Arquivo de ‘filosofia’

1 mar

Ilustração: Mary Janean Sell

Jonathan Safran Foer tem umas tiradas geniais. Seguem alguns trechos de seus escritos (em livros, entrevistas ou textos diversos) com a minha tradução livre e amadora embaixo. Vê se não é de arrepiar (não a tradução; os textos, claro…rsrsrs).

“You cannot protect yourself from sadness without protecting yourself from happiness.”

[Não é possível se proteger da tristeza sem proteger-se também da felicidade]

When I looked at you, my life made sense. Even the bad things made sense. They were necessary to make you possible.

[Quando olho para você, minha vida faz sentido. Mesmo as coisas ruins fazem sentido. Elas foram necessárias para tornar você possível]

There were things I wanted to tell him. But I knew they would hurt him. So I buried them, and let them hurt me.

[Havia coisas que eu precisava contar a ele. Mas eu sabia que elas iriam feri-lo. Então eu as escondi e deixei que elas ferissem a mim]

The more you love someone, he came to think, the harder it is to tell them. It surprised him that strangers didn’t stop each other on the street to say I love you.

[Quanto mais você ama alguém, ele pensou, mais difícil é contar para essa pessoa. Ele se surpreendia que estranhos não parassem uns aos outros na rua para dizer eu te amo]

“Songs are as sad as the listener.”

[Canções são tão tristes quanto quem as ouve]

“My life story is the story of everyone I’ve ever met.”

[A história de minha vida é a história de cada uma das pessoas que encontrei]

I felt suddenly shy. I was not used to shy. I was used to shame. Shyness is when you turn your head away from something you want. Shame is when you turn your head away from something you do not want.

[Eu me senti subitamente tímido. E eu não costumava ser tímido. Eu costumava ser envergonhado. Timidez é quando você desvia o olhar de alguma coisa que você quer. Vergonha é quando você desvia o olhar de alguma coisa que você não quer]*

* Eu sei que minha tradução nessa última frase está bem livre mesmo, mas virar a cabeça em português não tem o mesmo sentido.

Gostou? Quer mais? Então clica aqui, ó.

17 jul

Falando em TED, esse vídeo passou em um dos intervalos do TEDxFloripa. Gente, esse cara simplesmente matou a pau na maneira simples, didática e sensacional que usou para explicar porque devemos respeitar e ser tolerantes com ideias diferentes: simplesmente porque, mesmo que aparentemente contraditórias com as nossas, ambas podem estar certas!

O vídeo tem menos de 3 minutos e vai mudar sua maneira de ver o mundo (é só escolher a legenda em português, se tiver dificuldade de entender). Vai, que eu agarantio!! Depois me diz…

Se o vídeo não aparecer, clica aqui.

23 mai

Peguei o livro do irlandês Gerard Donovan na mão e me senti irremediavelmente atraída, mas dessa vez errei. Imaginava que fosse um romance falando sobre as descobertas da física com toques filosóficos, mas nada disso. A quarta capa trazia umas frases genéricas e avisava que a obra era finalista do Man Booker Prize, um prêmio muito prestigiado. Caí no canto da sereia.

Não que o livro seja ruim, mas só li até o fim de teimosa, prejudicada pelo erro de julgamento e expectativa. O texto, apesar de muito bem escrito, é lúgubre, melancólico e muito triste. Relata uma tarde em que os prisioneiros de uma cidadezinha europeia, durante alguma guerra genérica, são levados para um terreno ao relento, no campo. O frio é demais (talvez isso tenha me incomodado mais que tudo). Neva e venta nervosamente o tempo todo.

O protagonista é o padeiro da cidade, sujeito irremediavelmente misantropo, que está cavando um buraco. Aparentemente, quem fiscaliza a obra é o professor da cidade. Os dois passam a tarde congelando e discutindo sobre as coisas da vida, história, filosofia, guerra, amor e assuntos variados.

Já estava quase no final quando descobri o que, afinal, o telescópio de Shopenhauer tinha a ver com aquilo. É que o professor explica que esse grande filósofo do século XIX disse que, para ganhar perspectiva de qualquer problema, devemos viajar 50 anos para o futuro e utilizar o telescópio invertido para olhar para nós mesmos, como somos e tomar as decisões com o benefício da retrospectiva. Faz sentido. Muito.

A trama, apesar de simples, é bem relatada e o final surpreende um pouco. A questão é que o livro é chatinho mesmo, mas vale a pena se a pessoa tiver paciência. Não me arrependi de ter ido até o final, só não digo que tenha sido divertido. De qualquer maneira, olhando pelo telescópio, daqui a 50 anos, isso não vai fazer a menor diferença…

5 mai

Pérolas do From up North.

Beleza sem inteligência é como uma obra-prima pintada num guardanapo.

Se algumas pessoas estão tentando empurrar você para baixo, isso só pode significar que você está acima delas.

Julgar pessoas não define quem elas são. Define quem você é.

Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu.

17 abr

Mais umas frases bacanas do ótimo From up North. Bom domingo!

Nuca conte seus problemas para qualquer um. 20% não estão nem aí e os outros 80% ficam felizes que você os tenha.

Segurança é mais que tudo uma superstição. Isso não existe na natureza. A vida ou é um aventura ousada ou não é nada...

O único meio de aceitar um insulto é ignorá-lo. Se você não consegue ignorá-lo, sobrepuje-o, insultando de volta. Se você não conseguir sobrepujá-lo, ria dele. Se você não conseguir rir dele, provavelmente você o merece.

14 abr

Todo mundo conhece aquele desenho da pirâmide alimentar, que começa com fartura de cereais e massas na base, depois empilha frutas, hortaliças, leite, leguminosas até chegar na pontinha, com consumo limitado de carnes, gorduras, açúcares e doces.

A pirâmide de Maslow é outra dessas figuras geométricas muito famosas, que coloca as necessidades fisiológicas e de segurança na base para só depois pensar em relacionamentos, aceitação social; a auto-realização fica lá no topo, quando tudo já foi resolvido. Pesquisando mais um pouco a gente descobre pirâmides políticas, organizacionais, socioeconômicas e até, veja só, egípcias.

Como se vê, pirâmides são muito didáticas para deixar bem claro o que é fundamental e o que é cereja; também são ótimas para mostrar por onde se começa a construir bases bem estruturadas para qualquer coisa.

Pois então. Estava aqui ruminando umas alcachofras e resolvi elaborar uma espécie de pirâmide da leitura. Vamos lá então.

Dietrich Schwanitz, em seu “Cultura geral, tudo o que se deve saber” diz que somente a língua nos distingue dos animais e, mais do que a fala, a escrita é a chave para o domínio de uma língua. Falando, a gente pode descrever coisas e pessoas, mas as ideias precisam ser simples porque acompanhar o desenrolar da argumentação exige muita concentração. Por meio da escrita, é possível libertar a linguagem da situação concreta (fatos) e torná-la independente do contexto (ideias). Quando a gente fala, a emoção predomina sobre a objetividade; quando escreve ou lê, desenvolve muito mais a capacidade de abstração.

Beleza. Quer dizer que ler serve basicamente para desenvolver a capacidade de abstração, o que não é pouco se a gente analisar onde isso nos leva: compreender a dimensão e o contexto da encrenca que é esse mundão, o que implica em entender pelo menos o básico sobre como as coisas funcionam e como a gente chegou até aqui; esse passo é fundamental se quisermos mudar a realidade (ou mesmo deixá-la exatamente como está, o que exige esforço igual ou maior).

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6 abr

Mais pérolas pescadas no From up North.

"Algumas pessoas causam felicidade onde quer que cheguem; outras, sempre que vão embora." Oscar Wilde

"Até você valorizar a si mesmo, não irá valorizar seu tempo. Até você valorizar seu tempo, não fará coisa alguma com ele". Peek

"Sucesso não é apenas sobre se realizar na vida, mas sobre inspirar outros a fazê-lo".

23 mar

Faz tempo que procuro um livro específico sobre teoria das cores e, como freqüentadora contumaz de livrarias, estou ficando cada vez mais irritada. Olho com cuidado, busco, reviro tudo e necas de encontrar o tal livro. Em compensação, acho o tal “O segredo” em verso, prosa, ilustrado, box de luxo, comentado, capa dura, brochura, light, poster, pocket book e até em DVD. Pirâmides enormes. Cartazes impactantes. Uma verdadeira overdose de indiscrição para uma coisa que se auto-intitula secreta.

Já demonstrei várias vezes aqui a minha resistência assumidamente preconceituosa contra livros de auto-ajuda, mas agora me rebelei e não quero nem saber, resolvi tocar o dedão bem no meio da polêmica.

Não sou nenhuma especialista em filosofia, aliás, meus conhecimentos na área são bem parcos, mas é dela mesma que vou me valer para argumentar. Minha opinião é a seguinte: a auto-ajuda pode até realmente ajudar algumas pessoas (principalmente seus autores), mas, no mais das vezes, contribuem mesmo é para detonar a auto-estima dos incautos. Eu explico.

Assim como o tal “segredo” e tantas outras obras afins, o mantra repetido à exaustão reza que você pode tudo, que mudar a sua vida só depende da sua força de vontade. Se você ainda precisa de ônibus para se locomover, a Playboy não te chamou para posar nua, sua conta bancária não é Personnalité, suas noites de sábado não saem nas colunas sociais, seu marido está te traindo com a vizinha, sua TV não tem 296 polegadas, seus filhos são umas pestes, seu chefe tem mau hálito, você está 15 kilos acima do peso e seu purê de batatas mais parece cola, a culpa é toda sua! Faltou força de vontade! Você não mentalizou o suficiente! Não seguiu os 7 passos! Os livros bradam aos berros (com ou sem ilustrações): sua vida só é uma droga porque você quer! Ou seja, o ser humano normal que não freqüenta a capa da Caras pode escolher entre se achar burro, masoquista ou incompetente.

Então, o que nos resta? Escondida lá no fundo da livraria, a Marilena Chaui, no excelente “Convite à filosofia“, explica que um dos legados mais importantes da filosofia grega para o pensamento ocidental é a formalização da diferença entre o que é necessário (o que não pode ser senão como é) e o contingente (que pode ou não ser). Além disso, os gregos nos ensinaram que o contingente pode ser dividido entre o acaso e o possível.

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21 mar

Ilustração: Dariusz Klimczak

Há apenas uma semana, se alguém me perguntasse que livro eu levaria para uma ilha deserta, responderia, sem titubear, “O jogo da amarelinha”, de Julio Cortazar. É um romance cujos capítulos estão estruturados para serem lidos em qualquer ordem. Cada seqüência que o leitor escolhe gera uma história diferente. Muitos livros em um. Ideal para uma ilha, não é?

Pois agora mudei. Levaria mesmo é o “Aprender a viver: filosofia para os novos tempos”, do filósofo francês Luc Ferry, com o qual estou encantada. Há tempos não encontrava um livro tão transformador. Luc apresenta, de maneira que um leigo consegue entender, nada menos que a história do pensamento ocidental. Finalmente consegui vislumbrar uma ordem nos capítulos de todos os livros sobre o assunto que eu havia lido antes.

O autor não foge à pergunta clássica: “para que serve a filosofia?” Para Luc, a função essencial desse exercício de pensamento é nos dar algum conforto, alguma salvação, algum sentido para a existência, alguma saída para o medo da morte.

Os estóicos, precursores da filosofia grega, acreditavam que a salvação estava no divino (que era o próprio mundo). O universo era belo, perfeito, harmônico e bom. Devíamos nos conformar com tudo o que acontecia conosco, pois o divino assim o queria e a morte nada mais era do que uma transformação. A salvação dependia de cada um descobrir um meio, usando a razão, de se integrar ao universo. Pena que ao morrer, a pessoa perdia a sua identidade para ser mais uma partícula do todo. Não muito animador, mas, enfim, era o que havia.

Depois veio o revolucionário Cristianismo, onde o divino não era mais o universo em si, mas um Ser externo, Deus. Ele prometia a vida eterna, a ressurreição, o reencontro com os entes queridos e, principalmente, a manutenção do indivíduo como um ser único, não mais como uma simples partícula do universo. Mas quanto custaria tanta maravilha? Simples, o cristianismo lhe oferecia tudo isso em troca da sua razão. Para ganhar vida eterna, basta que você não duvide mais, não questione, não pense. Apenas acredite. O preço é a troca da razão pela fé. A responsabilidade agora é de Outro; terceirizamos a nossa salvação.

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20 mar

De vez em quando posto aqui algumas frases do viciante Quotes on Design, mas o João Carlos Teixeira me apresentou outro site muito bacana também, com a diferença que os ditos são impressos em cartazes muito bacanas; o único porém é que o site não cita as fontes (coisa feia usar a frase sem citar o autor, mas vá lá…).

Olha alguns que peguei no From up North. Vou tentar compartilhar aqui uma vez por semana (vamos combinar toda segunda?).

Bom design é fazer os outros designers sentirem-se idiotas porque a ideia não foi deles...

Boa arte envia mensagens diferentes para cada um; bom design envia a mesma mensagem para cada um.

As melhores coisas da vida não são coisas...

Você tem a eternidade inteira para pensar dentro da caixa...

12 mar

Acompanho vários blogs por aí e muito raramente posto um texto que não é meu. Quando alguém pede para publicar algo aqui, eu sempre me limito a oferecer o link, mas confesso que é porque tenho um ciúme danado dessa minha casinha virtual. Mas esse texto traduz exatamente o que penso e sou fã dessa menina. Guarde esse nome: Juliana Cunha.

Fiquei sabendo porque ela colabora com o delicioso e utilíssimo Oficina de Estilo; lá tinha um link para o irresistível Já matei por menos e virei freguesa.

Olha só o que a Juliana publicou hoje. Queria muito ter escrito isso, então, a única maneira de aplacar a inveja é postando o texto aqui (pelo menos uma parte).

***

Professor César (por Juliana Cunha)

Eu estava vendo esse filme, Blue Valentine, que tem um diálogo entre um pintor de parede e sua mulher. A mulher queria ser médica, virou enfermeira e agora fala sobre todo o potencial que o marido tem e desperdiça. Sobre como ele poderia ser um desenhista ou um músico ouqualquer coisa, mas apenas desperdiça o potencial. O personagem do pintor é bem maletinha, mas eu gamei na resposta dele. Ele perguntou que diabos significa “potencial”, potencial para quê? Por que você tem que reverter seu potencial em dinheiro? etc. Ele pinta paredes. As pessoas ficam satisfeitas. Ele vai pra casa fazer o que quiser.

Ser de classe média deixou de significar ganhar entre tanto e tanto por mês e passou a ser uma questão cósmica. É preciso parecer de classe média, ter uma profissão e um salário de classe média. Ousaria dizer que os dois primeiros itens são até mais importantes.

Dentro desse pensamento, é claro que um pintor de paredes não pode ser de classe média. E é claro que se ele tiver uma pinta de classe média está desperdiçando esse potencial. Esse potencial de ser de classe média.

Quer ler o resto? Vai lá no Já matei por menos

9 fev

Fotografia: Leon Neal

Dia desses, lembrei-me de um fato que ocorreu durante uma viagem de carro a trabalho. Ao passar por um comerciante de beira de estrada que vendia cuias de chimarrão, peles e outros apetrechos campeiros, uma das passageiras murmurou num tom confessional: “Por mim, a minha casa seria cheia desses objetos. Sei que não é bonito, mas eu gosto. Não compro porque tenho vergonha, é muito brega”. Fiquei triste com o desconforto dela em assumir sua sensibilidade estética com tanta reticência, como se fosse errado gostar daquilo que não está na moda. A moça vivia num dilema entre parecer hype e assumir o que a emocionava.

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15 out

Essa tirinha aí de cima, para mim, é uma das coisas mais brilhantes que o genial Luís Fernando Veríssimo já criou (e olha que ele tem muita coisa boa). É sintética, engraçada, profunda.

Pois me lembrei dela ontem quando tive o desprazer de conhecer uma pessoa. Nos cinco minutos em que interagimos, ela pronunciou a palavra burro umas cinco vezes, pobre, umas 8 e ignorante, perdi a conta. Nesse intervalo ínfimo de tempo, despejou seu currículo sobre mim (fala 5 línguas e tem PhD de Harvard).

Gente, se a tese dela ficou muito boa, brilhante mesmo, a criatura conseguiu aumentar em uns 0,003 o índice de conhecimento que os humanos têm do mundo (nem vamos falar no nível de evolução como ser humano). Pode ser muito mais que a média, mas, de qualquer maneira, diante do infinito, o que são 2, 123, 5.928 ou 59 mil?

Que pena, ela aprendeu tanto, mas não tem a menor perspectiva das coisas…

27 ago

Relutei em postar mais uma palestra do TED (está ficando chato tanto vídeo), mas essa é imperdível mesmo. David Logan fala sobre as relações sociais e que todos nós fazemos parte de tribos. Existem 5 níveis diferentes; em qual deles você está?

30 abr

andycrow

Foto: Andy Crow

Hoje fui fazer um lanche na UNISUL, onde ministro algumas disciplinas para o curso de design, e fiquei conversando com o prof. Claudio (ele também dá aulas no SENAC). Como é que pode existir tanta gente extraordinária no mundo bem do nosso lado e às vezes a gente nem percebe? Olha só: entre um pão de queijo e outro, descobri que ele se formou em Filosofia na Unicamp, depois em Ciências da Computação e agora vai se formar em Design na Udesc. Até aí, dá para ver que ele é estudioso, mas nada de anormal.

Mas meu queixo caiu quando ele me contou, de um jeito muito casual e nada pretensioso, que no curso de filosofia os professores exigiam que os alunos estudassem os filósofos na língua original. Isso quer dizer que o Claudio lê e escreve fluentemente em grego, latim, francês, inglês, italiano e, não perguntei, mas acho que alemão também. Como é que essa pessoa estava sentada do meu lado e não tinha uma estrela na testa? E põe fluente nisso, pois estudar filosofia em português já é difícil pra caramba, imagina só em grego!!! E o Claudio é um sujeito muito tranquilo, na dele, a definição perfeita do termo low-profile.

É claro que não vou deixar isso passar assim, né? Ele já prometeu que vai me mandar duas referências de livros de filosofia (Galileu e Diderot), que uma pessoa normal seja capaz de entender (ah, é claro que traduzidos). Muito gentilmente também se dispôs a tirar as minhas dúvidas e disse podemos conversar a respeito na hora do lanche. Uauaauu!!! Ganhei um professor de filosofia nas horas vagas!

Dá para imaginar a sorte que é cruzar com alguém assim numa lanchonete? Agora vou aprender um monte de coisas (ele é muito gente boa). O prof. César também ficou interessado e talvez a gente forme um grupo de estudos, sei lá.

O fato é que tenho observado que, aos poucos, tem surgido gente bacana assim na minha vida (sem falar que sou casada com um gênio). Com meu parceiro de projeto, o Alberto Costa, já tenho aprendido muito (ele manda muito bem no português e tem profundos conhecimentos de teologia, entre outras coisas). Fora as outras pessoas maravilhosas que sempre têm experiências diferentes para compartilhar (conheci uma aluna que tinha morado no Líbano e aprendido árabe sozinha!). Quando me deparo com pessoas assim, fico me sentindo a pessoa mais rica do universo só de poder conhecê-las, é a melhor sensação do mundo!

No mais, recomendo prestar muito atenção em quem se senta do seu lado na lanchonete, na fila, no ponto de ônibus…

6 abr

09070161ee8c328015406b3abc22de0bConfesso que a primeira vez que vi “A elegância do ouriço“, de Muriel Barbery, fiquei curiosa por causa do título, mas a lista de desejos literários era tão grande que acabei deixando para depois. Então ganhei a dica da Raquel (leitora do blog) e mergulhei com vontade. Nossa, que coisa mais linda de se ler. Dá até pena quando a história acaba…

O livro é narrado por duas personagens principais, cada uma com sua visão do mundo: uma zeladora (que em francês tem o chiquérrimo nome de concierge) de um prédio de milionários em Paris e uma menina que mora no tal prédio.

As duas são cultíssimas e filosofam o tempo todo, cada uma do seu jeito (a autora, não por acaso, é professora de filosofia).

A zeladora, que vive num corpo comum de uma mulher gordinha, baixinha e não especialmente bela nos idos de seus 54 anos, é cultíssima e das poucas pessoas do lugar que realmente sabem apreciar o belo e entender o sentido da arte. Ela divide o apartamento com um gato chamado Leon, em homenagem a Tolstoi. Mas como ninguém espera que uma zeladora leia Kant ou ame ópera, Renée (é o nome dela) tem que disfarçar ao máximo para não chamar atenção e incomodar os moradores que se acham gênios intelectuais. Assim, desenvolveu um certo talento para fazer cara de parva e dizer frases com erros gramaticais, o que fica bem engraçado quando a gente sabe o que vai dentro da cabeça dela.

A menina, chamada Paloma, tem 12 anos e é inteligentíssima. Não aguenta a futilidade da vida de seus pais e em especial de sua irmã mais velha, que está fazendo doutorado em filosofia na Sorbonne mas não consegue mais que gastar a gramática com discussões banais recheadas de palavras pretensamente profundas. Paloma está tão desencantada que resolveu se suicidar e botar fogo na casa (para ver se o povo acorda) quando fizer 13 anos. Ela não quer vítimas, quer apenas que as pessoas acordem e parem com o teatrinho cotidiano que a irrita. Ela só mudaria o plano se descobrisse um sentido na vida…

É quando entra na história um japonês elegante que consegue entender as duas e salvar ambas de si mesmas. Belo, belo, belo e belo, é o que posso dizer.

Já descobri que a autora publicou outro livro antes desse, vou já atrás. Depois eu conto!

17 mar

Imagem: Christophe Huet

Se você colocar a expressão “excesso de informação” no Google vai achar mais de 6 milhões de ocorrências, e isso somente em português. Há matérias, estudos, tratados, teses sobre o tema e até doenças (a chamada “síndrome do excesso de informação“, com várias vítimas diagnosticadas).

Esse parece ser o mal do século e ninguém pode fugir. Ok, mas o que caracteriza excesso? Segundo o Aulete Digital, é algo que excede o normal ou desejável, que sobra, que é demais. Mas será mesmo que a gente tem informação demais?

Pois esses dias encontrei, no blog do Dauro Veras, um trecho de entrevista com o sociólogo espanhol Manuel Castells que diz exatamente o contrário. A entrevista completa está no site da BBC (em espanhol, e vale muito a pena ler). A pergunta era se Castells crê que a grande quantidade de informação disponível na Internet nos levará a um novo obscurantismo. Vou fazer uma tradução livre da resposta cujo trecho Dauro reproduziu no original.

Não há excesso de informação.

Se você vai a uma biblioteca que tem 12 milhões de volumes, tem melhores possibilidades de encontrar o que busca do que em uma que tem um milhão de volumes.

O que faz falta é ter a capacidade de saber o que busco, como encontrá-lo e o que fazer com isso.

O que acontece é que a internet exige um desenvolvimento muito maior de nível cultural e educacional dos usuários.

Portanto, a verdadeira brecha em relação ao uso da internet é a brecha mais antiga da humanidade: a cultura e a educação.

Aqueles mais educados, na era da internet aumentam sua capacidade de ação sobre a sociedade e sobre si próprios.

Aqueles com pouca educação se dedicam usar a internet com estupidez e perdem muito mais em relação ao conjunto da sociedade.

Que dizer? Concordo em gênero, número e grau e nada mais tenho a acrescentar.

1 fev

Foto: Kerry Karbakka

Foto: Kerry Karbakka

Já estava namorando do livro desde o ano passado, mas agora finalmente consegui dar conta de lê-lo. Estou falando de “O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas“, do PhD em Física Leonard Mlodinow. Apesar do estofo acadêmico, Leonard contribuiu como roteirista nas séries MacGyver (eu adorava!) e Star Trek, além de ter escrito “Uma nova história do tempo” tendo ninguém menos que Stephen Hawking como co-autor.

Mlodinow explica a teoria da aleatoriedade de uma maneira, que, como diria (e aprovaria) Einstein, até uma garçonete entenderia.

Ele começa já destruindo nossos mais sólidos paradigmas que costumam associar sucesso com competência. Segundo uma galera que se ocupa há anos (na verdade, há séculos) em estudar as questões probabilísticas, o número de variáveis aleatórias envolvidas em qualquer situação da vida real é tão grande que nos seria impossível calculá-las, mesmo que tivéssemos todas as informações necessárias. Sim, o que ele afirma categoricamente é que não há uma associação simples e direta de que a empresa X vai indo bem por causa do talento e brilhantismo seu principal executivo. Ele tem que ser capaz, mas também precisa muito que os eventos aleatórios sobre os quais não possui nenhum controle lhe sejam favoráveis (chamamos isso vulgarmente de sorte). Depois ele mostra uma série de exemplos muito convincentes e faz contas probabilísticas bem simples (que, infelizmente não cabem numa coluna) para corroborar a idéia.

Nós tentamos ser desesperadamente determinísticos o tempo todo: se o filme fez sucesso, então é porque é bom; se fulana se separou é porque o marido a enganava; se beltrano não consegue se dar bem na vida é porque é um fracassado; rápido, fácil, simples e… errado (ou pelo menos, não é bem assim).

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26 jan

Todo mundo conhece aquele desenho da pirâmide alimentar, que começa com fartura de cereais e massas na base, depois empilha frutas, hortaliças, leite, leguminosas até chegar na pontinha, com consumo limitado de carnes, gorduras, açúcares e doces.

A pirâmide de Maslow é outra dessas figuras geométricas muito famosas, que coloca as necessidades fisiológicas e de segurança na base para só depois pensar em relacionamentos, aceitação social; a auto-realização fica lá no topo, quando tudo já foi resolvido. Pesquisando mais um pouco a gente descobre pirâmides políticas, organizacionais, socioeconômicas e até, veja só, egípcias.

Como se vê, pirâmides são muito didáticas para deixar bem claro o que é fundamental e o que é cereja; também são ótimas para mostrar por onde se começa a construir bases bem estruturadas para qualquer coisa.

Pois então. Estava aqui ruminando umas alcachofras e resolvi elaborar uma espécie de pirâmide da leitura. Vamos lá então.

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7 dez

Olha que bacana eu achei no Philos + Hippos, o blog do Felipe Chagas. A frase é ótima e a arte é linda!

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