Origem

Podem me julgar, mas adoro o Dan Brown. Sei que ele é um fabricante em série de thrillers, mas o considero dos mais competentes. Depois de ler meia dúzia de livros dele, já dá para reconhecer a fórmula e não ter muitas surpresas no final (ok, dessa vez tive uma surpresinha que não muda a história, mas achei ousada e ótima). 

Geralmente, as mais de 600 páginas se passam em dois ou três dias em que o professor Robert Langdon está sempre correndo contra o tempo para salvar sua vida e descobrir algum segredo que muda a história do mundo, acompanhado, naturalmente, de uma moça linda e inteligente. E nunca rola nada entre eles, claro, pois mal dá tempo de comerem, dormirem ou irem ao banheiro. 

Pois escolhi o tijolinho para levar na viagem das mini-férias de seis dias na Espanha. E não é que descobri, já esperando o embarque no aeroporto, que a história se passa toda na Espanha? Não exatamente na região onde eu estava, mas já é uma coincidência. A segunda: a grande estrela do romance é um algoritmo de inteligência artificial chamado Winston.

A história é a seguinte: um cientista chamado Edmond Kirsch (descrito como uma espécie de Elon Musk) fez uma descoberta que pode mudar o conceito de religião no planeta. Aliás, pode tornar as religiões totalmente dispensáveis (do ponto de vista dele). 

Kirsch é, para mim, o ponto mais fraco da história. É totalmente inverossímil que alguém nos seus quarenta anos seja capaz de construir um computador quântico sozinho (hardware e software), um algoritmo de IA mais avançado do que tudo o que existe (capaz até de tomar decisões bem polêmicas), e elaborar um modelo sofisticadíssimo para fazer simulações que dependem de conhecimentos aprofundados de biologia, química orgânica e física. Ainda sobra tempo para ser um grande conhecedor de poesia, história e arte. Não dá, né?

Mas fora isso, a trama é muito bem bolada e o trabalho de pesquisa da equipe do autor é realmente incrível. Tudo começa com Kirsch reunindo-se secretamente com três grandes líderes religiosos e contando a eles a sua revolucionária descoberta. É preciso dizer que o moço é um ateísta fanático com sérios problemas psicológicos devido ao seu histórico familiar. Os religiosos ficam assustados com a notícia e dois deles acabam morrendo nos dias seguintes misteriosamente.

Logo depois, em Bilbao, no museu Guggenheim (que ainda preciso visitar), Edmond prepara uma espetaculosa apresentação para convidados especiais; entre eles, Robert Langdon, seu ex-professor em Harvard com quem manteve contato ao longo dos anos. A diretora do museu é noiva do próximo rei da Espanha (o titular está à beira da morte), o que faz as coisas se complicarem muito, envolvendo o governo e a guarda real. 

Pois bem no meio da apresentação, na hora em que Kirsch iria revelar ao mundo sua grande descoberta (com transmissão em tempo real) que responderia definitivamente às questões fundamentais “De onde viemos?” e “Para onde vamos?“, ocorre um atentado e ele morre. 

Robert e a diretora do museu começam a corrida para descobrir a senha da apresentação com a ajuda do Winston para poder, enfim, revelar ao mundo o segredo que tanto ameaça os poderosos que não querem sua divulgação (quem seriam eles?). Partes da história se passam em Sevilla, Madrid e, finalmente, Barcelona, estrelando a Sagrada Família. 

Não posso falar muito para não dar spoiler, mas recomendo como diversão garantida. De quebra, a gente aprende um monte de coisas sobre história, arte, poesia, religião e arquitetura, além de tecnologia, claro.

2 Responses

  1. Ênio Padilha
    Responder
    2 março 2020 at 5:17 pm

    Tamo junto. Adoro o Dan Brown. É o melhor contador de histórias da atualidade. Li TODOS os seus livros e, geralmente, compro os livros dele no pré-lançamento.

    Os livros dele são exatamente isto que você diz: DIVERSÃO GARANTIDA.

    PS. A questão de o Kirsch ser capaz construir um computador quântico (hardware e software), um algoritmo de IA mais avançado do que tudo o que existe, eu realmente não considerei que ele tenha feito isso sozinho e sim que foi capaz de (com seu carisma e dinheiro) liderar um grande grupo de cientistas para essa missão. Mas não tenho certeza de que, em algum ponto da narrativa, isso tenha ou não ficado claro.

    • 3 março 2020 at 6:57 am

      Mas aí mais gente saberia do experimento e não seria um grande segredo, né? O que acho inverossímil é ele ter feito a grande descoberta sem a participação de ninguém (senão teria vazado e não seria mais um grande mistério e não haveria história…rsrsrsr). Toda a descrição do centro de desenvolvimento envolve apenas lugar de trabalho para uma pessoa, incluindo objetos, decoração e até um lugar para ele dormir sozinho. Ninguém da equipe é apresentado, tanto que quando Robert Langdon procura ajuda, no final, é para um pesquisador espanhol entra na história sem saber direito onde está se metendo…

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