Alemão para debochados 7: Lego de araque

Imagem: LEGO Shenanigans

Uma das muitas falácias nas quais acreditava antes de começar a aprender alemão é que você pode construir palavras novas a partir das que já existem e expressar o que quiser. Ok, isso até é verdade, mas falando assim parece que a língua é um tipo de Lego; você só precisa conhecer as peças básicas e depois ir encaixando uma na outra.

Pois é, que ilusão… olha só uns exemplos de Legos do mal que fazem a pessoa se desesperar quando está tentando decifrar os hieróglifos germânicos: juntando duas palavras que têm sentidos próprios, elas viram outra NADA A VER.

Parece deboche, mas é verdade, olha só.

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EINSATZ = EIN (um) + SATZ (frase)

Como uma pessoa normal interpretaria = uma frase

O que significa realmente = esforço, emprego, uso (!)

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SCHICKSAL = SCHICK (chique) + SAL (não tem tradução)

Como uma pessoa normal interpretaria = sei lá, alguma coisa a ver com moda ou estilo

O que significa realmente = destino (!)

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ERREGENER (ele) + REGEN (chuva)

Como uma pessoa normal interpretaria = um cara fazendo xixi (chovendo?)

O que significa realmente = excitar, estimular

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AUFHÖRENAUF (sobre, em cima) + HÖREN (ouvir)

Como uma pessoa normal interpretaria = ouvir sobre algum assunto

O que significa realmente = acabar, terminar (!)

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GESCHLECHTGE (partícula que indica o particípio de um verbo) + SCHLECHT (ruim, estragado)

Como uma pessoa normal interpretaria = alguma coisa estragada já há algum tempo

O que significa realmente = gênero sexual (!)

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SCHLÜSSELBEINSCHLÜSSEL (chave) + BEIN (perna)

Como uma pessoa normal interpretaria = uma chave de perna, tipo um golpe de luta?

O que significa realmente = clavícula (!)

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STEGREIFSTEG (ponte de embarque) + REIF (maduro)

Como uma pessoa normal interpretaria = uma ponte velha ou antiga

O que significa realmente = improviso (!)

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ABBILDUNGAB (a partir de) + BILDUNG (formação)

Como uma pessoa normal interpretaria = a partir da escola, um curso superior

O que significa realmente = ilustração (!)

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GEHÖRENGE (indica o particípio de um verbo) + HÖREN (ouvir)

Como uma pessoa normal interpretaria = ter ouvido há algum tempo

O que significa realmente = pertencer (!)

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LEERGUTLEER (vazio) + GUT (bom)

Como uma pessoa normal interpretaria = vazio bom, lazer, ócio?

O que significa realmente = vasilhame (!)

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GEDANKENSTRICHGEDANKEN (pensamento) + STRICH (risco)

Como uma pessoa normal interpretaria = risco de pensar, traço de ideia?

O que significa realmente = travessão (essa eu achei muito boa; se em português fosse assim, ninguém confundiria travessão com hífen).

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Quem tiver mais, aceitamos colaborações 🙂

6 Responses

  1. Avatar
    6 março 2013 at 4:36 pm

    Só posso dizer uma coisa: Mein Gott! (e esta frase consumiu cerca de 70% do meu conhecimento de alemão)

    • ligiafascioni
      ligiafascioni
      Responder
      6 março 2013 at 4:41 pm

      Aahahaha… está entendendo porque estou demorando tanto para ficar fluente? Parece que eles fazem de propósito….. 🙂

  2. Avatar
    3 março 2015 at 6:13 pm

    Com respeito ao Schlüsselbein, é interessante perceber que vários ossos em alemão terminam em “bein” (como terminam em “bone”, em inglês). Assim, Kreuzbein (sacro), Brustbein (esterno), Sitzbein (ísquios), Schienbein (tíbia), Schambein (púbis) e por aí vai.

    • Avatar
      Alberto Costa
      Responder
      14 dezembro 2016 at 1:13 pm

      Esse é um insight interessante… perceber a relação entre “bein” e “bone”, quero dizer. Se a gente voltasse à origem comum dos 2 idiomas, talvez descobríssemos que as 2 palavras, originalmente, têm a ver com osso e que “bein” perdeu na disputa com “knochen” e acabou limitada a descrever um certo “osso” (a perna), por analogia… Mas, vingança das vinganças, manteve-se com o sentido de “osso” nas palavras compostas que descrevem ossos específicos… Se eu voltasse aos 17 anos, escolheria etimologia como profissão – é fascinante o caminho que as palavras fazem no tempo, de um idioma a outro, de um tempo a outro, de um povo a outro…

      • ligiafascioni
        ligiafascioni
        20 dezembro 2016 at 10:20 am

        Você já éum ótimo etimólogo diletante; imagina se fosse profissional… 🙂

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