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Mais um Amsterdam

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A capa da edição alemã é muito criativa, pois simula uma manchete no jornal que Vernon dirige e traz um resumo do perfil dos personagens principais com fotos e tudo.

Infelizmente, da cidade de Amsterdam só conheço o excelente aeroporto de Schiphol, mas tenho verdadeiro fascínio por histórias que se passam lá. Há alguns meses, li um livro que se chamava, veja só, Amsterdam, de Chris Ewan (leia a resenha aqui). E uma outra história que se passava lá, mas com o título de Supertex (leia aqui).

Agora, me caiu nas mãos, justamente, Amsterdam, de Ian McEwan (autor que adoro!). Não tinha como ser diferente: levei para casa e devorei em poucos dias.

Confesso que achei-o um pouco difícil de ler na versão em alemão e, por isso, talvez não o inclua entre os melhores do autor (avaliação bem comprometida essa por causa de minhas limitações no idioma, que fique claro). Os outros que li dele foram Solar e Sábado, ambos em português; excelentes.

Mesmo assim, a história, como é típico do autor, não tem mocinhos. Os protagonistas são todos egoístas e, mesmo assim, muito carismáticos.  Nessa história, Vernon, o redator-chefe de um jornal de prestígio, e Clive, um compositor de música clássica, encontram-se no enterro de uma mulher que ambos amaram, Moly, que também teve um relacionamento com um Ministro de Estado presente no enterro. Vernon e Clive lamentam a doença súbita e fatal que a levou em poucos meses e o domínio total do último marido, um milionário investidor, que proibiu visitas e despedidas.

Mergulhados no fascínio de seus próprios umbigos, Vernon e Clive desconhecem qualquer tipo de escrúpulo; o ego em primeiríssimo lugar, doa a quem doer.  Vernon se envolve numa polêmica ao publicar uma foto comprometedora do ex de Molly, o tal Ministro de Estado, ameaçando as fortes chances que ele tinha de conseguir a principal cadeira do Parlamento. Clive está sofrendo e dando o melhor de si para compor a Sinfonia do Milênio, mas não encontra inspiração digna de uma obra inesquecível.

A história toda se passa em Londres e arredores, mas a  Sinfonia será apresentada em Amsterdam, onde a história termina.

O final não é de todo surpreendente, mas muito, muito coerente.

Recomendo demais!

Hospedagem colorida

Ah, como eu amo essas fachadas surpreendentes e bem-humoradas, felizmente tão frequentes em Berlim.

Juro que esse não é um post pago, mas preciso divulgar a fachada linda desse hotel. Estava passando tranquilamente de trem pela estação S-Bahn Charlottenburg, quando meu radar visual disparou o alarme de detecção de fachadas bacanas. A intenção não era essa, mas mais que depressa desci na estação e fui olhar a edificação de perto.

E não é que valeu demais a pena? Veja se é possível alguém ficar de mau-humor hospedado num lugar desses, que, por sinal, já tem um nome bem divertido: Happy Go Lucky. No site, eles explicam que são um hotel amigável a artistas, que podem se inscrever para deixar sua interpretação do título nas paredes do local. Na verdade, o negócio segue o modelo de um hostel, com quartos coletivos a preços acessíveis.

Mesmo que você não vá se hospedar, vale a visita para alimentar os olhos. Dá só uma olhada!

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#paracegover A imagem mostra o detalhe de uma das janelas da fachada, toda contornada com bolinhas coloridas e uma espécie de relógio cuco desenhado à direita. A janela tem persianas verticais.

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#paracegover A imagem mostra a fachada, com os dizeres Happy Go Lucky Hearts em amarelo bem no topo do prédio. No restante, muitas cores e estampas diversas cobrem as paredes e sacadas.

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#paracegover A imagem mostra uma vista de baixo para cima, focando as figuras geométricas em coloridas no vão entre as sacadas e o mar de corações e smiles na parte de baixo.

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#paracegover A imagem mostra mais uma vista da fachada colorida, dessa vez de outro ângulo.

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Ich spreche Deutsch

Fiquei muito feliz quando o publicitário Dejota Castro me convidou para participar de uma campanha do Consulado Geral da República Federal da Alemanha em Porto Alegre e da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha Santa Catarina. Expliquei que meu alemão ainda não estava num nível do qual eu me orgulhasse e ainda tinha muito chão pela frente; que poderia indicar outras pessoas mais fluentes (como de fato fiz), mas ele manteve o convite mesmo assim. Então tá!

Passados cinco anos morando em Berlim, a língua já não parece mais tão assustadora como no início. Consigo me virar no dia-a-dia, mas ainda cometo muitos erros, principalmente nas declinações. De qualquer maneira, no que puder ajudar a incentivar outras pessoas a aprenderem o idioma, farei com prazer. Meu mundo ficou muito maior depois que comecei a ler na língua de Goethe (ainda não cheguei no próprio, mas estou a caminho…rs), essa é que é a verdade.

Segundo os dados do site da campanha eu falo alemão, atualmente 135 mil pessoas estudam a língua alemã no Brasil. É muita gente, mas eles acreditam que pode ser muito mais.

Ich spreche gern Deutsch. Un du?

A garota no trem

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Girl on the train (Garota no trem), de Paula Hawkins, está na lista dos mais vendidos faz tempo pelas bandas de cá. Não sei se pelo fato de ter saído uma superprodução hollywoodiana esse ano (não assisti), os alemães preferiram manter o título em inglês mesmo, tanto do livro quanto do filme.

É um thriller bem escrito, mas fiquei com a impressão de que o editor falou para a autora que a obra precisava ter 450 páginas e ela teve que dar uma esticadinha.

A história é contada por três mulheres: Rachel (a protagonista), Anna e Megan.

Rachel morava num subúrbio de Londres e adorava trens. Ela separou-se do marido há alguns meses e foi morar no quarto de uma amiga, em outro subúrbio; a casa em que eles moravam virou o novo lar do ex-marido com Anna, com quem tem um bebê de meses.

Rachel começou a ter depressão quando ainda era casada e não conseguia engravidar, de maneira que começou a beber. Não consegue aceitar a separação, muito menos o fato de ter sido traída e praticamente expulsa de casa. Ela perdeu o emprego há dois meses por conta da bebida, mas não tem coragem de contar para a amiga que a hospeda. Então vai  todo dia a Londres de trem, como se estivesse indo trabalhar. O comboio sempre passa no lugar onde morava antes e, de onde o trem para, consegue observar uma casa que fica em frente à estação, perto de sua ex-residência.

Rachel romantiza a história do casal que mora ali, fica imaginando como são felizes e se amam. Observa que todo dia a mulher toma o café da manhã no terraço, vê o casal se beijando, vê como se dão bem. Até que um dia ela vê outro homem beijando a moça, no mesmo terraço.

Rachel se sente traída e toma as dores do marido. Não sabe como lidar, bebe muito, e, à noite, vai bater na porta do ex, como já fez algumas vezes antes. Eles brigam e a próxima coisa que ela se lembra é de acordar de manhã toda suja, machucada e ensanguentada em sua própria cama. Quando pega o trem para “ir trabalhar”, lê no jornal a notícia de que Megan, a moça que morava na casa que ela observava, sumiu.

Rachel fica apavorada porque acredita que possa ter algo a ver com o sumiço, uma vez que não se lembra de nada sobre aquela noite. Megan é encontrada morta e aí começa a tortura de Rachel, que dedica sua vida, desse ponto em diante, a investigar o que aconteceu. Ela quer ajudar a polícia, que não lhe dá o menor crédito, pois Rachel vive bêbada.

Como eu disse, o livro é bem escrito, a trama é bem amarrada e os personagens são bem construídos. Mas as coisas acontecem com uma vagarosidade um pouco irritante para um thriller. Faltando ainda umas 100 páginas para acabar, já se sabe quem é o assassino por dedução lógica, mas ainda assim a narrativa se arrasta.

De qualquer maneira, a história é boa e, infelizmente, bem realista.

Recomendo.

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Uma mini-Veneza dentro de Berlim!

Uma das coisas que mais amo nessa cidade é que há cinco anos estou explorando o lugar como turista e não me canso de me surpreender com a quantidade de atrações.

Tenho um mapa gigante na sala e todo final de semana faço um estudo sobre que área vou explorar. Uma das coisas que descobri foi que a empresa de transporte municipal, a BVG, além de ônibus, metrôs, trams e trens, também tem barcos. É que Berlim tem muita água, e em alguns bairros, o acesso mais curto é de barco mesmo. O mais legal é que se usa o mesmo ticket dos outros meios de transporte; como o meu é mensal e me dá direito a andar o quanto quiser em todos eles, não gastei um centavo para fazer o passeio que vou descrever.

Uma das minhas metas era andar por todas as linhas marítimas para ver esses lugares. Não era um grande desafio, pois são apenas seis linhas e a maioria tem apenas dois ou três pontos de embarque/desembarque. Já tinha experimentado duas, mas resolvi testar a mais longa (a F23, com 4 pontos e um percurso que dura 25 minutos e, desde 2014, é movida a energia solar). O negócio era meio longe (levei quase uma hora entre metrô, trem, ônibus e um trecho a pé para chegar lá), mas valeu a pena. Muuuuuito!

Depois de chegar no bairro afastado de Rahnsdorf, caminhei algumas quadras até Müggelwerderweg, em uma pequena baía chamada Die Bänke anexa ao Großer Müggelsee, um grande lago ligado ao rio Spree, que corta toda a cidade.

Olha o terminal do barco, minha gente. Isso é que é transporte público de qualidade!

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#paracegover A imagem mostra uma baía com vários barcos e casas coloridas. O dia está cinematográfico.

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#paracegover A imagem mostra o interior do barco com janelas enormes que permitem apreciar a vista, assentos confortáveis e espaçosos. Uma mulher lê o jornal no canto esquerdo.

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#paracegover A imagem mostra a vista panorâmica da baía, com várias árvores, casas e barcos. No canto esquerdo, o terminal do transporte coletivo.

Bom, o passeio foi extraordinário; muitas aves, muita natureza, muitas embarcações de passeio, muita maravilhosidade.

Chegamos ao ponto final, um vilarejo onde ficava uma antiga colônia de pescadores, chamado, por isso, de Müggelseefischerei. O piloto do barco avisou que passaria lá novamente em uma hora (é o mesmo barco que vai e volta), então passei a explorar o minúsculo lugar, com uma igreja e algumas casas. Mas eis que cheguei até uma central de aluguel de barcos onde voltarei em outra ocasião com meu personal piloto Conrado, que me levará para passear pelos canais… :)

É claro que já tinha estudado um pouco antes, mas o moço da central de alugueis me deu um mapa mais detalhado (adoro!).

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#paracegover A imagem mostra uma série de embarcações de madeira para aluguel. São tipo uns mini-apartamentos que viajam pelo rio. O povo usa muito para fazer festas.

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#paracegover A imagem mostra um dos poucos restaurantes do lugar. Não é um ponto turístico; a maioria dos frequentadores tem casa de veraneio. Do lado esquerdo, o restaurante, todo pintado de branco com cerca de madeira da mesma cor, predominantemente frequentado por idosos. Do lado direito, no canal, vê-se um homem de costas pilotando uma pequena lancha.

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#paracegover A imagem mostra uma paisagem muito comum durante todo o passeio. Pessoas nas suas casas tomando sol no gramado à beira do rio. As casas são bem simples, mas com cuidado em cada detalhe. Na da foto, de madeira, pintada de marrom escuro e esquadrias brancas, pode-se ver a porta de vidro coberta com uma cortina de renda e babados do mesmo tecido na janela. Em cima da mesa em volta da qual as pessoas estão sentadas, há um vaso de flores.

Estudando o mapa, descobri que ali pelas imediações havia um lugar chamado Neue Venedig (Nova Veneza) e, pelo desenho, era uma mini Veneza mesmo, cheia de canais e casas entre eles. Resolvi perder o próximo barco, pois a caminhada era de uns 40 minutos, e não me arrependi.

O lugar existe desde 1890, mas foi em 1925-1926 que os 5 km de canais foram construídos, entre 374 lotes de terra. O interessante dessa região é que não se pode asfaltar as ruas porque os terrenos são pantanosos. Também não se pode morar lá (todas as caprichadas residências são de veraneio ou fim de semana), pois, como a cidade é cheia de água, utiliza um sistema eclusas para controlar o nível do rio e impedir enchentes. São previstas situações em que, para salvar a cidade, algumas áreas são alagadas, e Neue Venedig é uma delas. Assim, todas as pessoas que têm propriedade lá, são cientes dessa questão. Apesar disso, esse tipo de evento é bem raro; o último foi em 1947, quando as águas subiram 74 cm por conta do não funcionamento de uma eclusa destruída durante um bombardeio na Segunda Guerra.

Mas olhe as fotos e veja se não é um paraíso!

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#paracegover A imagem mostra um canal visto de cima, onde um cisne está em plena sessão de exibicionismo. Nessa região, só é possível ver a água quando se está em cima de uma das pontes, pois as ruas têm casas particulares que dão fundos para o canal. Achei muito legal o “recorte” no canal para guardar o barco. Todas as casas têm.

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#paracegover A imagem mostra uma das pontes onde se pode ver o canal. Ela é de ferro branca e ornada, em cima, por um par de passarinhos. Essa se chama Finkenweg Brücke; foi construída em 1951 e depois reformada em 1992. Ao fundo, casas e muito verde em volta.

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#paracegover A imagem mostra um homem de camiseta vermelha em uma pequena lancha branca passando por um dos canais.

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#paracegover Aqui são duas imagens: a da esquerda mostra o detalhe dos dois pássaros na ponte de ferro pintada de branco e a da direita, detalhes de um quintal florido à beira de um dos canais.

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#paracegover A imagem mostra um homem com um caiaque e remos com pás amarelas navegando por um dos canais.

Pois é. Depois de alimentar muito bem os olhos, voltei caminhando para o vilarejo e peguei o barco de volta, refazendo todo o caminho.

#paracegover A imagem mostra o ponto onde se espera pelo barco, com bancos de ferro em frente a um píer. Você já viu um ponto de transporte público mais charmoso?

#paracegover A imagem mostra o ponto onde se espera pelo barco, com bancos de ferro em frente a um píer. Você já viu um ponto de transporte público mais charmoso?

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#paracegover A imagem mostra uma moça entrando no barco carregando uma bicicleta, ato que recomendo fortemente se a pessoa não puder/quiser caminhar tantas horas.

Se você quiser fazer o passeio, atente para o fato de que o barco opera somente entre os meses de maio e outubro. Nas outras épocas não se pode garantir a regularidade, por isso o serviço não é oferecido, uma vez que é bem provável que todos os caminhos estejam congelados.

Os 3 pontos que sustentam qualquer relacionamento

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#paracegover A imagem mostra duas esculturas representando humanos, uma de costas para a outra, mas em perfeita conexão. A obra é de de Gustav Vigeland e a foto foi tirada no Vigeland Park em Oslo, na Noruega.

Uma amiga uma vez comentou comigo que leu ou ouviu em algum lugar que um casamento duradouro se mantinha sob três pilares: simpatia, respeito e admiração. Fiquei pensando que faz todo sentido, e não só para casamentos. Vale para todos o tipo de convivência, incluindo amizades e também o relacionamento entre as empresas e seus clientes, os líderes e seus seguidores, os grupos de trabalho e as associações de pessoas.

Vamos ver cada tópico cuidadosamente para ver se não falta nada mesmo.

1. Simpatia

Os dicionários explicam que simpatia implica afeto, atração, tendência a solidarizar-se com os sentimentos do outro, reconhecimento, consentimento, afinidade, conexão, entendimento. No caso de uma empresa, um cliente só se relaciona com ela se sentir algum tipo de atração, algum tipo de conexão. Seria o equivalente àquela coisa um pouco inexplicável da química, dos “santos baterem”, do entendimento mútuo. Concordo que sem isso, não dá para manter nenhum tipo de contato duradouro.

2. Respeito

Esse tópico fala da atenção, da consideração pelos sentimentos e opiniões do outro, do apreço, da estima, da reverência. Se uma pessoa não tem respeito pela outra, não há possibilidade de relacionamento entre elas. Com uma empresa ocorre o mesmo. Se ela não me respeita, se não está interessada nas minhas opiniões e posições, se não me dá o mínimo de atenção, como continuar cliente?

3. Admiração

Penso que esse item é a cereja do cupcake. Você pode ter simpatia e respeito por alguém, mas isso ainda não ser suficiente para manter uma relação perene. É preciso admirar nessa pessoa pelo menos uma qualidade que ela tenha. Para mim, isso é fundamental num casamento. E, observando bem, reparei que nutro profunda admiração por todos os meus amigos mais próximos e queridos, cada um por uma característica diferente; mas todas me enchem de orgulho de alguma maneira. Por isso também penso ser muito improvável relacionar-se a longo prazo com empresas pelas quais não se tenha nenhum aspecto a admirar.

Parece pouco, simples, mas estou convencida de que essas três perspectivas resumem bem os principais pontos de apoio num relacionamento duradouro, qualquer que seja sua natureza.

Pense nas pessoas mais chegadas, que mais convivem com você, aquelas que você mais ama, e veja se os três tópicos estão presentes.

Acredito que todas as empresas que trabalham para manter uma base de clientes fiel deveria ter estratégias claras para tornar visíveis e presentes esses três pontos fundamentais.

E você, tanto no aspecto pessoal como no profissional? Está cuidando bem desse trio?

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Mendigos super-heróis

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Já disse várias vezes e repito: não resisto a uma boa capa de livro. Normalmente, acho as edições em capa-dura muito chatas de ler, mas “The bad Tuesdays: Die Verbogene Symmetrie” me pegou de jeito.

Numa tradução livre, mezzo inglês mezzo alemão interpretei (erroneamente) o título como “As más terças-feiras: a simetria secreta“. Aí, com essa capa que você vê aí em cima, fiquei pensando em algum enigma matemático que envolvesse dias da semana e a busca pela simetria. Tão empolgada fiquei que nem li a quarta capa; levei.

Na verdade, não me arrependi, mas não era nada do que pensei. O livro conta a história de três irmãos que foram abandonados bem pequenos na porta de um orfanato. Como chegaram numa terça-feira, esse ficou sendo o sobrenome deles. Assim, “The bad Tuesdays” não são as más terças-feiras, mas os maus irmãos que levam o sobrenome.

Chess, uma menina, tinha apenas três anos de idade, e, na silhueta da porta, parecia um peão de xadrez; por isso o seu nome (Chess é xadrez, em inglês). O irmão que trazia uma caixa na mão ganhou o nome de Box (caixa, em inglês) e o outro, que chorava por ter uma farpa no dedo, ficou sendo Splinter (lasca ou farpa, em inglês). Box e Splinter eram gêmeos e tinham seis anos na época.

Depois, a situação no orfanato começou a ficar tão ruim (dá para ver pelo “carinho” com que nomeavam as crianças) que o trio fugiu e foi viver com os ratos do cais do porto, dentro dos canos e túneis (onde, aliás, já vivia um monte de gente).

Um belo dia, quando Chess tinha 11 e os irmãos 14 anos, os temíveis caçadores (algo como uma força policial especial, altamente violenta) fizeram uma limpa no cais do porto e capturaram a maior parte das crianças. Elas sabiam que quem era pego não voltava mais, e alguma coisa muito maligna era feita com as vítimas.

Salvos por uma senhora muito esquisita, ficam sabendo que precisam cumprir uma missão muito secreta e perigosa: roubar uma parte do computador central da organização criminosa Verbogene Symmetrie (a tal da simetria secreta) que existe em outra dimensão do universo. Aliás, universos paralelos são praticamente os personagens secundários da história. A organização que os apoia se chama Komitee (Comissão). Chess é uma menina com características muito especiais, por isso é alvo de ambas as organizações (nesse primeiro volume não é bem esclarecida a origem e os poderes dela).

Fiquei com um pouco de nervoso porque se passam vários dias, muitos perigos e o máximo que a comissão oferece para as crianças são uns sanduíches, chá e um pedaço de chocolate. Eles andam descalços o tempo todo, estão imundos e machucados, mas ninguém ganha um simples banho. Imagina uma mãe lendo esse livro…rsrs

Esse é o primeiro volume de seis. O autor, Benjamin J. Myers, é um britânico que estudou filosofia e psicologia e, além de escrever, atua como advogado especializado em direitos humanos.

Não sou tão fã assim de fantasia infanto-juvenil, mas dá para dizer que os personagens são bem construídos e a trama é bem criativa. Se você curte o gênero, vale a leitura.

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Top 10 de agosto: verão florido

Finalmente acabou agosto (esse ano o mês do desgosto teve 23465 dias…rsrsrs).  Teve notícia triste, complicações na política brasileira, mas teve muita flor e cor também.

Vamos ver as mais curtidas desse mês?

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1. Esse prédio de outras galáxias encantou meus olhos, mas parece que os leitores também não resistiram! #paracegover A imagem mostra um prédio de esquina todo grafitado de azul, fazendo referência a um céu noturno cheio de estrelas e galáxias. O local é um dos escritórios do Urban Nation, um coletivo de street art. Eles estão construindo o primeiro museu de street art de Berlim do outro lado da rua, na Bullowstraße.

2. Aqui temos o exemplo oposto do prédio anterior, o que deixa claro que cada um pode ser bonito de um jeito diferente.

2. Aqui temos o exemplo oposto do prédio anterior, o que deixa claro que cada um pode ser bonito de um jeito diferente.  #paracegoverA imagem mostra um maciço de prédios de apartamentos onde antigamente moravam as autoridades da DDR (antiga Alemanha Oriental). Os prédios têm 20 andares e, além da vista privilegiada, ficavam próximos ao muro, o que permitia que seus moradores observassem o que acontecia do lado ocidental. A foto mostra a infinidade de janelas vistas de frente. Fica na Leipziger Strasse. Daria uma boa estampa.

3. Berlim é mesmo cheia de surpresas. Esse parque fica no bairro de Kreuzberg, na região central da cidade. O que eu achava que era uma igreja é, na verdade, apenas uma torre. #paracegover A imagem mostra uma pequena cachoeira que fica no parque Viktoria, em Kreuzberg, um dos bairros centrais da cidade. Ao fundo, pode-se ver uma torre.

3. Berlim é mesmo cheia de surpresas. Esse parque fica no bairro de Kreuzberg, na região central da cidade. O que eu achava que era uma igreja é, na verdade, apenas uma torre. #paracegover A imagem mostra uma pequena cachoeira que fica no parque Viktoria, em Kreuzberg, um dos bairros centrais da cidade. Ao fundo, pode-se ver uma torre.

4. Acho o máximo a pessoa ter uma rede em casa já projetada para ser usada nas árvores de um parque aberto ao público, como o Treptower Park. #paracegover A imagem mostra um parque num dia de verão ensolarado. Várias pessoas estão, ao fundo, sentadas na grama. Em primeiro plano, duas árvores e uma rede de tecido azul pendurada entre elas. A pessoa dentro estava trabalhando num notebook.

4. Acho o máximo a pessoa ter uma rede em casa já projetada para ser usada nas árvores de um parque aberto ao público, como o Treptower Park. #paracegover A imagem mostra um parque num dia de verão ensolarado. Várias pessoas estão, ao fundo, sentadas na grama. Em primeiro plano, duas árvores e uma rede de tecido azul pendurada entre elas. A pessoa dentro estava trabalhando num notebook.

5. Ruas cheias de rosas, lindas, coloridas e perfumadas. Como não amar? #paracegover A imagem mostra as mesas brancas de um café numa calçada larga. Ao fundo, árvores frondosas. O quadro é emoldurado por mini rosas cor-de-rosa. O dia está lindo (Knaackstraße).

5. Ruas cheias de rosas, lindas, coloridas e perfumadas. Como não amar? #paracegover A imagem mostra as mesas brancas de um café numa calçada larga. Ao fundo, árvores frondosas. O quadro é emoldurado por mini rosas cor-de-rosa. O dia está lindo (Knaackstraße).

6. Essa luz no final de tarde me embriaga... #paracegover A imagem mostra um barco restaurante visto de lado, de cima de uma ponte. Há pessoas nele saboreando comida indiana. Ao fundo, paredes de construções antigas, douradas pela luz do sol. Parte da cena se reflete na água do canal do rio Spree.

6. Essa luz no final de tarde me embriaga… #paracegover A imagem mostra um barco restaurante visto de lado, de cima de uma ponte. Há pessoas nele saboreando comida indiana. Ao fundo, paredes de construções antigas, douradas pela luz do sol. Parte da cena se reflete na água do canal do rio Spree.

7. Adoro paisagens simétricas! E você? #paracegover A imagem mostra um prédio de concreto e vidro visto de esquina, em perfeita simetria. No canto esquerdo, passa um ciclista ( Französische Straße).

7. Adoro paisagens simétricas! E você? #paracegover A imagem mostra um prédio de concreto e vidro visto de esquina, em perfeita simetria. No canto esquerdo, passa um ciclista (Französische Straße).

8. Balões coloridos na rua, numa paleta de cores combinando com as flores do canteiro: supra sumo do capricho. #paracegover A imagem mostra flores de um canteiro em primeiro plano. Ao fundo, ombrelones decorados com balões nas cores rosa, lilás, roxo e amarelo (as flores do canteiro são cor de rosa). Do lado direito aparece um pedaço de parede violeta. Do lado esquerdo passa uma pessoa. O dia está ensolarado (Knaackstraße).

8. Balões coloridos na rua, numa paleta de cores combinando com as flores do canteiro: supra sumo do capricho. #paracegover A imagem mostra flores de um canteiro em primeiro plano. Ao fundo, ombrelones decorados com balões nas cores rosa, lilás, roxo e amarelo (as flores do canteiro são cor de rosa). Do lado direito aparece um pedaço de parede violeta. Do lado esquerdo passa uma pessoa. O dia está ensolarado (Knaackstraße).

9. Quando a vida real e a streetart resolvem conversar, o resultado é sempre surpreendente. Você consegue imaginar uma maneira mais glamourosa de dizer "pode me atropelar"?...rsrsrs #paracegover A imagem mostra a entrada de uma garagem com um grafite hiperrealista de uma mulher com uma camiseta azul. Um carro também azul está esperando o portão ser aberto. Na rua é possível ver os trilhos do metrô (suspensos) e dois ciclistas ( Bülowstraße).

9. Quando a vida real e a street art resolvem conversar, o resultado é sempre surpreendente. Você consegue imaginar uma maneira mais glamourosa de dizer “pode me atropelar”?…rs #paracegover A imagem mostra a entrada de uma garagem com um grafite hiperrealista de uma mulher com uma camiseta azul. Um carro também azul está esperando o portão ser aberto. Na rua é possível ver os trilhos do metrô (suspensos) e dois ciclistas (Bülowstraße).

10. Parece cena de filme, mas é meu caminho para o supermercado... #paracegover A imagem mostra um canal do rio Spree visto de uma das margens, em diagonal. Em primeiro plano, aparecem flores. Em segundo plano, prédios e barcos na sombra. Bem ao fundo, o amarelo da luz do sol se reflete nos prédios e na água (Fischerinsel).

10. Parece cena de filme, mas é meu caminho para o supermercado… #paracegover A imagem mostra um canal do rio Spree visto de uma das margens, em diagonal. Em primeiro plano, aparecem flores. Em segundo plano, prédios e barcos na sombra. Bem ao fundo, o amarelo da luz do sol se reflete nos prédios e na água (Fischerinsel).

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O cavaleiro azul

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Quando vi “Blaue Reiter vor Verdun” (Cavaleiro azul antes de Verdun), numa edição própria de Roland Künzel de 2015, num mercado de pulgas, não titubeei; levei o livro para casa.

Der Blaue Reiter (O cavaleiro azul) é o nome do movimento artístico alemão nascido em Munique pouco antes da I Guerra Mundial. Verdun foi a batalha mais sangrenta dessa Guerra, que durou quase um ano e deixou cerca de 300 mil mortos (metade alemães e metade franceses; as referências que encontrei variam e há estimativas atualizadas de até 600 mil mortes).

Era começo do século XX e a arte estava passando por profundas transformações. Apesar do Der Blaue Reiter ter sido liderado pelo pintor russo Kandinsky, o livro conta a história do ponto de vista de August Macke, um dos principais integrantes.

Macke morava em Bonn e, com sua esposa, Lizbeth, resolveu passar as férias numa casa de campo para se inspirar. Foi num dos passeios que conheceu Franz Marc, que adorava pintar animais. Os dois casais imediatamente se entenderam; é engraçado ver a empolgação de August contando para a esposa que Franz propôs que se tratassem por “du”, o tratamento informal alemão; normalmente, pessoas que não são muito íntimas se tratam por Sie (o equivalente ao sr. ou sra.). Imagine, eles tinham 20 e poucos anos!

Depois o grupo conheceu Kandinsky e sua mulher (a ex-aluna e também pintora Gabriele Münter) e, finalmente, Paul Klee (que era suíço, mas de pai alemão).

O livro é um pouco burocrático no estilo e não empolga, mas descreve as viagens, a vontade do grupo de jovens artistas de desafiar as regras da Academia de Arte e o suporte, principalmente financeiro, que um tio afastado de Macke dá a ele (tio Bernhard morava em Berlim e era um rico colecionador de arte), inclusive financiando a impressão do que eles chamavam de almanaque, uma espécie de revista apresentando os trabalhos dos artistas que integravam o movimento.

Outros pintores, como Dellaunay e Jawlensky são citados nas inúmeras visitas mútuas e noitadas animadas. O autor também fala da grande viagem de Macke, Klee e Louis Moilliet a Túnis, na Tunísia, onde se deslumbraram com a luz e as cores do exótico continente africano.

Pena que logo depois dessa grande aventura, estourou a Guerra. Os russos como Kandinsky e Jawlensky tiveram que deixar a Alemanha;  Macke e Franz foram convocados pelo exército, onde perderam suas vidas na famosa batalha. Klee também serviu, mas conseguiu sobreviver; ainda voltou à Alemanha para trabalhar com Kandinsky na fundação da escola de design Bauhaus, em Weimar.

O engraçado é que ontem, visitando novamente um mercado de pulgas (faço isso todo final de semana), achei outro livro sobre o tema, dessa vez, ilustrado. Aí um volume complementou o outro com reproduções coloridas.

O fauvismo, expressionismo e movimentos artísticos com traços menos exatos e próximos da abstração não são meus preferidos; dos artistas citados, meu favorito é Paul Klee (seus traços finos sobre aquarela me encantam), mas também gosto de como Kandisnky usa as cores. Um artista cuja obra não conhecia até ver o livro ilustrado é Alexej Jawlensky; esse, realmente me impressionou.

Acho difícil que um romance tão recente e com edição do autor esteja disponível em português (ou mesmo inglês); mas com certeza a bibliografia do movimento é ampla. Olha, penso que vale a pena dar uma olhada; a história é bem interessante.

A viagem de Hector

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Achei esse livro num mercado de pulgas e acabei comprando porque o confundi com outro, com nome parecido, mas de outro autor. Fiquei um pouco desconfiada porque o título parecia de auto-ajuda: “Hector Reise oder die Suche nach dem Glück” (tradução livre: “A viagem de Hector ou a busca pela felicidade”).

O triste é que minha intuição estava certa; auto-ajuda fraquíssima, daquelas óbvias de doer mesmo (esse é um dos poucos estilos literários que realmente não gosto, mas às vezes tem alguma coisa aproveitável). Ainda assim, respirei fundo e fui até o final, pois o autor, François Lelord, estudou medicina, psicologia e atua como psiquiatra, tendo dezenas de livros publicados. Haveria de ter algo interessante na história.

Pois bem. Hector é um psiquiatra estabelecido em Paris. Tem muitos pacientes e uma namorada. Ele está insatisfeito porque não consegue que alguns de seus pacientes sejam felizes. Aí ele enfia na cabeça que a melhor coisa, nesse caso, é fazer uma viagem pelo mundo para descobrir o que faz as pessoas felizes (bibliografia e estudos já realizados, para quê, né? Poderia ter pelo menos se preparado para a pesquisa).

Uma das coisas irritantes é que a história é contada como se o narrador tivesse 8 anos de idade, no máximo; talvez o público de interesse seja infanto-juvenil, mas fica muito estranho um psicanalista falar como se tivesse limitações de entendimento e não conseguisse se aprofundar nas análises mais básicas.

Primeiro ele vai até a China e encontra um velho amigo que está morando lá, trabalha muito, tem muito dinheiro e não é feliz (ah, esses estereótipos óbvios…). Então Hector anota num caderninho coisas que ele conclui que sejam importantes para a felicidade, do tipo: “lição 1: comparar-se com os outros é um bom meio para perder a felicidade; lição 2: Felicidade vem frequentemente com surpresas” e por aí vai. Essa lição 2 ele concluiu após ganhar um upgrade no lugar no avião, veja que profundo.

Bom, continuando os estereótipos, é claro que ele vai até um mosteiro que fica no alto de uma montanha e encontra um monge que lhe dá lições de vida (mais ou menos um apanhado dessas que a gente encontra no Facebook).

Depois vai para um país africano (não cita o nome), é sequestrado, corre o risco de morrer, mas consegue se safar porque invoca um mafioso com quem fez amizade no hotel (e receitou um antidepressivo para a mulher do sujeito, que ele nem conhecia).

Segue para um país que parece ser os EUA (mas não cita o nome) e visita um grande professor que é reconhecidamente uma autoridade no assunto felicidade, pois pesquisa há anos o assunto. Ôba, parece que agora a conversa vai ficar séria. Ledo engano; ele e o professor parecem duas comadres conversando sobre novela.

No caminho, Hector se envolve com várias mulheres e trai descaradamente a namorada, mas não fica preocupado porque conclui que, no final, a culpa é dela, que não quis acompanhá-lo na viagem (ela estava muito focada no trabalho). Olha, nessa parte fiquei realmente muito irritada.

Provavelmente não sou o público de interesse desse livro, mas não consigo me imaginar gostando dele mesmo se tivesse 12 anos de idade.

Se você gostar do gênero e tiver paciência, vai fundo, mas por sua própria conta e risco. De minha parte, não recomendo não.

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Um posto de gasolina como você nunca viu

Já tinha passado várias frentes pela frente desse posto todo colorido na Schwedter Straße, em Prenzlauerberg, mas nunca tinha entendido direito o que era, já que não funcionava mais como posto. Pois na semana passada resolvi olhar mais de perto e descobri que ele faz parte de um projeto maravilhoso chamado Freie Internationale Tankstelle, ou simplesmente FIT.

A ideia é transformar postos de combustível desativados (combustível fóssil, esgotável) por um novo tipo de combustível, inesgotável: a arte. Em vez de gasolina, esses postos distribuiriram criatividade humana nos lugares onde estão instalados e se transformariam, nas palavras do artista, em esculturas sociais.

Tudo começou em 2003 justamente nesse posto, em Berlim (que foi construído em 1926 e funcionou até 1986). O artista Dida Zende estava passando por lá quando viu a oportunidade de tornar a arte menos elitista e mais acessível. A ideia deu tão certo que já são mais 4 postos na Alemanha e outros distribuídos pela Áustria, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Suíça e Estados Unidos. E eles estão abertos para mais postos, basta entrar em contato.

Na verdade, olhei o site inteiro e não entendi muito bem como o projeto se sustenta (parece uma estrutura colaborativa) e exatamente como funciona (todas as vezes que passei pelo posto, estava tudo fechado), mas achei a ideia extraordinária.

E você? Tem algum posto abandonado aí perto da sua casa? Olha a oportunidade!

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#paracegover A imagem mostra um posto de gasolina pequeno todo colorido. Não há nenhum carro estacionado. Uma pessoa passa na calçada segurando um buquê de flores.

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#paracegover A imagem mostra o mesmo posto um pouco mais de perto. É possível ver os desenhos abstratos nas paredes, bem coloridos. Há dois latões de lixo: um no meio do vão central do posto, todo grafitado, e outro azul, do lado de fora.

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#paracegover A imagem mostra um detalhe da fachada. Em primeiro plano, uma parede desenhada em rosa e vermelho. Ao fundo, paredes com estampas geométricas e coloridas e uma porta forrada de adesivos diversos. A porta está fechada. Também aparece um latão de metal, todo grafitado.

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#paracegover Mais uma vista da fachada, dessa vez com o pilar do lado esquerdo em evidência. Ele tem detalhes geométricos nas cores vermelho, azul, branco e rosa. Ao fundo, pode-se ver uma parte do pátio coberta com uma lona cor de laranja.

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#paracegover Esse é um detalhe dos fundos do posto, com as mesmas estampas. Aparece uma porta vermelha fechada.

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Mulher misteriosa

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Cada vez mais gosto do Haruki Murakami; além de criativo em algumas histórias, ele consegue falar de sentimentos com muita propriedade, o que acho muito difícil de fazer sem cair no melodrama. Em “Gefährliche Geliebte” (tradução livre: “Amante perigosa”), ele conta a história de um homem, filho único, que tem somente uma amiga de infância, também filha única (fato aparentemente incomum no Japão logo depois da Segunda Guerra). Eles encontram-se todas as tardes para ouvir música e ler. Depois de um tempo ele se muda e os dois nunca mais se encontram. O menino cresce, tem alguns relacionamentos (num deles magoa de maneira indelével uma namorada), acaba se casando por amor e sendo um empreendedor de sucesso em dois bares de jazz em Tokyo. Até que um dia reencontra a amiga de infância, completamente transformada e muito, mas muito misteriosa.

Acredito que já tenha comentado, mas me agrada muito ler uma história que se passa no Japão, e não nos EUA, Europa ou mesmo América do Sul, cenários da maioria esmagadora dos romances que li até hoje. E ver como sentimentos são coisas universais, independente das diferenças culturais profundas que cada lugar tem.

Vale muito a pena, recomendo passar uns dias com Hajime e Shimamoto.

Top 10 de julho: Belo Horizonte e Berlim

Até quase metade do mês estive em Belo Horizonte; só depois voltei para casa. De lembrança ficaram três das fotos mais curtidas esse mês. Dá uma olhada e veja se encontra uma que seja sua preferida.

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1. Os ipês rosa enfeitaram a capital mineira durante todo o tempo em que estive lá. Os cachos de flores são como os das cerejeiras, só que as árvores são muito maiores. A maravilhosidade é completamente equivalente. #paracegover A imagem mostra uma árvore de ipê rosa em plena floração, vista de baixo para cima. O céu é de um azul intenso.

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2. Para quem gosta de arquitetura, Belo Horizonte é o lugar certo. Dá para dizer que o Oscar Niemeyer construiu o portfolio dele na cidade. #paracegover A imagem mostra o edifício do Othon Palace Hotel com suas inúmeras janelas. As paredes são amarelas. Como só aparecem as janelas, a impressão é de uma estampa.

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3. Tive a sorte de poder apresentar uma palestra na Cidade Administrativa de Belo Horizonte. #paracegover A imagem mostra a vista lateral do prédio Minas da Cidade Administrativa de Minas Gerais, projetada por Oscar Niemeyer. A construção tem paredes curvas em concreto e vidro preto espelhado. O céu está azul.

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4. A Nikolai Viertel é a quadra onde nasceu a cidade de Berlin. Foi toda destruída nas guerras, mas o trabalho de reconstrução, fiel às origens, foi muito bem feito. #paracegover A imagem mostra a fachada do museu Ephraim Palais com seus detalhes dourados. O letreiro “Stadt der Frauen” (Cidade das Mulheres) anuncia uma exposição sobre 20 mulheres que viveram em Berlim à frente de seu tempo fazendo diferença na política, empreededorismo, criatividade e inovação (já fui ver, é muito interessante). Um homem passa na calçada.

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5. Para mim não há melhor programa para os finais de semana de verão do que uma visita a um dos mais de 60 mercados de pulgas espalhados pela cidade. #paracegover A imagem mostra uma bicicleta estacionada ao lado de uma barraca no mercado de pulgas ao lado do Marheineke Markthalle, em Kreuzberg. Ela está coberta de roupas, brinquedos e flores de plástico; tudo à venda.

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6. Olha que se tem uma coisa que definitivamente não me emociona, é carro. Só consigo distinguir um do outro pela cor, e olhe lá. Mas tem uns antigos que são verdadeiras obras de arte. Quando foi que perdemos o senso estético para veículos? Essas horrorosidades genéricas prata e preta não me representam, definitivamente. #paracegover A imagem mostra o perfil de um carro antigo desses enormes e elegantes (não sei o modelo, preciso de ajuda nos comentários) na cor verde água. Sua traseira está encostada num muro grafitado bem colorido. Ao fundo, muitas árvores. O dia está lindo.

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7. Um belo dia tivemos a sorte de sermos convidados por um casal de amigos que mora no 16. andar de um prédio na Leipziger Straße; olha a vista! #paracegover A imagem mostra a skyline da cidade de Berlim no por do sol. É possível ver as duas torres das igrejas da Gendarmenmarkt. Um pássaro sobrevoa a cidade.

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8. Adoro a Oberbaumbrücke; para mim é uma das pontes mais lindas e charmosas da cidade, que liga os bairros de Friedrichshain a Kreuzberg, cruzando o rio Spree. #paracegover A imagem mostra três arcos da ponte Oberbaum, sobre o rio Spree,  com cercas trabalhadas em ferro. Uma moça de vestido passa de bicicleta. Faz sol.

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9. Quando o carro é coloridinho como esse, eu até olho! #paracegover A imagem mostra uma rua bem arborizada, com calçadas largas. À sombra, está estacionado um Fiat500 cor de sorvete de menta. Na rua passa um homem de bicicleta. O dia está lindo!

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10. Se tem uma coisa que adoro em Berlim é a arquitetura dos prédios baseada em pátios internos. Se você vir uma porta aberta, não titubeie e entre! A experiência sempre vai valer! #paracegover A imagem mostra um homem de costas caminhando por entre as passagens do pátio interno de um prédio na Kastanienalle, bairro de Prenzlauerberg. Há folhagens contornando a cena.

Uma história de Branca de Neve bem diferente

Desde pequeno, a mãe de Alexandre sempre o chamou pelo apelido: Branco. Não demorou para os amiguinhos logo adaptarem para Branca de Neve; e aí ele nunca mais conseguiu se livrar do codinome.

Com 12 anos, o menino arteiro foi matriculado num curso de barbeiro para ver se aprontava menos. Alexandre estudou o ofício por insistência da mãe, mas não deu muita importância ao assunto. Na adolescência, acabou se envolvendo com as companhias erradas e tornou-se uma grande dor de cabeça; até preso foi. Mas o nascimento do primeiro filho fez o moço pensar que era hora de mudar. Abriu sua primeira barbearia com a ajuda da esposa e da mãe (sim, sempre ela).

Hoje, é um sucesso na Batalha dos Barbeiros, representando o Brasil em torneios internacionais. Mas a grande sacada veio com a consciência de que é preciso recuperar gente que não teve o mesmo suporte que ele. Além de inspirar os jovens da comunidade com seu exemplo, ele usa moradores de rua, presidiários e pessoas em situação difícil como modelos para seus cursos. Uma ideia tão simples quanto genial, que ajuda todo mundo e recupera a autoestima de todos os envolvidos.

Além de uma pessoa generosa e competente, Alexandre é um verdadeiro artista, pois sua especialidade são cortes exóticos que fazem muito sucesso nas comunidades. Pode-se discutir gosto, mais jamais a incrível habilidade que esse moço tem com as tesouras.

Tive o privilégio de conhecer hoje a Barbearia Branca de Neve pelas mãos do querido Tio Flávio, que nunca se cansa de me apresentar gente interessante. Fico devendo mais essa.

Espero muito que essa história inspire outras pessoas; além de ser um exemplo de superação ao vencer as drogas, Alexandre está sempre envolvido em trabalhos sociais na comunidade (além do salão no centro de Belo Horizonte, ele tem outro no Morro do Papagaio, uma das maiores favelas da cidade). Dá uma olhada no que o moço consegue fazer; é impressionante!

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Esse aqui é o Alexandre, vulgo Branca de Neve, em plena ação.

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top 10 de junho: Berlim, Viena, Ljubljana e Belo Horizonte

Esse mês está bem variado de fotografias: tem fotos de várias cidades lindas e muito diferentes entre si. Apesar de algumas terem sido muitas curtidas, tentei evitar replicar as fotos de Viena e Ljubljana que já aparecem nas matérias sobre as respectivas cidades (5 coisas que aprendi em VienaEssa pequena jóia chamada Ljubljana); mesmo assim, foi bem difícil.

Mas vamos às top 10 do mês de junho; qual é a sua preferida?

PS: A pegadinha é que a seleção desse mês tem 11 fotos. Desculpem, mas não cheguei a uma conclusão sobre qual delas cortar…rsrs

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1. Esse belo jardim de rosas em Viena fica no Volksgarten; é uma pena mesmo que as fotos ainda não transmitam aromas. Sentar numa cadeirinhas dessas e ficar apreciando a beleza da vida, só pode fazer bem. #paracegover A imagem mostra uma fileira de cadeiras azuis de metal disponíveis para os visitantes. Atrás delas, um lindo e cheiroso jardim de rosas em plena florada.

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2. Esses belos jardins do museu Belverdere em Viena é também muito inspirador. #paracegover A imagem mostra os jardins do museu Belvedere vistos do palácio. As passagens são largas (as pessoas aparecem como formigas), há fontes com estátuas e a área verde segue padrões geométricos simétricos. O céu está azul com algumas nuvens.

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3. Esse é outra vista do Jardim das rosas no Volksgarten, em Viena; o universo simplesmente conspirou para que essa cena de filme acontecesse diante dos meus olhos. É minha foto preferida. #paracegover A imagem mostra um jardim de rosas bem cuidado, na sombra, em primeiro plano. Ao fundo o Burg Theater, branco e iluminado pelo sol. Do lado esquerdo, um rapaz anda de skate. Também é possível ver uma revoada de pássaros no canto superior direito.

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4. Em Ljubljana pegamos alguns dias de chuva. Mas isso só fez essa jóia ficar ainda mais brilhante. #paracegover A imagem mostra uma mulher levando uma bicicleta e uma sombrinha amarela. Ela está passando por baixo de um viaduto para chegar ao parque Tivoli.

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5. Essa cena de Ljubljana me fez lembrar o filme ET. Você também reconhece? #paracegover A imagem mostra uma rua estreita, fechada para carros. Chove torrencialmente. Uma pessoa passa de bicicleta coberta com uma capa de chuva amarela. Atrás dela, uma vitrine acessa, com iluminação também amarela.

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6. Um flagrante de Chapeuzinho Vermelho fugindo do Lobo Mau em plena Ljubljana. Eu fiz a vovozinha e fiquei na minha, só admirando essa calçada maravilhosa. #paracegover A imagem mostra uma calçada com motivos geométricos. Uma mulher com uma capa vermelha aparece de costas pedalando uma bicicleta.

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7. Outra foto que deveria transmitir cheiro (como não amar a primavera?), mas dessa vez em Berlim. #paracegover A imagem mostra uma calçada larga, onde um homem caminha com um cachorro. Em primeiro plano, lírios que perfumam a rua e embriagam os passantes. Há várias bicicletas estacionadas no canto direito ao lado de cavaletes de madeira dobrados (é uma loja de materiais para pintura artística).

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8. Mais uma de Berlim, bem pertinho da minha casa. #paracegover A imagem mostra um prédio antigo à beira de um canal do Rio Spree cuja fachada é refletida na água como um perfeito espelho. Do lado, direito, estacionado, um barco todo enfeitado com flores e luzes coloridas. Ao fundo, uma ponte.

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9. Essa também é uma das minhas preferidas. Fiquei bem triste quando vi essa cena de cortar o coração. O que vale é que logo em seguida o palhaço se levantou e passou por mim com um largo sorriso. #paracegover A imagem mostra uma calçada bem larga. O lado direito está fortemente iluminado pelo sol; no lado esquerdo, faz sombra, e nos degraus de uma porta vê-se o perfil de uma pessoa vestida de palhaço. A fantasia é super colorida, mas a pessoa está curvada, como se estivesse muito, mas muito triste. Ainda bem que depois constatei que foi só um momento de descanso…

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10. Os últimos dias do mês tive o privilégio de passar numa cidadezinha chamada Cordisburgo, onde nasceu o grande Guimarães Rosa, no interior de Minas Gerais. A cena é de um hotel fazenda que mais parece uma cidade cenográfica, o Arraial dos Contos. #paracegover A imagem mostra um casario com portas e janelas coloridas, parte do bairro que compõe os quartos do hotel. Em primeiro plano, um ramo de azaleias.

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11. A visita à Cordisburgo se deu por conta de uma convenção com gerentes e diretores de uma empresa. Tive o privilégio de dar uma palestra e facilitar uma dinâmica nesse hotel maravilhoso, cheio de gente querida. Até festa junina teve. #paracegover A imagem mostra uma capela branca com duas janelinhas vermelhas contornadas de azul-escuro sobre a porta, também azul e vermelha. Toda a fachada é contornada de azul e tem presa no cume varais de bandeirinhas de chita colorida.

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2 coisas sobre inovação que Nikola Tesla nos ensina

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Semana passada tive a sorte de poder visitar a exposição “Nikola Tesla, man of the future” em Ljubljana, em homenagem ao 160º aniversário de seu nascimento em Smiljan, Croácia.

Tesla foi um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Ele nasceu em uma família de intelectuais; o pai era pastor, cultíssimo, e sabia bem a importância de uma formação. O moço teve acesso às melhores escolas da época e cedo já foi identificado como uma criança superinteligente, que não se conformava com um “isso não é possível”. Para se ter uma ideia de quão prolífica era sua mente, Tesla morreu com cerca de 300 registros de patente em seu nome. Sim, você leu certo: três centenas de inventos originais. É culpa dele a existência do motor e o gerador de corrente alternada, o rádio, a comunicação wireless, a lâmpada fluorescente e o controle remoto por rádio, entre outras coisas revolucionárias. Todo estudante de engenharia elétrica conhece o nome porque Tesla virou unidade de medida de indução magnética (ele revolucionou esse campo também, com suas teorias sobre campos magnéticos). Sem falar das importantes contribuições à robótica e à computação. O sujeito definitivamente não era fraco não.

E o mais bacana é que ele não restringia suas áreas de interesse à física, eletricidade e mecânica: gostava poesia a tal ponto que, após horas de pesquisa exaustiva sobre motores de corrente alternada, resolveu caminhar com seu amigo em um parque de Budapeste enquanto recitava Fausto, de Goethe. Fausto, minha gente! De Goethe! Ele sabia os versos de cor. E mais: com isso descobriu a solução e desenhou-a na areia, com a ajuda de um galho de árvore. Interessado também por filosofia e linguística, falava 8 idiomas (sérvio, italiano, tcheco, francês, inglês,  latim, húngaro e alemão!), gostava de música erudita e era um gourmet.

Pois bem, o moço recebeu toda a formação que precisava na Europa, mas não conseguia desenvolver suas ideias. Aí conseguiu uma carta de recomendação para trabalhar com ninguém menos que Thomas Edison e emigrou para os Estados Unidos.

Não sei se todo mundo sabe, mas naquela época os engenheiros eletricistas eram divididos em dois times, rivais de morte: os que acreditavam que a melhor solução era corrente contínua (o princípio da pilha, com os polos positivo e negativo bem definidos) e os da corrente alternada (os polos não eram fixos e se alternavam várias vezes por segundo). Era o time CC (corrente contínua) contra o CA (corrente alternada).

Bem, se a gente considerar que Edison também era um gênio do mesmo calibre, não deve ter sido fácil a convivência entre os dois. Principalmente porque Edison era do time CC e Tesla era do CA. Depois de alguns anos trabalhando juntos, não teve mais jeito, a não ser a separação definitiva.

A sorte apareceu quando ele conseguiu vender a patente do sistema de corrente alternada ao empreendedor e também inventor George Westinghouse, que usou o princípio em uma demonstração espetacular na Feira Mundial de Chicago. Graças a isso, conseguiu o contrato para a instalação de uma usina nas Cataratas no Niágara e, mais tarde, para o todo o sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica dos Estados Unidos.

O que ficou para mim dessa história toda como resumo do que Tesla nos ensina?

1. Não basta ter conhecimento, criatividade, capacidade técnica e ousadia. É preciso um ambiente que favoreça a inovação. A Europa, naquela época, com todo seu conhecimento e erudição não ajudou, e os Estados Unidos, com sua cultura empreendedora  de riscos, ganhou uma das cabeças mais brilhantes da história. Aliás, uma não, a maioria dos gênios europeus encontrou lá campo fértil para o desenvolvimento de suas ideias, que inclui redes de relacionamentos, acesso ao dinheiro, ferramentas e materiais.

2. Não basta ter conhecimento técnico. A maioria esmagadora dos grandes visionários tem cultura geral ampla e rica, não apenas entendem de um assunto específico. Na cabeça deles convivem em paz matemática, física, eletromagnetismo, poesia, gramática, música, culinária e arte, entre outras coisas. Para ter ideias, é preciso repertório, isso é, colecionar o máximo possível de experiências nas mais diversas áreas do conhecimento. Os gênios sempre souberam disso.

Para quem quiser saber mais a respeito do ambiente de inovação e do perfil do profissional inovador, aqui tem mais artigos: De onde vêm as boas ideiasInovação: quando voar não bastaQuando a inovação chegou na cozinhaCriatividade sem inovação.

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Essa pequena jóia chamada Ljubljana

Confesso que mal tinha ouvido falar da capital da Eslovênia (e da própria Eslovênia) antes de viajar para participar da PAC World, uma conferência técnica na área de proteção e automação elétrica (fomos por causa de nossa empresa, a mergedK).

A cidade é uma verdadeira preciosidade; pequena, charmosa e cheia de amor aos detalhes. A melhor infraestrutura turística que já vi na vida! Tem até carrinho elétrico (esses de campos de golfe) para levar turistas com dificuldade de locomoção para passear no centro histórico. Banheiros limpíssimos e gratuitos, todas as pessoas do setor de serviços falando inglês fluentemente, informação farta, fácil e disponível, muita simpatia, capricho, história, cultura, verde e arte. Você pode alugar bicicletas, passear de barco, praticar Stand-up Paddle ou canoagem. Até um café de gatos achei; mesmo ficar à toa sem fazer nada é lindo naquele cenário. É o mais perto da perfeição turística que já experimentei. Sério. Devia servir de benchmark para todas as outras.

Bom, minha admiração já começou com a própria Eslovênia, que fez  fez parte dos Impérios Romano e Bizantino e, veja só, também do Império Austro-Húngaro (não é à toa que sua arquitetura barroca e com influências do movimento Jungendstil estão presentes em todo lugar). Depois fez parte da antiga Ioguslávia; foi dos poucos países a conseguir sua independência, em 1991, sem guerra (a Sérvia, Croácia, Bósnia Herzegovina, Montenegro e Macedônia não tiveram a mesma sorte), talvez porque falem uma língua completamente diferente das outras. Aliás, essa é outra qualidade surpreendente: com pouco mais de dois milhões de falantes, eles conseguem produzir literatura, cinema, balé, teatro e obras de arte em quantidade e de qualidade impensáveis para essa escala. E o povo tem o maior orgulho (com razão) de conseguir conservar o exótico idioma. A própria Ljubljana (lê-se Liubliáná; o “j” tem som de “i”, como no alemão), com apenas 280 mil habitantes, consegue oferecer cerca de 10 mil exposições culturais por ano! Pense!

Bem no meio da cidade tem uma enorme rocha, onde fica um castelo (no sentido de fortaleza, não de palácio), datado do século XII. Em volta, passa o rio Ljubljanika, com suas dúzias de pontes de variados estilos. No centro histórico, em frente à Igreja Franciscana, existem três pontes lado a lado, uma bem pertinho da outra, chamadas Tromostovje. A explicação é que no início só existia uma ponte, mas a cidade precisava de um caminho para passar o trilho dos bondes. A ideia era demolir aquela e construir uma mais larga, mas o sensato e talentoso arquiteto Jože Plečnik (responsável pela maior parte das obras de urbanização depois da segunda guerra) achou que era uma pena desmanchar uma obra tão boa, antiga e em perfeito estado de funcionamento. Foi então que construíram as outras duas para pedestres. Hoje não passa mais o bonde por lá (aliás, o centro histórico foi recentemente todo fechado para carros, uma verdadeira maravilha!), mas as opções de passagem continuam.

Com a entrada na União Europeia, em 2004, deve ter havido um grande aporte de dinheiro que eles souberam usar muito bem na restauração do castelo e de suas preciosidades arquitetônicas. Além das inúmeras atrações culturais, dos cafés, restaurantes, sorveterias, livrarias e lojinhas de design nas duas margens do rio, tem um parque lindo chamado Tívoli, onde fica a escola de Design Gráfico (fui a uma exposição de gravuras; o prédio é maravilhoso).

Olha, eu passaria um mês lá fácil. Recomendo.

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#paracegover A imagem mostra uma ponte vista de frente. Nas suas laterais, filas de colunas neoclássicas. Ao fundo, casarões coloridos e o castelo no alto do morro. Várias pessoas passam pela ponte no momento.

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#paracegover A imagem mostra um belo exemplo dessa arquitetura belíssima: um prédio amarelo com uma faixa xadrez azul turquesa e branco. A porta é um arco decorado com círculos e arabescos. Duas mulheres caminham na rua.

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#paracegover A imagem mostra mais uma das pontes de Ljubljana; essa com os parapeitos de vidro transparente. Há casarões ao fundo e algumas pessoas passam pela ponte, enquando outras remam em pé em pranchas. Ao fundo, do lado direito, é possível ver o castelo no alto do morro. O céu está azul decorado com algumas nuvens.

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#paracegover Mais uma vista do rio com os casarões antigos em vista panorâmica.

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#paracegover Em primeiro plano, flores plantadas a margem do rio. Ao fundo, vê-se a outra margem com uma escadaria, prédios antigos, uma praça e uma escultura esférica de madeira ao lado de um chafariz.

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#paracegover Vista dos telhados da cidade da trilha que sobe para o castelo.

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#paracegover A imagem mostra, do lado direito, uma parede na sombra; ela é listrada de preto e branco e tem um coração vermelho-vivo com o nome do atelier-loja escrito em branco. Do lado esquerdo, um senhor de roupas claras e chapéu caminha tranquilo.

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#paracegover Essa escultura representa a diversidade das faces humanas. É fácil passar despercebida, ela fica num beco do centro histórico.

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#paracegover Esse prédio, maravilhoso, pertence a um banco. É vermelho vivo e todas as janelas, saliências e contornos são adornados por uma estampa geométrica nas cores azul, vermelho e amarelo. É sensacional!

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#paracegover A imagem mostra uma moça de costas, sentada num banco de jardim, embaixo de uma árvore no parque Tívoli. Ela segura uma sombrinha turquesa. Do lado direito, o prédio da faculdade de Design Gráfico.

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#paracegover Dois exemplos da belíssima arquitetura da cidade. Do lado esquerdo, um prédio de esquina com uma torre arredondada; a parte de baixo é vermelha, e a de cima, amarela. Do lado direito um perfeito exemplar da arquitetura Jugendstil: um prédio também de esquina, mas completamente diferente. A parte superior é toda adornada com estampas em tons de turquesa e vermelho ferrugem.

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#paracegover A imagem mostra uma praça com um sol estilizado desenhado em branco no piso; várias pessoas caminham pelo local e um ciclista passa pelo centro do círculo. Ao fundo, árvores e prédios antigos. O dia está nublado.

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#paracegover A imagem, do centro histórico, mostra a igreja franciscana ao fundo, pintada de vermelho, com um prédio bege na lateral. No primeiro plano vê-se os paralelepípedos de uma das três pontes que atravessam o rio nesse ponto. Do lado direito, um buquê de balões coloridos à venda. Um ciclista passa pela ponte, quase no centro da foto.

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#paracegover A imagem mostra o calçadão do centro histórico com seus guarda-sóis, mesinhas, cadeiras e flores, parte integrante dos inúmeros cafés e restaurantes. Em primeiro plano, um cartaz anuncia o cardápio do dia. Ao fundo, pode-se ver outro desses.

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#paracegover A imagem mostra uma rua estreita, metade na sombra e metade no sol. Do lado esquerdo (sombra), vê-se uma lojinha decorada com esmero, flores e esquadrias pintadas de azul. No sol, pessoas passeiam de bicicleta.

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#paracegover A imagem mostra duas fotos de ruas diferentes. Ambas estreitíssimas; uma reta e outra em curva.

Dia do beijo

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Sexta-feira passada foi um daqueles dias históricos que a gente nem imagina que vai viver. Eu era adolescente quando vi uma reprodução de “O beijo”, de Gustav Klimt, num livro de história da arte da biblioteca pública. Fiquei fascinada e passei a estudar e ler tudo o que encontrava sobre o artista.

Em 1997, quase 20 anos atrás, na primeira viagem que fiz à Europa, para visitar a feira de tecnologia de Hannover, achei um livro lindíssimo da Taschen com os principais trabalhos dele. Naquele tempo os livros de arte não eram tão comuns no Brasil, nem tão acessíveis. Comprei aquela maravilhosidade e nem liguei para o fato do texto estar em alemão. Jamais imaginei que um dia poderia lê-lo. Outra daquelas surpresas sensacionais que a vida nos dá de presente; agora posso decifrá-lo sem dificuldade.

Pois agora pude contemplar a tela original de “O beijo”. Levei um tempo para apreciar os detalhes, pois meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas que teimavam em transbordar. Ainda bem que o Conrado estava ao meu lado para me abraçar e compartilhar um momento tão importante; afinal, foi ele quem me trouxe até aqui.
É tanta gratidão que não tenho nem palavras para expressar. É como se toda a beleza do mundo estivesse concentrada naquela sala, naquela hora.
***
O choro só acabou quando caímos na gargalhada ao ver que o museu teve que reservar uma sala ao lado com uma reprodução para as pessoas poderem tirar selfies. Se não tivesse visto, não acrediatria. O Belvedere ainda teve a presença de espírito de aproveitar esse surto coletivo de narcisismo para criar uma hashtag no Instagram. Assim as pessoas podem divulgar suas selfies e o museu ao mesmo tempo. Se não pode com o inimigo, una-se a eles!

5 coisas que aprendi em Viena

Não, eu não estava preparada para Viena. Estudei, li, pesquisei, mas quando olhei para aquilo tudo, meu queixo caiu. Não sei se porque os pouquíssimos dias que passei lá estavam lindos, era primavera e tudo cheirava a rosas, porque fui com meu amor, ou por tudo isso junto. Não importa.

Meus sentidos ficaram entorpecidos por causa de tanto estímulo, essa é que é a verdade. Mas não à toa; muita história, cultura e arte num lugar lindo só.

Em 1910, Viena era a quinta maior cidade do mundo, perdendo apenas para Londres, Paris, New York e Chicago, mas perdeu 25% de sua população depois da I Guerra Mundial (que, por sinal, começou lá, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do poderoso Império Austro-Húngaro). A dinastia Habsburg acabou, mas deixou um legado de palácios, castelos e jardins de cair o queixo.

Saí de lá feliz e inspirada pelos clássicos, modernos e contemporâneos austríacos. Resumindo bem, aprendi 5 coisas novas a respeito dessa cidade única.

  1. ARQUITETURA

Talvez porque tenha sido poupada de bombardeios nas guerras, há muitas, muitas mesmo, construções originais ainda em estilo barroco, da época áurea dos Habsburg. Sem contar as obras incríveis deixadas pelo movimento Secessão e do louquíssimo arquiteto Friedensreich Hundertwasser (vamos falar sobre ele depois). São castelos, museus, óperas, teatros, parques e edifícios “comuns” de cair o queixo. Só flanar pelas ruas por onde Freud caminhava já é um convite ao torcicolo.

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#mariatheresienplatz #paracegover A imagem, em formato panorama, mostra uma fonte com figuras de bronze ao centro. Do lado esquerdo, o prédio do museu de história natural, na sombra, meio azulado. Do lado direito, o museu de história da arte, iluminado pela luz do sol do final da tarde, num tom alaranjado. Duas mulheres e uma criança caminham do lado direito.

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#KarolinenGasse #paracegover A imagem mostra um prédio que mistura os estilo neoclássico e barroco (pelo menos acho que é isso, mas não sou especialista). As paredes são ornamentadas com pinturas e esculturas.

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#secession #Friedrichstraße #paracegover A imagem mostra o edifício sede do movimento Secessão, construído pelo arquiteto Joseph Maria Olbrich. O prédio é branco e todo ornamentado com motivos no estilo art-nouveau.

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#Majolikahaus #LinkeWienzeile #paracegover A imagem mostra como fazer alguém que gosta de arquitetura ter um ataque do coração: um prédio todo decorado com elementos art-nouveau, típico do movimento Secessão, nascido em Viena no final do século XIX. Essa edificação, construída pelo arquiteto Otto Wagner, é conhecida por Majolikahaus, ou casa de Majolika. O nome remete à Ilha de Mallorca, na Espanha, mas em italiano a palavra significa também faiança, a técnica de pintura em cerâmica esmaltada (a fachada é toda em cerâmica, por isso nunca perde a cor; basta lavá-la periodicamente) .

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#Secession #paracegover A imagem em preto e branco mostra um detalhe do piso do prédio do Movimento Secessão. Os arabescos, curvilíneos e simétricos, são no estilo art-nouveau. Do lado esquerdo aparecem meus sapatos.

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#Schikanedergasse #paracegover A imagem mostra um prédio barroco visto de baixo com o céu azul ao fundo. A fachada é amarela e os contornos das janelas altas, de um amarelo mais forte e dourado. O prédio abriga o Carlton Opera, o hotel em que nos hospedamos (***) e recomendamos.

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#Majolikahaus #LinkeWienzeile #paracegover A imagem mostra uma visão panorâmica dos prédios do arquiteto secessionista Otto Wagner: a Majovikahaus (esquerda, com a fachada florida). O prédio da direita não tem um nome específico, mas é do mesmo arquiteto e igualmente sensacional. É todo em branco com detalhes florais dourados.

2. ARTE

Bem, um lugar que deu origem a um movimento artístico tão importante quando o da Secessão, não pode ser qualquer coisa. Liderado por Gustav Klimt, tudo começou por causa do choque de gerações, em 1861. Havia um órgão oficial, a Cooperativa dos Artistas de Artes Decorativas da Áustria que era muito respeitado (com aquele tanto de castelo e palácio no currículo; como não?), mas a turma de Klimt queria fazer algo novo. Como não conseguiu quebrar os rígidos padrões estéticos da cooperativa, fundou uma nova associação. Como dá para ver em algumas fotos acima, o prédio é lindo (mas completamente diferente dos palácios). Também não dá para esquecer que por aqui andaram Egon Schiele, o discípulo mais próximo de Klimt, e os músicos Amadeus Mozart, Franz Schubert e Johann Strauss, só para citar os mais conhecidos.

A gente vê arte por todo lugar nessa cidade, é só ter os olhos atentos.

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#KartnerStrasse #paracegover A imagem mostra um prédio comercial com lojas no térreo, mas as paredes do primeiro e segundo andares são decoradas com uma pintura barroca mostrando anjos, nobres e cavaleiros de armadura sob um céu azul e em frente a uma parede dourada. Em frente ao prédio há um calçadão com bancos com pessoas sentadas, guarda-sóis e uma árvore (do lado esquerdo).

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#Löwengasse #paracegover A imagem mostra uma rua em primeiro plano, em que os trilhos do tram passam no plano horizontal. Do lado esquerdo há um edifício de esquina cuja parte de baixo é pintado de amarelo vivo com faixas sinuosas alaranjadas. Do lado direito vê-se uma árvore frondosa.

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#DerKuss #BelvedereMuseum #paracegover A imagem mostra o quadro “O beijo”, de Gustav Klimt, onde um homem beija uma mulher. Ambos estão envoltos por um manto dourado. A sala é escura e o fundo é preto. Em primeiro plano pode-se ver pessoas em volta da guia, que está explicando a obra.

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#belvedere #paracegover A imagem mostra uma estátua de uma criatura mitológica, com cabeça e seios de mulher, asas de pássaro e corpo de um leão. Está instalada nos jardins do museu Belvedere.

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#belvedere #paracegover A imagem mostra o teto do átrio da palácio/museu Belvedere. O contorno é dourdo e no centro há uma obra ricamente colorida que mostra anhos e demônios lutando sob o céu azul.

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#magdalenenstraße #paracegover A imagem mostra uma rua de prédios mais recentes (porém mal cuidados). Do lado direito pode-se ver uma parede com uma grade pintura realista mostrando um homem pensativo de barca e boina segurando um aquário. Aos pés dele, um cachorro atento.

3. COMIDA

O mercado público da cidade, o Naschmarkt, é um convite aos sentidos (sinto falta de um mercado grande e variado assim aqui em Berlim; conheço todos os Markthallen, mas nenhum é tão completo). Não curtimos muito comida típica alemã, mas descobrimos um restaurante português (Lisboa Lounge) ali perto que é uma delícia. Comi um dos melhores polvos da minha vida por um preço bem acessível.

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#Nashmarkt #paracegover A imagem mostra uma banca de verduras e legumes dentro do mercado público. Pessoas caminham do lado direito.

4. DIVERSÃO E OUSADIA

Minha percepção foi de que os austríacos são normalmente muito bem humorados. A comunicação facilitou bastante (Viena é a segunda maior cidade com falantes da língua alemã; só perde para Berlim), mas deu para ver que eles sabem se divertir pelos cartazes, avisos e sorrisos. No Museum Quartier, onde tem um espelho d’água no pátio interno, há um aviso fofo para não alimentar os jacarés; as lixeiras são todas mortas de fome pedindo para as pessoas alimentá-las; todas as propagandas são assim, cheias de gracinhas. Sem falar que o parque de diversões Prater completou 250 anos em março desse ano, é mole? E a roda gigante, que funciona até hoje, é de 1897.

No campo ousadia na terra da Conchita Wurst, ninguém melhor que o arquiteto Friedensreich Hundertwasser para representar todo o atrevido bom humor dos austríacos. O sujeito, que devia ser um louco maravilhoso, autointitulava-se o “doutor dos prédios feios”. Bastava que pessoa que morasse em uma horrorosidade chamá-lo e ele ia correndo com sua equipe dar um jeito de colocar cor e diversão no local (o cara trabalhava na obra junto com os pedreiros). Hundertwasser fez até uma “lei dos direitos das janelas” onde o morador teria o direito de fazer intervenções por fora de sua janela até onde seu braço alcançasse para provar que ali morava um ser humano. Preciso dizer que se ele fosse vivo faria qualquer coisa para ser sua estagiária? O livro dele contando os causos é sensacional. Aguardem que vai ter resenha.

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#hundertwasserhaus #paracegover A imagem da esquerda mostra suas mulheres estudando um mapa sentadas na borda de um chafariz. Elas estão sob uma das fachadas do prédio chamado Hundertwasser, que tem um portal curvo cheio de espelhos colados. A imagem da direita mostra os fundos do prédio, todo colorido e coberto de hera.

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#hundertwasserhaus #paracegover A imagem mostra a fachada do prédio projetado pelo arquiteto Hundertwasser. Cada janela é diferentes, assim como cada pedaço é de uma cor. A superfície é toda irregular.

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#hundertwasserhaus #paracegover Mais uma vista do exótico e colorido prédio na esquerda. Na direita, a imagem mostra um leão de cimento fazendo selfie com a casa ao fundo.

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#hundertwasserhaus #paracegover A imagem mostra detalhes da fachada, com duas formas orgânicas, coloridas e com aplicações de espelhos e ladrilhos.

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#hundertwassermuseum #paracegover A imagem da esquerda mostra o prédio interno do museu que homenageia o arquiteto Hunderwasser (ele também projetou esse prédio). A imagem da direita mostra o portal do museu que fica na calçada dos fundos. Um pomba passeia calmamente sob o portal, na calçada.

5. AMOR, MUITO AMOR

O movimento GLBT, como toda cidade com alto nível cultural e artístico, vai super bem por aqui, obrigada. Passamos por vários bares bacanas e lugares coloridíssimos. Na semana anterior à Parada do Arco-Íris, todos os trams (bondes) andaram com uma bandeirinha colorida; os semáforos tinham duas pessoinhas com um coração entre elas, no lugar do tradicional bonequinho. Um amor.

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#straßenbahn #paracegover A imagem da esquerda mostra o detalhe do semáforo, com os dois bonequinhos de mãos dadas e um coração no meio. A imagem da direita mostra um ponto de tram com a ponta de um veículo chegando. Ele carrega a bandeira do arco-íris na dianteira. Na calçada, um casal caminha de mãos dadas.

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#Mühlgasse #paracegover A imagem mostra uma janela com a esquadria branca e vermelha. A parede tem as cores do arco-íris em uma faixa do lado esquerdo. O fundo é amarelo.

Bom, com o tanto de museus que essa cidade tem (são 182 cadastrados) e coisas lindas para ver, com certeza terei que voltar (ainda queremos ir à ópera, pois dessa vez não deu).  Então, para quem vai visitar (ou voltar), fica a dica: reserve o máximo de dias que puder para essa verdadeira experiência sensorial.

Street art também é autoconhecimento

Há alguns dias soube, por um cartaz num ponto de ônibus, que o Groth Gruppe, uma grande construtora (por coincidência, a mesma que construiu o apartamento onde moro), estava promovendo gratuitamente, para quem quisesse participar, workshops de street art no canteiro de obras de um de seus empreendimentos.

A ideia é que os participantes construam coletivamente obras que depois serão expostas no local, com direito a festa e tudo. Achei essa ideia excelente, principalmente para aumentar o sentimento de pertencimento da comunidade a uma obra civil que impacta enormemente o entorno.

Foram três sessões, cada uma facilitada por artistas famosos na cidade (e olha que o que não falta em Berlim é artista). A primeira eu perdi porque não fiquei sabendo, mas aproveitei muito as outras duas. Até porque, analisando agora, quando recebi as fotos do evento, dei-me conta do quanto essas experiências contribuíram para meu autoconhecimento.

O primeiro workshop foi facilitado pelos artistas Various & Gould. O casal tem trabalhos maravilhosos de colagens pela cidade (já fotografei alguns) e a primeira tarefa consistia em escolher duas palavras quaisquer. Cada um escrevia (ou desenhava; eles enfatizaram que a tipografia era um elemento importantíssimo na escolha) a sua e seriam eleitas duas pelo grupo. Minha proposta, a palavra alles (tudo, em alemão) desenhada num formato de globo, foi uma das escolhidas na seleção final. A outra foi Kunst (arte, em alemão), desenhada bem ao estilo grafite por um rapaz.

Enquanto os outros participantes treinavam técnicas de pintura em telas usando moldes, sprays e outras ferramentas, os autores das duas palavras precisavam desenhá-las no painel de acrílico coberto com uma película. A ideia era a gente recortar a película e deixar apenas a palavra coberta. Assim, todos juntos iriam fazer intervenções em diversas camadas e no final a gente tiraria a película, deixando a palavra em branco. Também fiz algumas intervenções, diverti-me muito e foi sensacional. Voltei para casa como criança pequena cansada depois de brincar o dia todo.

O segundo workshop, com o artista Christian Awe, também super prestigiado e conhecido, foi um pouco diferente. Também tínhamos dois paineis grandes para trabalhar, mas ele escolheu uma paleta de cores para cada equipe: uma usaria cores quentes, a outra, cores frias.

Houve mistura de técnicas diversas: aquarela, tinta acrílica, moldes com spray, bolinhas de gude sujas de tinta escorrendo pela prancha, colagens e sobreposições usando fita crepe, enfim, aprendi um monte de coisas. Mas, para mim, o outro tinha sido tão mais legal…

Voltei para casa pensando por que seria. Os dois tinham sido conduzidos por artistas bacanas, os participantes eram praticamente os mesmos e os resultados nem tinham ficado tão diferentes assim.

Depois de muito pensar, descobri: é que não gosto de pintar, eu amo desenhar! No primeiro workshop passei mais da metade do tempo desenhando. No segundo, tentei improvisar um pincel de dedo e depois com um graveto, mas não ficou bom. Para mim, pintar é até divertido, desde que seja um meio para desenhar.

Já pintei muros, quase não tenho mais paredes livres em casa, amo tintas e canetas mais que tudo. Mas preciso desenhar. Sem isso, para mim, é como se a obra ficasse inacabada, como se eu não tivesse conseguido me comunicar. Fica faltando!

Talvez isso explique também meu encanto por obras hiperrealistas e predominantemente figurativas; as abstratas só me chamam atenção se tiverem algum desenho, algum traço deliberadamente desenhado, como Paul Klee.

Enfim, são décadas desenhando e pintando para só agora me dar conta do que realmente gosto de fazer.

Achei interessante compartilhar minha experiência e conclusões porque pode colocar uma pulguinha aí atrás da sua orelha. Ou, quem sabe, no seu caso, um pincel ou um lápis.

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe #paracegover Na imagem eu apareço observando os trabalhos do portfolio do artista Christian Awe. O portfólio está em forma de pranchetas com fotos organizadas dentro de uma caixa de papelão. Estou vestindo um macacão de TNT para proteger a roupa das tintas. Ao fundo um muro rabiscado, um painel rosa pink para ser trabalhado e uma mesa cheia de tintas.

 

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe  #paracegover Na foto eu apareço fazendo experimentos com moldes e tinta em spray. Uso um macacão branco de TNT, máscara descartável sobre o nariz e a boca e luvas azuis. Do lado direito da imagem aparece uma montanha de paralelepípedos, já que estamos trabalhando no canteiro de obras.

 

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe #paracegover Aqui aparecem a equipe que participou do primeiro workshop (19 pessoas) e mais um cachorro fofo que também é artista. Ao fundo, o painel com a palavra “alles” desenhada por mim. Do lado esquerdo, ao fundo, aparece uma parte do painel “Kunst”.

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Fotos: @Klemens Renner @Groth Gruppe #paracegover Na imagem apareço mostrando os testes que fiz numa tela para o artista Christian Awe. É claro que ele incentivou, mas, pela minha cara, dá para ver que não gostei muito do resultado…rs

PS: Meu sonho continua sendo pintar (ou melhor, desenhar) um mural em Berlim. Bem grande. Quem sabe?

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