessoas que conseguem dormir pouco e, mais; conseguem ficar acordadas durante a noite toda. Minha cabeça simplesmente para de funcionar se eu ficar muitas horas seguidas acordada; jamais poderia ser médica. Acho que por isso fiquei tão atraída pelo título desse romance do Haruki Murakami chamado Afterdark (o título continuou em inglês, mesmo na tradução alemã).

A história se passa em uma única noite e conta a história de uma moça chamada Mari que resolveu passar a noite fora de casa porque queria um pouco de paz e solidão (ela disse para os pais que dormiria na casa de uma amiga). Numa lanchonete em Tóquio, entretida na leitura de um tijolão, encontra por acaso um rapaz que só viu uma vez na vida, numa piscina pública. Aos poucos a história vai se desenrolando: a irmã da moça é uma beldade que atrai todos os rapazes, mas, por algum motivo desconhecido, está dormindo há dois meses. Acorda para comer e tomar banho, não interage com ninguém e cai novamente em sono profundo.

Mari, que estuda chinês, é chamada por uma conhecida do rapaz para ajudar numa emergência. A conhecida, uma ex-lutadora de boxe, agora é gerente de um hotel de encontros e precisa se comunicar com uma prostituta chinesa que apanhou de um cliente e teve todas as suas coisas roubadas. Mari, o rapaz, que é músico, a gerente do hotel e suas funcionárias conversam e trocam impressões durante essa longa noite cheia de experiências e aprendizados.

A história não tem nada de excepcional, mas gosto da maneira como Murakami vai narrando os fatos.

Se você tem insônia, taí uma ótima dica de leitura.

Top 10 de janeiro

Janeiro teve neve e muito branco, mas também muitos cenários coloridos em Berlim. O que você prefere?

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1. Ir para a escola de manhã e dar de cara com esse cenário é uma das melhores sensações que há. 

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2. O rio em processo de congelamento é uma coisa muito linda (e gelada) de se ver.

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3. Aqui ainda tem uns pedaços de gelo na água. Rio Spree passando pelo bairro Moabit, em Berlim.

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4. Às vezes me sinto como se estivesse dentro de um filme. Com essa foto fica fácil entender por quê.

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5. Minha primeira boneca de neve é uma japa mal humorada, mas cheia de charme. Fez sucesso; saiu até na seleção de fotos de bonecos de neve do portal de um jornal aqui de Berlim…rs

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6. Por do sol às quatro da tarde. É cedo, mas é lindo! Rio Spree no bairro Moabit.

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7. Esse cisne estava entretido tentando passar por entre as placas de gelo (esse bicho tem uma pata enorme; agora entendo porquê).

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8. Minha mão quase congelou esperando passar um trem, mas acho que valeu a pena, né?

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9. Adoro ver músicos carregando seus instrumentos pela rua, mas geralmente as capas são pretas. Achei essa mais estilosa; tive um monte de ideias para pintá-la…rsrs

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10. Essas pombas são funcionárias da torre de TV; elas não faltam ao trabalho um dia sequer. Um exemplo!

Vidas extraordinárias

Desde a última vez que estive no Brasil, em dezembro do ano passado, estou para compartilhar uma experiência riquíssima que tive em Belo Horizonte; fui convidada a assistir uma palestra sobre inclusão de pessoas com deficiência promovida pelo Programa SENAC de Acessibilidade. As histórias que ouvi, na ocasião, fizeram-me ver as coisas de um modo totalmente novo.

Primeiro, aprendi que o termo “pessoas portadoras de deficiência” não é adequado, pois tudo que é portado por alguém, não faz parte da pessoa, e pode ser retirado quando não for mais necessário. Posso portar uma bolsa, um crachá, um telefone. Mas não uma deficiência.

A expressão “pessoas com necessidades especiais” também não cabe, pois necessidades especiais são 300 toalhas brancas no camarim de um astro pop, por exemplo. Quem apenas quer se locomover, trabalhar, viver, não tem está pedindo nada de especial; são necessidades básicas de qualquer ser humano.

Pessoa deficiente” enfatiza uma qualidade negativa que não é o principal fator identificador daquele ser humano. Então, o mais adequado é “pessoa com deficiência“.

No total, foram quatro palestras muito inspiradoras e transformadoras. Primeiro, fiquei conhecendo o projeto Mano Down, um trocadilho bem-humorado com o nome do famoso rapper brasileiro Mano Brown. Leonardo Gontijo tem um irmão caçula, o Dudu, com síndrome de Down. Desde a infância, os dois são muito ligados e Leonardo resolveu se dedicar a fazer de Dudu uma pessoa autônoma e realizada. Dudu do Cavaco, como é mais conhecido, é músico e faz shows e palestras por todo o Brasil. Uma linda história de amor entre dois irmãos.

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Leonardo Gontijo e Dudu do Cavaco, o Mano Down.

Depois da palestra esclarecedora da advogada Patrícia Siqueira, do Ministério do Trabalho, sobre as leis de cotas nas empresas, veio a incrível história do David. Um moço bonito e inteligente, de 27 anos, cheio de dúvidas, questionamentos e desejos; exatamente como você e eu. Só que o David nasceu sem as pernas e com apenas o toco do braço esquerdo. O mais incrível do caso dele, para mim, foi a atitude da mãe. Grávida aos 17 anos e sozinha (o pai do menino não quis nem saber e desapareceu assim que soube da gravidez), fez tudo que estava ao seu alcance para fazer do filho uma pessoa independente e com uma autoestima saudável. Lutou para que ele sempre estudasse em escolas públicas comuns, frequentasse todos os programas dos garotos da idade, andasse pela cidade sozinho e sem auxílio, enfim. Essa mulher é um ser humano realmente excepcional, conseguiu fazer com que a falta dos membros do filho fosse apenas um detalhe na vida dele (e dela). O resultado é o que David conseguiu estudar (faz Direito), viaja e se locomove sozinho com o auxílio de uma cadeira de rodas elétrica e trabalha como palestrante na mesma empresa que me representa no Brasil, a DMT Palestras. Não é para encher de orgulho todos os envolvidos?

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David Cesar, meu colega de trabalho.

Por último, impossível não se encantar com o bom-humor dos Irmãos FOT, os queridos Romário e Ricardo Fot. Eles são gêmeos e se descobriram completamente cegos aos nove anos de idade, vítimas da “Síndrome do olho de gato“. Mas isso não os intimidou: ambos têm curso superior e pós-graduação, sendo que o Ricardo é professor em uma faculdade de administração. Os dois também viajam pelo Brasil dando palestras, ajudando as empresas a entender e incluir a diversidade nos seus quadros.

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Romário e Ricardo, os queridos irmãos FOT.

O Brasil tem nada menos de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, que você não vê porque elas sequer conseguem andar na rua, quando mais estudar. Nem toda pessoa com deficiência tem uma família estruturada, bem resolvida e amorosa para ajudar a superar tantas dificuldades. Quanto mais gente conhecer a realidade, mais se perderá o medo do desconhecido e se aproveitará esses talentos desperdiçados.

Se você tem uma empresa, penso que seria de grande valia contratar qualquer um deles (ou todos); empatia, superação, proatividade e, principalmente, muito amor envolvido. Só pode fazer bem.

Muito obrigada, SENAC/MG, Tio Flávio Cultural e DMT Palestras; vocês, como sempre, me proporcionando essas experiências inesquecíveis.

Dois policiais

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Nas minhas peregrinações em mercados de pulgas atrás de livros bacanas, encontrei esses dois policiais: um que achei chato e outro muito bom.

Vamos falar primeiro do “Hunde von Riga“, do Henning Mankell. A tradução do título é “Cães de Riga” e me chamou atenção porque Riga é a capital da Letônia e está na minha lista de cidades para conhecer urgentemente, pois dizem que é linda. O autor é sueco (os suecos são ótimos para escrever thrillers; vide a trilogia Millenium do Stieg Larsson) e o comissário que investiga os crimes chama-se Kurt Wallander. Depois descobri que o tal Wallander é famoso e protagoniza uma série que passa na televisão; então esse é apenas um dos episódios.

O que achei? Para um thriller, arrastadíssimo. O tal Wallander, na minha opinião, deveria se chamar “Mallander”, pois as coisas acontecem e ele apenas observa.  Inseguro, presa fácil de mulheres complicadas, o sujeito não tem nenhuma ideia brilhante na história e o crime acaba se resolvendo sem a participação dele. Mesmo assim, parece que a maioria não compartilha da minha opinião, pois se até um seriado o personagem ganhou, então talvez ele não tenha se saído bem apenas nessa história. Quem sabe eu ainda dê uma outra chance para esse “Mallander”. Vou pensar.

Já o segundo livro, “Fundort Jannowitzbrücke“, é o romance de estreia de Stefan Holtkötter, que em 2005, quando o livro foi publicado, trabalhava como consultor motivacional para desempregados durante o dia e complementava a renda como Barman durante a noite, em Berlim.  Nesse meio tempo, o moço ainda conseguiu tempo para escrever a história. O título me atraiu porque Jannowitzbrücke é uma ponte que fica a apenas algumas quadras de onde moro, e abriga uma estação de trem. O livro conta a história de um serial killer que mata moças com um perfil bem específico até que uma foge do padrão. O bacana é que há o comissário problemático (aqui o moço se chama Michael Schöne), mas também uma equipe de investigadores de polícia bem treinados que não deixa espaço para um herói. O sucesso do trabalho depende da colaboração e sensibilidade de cada um, como, aliás, é comum no seriado Tatort do qual já falei aqui.

O que achei? Sensacional! Além das paisagens bem conhecidas (boa parte da ação se passa entre a Alexanderplatz e Kreuzberg, locais próximos), o roteiro é bem escrito e ele consegue manter atenção até o final. Pelo que vi, a carreira do moço decolou, pois já lançou 11 livros depois desse e agora é autor em tempo integral. Vou procurar outros!

 

Como ver o mundo

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Encontrei “How to see the world”, do professor de mídia, cultura e comunicação da New York University, Nicholas Mirzoeff, num cantinho da livraria do Kultur Forum, em Berlim. Estava saindo meio atordoada da belíssima exposição Boticelli, que reúne originais e releituras, quando dei de cara com essa brochura linda da coleção A Pelican Introduction (já vi que tem outros títulos ótimos).

Como resistir a alguém que se propõe a ensinar a gente a ver o mundo? Dica: não resista. Vale cada sílaba impressa. Os capítulos são divididos em: Como ver o mundo; Como ver você mesmo; Como pensamos sobre o ato de ver; O mundo da guerra; O mundo da tela; Cidades mundiais, mundos de cidades; O mundo em mudança; Mudando o mundo; Ativismo visual.

É muita coisa para resumir numa resenha de uma página, mas, na minha opinião, já na introdução ele mostra a que veio e apresenta números impressionantes (e atuais,  pois o livro é do final de 2015) como o fato de 52% da população da Nigéria ter menos de 15 anos (assim como 40% de toda a população da África Sub-Sahariana). Tanto na Índia como na China, mais da metade da população tem menos de 25 anos de idade. Que 6 bilhões de horas de vídeo são assistidos todos os meses no Youtube, uma hora para cada pessoa na Terra. Somente no ano de 2014, um trilhão de fotos foram tiradas; um belo número, se a gente considerar que até 2011, todas as fotos existentes somavam 3 a 5 trilhões. Até o final da década, segundo o Google, serão 5 bilhões de pessoas conectadas à internet (em 2012, mais de 33% da população já tinha acesso).

Ele conclui que, querendo ou não, somos uma sociedade cada vez mais visual e a tendência é aumentar a comunicação por esse meio, uma vez que o mundo é majoritariamente jovem e vive nas cidades. E a internet não é mais um meio de comunicação de massa. É o primeiro meio universal do Planeta Terra.

Ele mostra que isso também mudou a maneira como vemos as coisas e o mundo.

Nicholas usa como exemplo uma foto da Nasa, de 1972, tirada pelo astronauta Jack Schmitt, tripulante da Apollo 17. A imagem intitulada “Mármore Azul” é uma das mais reproduzidas até hoje, pois pela primeira vez o planeta aparece inteiro numa fotografia. Ele a compara com a mesma foto tirada em 2012, que utiliza uma montagem de várias imagens de satélite com as cores e distorções corrigidas. É mais exata que a foto original, mas é falsa. É uma montagem. Ninguém foi lá e fez o click. A imagem é uma combinação de informações mais precisas, porém, parciais. É assim que estamos vendo o mundo agora.

E mais; no mesmo ano de 2012, o astronauta japonês Aki Hoshide estava na mesma situação de Jack Schmitt, mas em vez de fotografar a Terra vista do espaço, ele virou a câmera e fez uma selfie. A Terra aparece em segundo plano, no reflexo do seu capacete. Mais emblemático, impossível.

Não à toa, o primeiro capítulo é todo sobre o fenômeno das selfies. O bacana é que o autor não gasta tempo fazendo críticas a “essa juventude que está aí”. Ele analisa fatos, tendências e nos ajuda a ver esse mundo tão surpreendente, conectado, imediatista e cada vez mais visual.

Mirzoeff afirma que cultura visual envolve as coisas que nós vemos, o modelo mental que define como e o que nós vemos, e o que podemos fazer com o resultado disso. Cultura visual é a relação entre o que percebemos visível e o nome que damos ao que está sendo visto. E isso implica em conhecer também o que é invisível, o que não percebemos.

Ele ainda diz que o conceito de cultura visual mudou de 1990 para cá; antes, tínhamos que ir ao cinema para ver filmes, ao museu para ver exposições, ou visitar alguém em casa para ver suas fotografias. E ele diz mais: “Ver não é acreditar. É algo que nós fazemos, uma espécie de performance”.

Olha, vale ler o livro inteiro. Ele fala sobre os grafites, os mapas, a diferença conceitual entre as atuais selfies e os antigos auto-retratos, as mudanças climáticas, a arte contemporânea, o fenômeno da urbanização, a comunicação e a conexão nas cidades, e, principalmente, sobre como é possível mudar o mundo por meio de mensagens visuais.

Vai lá. Garanto que você não vai se arrepender.

Para que serve uma palestra?

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Dia desses, ao saber que viajo frequentemente ao Brasil para ministrar cursos e palestras para empresas, uma pessoa me perguntou: ok, cursos eu entendo que as empresas contratem, elas precisam dar treinamento para seus colaboradores desenvolverem novas habilidades. Mas por que alguém pagaria por uma palestra?

Boa pergunta, viu? E muita gente tem a mesma dúvida; então vou tentar responder o melhor que puder.

Bem, em linhas gerais, existem três tipos de palestras corporativas: as motivacionais, as biográficas e as informativas*.

As motivacionais são aquelas onde o palestrante transforma o senso comum em show. Elas servem para inspirar os colaboradores, fazer com que eles repensem seu dia-a-dia, mas não trazem informações novas; a base é o entretenimento. Nesse caso, vale tudo: teatro, música, performances, dinâmicas, piadas, desafios, cenários, etc.

As biográficas são histórias de vida contadas por alguém que teve uma experiência especialmente interessante. Geralmente são apresentadas por pessoas famosas, empresários bem-sucedidos, sobreviventes de catástrofes, aventureiros, pessoas com talentos especiais, atletas, jornalistas, artistas, escritores, enfim, expoentes em alguma área.

As informativas (onde me encaixo, pois não tenho talentos especiais nem sou famosa…rs) são palestras que compartilham algum tipo de conteúdo técnico, mas apresentado de maneira acessível e atraente aos leigos. São específicas para determinadas áreas e geralmente ministradas por professores ou profissionais reconhecidos. A ideia é contextualizar o assunto e provocar na audiência curiosidade para saber mais e buscar aprofundamento. Por isso, nesse tipo de palestra, quase sempre são fornecidas referências adicionais (livros, vídeos, textos) que as pessoas podem procurar depois.

Essa classificação não é estanque e pode se misturar, mas penso que em linhas gerais, é isso. As palestras motivacionais e biográficas são as mais valorizadas em termos financeiros; talvez as pessoas gostem mais de shows e de saber detalhes da vida alheia… brincadeira! Penso que o verdadeiro motivo é porque o primeiro tipo exige um enorme talento artístico para transformar eventos banais do dia-a-dia em grandes espetáculos transformadores; tem que ser muito bom mesmo. E gente famosa ou com vida extraordinária, além de rara, sempre é fonte de curiosidade.

Mas vamos falar um pouco mais sobre o valor das palestras informativas. A pergunta era: para que elas servem mesmo?

Minha resposta taxativa: para economizar o tempo e o dinheiro das empresas e dos participantes.

Vamos pensar: para apresentar o assunto tratado, o palestrante terá que ter feito muitos cursos sobre o assunto, comprado/lido/estudado dezenas de livros e trabalhado bastante sobre as ideias de vários autores até concluir alguns pontos que tornem esse conhecimento útil para ser aplicado na vida real. O próximo passo é arquitetar uma maneira de apresentar os fundamentos e as conclusões de maneira clara, didática, rápida e, principalmente, atraente; tudo isso em algumas dezenas de minutos (palestras costumam ter, no máximo, 90 minutos). Quanto mais curta a palestra, mais difícil é estruturá-la, mais trabalho dá.

Imagine se cada participante tivesse que fazer todos os cursos, ler todos os livros e conhecer todos os autores só para ter uma ideia geral sobre determinado tema que ele ainda nem sabe se se é ou não relevante para a empresa, se a ferramenta ou método apresentados são ou não adequados aos problemas da gestão atual, se a abordagem é ou não interessante, pertinente ou oportuna para a realidade de seu mercado. Complicado, demorado e caro, né?

Então, para saber se valeu a pena a empresa pagar por uma palestra, ela deve pensar quanto dinheiro foi economizado e quanto valor foi produzido no evento.

Mas, para evitar desperdícios e insatisfações generalizadas, é necessário que os organizadores cuidem de alguns aspectos; a negligência de um deles pode colocar tudo a perder.

— Certificar-se que o assunto interessa à plateia, que deve conseguir ver utilidade ou valor no tema.

— Verificar o nível de conhecimento dos participantes sobre o assunto para evitar que saiam sem nenhuma informação ou referência nova além das que já tinham; que pelo menos consigam ver a questão sob um ângulo que amplie sua visão.

— Informar-se sobre o palestrante; se domina o tema e se costuma apresentá-lo de maneira organizada e atraente, respeitando o tempo disponível.

— Cuidar para que a apresentação ajuste-se ao perfil e à linguagem do público.

— Preparar o ambiente para que ele favoreça a comunicação.

— Observar se o momento é adequado.

Por motivos óbvios, acredito fortemente que palestras são fontes de valor e podem trazer muitos benefícios para as empresas de uma maneira rápida e relativamente barata. Basta que a contratação seja adequada e observe os fatores acima.

De minha parte, adoro assistir palestras tanto quanto compartilhar as coisas que aprendo.

Para mim, um excelente investimento, especialmente em tempos de crise. E para você?

——-

NOTA: * Essa classificação eu acabei de inventar, pois pesquisei e não encontrei nada que ajudasse a explicar melhor o que estou tentando dizer.

Top 10 de dezembro

Uma das resoluções de ano novo é voltar a dar atenção ao blog, que está meio abandonado por excesso de trabalho.

Esse foi um mês bem variado, pois comecei em Belo Horizonte e passei por uma conexão longa em Lisboa, a caminho de Berlim, o que rendeu várias fotos.

Aqui selecionei as que ganharam mais curtidas nas redes sociais nesse período. E você, já escolheu sua preferida?

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1. Essa foto é o famoso e tradicional edifício Maletta, no centro de Belo Horizonte, visto da varanda do Centro de Referência da Moda, do outro lado da rua.

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2. A belíssima igreja de Lourdes, tradicional de Belo Horizonte, ao fundo dessas flores lindas (azaleias?).

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3. Essa foto foi tirada minutos antes da chuva alcançar o Mirante Caixa D’Agua, em Belo Horizonte, e eu me molhar toda…rsrs

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4. Na hora de embarcar para casa, tive a sorte de ter uma conexão longa em Lisboa. Aproveitei para dar uma voltinha por essa cidade querida…

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5. Essa foto foi um mistério para muitos, que acham que tenho muito talento para operar o Photoshop (nem tenho o programa instalado…rsrsr).

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6. Essa imagem solucionou o mistério da foto anterior. Adoro esse parque de diversões próximo à Alexanderplatz, em Berlim. Ele só funciona um mês por ano, até a véspera do natal.

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7. Os crepúsculos no inverno são inesquecíveis, pois o sol está mais inclinado e eles duram bastante tempo. Cheguei a me emocionar nesse dia, na Ilha dos Museus, em Berlim.

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8. Trabalho aqui perto, no bairro de Moabit. A foto foi tirada às margens do rio Spree, esse maravilhoso.

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9. Essa foto fez sucesso porque todos se posicionaram perfeitamente para encaixar na composição (na verdade, foram muitas fotos em sequência, até sair essa)…rsrs

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10. Essa foi a campeã de likes, mas o momento foi muito especial mesmo. Como o inverno demorou a chegar, as aves migratórias ficaram meio desorientadas; passaram dias vagando em bando pela cidade. Mas agora esfriou de verdade e tudo voltou ao normal.

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Sempre me perguntam

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Nessa temporada no Brasil, estou ministrando palestras e cursos em várias cidades. No final, sempre me fazem perguntas curiosas que nada têm a ver com os temas abordados, mas dessa vez, uma das questões mais frequentes passou a ser mais frequente ainda; virou frequentíssima. A ponto de me motivar a escrever a respeito.

É fato conhecido que tenho 49 anos de idade e não tenho filhos. Pois essa é a questão que mais intriga moças e rapazes que me assistem e vêm conversar. As frases que mais tenho ouvido ultimamente: “Você não se arrepende? Todo mundo diz que vou me arrepender…“;”Também não quero ter filhos, mas não tenho como explicar isso às pessoas; será que sou anormal?“; “Todo mundo diz que não serei uma mulher completa sem filhos…“; “As pessoas dizem que sou muito egoísta porque não quero ter filhos“; “Minha mãe diz que nunca conhecerei o amor incondicional“; “Meu marido não quer ter filhos também e todo mundo acha isso muito estranho“. Mulheres que não têm filhos conhecem essas frases muito bem e muitas outras mais (reuniões familiares em épocas natalinas são prolíficas nesse tipo de comentário).

Bom, vamos comer a alcachofra pelas pétalas.

Não, não me arrependo. Minha vida é exatamente da maneira como eu queria que fosse. Não consigo me imaginar sendo mãe. Meu marido também está muito feliz com essa situação. Fui fazer terapia há alguns anos por causa das cobranças e não, não há nada errado comigo e nem posso ser diagnosticada como sendo mais egoísta que a média. Sou uma mulher perfeitamente normal e completa (seja lá o que isso queira dizer).

Uma ideia simples que parece ser quase impossível para a sociedade entender é que os seres humanos são diferentes; essa é justamente a graça e a riqueza do mundo. Há pessoas com raças, credos, orientações sexuais, visões, cabelos, corpos, estilos de vida, gostos pessoais e opiniões muito diversas umas das outras. Ainda bem que é assim.

Há mulheres que sempre sonharam ser mães, como a minha irmã. Que ótimo! É uma das melhores mães que conheço. Mas também tem mulheres que nunca tiveram esse sonho. Ok, sem problemas. Acho maravilhoso as que decidem adotar; para mim isso sim é que é amor incondicional. Não é seu sangue, não tem seus genes, mas você ama aquele ser como uma parte sua.

Existem inúmeros motivos racionais para não se ter filhos nos dias de hoje. O mundo está superpopuloso e sabe-se que precisaríamos de quatro planetas Terra para que todos os atuais habitantes pudessem usar a mesma quantidade de comida, água, energia que eu e você, que está lendo esse texto, usamos. Não temos 4 planetas. E o número de viventes está aumentando exponencialmente de forma assustadora. Há também a violência, as drogas, etc. Mas não vale a pena se aprofundar no tema porque o motivo que faz com que uma pessoa escolha ou não ter filhos não é racional. É total e inteiramente emocional.

Essa é uma escolha que muda a vida. Não apenas da pessoa, mas da criança. Por isso, o desejo de procriar tem que ser muito forte.

Na minha opinião, se somente as pessoas que realmente quisessem ter filhos o fizessem, não estaríamos nessa situação enlouquecedora. Pessoas que de fato, do fundo do coração, querem se dedicar a formar e educar outros seres humanos, deviam fazer isso com gosto. As demais, principalmente os que não têm 100% de certeza, poderiam pensar mais um pouco, para o bem de todos. E o Estado, que também seria muito beneficiado, deveria apoiar, principalmente porque ainda há mulheres demais sem esse direito básico e fundamental de escolher, seja por questões práticas, seja por pressão cultural.

Tenho várias amigas da minha idade e até bem mais velhas sem filhos; não conheço nenhuma que tenha se arrependido da decisão. De qualquer maneira, se isso acontecer, sempre poderão adotar; o que não falta é criança jogada no mundo por quem nunca as desejou.

Mas também conheço muito mais mães do que gostaria que me confessaram que, se tivessem ideia de como seria ter um filho (que hoje amam mais que tudo), não o teriam tido. Sonham com uma máquina do tempo que faça tudo ser como antes. Esse arrependimento, do meu ponto de vista, é o pior, pois não tem conserto.

Meninas e rapazes que sonham em ter filhos: façam isso e caprichem. Meninas e rapazes que não querem ter filhos: não há nada errado com vocês, não há nada para explicar, apenas sejam felizes.

É isso.

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